01 dezembro 2025

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 10: ESPÍRITO — O ÂMAGO DA VIDA HUMANA

Data: 7 de dezembro de 2025

TEXTO ÁUREO:

“Peso da Palavra do Senhor sobre Israel. Fala o Senhor, o que estende o céu, e que funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele.” (Zc 12.1).

VERDADE PRÁTICA:

“Uma vez livre, nossa alma recebe vida espiritual e dirige nosso corpo para adorar e servir ao Criador”. 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE:

Gênesis 2.7; Eclesiastes 12.7; Zacarias 12.1; João 4.24.


OBJETIVOS DA LIÇÃO:

I) Expor que o espírito humano foi concedido diretamente por Deus como parte essencial da natureza humana, capacitando o ser humano a ter comunhão com o Criador; II) Enfatizar que o pecado pode enraizar-se no espírito, gerando atitudes como soberba e inveja; III) Mostrar que a regeneração espiritual é a base para uma vida de adoração genuína, vivida “em espírito e em verdade”.


PALAVRA-CHAVE: ESPÍRITO

A palavra "espírito" na Bíblia é a tradução do termo hebraico ruach e de seu correspondente grego pneuma. O significado desses termos inclui vento, fôlego e espírito, sendo, portanto, uma palavra polissêmica, ou seja, com vários significados. O contexto determinará o sentido específico no texto.

No Antigo Testamento, o termo ruach aparece logo no segundo versículo de Gênesis, referindo-se ao Espírito de Deus: “... e o Espírito de Deus (Ruach Elohim) se movia sobre a face das águas”. Aqui, há uma referência clara à Pessoa do Espírito Santo.

Na ocasião da abertura do Mar Vermelho, o termo ruach se refere ao vento de forma literal e não a um espírito: “... e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento (ruach) oriental, toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas” (Êx 14.21).

Em Eclesiastes 12.7, ruach é utilizado para se referir à parte imaterial do ser humano, composta por espírito e alma: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito (ruach) volte a Deus, que o deu”.

Em outros textos, como Provérbios 18.14, ruach é usado para indicar o ânimo interior ou a disposição emocional: “O espírito (ruach) do homem aliviará a sua enfermidade, mas ao espírito (ruach) abatido quem o levantará?”.

O termo ruach também pode se referir aos anjos, como no Salmo 104.4: “Faz dos seus anjos espíritos (ruach), dos seus ministros (malak) um fogo abrasador”. Embora malak seja o termo mais comum para se referir aos anjos no Antigo Testamento, significando "mensageiro" ou "ministro", ruach também é utilizado para essa finalidade.

Além disso, ruach pode se referir aos demônios, que são anjos que se rebelaram contra Deus: “E o espírito do Senhor (Ruach Elohim) se retirou de Saul, e o assombrava um espírito mau (ruach rah) da parte do Senhor”. Neste caso, o adjetivo rah significa "mau" ou "maligno".

No Novo Testamento, o termo grego pneuma, correspondente ao hebraico ruach, também pode significar vento (Jo 3.8), o espírito humano (1 Co 2.11), um anjo (Hb 1.14), um espírito maligno (Mc 9.25) ou o Espírito Santo (At 13.2). Além disso, o verbo pneo significa soprar ou respirar (Mt 7.25; At 17.25).

Para esta lição, vamos focar no sentido de espírito como o âmago, o centro profundo do ser humano — a parte que transcende a vida física e se conecta com Deus.

INTRODUÇÃO

Após estudarmos três lições sobre o corpo humano e cinco sobre a alma humana e suas faculdades, iniciamos agora três lições dedicadas ao espírito humano. Nesta primeira lição, veremos que o espírito é o âmago, ou seja, a parte mais profunda do ser humano, que transcende a vida física e se conecta com Deus. 

Abordaremos como o Criador nos comunicou o espírito e faremos uma análise das distinções entre espírito e alma. Também discutiremos a importância do espírito para nossa comunhão com Deus, especialmente nos processos de santificação e adoração. 

Nas duas lições seguintes, estudaremos sobre o espírito humano e as disciplinas cristãs, e sobre a profunda comunhão entre o espírito humano e o Espírito de Deus. Por fim, teremos uma lição conclusiva, sobre o assunto estudado neste trimestre, com o título: Preparando o corpo, a alma e o espírito para a Eternidade. 

PALAVRA-CHAVE: ESPÍRITO

A palavra "espírito" na Bíblia é a tradução do termo hebraico ruach e de seu correspondente grego pneuma. O significado desses termos inclui vento, fôlego e espírito, sendo, portanto, uma palavra polissêmica, ou seja, com vários significados. O contexto determinará o sentido específico no texto.

No Antigo Testamento, o termo ruach aparece logo no segundo versículo de Gênesis, referindo-se ao Espírito de Deus: “... e o Espírito de Deus (Ruach Elohim) se movia sobre a face das águas”. Aqui, há uma referência clara à Pessoa do Espírito Santo.

Na ocasião da abertura do Mar Vermelho, o termo ruach se refere ao vento de forma literal e não a um espírito: “... e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento (ruach) oriental, toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas” (Êx 14.21).

Em Eclesiastes 12.7, ruach é utilizado para se referir à parte imaterial do ser humano, composta por espírito e alma: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito (ruach) volte a Deus, que o deu”.

Em outros textos, como Provérbios 18.14, ruach é usado para indicar o ânimo interior ou a disposição emocional: “O espírito (ruach) do homem aliviará a sua enfermidade, mas ao espírito (ruach) abatido quem o levantará?”.

O termo ruach também pode se referir aos anjos, como no Salmo 104.4: “Faz dos seus anjos espíritos (ruach), dos seus ministros (malak) um fogo abrasador”. Embora malak seja o termo mais comum para se referir aos anjos no Antigo Testamento, significando "mensageiro" ou "ministro", ruach também é utilizado para essa finalidade.

Além disso, ruach pode se referir aos demônios, que são anjos que se rebelaram contra Deus: “E o espírito do Senhor (Ruach Elohim) se retirou de Saul, e o assombrava um espírito mau (ruach rah) da parte do Senhor”. Neste caso, o adjetivo rah significa "mau" ou "maligno".

No Novo Testamento, o termo grego pneuma, correspondente ao hebraico ruach, também pode significar vento (Jo 3.8), o espírito humano (1 Co 2.11), um anjo (Hb 1.14), um espírito maligno (Mc 9.25) ou o Espírito Santo (At 13.2). Além disso, o verbo pneo significa soprar ou respirar (Mt 7.25; At 17.25).

Para esta lição, vamos focar no sentido de espírito como o âmago, o centro profundo do ser humano — a parte que transcende a vida física e se conecta com Deus.

TÓPICOS DA LIÇÃO

I. O SOPRO DIVINO: A CONCESSÃO DO ESPÍRITO

No primeiro tópico, temos três subtópicos que nos mostram que Deus concedeu o espírito ao primeiro homem, após soprar em suas narinas, e ele se tornou um ser espiritual, com plena condição de ter comunhão com o seu Criador. Trataremos ainda da tênue divisão entre alma e espírito. 

