08 abril 2026

ABRÃO VOLTA DO EGITO PARA CANAÃ

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 2: A fé de Abrão nas promessas de Deus)

Temos buscado a orientação de Deus antes de tomar decisões? É preciso considerar que escolhas equivocadas podem trazer sérios prejuízos espirituais e materiais. Ló, sobrinho de Abrão, constitui um exemplo disso. Ao separar-se de seu tio, tomou decisões baseadas apenas na aparência, sem consultar ao Senhor e sem honrar aquele que era o líder da família.

Neste tópico, estudaremos os acontecimentos que se deram após o retorno de Abrão do Egito à terra de Canaã. Para uma melhor compreensão do contexto, é fundamental a leitura dos capítulos 12 e 13, do Livro de Gênesis.

Mas, afinal, o que levou Abrão ao Egito? Embora Deus lhe tivesse prometido a terra de Canaã, ao chegar ali ele se deparou com uma grande fome. Diante dessa circunstância, decidiu descer ao Egito em busca de sustento (Gn 12.10). Tal atitude revela que, em determinados momentos, Abrão agiu sem consultar a direção divina.

No Egito, movido pelo medo, Abrão pediu que Sarai dissesse que era sua irmã. Como resultado, Faraó tomou Sarai para o seu harém e concedeu muitos bens a Abrão, supondo tratar-se de sua irmã. Entretanto, o Senhor interveio, ferindo a casa de Faraó com pragas e preservando a integridade de Sarai, demonstrando, assim, o seu cuidado e fidelidade para com os seus servos.

1. Contenda entre os pastores. Após o episódio no Egito, Abrão foi expulso daquela terra e retornou a Canaã, levando consigo Ló e um grande número de pessoas. Somente o grupo de Abrão contava com trezentos e dezoito homens treinados, além de seus familiares e servos, sem contar os que pertenciam a Ló.

Ao regressarem do Egito, tanto Abrão quanto Ló eram extremamente prósperos, possuindo prata, ouro, muitos servos e grandes rebanhos (Gn 13.2,5). Essa prosperidade, embora fosse uma bênção, trouxe também um desafio: a terra em que habitavam não era suficiente para sustentar os rebanhos de ambos. Como consequência, surgiram contendas entre os pastores de Abrão e os de Ló.

É importante destacar que tal situação poderia ter sido evitada caso Abrão tivesse obedecido plenamente à ordem divina. O Senhor havia determinado que ele deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai (Gn 12.1). Embora Abrão tenha demonstrado fé ao atender ao chamado, sua obediência foi parcial. Ele saiu de sua terra, mas levou consigo seu pai e, posteriormente, seu sobrinho Ló.

Em Harã, após a morte de seu pai, Deus reafirmou o seu chamado. Ainda assim, Abrão insistiu em manter Ló ao seu lado, o que mais tarde contribuiria para os conflitos enfrentados.

Aprendemos, assim, uma importante lição: quando Deus nos dá uma ordem, ela deve ser cumprida integralmente. O Senhor é soberano e conhece todas as coisas, inclusive o futuro. Suas instruções não são aleatórias, mas visam o nosso bem. Sempre que desobedecemos, ou obedecemos apenas em parte, enfrentamos consequências. A obediência parcial, na prática, equivale à desobediência.

2. Abrão e Ló se separam. A separação entre Abrão e Ló tornou-se necessária para que o patriarca pudesse prosseguir no cumprimento das promessas divinas, tanto no aspecto material quanto espiritual. Com o objetivo de evitar contendas, Abrão propôs, de forma pacífica, que ele e seu sobrinho seguissem caminhos diferentes.

Na condição de líder do clã e sendo mais velho que Ló, Abrão tinha o direito de escolher primeiro a terra que desejasse. No entanto, demonstrando grande humildade e confiança em Deus, abriu mão desse direito e permitiu que Ló fizesse a escolha. Essa atitude evidencia que a humildade é fundamental para evitar conflitos e preservar relacionamentos.

Como servos de Deus, devemos sempre priorizar a união e a paz. Todavia, isso não significa, necessariamente, permanecer sempre juntos. Em algumas situações, o distanciamento pode ser a melhor alternativa para manter a harmonia. Há relacionamentos que se preservam melhor quando há limites saudáveis na convivência.

Inclusive no ministério, em certos casos, a separação pode contribuir para evitar discórdias e permitir que cada um siga o chamado que Deus lhe confiou. Um exemplo disso está registrado no Livro de Atos, quando Paulo e Barnabé se separaram devido a uma divergência quanto a João Marcos (At 15.36-40). Ainda assim, ambos continuaram sendo usados por Deus em suas respectivas missões.

É importante destacar que a separação não é uma opção para o casamento. Diante de divergências, os cônjuges devem buscar o diálogo, a compreensão e a disposição para ceder, preservando, assim, a união. A Palavra de Deus orienta que o vínculo conjugal deve ser mantido, sendo a infidelidade conjugal a única exceção mencionada nas Escrituras (Mt 19.9).

3. As escolhas de cada um. Após Abrão conceder a Ló a oportunidade de escolher o caminho a seguir, o sobrinho optou pela região de Sodoma e Gomorra, motivado apenas pela aparência e pela prosperidade daquela terra, banhada pelo Rio Jordão. A Bíblia relata que essa região era bem regada, comparada ao Jardim do Senhor e ao Egito (Gn 13.10), antes de ser destruída pelo Senhor.

No entanto, os habitantes de Sodoma eram extremamente perversos. Ló levou em consideração apenas o aspecto econômico e, ao fazê-lo, expôs sua família à convivência com uma sociedade completamente afastada de Deus, marcada por todo tipo de abominação. Como consequência, essa escolha traria sérias dificuldades e tragédias, que serão analisadas no próximo estudo.

Abrão, por outro lado, permaneceu em Canaã, confiando nas promessas de Deus. Embora aquela terra não fosse confortável nem oferecesse prosperidade imediata — enfrentando longos períodos de estiagem e fome — ele estava sob a direção do Senhor, e isso era suficiente.

Essa história nos ensina que nem sempre a escolha que parece melhor aos olhos humanos é a melhor diante de Deus. A fé nos leva a confiar em Suas promessas e a descansar, mesmo em meio às dificuldades. Quando seguimos a direção de Deus, estamos seguros, independentemente das circunstâncias. Prosperidade financeira sem a orientação divina não é bênção; pode se tornar uma maldição.

Ev. WELIANO PIRES 




07 abril 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 2: A FÉ DE ABRÃO NAS PROMESSAS DE DEUS

Data: 12 de abril de 2026

TEXTO ÁUREO:

“E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.” (Gn 12.7).

VERDADE PRÁTICA:

Quando Deus faz uma promessa incondicional, Ele a cumpre plenamente.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 13.7-18.

OBJETIVOS DA LIÇÃO: 

I) Apresentar o retorno de Abrão do Egito para Canaã; 

II) Enfatizar as consequências das nossas escolhas; 

III) Mostrar os altares erguidos por Abrão a Deus.

Palavra-Chave: PROMESSAS

Segundo o Dicionário Michaelis, a palavra “promessa” deriva do latim promissa e refere-se ao compromisso assumido por alguém de realizar algo, seja consigo mesmo ou com outrem. 

