18 abril 2026

O DEUS QUE CONDUZ A HISTÓRIA

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 3: A Impaciência na espera do cumprimento da promessa)

No terceiro tópico, veremos que Deus é soberano. Ele não apenas conhece o futuro antecipadamente, mas também conduz a história e cuida dos aflitos e necessitados.

No encontro com Agar, no deserto, Deus ordenou que ela desse ao seu filho o nome de Ismael, que significa “Deus ouve”. Agar, por sua vez, chamou o nome do Senhor que com ela falava de “Tu és Deus que vê” e denominou o poço de Beer-Laai-Roi, que pode ser traduzido como “poço daquele que vive e me vê”. 

Deus viu a aflição de Agar, que estava grávida e sozinha no deserto, e prontamente a socorreu. Da mesma forma, também assistiu Abrão e Sarai em suas aflições. Ele continua sendo o nosso socorro bem presente nos momentos de angústia.

1. O Deus que ouve e vê. Agar não fazia parte da promessa de Deus a Abrão. A sua gravidez, conforme vimos no primeiro tópico, foi um arranjo humano de Sarai, na tentativa de ajudar a Deus. Ela também errou ao desprezar a sua senhora e depois fugir para o deserto. 

Entretanto, nem por isso Deus a abandonou à própria sorte. Deus viu a sua aflição e foi ao seu encontro à beira do poço. O Senhor se interessou pela sua aflição e deu-lhe as orientações necessárias para ela retornar à sua senhora e recomeçar. 

Por fim, Deus deu o nome de Ismael ao filho dela, que significa “Deus ouviu”. Os nomes naquele contexto não eram apenas uma palavra pela qual as pessoas eram chamadas. O nome de uma pessoa era dado de acordo com a circunstância do seu nascimento. 

Na gravidez de Agar, ela estava aflita e sem direção, mas Deus ouviu e viu a dor dela e a socorreu, sem lançar em rosto os seus erros. O nosso Deus não ignora as nossas dores, sofrimentos e aflições. Ele vê aquilo que ninguém vê e socorre àqueles que o buscam. 

2. Tudo conforme a sua soberana vontade. Para interpretar fielmente as narrativas bíblicas, é necessário considerar o texto à luz do seu contexto histórico e cultural. Na atualidade, é praticamente impossível um homem de cem anos gerar filhos. Contudo, no período em que Abrão viveu, a longevidade humana era significativamente maior do que a observada hoje. Assim, não era incomum que homens tivessem filhos em idade considerada avançada para os padrões atuais.

Entre os ancestrais de Abrão, Sem, filho de Noé, gerou seu primeiro filho aos cem anos (Gn 11.10). Arfaxade, seu filho, tornou-se pai aos trinta e cinco anos (Gn 11.12). Em seguida, Selá gerou seu primeiro filho aos trinta anos (Gn 11.14). A média de idade para a paternidade manteve-se entre vinte e nove e trinta e cinco anos, até que Terá, pai de Abrão, teve seu primeiro filho aos setenta anos (Gn 11.26). Abrão, por sua vez, gerou seu primeiro filho aos oitenta e seis anos (Gn 16.16) e, posteriormente, o filho da promessa aos cem anos (Gn 21.5). Após a morte de Sara, teve ainda outros seis filhos com Quetura, sua segunda esposa (Gn 25.1,2). 

Deus não está sujeito ao tempo, e nada foge ao seu controle. Ele não se atrasa nem se adianta, pois tudo ocorre de acordo com os seus desígnios. Nada pode impedir o cumprimento de suas promessas, especialmente quando são incondicionais (Sl 115.3; Is 43.13). Portanto, ainda que o ser humano faça planos, prevalecerá aquilo que Deus determinou. Todavia, quando o homem escolhe trilhar caminhos diferentes da vontade divina, inevitavelmente colhe consequências que poderiam ser evitadas, caso seguisse a direção do Senhor.

3. O cuidado de Deus em todo o tempo. Conforme visto no tópico anterior, após ser afligida por sua senhora Sarai, Agar fugiu para o deserto, grávida e sem qualquer provisão para a jornada. Na condição de escrava, corria sérios riscos de ser capturada e, consequentemente, punida, até mesmo com a morte. Além disso, estava exposta aos perigos do deserto, podendo perecer de fome, sede ou devido às variações extremas de temperatura.

Deus conhece todas as coisas e é compassivo e misericordioso diante do sofrimento humano. O Deus da Bíblia não é aquele apregoado pelo deísmo, que criou o Universo com leis próprias e se afastou dele. Deus não apenas criou todas as coisas, Ele sustenta as coisas criadas e se envolve com as nossas causas, pois nos ama com amor incomparável. 

O apóstolo Paulo escreveu aos filipenses: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Fp 4.6,7). Portanto, nos momentos de aflição e angústia, o crente deve descansar no Senhor, convicto de que Ele cuida de seus filhos em todo o tempo.

Ev. WELIANO PIRES 

AS CONSEQUÊNCIAS DE AGIR POR CONTA PRÓPRIA

(Comentário do 2º tópico da Lição 3: A impaciência na espera do cumprimento da promessa).

Neste tópico, estudaremos as consequências da atitude de Sarai e Abrão, que agiram por conta própria, sem consultar a Deus, ao tentarem “ajudá-lo” no cumprimento da promessa de lhes conceder um filho. Veremos como essa decisão precipitada trouxe sérios desdobramentos. Para isso, abordaremos três aspectos principais:

1. O conflito familiar. Devemos ter cautela ao analisar as atitudes de Abrão e Sarai, evitando julgamentos precipitados quanto à sua conduta. A leitura do texto bíblico requer consideração do seu contexto histórico e cultural, e não apenas das perspectivas contemporâneas. Não se sabe ao certo a idade de Abrão e Sarai quando Deus lhe apareceu em Ur dos Caldeus; contudo, a Escritura registra que Abrão tinha 75 anos e Sarai, 65, quando saíram de Harã. Entre a saída de Harã e a gravidez de Agar, transcorreram aproximadamente dez anos.

Abrão recebeu de Deus a promessa de que seria pai de uma grande multidão, mesmo não tendo filhos aos 75 anos. Entretanto, não lhe foi revelado, naquele momento, de que maneira essa promessa se cumpriria. À luz do contexto atual, poder-se-ia concluir que o filho viria por meio de Sarai; todavia, na cultura da época, também era comum que filhos fossem gerados por meio de concubinas ou servas. Um exemplo disso é Jacó, que teve filhos não apenas com suas esposas, Lia e Raquel, mas também com as servas destas, Zilpa e Bila.