II. ESPÍRITO, PECADO E SANTIFICAÇÃO

Neste segundo tópico, temos também três tópicos que falam a respeito dos pecados que podem se enraizar no espírito. Trataremos também das raízes do pecado que está na parte imaterial do ser humano (alma e espírito), embora alguns se manifestem também através do corpo. Por fim, veremos como vencer a força do pecado.

III. REGENERAÇÃO E ADORAÇÃO

No terceiro tópico, temos três tópicos a respeito da regeneração e adoração. Iniciaremos com a experiência espiritual do Novo Nascimento. Veremos também que é indispensável a compreensão da obra do novo nascimento para uma correta adoração. Por fim, veremos que a verdadeira e pura adoração nasce de um espírito quebrantado, ou seja, da simplicidade, que não busca a exaltação humana.


Ev. WELIANO PIRES

ESPÍRITO — O ÂMAGO DA VIDA HUMANA

(SUBSÍDIO DA REVISTA ENSINADOR CRISTÃO/CPAD)

Nesta lição, veremos outra particularidade do interior humano. Assim como esboçamos o corpo e a alma nas lições anteriores, o espírito também constitui a tríplice formação humana. Semelhante à alma, que precisa ser cuidada a fim de que a nossa afetividade e racionalidade estejam santificados para Deus, nosso espírito também carece de estar em profunda comunhão e unidade com o Espírito de Deus. O espírito é a parte do interior humano, pelo qual, podemos ter contato com o sobrenatural divino. Essa distinção da alma pode ser notada de maneira mais clara quando oramos ou expressamos adoração a Deus. Nosso interior sente a presença do Espírito Santo e recebemos o seu fortalecimento espiritual, por exemplo, ao término de um culto. Essa experiência é uma evidência notável de que o nosso ser é constituído não apenas de corpo e alma, mas também do espírito que carece de fortalecimento e revestimento (Ef 6.10,11; Cl 3.10).

Vale destacar que nosso Senhor mencionou que os verdadeiros adoradores são aqueles que adoram em “espírito e em verdade” (cf. Jo 4.23,24). Note que a verdadeira e pura adoração é percebida de maneira transparente pelo Espírito de Deus ao sondar o nosso interior, a saber, o nosso espírito e, portanto, não há nada que possamos ocultar aos seus olhos. Assim sendo, não há como ocultar quem somos em nosso mais íntimo interior. Por essa razão, uma adoração verdadeira só pode ser oferecida por aqueles que já experimentaram do novo nascimento.

Conforme discorre o Comentário Bíblico Pentecostal — Novo Testamento (CPAD), “[...] o significado de ‘maneira verdadeiramente espiritual diz respeito à natureza do crente que Jesus criou pelo Espírito. O nascido de novo assume a natureza espiritual de Deus, e assim tem a capacidade de comunicar-se e comungar com Deus. Num estado não-regenerado, ninguém entende o ensino de Jesus, que é de cima. Além do mais, a afirmação ‘Deus é espírito’ do versículo 24 alude à essência de Deus, mas indica que Deus é de natureza espiritual. Para que as pessoas se comuniquem com Ele, elas também têm de ter uma natureza semelhante.” (Volume 1, 2003, pp.512,513). 

Nessa perspectiva, podemos entender que o nosso espírito também precisa ser santificado e consagrado a Deus. Qualquer crente que almeja servir a Deus com sinceridade e verdade, precisa abster o seu espírito de qualquer distração que o faça perder de vista a adoração completa a Deus. Afinal de contas, o Senhor não divide a sua glória com ninguém (Is 42.8). Que o nosso espírito, alma e corpo sejam dedicados com exclusividade para adorar a Deus (1Ts 5.23).

FONTE: Revista Ensinador Cristão, CPAD, Ed. 103, p.41.

27 novembro 2025

O ENSINO SOBRE OS DESEJOS, EM TIAGO

(Comentário do 3º tópico da Lição 9: A contade - o que move o ser humano)

No terceiro e último tópico, trataremos do ensino de Tiago a respeito dos desejos. Abordaremos a relação entre atração e engano. Tiago utiliza a palavra concupiscência para se referir aos desejos carnais que afetam a razão humana e levam o ser humano a pensar que o pecado não traz consequências. Em seguida, falaremos da necessidade de abortar os maus desejos e interromper o processo da tentação, que induz o ser humano ao pecado.

1. Atração e engano.

No texto de Tiago 1.14-15, integrante da leitura bíblica em classe, o apóstolo declara:

“Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.”

A partir do versículo 12, Tiago passa a tratar especificamente da temática da provação e da tentação. Ele afirma:

“Bem-aventurado o varão que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.” (Tg 1.12, ARC)

A palavra grega traduzida por “tentação” na versão Almeida Revista e Corrigida é peirasmós, termo que designa experimento, tentativa, teste ou prova, no sentido de submeter alguém a um exame de fidelidade. A Nova Versão Transformadora (NVT) verte este vocábulo por “provação”, tradução mais adequada ao contexto imediato, especialmente porque no versículo subsequente Tiago declara:

“Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.”

Embora a mesma verbo grego— peirádzō — seja empregada tanto para “tentar” quanto para “provar”, o seu significado varia conforme o contexto. Em determinados casos, refere-se a testar alguém de maneira maliciosa, com o intuito de induzi-lo ao pecado. Tal modalidade de tentação é atribuída ao diabo e aos espíritos malignos, cujo propósito é conduzir o ser humano às práticas pecaminosas.

No sentido positivo, contudo, Peirádzō descreve o ato de provar ou examinar a fidelidade de alguém, não com o propósito de instigá-lo ao mal, mas de revelar e fortalecer sua integridade por meio da experiência. Nesse âmbito, trata-se da provação que procede de Deus. Cabe ressaltar que o Senhor não permite que sejamos provados além de nossa capacidade e jamais nos abandona no processo da provação.

Após afirmar que bem-aventurado é aquele que suporta a provação e que Deus não tenta ninguém — visto que não pode ser tentado pelo mal — Tiago descreve o percurso que conduz do desejo ilícito à consumação do pecado.

A tentação se estabelece quando o ser humano é atraído, como presa conduzida a uma armadilha, e engodado, como peixe seduzido por uma isca. Tal atração e sedução se dão por meio da cobiça. O termo grego utilizado, epithumía, anteriormente traduzido por “concupiscência”, indica desejo intenso, anseio profundo, ou mesmo desejo por aquilo que é moralmente proibido, como as expressões de luxúria. As traduções mais recentes adotam, de forma apropriada, o termo “cobiça”.

Uma vez atraído e seduzido, o indivíduo permite que a cobiça “conceba”, gerando o pecado. Tiago emprega o verbo grego syllambánō, aqui traduzido por “concebido”, em sentido figurado, para ilustrar o ato de ceder à tentação. Assim, o pecado é engendrado na alma humana e, quando plenamente consumado, produz a morte espiritual, entendida como o rompimento da comunhão com Deus.