Do ponto de vista bíblico, promessa é o compromisso assumido pelo próprio Senhor de realizar algo no futuro. Em sua onisciência, Deus contempla todas as coisas, referindo-se ao futuro como se fosse presente. 

As promessas de Deus podem ser classificadas em dois tipos: condicionais e incondicionais.

As promessas condicionais são aquelas em que Deus estabelece condições para o seu cumprimento. Nesse caso, exige-se uma resposta humana, como fé, obediência ou arrependimento. Caso tais requisitos não sejam atendidos, essas promessas não se cumprirão.

Por outro lado, as promessas incondicionais são aquelas que Deus faz segundo os seus desígnios soberanos. O cumprimento dessas promessas não depende da ação humana, mas da fidelidade do próprio Deus, realizando-se no tempo por Ele determinado.

INTRODUÇÃO 

Nesta segunda lição, dando continuidade ao estudo sobre o patriarca Abraão, falaremos da fé de Abrão nas promessas de Deus. Deus havia ordenado que Abrão deixasse a sua terra e a sua parentela. 

Abrão obedeceu parcialmente, pois deixou a sua terra na companhia do seu pai e do seu sobrinho Ló. Após a morte do seu pai em Harã, Abrão continuou a jornada na companhia do seu sobrinho. Isso acabou trazendo conflitos e tiveram que se separar. 

Mesmo tendo o direito de escolher para onde ir, ofereceu ao seu sobrinho a oportunidade de escolher primeiro. Ló fez uma má escolha e seguiu para a região de Sodoma e Gomorra, onde havia um povo de práticas abomináveis aos olhos de Deus. 

Após a separação, Deus reafirmou a Abrão a promessa de que daria à sua descendência toda aquela terra que os seus olhos avisassem. Abrão continuou crendo nas promessas de Deus e seguiu a sua jornada construindo altares e buscando a orientação de Deus. 

Ev. WELIANO PIRES

04 abril 2026

AS LUTAS QUE ABRÃO ENFRENTOU AO CHEGAR A CANAÃ

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 1: O chamado de Abrão e a sua jornada de fé)

No terceiro tópico, analisaremos as lutas enfrentadas por Abrão ao chegar à terra para a qual Deus o havia chamado, isto é, a terra de Canaã. O fato de obedecer à direção divina não o isentou das dificuldades, pois a caminhada de fé também envolve provas e desafios.

Inicialmente, destacamos a dificuldade da fome, que Abrão enfrentou ao chegar a Canaã. Diante daquela situação adversa, viu-se obrigado a descer ao Egito, em busca de sustento para si, para sua comitiva e para seus rebanhos.

Em seguida, consideraremos a dificuldade de permanecer no lugar da promessa. Diante disso, qual decisão Abrão deveria tomar? Onde buscar socorro? O texto bíblico não registra que ele tenha consultado ao Senhor naquele momento, o que nos leva à reflexão sobre a importância de buscar sempre a direção divina. 

Por fim, abordaremos a dificuldade enfrentada por Abrão ao não dizer toda a verdade acerca de sua esposa, ao chegar ao Egito. Temendo por sua vida, declarou que Sarai era sua irmã. Naquele contexto, essa atitude revelou fragilidade humana diante do medo. Contudo, Deus, em sua soberania e graça, interveio para preservar Sarai e cumprir os seus propósitos.

1. A dificuldade contra a fome.

A terra de Canaã, embora reconhecida por sua fertilidade, estava sujeita a longos períodos de estiagem, o que frequentemente resultava em escassez de alimentos para a população e de pastagem para os rebanhos. Naquele tempo, não havia sistemas de irrigação como os atuais; por isso, tanto agricultores quanto pecuaristas dependiam diretamente das chuvas. Na ausência delas, a fome tornava-se inevitável.

Isaque e Jacó, respectivamente filho e neto de Abraão, também enfrentaram períodos de escassez em Canaã. No caso de Isaque, ele recebeu orientação divina para não descer ao Egito, dirigindo-se à terra de Gerar, região situada ao sul de Canaã e pertencente aos filisteus — local por onde o próprio Abrão também passou. Jacó, por sua vez, mudou-se com toda a sua família para o Egito, onde seu filho José havia sido constituído governador.

A experiência desses três patriarcas nos ensina que, mesmo estando no centro da vontade de Deus e em obediência à sua Palavra, não estamos isentos de enfrentar dificuldades, lutas e oposições. A vida cristã é marcada por desafios, mas também pela confiança na fidelidade divina. O próprio Senhor Jesus declarou: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).

2. A dificuldade de ir para o lugar certo.

À primeira vista, parece um paradoxo: deixar sua terra em obediência ao chamado de Deus, chegar ao destino indicado e deparar-se com a escassez. Diante dessa realidade, Abrão, como chefe de sua casa, responsável por sua família, servos e rebanhos, precisou tomar uma decisão para garantir a sobrevivência de todos.

Para onde deveria ir? Retornar à sua terra de origem não era uma opção viável, pois Deus lhe havia ordenado que saísse de lá. Outra alternativa seria o Egito, cuja terra era irrigada pelas cheias do rio Nilo, que deixavam um solo fértil, favorecendo a agricultura. Havia ainda a região de Sodoma e Gomorra, que, antes de sua destruição, era bem irrigada e comparada ao jardim do Éden.

Entretanto, apesar de sua prosperidade material, essas regiões eram marcadas pela idolatria, violência e imoralidade. Portanto, não representavam boas escolhas para aqueles que desejavam viver segundo os princípios divinos. Ló, sobrinho de Abrão, optou por habitar em Sodoma, decisão que lhe trouxe sérias consequências pessoais e familiares, como será estudado na lição seguinte.

Observa-se que Abrão não buscou ao Senhor em oração antes de tomar sua decisão, optando por descer ao Egito por iniciativa própria. Essa atitude nos conduz a uma importante reflexão: em tempos de crise e escassez, quando somos chamados a tomar decisões relevantes, devemos, acima de tudo, buscar a direção de Deus em oração. Ele é onisciente e sabe perfeitamente o que é melhor para cada um de nós. 

3. A dificuldade em falar a verdade.

Sarai, esposa de Abrão, mesmo com aproximadamente sessenta e cinco anos, destacava-se por sua beleza, atraindo a atenção por onde passava. É importante observar que Abrão tinha cerca de setenta e cinco anos ao sair de Harã, sendo Sarai dez anos mais nova. A descida ao Egito ocorreu pouco tempo depois da chegada a Canaã.

A notável formosura de Sarai levou Abrão a temer por sua própria vida ao entrar no Egito, pois imaginava que Faraó poderia matá-lo para tomar sua esposa. Movido por esse receio, orientou Sarai a declarar que era sua irmã, caso fosse questionada.

Em consequência dessa atitude, Sarai foi levada à casa de Faraó para integrar seu harém. Contudo, o pior não aconteceu, pois Deus, em sua misericórdia, interveio, ferindo Faraó e sua casa, impedindo que ele tocasse em Sarai. Dessa forma, o Senhor revelou que ela era, na verdade, esposa de Abrão.

Diante disso, Faraó repreendeu Abrão por não ter declarado a verdade. Como justificativa, Abrão apresentou uma meia verdade, afirmando que Sarai era sua irmã por parte de pai, mas não de mãe. Embora essa informação tivesse fundamento, omitia o fato principal: ela era sua esposa. À luz das Escrituras, uma meia verdade não deixa de ser mentira.