Convém destacar que tal prática nunca correspondeu ao ideal divino para a família, visto que Deus instituiu o casamento entre um homem e uma mulher, em uma união monogâmica e duradoura. Contudo, nos dias de Abrão e Sarai, a poligamia era socialmente aceita, e a Lei Mosaica ainda não havia sido estabelecida. Nesse contexto, compreende-se que tais práticas faziam parte da cultura vigente.

Apesar disso, os relacionamentos poligâmicos sempre trouxeram conflitos e tensões no ambiente familiar. Ao engravidar de Abrão, Agar mudou sua atitude em relação à sua senhora, passando a agir com desprezo e altivez. Tal comportamento contribuiu para o agravamento dos conflitos domésticos e, posteriormente, foi refletido também na postura de Ismael após o nascimento de Isaque. Isto nos mostra que relacionamentos que não seguem os padrões divinos, sempre acabam em conflitos. 

2. A fuga de Agar. Agar foi, inicialmente, vítima do plano elaborado por Sarai e Abrão, pois não se tratou de uma proposta, mas de uma imposição do casal, considerando a sua condição de serva. No contexto da sociedade patriarcal da época, ter um filho do seu senhor poderia ser visto como uma honra para a escrava, pois sua posição social passaria a ser diferenciada. Dessa forma, Agar foi elevada à condição de concubina de Abrão, deixando de ser uma serva comum.

É provável que, em virtude da gravidez, Abrão tenha dispensado a Agar cuidados especiais, o que pode ter despertado ciúmes em Sarai. Agar, por sua vez, ao engravidar de seu senhor, revelou uma mudança de atitude, passando a desprezar a sua senhora, conforme visto no tópico anterior. Esse comportamento hostil levou Sarai a queixar-se de seu esposo em tom acusatório: “Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O SENHOR julgue entre mim e ti” (Gn 16.5).

Na Nova Versão Transformadora (NVT), a acusação torna-se ainda mais clara: “Você é o culpado da vergonha que estou passando! Entreguei minha serva a você, mas, agora que engravidou, ela me trata com desprezo. O Senhor mostrará quem está errado: você ou eu!” (Gn 16.5). Sarai, contudo, esqueceu-se de que o plano partira dela mesma, tendo Abrão apenas atendido à sua solicitação.

Diante da acusação de Sarai, Abrão esquivou-se da responsabilidade e respondeu: “Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos” (Gn 16.6). Ao agir assim, Abrão demonstrou omissão na liderança familiar, pois lhe cabia intervir e resolver a situação. Com essa autorização, Sarai passou a afligir Agar, levando-a a fugir para o deserto.

A palavra hebraica traduzida por “afligiu”, na versão Almeida Revista e Corrigida, é ‘ānâh’, que significa afligir, oprimir ou humilhar. Embora não saibamos exatamente que tipo de tratamento Sarai impôs a Agar, o fato de ela fugir grávida para o deserto indica que a opressão foi severa. Conforme destaca o comentarista, ambas erraram: Agar, ao desprezar sua senhora; e Sarai, ao agir com vingança e dureza.

3. Deus entra em ação. Em sua fuga, Agar seguiu pelo caminho de Sur, que ficava próximo à fronteira com o Egito, e parou junto a uma fonte. Essa rota indica que pretendia voltar às suas origens egípcias. Sendo uma escrava fugitiva, Agar corria grande perigo, pois, se fosse capturada, poderia ser severamente punida e até morta.

O texto bíblico declara que o Anjo do SENHOR a encontrou e, chamando-a pelo nome, disse: “Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais?”. A expressão “Anjo do SENHOR” é entendida como uma referência ao próprio Deus em uma manifestação visível, conhecida como teofania, por meio da qual Ele falava com algumas pessoas.

Deus sabia perfeitamente quem era Agar, de onde vinha e para onde ia. Ele apareceu ali para socorrê-la, pois conhecia sua aflição. Embora ela tenha errado ao fugir, também havia sido injustiçada e corria perigo no deserto. O Senhor a orientou a retornar à sua senhora e a humilhar-se perante ela. Agar obedeceu, reconciliou-se com Sarai e permaneceu com ela por mais de quinze anos, até o nascimento de Isaque.

Posteriormente, Ismael repetiu o comportamento inadequado e zombou de Isaque. Sara, então, decidiu expulsar Agar e seu filho. Abraão ficou contrariado e não quis atender ao pedido de Sara, mas Deus ordenou que ele o fizesse. Após a saída dos dois, ocorreu o episódio em que Ismael, já adolescente, sofreu com a sede no deserto, e o Anjo do SENHOR novamente socorreu Agar. É importante não confundir essas duas ocasiões.

Em ambos os casos, vemos que Deus interveio em favor de Agar, mesmo ela tendo errado ao fugir e não sendo participante direta da promessa feita a Abraão. Ainda assim, o Senhor também lhe fez promessas acerca de Ismael. Isso nos mostra que Deus socorre os necessitados e injustiçados, apesar das falhas humanas, pois Ele é bom e misericordioso.

Ev. WELIANO PIRES 

16 abril 2026

O PAI DA FÉ E A TENTATIVA DE AJUDAR A DEUS

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 3: A impaciência na espera do cumprimento da promessa)

Neste tópico, trataremos da tentativa do pai da fé, de “ajudar” a Deus no cumprimento da promessa de dar-lhes um filho. A ideia não partiu de Abrão, mas de sua esposa Sarai, que era estéril e já estava com setenta e cinco anos. Abrão, no entanto, aceitou o plano sem nenhuma objeção. A esta altura dos acontecimentos, a fé de Abrão também estava abalada. 

1. O plano para “ajudar” a Deus. Vendo que os anos se passaram e que a promessa ainda não havia se cumprido, Sarai sugeriu a Abrão que tivesse relações com a sua serva, Agar, a fim de gerar filhos por meio dela. Naquele tempo, a esposa estéril podia oferecer sua serva ao marido para que, por intermédio dela, tivesse descendência. Essa prática era regulamentada pelas leis vigentes da época. Assim, Sarai entregou sua serva egípcia, Agar, a Abrão, para que ele gerasse um filho com ela.r
Abrão, sem questionar e sem buscar a orientação divina, atendeu à sugestão de sua esposa. Como líder da família, cabia-lhe transmitir os princípios de Deus ao seu lar. Naquela sociedade patriarcal, a palavra do patriarca possuía grande autoridade; portanto, era sua responsabilidade instruir a família acerca do caráter de Deus e da confiança em suas promessas.