2. Abortando o processo.

Em qualquer uma das fases anteriormente mencionadas, é possível interromper o processo da tentação e impedir que o pecado se concretize. Conforme exposto, a tentação se estabelece quando o indivíduo é atraído e seduzido por seus próprios desejos. Ciente disso, o inimigo se empenha em apresentar a cada pessoa aquilo que exerce maior poder de atração sobre ela e, de maneira sutil, induz à ideia de que não há mal algum na prática tentadora.

É fundamental ressaltar que o inimigo não possui os atributos divinos da onisciência e da onipresença; ele não conhece nossos pensamentos e intenções, nem está presente em todos os lugares simultaneamente. Todavia, mediante a atuação de seu exército organizado, é capaz de observar a conduta humana, identificar vulnerabilidades e preparar a dose de tentação adequada para cada indivíduo. Assim, alguém que sempre rejeitou o cigarro, mesmo antes da conversão, dificilmente será tentado nessa área; contudo, poderá ser confrontado com tentações condizentes com suas fragilidades, como seduções de cunho moral ou propostas ilícitas de benefício financeiro.

a) Abortando a tentação na fase da atração. Para impedir que a atração inicial evolua para sedução e, posteriormente, para o pecado, alguns princípios são essenciais:

  1. Andar no Espírito
    Andar no Espírito impede que a carne encontre ocasião para manifestar seus impulsos, direcionando a inclinação do crente para as coisas de Deus. Uma vida de comunhão — marcada por oração, jejum, leitura e meditação na Palavra — impede que os desejos carnais encontrem espaço no interior do cristão.

  2. Vigilância e fechamento de brechas
    É imprescindível evitar ambientes, situações e influências que possam despertar ou intensificar desejos ilícitos. A vigilância constante previne que a atração se transforme em consentimento.

b) Abortando a tentação após a concepção do pecado. Caso a tentação avance e o pecado seja “concebido”, ainda assim existe a possibilidade de interromper o processo. Isso se dá por meio de:

  • Recepção humilde da repreensão do Senhor através das Escrituras;

  • Reconhecimento do perigo espiritual e súplica por perdão;

  • Afastamento imediato de toda aparência do mal.

Se o pecado já alcançou o nível do pensamento, ele foi gerado, mas ainda pode ser abortado. Quando o desejo pecaminoso deixa de ser alimentado, morre por inanição. Entretanto, se continuar sendo nutrido, chegará à consumação e conduzirá o crente à morte espiritual.

c. Após a consumação do pecado: ainda há esperança? Mesmo na fase final, quando a cobiça gerou o pecado e este se consumou, ainda há esperança de restauração. O apóstolo João declara:

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. E Ele é a propiciação pelos nossos pecados; e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” (1 Jo 2.1-2)

Enquanto estivermos neste mundo, sujeitos à natureza pecaminosa, estamos propensos a cair. O dever cristão é vigiar e orar para não entrar em tentação. Todavia, caso o pecado se concretize — excetuando-se a blasfêmia contra o Espírito Santo, que é imperdoável — ainda existe possibilidade de perdão. Jesus Cristo permanece como nosso Advogado diante do Pai, pronto a conceder-nos perdão mediante sincero arrependimento, conforme afirma João:

“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 Jo 1.9)

Ev. WELIANO PIRES

26 novembro 2025

DESEJOS: DA ESCRAVIDÃO À REDENÇÃO

(Comentário do 2º tópico da Lição 9: Vontade - o que move o ser humano)

No segundo tópico, trataremos dos desejos, desde a escravidão até a redenção. Iniciaremos abordando a experiência de Israel no deserto, que, mesmo tendo sido liberto da escravidão no Egito, continuou cativo de seus próprios desejos. Em seguida, falaremos sobre os desejos no contexto cristão. Mesmo tendo sido salvos por Cristo, enquanto estivermos neste corpo mortal continuaremos convivendo com a natureza pecaminosa. Por fim, analisaremos a decisão do homem redimido de subjugar seus desejos carnais e ser guiado pelo Espírito.

1. A experiência do deserto.

Israel é o único povo na terra que foi formado exclusivamente por Deus, para que, por meio dele, nascesse o Salvador do mundo. Antes da existência de Israel, Deus chamou um homem em Ur dos Caldeus, na antiga Mesopotâmia, cujo nome era Abrão. Este homem era casado com Sarai, sua esposa, vivia com seus pais e irmãos e não tinha filhos.

Deus chamou Abrão diretamente e ordenou que ele deixasse sua terra, seus parentes, e fosse para uma terra desconhecida, que Ele haveria de lhe mostrar. Deus prometeu abençoá-lo e fazer dele uma grande nação. Abrão saiu com Sarai, sua esposa, e levou consigo o sobrinho Ló, filho do seu irmão Harã, que já havia falecido.

No meio do percurso, os empregados de Abrão e Ló se desentenderam, e eles tiveram que se separar. Dez anos se passaram desde que Abrão e Sarai chegaram a Canaã, com a promessa de Deus de que seriam pais de uma grande multidão. Nessa ocasião, Abrão já estava com 85 anos, e Sarai com 75. Pelos meios naturais, seria impossível gerarem filhos. Além da esterilidade de Sarai, que nunca tivera filhos, ela já tinha idade avançada e o ciclo menstrual encerrado.

Diante deste quadro, Sarai entendeu que seria impossível gerar filhos e teve uma ideia para "ajudar" a Deus no cumprimento da promessa. Ela disse a seu esposo: "Eis que o Senhor me tem impedido de dar à luz; toma, pois, a minha serva; porventura terei filhos dela" (Gn 16.2).

Esta atitude de Sarai era compreensível do ponto de vista cultural, legal e humano, pois era uma prática comum na sociedade da época. Sem questionar a atitude precipitada de Sarai, Abrão deu ouvidos à sua esposa e fez o que ela sugeriu. Sarai errou ao tentar "ajudar a Deus" com uma atitude precipitada, mas Abrão também falhou, pois ele era o patriarca da família e foi a ele que Deus fez as promessas.

Deste relacionamento de Abrão com Agar, sua serva, nasceu Ismael, que se tornou o pai dos povos árabes. Treze anos depois, o Senhor apareceu a Abrão, identificando-se como "Deus Todo-Poderoso" (heb. El Shadday) e reafirmou a promessa de que ele teria um filho, mas deixou claro que seria filho de sua esposa, Sarai. Em seguida, Deus mudou o nome de Abrão, que significa "pai exaltado", para Abraão, que significa "pai de uma multidão". Mudou também o nome de Sarai, que significa "princesa", para Sara, que significa "minha princesa".

Finalmente, nasceu Isaque, o filho da promessa, quando Abraão tinha cem anos e Sara 90. O nome "Isaque" (riso) foi dado porque Sara riu ao ouvir a promessa de que seria mãe aos 90 anos. De Isaque, Deus escolheu seu filho mais novo, Jacó, para, através dele, formar a nação de Israel. Jacó era o filho preferido de sua mãe, Rebeca, enquanto seu irmão Esaú era o preferido de seu pai, Isaque.