Essa narrativa nos ensina que o servo de Deus deve pautar sua vida pela verdade em todas as circunstâncias, ainda que isso lhe traga aparentes prejuízos. A mentira não procede de Deus, pois o próprio Senhor é a verdade absoluta. Conforme está escrito: “Vós tendes por pai ao diabo... ele é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Portanto, a integridade e a sinceridade devem marcar a vida daquele que serve ao Senhor.

Ev. WELIANO PIRES 

03 abril 2026

A OBEDIÊNCIA DE ABRÃO A DEUS

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 1: O chamado de Abrão e sua jornada de fé)

No segundo tópico, estudaremos a obediência de Abrão ao chamado divino. O texto de Hebreus 11.8 declara: “Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.”

Veremos como Abrão atendeu ao chamado de Deus, mesmo sem possuir pleno entendimento acerca do que lhe estava reservado. Sem saber como seria a sua vida no destino indicado, ele creu nas promessas divinas e, pela fé, decidiu obedecer, ainda que de forma parcial.

Na sequência, destacaremos uma falha no cumprimento desse chamado: Abrão permitiu que seu sobrinho Ló o acompanhasse. Entretanto, a ordem divina era que ele deixasse sua parentela, seguindo apenas com a sua casa, o que evidencia uma obediência incompleta.

Por fim, analisaremos a permanência de Abrão em Harã, onde seu pai veio a falecer. Embora tenha saído de Ur dos Caldeus, Abrão não seguiu imediatamente para Canaã, conforme a direção divina, mas estabeleceu-se temporariamente em Harã. A Bíblia não especifica quanto tempo ele permaneceu ali, mas esse intervalo também faz parte do processo de sua jornada de fé.

1. Atendendo o chamado.

Conforme estudado no tópico anterior, o chamado de Abrão exigia dele uma fé extraordinária. Deus lhe ordenou que deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, conduzindo-o a uma terra que ainda lhe seria mostrada. Tratava-se, do ponto de vista humano, de uma jornada incerta, que demandava total dependência da direção divina.

É importante destacar que Abrão não possuía o conhecimento das Escrituras como temos hoje. O livro de Gênesis, que registra sua história, foi escrito por Moisés séculos depois. Além disso, seu contexto familiar não favorecia o conhecimento do Deus verdadeiro, pois, conforme Josué 24.2, seu pai servia a outros deuses. Ainda assim, Deus se revelou a ele de forma pessoal.

Outro aspecto que evidencia a dimensão de sua fé são as promessas recebidas. Deus declarou que Abrão seria pai de uma grande nação. No entanto, do ponto de vista natural, isso parecia impossível, pois ele tinha setenta e cinco anos, e sua esposa, além de avançada em idade, era estéril. As promessas divinas, portanto, confrontavam a lógica humana.

Apesar de todas essas circunstâncias, Abrão creu em Deus e obedeceu ao seu chamado. Inicialmente, saiu de Ur dos Caldeus com seu pai e, após a morte deste em Harã, prosseguiu em direção a Canaã. Sem recursos de orientação humana, como mapas ou qualquer tipo de referência, ele seguiu confiando unicamente na direção do Senhor.

Aprendemos com Abrão que a fé não se baseia em garantias humanas ou na compreensão plena das circunstâncias, mas na confiança absoluta de que Deus é soberano e fiel para cumprir tudo o que prometeu, independentemente das situações enfrentadas.

2. Um descuido.

Ao estudarmos as narrativas bíblicas, é comum imaginarmos que os heróis da fé eram pessoas perfeitas. No entanto, a própria Escritura Sagrada revela que eles eram humanos, sujeitos a falhas e limitações, assim como nós. A Bíblia não oculta os erros de seus personagens. Embora Abrão seja reconhecido como o pai da fé e amigo de Deus, ele também cometeu equívocos em sua caminhada.

Deus não procura pessoas perfeitas para cumprir os seus propósitos, até porque não existem seres humanos isentos de imperfeições. Pelo contrário, ao longo da história bíblica, o Senhor chamou pessoas improváveis e trabalhou no aperfeiçoamento de seu caráter. Exemplos disso são Abrão, Jacó, Moisés, Sansão, Salomão, Pedro e Saulo. Assim também acontece conosco: somos alcançados pela graça divina e moldados segundo a vontade de Deus.

Alguns estudiosos afirmam que Jó pode ter sido contemporâneo de Abrão. Segundo o testemunho do próprio Deus, Jó era um homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Humanamente falando, talvez muitos escolheriam Jó para ser o pai da fé. Entretanto, Deus, em sua soberania, escolheu Abrão e, ao longo de sua trajetória, formou nele um caráter aprovado.

No início de sua jornada, Abrão cometeu um descuido ao não obedecer plenamente à ordem divina. Deus lhe ordenara que saísse de sua terra e de sua parentela. Embora tenha deixado sua terra, permitiu que Ló, seu sobrinho, o acompanhasse. Ló era filho de Harã, irmão de Abrão, já falecido, o que possivelmente despertava em Abrão um senso de responsabilidade familiar.

Do ponto de vista humano, é compreensível tal atitude. Não é fácil romper vínculos afetivos, especialmente em circunstâncias delicadas. Contudo, a obediência a Deus requer, muitas vezes, renúncia total e confiança irrestrita em sua direção.

Esse descuido trouxe consequências no futuro, como será observado no decorrer do estudo. Aprendemos, portanto, que as ordens de Deus devem ser obedecidas integralmente. O Senhor sabe o que faz e tem o controle de todas as coisas. Quando Ele nos orienta a deixar algo — mesmo aquilo que nos é querido —, a melhor decisão é obedecer, pois sua vontade é sempre perfeita e visa o nosso bem.

3. A passagem por Harã.

O texto de Gênesis 11.31 nos informa: “E tomou Terá a Abrão, seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão; e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã e habitaram ali”.

Alguns intérpretes sugerem que o chamado inicial teria sido dirigido a Terá, pai de Abrão, e que, por não ter obedecido plenamente — permanecendo em Harã —, Deus teria posteriormente chamado Abrão. Contudo, essa tese não encontra respaldo nas Escrituras. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, há clareza de que o chamado foi feito diretamente a Abrão, ainda em Ur dos caldeus (Gn 15.7; Ne 9.7; At 7.2).

Não se pode afirmar com precisão se Abrão, ao receber o chamado divino, comunicou-o a seu pai, e se este, então, assumiu a liderança da saída de Ur. O fato é que, ao chegarem a Harã, Terá e sua comitiva ali se estabeleceram, permanecendo até a sua morte. Somente após esse período é que Deus falou novamente a Abrão, reafirmando o chamado e ordenando-lhe que deixasse sua terra e sua parentela, dirigindo-se ao lugar que Ele lhe mostraria (Gn 12.1-3).

O comentarista destaca que Deus desejava forjar o caráter de Abrão antes de sua chegada ao destino prometido. Contudo, é importante observar que não foi Deus quem ordenou a permanência em Harã; tal decisão partiu de Terá. Nesse sentido, Harã pode simbolizar um lugar de parada indevida na caminhada da fé — uma condição de acomodação temporária que, se não houver vigilância, pode tornar-se permanente.