A ansiedade pelo cumprimento da promessa deu lugar à impaciência, levando-os a agir por conta própria, na tentativa de “ajudar” a Deus. Entretanto, Deus é Todo-Poderoso e soberano sobre todas as coisas. Ele sabe o que faz e não necessita da intervenção humana para cumprir os seus desígnios. Aquilo que, aos nossos olhos, parece demora ou atraso, na verdade faz parte do agir divino, tanto para forjar o nosso caráter quanto para evidenciar que é Ele quem realiza o impossível.

2. Abrão aceita o plano de Sarai. O comentarista destaca que Abrão estava sendo pressionado tanto por sua esposa quanto pelo tempo. Contudo, essa pressão recaía de forma ainda mais intensa sobre Sarai, pois, além de estéril, encontrava-se em idade avançada. Abrão, por sua vez, não era estéril, como se comprova pelo fato de ter gerado filhos com Agar, com Sara e, posteriormente, com Quetura, após ficar viúvo. Sara, entretanto, teve apenas Isaque, e isso de forma milagrosa. 

Na atualidade, muitos casais optam por não ter filhos ou preferem aguardar algum tempo antes de constituir família. Ainda assim, frequentemente enfrentam cobranças por parte de familiares e amigos quanto ao momento de terem filhos. Na sociedade em que Sarai viveu, porém, a pressão sobre a mulher era muito maior, pois a esterilidade era vista como maldição ou até mesmo como punição divina. A própria Sarai reconheceu isso ao afirmar que “o Senhor a tinha impedido de gerar filhos” (Gn 16.2).

Essa pressão contribuiu para que Sarai se tornasse impaciente e concebesse um plano para “ajudar” a Deus no cumprimento da promessa. A partir disso, influenciou seu marido a aceitar sua proposta. Esse episódio remete ao Éden, quando Eva, após pecar, induziu Adão a também desobedecer a Deus. Todavia, é importante ressaltar que a responsabilidade diante de Deus é individual.

Se, por um lado, Eva e Sarai falharam, por outro, Adão e Abrão, como líderes da família, falharam ainda mais. Cabia-lhes, como sacerdotes do lar, instruir suas esposas quanto à vontade de Deus, exortando-as à obediência e à confiança em suas promessas. A fé caminha sempre juntamente com a esperança e o amor; por isso, a ansiedade e a impaciência tornam-se inimigas da fé. Quando esperamos com paciência no Senhor, Ele se inclina para nós e ouve o nosso clamor (Sl 40.1).

3. Agar zomba de Sarai.  O comentarista afirma que “Agar aceitou prontamente a proposta de Sarai e certamente se sentiu muito honrada”. Entretanto, é importante considerar que Agar era uma serva e, nessa condição, não tinha liberdade de escolha. Não se tratava, portanto, de uma proposta, mas de uma decisão imposta pelo casal. Assim, Agar pode ser vista como a primeira vítima desse plano, seguida por seu filho, Ismael, visto que ambos foram posteriormente expulsos do lar.
Após conceber, Agar mudou sua atitude em relação à sua senhora, passando a agir com desprezo. Ao engravidar de seu senhor, ela pode ter se sentido em posição superior, como se sua condição houvesse sido elevada. O texto bíblico declara que “foi sua senhora por ela desprezada” (Gn 16.4).

A palavra hebraica traduzida como “desprezada” é qālal, que traz a ideia de tornar-se insignificante, desprezível ou até mesmo amaldiçoado. Trata-se do mesmo termo utilizado em Gênesis 12.3, quando Deus afirma a Abrão que amaldiçoaria (qālal) os que o amaldiçoassem.

O plano que parecia ser a solução para a esterilidade de Sarai acabou se tornando um problema ainda maior. Com a gravidez de Agar, Sarai, além de continuar sem filhos, passou a ser alvo de desprezo por parte de sua serva. Esse episódio nos ensina que decisões tomadas precipitadamente, fora da direção divina, podem gerar consequências dolorosas.
Dessa forma, nos momentos de ansiedade e aflição, a melhor atitude é buscar ao Senhor em oração, confiar em sua soberania e esperar com paciência pelo cumprimento de suas promessas. Ele é fiel para cumprir aquilo que prometeu, mas o cumprimento será no tempo e na forma que Ele determinar. Mesmo não entendendo o processo, devemos esperar. 

Ev. WELIANO PIRES 

13 abril 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 3: A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA

Data: 19 de abril de 2026

TEXTO ÁUREO: 

“E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.” (Gn 16.2).

VERDADE PRÁTICA:

A impaciência é antagônica à fé, por isso não devemos ser dominados por ela. Deus é fiel e cumpre com suas promessas no tempo certo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 16.1-16.

OBJETIVOS DA LIÇÃO: 

I) Apresentar a tentativa de Abrão em ajudar a Deus; 

II) Explicar as consequências de agir por conta própria; 

III) Encorajar os alunos a permanecerem firmes no Deus que conduz a história.

Palavra-Chave: IMPACIÊNCIA

A palavra impaciência vem do termo latino impatientia, que é formado pelo prefixo de negação “in”, mais a palavra “patientia” derivada de pati, que significa “sofrer”, “suportar”, “tolerar”. Portanto, a impaciência é a ausência de paciência ou a dificuldade de lidar com o tempo, com processos ou com situações que exigem perseverança e confiança.

Na Bíblia, a impaciência é sinônimo de precipitação, falta de confiança em Deus e incapacidade de esperar nele. O impaciente é, antes de tudo, um incrédulo, pois quem confia plenamente em Deus, sabe que Ele é fiel, cumpre as suas promessas e tem o controle de todas as coisas. Por outro lado, a paciência ou longanimidade é uma das virtudes do Fruto do Espírito Santo (Gl 5.22). O próprio Deus é descrito na Bíblia como longânimo (Sl 103.8; 2Pe 3.9). 

INTRODUÇÃO

Nesta terceira lição, estudaremos a respeito da impaciência de Sarai diante da aparente demora no cumprimento da promessa divina feita a Abrão, seu esposo, de que teriam um filho e de que sua descendência se tornaria uma grande nação. Tal promessa foi feita quando Abrão tinha 75 anos e Sarai, 65. Ainda que, à época, a longevidade fosse maior do que a atual, a idade do casal já era avançada para a geração de filhos, agravada pelo fato de Sarai ser estéril.