Essas preferências familiares geraram um grande conflito entre os irmãos, a ponto de Esaú decidir matar Jacó, que foi forçado a fugir de casa para salvar a sua vida. Orientado por seu pai, Isaque, Jacó foi para Harã, terra de sua mãe, para morar com seu tio Labão. De duas mulheres e duas concubinas, Jacó teve doze filhos e uma filha. Os doze filhos de Jacó formaram a nação de Israel. José, o filho preferido de Jacó, foi vendido como escravo por seus próprios irmãos. Esse acontecimento, no entanto, fazia parte do plano de Deus para torná-lo governador do Egito.

Como governador, José trouxe seu pai e toda a sua família para morar no Egito. Após a morte de José e de todos os seus irmãos, levantou-se um novo rei no Egito que não conhecia José e decidiu escravizar o povo de Israel. Essa escravidão foi extremamente cruel e dolorosa para os israelitas, pois, além da opressão do trabalho escravo, os egípcios matavam seus filhos recém-nascidos para impedir o crescimento do povo israelita.

Mas Deus estava no controle da situação e libertou Israel da escravidão, conduzindo-os à terra prometida sob a liderança de Moisés. O processo de libertação contou com muitos milagres da parte de Deus, que enviou dez pragas sobre os egípcios, mas essas pragas não atingiram os israelitas.

Diante de todo o cuidado de Deus para com Israel — desde a chamada de Abraão, passando pela vida de Isaque, Jacó e José, e, finalmente, a libertação da escravidão — Israel deveria ser o povo mais grato a Deus. Entretanto, não foi isso que aconteceu. Após saírem da escravidão e começarem a peregrinação pelo deserto, o povo de Israel murmurou várias vezes e sentiu saudades do Egito, tornando-se escravo de seus próprios desejos, como podemos ver no Salmo 106.14-15:

“Mas deixaram-se levar pela cobiça no deserto, e tentaram a Deus na solidão. E Ele lhes cumpriu o seu desejo, mas enviou magreza às suas almas.”

Apesar de todas as maravilhas realizadas por Deus no Egito e no deserto, os israelitas lembravam-se das comidas do Egito (Nm 11.5-6) e lamentaram-se pela falta de comida. Tomados pela ingratidão, desejaram retornar à escravidão, de onde Deus milagrosamente os libertou (Êx 20.2; Dt 26.8). Esta é uma triste característica da pessoa que se torna escrava dos próprios desejos e passa a cultuá-los como um ídolo. Esta filosofia é chamada de hedonismo, que é a busca do prazer a qualquer custo. 

O apóstolo Paulo nos alertou sobre o perigo de seguir nossos próprios desejos sem discernimento, tomando como base o exemplo do povo de Israel no deserto (1Co 10.1-13). Seguir nossos próprios desejos, como os israelitas, pode levar à destruição. Por isso, é necessário aprender com a experiência do povo de Israel e buscar satisfação em Deus, e não em nossos desejos momentâneos.

Paulo escreveu também que a história de Israel foi registrada como advertência para nós:

"Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança" (Rm 15.4).

2. Os desejos na era cristã. 

Uma certa igreja neopentecostal que tem uma pomba como símbolo utiliza uma prática exótica em seus programas de televisão: coloca cigarros, bebidas alcoólicas e entorpecentes diante de ex-viciados como prova de que foram libertos. As pessoas, ao terem contato com essas substâncias, fazem cara de nojo e afirmam que não sentem mais nenhuma vontade de consumi-las.

Muitos cristãos, equivocadamente, pensam que, após a conversão, estão totalmente livres dos maus desejos. No entanto, quando nos convertemos a Cristo, nossa velha natureza pecaminosa não é eliminada, mas sim subjugada. Ela continua dentro de nós, e precisamos lutar contra ela o tempo todo, enquanto estivermos neste corpo mortal.

Entretanto, o Espírito Santo passa a habitar em nós, e recebemos também uma nova natureza, segundo os padrões de Deus. Passamos a ter não apenas o desejo de agradar ao Senhor, mas também o poder do Espírito, que nos fortalece e nos capacita a vencer a velha natureza. Aliás, sem o poder do Espírito ninguém consegue vencer sozinho. Por isso, o apóstolo Paulo escreveu:

“Andai em Espírito e não cumprireis as concupiscências da carne.” (Gl 5.16) 

3. A decisão do homem redimido. A obra da salvação realizada por Cristo nos liberta do poder do pecado. Diante dos desejos da carne e da vontade do Espírito, o homem redimido inclina-se “para as coisas do Espírito” (Rm 8.5). Isso é resultado de sua nova natureza (Ef 4.24; 2Co 5.17). Significa que não podemos nos conformar com os desejos do velho homem, mas, pelo poder do Espírito, nos dedicar ao processo de mortificação de nossa carne, a velha natureza (Rm 8.11-13; Cl 3.5). Nossos desejos pecaminosos não deixam de existir, mas em Cristo triunfamos sobre eles; vivendo, andando e frutificando no Espírito (Gl 5.22-25; 1Jo 3.6).

A obra da salvação tem seu início no sacrifício de Cristo por nós. Sem esse sacrifício, não haveria possibilidade de salvação através de obras, sofrimento ou merecimento. Todos somos pecadores e incapazes de alcançar a salvação por meios próprios. Por isso o apóstolo Paulo escreveu:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2.8-10).

Antes da conversão, todos nós estávamos mortos em nossos pecados e ofensas, e éramos, por natureza, inimigos de Deus. Entretanto, Deus, rico em misericórdia, decidiu nos salvar e ofereceu o único meio possível: o Cordeiro que tira o pecado do mundo, Jesus Cristo, o Justo. 

O Espírito Santo comunica esta mensagem ao pecador e influencia sua vontade para que possa crer em Deus. Contudo, o ser humano continua tendo a responsabilidade de aceitar ou rejeitar a salvação. A obra da salvação consiste em um processo que envolve três aspectos:

3.1. Justificação. A partir do momento em que alguém crê em Cristo e o recebe como Senhor e Salvador, inicia-se o processo da obra da salvação. A primeira etapa é a justificação. A justificação é um termo jurídico que se refere ao cancelamento da sentença de alguém culpado. Esse cancelamento só pode ser feito pela parte ofendida — Deus. Ele declara o pecador justo, não por seus próprios méritos, mas pelos méritos de Cristo, que lhe são atribuídos.

3.2. Regeneração. A segunda etapa é a regeneração, ou novo nascimento. Trata-se da criação de uma nova natureza no ser humano, conforme Deus, inclinada para as coisas espirituais. A pessoa regenerada passa a ter uma nova mentalidade e é transferida da morte para a vida (Jo 3.3–7; 2Co 5.17; Tt 3.5). A regeneração não elimina a natureza pecaminosa, mas introduz uma nova natureza que entra em conflito com a antiga.