Ev. WELIANO PIRES 

02 abril 2026

DEUS CHAMA ABRÃO

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 1: Abraão, seu chamado e sua jornada de fé)

Neste primeiro tópico, estudaremos o chamado de Abrão, quando ainda vivia com seu pai, Terá, em Ur dos caldeus, na antiga Mesopotâmia.

Veremos que o chamado divino exigiu de Abrão fé e obediência incondicional. Ele vivia de forma estável entre seus parentes e amigos, mas Deus lhe ordenou que deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, dirigindo-se a uma terra que ainda lhe seria mostrada. Tal ordem demandava confiança plena na direção do Senhor.

Em seguida, analisaremos as promessas feitas por Deus a Abrão, as quais não se restringiam a ele e à sua família, mas alcançariam todas as nações da terra. Essas promessas se cumpririam no tempo determinado por Deus, sendo que algumas delas teriam seu pleno cumprimento ao longo da história da redenção.

Por fim, destacaremos as bênçãos divinas sobre Abrão, conforme registradas em Gênesis 12.1-3. Esse texto revela que Deus é abençoador e se alegra em favorecer aqueles que lhe obedecem e nele depositam sua esperança. Contudo, é importante ressaltar que as bênçãos do Senhor não se limitam à vida presente nem aos bens materiais, mas abrangem, sobretudo, as riquezas espirituais e eternas.

1. A fé de Abrão diante do chamado (Gn 12.1). Abrão aparece pela primeira vez na narrativa bíblica em Gênesis 11.26-31. Ele era descendente de Sem, um dos três filhos de Noé. Filho de Terá, irmão de Naor e Harã, e marido de Sarai (posteriormente chamada Sara), Abrão também era tio de Ló, filho de Harã, que faleceu ainda em Ur dos caldeus.

Abrão vivia com sua família em Ur dos caldeus, uma importante cidade da antiguidade, conhecida por sua riqueza, desenvolvimento e expressiva cultura arquitetônica e artística. Localizada às margens do rio Eufrates, era um centro urbano influente. Contudo, conforme registrado em Josué 24.2, Terá, pai de Abrão, servia a outros deuses, evidenciando o contexto de idolatria em que Abrão estava inserido.

A Bíblia não descreve detalhadamente como ocorreu o primeiro contato de Deus com Abrão em Ur. Entretanto, Gênesis 11.31 relata que Terá tomou Abrão, Ló e Sarai, e saiu de Ur com destino à terra de Canaã. Todavia, interromperam a jornada em Harã, onde passaram a habitar:

“E tomou Terá a Abrão seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã, e habitaram ali”.

Como o texto bíblico não afirma que Deus chamou Terá, entende-se que o chamado foi dirigido exclusivamente a Abrão. É possível que Abrão tenha compartilhado essa revelação com seu pai, que decidiu acompanhá-lo parcialmente na jornada. No entanto, o plano divino estava centrado em Abrão e sua esposa, por meio dos quais Deus formaria uma grande nação. 

O chamado de Abrão exigia fé e obediência absolutas. Deus ordenou que ele deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, dirigindo-se a uma terra que ainda lhe seria mostrada (Gn 12.1). Tratava-se de um verdadeiro passo de fé rumo ao desconhecido. Abrão deveria abandonar sua estabilidade e passar a viver como peregrino, habitando em tendas e dependendo inteiramente da provisão divina.

Assim, a experiência de Abrão nos ensina que atender ao chamado de Deus requer confiança plena, disposição para renunciar à segurança humana e coragem para seguir pela fé, mesmo quando não se conhece todos os detalhes do caminho.

2. A promessa para Abrão. Juntamente com o chamado de Abrão, Deus lhe fez promessas grandiosas, condicionadas à sua obediência. Tais promessas não se limitaram apenas ao patriarca e à sua esposa, mas estenderam-se aos seus descendentes, especialmente ao povo de Israel, e, de modo abrangente, a toda a humanidade. Isso porque Abraão é considerado o pai de todos os que creem.

As promessas divinas são compromissos assumidos pelo próprio Deus quanto ao cumprimento de seus desígnios no futuro. Em sua presciência, o Senhor refere-se a eventos futuros como se já estivessem presentes, pois Ele conhece todas as coisas. Deus é autossuficiente e não depende de nada nem de ninguém para cumprir aquilo que prometeu. Assim, suas promessas constituem a garantia segura de que se cumprirão no tempo determinado.

No texto de Gênesis 12.2,3, encontramos sete promessas feitas por Deus a Abrão:

a) Fazer dele uma grande nação. Abrão tinha 75 anos, e sua esposa, 65; além disso, não tinham filhos, e Sarai era estéril. Ainda assim, Deus prometeu fazer dele o pai de uma grande nação, promessa que se cumpriu com a formação de Israel.

b) Abençoá-lo. O termo hebraico barach significa “abençoar” e também “ajoelhar-se”. Trata-se de uma palavra-chave na aliança entre Deus e Abrão, aparecendo repetidas vezes no texto. A bênção divina refere-se ao favor, à aprovação, à prosperidade e à proteção de Deus.

c) Engrandecer o seu nome. O termo hebraico gadal indica crescer, tornar-se importante, ser exaltado e realizar grandes feitos. Deus cumpriu essa promessa, tornando Abraão uma figura de destaque universal e seus descendentes relevantes na história.

d) Fazer dele uma bênção. Mais do que ser abençoado, Abrão seria um canal de bênção. Essa promessa ultrapassa sua época e alcança toda a humanidade por meio de Cristo.

e) Abençoar os que o abençoarem. Deus prometeu favorecer aqueles que demonstrarem benevolência para com Abrão e seus descendentes. A história registra exemplos de nações que prosperaram ao se relacionarem positivamente com Israel.

f) Amaldiçoar os que o amaldiçoarem. Da mesma forma, Deus declarou que julgaria aqueles que se levantassem contra Abrão e sua descendência. Ao longo da história, diversas nações sofreram consequências por se oporem ao povo de Israel.

g) Em ti serão benditas todas as famílias da terra. Esta promessa possui caráter messiânico, apontando para o Salvador, descendente de Abraão, que veio ao mundo para redimir a humanidade de seus pecados. Também destaca o papel de Israel como instrumento de bênção, especialmente por meio das Escrituras Sagradas.

3. As bênçãos de Deus para Abrão. Este subtópico constitui um desdobramento do anterior, que trata das promessas de Deus a Abrão. As promessas divinas diferem das humanas, pois Deus não depende de qualquer agente externo para cumprir aquilo que declarou. Logo, o que Deus promete não é mera intenção futura, mas um compromisso soberano, irrevogável, que certamente se cumprirá, visto que ninguém pode impedir a realização de seus desígnios.

Deus é essencialmente bondoso e deseja conceder benefícios aos seus servos. No Salmo 103, o salmista conclama a sua alma a bendizer ao Senhor por todos os benefícios recebidos. De fato, são inúmeras as dádivas provenientes de Deus, começando pelo dom da vida. O apóstolo Tiago afirma que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto” (Tg 1.17), ressaltando a origem divina de todas as bênçãos verdadeiras.

Entretanto, é necessário compreender que as bênçãos de Deus não se limitam à vida presente. Neste mundo, o crente está sujeito a lutas e tribulações. O apóstolo Paulo, ao escrever aos coríntios, declarou: “Se esperamos em Cristo somente nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co 15.19). Tal afirmação evidencia que a esperança cristã transcende a realidade terrena.