Passados dez anos desde que Deus fizera a promessa, Sarai começou a considerar que ela tardava em se cumprir, o que gerou impaciência em seu coração. Em razão disso, decidiu agir por conta própria, tentando “auxiliar” no cumprimento da promessa divina, oferecendo sua serva Agar para que Abrão tivesse um filho com ela.

Entretanto, essa atitude precipitada trouxe sérias consequências, não apenas para aquela família, mas também para seus descendentes ao longo dos séculos, com reflexos que alcançam os dias atuais. A Palavra de Deus nos ensina que agir sem saber esperar no Senhor pode produzir resultados dolorosos. O silêncio de Deus não significa a sua ausência, pode ser um período de preparação e fortalecimento da fé.

Vivemos em uma sociedade marcada pelo imediatismo, em que as pessoas desejam respostas rápidas para todas as coisas. Como resultado, os transtornos de ansiedade têm afetado milhões de pessoas em todo o mundo. Estima-se que cerca de 300 milhões de indivíduos sofram com esse problema, sendo o Brasil um dos países com maior número de casos, com aproximadamente 18,6 milhões de pessoas atingidas.

Cabe ressaltar que não se trata de uma preocupação comum com o futuro ou com prazos a serem cumpridos, mas de um estado de ansiedade excessiva, frequente e prolongada, que compromete a qualidade de vida. Diante disso, torna-se ainda mais necessário aprender a confiar no tempo de Deus e a descansar em suas promessas.

Ev. WELIANO PIRES

11 abril 2026

O grave problema do adultério no meio evangélico


Uma reflexão bíblica sobre um pecado que destrói a vida espiritual e a estrutura familiar do cristão

por WELIANO PIRES


Entre as pessoas que não servem a Deus, a prática do adultério e de outros pecados sexuais se tornou algo comum, e não causa mais espanto, como acontecia há algumas décadas. Antigamente, estas coisas aconteciam de forma camuflada e era mais frequente entre os homens. A sociedade considerava o adultério como algo vergonhoso. Na atualidade, no entanto, se tornou algo banal e há até quem defenda esta prática, pasmem, como forma de “salvar o relacionamento”. 

O que é grave é que esta prática tem invadido o meio evangélico. Tem sido cada vez mais frequentes as descobertas de casos de adultério em nosso meio, inclusive de obreiros e cantores famosos. Há até sites de “fofoca gospel” que se ocupam em divulgar estes escândalos. 


A condenação bíblica do adultério


O adultério é um dos pecados mais severamente condenados nas Escrituras Sagradas, pois atinge diretamente a santidade do casamento e a estabilidade da família, instituições estabelecidas por Deus. Desde os tempos do Antigo Testamento, o Senhor deixou claro que essa prática representa uma séria ameaça à ordem moral e espiritual do seu povo.

O sétimo mandamento do Decálogo declara de forma objetiva: “Não adulterarás”. (Ex 20.14). Já o décimo mandamento amplia essa compreensão ao proibir até mesmo a cobiça (Êx 20.17). Dessa forma, Deus não apenas condena o ato consumado, mas também a intenção pecaminosa que nasce no coração. No Novo Testamento, o Senhor Jesus Cristo aprofunda esse ensino, mostrando que a exigência divina vai além das ações exteriores, alcançando o interior do ser humano (Mt 5.28).


A condenação do adultério no Antigo Testamento


A palavra “adultério” refere-se à infidelidade conjugal, ou seja, à relação íntima entre uma pessoa casada e alguém que não é o seu cônjuge. No contexto bíblico, o termo também é utilizado em sentido figurado para descrever a infidelidade espiritual, quando o povo se afasta de Deus para seguir outros caminhos. Assim, o adultério não é apenas um pecado contra o cônjuge, mas também contra o próprio Deus.

Na Lei mosaica, o adultério era expressamente proibido: “Não adulterarás”. (Êx 20.14). Este pecado era severamente punido: “Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera”. (Lv 20.10). Tal rigor demonstra o quanto Deus leva a sério a pureza moral e a fidelidade no casamento. 

Ainda que, em determinados períodos do Antigo Testamento, a poligamia tenha sido tolerada, ela jamais representou o ideal divino. Desde a criação, o propósito de Deus sempre foi a união entre um homem e uma mulher, em um relacionamento exclusivo e permanente: “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”. (Gn 2.24).


O ensino de Cristo e dos apóstolos sobre o adultério


Ao tratar do assunto, Jesus Cristo elevou o padrão moral ao ensinar que o adultério começa no coração. Ele afirmou que aquele que olha com intenção impura já cometeu adultério interiormente: “Eu, porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela”. (Mt 5.28). Com isso, o Senhor revela que o pecado não se limita ao ato físico, mas se origina nos pensamentos e desejos.

Jesus também advertiu sobre a banalização do divórcio, ensinando que o rompimento indevido da aliança conjugal e um novo casamento caracterizam adultério: Também foi dito: “Qualquer que deixar sua mulher, que lhe dê carta de desquite. Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério; e qualquer que casar com a repudiada comete adultério”. (Mt 5.31,32). Dessa forma, Ele reafirma a seriedade do compromisso matrimonial e a necessidade de fidelidade entre marido e mulher.

Em todo o Novo Testamento, as advertências dos apóstolos deixam claro que, aqueles que persistem na prática do adultério e de outros pecados sexuais, não herdarão o Reino de Deus: "Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus”. (1 Co 6.9). Essa advertência reforça a necessidade de uma vida santa e comprometida com os princípios divinos.


Consequências devastadoras


As consequências do adultério são profundas e devastadoras. No âmbito familiar, ele destrói a confiança, causa dor, humilhação e rompe vínculos que deveriam ser preservados. Seus efeitos atingem não apenas o cônjuge traído, mas também os filhos e toda a estrutura familiar. Muitas vezes, as marcas deixadas por esse pecado permanecem por toda a vida.

No aspecto espiritual, o adultério representa uma afronta direta à santidade de Deus. A Palavra de Deus declara: “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará” (Hb 13.4). Portanto, além das consequências humanas, há também o juízo divino sobre aqueles que persistem nessa prática.


Como vencer essa tentação


Diante de tão grave realidade, surge a pergunta: como evitar o adultério? O primeiro passo é andar no Espírito, ou seja, manter a comunhão plena com o Espírito Santo e ser guiado por Ele. Somente assim, será possível mortificar a nossa natureza pecaminosa. Escrevendo aos Gálatas, o apóstolo Paulo disse: “Andai em Espírito e não cumprireis as concupiscências da carne”. (Gl 5.16). 

