(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 12: A reconciliação de Jacó com Esaú)
Neste terceiro e último tópico, veremos o caminho percorrido por Jacó e sua família após o reencontro com seu irmão Esaú. Como já estudado, houve reconciliação entre ambos (Gn 33.4–11), mas, a partir desse momento, cada um seguiu sua própria trajetória, conforme o propósito e o contexto de suas vidas.
Esaú retornou para a região montanhosa de Seir, estabelecendo-se em Edom e consolidando sua descendência ali (Gn 33.16; Gn 36.6–8). Jacó, por sua vez, dirigiu-se a Sucote e, posteriormente, chegou a Siquém, onde se estabeleceu na terra de Canaã (Gn 33.17–18).
Nesse percurso, observamos que Jacó ainda não havia retornado imediatamente a Betel, conforme a orientação que recebera do Senhor. Sua família, nesse período, enfrentaria situações que revelariam a necessidade de uma redireção espiritual e de maior alinhamento com a vontade divina.
Mais adiante, Jacó retorna a Betel, onde edifica um altar ao Senhor e conduz sua casa a um processo de consagração e abandono de ídolos, reafirmando sua aliança com Deus (Gn 35.1–4, 7).
1. Os irmãos se separam. Jacó teve um encontro marcante com Deus em Peniel (Gn 32.24-30). Em seguida, ocorreu o temido reencontro com seu irmão Esaú, após cerca de vinte anos de separação. Contrariando os temores de Jacó, Esaú o recebeu com disposição para a reconciliação. Os dois irmãos se abraçaram, choraram juntos e restabeleceram a paz entre si (Gn 33.4). Depois desse encontro, cada um seguiu o seu próprio caminho: Esaú retornou para Seir, enquanto Jacó prosseguiu em direção à terra de Canaã (Gn 33.16,17).
A experiência de Jacó e Esaú nos ensina que o perdão e a reconciliação são valores fundamentais para o povo de Deus. Contudo, reconciliar-se nem sempre significa retomar a convivência nos mesmos moldes de antes. Em determinadas situações, pode haver perdão genuíno sem que haja uma convivência próxima. O essencial é que o coração esteja livre da mágoa, do ressentimento e do desejo de vingança (Rm 12.18,19).
A Palavra de Deus ensina que o cristão deve cultivar uma atitude perdoadora, seguindo o exemplo do próprio Deus. A falta de perdão aprisiona a pessoa ao passado e compromete sua comunhão com o Senhor. Por isso, o apóstolo Paulo exorta os crentes: “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4.32). Da mesma forma, Jesus ensinou que devemos perdoar aqueles que nos ofendem (Mt 6.14,15).
2. Jacó não retorna para a casa de seu pai. Infelizmente, Jacó não cumpriu imediatamente a orientação que Deus havia lhe dado para retornar à terra de seus pais. Depois de muitos anos em Padã-Arã, o Senhor ordenou que ele voltasse à sua terra e à sua parentela, reafirmando a promessa feita a Abraão e Isaque (Gn 31.3,13). Contudo, ao chegar a Canaã, Jacó estabeleceu-se em Siquém, em vez de prosseguir diretamente para Betel, o lugar onde Deus havia determinado que ele habitasse (Gn 35.1).
A permanência de Jacó em Siquém trouxe consequências dolorosas para sua família. Foi ali que ocorreu o triste episódio envolvendo sua filha Diná e Siquém, filho de Hamor, que abusou dela (Gn 34.1-2). Como reação, seus filhos Simeão e Levi agiram com vingança desmedida e enganaram os homens da cidade, promovendo uma matança que trouxe grande preocupação a Jacó (Gn 34.25-30).
A escolha de permanecer em Siquém parecia, humanamente, uma decisão conveniente, pois aquela região oferecia boas condições para estabelecer sua família. Entretanto, estar fora do centro da vontade de Deus sempre representa riscos espirituais e familiares. O caminho mais fácil nem sempre corresponde ao propósito divino. Por isso, a experiência de Jacó nos ensina sobre a importância de obedecer plenamente à direção de Deus e confiar em seus planos, pois a vontade do Senhor continua sendo o melhor lugar para a nossa vida (Pv 3.5-6; Sl 37.5).
3. Jacó levanta um altar ao Senhor. Depois de chegar a Siquém, Jacó comprou uma parte do campo onde havia armado sua tenda, dos filhos de Hamor, pai de Siquém (Gn 33.18-19). Nesse local, ele edificou um altar ao Senhor e o chamou de “Deus, o Deus de Israel” (Gn 33.20). Essa atitude demonstra sua gratidão e seu reconhecimento de que sua vida, sua família e suas conquistas dependiam da ação de Deus.
Ao edificar esse altar, Jacó seguiu o exemplo de seus antepassados. Abraão e Isaque também tinham o hábito de levantar altares ao Senhor como expressão de fé, gratidão e adoração (Gn 12.7-8; 13.18; 26.25). Mesmo vivendo em um período anterior à Lei de Moisés e sem uma estrutura formal de culto estabelecida, os patriarcas demonstravam que a verdadeira adoração começa com um relacionamento de fé e comunhão com Deus.
A adoração era uma marca da vida de Abraão, Isaque e Jacó. Da mesma forma, o lar cristão deve ser um ambiente onde Deus ocupa o primeiro lugar. O “altar” da família não é uma construção de pedras, mas uma vida dedicada ao Senhor, marcada pela oração, pelo ensino da Palavra e pelo compromisso de servir a Deus com fidelidade e reverência (Dt 6.6-7).
Por isso, precisamos refletir: o que tem ocupado o primeiro lugar em nossa casa? Quais valores e prioridades têm sido estabelecidos em nossa família? Quando Deus chamou Jacó para Betel, ele ordenou que sua casa abandonasse os deuses estrangeiros e se purificasse diante do Senhor (Gn 35.1-4). Isso revela que não pode haver verdadeira adoração quando existem outros elementos ocupando o lugar que pertence exclusivamente a Deus.
Nos dias atuais, muitos “altares” podem tentar substituir a presença de Deus no lar, como o materialismo, o individualismo, o entretenimento excessivo ou qualquer outra prioridade que tome o lugar do Senhor. Uma família espiritualmente forte é construída quando Deus é colocado como fundamento e centro de todas as coisas. Tudo aquilo que ocupa o lugar devido somente ao Senhor torna-se uma forma de idolatria e precisa ser rejeitado (Mt 6.33; 1Jo 5.21).
Ev. WELIANO PIRES

