13 abril 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 3: A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA

Data: 19 de abril de 2026

TEXTO ÁUREO: 

“E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.” (Gn 16.2).

VERDADE PRÁTICA:

A impaciência é antagônica à fé, por isso não devemos ser dominados por ela. Deus é fiel e cumpre com suas promessas no tempo certo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 16.1-16.

OBJETIVOS DA LIÇÃO: 

I) Apresentar a tentativa de Abrão em ajudar a Deus; 

II) Explicar as consequências de agir por conta própria; 

III) Encorajar os alunos a permanecerem firmes no Deus que conduz a história.

Palavra-Chave: IMPACIÊNCIA

A palavra impaciência vem do termo latino impatientia, que é formado pelo prefixo de negação “in”, mais a palavra “patientia” derivada de pati, que significa “sofrer”, “suportar”, “tolerar”. Portanto, a impaciência é a ausência de paciência ou a dificuldade de lidar com o tempo, com processos ou com situações que exigem perseverança e confiança.

Na Bíblia, a impaciência é sinônimo de precipitação, falta de confiança em Deus e incapacidade de esperar nele. O impaciente é, antes de tudo, um incrédulo, pois quem confia plenamente em Deus, sabe que Ele é fiel, cumpre as suas promessas e tem o controle de todas as coisas. Por outro lado, a paciência ou longanimidade é uma das virtudes do Fruto do Espírito Santo (Gl 5.22). O próprio Deus é descrito na Bíblia como longânimo (Sl 103.8; 2Pe 3.9). 

INTRODUÇÃO

Nesta terceira lição, estudaremos a respeito da impaciência de Sarai diante da aparente demora no cumprimento da promessa divina feita a Abrão, seu esposo, de que teriam um filho e de que sua descendência se tornaria uma grande nação. Tal promessa foi feita quando Abrão tinha 75 anos e Sarai, 65. Ainda que, à época, a longevidade fosse maior do que a atual, a idade do casal já era avançada para a geração de filhos, agravada pelo fato de Sarai ser estéril.

Passados dez anos desde que Deus fizera a promessa, Sarai começou a considerar que ela tardava em se cumprir, o que gerou impaciência em seu coração. Em razão disso, decidiu agir por conta própria, tentando “auxiliar” no cumprimento da promessa divina, oferecendo sua serva Agar para que Abrão tivesse um filho com ela.

Entretanto, essa atitude precipitada trouxe sérias consequências, não apenas para aquela família, mas também para seus descendentes ao longo dos séculos, com reflexos que alcançam os dias atuais. A Palavra de Deus nos ensina que agir sem saber esperar no Senhor pode produzir resultados dolorosos. O silêncio de Deus não significa a sua ausência, pode ser um período de preparação e fortalecimento da fé.

Vivemos em uma sociedade marcada pelo imediatismo, em que as pessoas desejam respostas rápidas para todas as coisas. Como resultado, os transtornos de ansiedade têm afetado milhões de pessoas em todo o mundo. Estima-se que cerca de 300 milhões de indivíduos sofram com esse problema, sendo o Brasil um dos países com maior número de casos, com aproximadamente 18,6 milhões de pessoas atingidas.

Cabe ressaltar que não se trata de uma preocupação comum com o futuro ou com prazos a serem cumpridos, mas de um estado de ansiedade excessiva, frequente e prolongada, que compromete a qualidade de vida. Diante disso, torna-se ainda mais necessário aprender a confiar no tempo de Deus e a descansar em suas promessas.

Ev. WELIANO PIRES

11 abril 2026

O grave problema do adultério no meio evangélico


Uma reflexão bíblica sobre um pecado que destrói a vida espiritual e a estrutura familiar do cristão

por WELIANO PIRES


Entre as pessoas que não servem a Deus, a prática do adultério e de outros pecados sexuais se tornou algo comum, e não causa mais espanto, como acontecia há algumas décadas. Antigamente, estas coisas aconteciam de forma camuflada e era mais frequente entre os homens. A sociedade considerava o adultério como algo vergonhoso. Na atualidade, no entanto, se tornou algo banal e há até quem defenda esta prática, pasmem, como forma de “salvar o relacionamento”. 

O que é grave é que esta prática tem invadido o meio evangélico. Tem sido cada vez mais frequentes as descobertas de casos de adultério em nosso meio, inclusive de obreiros e cantores famosos. Há até sites de “fofoca gospel” que se ocupam em divulgar estes escândalos. 


A condenação bíblica do adultério


O adultério é um dos pecados mais severamente condenados nas Escrituras Sagradas, pois atinge diretamente a santidade do casamento e a estabilidade da família, instituições estabelecidas por Deus. Desde os tempos do Antigo Testamento, o Senhor deixou claro que essa prática representa uma séria ameaça à ordem moral e espiritual do seu povo.

O sétimo mandamento do Decálogo declara de forma objetiva: “Não adulterarás”. (Ex 20.14). Já o décimo mandamento amplia essa compreensão ao proibir até mesmo a cobiça (Êx 20.17). Dessa forma, Deus não apenas condena o ato consumado, mas também a intenção pecaminosa que nasce no coração. No Novo Testamento, o Senhor Jesus Cristo aprofunda esse ensino, mostrando que a exigência divina vai além das ações exteriores, alcançando o interior do ser humano (Mt 5.28).


A condenação do adultério no Antigo Testamento


A palavra “adultério” refere-se à infidelidade conjugal, ou seja, à relação íntima entre uma pessoa casada e alguém que não é o seu cônjuge. No contexto bíblico, o termo também é utilizado em sentido figurado para descrever a infidelidade espiritual, quando o povo se afasta de Deus para seguir outros caminhos. Assim, o adultério não é apenas um pecado contra o cônjuge, mas também contra o próprio Deus.

Na Lei mosaica, o adultério era expressamente proibido: “Não adulterarás”. (Êx 20.14). Este pecado era severamente punido: “Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera”. (Lv 20.10). Tal rigor demonstra o quanto Deus leva a sério a pureza moral e a fidelidade no casamento. 

Ainda que, em determinados períodos do Antigo Testamento, a poligamia tenha sido tolerada, ela jamais representou o ideal divino. Desde a criação, o propósito de Deus sempre foi a união entre um homem e uma mulher, em um relacionamento exclusivo e permanente: “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”. (Gn 2.24).


O ensino de Cristo e dos apóstolos sobre o adultério


Ao tratar do assunto, Jesus Cristo elevou o padrão moral ao ensinar que o adultério começa no coração. Ele afirmou que aquele que olha com intenção impura já cometeu adultério interiormente: “Eu, porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela”. (Mt 5.28). Com isso, o Senhor revela que o pecado não se limita ao ato físico, mas se origina nos pensamentos e desejos.

Jesus também advertiu sobre a banalização do divórcio, ensinando que o rompimento indevido da aliança conjugal e um novo casamento caracterizam adultério: Também foi dito: “Qualquer que deixar sua mulher, que lhe dê carta de desquite. Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério; e qualquer que casar com a repudiada comete adultério”. (Mt 5.31,32). Dessa forma, Ele reafirma a seriedade do compromisso matrimonial e a necessidade de fidelidade entre marido e mulher.