3.3. Santificação. A terceira etapa é a santificação, uma obra realizada pelo Espírito Santo no interior do crente, capacitando-o a se afastar do pecado e a aproximar-se de Deus. A santificação possui três dimensões:

a) Santificação Posicional. Acontece no momento da conversão, quando Deus nos separa para Si e nos declara santos.

b) Santificação Progressiva. É o processo contínuo de transformação ao longo da vida, que nos capacita a lutar contra o pecado, crescer em obediência e tornar-nos cada vez mais parecidos com Cristo.

c) Santificação Futura (Glorificação). É o estágio final da salvação, quando receberemos um corpo glorificado e estaremos completamente livres da presença do pecado. Somente nesse estágio seremos plenamente perfeitos, com um caráter completamente semelhante ao de Cristo.

Ev. WELIANO PIRES

VONTADE: MOTIVAÇÃO E AÇÃO

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 9: Vontade - o que move o ser humano)

No primeiro tópico, trataremos da vontade como força motivadora que nos conduz às ações. Iniciaremos pelo conceito de vontade nas Escrituras. Em seguida, abordaremos o processo de evolução do pensamento humano até a ação, o qual passa pelos sentimentos e pela vontade. Por fim, analisaremos o caso de Adão, que apresentou fraqueza de vontade e pecou, mesmo sem ter sido enganado.

1. Conceito de vontade. 

No comentário sobre a palavra-chave desta lição, apresentamos um amplo conceito de “vontade”, tanto no sentido etimológico quanto no sentido bíblico. Aqui, o comentarista nos traz uma definição mais resumida: “É a capacidade humana de desejar, querer, almejar, escolher e agir.” Em seguida, ele acrescenta que a vontade também pode ser entendida como motivação.

De fato, a nossa vontade é uma força motivadora que nos impulsiona a realizar alguma coisa. Tanto que, quando alguém perde o interesse por algo que antes apreciava, dizemos que está desmotivado ou que perdeu a motivação. Na Psicologia, a desmotivação ou perda de vontade pode ser sintoma de vários problemas emocionais:

a) Apatia: Perda do interesse por coisas que antes eram importantes. A pessoa passa a não ver diferença entre fazer ou não aquilo de que antes gostava.

b) Avolição: Dificuldade de iniciar um objetivo e de manter ações que já começaram.

c) Anedonia: Incapacidade de sentir prazer em atividades que anteriormente eram prazerosas.

d) Prostração / cansaço emocional: Diminuição da vontade ou da motivação por causa de estresse, sobrecarga, esgotamento e falta de descanso.

e) Desmotivação situacional: Perda de vontade apenas em algumas áreas da vida, relacionada a frustrações, decepções, falta de propósito ou sofrimentos específicos.

O comentarista também nos ensina que a vontade se manifesta quando fazemos algo que inicialmente não era o nosso querer, mas o realizamos por aderir voluntariamente à vontade de outra pessoa — como a de Deus, por exemplo. É quando não desejamos fazer algo, mas o fazemos porque queremos agradar a Deus, que se agrada daquela atitude.

Davi expressa isso no Salmo 143.10:

“Ensina-me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus; o teu bom Espírito me guie por terra plana.”

Da mesma forma, Jesus, em profunda agonia no Getsêmani, orou ao Pai, dizendo:

“Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.” (Lc 22.42).

No processo da conversão, evidentemente, o primeiro passo é dado por Deus em nossa direção. Pela nossa própria vontade, corrompida pelo pecado, nenhum de nós se converteria por iniciativa própria. Deus, por meio de sua graça preveniente – que é anterior à conversão, influencia a nossa vontade e nos capacita a crer em Jesus. Entretanto, a decisão de crer ou não continua sendo responsabilidade do ser humano.

Após a conversão, o cristão abre mão da própria vontade para viver a vontade de Deus. Sobre isso, o apóstolo Paulo declarou:

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim.” (Gl 2.20).

2. Do pensamento à ação. 

As três faculdades da alma — intelecto, afetividade e volição — estão interligadas. Conforme vimos na lição 7, os pensamentos têm diversas origens e nem sempre evoluem para um desejo. No entanto, as emoções e os sentimentos, conforme estudamos na lição 8, estão intimamente relacionados, de modo que os sentimentos são interpretações que fazemos das nossas emoções. Da mesma forma, a vontade nasce dos pensamentos, que evoluem para sentimentos, depois para desejos e, por fim, para ações.

O comentarista apresenta aqui o caso de Eva no Jardim do Éden. Inicialmente, ela sabia que não deveria comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Sua natureza ainda não havia sido corrompida pelo pecado e, portanto, não havia nela o desejo de pecar. Contudo, ao receber a mensagem enganosa transmitida pelo inimigo, ela refletiu sobre o assunto. Seu pensamento evoluiu para o desejo de ser como Deus (Gn 3.5). Finalmente, esse desejo transformou-se em ação, e ela comeu do fruto (Gn 3.6).

Aqui percebemos o processo completo que leva ao pecado. Primeiro vem a tentação, que é como o “marketing” do inimigo para tornar o pecado atraente. Depois surge o pensamento acerca dos argumentos diabólicos. Em seguida, aparece a atração ou desejo pelo pecado — aquilo que Tiago chama de concupiscência. Então ocorre a consumação do ato pecaminoso. E, por fim, surgem as consequências, cuja culminação é a morte (Tg 1.14,15; Rm 6.23). Falaremos mais detalhadamente sobre esse processo no terceiro tópico.

3. Fraqueza de vontade. 

Diferente de Eva, Adão não teve nenhum diálogo com o inimigo. Ele recebeu de Deus uma ordem clara: não comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Não questionou, não argumentou — simplesmente obedeceu, ao menos no início. Adão não passou pelo mesmo processo de tentação que Eva enfrentou. Contudo, isso não diminui sua responsabilidade, nem significa que seu pecado foi menor, ou que a culpa recai apenas sobre Eva.

A verdade é que a responsabilidade maior estava sobre Adão. Deus confiou a ele o mandamento. Ele era o representante da humanidade. E uma pergunta inevitável surge: onde estava Adão enquanto sua esposa conversava com o tentador? Além de obedecer ao comando divino, ele tinha o dever de cuidar do Jardim, dos animais e de sua família. A sabedoria que Deus lhe deu era suficiente para orientar Eva, lembrá-la da Palavra do Senhor e protegê-la — mas ele não o fez.

Aqui eu abro um parêntese necessário para falar da responsabilidade espiritual do cristão dentro de sua casa. Deus nos chamou para ensinar Sua Palavra à família, interceder por ela e fechar as brechas espirituais, a fim de que o inimigo não encontre ocasião. Cada pessoa, é claro, tem seu livre-arbítrio e presta contas individualmente diante de Deus. Mas isso não anula o nosso papel de sentinelas do lar, guardiões espirituais daqueles que amamos.

