19 fevereiro 2026

A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 8: O Deus Espírito Santo)

Neste segundo tópico, abordaremos a divindade do Espírito Santo. Iniciaremos tratando do debate “Filioque”, uma expressão latina que significa “e do Filho”.

Na sequência, falaremos sobre os atributos divinos presentes na Pessoa do Espírito Santo, os quais comprovam a sua divindade.

Por último, trataremos dos símbolos do Espírito Santo utilizados na Bíblia, que nos ajudam a compreender o seu caráter e a sua atuação.

1. O debate “Filioque”. A expressão latina filioque significa “e do Filho”, foi inserida no Credo Niceno-Constantinopolitano para reafirmar o ensino bíblico que o Espírito procede do Pai e do Filho: “o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome” (Jo 15.26 — NAA); “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9); “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho” (Gl 4.6). Esse debate ocorreu no século IV em virtude das heresias do arianismo e dos pneumatômacos. Em 381, após confirmar que o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem a mesma essência divina, a igreja aprovou o Credo que ratificava as Escrituras e professava a fé: “no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.

A expressão latina “Filioque” é desconhecida da maioria dos nossos professores e alunos, principalmente onde não há um conhecimento teológico mais aprofundado. Por isso, faz-se necessário trazer uma explicação mais detalhada sobre os concílios da Igreja.

Os concílios eram reuniões da liderança eclesiástica para discutir temas doutrinários e se posicionar a respeito de heresias que surgiam no seio da Igreja. A primeira vez que a Igreja precisou realizar um concílio foi por volta do ano 49 d.C., ainda no período apostólico, para discutir a questão dos judaizantes, que afirmavam: 'Se os gentios não forem circuncidados, não podem ser salvos.' (Concílio de Jerusalém).

Posteriormente, surgiram as chamadas heresias cristológicas que negavam: a humanidade de Cristo (Docetismo e Gnosticismo); a sua divindade (Arianismo); ou a tripessoalidade de Deus (Modalismo). Para responder a essas questões, houve o Concílio de Niceia em 325 d.C., o qual afirmou que o Filho é consubstancial (homoousios) ao Pai, produzindo o Credo Niceno.

Até então, pouco se definia sobre o Espírito Santo. Os credos Apostólico e Niceno diziam apenas 'Creio no Espírito Santo', sem fazer afirmações detalhadas sobre a sua Pessoa. No entanto, com o surgimento da heresia dos pneumatômacos (do grego pneuma 'espírito' e machomai 'combater') — que aceitavam a divindade de Cristo, mas recusavam a do Espírito Santo —, tornou-se necessária uma nova definição.

Para debater esta questão, foi convocado o Concílio de Constantinopla em 381 d.C., que afirmou a divindade da Terceira Pessoa da Trindade e acrescentou as seguintes palavras ao Credo: 'Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado.’

Séculos depois, no século VI, a Igreja Ocidental, no intuito de combater novos focos de arianismo na Espanha, acrescentou a cláusula ao Credo Niceno-Constantinopolitano: 'Que procede do Pai e do Filho (Filioque)'. Até então, o texto oficial dizia que o Espírito Santo procedia apenas do Pai. Esse acréscimo foi um dos principais motivos que provocou a ruptura entre a Igreja Oriental (Ortodoxa) e a Igreja Ocidental (Católica Romana) em 1054, evento conhecido como o 'Grande Cisma do Oriente'.

Na Reforma Protestante, os reformadores mantiveram a posição da Igreja Ocidental. Eles entenderam que tal formulação é bíblica, visto que o Espírito Santo é enviado tanto pelo Pai quanto pelo Filho, conforme João 15:26: 'Mas, quando vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.'”

2. Os atributos divinos do Espírito. Todos os atributos divinos do Pai e do Filho podem ser igualmente relacionados com o Espírito Santo, tais como: Onipotência, o Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas (Lc 1.15; Rm 15.19). Onisciência, não existe nada além de seu conhecimento (At 5.3,4; 1Co 2.10,11). Onipresença, não há lugar algum onde se possa fugir da sua presença (Sl 139.7-10). Eternidade, Ele não passou a existir no Pentecostes, pois estava presente no ato da criação (Gn 1.1,2; Hb 9.14). Esses atributos absolutos são exclusivos da divindade. Tais virtudes são, de modo inequívoco, evidências da deidade do Espírito Santo. Essas características lhe são inerentes, não lhe foram agregadas nem conferidas. A Terceira Pessoa da Trindade possui a mesma essência do Pai e do Filho.