Em todo o Novo Testamento, as advertências dos apóstolos deixam claro que, aqueles que persistem na prática do adultério e de outros pecados sexuais, não herdarão o Reino de Deus: "Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus”. (1 Co 6.9). Essa advertência reforça a necessidade de uma vida santa e comprometida com os princípios divinos.


Consequências devastadoras


As consequências do adultério são profundas e devastadoras. No âmbito familiar, ele destrói a confiança, causa dor, humilhação e rompe vínculos que deveriam ser preservados. Seus efeitos atingem não apenas o cônjuge traído, mas também os filhos e toda a estrutura familiar. Muitas vezes, as marcas deixadas por esse pecado permanecem por toda a vida.

No aspecto espiritual, o adultério representa uma afronta direta à santidade de Deus. A Palavra de Deus declara: “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará” (Hb 13.4). Portanto, além das consequências humanas, há também o juízo divino sobre aqueles que persistem nessa prática.


Como vencer essa tentação


Diante de tão grave realidade, surge a pergunta: como evitar o adultério? O primeiro passo é andar no Espírito, ou seja, manter a comunhão plena com o Espírito Santo e ser guiado por Ele. Somente assim, será possível mortificar a nossa natureza pecaminosa. Escrevendo aos Gálatas, o apóstolo Paulo disse: “Andai em Espírito e não cumprireis as concupiscências da carne”. (Gl 5.16). 

É importante compreender que a conversão não elimina automaticamente os impulsos pecaminosos. A velha natureza precisa ser mortificada diariamente por meio de disciplina espiritual e dependência de Deus. Somente na glorificação do nosso corpo, estaremos completamente livres da possibilidade de pecar. 

Outro aspecto essencial é a vigilância. O pecado geralmente começa de forma sutil: um olhar, um pensamento, um elogio, ou uma aproximação indevida. Há diferenças na atração para homens e mulheres, que precisam ser consideradas. Os homens são atraídos pelo olhar. Enquanto para as mulheres, a atração está relacionada aos fatores emocionais. 

É necessário evitar situações que favoreçam a tentação, como ficar a sós com mulheres atraentes, evitar confidências e elogios indevidos, por parte de outras pessoas estranhas ao casamento. É muito importante também que as pessoas casadas, na medida do possível, andem na companhia do seu cônjuge e usem sempre aliança. 

A Bíblia orienta claramente: “Fugi da prostituição” (1 Co 6.18). O termo grego traduzido por prostituição na Versão Almeida Revista e Corrigida é “porneia”, um termo genérico, que refere a qualquer relação sexual ilícita, como adultério, fornicação, homossexualidade, lesbianismo, relação sexual com animais etc. Isso implica em uma atitude firme de afastamento de tudo aquilo que possa conduzir ao pecado. Não se trata de resistir passivamente, mas de agir com prudência, evitando situações de risco.


A importância da vida espiritual e familiar


É fundamental o cristão cultivar uma vida espiritual sólida. A oração, a leitura da Palavra de Deus e a comunhão com o Espírito Santo são indispensáveis para fortalecer o crente diante das tentações. Quando o coração está cheio da presença de Deus, há menos espaço para o pecado.

No contexto do casamento, é essencial investir no relacionamento conjugal, cultivando o amor, o respeito e a fidelidade. Um lar edificado sobre os princípios bíblicos torna-se uma importante proteção contra as investidas do inimigo.


Conclusão


O adultério é um pecado grave, com consequências espirituais, emocionais e familiares. Cabe ao cristão manter comunhão com Deus, vigiar continuamente e guardar o coração. Que cada servo do Senhor valorize o casamento, preserve a pureza e viva em fidelidade, para a glória de Deus e edificação da família cristã.


Weliano Pires é ministro do Evangelho, bacharel em teologia, articulista, blogueiro evangélico e professor da Escola Dominical na Assembléia de Deus / Ministério do Belém, em São Carlos-SP.


OS ALTARES ERGUIDOS POR ABRÃO

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 2: A fé de Abrão nas promessas de Deus)

No terceiro tópico, o comentarista nos mostra que, apesar de suas falhas, Abrão possuía um grande diferencial: era um adorador por excelência, que expressava sua fé por meio da construção de altares.

Veremos, neste tópico, que Abrão foi um verdadeiro construtor de altares. Por onde passava, independentemente das circunstâncias, erguia um altar e oferecia sacrifício ao Senhor. O primeiro altar de Abrão foi construído em Siquém, em um momento de gratidão a Deus pelas bênçãos e promessas recebidas.

Em seguida, encontramos o segundo altar em Betel, cujo significado é “Casa de Deus”. O comentarista chama nossa atenção para a importância de estarmos na casa do Senhor e de cultivarmos uma vida de adoração e comunhão com Ele.

Por fim, destacamos os altares construídos por Abrão em Hebrom e Moriá. Considerando o significado de Hebrom, que é “união”, somos lembrados da necessidade de vivermos em unidade, tanto com Deus quanto com nossos irmãos.

Já o altar erguido em Moriá representa um dos momentos mais marcantes da vida de Abrão: um altar de entrega total. Ali, ele demonstrou obediência irrestrita ao Senhor, ao se dispor a oferecer Isaque em sacrifício. Entretanto, Deus proveu um carneiro em lugar de Isaque, apontando profeticamente para o sacrifício de Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

1. Abrão, um construtor de altares. Abrão partiu de Harã levando consigo Sarai, sua esposa, Ló, seu sobrinho, e todos os bens e servos que haviam adquirido. Ao chegar à terra de Canaã, sua primeira parada foi em Siquém. Nesse local, o Senhor lhe apareceu e reafirmou a promessa de que daria aquela terra à sua descendência:

“E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam então os cananeus na terra. E apareceu o Senhor a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera.” (Gn 12.6,7)

Siquém situava-se em um vale entre os montes Gerizim e Ebal, aproximadamente 65 quilômetros ao norte de Jerusalém. Foi ali que Abrão construiu o seu primeiro altar na Terra Prometida, marcando espiritualmente sua chegada.

É importante destacar que Canaã era uma região marcada pelo politeísmo. Havia muitos altares dedicados a divindades pagãs, onde eram oferecidos sacrifícios. Contudo, Abrão não utilizou esses altares; ele edificou o seu próprio altar ao Senhor, demonstrando fidelidade exclusiva e evitando qualquer tipo de mistura na adoração.

O altar construído por Abrão representava sua gratidão a Deus pelas bênçãos recebidas e pelas promessas futuras. Sua atitude revela que a verdadeira adoração está fundamentada no reconhecimento de quem Deus é e do que Ele faz.

Aprendemos com Abrão que, ao chegarmos a um novo lugar ou iniciarmos uma nova etapa em nossa vida, devemos, antes de tudo, adorar ao Senhor. A gratidão deve ser a nossa primeira resposta à direção e às promessas de Deus.

O apóstolo Paulo exortou assim a Igreja de Tessalônica: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5.18). Essa recomendação nos ensina que a gratidão não depende das circunstâncias, mas da nossa confiança em Deus.

Diante disso, cabe-nos refletir: temos sido gratos ao Senhor pelas bênçãos recebidas? Desde o nosso nascimento, desfrutamos de sua proteção, provisão e cuidado. Devemos a Ele, inclusive, a própria vida, pois Deus é o seu doador. Portanto, sejamos gratos a Ele por todas as coisas. 

