(Comentário do 2º tópico da Lição 11: Jacó - De enganador a homem de honra)
Neste segundo tópico, abordaremos o desejo de Jacó de retornar à terra de seus pais após vinte anos vivendo na casa de seu tio Labão. Quando chegou àquela região, Jacó nada possuía; entretanto, prosperou grandemente, porque o Senhor o abençoou (Gn 30.43; 31.9). Essa prosperidade despertou a inveja e o descontentamento de Labão e de seus filhos contra ele (Gn 31.1,2).
Diante dessa situação, Jacó manifestou o desejo de voltar à casa de seus pais e solicitou a Labão que o liberasse juntamente com suas esposas e seus filhos (Gn 30.25,26). Contudo, esse propósito não partiu apenas de uma iniciativa pessoal. Deus estava conduzindo Jacó de volta à terra de Canaã, em cumprimento às promessas que lhe havia feito anteriormente (Gn 28.13-15; 31.3).
Ao tomar conhecimento da intenção de Jacó, Labão procurou convencê-lo a permanecer em sua casa e propôs um acordo para que continuasse trabalhando para ele (Gn 30.27,28). Após um período adicional de serviço, o Senhor ordenou que Jacó retornasse à sua parentela, prometendo estar com ele nessa jornada (Gn 31.3).
Em obediência à voz de Deus, Jacó partiu com sua família. Quando Labão soube da partida, saiu em sua perseguição, mas o Senhor interveio e não permitiu que ele causasse qualquer dano a Jacó (Gn 31.22-24). Assim, Deus demonstrou sua fidelidade, protegendo o patriarca e conduzindo-o de volta ao lugar onde cumpriria seus propósitos em sua vida.
1. Jacó almeja retornar para sua casa.
Conforme
abordamos no tópico anterior, Jacó chegou a Padã-Arã solteiro, a pé e sem
possuir bem algum. Entretanto, o Senhor o abençoou grandemente e, após vinte
anos, ele havia constituído família e adquirido muitos bens. Nessa ocasião,
Jacó já possuía duas esposas, onze filhos e uma filha — Benjamin ainda não
havia nascido —, além de numerosos rebanhos, servos, servas, camelos e jumentos
(Gn 30.43).
Toda
essa prosperidade despertou a inveja dos filhos de Labão, que diziam: “Jacó tem
tomado tudo o que era de nosso pai; e do que era de nosso pai fez ele toda esta
glória” (Gn 31.1). Além disso, Jacó percebeu que a atitude de Labão para com
ele já não era a mesma de antes (Gn 31.2).
Contudo, o desejo de Jacó de retornar à sua terra não era motivado apenas pela saudade ou pelo desgaste do relacionamento com a família de Labão. Tratava-se também da ação de Deus, que, em sua soberania, dirigia seus passos de volta à terra da promessa. Ali, o Senhor cumpriria as promessas da aliança feitas a Abraão, Isaque e ao próprio Jacó em Betel (Gn 28.13-15; 31.3,13).
2. O acordo entre Labão e Jacó.
Na
sociedade patriarcal da época, cabia ao chefe do clã tomar as principais
decisões da família. Assim, não bastava que Jacó desejasse partir; era
necessário tratar da questão com Labão, seu sogro e patrão. Reconhecendo que
havia sido abençoado por causa de Jacó, Labão procurou convencê-lo a permanecer
e propôs que continuasse trabalhando para ele (Gn 30.27,28).
Jacó,
então, sugeriu um acordo: os animais salpicados, malhados e escuros que
nascessem entre os rebanhos seriam o seu salário (Gn 30.32,33). Labão aceitou a
proposta, e Jacó continuou servindo ao sogro. A partir daquele momento, passou
a trabalhar para formar o patrimônio de sua própria casa (Gn 30.34-36).
O
Senhor, porém, abençoou o trabalho de Jacó, fazendo com que seus rebanhos
crescessem de forma extraordinária (Gn 30.43; 31.9-12). Dessa maneira, Deus
compensou os prejuízos causados pelos anos de exploração e pelas constantes
mudanças de salário impostas por Labão (Gn 31.7,41,42).
Essa
experiência ensina que há momentos em que Deus nos chama para permanecer e
outros em que nos conduz a uma nova etapa de sua vontade. O mais importante não
é ficar ou sair, mas discernir e obedecer à direção do Senhor (Ec 3.1; Sl
32.8).
Também devemos compreender que Deus conduz cada pessoa segundo os seus propósitos. A Abraão, o Senhor ordenou que deixasse sua terra e sua parentela para seguir rumo ao desconhecido (Gn 12.1-4). A Jacó, porém, determinou que retornasse à terra de seus pais (Gn 31.3). Em ambos os casos, a bênção estava vinculada à obediência à voz de Deus.
3. Deus manda Jacó retornar à casa de seus pais.
O ambiente na casa de Labão tornou-se cada vez mais hostil para Jacó. Os filhos de Labão o acusavam injustamente de enriquecer às custas de seu pai, quando, na realidade, havia sido Labão quem o explorara durante vinte anos, alterando repetidas vezes o seu salário (Gn 31.1,7,41). Contudo, a prosperidade de Jacó não era resultado apenas de seu trabalho, mas, sobretudo, da bênção de Deus sobre a sua vida (Gn 31.9,12).
Nesse contexto, o Senhor falou claramente a Jacó, ordenando-lhe que retornasse à terra de seus pais: “Torna-te à terra dos teus pais e à tua parentela, e eu serei contigo” (Gn 31.3). Mais adiante, Deus relembrou a experiência de Betel e confirmou que havia visto todas as injustiças praticadas por Labão (Gn 31.12,13).
Sabendo que seu sogro dificilmente aceitaria sua partida, Jacó aproveitou a ausência de Labão, que havia saído para tosquiar suas ovelhas, e partiu com suas esposas, filhos e bens (Gn 31.17-21). Ao saber da fuga, Labão reuniu seus parentes e perseguiu Jacó por sete dias, alcançando-o na montanha de Gileade (Gn 31.22,23).
Entretanto, antes do encontro, Deus advertiu Labão em sonho, dizendo: “Guarda-te, que não fales com Jacó nem bem nem mal” (Gn 31.24). Assim, o Senhor protegeu seu servo e impediu que lhe fosse causado qualquer dano.
Durante esse episódio, Raquel furtou os ídolos domésticos de seu pai sem o conhecimento de Jacó (Gn 31.19). Embora Labão os procurasse insistentemente, não conseguiu encontrá-los (Gn 31.33-35). Ao final, ambos fizeram uma aliança de paz, e Labão retornou à sua terra, enquanto Jacó prosseguiu sua jornada rumo a Canaã (Gn 31.44-55).
A
experiência de Jacó nos ensina que, quando Deus nos dirige por um caminho,
também cuida de nós durante a caminhada. O Senhor abriu o caminho diante de
Jacó, protegeu-o de seus adversários e o conduziu em segurança ao cumprimento
de seus propósitos. Da mesma forma, aqueles que obedecem à direção divina podem
confiar no cuidado e na fidelidade de Deus (Sl 37.23,24; Is 41.10).
Ev. WELIANO PIRES