O comentarista também nos alerta sobre decisões equivocadas que muitas vezes são tomadas com plena consciência. Há quem peque por falta de conhecimento das Escrituras ou por descuido na vigilância. Mas há também aqueles que sabem exatamente o que Deus ordena, conhecem as consequências, e mesmo assim seguem pelo caminho errado. Quando o pecado é praticado deliberadamente, ele nunca vem sozinho. Um abismo chama outro abismo, e quem se entrega ao erro pode chegar a um ponto de ruptura, onde o retorno se torna cada vez mais distante.

Que Deus nos guarde! Que o Espírito Santo nos mantenha vigilantes, sensíveis e obedientes. E que, pela graça, sejamos instrumentos de proteção e edificação em nossos lares.

Ev. WELIANO PIRES 

25 novembro 2025

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 9: VONTADE — O QUE MOVE O SER HUMANO

TEXTO ÁUREO:

“Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne.” (Gl 5.16).

Contexto:

Nesta última seção da Epístola aos Gálatas, o apóstolo Paulo apresenta um contraste entre dois estilos de vida que se opõem entre si: viver segundo a carne e viver segundo o Espírito Santo (Gl 5.16–26).

Palavras-chave:

Andar (gr. peripateíte): Significa caminhar, em sentido literal; também pode significar fazer bom uso das oportunidades, regular a própria vida, conduzir-se ou comportar-se. Neste texto, “andar” tem o sentido de conduzir-se em conformidade com a vontade de Deus.

Espírito (gr. pneuma): aparece 385 vezes no Novo Testamento e possui diversos significados — espírito humano, sopro, vento, espírito maligno ou o Espírito Santo, que é o sentido aplicado em Gálatas 5.16.

Concupiscência (gr. epithumía): Refere-se a um forte desejo, anseio ou desejo ardente. No Novo Testamento, essa palavra aparece apenas três vezes com sentido positivo:

Lc 22.15 — o “desejo” de Jesus de comer a Páscoa com os discípulos;

Fp 1.23 — o “desejo” de Paulo de partir e estar com Cristo;

1Ts 2.17 — o “grande desejo” de Paulo de rever os irmãos.

Nas demais ocorrências, epithumía possui sentido negativo, indicando desejos ilícitos, impulsos pecaminosos, cobiça ou anseio por aquilo que se opõe à vontade de Deus.

Carne (gr. sarx): É um termo polissêmico na Bíblia. Pode significar:

O corpo humano ou animal;

A humanidade em geral;

A fragilidade humana;

A natureza carnal, isto é, a disposição pecaminosa do ser humano, inclinada ao mal e contrária a Deus.

Este último significado é o que Paulo utiliza em Gálatas 5.16. 

A Nova Versão transformadora traduz este texto assim: “Por isso digo: deixem que o Espírito guie sua vida. Assim, não satisfarão os anseios de sua natureza humana”. (Gl 5:16).

VERDADE PRÁTICA:

“Guiada por Deus, a vontade é uma bênção extraordinária, vital para a existência humana”.

Assim como os pensamentos e as emoções, a vontade humana foi concedida por Deus ao ser humano e não é, em si mesma, pecado. Contudo, ela foi corrompida pelo pecado e precisa ser restaurada e guiada por Deus, para nos conduzir a escolhas acertadas. Na oração do Pai-Nosso, Jesus ensinou seus discípulos a pedirem: “Faça-se a tua vontade”. O apóstolo Paulo, por sua vez, escrevendo aos Romanos, afirmou que “a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita”. (Rm 12.2). 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gálatas 5.16-21; Tiago 1.14,15; 4.13-17.

Objetivos da Lição: 

I) Explicar o conceito bíblico de vontade como capacidade dada por Deus para escolher e agir; 

II) Mostrar como os desejos podem escravizar o ser humano, mas também como a redenção em Cristo capacita o crente a vencer a carne e viver guiado pelo Espírito;

III) Ensinar a identificar o processo de tentação, compreendendo como o desejo se desenvolve até o pecado.

Palavras-chave: VONTADE 

A palavra portuguesa vontade deriva do latim voluntas, que, por sua vez, vem do verbo volere, que significa “querer” ou “desejar”. De voluntas deriva também a palavra voluntário, que se refere a alguém que se dispõe a fazer algo espontaneamente, sem qualquer constrangimento ou coação.

No Antigo Testamento, a palavra hebraica râtsôn, traduzida por “vontade”, aparece 56 vezes e significa prazer, favor, boa vontade ou aceitação (Sl 40.8). Râtsôn pode se referir tanto à vontade de Deus — isto é, ao seu prazer ou plano — quanto à vontade humana, aquilo que uma pessoa deseja ou decide. Há também o termo chafets, que significa desejo ou prazer em realizar algo (Sl 35.27).

No Novo Testamento, o termo grego traduzido por “vontade” é thélēma, forma prolongada do verbo thelō, que significa querer, gostar, ter em mente, pretender ou ter satisfação em algo (Mt 6.10; Rm 12.2; 1 Ts 4.3 etc.). Temos ainda o termo epithumía, traduzido por “deleites” ou “concupiscência”, que significa desejo, anelo, anseio, ou desejo por aquilo que é proibido, como a luxúria. Há também o termo boúlomai, que significa querer deliberadamente, ter um propósito, desejar ou estar disposto a fazer algo.

INTRODUÇÃO 

Nas lições 7 e 8, estudamos sobre duas faculdades da alma: o intelecto (pensamentos) e a sensibilidade (sentimentos e emoções). Nesta lição, estudaremos a última faculdade da alma que é a vontade ou volição. 

Deus criou o ser humano à sua imagem, conforme a sua semelhança, conforme já falamos em lições anteriores. O ser humano foi dotado por Deus de capacidade de escolha, ou seja, pode decidir, planejar, obedecer ou desobedecer. Entretanto, será responsabilizado por suas escolhas. 

Atualmente, é comum ouvirmos frases como: “Eu faço o que quero”, “Sigo meu coração” e “Minha vontade é lei”. Mas, será que a nossa própria vontade sempre nos conduzirá a escolhas corretas? 

Após a Queda, assim como aconteceu com o nosso intelecto e sensibilidade, a nossa vontade também foi corrompida. Mas, se for guiada por Deus, a nossa vontade se torna uma poderosa ferramenta para escolhas sábias e uma vida frutífera.

TÓPICOS DA LIÇÃO 

I. VONTADE: MOTIVAÇÃO E AÇÃO

No primeiro tópico, trataremos da vontade como motivação para as nossas ações. Iniciaremos pelo conceito de vontade nas Escrituras. Em seguida, abordaremos o processo de evolução do pensamento humano até a ação, o qual passa pelos sentimentos e pela vontade. Por fim, analisaremos o caso de Adão, que apresentou fraqueza de vontade e pecou, mesmo sem ter sido enganado.