É importante compreender que a conversão não elimina automaticamente os impulsos pecaminosos. A velha natureza precisa ser mortificada diariamente por meio de disciplina espiritual e dependência de Deus. Somente na glorificação do nosso corpo, estaremos completamente livres da possibilidade de pecar. 

Outro aspecto essencial é a vigilância. O pecado geralmente começa de forma sutil: um olhar, um pensamento, um elogio, ou uma aproximação indevida. Há diferenças na atração para homens e mulheres, que precisam ser consideradas. Os homens são atraídos pelo olhar. Enquanto para as mulheres, a atração está relacionada aos fatores emocionais. 

É necessário evitar situações que favoreçam a tentação, como ficar a sós com mulheres atraentes, evitar confidências e elogios indevidos, por parte de outras pessoas estranhas ao casamento. É muito importante também que as pessoas casadas, na medida do possível, andem na companhia do seu cônjuge e usem sempre aliança. 

A Bíblia orienta claramente: “Fugi da prostituição” (1 Co 6.18). O termo grego traduzido por prostituição na Versão Almeida Revista e Corrigida é “porneia”, um termo genérico, que refere a qualquer relação sexual ilícita, como adultério, fornicação, homossexualidade, lesbianismo, relação sexual com animais etc. Isso implica em uma atitude firme de afastamento de tudo aquilo que possa conduzir ao pecado. Não se trata de resistir passivamente, mas de agir com prudência, evitando situações de risco.


A importância da vida espiritual e familiar


É fundamental o cristão cultivar uma vida espiritual sólida. A oração, a leitura da Palavra de Deus e a comunhão com o Espírito Santo são indispensáveis para fortalecer o crente diante das tentações. Quando o coração está cheio da presença de Deus, há menos espaço para o pecado.

No contexto do casamento, é essencial investir no relacionamento conjugal, cultivando o amor, o respeito e a fidelidade. Um lar edificado sobre os princípios bíblicos torna-se uma importante proteção contra as investidas do inimigo.


Conclusão


O adultério é um pecado grave, com consequências espirituais, emocionais e familiares. Cabe ao cristão manter comunhão com Deus, vigiar continuamente e guardar o coração. Que cada servo do Senhor valorize o casamento, preserve a pureza e viva em fidelidade, para a glória de Deus e edificação da família cristã.


Weliano Pires é ministro do Evangelho, bacharel em teologia, articulista, blogueiro evangélico e professor da Escola Dominical na Assembléia de Deus / Ministério do Belém, em São Carlos-SP.


OS ALTARES ERGUIDOS POR ABRÃO

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 2: A fé de Abrão nas promessas de Deus)

No terceiro tópico, o comentarista nos mostra que, apesar de suas falhas, Abrão possuía um grande diferencial: era um adorador por excelência, que expressava sua fé por meio da construção de altares.

Veremos, neste tópico, que Abrão foi um verdadeiro construtor de altares. Por onde passava, independentemente das circunstâncias, erguia um altar e oferecia sacrifício ao Senhor. O primeiro altar de Abrão foi construído em Siquém, em um momento de gratidão a Deus pelas bênçãos e promessas recebidas.

Em seguida, encontramos o segundo altar em Betel, cujo significado é “Casa de Deus”. O comentarista chama nossa atenção para a importância de estarmos na casa do Senhor e de cultivarmos uma vida de adoração e comunhão com Ele.

Por fim, destacamos os altares construídos por Abrão em Hebrom e Moriá. Considerando o significado de Hebrom, que é “união”, somos lembrados da necessidade de vivermos em unidade, tanto com Deus quanto com nossos irmãos.

Já o altar erguido em Moriá representa um dos momentos mais marcantes da vida de Abrão: um altar de entrega total. Ali, ele demonstrou obediência irrestrita ao Senhor, ao se dispor a oferecer Isaque em sacrifício. Entretanto, Deus proveu um carneiro em lugar de Isaque, apontando profeticamente para o sacrifício de Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

1. Abrão, um construtor de altares. Abrão partiu de Harã levando consigo Sarai, sua esposa, Ló, seu sobrinho, e todos os bens e servos que haviam adquirido. Ao chegar à terra de Canaã, sua primeira parada foi em Siquém. Nesse local, o Senhor lhe apareceu e reafirmou a promessa de que daria aquela terra à sua descendência:

“E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam então os cananeus na terra. E apareceu o Senhor a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera.” (Gn 12.6,7)

Siquém situava-se em um vale entre os montes Gerizim e Ebal, aproximadamente 65 quilômetros ao norte de Jerusalém. Foi ali que Abrão construiu o seu primeiro altar na Terra Prometida, marcando espiritualmente sua chegada.

É importante destacar que Canaã era uma região marcada pelo politeísmo. Havia muitos altares dedicados a divindades pagãs, onde eram oferecidos sacrifícios. Contudo, Abrão não utilizou esses altares; ele edificou o seu próprio altar ao Senhor, demonstrando fidelidade exclusiva e evitando qualquer tipo de mistura na adoração.

O altar construído por Abrão representava sua gratidão a Deus pelas bênçãos recebidas e pelas promessas futuras. Sua atitude revela que a verdadeira adoração está fundamentada no reconhecimento de quem Deus é e do que Ele faz.

Aprendemos com Abrão que, ao chegarmos a um novo lugar ou iniciarmos uma nova etapa em nossa vida, devemos, antes de tudo, adorar ao Senhor. A gratidão deve ser a nossa primeira resposta à direção e às promessas de Deus.

O apóstolo Paulo exortou assim a Igreja de Tessalônica: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5.18). Essa recomendação nos ensina que a gratidão não depende das circunstâncias, mas da nossa confiança em Deus.

Diante disso, cabe-nos refletir: temos sido gratos ao Senhor pelas bênçãos recebidas? Desde o nosso nascimento, desfrutamos de sua proteção, provisão e cuidado. Devemos a Ele, inclusive, a própria vida, pois Deus é o seu doador. Portanto, sejamos gratos a Ele por todas as coisas. 

2. Mais um altar. O texto de Gênesis 12.8 diz:

“E moveu-se dali [de Siquém] para a montanha do lado oriental de Betel, e armou a sua tenda, tendo Betel ao ocidente e Ai ao oriente; e edificou ali um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR”.

O comentarista valeu-se do significado do nome Betel, que é “Casa de Deus”, e chamou a nossa atenção para a importância de estarmos na casa de Deus, isto é, congregar. Entretanto, o nome desse local, nos dias de Abraão, ainda não era Betel, mas Luz. Foi Jacó, neto de Abraão, quem lhe deu o nome de Betel, após o sonho com uma escada que ia da terra ao céu, pela qual os anjos de Deus subiam e desciam.