2. Mais um altar. O texto de Gênesis 12.8 diz:

“E moveu-se dali [de Siquém] para a montanha do lado oriental de Betel, e armou a sua tenda, tendo Betel ao ocidente e Ai ao oriente; e edificou ali um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR”.

O comentarista valeu-se do significado do nome Betel, que é “Casa de Deus”, e chamou a nossa atenção para a importância de estarmos na casa de Deus, isto é, congregar. Entretanto, o nome desse local, nos dias de Abraão, ainda não era Betel, mas Luz. Foi Jacó, neto de Abraão, quem lhe deu o nome de Betel, após o sonho com uma escada que ia da terra ao céu, pela qual os anjos de Deus subiam e desciam.

Mesmo assim, essa aplicação é importante, pois, de fato, Abrão era um adorador por excelência e tinha o hábito de construir altares e invocar o nome do Senhor por onde passava. Abrão, que depois passou a se chamar Abraão, desfrutava de íntima comunhão com Deus, mesmo vivendo em uma sociedade politeísta, que não conhecia o Deus verdadeiro. Por isso, foi chamado de “amigo de Deus” (Is 41.8; Tg 2.23).

É indispensável ao crente o ato de congregar-se com os irmãos para orar, adorar a Deus, ouvir a sua Palavra e pregar o Evangelho (Hb 10.25). Os discípulos de Jesus tinham o hábito de reunir-se diariamente. Inicialmente, o faziam no templo (At 2.42-47; 5.42). Posteriormente, devido à intensa perseguição dos judeus, passaram a reunir-se nas casas. O apóstolo Paulo, por sua vez, onde chegava, procurava as sinagogas.

Em nossos dias, há um movimento nocivo que tem crescido significativamente: o dos desigrejados. São pessoas que se dizem cristãs, mas não estão vinculadas a nenhuma igreja local. Procuram desqualificar a igreja e negam a sua necessidade. São contrárias à igreja como organização e alegam que a Igreja Primitiva reunia-se nas casas, não era institucionalizada e não construía templos.

Entretanto, a Igreja, nos primeiros séculos, não possuía templos porque vivia sob intensa perseguição, tanto dos judeus quanto do Império Romano. Também não era uma pessoa jurídica, pois, naquele contexto, não existiam instituições formais como hoje. Ainda assim, a Igreja possuía liderança constituída por apóstolos, profetas, evangelistas, pastores, mestres, presbíteros e diáconos (Ef 4.11; At 6.1-6; 14.23). Havia também doutrina (At 2.42-47) e disciplina (1 Pe 3.5,6; 2 Ts 3.6).

Atualmente, para funcionar legalmente, a igreja precisa possuir CNPJ e alvará de funcionamento. Para isso, é necessário ter estatuto e pessoas responsáveis por sua administração. A organização da Igreja não se confunde com a sua espiritualidade. Como organismo, a Igreja é liderada pelo Espírito Santo. Mas, no aspecto humano, ela é também uma organização e necessita de todo aparato de uma instituição humana.

A Igreja é a família de Deus (Ef 2.19) e, como tal, necessita de regras e de liderança. A igreja local também é responsável por cumprir as ordenanças do Senhor Jesus, que são o batismo em águas e a Ceia do Senhor. Como cumprir tais ordenanças bíblicas sem uma organização local e uma liderança eclesiástica?

A igreja local também atua como uma agência do Reino de Deus em um bairro ou cidade. Nela realizam-se cultos para a pregação do Evangelho, ensino da Palavra de Deus, além de outras atividades que contribuem para a edificação espiritual dos crentes e a evangelização dos não convertidos. 

Os templos oferecem um espaço adequado e organizado para o culto a Deus, preservando também a boa convivência com a vizinhança. Infelizmente, nem sempre há recursos suficientes para que todos os templos possuam a estrutura ideal, o que se deve, em parte, à falta de contribuição de alguns membros.

3. O altar em Hebrom e Moriá. Após separar-se de seu sobrinho Ló, o Senhor apareceu novamente a Abrão e reafirmou as suas promessas. O texto bíblico declara que ele veio a Hebrom e ali edificou um altar ao Senhor:

“E Abrão armou as suas tendas, e veio, e habitou nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e edificou ali um altar ao Senhor” (Gn 13.18).

A cidade de Hebrom situa-se a cerca de trinta quilômetros ao sul de Jerusalém. É uma das cidades mais altas da região, estando aproximadamente a mil metros acima do nível do mar Mediterrâneo. Nos dias de Abrão, era chamada Quiriate-Arba (Gn 23.2), nome que significa “cidade dos quatro”, possivelmente em referência a quatro clãs que habitavam o local (Js 15.14).

Foi em Hebrom que Abraão adquiriu o campo de Macpela, pertencente a Efrom, o heteu, para sepultar Sara, sua esposa. Posteriormente, também foram sepultados ali Abraão, Isaque, Rebeca, Lia e Jacó. José, antes de sua morte, fez os filhos de Israel jurarem que levariam seus ossos do Egito para serem sepultados na terra prometida. Por essa razão, Hebrom tornou-se uma cidade de grande importância histórica e espiritual para o povo judeu.

O nome Hebrom pode ser associado aos significados de “comunhão”, “aliança” ou “união”. Nesse sentido, o comentarista destaca a importância da unidade entre os servos de Deus, conforme ensina o Salmo 133. Os crentes são chamados a preservar a unidade do Espírito, servindo uns aos outros com humildade, sinceridade e amor. Assim, não deve haver lugar para contendas carnais ou falsidade no Corpo de Cristo.

Outro importante altar na vida de Abraão foi o de Moriá, onde Deus lhe ordenou que oferecesse Isaque em sacrifício. Esse episódio representa, sem dúvida, a maior prova de sua fé.

Após esperar cerca de vinte e cinco anos pelo cumprimento da promessa de um filho, mesmo diante da esterilidade de Sara e da idade avançada de ambos, Abraão é desafiado a entregar aquilo que lhe era mais precioso.

Demonstrando obediência imediata, Abraão partiu rumo ao lugar determinado por Deus, em uma jornada de três dias, levando consigo Isaque, a lenha, o fogo e o cutelo. Ao aproximar-se do local, Isaque perguntou onde estava o cordeiro para o holocausto, ao que Abraão respondeu com fé: “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto” (Gn 22.8).

Ao chegarem ao lugar indicado, Abraão edificou o altar, amarrou Isaque e preparou-se para sacrificá-lo. No entanto, o Anjo do Senhor o impediu. Erguendo os olhos, Abraão viu um carneiro preso pelos chifres em um arbusto e o ofereceu em lugar de seu filho.

O altar de Moriá simboliza a entrega total a Deus e a obediência incondicional. Além disso, aponta profeticamente para o sacrifício de Cristo, que morreria em nosso lugar. Esse tema será aprofundado na lição 7.

Ev. WELIANO PIRES 

09 abril 2026

AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 2: A fé de Abrão nas de Deus)

Neste segundo tópico, falaremos sobre as consequências das escolhas feitas por Abraão e Ló. Você já tomou uma decisão e, depois, precisou lidar com consequências inesperadas? Deus nos criou como seres autônomos, dotados de livre-arbítrio, ou seja, com a capacidade de tomar decisões de forma consciente. Entretanto, todas as escolhas trazem consequências.

