(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 4: A confirmação da promessa)
No segundo tópico, estudaremos acerca do concerto, ou aliança, de Deus com Abraão, confirmado pelo Senhor em Gn 17. Veremos que o chamado divino não foi comum, mas especial, fundamentado em uma aliança perpétua e incondicional com o patriarca e sua descendência.
Compreenderemos, ainda, que esse pacto não se limita à promessa da terra de Canaã nem ao surgimento da nação de Israel, mas está inserido no plano redentor de Deus para a humanidade, cumprido em Jesus Cristo (Gl 3.16).
Por fim, analisaremos as promessas que acompanham essa aliança, as quais revelam o cuidado e a fidelidade de Deus para com Abraão.
1. O chamado de Deus a Abraão foi especial. Deus chamou Abrão quando ele ainda estava em Ur dos caldeus e lhe fez diversas promessas, embora, naquele momento, não tenha mencionado uma aliança. Abrão saiu de sua terra natal acompanhado de seu pai, Terá, e de seu sobrinho, Ló. Ao chegarem a Harã, ali se estabeleceram por algum tempo. Após alguns anos, Terá faleceu, e Deus tornou a chamar Abrão, ordenando-lhe que deixasse sua terra e sua parentela.
Abrão partiu, então, de Harã em direção a Canaã, levando consigo Ló, conforme já estudado. Contudo, devido à contenda entre os pastores de ambos, tornou-se necessário que se separassem. Após essa separação, Deus novamente falou com Abrão, reafirmando-lhe as promessas e estabelecendo com ele uma aliança, prometendo dar aos seus descendentes toda a terra desde o rio do Egito até o grande rio Eufrates (Gn 15.18).
Com o passar dos anos, Abrão e Sarai, não vendo o cumprimento da promessa de um filho, decidiram ter um descendente por meio de Agar, serva de Sarai, como vimos na lição anterior. Todavia, esse não era o plano de Deus. Treze anos após o nascimento de Ismael, Deus apareceu novamente a Abrão, mudou o seu nome para Abraão e confirmou a aliança anteriormente estabelecida.
No Texto Áureo desta lição, lemos: “E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti” (Gn 17.7). Quando a Bíblia utiliza os termos aliança, concerto ou pacto, refere-se a um compromisso solene que envolve promessas e responsabilidades específicas.
O Deus da Bíblia é o Deus de alianças e promessas. O primeiro registro de aliança nas Escrituras encontra-se em Gênesis 6.18, quando Deus decidiu destruir a humanidade por meio do dilúvio e estabeleceu uma aliança com Noé: “Mas contigo estabelecerei a minha aliança; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo”.
A aliança com Abraão teve origem exclusivamente em Deus (Gn 12.1) e não estava condicionada a qualquer mérito humano. Trata-se de uma manifestação da graça divina, evidenciando que o Senhor é quem estabelece soberanamente os seus propósitos. Conforme estudado na primeira lição, Jó possivelmente foi contemporâneo de Abrão e, sob certos aspectos, demonstrava maior retidão. No entanto, Deus chama quem quer, segundo os seus desígnios eternos.
Deus estabeleceu com Abraão uma aliança eterna, que alcançaria sua descendência ao longo das gerações (Gn 17.7). Essa aliança possui caráter incondicional, sendo sustentada pela fidelidade do próprio Deus, independentemente das ações de Abraão ou de seus descendentes.
No contexto da Igreja, Deus estabeleceu uma Nova Aliança, mediada por seu Filho, Jesus Cristo, prometendo salvação a todos os que nele creem. Assim como a aliança abraâmica, a iniciativa dessa Nova Aliança partiu de Deus e não está fundamentada em méritos humanos. É fruto da graça divina e recebida mediante a fé em Cristo, a qual também é dom de Deus (Ef 2.8-10).
2. Qual o objetivo do concerto com os patriarcas? A aliança de Deus com Abraão não se limita à posse da Terra Prometida (Gn 15.18), nem ao estabelecimento de Israel como nação. Seu alcance é muito mais amplo e profundo, estando diretamente relacionado ao plano redentor elaborado por Deus antes da fundação do mundo, com o propósito de salvar a humanidade. Em sua presciência, Deus sabia que o ser humano pecaria e, por isso, estabeleceu um plano de salvação que incluía a formação de uma nação, por meio da qual viria o Salvador do mundo.
O verdadeiro propósito do pacto de Deus com Abraão, portanto, apontava para Jesus Cristo, o Filho de Deus e descendente de Abraão, por meio de quem todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gn 12.3; Gl 3.16). Desse modo, a promessa feita a Abraão encontra seu pleno cumprimento no plano da salvação. Israel, contudo, não compreendeu integralmente esse propósito e, em muitos momentos, considerou-se superior aos demais povos, imaginando que Deus lhes pertencia de maneira exclusiva.
A Bíblia, porém, revela, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, que a salvação foi planejada por Deus para toda a humanidade. Conforme está escrito em Isaías 49.6: “Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra”. Essa verdade é confirmada no Novo Testamento: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão” (Gl 3.8,9).
3. O concerto e as promessas. Conforme já exposto, quando Deus chamou Abrão, em Gênesis 12, não mencionou explicitamente uma aliança, mas lhe fez promessas: que ele se tornaria uma grande nação; que Deus abençoaria os que o abençoassem e amaldiçoaria os que o amaldiçoassem; e que, nele, seriam benditas todas as famílias da terra.
No capítulo 15, antes do nascimento de Ismael, Deus formalizou uma aliança com Abrão. Nessa ocasião, além de reafirmar as promessas anteriormente feitas, o Senhor acrescentou outras. Prometeu ser o seu escudo e o seu grandíssimo galardão (Gn 15.1), revelando a sua proteção e provisão. Prometeu-lhe também uma descendência numerosa (Gn 15.5; 17.2), demonstrando seu poder sobre o impossível, pois, naquele momento, Abrão e Sarai não tinham filhos e já eram avançados em idade.
Deus prometeu ainda dar a terra de Canaã como herança à descendência de Abraão (Gn 15.7; 17.8). Naquela terra habitavam diversos povos: queneus, quenezeus, cadmoneus, heteus, perizeus, refains, amorreus, cananeus, girgaseus e jebuseus. O Senhor declarou que expulsaria esses povos quando a sua iniquidade atingisse o limite da tolerância divina. A extensão da terra prometida a Abraão iria desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates (Gn 15.18), abrangendo uma vasta região. Israel, contudo, nunca possuiu plenamente esse território, em razão de sua desobediência a Deus. Essa promessa terá o seu cumprimento integral no período do Milênio.
O comentarista conclui afirmando que Deus também estabeleceu um pacto conosco, mediado por Jesus Cristo. Esse pacto é acompanhado da promessa da vida eterna, o maior bem que o ser humano pode receber de Deus. Lamentavelmente, muitos que se dizem cristãos concentram suas expectativas apenas em conquistas terrenas, como curas, riquezas ou fama. Embora Deus possa conceder tais bênçãos, a sua promessa principal é conduzir-nos à sua presença, onde viveremos eternamente em um corpo glorificado, no qual não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor (Ap 21.4).
Ev. WELIANO PIRES