Mesmo assim, essa aplicação é importante, pois, de fato, Abrão era um adorador por excelência e tinha o hábito de construir altares e invocar o nome do Senhor por onde passava. Abrão, que depois passou a se chamar Abraão, desfrutava de íntima comunhão com Deus, mesmo vivendo em uma sociedade politeísta, que não conhecia o Deus verdadeiro. Por isso, foi chamado de “amigo de Deus” (Is 41.8; Tg 2.23).

É indispensável ao crente o ato de congregar-se com os irmãos para orar, adorar a Deus, ouvir a sua Palavra e pregar o Evangelho (Hb 10.25). Os discípulos de Jesus tinham o hábito de reunir-se diariamente. Inicialmente, o faziam no templo (At 2.42-47; 5.42). Posteriormente, devido à intensa perseguição dos judeus, passaram a reunir-se nas casas. O apóstolo Paulo, por sua vez, onde chegava, procurava as sinagogas.

Em nossos dias, há um movimento nocivo que tem crescido significativamente: o dos desigrejados. São pessoas que se dizem cristãs, mas não estão vinculadas a nenhuma igreja local. Procuram desqualificar a igreja e negam a sua necessidade. São contrárias à igreja como organização e alegam que a Igreja Primitiva reunia-se nas casas, não era institucionalizada e não construía templos.

Entretanto, a Igreja, nos primeiros séculos, não possuía templos porque vivia sob intensa perseguição, tanto dos judeus quanto do Império Romano. Também não era uma pessoa jurídica, pois, naquele contexto, não existiam instituições formais como hoje. Ainda assim, a Igreja possuía liderança constituída por apóstolos, profetas, evangelistas, pastores, mestres, presbíteros e diáconos (Ef 4.11; At 6.1-6; 14.23). Havia também doutrina (At 2.42-47) e disciplina (1 Pe 3.5,6; 2 Ts 3.6).

Atualmente, para funcionar legalmente, a igreja precisa possuir CNPJ e alvará de funcionamento. Para isso, é necessário ter estatuto e pessoas responsáveis por sua administração. A organização da Igreja não se confunde com a sua espiritualidade. Como organismo, a Igreja é liderada pelo Espírito Santo. Mas, no aspecto humano, ela é também uma organização e necessita de todo aparato de uma instituição humana.

A Igreja é a família de Deus (Ef 2.19) e, como tal, necessita de regras e de liderança. A igreja local também é responsável por cumprir as ordenanças do Senhor Jesus, que são o batismo em águas e a Ceia do Senhor. Como cumprir tais ordenanças bíblicas sem uma organização local e uma liderança eclesiástica?

A igreja local também atua como uma agência do Reino de Deus em um bairro ou cidade. Nela realizam-se cultos para a pregação do Evangelho, ensino da Palavra de Deus, além de outras atividades que contribuem para a edificação espiritual dos crentes e a evangelização dos não convertidos. 

Os templos oferecem um espaço adequado e organizado para o culto a Deus, preservando também a boa convivência com a vizinhança. Infelizmente, nem sempre há recursos suficientes para que todos os templos possuam a estrutura ideal, o que se deve, em parte, à falta de contribuição de alguns membros.

3. O altar em Hebrom e Moriá. Após separar-se de seu sobrinho Ló, o Senhor apareceu novamente a Abrão e reafirmou as suas promessas. O texto bíblico declara que ele veio a Hebrom e ali edificou um altar ao Senhor:

“E Abrão armou as suas tendas, e veio, e habitou nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e edificou ali um altar ao Senhor” (Gn 13.18).

A cidade de Hebrom situa-se a cerca de trinta quilômetros ao sul de Jerusalém. É uma das cidades mais altas da região, estando aproximadamente a mil metros acima do nível do mar Mediterrâneo. Nos dias de Abrão, era chamada Quiriate-Arba (Gn 23.2), nome que significa “cidade dos quatro”, possivelmente em referência a quatro clãs que habitavam o local (Js 15.14).

Foi em Hebrom que Abraão adquiriu o campo de Macpela, pertencente a Efrom, o heteu, para sepultar Sara, sua esposa. Posteriormente, também foram sepultados ali Abraão, Isaque, Rebeca, Lia e Jacó. José, antes de sua morte, fez os filhos de Israel jurarem que levariam seus ossos do Egito para serem sepultados na terra prometida. Por essa razão, Hebrom tornou-se uma cidade de grande importância histórica e espiritual para o povo judeu.

O nome Hebrom pode ser associado aos significados de “comunhão”, “aliança” ou “união”. Nesse sentido, o comentarista destaca a importância da unidade entre os servos de Deus, conforme ensina o Salmo 133. Os crentes são chamados a preservar a unidade do Espírito, servindo uns aos outros com humildade, sinceridade e amor. Assim, não deve haver lugar para contendas carnais ou falsidade no Corpo de Cristo.

Outro importante altar na vida de Abraão foi o de Moriá, onde Deus lhe ordenou que oferecesse Isaque em sacrifício. Esse episódio representa, sem dúvida, a maior prova de sua fé.

Após esperar cerca de vinte e cinco anos pelo cumprimento da promessa de um filho, mesmo diante da esterilidade de Sara e da idade avançada de ambos, Abraão é desafiado a entregar aquilo que lhe era mais precioso.

Demonstrando obediência imediata, Abraão partiu rumo ao lugar determinado por Deus, em uma jornada de três dias, levando consigo Isaque, a lenha, o fogo e o cutelo. Ao aproximar-se do local, Isaque perguntou onde estava o cordeiro para o holocausto, ao que Abraão respondeu com fé: “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto” (Gn 22.8).

Ao chegarem ao lugar indicado, Abraão edificou o altar, amarrou Isaque e preparou-se para sacrificá-lo. No entanto, o Anjo do Senhor o impediu. Erguendo os olhos, Abraão viu um carneiro preso pelos chifres em um arbusto e o ofereceu em lugar de seu filho.

O altar de Moriá simboliza a entrega total a Deus e a obediência incondicional. Além disso, aponta profeticamente para o sacrifício de Cristo, que morreria em nosso lugar. Esse tema será aprofundado na lição 7.