Além disso, convém destacar que o contexto do Antigo Testamento difere do período da Igreja. Os patriarcas viviam sob uma revelação progressiva e não possuíam a mesma clareza acerca da vida eterna que foi plenamente manifestada em Cristo. Hoje, à luz do Novo Testamento, temos uma compreensão mais ampla das promessas eternas de Deus.

Ev. WELIANO PIRES 

31 março 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 1: ABRAÃO: SEU CHAMADO E SUA JORNADA DE FÉ

Data: 5 de abril de 2026

TEXTO ÁUREO: 

“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.” (Gn 12.1).

VERDADE PRÁTICA:

O chamado de Deus na vida de Abrão e na nossa exige obediência irrestrita, fé e perseverança.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 12.1-9.

OBJETIVOS DA LIÇÃO: 

I) Apresentar como ocorreu o chamado de Abrão; 

II) Enfatizar a obediência de Abrão a Deus diante desse chamado;

III) Mostrar as lutas enfrentadas por Abrão ao chegar a Canaã.

Palavra-Chave:

A palavra fé, em hebraico, é emunah; em grego, pistis; e, em latim, fides. Significa confiança, convicção, persuasão e fidelidade. Do ponto de vista bíblico, a melhor definição de fé encontra-se em Hebreus 11.1: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem.” A fé é um requisito indispensável para o relacionamento com Deus, pois “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6).

No capítulo 11 da Epístola aos Hebreus, temos vários exemplos de pessoas que realizaram grandes coisas pela fé. Contudo, no mesmo capítulo, também encontramos exemplos de outros que, pela fé, foram perseguidos, andaram errantes pelos desertos, foram serrados ao meio e mortos ao fio da espada, entre outros sofrimentos. Eram homens dos quais o mundo não era digno.

Igualmente, no livro Heróis da Fé, escrito pelo missionário Orlando Boyer e publicado pela CPAD, encontramos as histórias de vários servos de Deus que pregaram e realizaram milagres. Entretanto, muitos deles foram presos, perseguidos e sofreram grandemente.

INTRODUÇÃO

Nesta primeira lição falaremos do chamado de Abrão e a sua jornada de fé, rumo a um lugar que Deus iria lhe mostrar. Abrão ao ser chamado por Deus, obedeceu, mesmo que parcialmente, saindo de um lugar próspero, sem saber para onde ia e o que iria encontrar: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia”. (Hb 11.8).

É preciso muita fé e confiança em Deus para obedecer a um chamado desse, principalmente, porque ele não tinha o conhecimento sobre Deus como temos hoje. Mas, a fé consiste exatamente em confiar plenamente em Deus e obedecê-lo, independente das circunstâncias. 

O escritor aos Hebreus inicia capítulo 11, conhecido como a galeria dos heróis da fé, dizendo que “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem”. (Hb 11.1). Aquilo que vemos e que a lógica nos manda esperar, não necessita de fé. Ter fé é descansar nas promessas e na fidelidade de Deus. 

Ev. WELIANO PIRES 

30 março 2026

INTRODUÇÃO AO 2⁰ TRIMESTRE DE 2026

Concluímos um trimestre de estudos sobre a Doutrina da Santíssima Trindade, tema da Teologia Sistemática, reconhecidamente profundo e desafiador, que exigiu dedicação tanto dos professores quanto dos alunos.

Embora seja um assunto complexo, repleto de mistérios que aceitamos pela fé — mesmo sem compreendê-los plenamente, devido às nossas limitações —, trata-se de uma doutrina essencialmente bíblica e necessária, sobretudo diante dos enganos propagados pelas seitas.

Neste segundo trimestre, estudaremos um tema relacionado à Teologia Bíblica do Antigo Testamento, mais especificamente o Livro de Gênesis. Abordaremos o legado dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. A jornada de fé desses três homens de Deus tem muito a nos ensinar.

A vida desses patriarcas serve-nos de inspiração e motivação para crer, obedecer e viver em total dependência de Deus, independentemente das circunstâncias. É importante ressaltar que eles não eram perfeitos; assim como nós, também cometeram erros, e a Bíblia não os oculta. Seus fracassos foram registrados para nossa advertência (1Co 10.11).

O título da Revista é: Homens dos quais o mundo não era digno: O legado de Abraão, Isaque e Jacó. Essa expressão remete ao capítulo 11 da Epístola aos Hebreus, que apresenta os heróis da fé do Antigo Testamento. Na conclusão do capítulo, o autor destaca que, apesar das perseguições, torturas e mortes que muitos deles sofreram, o mundo não era digno deles.

As lições estão organizadas em quatro blocos:

  • Cinco lições sobre Abraão, o pai da fé (Lições 1 a 5);
  • Três lições sobre Isaque, o patriarca da constância (Lições 6 a 8);
  • Quatro lições sobre Jacó (Lições 9 a 12);
  • Uma lição conclusiva sobre o legado de fé dos três patriarcas (Lição 13).

É altamente recomendável que os professores leiam o Livro de Gênesis, pelo menos do capítulo 11 ao 50, a fim de obter uma visão panorâmica da trajetória desses patriarcas. Além disso, a leitura do discurso de Estêvão, em Atos 7, contribui com detalhes complementares que não estão registrados em Gênesis.

COMENTARISTA: 

O comentarista deste trimestre é o pastor Elinaldo Renovato de Lima, ministro do Evangelho, escritor e comentarista das Lições Bíblicas há vários anos. É bacharel em Economia, mestre em Administração pela UFRN e mestre em Ciências da Religião pela FAETEL. Pastoreou a Assembleia de Deus em Parnamirim (RN) por muitos anos e atualmente encontra-se jubilado. É autor de diversas obras publicadas pela CPAD, entre as quais se destacam: Ética Cristã, Colossenses, Aprendendo Diariamente com Cristo, Os Perigos da Pós-Modernidade e Células-Tronco.

Bons estudos!

Ev. WELIANO PIRES 

28 março 2026

A IGREJA É ENVIADA PELA TRINDADE

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 13: A Trindade Santa e a Igreja de Cristo)

No terceiro tópico, estudaremos que o envio da Igreja ao mundo, para o cumprimento de sua missão, é uma ação cooperativa das três Pessoas da Santíssima Trindade: o Pai envia, o Filho comissiona e o Espírito Santo capacita.

Em primeiro lugar, destacamos a missão procedente do Pai, que é a origem de todo o plano da salvação. Desde a eternidade, antes mesmo da fundação do mundo, o Pai estabeleceu o plano de redimir a humanidade. Em sua presciência, Deus sabia da queda do ser humano. Assim, o plano da salvação não se trata de uma alternativa emergencial, como se fosse um “plano B”, pois Deus, em sua soberania, jamais é surpreendido pelos acontecimentos.

Em seguida, veremos que o Filho comissionou os seus discípulos para evangelizar o mundo, ensinando a Palavra de Deus àqueles que crerem, e batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Portanto, essa missão possui um caráter proclamador e, ao mesmo tempo, formador, pois envolve tanto a pregação quanto o ensino das verdades divinas.

Por fim, enfatizaremos que o Espírito Santo é quem capacita e envia a Igreja ao mundo, concedendo poder e ousadia para a proclamação do Evangelho (At 1.8). Antes de sua ascensão aos céus, o Senhor Jesus ordenou aos discípulos que permanecessem em Jerusalém, aguardando a promessa do Pai, isto é, o revestimento de poder do Espírito Santo.