Primeiramente, analisaremos os resultados da escolha de Abraão de permanecer em Canaã, a terra que Deus prometera aos seus descendentes. Deus aprovou essa decisão e o orientou acerca do futuro daquela terra, especialmente após a separação de seu sobrinho Ló.

Em seguida, estudaremos os resultados da escolha de Ló de ir para a cidade de Sodoma, uma região conhecida por práticas abomináveis. Embora fosse uma pessoa justa, Ló não buscou a direção de Deus ao decidir onde morar, escolhendo com base em critérios humanos.

Por fim, abordaremos a atitude de Abraão em relação a Ló. Após a separação, Ló foi levado cativo durante uma guerra entre reis da região em que residia. Abraão não guardou ressentimentos e prontamente socorreu seu sobrinho, demonstrando fé, amor e obediência à vontade de Deus.

1. Resultados da escolha de Abrão. Conforme estudado no tópico anterior, Abrão tinha o direito de decidir para onde Ló deveria ir, pois era o líder da família. Além disso, poderia escolher para si a melhor terra, bem irrigada, que favorecesse tanto a agricultura quanto a criação de seus rebanhos. Todavia, demonstrando desprendimento e confiança em Deus, abriu mão desse direito, permitindo que Ló fizesse a escolha primeiro.

Após a decisão de Ló, Abrão permaneceu em Canaã. Vale lembrar que aquela terra já havia sido cenário de dificuldades, como o período de seca que resultou em fome, levando-o anteriormente a descer ao Egito. Ainda assim, desta vez, Abrão decidiu confiar plenamente no Senhor e permanecer na terra da promessa.

Deus, então, aprovou sua atitude e reafirmou as promessas quanto ao seu futuro, conforme registrado em Gênesis 13.14-17. Fica evidente que as escolhas fundamentadas na direção divina produzem resultados duradouros.

Aprendemos, portanto, que confiar em Deus é mais importante do que buscar vantagens imediatas. A decisão de Abrão nos ensina que a obediência gera bênçãos. Se, desde o início, ele tivesse obedecido integralmente à ordem divina de deixar sua parentela, talvez não tivesse enfrentado determinados conflitos. Contudo, nesta ocasião, sua atitude foi correta, e ele colheu os frutos dessa obediência, confirmando o princípio bíblico de que “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).

2. Resultados da escolha de Ló. Não queremos aqui demonizar a figura de Ló nem classificá-lo como ímpio, pois o apóstolo Pedro afirma que ele era justo e que afligia diariamente a sua alma por causa das práticas pecaminosas dos habitantes de Sodoma (2 Pe 2.7). Contudo, é necessário reconhecer que sua decisão foi precipitada, pois se baseou apenas nas aparências, e não na direção de Deus.

Ao escolher a campina do Jordão, Ló levou em consideração apenas os aspectos visíveis — uma terra fértil, bem irrigada e aparentemente próspera. Em nenhum momento buscou a orientação divina, tampouco considerou o conselho de Abrão, o patriarca da família. Sua escolha, portanto, foi guiada por critérios meramente humanos.

As consequências dessa decisão foram profundamente negativas. Primeiramente, Ló foi envolvido em um conflito entre reis da região e acabou sendo levado cativo, conforme registrado em Gênesis 14.12. Posteriormente, sua família foi influenciada pelos costumes corrompidos de Sodoma. Ele perdeu sua esposa, que desobedeceu à ordem divina, e também seus genros, que pereceram na destruição da cidade por estarem completamente ligados àquele estilo de vida. 

No momento da destruição, Ló deixou Sodoma apenas com suas duas filhas, sendo praticamente constrangido pelos anjos a sair. Após esses acontecimentos, suas filhas, influenciadas por uma mentalidade distorcida, embriagaram o próprio pai e, por meio dessa atitude, deram origem aos moabitas e amonitas, povos que posteriormente se tornaram inimigos de Israel.

Dessa forma, aprendemos que nem tudo o que parece bom aos olhos humanos corresponde à vontade de Deus. As aparências podem enganar, e decisões tomadas sem direção divina podem resultar em sérias consequências. Por isso, é imprescindível buscar a orientação do Senhor em todas as escolhas, evitando agir apenas com base em vantagens imediatas e materiais. 

3. A atitude de Abrão para com Ló. Algum tempo após Ló estabelecer-se em Sodoma, a região por ele escolhida foi invadida por uma confederação de quatro reis, e Ló, juntamente com sua família, foi levado cativo (Gn 14.12). Ao tomar conhecimento desse acontecimento, Abrão reuniu seus servos, nascidos em sua casa, totalizando trezentos e dezoito homens armados, e partiu em perseguição aos inimigos com o objetivo de resgatar seu sobrinho.

Essa atitude revela a nobreza de caráter de Abrão e demonstra que seu coração estava livre de ressentimentos. Mesmo após os conflitos entre os pastores de Ló e os seus, Abrão não guardou mágoas. Pelo contrário, agiu com coragem e altruísmo, libertando Ló e todos os que haviam sido levados cativos, conforme registrado em Gênesis 14.14-16. O patriarca evidenciou, assim, fé em Deus, coragem diante do perigo e amor ao próximo.

Além disso, Abrão demonstrou discernimento espiritual ao agir no momento oportuno. Sua atitude nos ensina que a vida cristã não se resume apenas à fé contemplativa, mas envolve oração, confiança em Deus e ação prática no tempo certo.

Aprendemos também que devemos estender a mão àqueles que fizeram escolhas equivocadas. Não é papel do cristão julgar ou condenar, mas socorrer e restaurar, evitando atitudes como: “Eu sabia que isso iria acontecer”. A verdadeira fé se manifesta por meio do amor, do perdão e da prática do bem.

Por fim, este episódio reforça uma importante lição: toda escolha traz consequências. De um lado, vemos a decisão de Abrão, pautada na obediência a Deus, resultando em bênçãos; de outro, a escolha de Ló, baseada em vantagens aparentes, que trouxe sérios prejuízos para si e sua família. Portanto, somos desafiados a viver segundo a vontade de Deus, a fim de colhermos frutos que permaneçam.

Ev.. WELIANO PIRES 

08 abril 2026

ABRÃO VOLTA DO EGITO PARA CANAÃ

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 2: A fé de Abrão nas promessas de Deus)

Temos buscado a orientação de Deus antes de tomar decisões? É preciso considerar que escolhas equivocadas podem trazer sérios prejuízos espirituais e materiais. Ló, sobrinho de Abrão, constitui um exemplo disso. Ao separar-se de seu tio, tomou decisões baseadas apenas na aparência, sem consultar ao Senhor e sem honrar aquele que era o líder da família.

Neste tópico, estudaremos os acontecimentos que se deram após o retorno de Abrão do Egito à terra de Canaã. Para uma melhor compreensão do contexto, é fundamental a leitura dos capítulos 12 e 13, do Livro de Gênesis.

