(Comentário do 3º tópico da Lição 5: O Juízo contra Sodoma e Gomorra)
Neste
terceiro e último tópico, trataremos do momento da destruição de Sodoma,
Gomorra e das cidades circunvizinhas. Logo após a saída de Ló, de sua esposa e
de suas duas filhas, caiu do céu fogo e enxofre, consumindo completamente
aquelas cidades.
Veremos
que o nosso Deus é amoroso e bondoso, mas também é justo, punindo severamente
os pecadores que rejeitam o arrependimento e ultrapassam todos os limites da
maldade. O escritor da Epístola aos Hebreus afirma que o nosso Deus é “fogo
consumidor”, evidenciando o seu juízo santo.
Na
sequência, observaremos que a destruição daquelas cidades foi uma catástrofe
sem precedentes. À semelhança do que ocorreu no dilúvio, quando apenas Noé e
sua família foram salvos, em Sodoma escaparam somente Ló e suas duas filhas.
Seus genros, bem como sua esposa, pereceram.
Por
fim, abordaremos a história da esposa de Ló. Embora não tenha sido alcançada
diretamente pelo fogo, pois saiu de Sodoma com seu esposo e suas filhas, ela
pereceu por causa de sua desobediência a Deus, sendo transformada em uma
estátua de sal.
1.
Deus “é fogo consumidor”. Algumas pessoas, inclusive entre as
que se dizem cristãs, têm dificuldades em aceitar certos atributos de Deus,
especialmente a sua justiça. Dão grande ênfase ao amor, à misericórdia e à
bondade divinas, mas rejeitam a ideia do juízo e da punição. Esse tipo de
pensamento tem dado origem a doutrinas equivocadas, como o universalismo — que
ensina que todos serão salvos — e o aniquilacionismo, que nega a realidade do
castigo eterno, afirmando que os ímpios simplesmente deixarão de existir.
A
Bíblia, no entanto, não respalda tais ensinos. Desde o princípio, Deus exerce
juízo sobre o pecado. Os primeiros a sofrerem as consequências da rebelião
foram o diabo e os anjos que com ele se insurgiram. Expulsos do Céu, estão
reservados para o juízo eterno no lago de fogo.
Após
esse evento, o primeiro casal humano, ao pecar, também experimentou a punição e
as consequências de sua desobediência. Foram expulsos do Jardim do Éden,
tornaram-se mortais e passaram a experimentar enfermidades, degeneração e morte
física. Além disso, tiveram sua natureza corrompida pelo pecado e foram
separados de Deus.
Depois
da Queda, a iniquidade multiplicou-se sobre a Terra, corrompendo a criação
divina. Por essa razão, Deus trouxe o juízo do Dilúvio sobre a humanidade.
Contudo, em sua graça, preservou Noé e sua família, garantindo a continuidade
da raça humana por meio da arca.
Após
o Dilúvio, Deus prometeu que não destruiria novamente toda a humanidade.
Todavia, isso não significa que Ele não execute juízo sobre os ímpios. Foi o
que ocorreu com aquelas cidades, cuja pecaminosidade atingiu níveis
intoleráveis, levando Deus a destruí-las.
O
padrão de Deus permanece o mesmo: Ele é amoroso, compassivo e longânimo,
desejando que os pecadores se arrependam. A iniciativa da salvação parte sempre
de Deus, pois o ser humano, por si só, não pode alcançá-lo. Entretanto, o
Senhor é o justo Juiz de todo o Universo e punirá aqueles que praticam o mal e
se recusam a abandonar o pecado.
2.
Uma catástrofe sem igual. O texto bíblico afirma que, assim que
Ló entrou em Zoar — lugar para onde pediu ao Senhor que pudesse ir —, o Senhor
fez chover enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra, destruindo completamente
aquelas cidades, seus moradores e toda a vegetação (Gn 19.24,25). Não sabemos
quantas pessoas foram exterminadas nessa destruição, porém é evidente que se
tratava de cidades densamente povoadas.
O
comentarista chama a atenção para o reduzido número de pessoas que se salvaram,
tanto no episódio do Dilúvio quanto na destruição de Sodoma e Gomorra. Em ambos
os casos, houve zombaria por parte daqueles que foram advertidos. Noé,
pregoeiro da justiça, anunciou o juízo divino durante longo tempo — cerca de
cento e vinte anos —, mas não foi ouvido, e apenas sua família foi salva. De
modo semelhante, Ló procurou alertar seus genros, porém estes não deram crédito
às suas palavras e zombaram dele.
Nos
dias atuais, a mensagem do Evangelho continua sendo proclamada, advertindo que
Jesus Cristo voltará para buscar a sua Igreja. Aqueles que não se arrependerem
enfrentarão a perdição eterna. Contudo, muitos insistem em permanecer no pecado
e, não raramente, desprezam a mensagem, considerando os cristãos como
ignorantes, retrógrados ou fundamentalistas. A Palavra de Deus, entretanto, é
clara ao afirmar que o juízo divino virá. Infelizmente, o número dos que se
salvam é reduzido, pois, conforme ensinado por Cristo, a porta é estreita, o
caminho é apertado, e poucos são os que o encontram.
3.
Transformada em estátua de sal. Ló saiu de Sodoma quase
à força, acompanhado de sua esposa e de suas filhas. Seus genros, porém, não
creram em suas palavras e se recusaram a acompanhá-lo. A ordem do anjo do
Senhor era clara: deveriam sair sem olhar para trás. Ló e suas filhas obedeceram
à ordem, mas sua esposa, apegada a Sodoma e às coisas que ali ficaram, olhou
para trás e foi transformada em uma estátua de sal.
Assim
como Ló, também fomos chamados por Deus para abandonar a vida de pecado.
Estamos a caminho do nosso lar eterno e não podemos voltar o olhar para aquilo
que ficou para trás. O apóstolo Paulo de Tarso exortou os colossenses:
“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima,
onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima,
e não nas que são da terra” (Cl 3.1,2).
Da
mesma forma, o escritor da Epístola aos Hebreus orienta a Igreja a deixar “todo
embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia” e a correr “com perseverança a
carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé”
(Hb 12.1,2).
Portanto,
a vida cristã exige decisão, renúncia e perseverança. Não há espaço para
retroceder. Aqueles que foram alcançados pela graça devem prosseguir firmes,
com os olhos fitos em Cristo, avançando sempre em direção ao alvo.
Avante,
servos de Jesus! (Hino 310).
Ev. WELIANO PIRES
