(Comentário do 1º tópico da Lição 8: O Deus Espírito Santo)
Neste primeiro tópico, estudaremos a Pessoa do Espírito Santo. Inicialmente, veremos que Ele é uma Pessoa, e não uma força impessoal. Na sequência, compreenderemos que, embora o Espírito Santo seja uma Pessoa divina, Ele é distinto do Pai e do Filho. Por fim, abordaremos o Espírito Santo como o Consolador prometido por Jesus aos Seus discípulos.
1. O Espírito Santo é uma Pessoa. Ao afirmarmos que o Espírito Santo é uma Pessoa, estamos declarando uma verdade essencial da fé cristã. A Bíblia não O apresenta como uma força ativa ou mera influência divina, mas como uma Pessoa divina, plenamente participante da Trindade. Ele possui atributos pessoais inconfundíveis como intelecto, sentimentos e vontade.
O apóstolo Paulo ensina que o Espírito Santo revela as profundezas de Deus (1 Co 2.10), demonstrando Seu intelecto. Também adverte os crentes a não O entristecerem (Ef 4.30), evidenciando que Ele possui sentimentos. Além disso, ao tratar dos dons espirituais, o apóstolo afirma que o Espírito distribui a cada um “como quer” (1 Co 12.11), deixando claro que Ele exerce vontade própria. Tais características não podem ser atribuídas a uma energia impessoal, mas a uma Pessoa divina que age de modo consciente e soberano.
As Escrituras também registram a atuação pessoal do Espírito Santo na direção dos servos de Deus. Filipe recebeu uma ordem direta: “Chega-te e ajunta-te a esse carro” (At 8.29). Pedro foi instruído a acompanhar os enviados de Cornélio sem hesitação (At 10.19,29). O apóstolo Paulo e sua equipe missionária foram impedidos de seguir para a Bitínia pelo Espírito (At 16.7). Esses episódios revelam que o Espírito fala, orienta, envia e, quando necessário, impede, conforme o propósito divino.
Sua atuação não se limita ao âmbito individual. Na igreja de Antioquia, enquanto os líderes serviam ao Senhor com jejum e oração, “disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). O texto mostra que o Espírito dirige a Igreja em suas decisões missionárias. De igual modo, a exortação: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7) confirma que Sua voz continua ativa na edificação do Corpo de Cristo.
Portanto, reconhecer a personalidade do Espírito Santo implica desenvolver com Ele um relacionamento consciente e reverente. Não nos relacionamos com uma força, mas com uma Pessoa divina que nos guia, consola, corrige e capacita para o serviço cristão.
2. Pessoa distinta na Trindade. Além de ser uma Pessoa divina, o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho. As Escrituras revelam que Pai, Filho e Espírito Santo são três Pessoas distintas, que subsistem na unidade da mesma essência divina. Não se trata de três deuses, mas de um só Deus em três Pessoas. Também não se trata de uma só pessoa divina que se manifesta de três modos diferentes, como ensina a heresia do modalismo.
Uma das manifestações mais claras dessa distinção ocorre no batismo de Jesus. O evangelista registra: “E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16,17). Nesse episódio, o Filho é batizado no rio Jordão; o Pai fala dos céus; e o Espírito Santo desce sobre o Filho em forma corpórea, como pomba. As três Pessoas manifestam-Se simultaneamente, evidenciando distinção pessoal.
Outro exemplo marcante encontra-se nas orações de Jesus ao Pai, especialmente na chamada Oração Sacerdotal (Jo 17). Ao declarar: “Eu glorifiquei-Te na terra, tendo consumado a obra que Me deste a fazer. E agora glorifica-Me Tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.4,5), o Senhor demonstra claramente a distinção entre Sua Pessoa e a do Pai. Ele não fala consigo mesmo, mas dirige-Se a Outra Pessoa divina. Ao mencionar “a glória que tinha contigo”, antes da fundação do mundo, afirma Sua preexistência e a comunhão eterna entre o Pai e o Filho.
É importante compreender a diferença entre os termos “distinto” e “diferente”. Embora possam parecer sinônimos, não expressam a mesma ideia. “Distinto” indica que é outro, sem implicar desigualdade de natureza. “Diferente”, por sua vez, sugere desigualdade de essência ou natureza. Na Trindade, as Pessoas são distintas — o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito, e o Espírito não é o Pai —, porém não são diferentes em essência, pois compartilham plenamente a mesma natureza divina.
Assim, afirmar que o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho preserva tanto a unidade de Deus quanto a realidade da comunhão eterna entre as três Pessoas divinas. Trata-se de um mistério revelado nas Escrituras, fundamento da fé cristã histórica e essencial para uma compreensão equilibrada da doutrina de Deus.
3. O Consolador prometido. Antes de Sua ascensão, o Senhor Jesus confortou os discípulos com a promessa da vinda do Espírito Santo. Ele declarou: “E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16). Essa promessa assegurava que a presença divina não seria interrompida com Sua partida, mas continuaria de modo permanente por meio do Espírito Santo.
A palavra grega traduzida por “outro”, nesse texto, é állos, que significa “outro da mesma natureza”. Esse termo difere de héteros, que indica “outro de natureza diferente”. Portanto, ao prometer “outro Consolador”, o Senhor Jesus afirmava que o Espírito Santo seria da mesma essência divina, possuindo a mesma natureza, caráter e poder. Não se trata de uma força inferior ou distinta em essência, mas de uma Pessoa divina igual ao Filho quanto à divindade, embora distinta quanto à Pessoa. Tal verdade refuta interpretações unicistas que negam a distinção pessoal na Trindade.
O termo traduzido por Consolador é parákletos, formado por pará (ao lado de) e kaléō (chamar). A expressão designa alguém chamado para estar ao lado de outro com a finalidade de auxiliar, defender, interceder ou advogar. No contexto jurídico, referia-se a um defensor que atuava em favor de alguém. Assim, o Espírito Santo é apresentado como Aquele que foi enviado pelo Pai, a pedido do Filho, para permanecer ao lado dos crentes, fortalecendo-os, guiando-os e capacitando-os.
Essa promessa também revela a harmonia na atuação das Pessoas divinas: o Filho roga, o Pai envia, e o Espírito Santo vem para habitar nos crentes. Ele dá continuidade à obra de Cristo na vida da Igreja, aplicando a salvação, ensinando a verdade, consolando nos momentos de aflição e capacitando para o testemunho.
Portanto, a promessa do Consolador não é apenas uma declaração doutrinária, mas uma garantia de presença permanente. O Espírito Santo não apenas visita, mas habita no crente, permanecendo para sempre com aqueles que pertencem a Cristo.