1. A missão dada pelo Pai. 

Conforme vimos nos tópicos anteriores, todo o processo da salvação é um conjunto de ações que envolve as três pessoas da Santíssima Trindade. Embora haja papéis diferentes de cada um, os três participam da salvação. No caso da grande comissão dada à Igreja do Senhor não é diferente. A Trindade Santa age de forma cooperativa no envio da Igreja ao mundo para proclamar o Evangelho. 

A origem da missão evangelizadora e educadora da Igreja está no coração do Pai. Escrevendo a Timóteo, o apóstolo Paulo afirmou que “Deus quer que todos os homens sejam salvos, e venham ao conhecimento da verdade”. 1Tm 2.4). Logo após a Queda do primeiro casal, no texto chamado “Proto Evangelho”, em Gênesis 3.15, o Senhor Deus foi o primeiro a anunciar o Evangelho: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. 

No Antigo Testamento, Deus chamou Abrão e, a partir dele, formou a nação de Israel para através deste povo enviar o seu Filho para salvar a humanidade. Israel foi escolhido por Deus com a missão de ser luz para as nações, uma "nação santa" e "reino de sacerdotes" (Êx 19.6). O propósito de Deus é que os gentios vissem a justiça e a sabedoria de Deus através do seu povo. Entretanto, Israel falhou nessa missão. 

Deus enviou o Seu Filho ao mundo, como o Cordeiro de Deus para ser sacrificado pelo nosso pecado. Ele viveu neste mundo de forma incorruptível e cumpriu a missão dada pelo Pai. O Senhor Jesus chamou os seus discípulos e os preparou para darem continuidade a esta missão de proclamar a salvação aos perdidos. 

2. O Filho comissiona seus discípulos.

Após a sua morte e ressurreição, o Senhor Jesus reuniu os seus discípulos e lhes confiou a Grande Comissão, declarando: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.19,20).

Essa comissão não se trata de uma sugestão ou de um simples convite, mas de uma ordem expressa do Mestre aos seus discípulos. Trata-se de um mandamento que estabelece a principal responsabilidade da Igreja ao longo dos tempos: anunciar o Evangelho a toda criatura, fazer discípulos e ensiná-los a observar as verdades reveladas por Cristo por meio dos seus apóstolos.

Nesse sentido, a missão da Igreja é, ao mesmo tempo, proclamadora e formadora. Ela proclama as Boas-Novas da salvação e, ao mesmo tempo, se dedica ao ensino sistemático da Palavra de Deus, promovendo o crescimento espiritual dos novos convertidos.

A respeito dessa missão, a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil afirma:

 “A Igreja foi eleita para a adoração e louvor da glória de Deus, recebendo, também, a missão de proclamar o evangelho da salvação ao mundo todo, anunciando que Jesus salva, cura, batiza no Espírito Santo e que em breve voltará. O evangelho é proclamado a homens e mulheres, sem fazer distinção de raça, língua, cultura ou classe social, pois ‘o campo é o mundo’ (Mt 13.38)”.

Assim, compreendemos que o comissionamento do Filho continua vigente e exige da Igreja compromisso, fidelidade e dedicação no cumprimento de sua missão no mundo.

3. O Espírito capacita e envia.

O Espírito Santo desempenha papel fundamental na missão da Igreja, pois é Ele quem a capacita, concedendo poder e ousadia para testemunhar de Cristo, mesmo diante da intensa oposição e perseguição de um mundo que jaz no maligno. Ciente dessa necessidade, o próprio Senhor Jesus instruiu os seus discípulos a permanecerem em Jerusalém até que fossem revestidos de poder do alto, mediante a descida do Espírito Santo (Lc 24.49; At 1.4).

Além de capacitar, o Espírito Santo também separa, envia e dirige aqueles que são chamados para a obra missionária. Um exemplo claro disso encontra-se na igreja em Antioquia, onde, enquanto os irmãos serviam ao Senhor com oração e jejum, o Espírito Santo ordenou que Barnabé e Saulo fossem separados para a missão (At 13.2).

No campo missionário, também observamos a direção soberana do Espírito Santo. Em determinadas ocasiões, o apóstolo Paulo intentou ir a certos lugares, mas foi impedido pelo Espírito (At 16.6,7). Em outras situações, foi guiado a regiões que não estavam em seus planos, evidenciando que a obra missionária é conduzida segundo a vontade divina (At 16.7-10).

A respeito da atuação do Espírito Santo na capacitação e no envio da Igreja, a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil afirma:

 “Ensinamos que, para a consecução da sua missão, o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja no dia de Pentecostes, e Cristo concedeu líderes para servir à Igreja: ‘Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo’ (Ef 4.12).”

Dessa forma, compreendemos que a Igreja depende integralmente da ação do Espírito Santo para cumprir eficazmente a sua missão, sendo Ele quem capacita, dirige e sustenta os seus servos na proclamação do Evangelho.

Ev. WELIANO PIRES 

A IGREJA E A COMUNHÃO COM A TRINDADE

(Comentário do 2º tópico da Lição 13: A Trindade Santa e a Igreja de Cristo).

Neste tópico, o comentarista aborda a bênção apostólica proferida pelo apóstolo Paulo em 2 Coríntios 13.13 (ou 13.14, em algumas versões), que apresenta um caráter trinitário: o amor do Pai, a graça do Filho e a comunhão do Espírito Santo. Entretanto, ele enfatiza especialmente o aspecto da comunhão da Igreja com as três Pessoas da Santíssima Trindade.

Inicialmente, veremos a comunhão da Igreja com Deus Pai, fundamentada em seu infinito e incomparável amor, que é a base e a fonte de sustentação dessa comunhão. Só temos comunhão com o Pai porque Ele nos amou primeiro, sendo nós ainda pecadores (1 Jo 4.19).

Na sequência, trataremos da comunhão da Igreja com o Filho, a qual somente é possível mediante a sua infinita graça, isto é, o favor imerecido demonstrado ao entregar-se em sacrifício por nós. Jesus Cristo fez-se homem e abriu o caminho para termos acesso ao Pai, sendo Ele o próprio caminho (Jo 14.6) e o único mediador entre Deus e a humanidade (1 Tm 2.5).

Por fim, abordaremos a comunhão com o Espírito Santo, que nos convence do pecado, nos regenera, nos santifica e nos conduz a uma dimensão espiritual marcada pela reconciliação, pelo perdão e pela cooperação (Ef 4.30-32; Fp 2.1,2). Não é possível haver comunhão com Deus nem entre os irmãos sem a atuação poderosa do Espírito Santo.

1. Comunhão com o Pai.

Na bênção apostólica descrita em 2Co 13.13, na parte referente ao Pai, o apóstolo Paulo menciona “o Amor de Deus…”. O comentarista, ou a equipe pedagógica da CPAD, colocou aqui o título: a comunhão com o Pai. Mas, esta comunhão só é possível, mediante o amor de Deus. A Bíblia nos diz o seguinte: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que Deus o seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3.16). 

Ao tratarmos do amor de Deus, estamos nos referindo à própria essência do amor verdadeiro. Deus não apenas possui amor; Ele é amor. Trata-se de um amor singular, distinto de qualquer outro existente neste mundo. Portanto, somente pode amar verdadeiramente aquele que tem Deus em seu coração, pois Ele é a fonte de todo amor genuíno.