II. DESEJOS: DA ESCRAVIDÃO À REDENÇÃO

No segundo tópico, trataremos dos desejos, desde a escravidão até a redenção. Iniciaremos abordando a experiência de Israel no deserto, que, mesmo tendo sido liberto da escravidão no Egito, continuou cativo de seus próprios desejos. Em seguida, falaremos sobre os desejos no contexto cristão. Mesmo tendo sido salvos por Cristo, enquanto estivermos neste corpo mortal continuaremos convivendo com a natureza pecaminosa. Por fim, analisaremos a decisão do homem redimido de subjugar seus desejos carnais e ser guiado pelo Espírito.

III. O ENSINO SOBRE OS DESEJOS, EM TIAGO

No terceiro e último tópico, trataremos do ensino de Tiago a respeito dos desejos. Abordaremos a relação entre atração e engano. Tiago utiliza a palavra concupiscência para se referir aos desejos carnais que afetam a razão humana e levam o ser humano a pensar que o pecado não traz consequências. Em seguida, falaremos da necessidade de abortar os maus desejos e interromper o processo da tentação, que induz o ser humano ao pecado.

Ev. WELIANO PIRES 

24 novembro 2025

VONTADE — O QUE MOVE O SER HUMANO

(SUBSÍDIOS DA REVISTA ENSINADOR CRISTÃO/CPAD)

Nesta aula, veremos mais um aspecto inerente à natureza humana. Não menos importante do que os demais, vamos compreender com maiores detalhes a vontade ou volição como também é chamada. Na cosmovisão cristã, a vontade é um tema muito discutido, haja vista ser uma capacidade humana que ficou comprometida pela ação do pecado após a Queda. Vale destacar que a volição não é por natureza ruim. Antes, é a motivação inerente da alma, que nos leva a agir e a tomar decisões. Foi o Criador quem nos concedeu essa capacidade e, portanto, nos cabe o dever de submetê-la a Deus, conforme os ensinamentos de sua santa Palavra.

As Escrituras são contundentes em mostrar que a vontade divina, muitas vezes, contraria os anseios da natureza humana sem Deus. Grande parte dos desejos humanos é influenciada diretamente pela ganância do possuir o que não lhe pertence, do ser na intenção de satisfazer ao ego e do poder para ostentação e status (1Jo 2.16, 17). O grande desafio da vida cristã é viver neste mundo de tal forma que os desejos da natureza humana não comprometam as decisões ou mesmo a conduta cristã. Nesse sentido, os anseios da natureza humana devem ser disciplinados pelo ensino da Palavra de Deus. O apóstolo Paulo ressalta que “a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis” (Gl 5.17).

De acordo com o estudo doutrinário da Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global (CPAD), “‘A natureza pecaminosa’, ou a ‘carne’ (gr. ‘sarx’), indica a natureza humana com os seus desejos corruptos e a sua tendência de desafiar a Deus e seguir o seu próprio caminho. Isto tem acontecido desde que o primeiro homem e a primeira mulher desobedeceram a Deus e permitiram que o pecado entrasse no mundo e infectasse a existência humana (Gn 3; Rm 5.12-21). A natureza pecaminosa permanece nos cristãos, mesmo depois que eles decidem aceitar e seguir a Cristo; ela continua a ser o seu inimigo mortal, que batalha contra o seu espírito (Rm 8.6-8,13; Gl 5.17,21). Os que seguem as tendências e os comportamentos da natureza pecaminosa não podem fazer parte do Reino de Deus (Gl 5.21). Por este motivo, é preciso resistir a esta natureza pecaminosa e matá-la, espiritualmente, por meio de uma contínua batalha espiritual que os cristãos devem travar e vencer, pelo poder do Espírito Santo (Rm 8.4-14)” (2022, p.2126). 

Por essa razão, o crente deve ter sua mente ocupada continuamente com coisas espirituais (Cl 3.2-7), buscando a sabedoria que vem do Alto (Tg 3.13-18), a fim de que o exercício diário resulte em uma vida que mortifique a carne e cultive o Fruto do Espírito (Gl 5.19-22). 

23 novembro 2025

SENTIMENTOS GUARDADOS POR DEUS

(Comentário do 3⁰ tópico da lição 8: Emoções e sentimentos – a batalha do equilíbrio interior)

O terceiro tópico tratará dos sentimentos guardados por Deus. Abordaremos inicialmente a falsa ideia de autossuficiência emocional e o equívoco de confiar exclusivamente em técnicas humanas de gerenciamento emocional. Embora úteis, tais técnicas não substituem a ação transformadora da graça divina.

Comentaremos também Filipenses 4.7, onde o apóstolo Paulo afirma que a paz de Deus — alcançada por meio da obediência, humildade e oração — guarda o coração e os pensamentos dos servos de Cristo. Essa paz não apenas consola, mas age como um “vigia espiritual” que protege nossas emoções e sentimentos.

1. A falsa autonomia humana. 

O comentarista chama nossa atenção para a falsa sensação de autonomia do ser humano, especialmente quando este acredita ser plenamente capaz de controlar suas próprias emoções e sentimentos. Assim como em todas as áreas da ciência, o conhecimento humano tem seu valor e oferece contribuições importantes; porém, é sempre limitado e incapaz de fornecer soluções plenas para os dilemas emocionais e espirituais.

No campo das emoções e dos sentimentos, fala-se muito atualmente sobre a chamada inteligência emocional, entendida por seus defensores como a capacidade de reconhecer, compreender, utilizar e gerenciar emoções em si mesmo e nos outros, orientando pensamentos e comportamentos. A inteligência emocional se sustenta em quatro pilares: autoconsciência, autogestão, consciência social e gestão de relacionamentos.

Sem dúvida, essas técnicas possuem relevância no desenvolvimento pessoal, profissional e relacional do ser humano, auxiliando no enfrentamento de fobias, no aprimoramento da empatia e na diminuição de conflitos. Contudo, surge um problema quando se tenta substituir a ação do Espírito Santo por métodos puramente humanos, fenômeno que alguns chamam de “psicologização da fé”.

2. Obediência, humildade e oração. 

Não haverá verdadeiro equilíbrio emocional onde não houver a paz de Deus — uma paz que não nasce de técnicas, mas da presença transformadora do Espírito Santo. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Filipenses, afirmou:

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Fp 4.7)

A “paz de Deus” mencionada neste texto é diferente da “paz com Deus”, à qual Paulo se refere em Romanos 5.1:

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.”

A paz com Deus diz respeito à nossa reconciliação com Ele e é resultado da justificação pela fé em Cristo. Antes de conhecermos o Senhor, éramos inimigos de Deus, e sobre nós pesava uma sentença de condenação eterna. Mediante o sacrifício de Cristo, todos os que n’Ele creem são justificados, perdoados e reconciliados com Deus, passando, portanto, a ter paz com Deus — independentemente do que sentem.

A paz de Deus, no entanto, é diferente. Ela se refere ao descanso e à tranquilidade interior que o salvo experimenta, produzidos pelo Espírito Santo. Essa paz ultrapassa os limites da compreensão humana, não depende das circunstâncias da vida e é alcançada mediante a abnegação, a obediência e a humildade, conforme o exemplo de Cristo (Fp 2.3-8). 