Mas, afinal, o que levou Abrão ao Egito? Embora Deus lhe tivesse prometido a terra de Canaã, ao chegar ali ele se deparou com uma grande fome. Diante dessa circunstância, decidiu descer ao Egito em busca de sustento (Gn 12.10). Tal atitude revela que, em determinados momentos, Abrão agiu sem consultar a direção divina.

No Egito, movido pelo medo, Abrão pediu que Sarai dissesse que era sua irmã. Como resultado, Faraó tomou Sarai para o seu harém e concedeu muitos bens a Abrão, supondo tratar-se de sua irmã. Entretanto, o Senhor interveio, ferindo a casa de Faraó com pragas e preservando a integridade de Sarai, demonstrando, assim, o seu cuidado e fidelidade para com os seus servos.

1. Contenda entre os pastores. Após o episódio no Egito, Abrão foi expulso daquela terra e retornou a Canaã, levando consigo Ló e um grande número de pessoas. Somente o grupo de Abrão contava com trezentos e dezoito homens treinados, além de seus familiares e servos, sem contar os que pertenciam a Ló.

Ao regressarem do Egito, tanto Abrão quanto Ló eram extremamente prósperos, possuindo prata, ouro, muitos servos e grandes rebanhos (Gn 13.2,5). Essa prosperidade, embora fosse uma bênção, trouxe também um desafio: a terra em que habitavam não era suficiente para sustentar os rebanhos de ambos. Como consequência, surgiram contendas entre os pastores de Abrão e os de Ló.

É importante destacar que tal situação poderia ter sido evitada caso Abrão tivesse obedecido plenamente à ordem divina. O Senhor havia determinado que ele deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai (Gn 12.1). Embora Abrão tenha demonstrado fé ao atender ao chamado, sua obediência foi parcial. Ele saiu de sua terra, mas levou consigo seu pai e, posteriormente, seu sobrinho Ló.

Em Harã, após a morte de seu pai, Deus reafirmou o seu chamado. Ainda assim, Abrão insistiu em manter Ló ao seu lado, o que mais tarde contribuiria para os conflitos enfrentados.

Aprendemos, assim, uma importante lição: quando Deus nos dá uma ordem, ela deve ser cumprida integralmente. O Senhor é soberano e conhece todas as coisas, inclusive o futuro. Suas instruções não são aleatórias, mas visam o nosso bem. Sempre que desobedecemos, ou obedecemos apenas em parte, enfrentamos consequências. A obediência parcial, na prática, equivale à desobediência.

2. Abrão e Ló se separam. A separação entre Abrão e Ló tornou-se necessária para que o patriarca pudesse prosseguir no cumprimento das promessas divinas, tanto no aspecto material quanto espiritual. Com o objetivo de evitar contendas, Abrão propôs, de forma pacífica, que ele e seu sobrinho seguissem caminhos diferentes.

Na condição de líder do clã e sendo mais velho que Ló, Abrão tinha o direito de escolher primeiro a terra que desejasse. No entanto, demonstrando grande humildade e confiança em Deus, abriu mão desse direito e permitiu que Ló fizesse a escolha. Essa atitude evidencia que a humildade é fundamental para evitar conflitos e preservar relacionamentos.

Como servos de Deus, devemos sempre priorizar a união e a paz. Todavia, isso não significa, necessariamente, permanecer sempre juntos. Em algumas situações, o distanciamento pode ser a melhor alternativa para manter a harmonia. Há relacionamentos que se preservam melhor quando há limites saudáveis na convivência.

Inclusive no ministério, em certos casos, a separação pode contribuir para evitar discórdias e permitir que cada um siga o chamado que Deus lhe confiou. Um exemplo disso está registrado no Livro de Atos, quando Paulo e Barnabé se separaram devido a uma divergência quanto a João Marcos (At 15.36-40). Ainda assim, ambos continuaram sendo usados por Deus em suas respectivas missões.

É importante destacar que a separação não é uma opção para o casamento. Diante de divergências, os cônjuges devem buscar o diálogo, a compreensão e a disposição para ceder, preservando, assim, a união. A Palavra de Deus orienta que o vínculo conjugal deve ser mantido, sendo a infidelidade conjugal a única exceção mencionada nas Escrituras (Mt 19.9).

3. As escolhas de cada um. Após Abrão conceder a Ló a oportunidade de escolher o caminho a seguir, o sobrinho optou pela região de Sodoma e Gomorra, motivado apenas pela aparência e pela prosperidade daquela terra, banhada pelo Rio Jordão. A Bíblia relata que essa região era bem regada, comparada ao Jardim do Senhor e ao Egito (Gn 13.10), antes de ser destruída pelo Senhor.

No entanto, os habitantes de Sodoma eram extremamente perversos. Ló levou em consideração apenas o aspecto econômico e, ao fazê-lo, expôs sua família à convivência com uma sociedade completamente afastada de Deus, marcada por todo tipo de abominação. Como consequência, essa escolha traria sérias dificuldades e tragédias, que serão analisadas no próximo estudo.

Abrão, por outro lado, permaneceu em Canaã, confiando nas promessas de Deus. Embora aquela terra não fosse confortável nem oferecesse prosperidade imediata — enfrentando longos períodos de estiagem e fome — ele estava sob a direção do Senhor, e isso era suficiente.

Essa história nos ensina que nem sempre a escolha que parece melhor aos olhos humanos é a melhor diante de Deus. A fé nos leva a confiar em Suas promessas e a descansar, mesmo em meio às dificuldades. Quando seguimos a direção de Deus, estamos seguros, independentemente das circunstâncias. Prosperidade financeira sem a orientação divina não é bênção; pode se tornar uma maldição.

Ev. WELIANO PIRES 




07 abril 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 2: A FÉ DE ABRÃO NAS PROMESSAS DE DEUS

Data: 12 de abril de 2026

TEXTO ÁUREO:

“E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.” (Gn 12.7).

VERDADE PRÁTICA:

Quando Deus faz uma promessa incondicional, Ele a cumpre plenamente.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 13.7-18.

OBJETIVOS DA LIÇÃO: 

I) Apresentar o retorno de Abrão do Egito para Canaã; 

II) Enfatizar as consequências das nossas escolhas; 

III) Mostrar os altares erguidos por Abrão a Deus.

Palavra-Chave: PROMESSAS

Segundo o Dicionário Michaelis, a palavra “promessa” deriva do latim promissa e refere-se ao compromisso assumido por alguém de realizar algo, seja consigo mesmo ou com outrem. 

Do ponto de vista bíblico, promessa é o compromisso assumido pelo próprio Senhor de realizar algo no futuro. Em sua onisciência, Deus contempla todas as coisas, referindo-se ao futuro como se fosse presente. 

As promessas de Deus podem ser classificadas em dois tipos: condicionais e incondicionais.

As promessas condicionais são aquelas em que Deus estabelece condições para o seu cumprimento. Nesse caso, exige-se uma resposta humana, como fé, obediência ou arrependimento. Caso tais requisitos não sejam atendidos, essas promessas não se cumprirão.

Por outro lado, as promessas incondicionais são aquelas que Deus faz segundo os seus desígnios soberanos. O cumprimento dessas promessas não depende da ação humana, mas da fidelidade do próprio Deus, realizando-se no tempo por Ele determinado.