A redenção da humanidade pecadora está fundamentada nesse amor incomparável. Deus oferece perdão ao pecador e, além disso, promove o cancelamento de sua dívida espiritual por meio do sacrifício de Cristo. Assim, fomos perdoados e aceitos por Deus, não por méritos próprios, mas exclusivamente por seu amor gracioso, que nos alcançou e providenciou o meio de salvação através do sacrifício perfeito de Jesus Cristo.

Ao longo da história, surgiram interpretações equivocadas acerca do amor divino. O povo de Israel, em determinados momentos, equivocou-se ao pensar que Deus amava exclusivamente a nação israelita. De modo semelhante, o Calvinismo ensina que Deus ama apenas os eleitos e que Cristo morreu somente por estes.

Entretanto, ao longo da história, surgiram interpretações equivocadas acerca do amor divino. O povo de Israel, em determinados momentos, equivocou-se ao pensar que Deus amava exclusivamente a nação israelita. De modo semelhante, o Calvinismo ensina que Deus ama apenas os eleitos e que Cristo morreu somente por estes.

Todavia, tais ideias não encontram respaldo nas Escrituras. A Bíblia revela claramente que o amor de Deus é universal em sua oferta: Ele ama o mundo e deseja que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. A graça divina manifestou-se trazendo salvação a todos os homens,  conforme testificam as Escrituras (Jo 3.16; 1Tm 2.4; Tt 2.11).

2. Comunhão com o Filho.

Em relação ao Filho, a bênção apostólica destaca a graça do Senhor Jesus Cristo, que consiste em seu favor imerecido ao doar-se voluntariamente em sacrifício vicário (substitutivo), pagando o preço da nossa redenção. Trata-se da manifestação suprema do amor de Deus, revelada em Cristo Jesus para a salvação da humanidade.

O hino 205 da Harpa Cristã descreve, de forma poética, essa maravilhosa graça:

A graça de Deus revelada
Em Cristo Jesus, meu Senhor,
Ao mundo perdido é dada
Por Deus, de infinito favor.

Da mesma forma, o conhecido hino “Amazing Grace” expressa essa verdade espiritual:

Maravilhosa graça! 

Quão doce é o som
Que salvou um miserável como eu!
Eu estava perdido, mas agora fui achado;
Era cego, mas agora vejo.

A Igreja deve, necessariamente, manter comunhão com o Filho de Deus, pois Ele é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5), o único caminho que conduz ao Pai (Jo 14.6), e em nenhum outro há salvação (At 4.12).

Sem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, não pode haver comunhão com Deus. O apóstolo Paulo afirma: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8). O apóstolo João também declara de forma clara: “Qualquer que nega o Filho também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem também o Pai” (1Jo 2.23).

Portanto, compreendemos que a verdadeira comunhão com Deus Pai só é possível por meio de um relacionamento vivo e genuíno com o Filho, fundamentado em sua graça salvadora.


3. Comunhão com o Espírito.

Na bênção apostólica, ao referir-se ao Espírito Santo, o apóstolo Paulo menciona “a comunhão do Espírito Santo”, e não “a comunhão com o Espírito Santo”. Esse detalhe é significativo, pois revela que é o próprio Espírito quem produz a comunhão entre os santos, e não apenas participa dela.

A palavra grega traduzida por “comunhão” é koinonia, que significa “parceria, participação e comunhão espiritual”. É exatamente isso que o Espírito Santo realiza na Igreja: Ele compartilha as bênçãos, os dons e o Fruto do Espírito com aqueles que creram em Cristo. Essa comunhão do Espírito Santo, como destaca o comentarista, insere-nos em uma dimensão espiritual caracterizada pela reconciliação, pelo perdão e pela cooperação.

Quando há disputas, contendas, partidarismo, egoísmo e outras obras da carne no seio de uma igreja local, isso indica a ausência da comunhão do Espírito Santo, ainda que existam manifestações de dons espirituais. Esse era o caso da Igreja de Corinto, marcada por divisões e competições internas, inclusive quanto ao uso dos dons. Apesar de possuir muitos dons, aquela igreja foi classificada como carnal pelo apóstolo.

Ev. WELIANO PIRES

26 março 2026

A TRINDADE E O PLANO REDENTOR

(Comentário do 1⁰ tópico da lição 13: A Trindade Santa e a Igreja de Cristo)

Neste primeiro tópico, estudaremos a participação das três Pessoas da Santíssima Trindade na obra da salvação. Veremos que cada pessoa divina atua de forma harmoniosa no plano redentor, revelando o amor e a graça de Deus para com a humanidade. 

Inicialmente, aprenderemos sobre a nossa eleição pelo Pai, com base em Efésios 1.4 e 1 Pedro 1.2a. A Bíblia ensina que essa eleição ocorreu segundo a presciência de Deus. Isso significa que Deus, em sua onisciência, já conhecia aqueles que haveriam de responder ao seu chamado. Nesse ponto, o comentarista nos ajuda a compreender melhor o conceito bíblico de presciência.

Em seguida, estudaremos a redenção realizada pelo Filho. Fomos redimidos pelo sangue de Cristo, que se entregou voluntariamente por nós. Conforme vimos na lição 7, seu sacrifício foi vicário (substitutivo) e suficiente, realizado na cruz do Calvário para pagar o preço da nossa redenção.

Finalmente, falaremos da santificação do Espírito, que se refere à separação do pecado e consagração ao serviço do Reino. Conforme estudamos nas lições 8 e 9, o Espírito Santo não apenas nos convence do pecado, mas também promove uma profunda transformação em nosso interior.

1. Eleitos segundo a presciência do Pai.

Aqui, o comentarista apresenta dois importantes textos bíblicos que tratam da doutrina da eleição. O primeiro encontra-se em Efésios 1.4, onde o apóstolo Paulo escreve: “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade”. O segundo está em 1 Pedro 1.2a: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai…”.

Nesses textos, o verbo grego traduzido por “eleitos” é “eklegomai”. Esse termo é formado pelo prefixo “ek”, que indica “de dentro de” ou “para fora de”, e pelo verbo “légō”, que significa “chamar” ou “nomear”. Assim, a palavra traz a ideia de escolher ou chamar alguém para si. Logo, quando a Bíblia afirma que Deus nos elegeu, ensina que Ele nos escolheu para a salvação antes da fundação do mundo, não por méritos humanos, mas por sua graça.

Nesses textos, o verbo grego traduzido por “eleitos” é “eklegomai”. Esse termo é formado pelo prefixo “ek”, que indica “de dentro de” ou “para fora de”, e pelo verbo “légō”, que significa “chamar” ou “nomear”. Assim, a palavra traz a ideia de escolher ou chamar alguém para si. Logo, quando a Bíblia afirma que Deus nos elegeu, ensina que Ele nos escolheu para a salvação antes da fundação do mundo, não por méritos humanos, mas por sua graça.

Os calvinistas defendem que Deus, por sua soberana vontade, escolheu incondicionalmente alguns para a salvação (eleição incondicional), enquanto outros foram destinados à condenação. Segundo esse entendimento, Cristo morreu apenas pelos eleitos (expiação limitada), não havendo oportunidade de salvação para os demais.