Ev. WELIANO PIRES 

09 abril 2026

AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 2: A fé de Abrão nas de Deus)

Neste segundo tópico, falaremos sobre as consequências das escolhas feitas por Abraão e Ló. Você já tomou uma decisão e, depois, precisou lidar com consequências inesperadas? Deus nos criou como seres autônomos, dotados de livre-arbítrio, ou seja, com a capacidade de tomar decisões de forma consciente. Entretanto, todas as escolhas trazem consequências.

Primeiramente, analisaremos os resultados da escolha de Abraão de permanecer em Canaã, a terra que Deus prometera aos seus descendentes. Deus aprovou essa decisão e o orientou acerca do futuro daquela terra, especialmente após a separação de seu sobrinho Ló.

Em seguida, estudaremos os resultados da escolha de Ló de ir para a cidade de Sodoma, uma região conhecida por práticas abomináveis. Embora fosse uma pessoa justa, Ló não buscou a direção de Deus ao decidir onde morar, escolhendo com base em critérios humanos.

Por fim, abordaremos a atitude de Abraão em relação a Ló. Após a separação, Ló foi levado cativo durante uma guerra entre reis da região em que residia. Abraão não guardou ressentimentos e prontamente socorreu seu sobrinho, demonstrando fé, amor e obediência à vontade de Deus.

1. Resultados da escolha de Abrão. Conforme estudado no tópico anterior, Abrão tinha o direito de decidir para onde Ló deveria ir, pois era o líder da família. Além disso, poderia escolher para si a melhor terra, bem irrigada, que favorecesse tanto a agricultura quanto a criação de seus rebanhos. Todavia, demonstrando desprendimento e confiança em Deus, abriu mão desse direito, permitindo que Ló fizesse a escolha primeiro.

Após a decisão de Ló, Abrão permaneceu em Canaã. Vale lembrar que aquela terra já havia sido cenário de dificuldades, como o período de seca que resultou em fome, levando-o anteriormente a descer ao Egito. Ainda assim, desta vez, Abrão decidiu confiar plenamente no Senhor e permanecer na terra da promessa.

Deus, então, aprovou sua atitude e reafirmou as promessas quanto ao seu futuro, conforme registrado em Gênesis 13.14-17. Fica evidente que as escolhas fundamentadas na direção divina produzem resultados duradouros.

Aprendemos, portanto, que confiar em Deus é mais importante do que buscar vantagens imediatas. A decisão de Abrão nos ensina que a obediência gera bênçãos. Se, desde o início, ele tivesse obedecido integralmente à ordem divina de deixar sua parentela, talvez não tivesse enfrentado determinados conflitos. Contudo, nesta ocasião, sua atitude foi correta, e ele colheu os frutos dessa obediência, confirmando o princípio bíblico de que “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).

2. Resultados da escolha de Ló. Não queremos aqui demonizar a figura de Ló nem classificá-lo como ímpio, pois o apóstolo Pedro afirma que ele era justo e que afligia diariamente a sua alma por causa das práticas pecaminosas dos habitantes de Sodoma (2 Pe 2.7). Contudo, é necessário reconhecer que sua decisão foi precipitada, pois se baseou apenas nas aparências, e não na direção de Deus.

Ao escolher a campina do Jordão, Ló levou em consideração apenas os aspectos visíveis — uma terra fértil, bem irrigada e aparentemente próspera. Em nenhum momento buscou a orientação divina, tampouco considerou o conselho de Abrão, o patriarca da família. Sua escolha, portanto, foi guiada por critérios meramente humanos.

As consequências dessa decisão foram profundamente negativas. Primeiramente, Ló foi envolvido em um conflito entre reis da região e acabou sendo levado cativo, conforme registrado em Gênesis 14.12. Posteriormente, sua família foi influenciada pelos costumes corrompidos de Sodoma. Ele perdeu sua esposa, que desobedeceu à ordem divina, e também seus genros, que pereceram na destruição da cidade por estarem completamente ligados àquele estilo de vida. 

No momento da destruição, Ló deixou Sodoma apenas com suas duas filhas, sendo praticamente constrangido pelos anjos a sair. Após esses acontecimentos, suas filhas, influenciadas por uma mentalidade distorcida, embriagaram o próprio pai e, por meio dessa atitude, deram origem aos moabitas e amonitas, povos que posteriormente se tornaram inimigos de Israel.

Dessa forma, aprendemos que nem tudo o que parece bom aos olhos humanos corresponde à vontade de Deus. As aparências podem enganar, e decisões tomadas sem direção divina podem resultar em sérias consequências. Por isso, é imprescindível buscar a orientação do Senhor em todas as escolhas, evitando agir apenas com base em vantagens imediatas e materiais. 

3. A atitude de Abrão para com Ló. Algum tempo após Ló estabelecer-se em Sodoma, a região por ele escolhida foi invadida por uma confederação de quatro reis, e Ló, juntamente com sua família, foi levado cativo (Gn 14.12). Ao tomar conhecimento desse acontecimento, Abrão reuniu seus servos, nascidos em sua casa, totalizando trezentos e dezoito homens armados, e partiu em perseguição aos inimigos com o objetivo de resgatar seu sobrinho.

Essa atitude revela a nobreza de caráter de Abrão e demonstra que seu coração estava livre de ressentimentos. Mesmo após os conflitos entre os pastores de Ló e os seus, Abrão não guardou mágoas. Pelo contrário, agiu com coragem e altruísmo, libertando Ló e todos os que haviam sido levados cativos, conforme registrado em Gênesis 14.14-16. O patriarca evidenciou, assim, fé em Deus, coragem diante do perigo e amor ao próximo.

Além disso, Abrão demonstrou discernimento espiritual ao agir no momento oportuno. Sua atitude nos ensina que a vida cristã não se resume apenas à fé contemplativa, mas envolve oração, confiança em Deus e ação prática no tempo certo.

Aprendemos também que devemos estender a mão àqueles que fizeram escolhas equivocadas. Não é papel do cristão julgar ou condenar, mas socorrer e restaurar, evitando atitudes como: “Eu sabia que isso iria acontecer”. A verdadeira fé se manifesta por meio do amor, do perdão e da prática do bem.

Por fim, este episódio reforça uma importante lição: toda escolha traz consequências. De um lado, vemos a decisão de Abrão, pautada na obediência a Deus, resultando em bênçãos; de outro, a escolha de Ló, baseada em vantagens aparentes, que trouxe sérios prejuízos para si e sua família. Portanto, somos desafiados a viver segundo a vontade de Deus, a fim de colhermos frutos que permaneçam.