INTRODUÇÃO 

Nesta segunda lição, dando continuidade ao estudo sobre o patriarca Abraão, falaremos da fé de Abrão nas promessas de Deus. Deus havia ordenado que Abrão deixasse a sua terra e a sua parentela. 

Abrão obedeceu parcialmente, pois deixou a sua terra na companhia do seu pai e do seu sobrinho Ló. Após a morte do seu pai em Harã, Abrão continuou a jornada na companhia do seu sobrinho. Isso acabou trazendo conflitos e tiveram que se separar. 

Mesmo tendo o direito de escolher para onde ir, ofereceu ao seu sobrinho a oportunidade de escolher primeiro. Ló fez uma má escolha e seguiu para a região de Sodoma e Gomorra, onde havia um povo de práticas abomináveis aos olhos de Deus. 

Após a separação, Deus reafirmou a Abrão a promessa de que daria à sua descendência toda aquela terra que os seus olhos avisassem. Abrão continuou crendo nas promessas de Deus e seguiu a sua jornada construindo altares e buscando a orientação de Deus. 

Ev. WELIANO PIRES

04 abril 2026

AS LUTAS QUE ABRÃO ENFRENTOU AO CHEGAR A CANAÃ

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 1: O chamado de Abrão e a sua jornada de fé)

No terceiro tópico, analisaremos as lutas enfrentadas por Abrão ao chegar à terra para a qual Deus o havia chamado, isto é, a terra de Canaã. O fato de obedecer à direção divina não o isentou das dificuldades, pois a caminhada de fé também envolve provas e desafios.

Inicialmente, destacamos a dificuldade da fome, que Abrão enfrentou ao chegar a Canaã. Diante daquela situação adversa, viu-se obrigado a descer ao Egito, em busca de sustento para si, para sua comitiva e para seus rebanhos.

Em seguida, consideraremos a dificuldade de permanecer no lugar da promessa. Diante disso, qual decisão Abrão deveria tomar? Onde buscar socorro? O texto bíblico não registra que ele tenha consultado ao Senhor naquele momento, o que nos leva à reflexão sobre a importância de buscar sempre a direção divina. 

Por fim, abordaremos a dificuldade enfrentada por Abrão ao não dizer toda a verdade acerca de sua esposa, ao chegar ao Egito. Temendo por sua vida, declarou que Sarai era sua irmã. Naquele contexto, essa atitude revelou fragilidade humana diante do medo. Contudo, Deus, em sua soberania e graça, interveio para preservar Sarai e cumprir os seus propósitos.

1. A dificuldade contra a fome.

A terra de Canaã, embora reconhecida por sua fertilidade, estava sujeita a longos períodos de estiagem, o que frequentemente resultava em escassez de alimentos para a população e de pastagem para os rebanhos. Naquele tempo, não havia sistemas de irrigação como os atuais; por isso, tanto agricultores quanto pecuaristas dependiam diretamente das chuvas. Na ausência delas, a fome tornava-se inevitável.

Isaque e Jacó, respectivamente filho e neto de Abraão, também enfrentaram períodos de escassez em Canaã. No caso de Isaque, ele recebeu orientação divina para não descer ao Egito, dirigindo-se à terra de Gerar, região situada ao sul de Canaã e pertencente aos filisteus — local por onde o próprio Abrão também passou. Jacó, por sua vez, mudou-se com toda a sua família para o Egito, onde seu filho José havia sido constituído governador.

A experiência desses três patriarcas nos ensina que, mesmo estando no centro da vontade de Deus e em obediência à sua Palavra, não estamos isentos de enfrentar dificuldades, lutas e oposições. A vida cristã é marcada por desafios, mas também pela confiança na fidelidade divina. O próprio Senhor Jesus declarou: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).

2. A dificuldade de ir para o lugar certo.

À primeira vista, parece um paradoxo: deixar sua terra em obediência ao chamado de Deus, chegar ao destino indicado e deparar-se com a escassez. Diante dessa realidade, Abrão, como chefe de sua casa, responsável por sua família, servos e rebanhos, precisou tomar uma decisão para garantir a sobrevivência de todos.

Para onde deveria ir? Retornar à sua terra de origem não era uma opção viável, pois Deus lhe havia ordenado que saísse de lá. Outra alternativa seria o Egito, cuja terra era irrigada pelas cheias do rio Nilo, que deixavam um solo fértil, favorecendo a agricultura. Havia ainda a região de Sodoma e Gomorra, que, antes de sua destruição, era bem irrigada e comparada ao jardim do Éden.

Entretanto, apesar de sua prosperidade material, essas regiões eram marcadas pela idolatria, violência e imoralidade. Portanto, não representavam boas escolhas para aqueles que desejavam viver segundo os princípios divinos. Ló, sobrinho de Abrão, optou por habitar em Sodoma, decisão que lhe trouxe sérias consequências pessoais e familiares, como será estudado na lição seguinte.

Observa-se que Abrão não buscou ao Senhor em oração antes de tomar sua decisão, optando por descer ao Egito por iniciativa própria. Essa atitude nos conduz a uma importante reflexão: em tempos de crise e escassez, quando somos chamados a tomar decisões relevantes, devemos, acima de tudo, buscar a direção de Deus em oração. Ele é onisciente e sabe perfeitamente o que é melhor para cada um de nós. 

3. A dificuldade em falar a verdade.

Sarai, esposa de Abrão, mesmo com aproximadamente sessenta e cinco anos, destacava-se por sua beleza, atraindo a atenção por onde passava. É importante observar que Abrão tinha cerca de setenta e cinco anos ao sair de Harã, sendo Sarai dez anos mais nova. A descida ao Egito ocorreu pouco tempo depois da chegada a Canaã.

A notável formosura de Sarai levou Abrão a temer por sua própria vida ao entrar no Egito, pois imaginava que Faraó poderia matá-lo para tomar sua esposa. Movido por esse receio, orientou Sarai a declarar que era sua irmã, caso fosse questionada.

Em consequência dessa atitude, Sarai foi levada à casa de Faraó para integrar seu harém. Contudo, o pior não aconteceu, pois Deus, em sua misericórdia, interveio, ferindo Faraó e sua casa, impedindo que ele tocasse em Sarai. Dessa forma, o Senhor revelou que ela era, na verdade, esposa de Abrão.

Diante disso, Faraó repreendeu Abrão por não ter declarado a verdade. Como justificativa, Abrão apresentou uma meia verdade, afirmando que Sarai era sua irmã por parte de pai, mas não de mãe. Embora essa informação tivesse fundamento, omitia o fato principal: ela era sua esposa. À luz das Escrituras, uma meia verdade não deixa de ser mentira.

Essa narrativa nos ensina que o servo de Deus deve pautar sua vida pela verdade em todas as circunstâncias, ainda que isso lhe traga aparentes prejuízos. A mentira não procede de Deus, pois o próprio Senhor é a verdade absoluta. Conforme está escrito: “Vós tendes por pai ao diabo... ele é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Portanto, a integridade e a sinceridade devem marcar a vida daquele que serve ao Senhor.

Ev. WELIANO PIRES 

03 abril 2026

A OBEDIÊNCIA DE ABRÃO A DEUS

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 1: O chamado de Abrão e sua jornada de fé)

No segundo tópico, estudaremos a obediência de Abrão ao chamado divino. O texto de Hebreus 11.8 declara: “Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.”