Por outro lado, os arminianos ensinam que Deus, em sua presciência, sabia quem creria em Cristo e, com base nisso, os elegeu para a salvação. Dessa forma, a graça salvadora está disponível a todos, mas somente os que crerem serão salvos. A presciência (gr. prognōskō) refere-se ao conhecimento prévio de Deus, pelo qual Ele conhece todas as coisas antecipadamente. 

Nós da Assembleia de Deus, adotamos a posição arminiana, pois entendemos, à luz das Escrituras, que a salvação é oferecida a todos os seres humanos, cabendo a cada um responder, pela fé, ao chamado divino. Não acreditamos que Deus predestinou ninguém para a condenação. 

2. Redimidos pelo sangue de Cristo.

Na sequência do texto de 1 Pedro 1.2, utilizado pelo comentarista neste tópico, o apóstolo afirma: “... em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. O comentarista apenas inverteu a ordem do texto bíblico, tratando primeiro da aspersão do sangue de Cristo e, depois, da santificação do Espírito.

Quando Pedro menciona a aspersão do sangue de Cristo, ele faz referência aos sacrifícios do Antigo Testamento. Naquele tempo, o sangue dos animais era aspergido sobre o altar (Êx 24.8). Além disso, na celebração da Páscoa, o sangue do cordeiro era colocado nos umbrais das portas (Êx 12.7), como sinal de proteção.

No entanto, é importante entender que o sangue de Cristo não foi aspergido literalmente sobre nós. Pedro fala em sentido figurado, mostrando que aqueles rituais do Antigo Testamento apontavam para o sacrifício perfeito de Jesus Cristo.

Na Lição 7, estudamos de forma mais ampla a obra do Filho. Vimos sua encarnação, sua humilhação voluntária, seu sacrifício vicário na cruz do Calvário, sua ressurreição e sua gloriosa exaltação. Aprendemos que o sacrifício de Cristo foi único, suficiente, vicário e expiatório. Isso significa que Ele se ofereceu uma única vez, em nosso lugar, pagando o preço pela nossa redenção.

Essa verdade deve fortalecer a nossa fé e nos levar a viver em obediência e santificação, como resposta ao grande amor de Deus, demonstrado através do sacrifício de Cristo por nós. 

3. Santificados pelo Espírito Santo.

O tema da santificação pelo Espírito Santo já foi explicado exaustivamente nas lições 8 e 9, quando estudamos sobre a Pessoa e a Obra do Espírito Santo. A santificação (gr. hagiasmós) é a separação de tudo o que é impuro ou profano, para pertencer exclusivamente a Deus e ao seu serviço.

No Novo Testamento, a santificação é apresentada, primeiramente, como um ato divino de separação do crente do estilo de vida pecaminoso. Quando recebemos a Cristo como Salvador, somos santificados pelo Espírito Santo e separados do mundo, enquanto sistema que se opõe a Deus.

A santificação não deve ser confundida com ascetismo ou qualquer tentativa humana de autopurificação. Trata-se de uma obra sobrenatural do Espírito Santo em nosso interior, que nos afasta do pecado e nos aproxima de Deus. Não é apenas uma experiência inicial, mas uma caminhada contínua de crescimento espiritual, que culmina na perfeição e na plenitude da vida eterna em Cristo.

Ev. WELIANO PIRES

25 março 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 13: A TRINDADE SANTA E A IGREJA DE CRISTO

Data: 29 de março de 2026

TEXTO ÁUREO:

“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” (Mt 28.19).

VERDADE PRÁTICA:

A redenção da Igreja é uma obra conjunta da Trindade: o Pai elege, o Filho redime e o Espírito santifica, sustentando a fé e a missão da Igreja no mundo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: 2 Coríntios 13.11-13; 1 Pedro 1.2,3.

Objetivos da Lição: 

I) Mostrar a atuação do Pai, do Filho e do Espírito no Plano Redentor; 

II) Explicar que a comunhão da Igreja só é possível pela ação trinitária; 

III) Destacar que a missão da Igreja é fruto do envio e capacitação da Trindade.

Palavra-Chave: TRINDADE

Conforme vimos na primeira lição, a palavra Trindade deriva do termo latino trinitas ou trinitatis, que significa "tríade", "reunião de três" ou "estado de ser triplo". O termo trindade não aparece na Bíblia, pois não é um termo bíblico e sim um conceito teológico, de origem latina, que foi usado primeiramente por Tertuliano, em 213 d.C. O termo grego correspondente é trias e foi usado originalmente por Teófilo de Antioquia. 

Somente no Concílio de Niceia, em 325 d.C. é que esta doutrina foi consolidada. Entretanto, isto não significa que ela não é bíblica, ou que antes disso, os cristãos não criam em um Deus Trino. Esta doutrina foi amplamente debatida nos primeiros séculos da Igreja Cristã. Os Concílios de Nicéia e de Constantinopla definiram, à luz da Bíblia, esta doutrina bíblica. Ao longo desta lição veremos que a doutrina da Santíssima Trindade é amplamente fundamentada nas Escrituras.

INTRODUÇÃO

Com a ajuda de Deus, chegamos ao final de mais um trimestre de estudos em nossa Escola Bíblica Dominical. Durante esse período, aprendemos sobre a Doutrina da Santíssima Trindade, que é uma das verdades mais importantes da fé cristã. Essa doutrina também é a base da existência e da missão da Igreja de Cristo neste mundo (Mt 28.19).

Em uma de suas aulas online, o pastor Luiz Henrique de Almeida afirmou:
 “Sem a Doutrina da Santíssima Trindade, nem orar saberíamos, pois a oração é dirigida ao Pai, em nome do Filho, com a ajuda e a intercessão do Espírito Santo” (Ef 2.18; Rm 8.26-27).

Ao longo do trimestre, estudamos como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são distintos, mas ao mesmo tempo um só Deus. Vimos isso, por exemplo, no batismo de Jesus, quando as três Pessoas da Trindade se manifestaram claramente (Mt 3.16-17). Também aprendemos sobre Deus Pai e seu relacionamento com o Filho; sobre Jesus Cristo, sua vida e sua obra de salvação; e sobre o Espírito Santo, que atua na vida do crente.

Além disso, estudamos como as Pessoas da Trindade se relacionam entre si e como trabalham juntas no plano de Deus para salvar a humanidade. Esta última lição serve como uma conclusão de tudo o que foi aprendido.

Agora, nesta última lição, estudaremos a relação entre a Trindade Santa e a Igreja de Cristo. A Bíblia ensina que, antes mesmo da criação do mundo, Deus já tinha um plano para salvar a humanidade (Ef 1.4). Nesse plano, o Pai idealizou a salvação, o Filho a realizou por meio de sua morte na cruz, e o Espírito Santo a aplica ao coração das pessoas, levando-as ao novo nascimento e à santificação (Jo 3.5).

É importante lembrar que, embora cada Pessoa da Trindade tenha uma função específica, elas agem em perfeita unidade. Por isso, tudo o que Deus faz é resultado da ação conjunta do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Assim, a Igreja existe porque Deus assim planejou, realizou e continua sustentando.

Ev. WELIANO PIRES 

ABRÃO VOLTA DO EGITO PARA CANAÃ

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 2: A fé de Abrão nas promessas de Deus) Temos buscado a orientação de Deus antes de tomar decisões? É prec...