Ev.. WELIANO PIRES 

08 abril 2026

ABRÃO VOLTA DO EGITO PARA CANAÃ

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 2: A fé de Abrão nas promessas de Deus)

Temos buscado a orientação de Deus antes de tomar decisões? É preciso considerar que escolhas equivocadas podem trazer sérios prejuízos espirituais e materiais. Ló, sobrinho de Abrão, constitui um exemplo disso. Ao separar-se de seu tio, tomou decisões baseadas apenas na aparência, sem consultar ao Senhor e sem honrar aquele que era o líder da família.

Neste tópico, estudaremos os acontecimentos que se deram após o retorno de Abrão do Egito à terra de Canaã. Para uma melhor compreensão do contexto, é fundamental a leitura dos capítulos 12 e 13, do Livro de Gênesis.

Mas, afinal, o que levou Abrão ao Egito? Embora Deus lhe tivesse prometido a terra de Canaã, ao chegar ali ele se deparou com uma grande fome. Diante dessa circunstância, decidiu descer ao Egito em busca de sustento (Gn 12.10). Tal atitude revela que, em determinados momentos, Abrão agiu sem consultar a direção divina.

No Egito, movido pelo medo, Abrão pediu que Sarai dissesse que era sua irmã. Como resultado, Faraó tomou Sarai para o seu harém e concedeu muitos bens a Abrão, supondo tratar-se de sua irmã. Entretanto, o Senhor interveio, ferindo a casa de Faraó com pragas e preservando a integridade de Sarai, demonstrando, assim, o seu cuidado e fidelidade para com os seus servos.

1. Contenda entre os pastores. Após o episódio no Egito, Abrão foi expulso daquela terra e retornou a Canaã, levando consigo Ló e um grande número de pessoas. Somente o grupo de Abrão contava com trezentos e dezoito homens treinados, além de seus familiares e servos, sem contar os que pertenciam a Ló.

Ao regressarem do Egito, tanto Abrão quanto Ló eram extremamente prósperos, possuindo prata, ouro, muitos servos e grandes rebanhos (Gn 13.2,5). Essa prosperidade, embora fosse uma bênção, trouxe também um desafio: a terra em que habitavam não era suficiente para sustentar os rebanhos de ambos. Como consequência, surgiram contendas entre os pastores de Abrão e os de Ló.

É importante destacar que tal situação poderia ter sido evitada caso Abrão tivesse obedecido plenamente à ordem divina. O Senhor havia determinado que ele deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai (Gn 12.1). Embora Abrão tenha demonstrado fé ao atender ao chamado, sua obediência foi parcial. Ele saiu de sua terra, mas levou consigo seu pai e, posteriormente, seu sobrinho Ló.

Em Harã, após a morte de seu pai, Deus reafirmou o seu chamado. Ainda assim, Abrão insistiu em manter Ló ao seu lado, o que mais tarde contribuiria para os conflitos enfrentados.

Aprendemos, assim, uma importante lição: quando Deus nos dá uma ordem, ela deve ser cumprida integralmente. O Senhor é soberano e conhece todas as coisas, inclusive o futuro. Suas instruções não são aleatórias, mas visam o nosso bem. Sempre que desobedecemos, ou obedecemos apenas em parte, enfrentamos consequências. A obediência parcial, na prática, equivale à desobediência.

2. Abrão e Ló se separam. A separação entre Abrão e Ló tornou-se necessária para que o patriarca pudesse prosseguir no cumprimento das promessas divinas, tanto no aspecto material quanto espiritual. Com o objetivo de evitar contendas, Abrão propôs, de forma pacífica, que ele e seu sobrinho seguissem caminhos diferentes.

Na condição de líder do clã e sendo mais velho que Ló, Abrão tinha o direito de escolher primeiro a terra que desejasse. No entanto, demonstrando grande humildade e confiança em Deus, abriu mão desse direito e permitiu que Ló fizesse a escolha. Essa atitude evidencia que a humildade é fundamental para evitar conflitos e preservar relacionamentos.

Como servos de Deus, devemos sempre priorizar a união e a paz. Todavia, isso não significa, necessariamente, permanecer sempre juntos. Em algumas situações, o distanciamento pode ser a melhor alternativa para manter a harmonia. Há relacionamentos que se preservam melhor quando há limites saudáveis na convivência.

Inclusive no ministério, em certos casos, a separação pode contribuir para evitar discórdias e permitir que cada um siga o chamado que Deus lhe confiou. Um exemplo disso está registrado no Livro de Atos, quando Paulo e Barnabé se separaram devido a uma divergência quanto a João Marcos (At 15.36-40). Ainda assim, ambos continuaram sendo usados por Deus em suas respectivas missões.

É importante destacar que a separação não é uma opção para o casamento. Diante de divergências, os cônjuges devem buscar o diálogo, a compreensão e a disposição para ceder, preservando, assim, a união. A Palavra de Deus orienta que o vínculo conjugal deve ser mantido, sendo a infidelidade conjugal a única exceção mencionada nas Escrituras (Mt 19.9).

3. As escolhas de cada um. Após Abrão conceder a Ló a oportunidade de escolher o caminho a seguir, o sobrinho optou pela região de Sodoma e Gomorra, motivado apenas pela aparência e pela prosperidade daquela terra, banhada pelo Rio Jordão. A Bíblia relata que essa região era bem regada, comparada ao Jardim do Senhor e ao Egito (Gn 13.10), antes de ser destruída pelo Senhor.

No entanto, os habitantes de Sodoma eram extremamente perversos. Ló levou em consideração apenas o aspecto econômico e, ao fazê-lo, expôs sua família à convivência com uma sociedade completamente afastada de Deus, marcada por todo tipo de abominação. Como consequência, essa escolha traria sérias dificuldades e tragédias, que serão analisadas no próximo estudo.

Abrão, por outro lado, permaneceu em Canaã, confiando nas promessas de Deus. Embora aquela terra não fosse confortável nem oferecesse prosperidade imediata — enfrentando longos períodos de estiagem e fome — ele estava sob a direção do Senhor, e isso era suficiente.

Essa história nos ensina que nem sempre a escolha que parece melhor aos olhos humanos é a melhor diante de Deus. A fé nos leva a confiar em Suas promessas e a descansar, mesmo em meio às dificuldades. Quando seguimos a direção de Deus, estamos seguros, independentemente das circunstâncias. Prosperidade financeira sem a orientação divina não é bênção; pode se tornar uma maldição.

Ev. WELIANO PIRES 




O DEUS QUE CONDUZ A HISTÓRIA

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 3: A Impaciência na espera do cumprimento da promessa) No terceiro tópico, veremos que Deus é soberano. El...