Veremos como Abrão atendeu ao chamado de Deus, mesmo sem possuir pleno entendimento acerca do que lhe estava reservado. Sem saber como seria a sua vida no destino indicado, ele creu nas promessas divinas e, pela fé, decidiu obedecer, ainda que de forma parcial.

Na sequência, destacaremos uma falha no cumprimento desse chamado: Abrão permitiu que seu sobrinho Ló o acompanhasse. Entretanto, a ordem divina era que ele deixasse sua parentela, seguindo apenas com a sua casa, o que evidencia uma obediência incompleta.

Por fim, analisaremos a permanência de Abrão em Harã, onde seu pai veio a falecer. Embora tenha saído de Ur dos Caldeus, Abrão não seguiu imediatamente para Canaã, conforme a direção divina, mas estabeleceu-se temporariamente em Harã. A Bíblia não especifica quanto tempo ele permaneceu ali, mas esse intervalo também faz parte do processo de sua jornada de fé.

1. Atendendo o chamado.

Conforme estudado no tópico anterior, o chamado de Abrão exigia dele uma fé extraordinária. Deus lhe ordenou que deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, conduzindo-o a uma terra que ainda lhe seria mostrada. Tratava-se, do ponto de vista humano, de uma jornada incerta, que demandava total dependência da direção divina.

É importante destacar que Abrão não possuía o conhecimento das Escrituras como temos hoje. O livro de Gênesis, que registra sua história, foi escrito por Moisés séculos depois. Além disso, seu contexto familiar não favorecia o conhecimento do Deus verdadeiro, pois, conforme Josué 24.2, seu pai servia a outros deuses. Ainda assim, Deus se revelou a ele de forma pessoal.

Outro aspecto que evidencia a dimensão de sua fé são as promessas recebidas. Deus declarou que Abrão seria pai de uma grande nação. No entanto, do ponto de vista natural, isso parecia impossível, pois ele tinha setenta e cinco anos, e sua esposa, além de avançada em idade, era estéril. As promessas divinas, portanto, confrontavam a lógica humana.

Apesar de todas essas circunstâncias, Abrão creu em Deus e obedeceu ao seu chamado. Inicialmente, saiu de Ur dos Caldeus com seu pai e, após a morte deste em Harã, prosseguiu em direção a Canaã. Sem recursos de orientação humana, como mapas ou qualquer tipo de referência, ele seguiu confiando unicamente na direção do Senhor.

Aprendemos com Abrão que a fé não se baseia em garantias humanas ou na compreensão plena das circunstâncias, mas na confiança absoluta de que Deus é soberano e fiel para cumprir tudo o que prometeu, independentemente das situações enfrentadas.

2. Um descuido.

Ao estudarmos as narrativas bíblicas, é comum imaginarmos que os heróis da fé eram pessoas perfeitas. No entanto, a própria Escritura Sagrada revela que eles eram humanos, sujeitos a falhas e limitações, assim como nós. A Bíblia não oculta os erros de seus personagens. Embora Abrão seja reconhecido como o pai da fé e amigo de Deus, ele também cometeu equívocos em sua caminhada.

Deus não procura pessoas perfeitas para cumprir os seus propósitos, até porque não existem seres humanos isentos de imperfeições. Pelo contrário, ao longo da história bíblica, o Senhor chamou pessoas improváveis e trabalhou no aperfeiçoamento de seu caráter. Exemplos disso são Abrão, Jacó, Moisés, Sansão, Salomão, Pedro e Saulo. Assim também acontece conosco: somos alcançados pela graça divina e moldados segundo a vontade de Deus.

Alguns estudiosos afirmam que Jó pode ter sido contemporâneo de Abrão. Segundo o testemunho do próprio Deus, Jó era um homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Humanamente falando, talvez muitos escolheriam Jó para ser o pai da fé. Entretanto, Deus, em sua soberania, escolheu Abrão e, ao longo de sua trajetória, formou nele um caráter aprovado.

No início de sua jornada, Abrão cometeu um descuido ao não obedecer plenamente à ordem divina. Deus lhe ordenara que saísse de sua terra e de sua parentela. Embora tenha deixado sua terra, permitiu que Ló, seu sobrinho, o acompanhasse. Ló era filho de Harã, irmão de Abrão, já falecido, o que possivelmente despertava em Abrão um senso de responsabilidade familiar.

Do ponto de vista humano, é compreensível tal atitude. Não é fácil romper vínculos afetivos, especialmente em circunstâncias delicadas. Contudo, a obediência a Deus requer, muitas vezes, renúncia total e confiança irrestrita em sua direção.

Esse descuido trouxe consequências no futuro, como será observado no decorrer do estudo. Aprendemos, portanto, que as ordens de Deus devem ser obedecidas integralmente. O Senhor sabe o que faz e tem o controle de todas as coisas. Quando Ele nos orienta a deixar algo — mesmo aquilo que nos é querido —, a melhor decisão é obedecer, pois sua vontade é sempre perfeita e visa o nosso bem.

3. A passagem por Harã.

O texto de Gênesis 11.31 nos informa: “E tomou Terá a Abrão, seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão; e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã e habitaram ali”.

Alguns intérpretes sugerem que o chamado inicial teria sido dirigido a Terá, pai de Abrão, e que, por não ter obedecido plenamente — permanecendo em Harã —, Deus teria posteriormente chamado Abrão. Contudo, essa tese não encontra respaldo nas Escrituras. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, há clareza de que o chamado foi feito diretamente a Abrão, ainda em Ur dos caldeus (Gn 15.7; Ne 9.7; At 7.2).

Não se pode afirmar com precisão se Abrão, ao receber o chamado divino, comunicou-o a seu pai, e se este, então, assumiu a liderança da saída de Ur. O fato é que, ao chegarem a Harã, Terá e sua comitiva ali se estabeleceram, permanecendo até a sua morte. Somente após esse período é que Deus falou novamente a Abrão, reafirmando o chamado e ordenando-lhe que deixasse sua terra e sua parentela, dirigindo-se ao lugar que Ele lhe mostraria (Gn 12.1-3).

O comentarista destaca que Deus desejava forjar o caráter de Abrão antes de sua chegada ao destino prometido. Contudo, é importante observar que não foi Deus quem ordenou a permanência em Harã; tal decisão partiu de Terá. Nesse sentido, Harã pode simbolizar um lugar de parada indevida na caminhada da fé — uma condição de acomodação temporária que, se não houver vigilância, pode tornar-se permanente.

Ev. WELIANO PIRES 

02 abril 2026

DEUS CHAMA ABRÃO

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 1: Abraão, seu chamado e sua jornada de fé)

Neste primeiro tópico, estudaremos o chamado de Abrão, quando ainda vivia com seu pai, Terá, em Ur dos caldeus, na antiga Mesopotâmia.

Veremos que o chamado divino exigiu de Abrão fé e obediência incondicional. Ele vivia de forma estável entre seus parentes e amigos, mas Deus lhe ordenou que deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, dirigindo-se a uma terra que ainda lhe seria mostrada. Tal ordem demandava confiança plena na direção do Senhor.