Ev. WELIANO PIRES 

20 novembro 2025

EMOÇÕES: EXPERIÊNCIA E CONTROLE

(Comentário do 2º tópico da Lição 8: Emoções e sentimentos — A batalha do equilíbrio interior)

Ev. WELIANO PIRES

No segundo tópico, trataremos da experiência e do controle das emoções. Inicialmente, veremos como o cristão deve reagir e tomar decisões diante das emoções instintivas. Em seguida, estudaremos a relação entre emoções e o pecado. O fato de algumas emoções surgirem de forma espontânea não elimina a possibilidade de se tornarem pecaminosas quando não são submetidas à vontade de Deus.

Ao final, destacaremos também o aspecto positivo das emoções. Mesmo as emoções incômodas — como medo, tristeza ou indignação — podem gerar benefícios para a vida espiritual, emocional e relacional quando disciplinadas pelo Espírito Santo.

1. Reação e decisão.

No tópico anterior, vimos que Deus nos criou com a capacidade de ter emoções instintivas como reações ao que nos acontece, preparando o corpo para se defender ou fugir de perigos. Essas emoções são involuntárias e não são pecados em si mesmas. Porém, embora as emoções sejam instintivas e esteja fora do nosso controle senti-las ou não, temos a responsabilidade de decidir como nos comportar diante delas.


O comentarista usou como exemplo a ira, que é uma emoção natural de todo ser humano. Mas ela pode se transformar em pecado se for duradoura e se transformar em ódio. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios, disse:

“Irai-vos e não pequeis” (Ef 4.26).


Essa recomendação do apóstolo Paulo deixa claro que o fato de alguém ficar irado não significa que pecou. A palavra grega traduzida por irai-vos neste texto é orgízō, derivada de orgḗ, que significa agitação da alma, impulso, desejo, raiva, ira, indignação ou qualquer emoção intensa.


Há também a palavra grega thymós, traduzida em Colossenses 3.8 por indignação ou cólera. Refere-se a uma paixão, raiva, fúria ou ira que surge de forma imediata e logo se acalma. O fato de alguém ficar irado diante de alguma injustiça ou maldade cometida não é pecado; é, na verdade, um senso de justiça.


Quem não fica indignado ao ver uma pessoa inocente ser agredida ou assassinada? Quem não fica irado ao ver sua casa recém-pintada ser pichada por um vândalo durante a madrugada? Ou alguém que tem o seu carro destruído por um motorista inconsequente, bêbado, em alta velocidade? Esse tipo de atitude naturalmente nos causa indignação.


O próprio Deus se ira contra o pecado, e sua ira é justa. A Bíblia afirma que a ira de Deus se manifesta contra aqueles que suprimem a verdade e praticam o mal:

“Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça” (Rm 1.18).


Se não podemos evitar que a ira nos alcance diante das injustiças e maldades que nos fazem, podemos e devemos evitar que essa ira se transforme em ódio e produza uma raiz de amargura em nosso interior. Isso seria dar lugar ao diabo, como escreveu o apóstolo Paulo em Efésios 4.27: “Não deis lugar ao diabo”.


2. Emoção e pecado.


Quando o pecado entrou no mundo, toda a estrutura interior do ser humano foi profundamente afetada. Nada ficou intocado — nem mesmo as nossas emoções. Aquilo que Deus criou para ser expressão pura da alma passou a ser, muitas vezes, influenciado pela natureza caída. Por isso, algumas emoções que experimentamos podem revelar áreas do coração ainda não totalmente rendidas ao Senhor.


A Palavra de Deus nos alerta sobre isso. Em Gálatas 5.19-21, o apóstolo Paulo descreve as obras da carne, e muitas delas tocam diretamente nossos relacionamentos: inimizades, ciúmes, iras, discórdias, divisões e invejas. São sentimentos que brotam quando as emoções não estão debaixo do governo do Espírito Santo.


O comentarista nos lembra que o orgulho, por exemplo, abre espaço para reações emocionais como ira, rejeição e hostilidade. Da mesma forma, o egoísmo alimenta ciúmes, inveja e desprezo pelos outros. Caim é um triste exemplo disso: movido pela inveja, não suportou ver seu irmão Abel sendo aprovado por Deus. A inveja não quer necessariamente possuir o que o outro tem; ela simplesmente se irrita porque o outro recebeu algo que não recebeu.


Outro exemplo é Nabal, marido de Abigail. Um homem duro, arrogante e ingrato, cujas atitudes provocaram a indignação de Davi (1Sm 25.10-11). Sua postura quase trouxe morte sobre toda a sua casa, não fosse a intervenção humilde e sábia de Abigail.


Esses exemplos nos ensinam que as emoções não tratadas podem nos conduzir a decisões ímpias e destrutivas. Por isso, cada dia é uma oportunidade para entregarmos o nosso coração ao Senhor e permitir que Ele nos purifique, produzindo sentimentos nobres em nosso interior. Quando entregamos o nosso coração a Ele, o Espírito Santo produz em nós as virtudes do Fruto do Espírito.


3. O aspecto positivo das emoções.


O nosso corpo produz muitas sensações físicas que funcionam como sinais constantes, mostrando como estamos por dentro e ajudando-nos a tomar decisões importantes para o nosso bem-estar. No lado emocional, acontece algo parecido: as emoções também têm um papel positivo e servem para nos proteger e orientar. Mesmo aquelas que parecem desagradáveis ou sem importância têm funções essenciais para a nossa vida.


As emoções preparam o corpo para agir em diferentes situações, sejam elas boas ou ruins, assim como as sensações físicas nos avisam quando algo não está bem. Dessa forma, corpo e emoções trabalham juntos para cuidar de nós.


Por exemplo, quando sentimos medo, o cérebro libera rapidamente um hormônio chamado adrenalina, que prepara o corpo para agir em situações de perigo, estresse ou emoção intensa. Nesses momentos, a pessoa pode encontrar força para saltar um muro alto ou velocidade para correr, algo que não teria em uma situação de calmaria. O medo também nos ajuda a perceber riscos e a tomar os cuidados necessários. Por isso, uma pessoa alcoolizada ou sob efeito de drogas, que tem essa emoção prejudicada, pode não perceber os riscos e se expor ao perigo.


No entanto, é preciso ter cuidado com o medo imaginário e com as fobias. Nesses casos, o medo deixa de cumprir sua função natural de proteção e se torna um sofrimento constante. Em vez de ajudar a pessoa a se manter segura, ele começa a atrapalhar o dia a dia, criando limitações que nem sempre correspondem a um perigo real.


Quando isso acontece, atividades simples e importantes — como falar em público, sair de casa, entrar em um elevador, andar de avião ou estar em ambientes com muitas pessoas — podem se tornar grandes desafios. O corpo reage como se estivesse diante de uma ameaça verdadeira, mesmo que, racionalmente, a pessoa saiba que não há motivo para tanto.

A PESSOA DE DEUS PAI

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 2: Deus, o Pai) No terceiro tópico, trataremos da Pessoa de Deus, o Pai, considerando especialmente os atr...