Nas lições em que estudamos a respeito do Pai e do Filho, vimos que ambos possuem atributos exclusivos da divindade, pois nenhuma criatura — seja anjo ou ser humano — os possui. A Bíblia nos revela que esses atributos divinos também pertencem ao Espírito Santo, o que comprova a sua plena divindade.

a) Onipotência. Trata-se de um atributo exclusivo de Deus, pois todo poder e toda autoridade pertencem a Ele. A Bíblia demonstra que o Espírito Santo exerce pleno poder: “Pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus...” (Rm 15.19a).

b) Onisciência. O Espírito Santo conhece todas as coisas, inclusive as profundezas de Deus: “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2.10,11).

c) Onipresença. Significa que Deus está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. O Espírito Santo também possui esse atributo divino, conforme declara o salmista: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no Sheol a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Sl 139.7-10).

d) Eternidade. Atributo divino que afirma que Deus nunca teve princípio e jamais terá fim. Nunca houve um tempo em que Deus não existisse. Ele é eterno, existindo acima do tempo e não sujeito às suas limitações.O Espírito Santo é chamado de “Espírito eterno”: “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hb 9.14).

À luz das Escrituras, afirmamos que o Espírito Santo possui atributos incomunicáveis: onipotência, onisciência, onipresença e eternidade. Tais atributos pertencem exclusivamente a Deus. Portanto, o Espírito Santo é Deus, da mesma essência do Pai e do Filho, coeterno, coigual e consubstancial com ambos.

3. Os símbolos do Espírito. Os principais símbolos representativos do Espírito Santo são: Fogo, utilizado para retratar o batismo no Espírito (At 2.3), simboliza pureza, a presença e o poder de Deus. Água, o Espírito flui da Palavra como águas vivas que refrigeram o crente e o revestem de poder (Jo 7.37-39). Vento, se refere à natureza invisível do Espírito (Jo 3.8). No Pentecostes é representado pelo som como de um vento (At 2.2). Óleo, usado para a luz e a unção, simboliza a consagração do crente para o serviço, e a iluminação para o entendimento das Escrituras (2Co 1.21,22; 1Jo 2.20,27). Pomba, o Espírito desceu sobre Jesus em forma de pomba (Mt 3.16), é símbolo da paz e da mansidão. Cada símbolo atua como figuras para a compreensão do caráter e da atuação do Espírito.

A Bíblia apresenta diversos símbolos que ilustram a ação do Espírito Santo, tais como: o fogo, a água, o vento, o óleo (ou azeite) e a pomba. Entretanto, isso não significa que o Espírito Santo seja qualquer desses elementos, nem que todas as referências bíblicas a esses símbolos se refiram diretamente a Ele.

a) Fogo. O fogo, na Bíblia, geralmente está associado à presença de Deus (Êx 3.2) e simboliza purificação, santificação e poder. No Dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja Primitiva, “foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (At 2.3,4).

O texto não afirma que o Espírito Santo seja fogo, mas que sua manifestação visível ocorreu em forma semelhante a línguas de fogo, indicando sua obra purificadora e capacitadora.

b) Água. A água é indispensável para a vida humana, animal e vegetal. Onde não há água, não há vida. Ela simboliza purificação, renovação e vida espiritual.

Jesus declarou: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” (Jo 7.38). Na sequência, o evangelista explica que Ele se referia ao Espírito Santo, que haviam de receber os que nele cressem (Jo 7.39).

Assim, a água simboliza a ação regeneradora e vivificadora do Espírito Santo.

c) Vento. O vento é invisível, poderoso e não pode ser controlado pelo homem. Nos tempos bíblicos, não se compreendia plenamente sua origem ou direção.

Jesus afirmou: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (Jo 3.8).

O termo grego pneuma pode significar tanto “vento” quanto “espírito”, reforçando a analogia feita por Jesus. O símbolo destaca a soberania e a atuação invisível do Espírito Santo.

d) Óleo ou azeite. Nos tempos bíblicos, o azeite era utilizado como combustível para lâmpadas, como elemento medicinal e na unção de reis, sacerdotes e profetas.

Como símbolo do Espírito Santo, o óleo representa unção, consagração e capacitação divina para o serviço. O apóstolo Paulo declara: “Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus, o qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações” (2 Co 1.21,22).

A unção aponta para a atuação interior do Espírito na vida do crente.

e) Pomba. A pomba é apresentada nas Escrituras como um animal limpo, podendo ser oferecida em sacrifício pelos que não possuíam maiores recursos (Lv 12.8). Também é associada à paz, à simplicidade e à mansidão. 

No batismo de Jesus, o Espírito Santo desceu sobre Ele “como pomba” (Mt 3.16). O texto não afirma que o Espírito seja uma pomba, mas que sua manifestação ocorreu de forma visível semelhante a ela, evidenciando pureza e aprovação divina.

Os símbolos do Espírito Santo revelam aspectos importantes de sua atuação e nos auxiliam na compreensão de sua obra. Entretanto, é necessário cautela na interpretação, evitando alegorizações excessivas ou associações indevidas.

Os símbolos não definem sua essência. O Espírito Santo é Deus, a terceira Pessoa da Trindade, coeterno e coigual com o Pai e o Filho, digno de adoração e obediência.

Ev. WELIANO PIRES 

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