Em seguida, analisaremos as promessas feitas por Deus a Abrão, as quais não se restringiam a ele e à sua família, mas alcançariam todas as nações da terra. Essas promessas se cumpririam no tempo determinado por Deus, sendo que algumas delas teriam seu pleno cumprimento ao longo da história da redenção.

Por fim, destacaremos as bênçãos divinas sobre Abrão, conforme registradas em Gênesis 12.1-3. Esse texto revela que Deus é abençoador e se alegra em favorecer aqueles que lhe obedecem e nele depositam sua esperança. Contudo, é importante ressaltar que as bênçãos do Senhor não se limitam à vida presente nem aos bens materiais, mas abrangem, sobretudo, as riquezas espirituais e eternas.

1. A fé de Abrão diante do chamado (Gn 12.1). Abrão aparece pela primeira vez na narrativa bíblica em Gênesis 11.26-31. Ele era descendente de Sem, um dos três filhos de Noé. Filho de Terá, irmão de Naor e Harã, e marido de Sarai (posteriormente chamada Sara), Abrão também era tio de Ló, filho de Harã, que faleceu ainda em Ur dos caldeus.

Abrão vivia com sua família em Ur dos caldeus, uma importante cidade da antiguidade, conhecida por sua riqueza, desenvolvimento e expressiva cultura arquitetônica e artística. Localizada às margens do rio Eufrates, era um centro urbano influente. Contudo, conforme registrado em Josué 24.2, Terá, pai de Abrão, servia a outros deuses, evidenciando o contexto de idolatria em que Abrão estava inserido.

A Bíblia não descreve detalhadamente como ocorreu o primeiro contato de Deus com Abrão em Ur. Entretanto, Gênesis 11.31 relata que Terá tomou Abrão, Ló e Sarai, e saiu de Ur com destino à terra de Canaã. Todavia, interromperam a jornada em Harã, onde passaram a habitar:

“E tomou Terá a Abrão seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã, e habitaram ali”.

Como o texto bíblico não afirma que Deus chamou Terá, entende-se que o chamado foi dirigido exclusivamente a Abrão. É possível que Abrão tenha compartilhado essa revelação com seu pai, que decidiu acompanhá-lo parcialmente na jornada. No entanto, o plano divino estava centrado em Abrão e sua esposa, por meio dos quais Deus formaria uma grande nação. 

O chamado de Abrão exigia fé e obediência absolutas. Deus ordenou que ele deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, dirigindo-se a uma terra que ainda lhe seria mostrada (Gn 12.1). Tratava-se de um verdadeiro passo de fé rumo ao desconhecido. Abrão deveria abandonar sua estabilidade e passar a viver como peregrino, habitando em tendas e dependendo inteiramente da provisão divina.

Assim, a experiência de Abrão nos ensina que atender ao chamado de Deus requer confiança plena, disposição para renunciar à segurança humana e coragem para seguir pela fé, mesmo quando não se conhece todos os detalhes do caminho.

2. A promessa para Abrão. Juntamente com o chamado de Abrão, Deus lhe fez promessas grandiosas, condicionadas à sua obediência. Tais promessas não se limitaram apenas ao patriarca e à sua esposa, mas estenderam-se aos seus descendentes, especialmente ao povo de Israel, e, de modo abrangente, a toda a humanidade. Isso porque Abraão é considerado o pai de todos os que creem.

As promessas divinas são compromissos assumidos pelo próprio Deus quanto ao cumprimento de seus desígnios no futuro. Em sua presciência, o Senhor refere-se a eventos futuros como se já estivessem presentes, pois Ele conhece todas as coisas. Deus é autossuficiente e não depende de nada nem de ninguém para cumprir aquilo que prometeu. Assim, suas promessas constituem a garantia segura de que se cumprirão no tempo determinado.

No texto de Gênesis 12.2,3, encontramos sete promessas feitas por Deus a Abrão:

a) Fazer dele uma grande nação. Abrão tinha 75 anos, e sua esposa, 65; além disso, não tinham filhos, e Sarai era estéril. Ainda assim, Deus prometeu fazer dele o pai de uma grande nação, promessa que se cumpriu com a formação de Israel.

b) Abençoá-lo. O termo hebraico barach significa “abençoar” e também “ajoelhar-se”. Trata-se de uma palavra-chave na aliança entre Deus e Abrão, aparecendo repetidas vezes no texto. A bênção divina refere-se ao favor, à aprovação, à prosperidade e à proteção de Deus.

c) Engrandecer o seu nome. O termo hebraico gadal indica crescer, tornar-se importante, ser exaltado e realizar grandes feitos. Deus cumpriu essa promessa, tornando Abraão uma figura de destaque universal e seus descendentes relevantes na história.

d) Fazer dele uma bênção. Mais do que ser abençoado, Abrão seria um canal de bênção. Essa promessa ultrapassa sua época e alcança toda a humanidade por meio de Cristo.

e) Abençoar os que o abençoarem. Deus prometeu favorecer aqueles que demonstrarem benevolência para com Abrão e seus descendentes. A história registra exemplos de nações que prosperaram ao se relacionarem positivamente com Israel.

f) Amaldiçoar os que o amaldiçoarem. Da mesma forma, Deus declarou que julgaria aqueles que se levantassem contra Abrão e sua descendência. Ao longo da história, diversas nações sofreram consequências por se oporem ao povo de Israel.

g) Em ti serão benditas todas as famílias da terra. Esta promessa possui caráter messiânico, apontando para o Salvador, descendente de Abraão, que veio ao mundo para redimir a humanidade de seus pecados. Também destaca o papel de Israel como instrumento de bênção, especialmente por meio das Escrituras Sagradas.

3. As bênçãos de Deus para Abrão. Este subtópico constitui um desdobramento do anterior, que trata das promessas de Deus a Abrão. As promessas divinas diferem das humanas, pois Deus não depende de qualquer agente externo para cumprir aquilo que declarou. Logo, o que Deus promete não é mera intenção futura, mas um compromisso soberano, irrevogável, que certamente se cumprirá, visto que ninguém pode impedir a realização de seus desígnios.

Deus é essencialmente bondoso e deseja conceder benefícios aos seus servos. No Salmo 103, o salmista conclama a sua alma a bendizer ao Senhor por todos os benefícios recebidos. De fato, são inúmeras as dádivas provenientes de Deus, começando pelo dom da vida. O apóstolo Tiago afirma que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto” (Tg 1.17), ressaltando a origem divina de todas as bênçãos verdadeiras.

Entretanto, é necessário compreender que as bênçãos de Deus não se limitam à vida presente. Neste mundo, o crente está sujeito a lutas e tribulações. O apóstolo Paulo, ao escrever aos coríntios, declarou: “Se esperamos em Cristo somente nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co 15.19). Tal afirmação evidencia que a esperança cristã transcende a realidade terrena.

Além disso, convém destacar que o contexto do Antigo Testamento difere do período da Igreja. Os patriarcas viviam sob uma revelação progressiva e não possuíam a mesma clareza acerca da vida eterna que foi plenamente manifestada em Cristo. Hoje, à luz do Novo Testamento, temos uma compreensão mais ampla das promessas eternas de Deus.

Ev. WELIANO PIRES 

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 3: A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA

Data: 19 de abril de 2026 TEXTO ÁUREO:  “E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; por...