(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 2: A fé de Abrão nas de Deus)
Neste segundo tópico, falaremos sobre as consequências das escolhas feitas por Abraão e Ló. Você já tomou uma decisão e, depois, precisou lidar com consequências inesperadas? Deus nos criou como seres autônomos, dotados de livre-arbítrio, ou seja, com a capacidade de tomar decisões de forma consciente. Entretanto, todas as escolhas trazem consequências.
Primeiramente, analisaremos os resultados da escolha de Abraão de permanecer em Canaã, a terra que Deus prometera aos seus descendentes. Deus aprovou essa decisão e o orientou acerca do futuro daquela terra, especialmente após a separação de seu sobrinho Ló.
Em seguida, estudaremos os resultados da escolha de Ló de ir para a cidade de Sodoma, uma região conhecida por práticas abomináveis. Embora fosse uma pessoa justa, Ló não buscou a direção de Deus ao decidir onde morar, escolhendo com base em critérios humanos.
Por fim, abordaremos a atitude de Abraão em relação a Ló. Após a separação, Ló foi levado cativo durante uma guerra entre reis da região em que residia. Abraão não guardou ressentimentos e prontamente socorreu seu sobrinho, demonstrando fé, amor e obediência à vontade de Deus.
1. Resultados da escolha de Abrão. Conforme estudado no tópico anterior, Abrão tinha o direito de decidir para onde Ló deveria ir, pois era o líder da família. Além disso, poderia escolher para si a melhor terra, bem irrigada, que favorecesse tanto a agricultura quanto a criação de seus rebanhos. Todavia, demonstrando desprendimento e confiança em Deus, abriu mão desse direito, permitindo que Ló fizesse a escolha primeiro.
Após a decisão de Ló, Abrão permaneceu em Canaã. Vale lembrar que aquela terra já havia sido cenário de dificuldades, como o período de seca que resultou em fome, levando-o anteriormente a descer ao Egito. Ainda assim, desta vez, Abrão decidiu confiar plenamente no Senhor e permanecer na terra da promessa.
Deus, então, aprovou sua atitude e reafirmou as promessas quanto ao seu futuro, conforme registrado em Gênesis 13.14-17. Fica evidente que as escolhas fundamentadas na direção divina produzem resultados duradouros.
Aprendemos, portanto, que confiar em Deus é mais importante do que buscar vantagens imediatas. A decisão de Abrão nos ensina que a obediência gera bênçãos. Se, desde o início, ele tivesse obedecido integralmente à ordem divina de deixar sua parentela, talvez não tivesse enfrentado determinados conflitos. Contudo, nesta ocasião, sua atitude foi correta, e ele colheu os frutos dessa obediência, confirmando o princípio bíblico de que “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).
2. Resultados da escolha de Ló. Não queremos aqui demonizar a figura de Ló nem classificá-lo como ímpio, pois o apóstolo Pedro afirma que ele era justo e que afligia diariamente a sua alma por causa das práticas pecaminosas dos habitantes de Sodoma (2 Pe 2.7). Contudo, é necessário reconhecer que sua decisão foi precipitada, pois se baseou apenas nas aparências, e não na direção de Deus.
Ao escolher a campina do Jordão, Ló levou em consideração apenas os aspectos visíveis — uma terra fértil, bem irrigada e aparentemente próspera. Em nenhum momento buscou a orientação divina, tampouco considerou o conselho de Abrão, o patriarca da família. Sua escolha, portanto, foi guiada por critérios meramente humanos.
As consequências dessa decisão foram profundamente negativas. Primeiramente, Ló foi envolvido em um conflito entre reis da região e acabou sendo levado cativo, conforme registrado em Gênesis 14.12. Posteriormente, sua família foi influenciada pelos costumes corrompidos de Sodoma. Ele perdeu sua esposa, que desobedeceu à ordem divina, e também seus genros, que pereceram na destruição da cidade por estarem completamente ligados àquele estilo de vida.
No momento da destruição, Ló deixou Sodoma apenas com suas duas filhas, sendo praticamente constrangido pelos anjos a sair. Após esses acontecimentos, suas filhas, influenciadas por uma mentalidade distorcida, embriagaram o próprio pai e, por meio dessa atitude, deram origem aos moabitas e amonitas, povos que posteriormente se tornaram inimigos de Israel.
Dessa forma, aprendemos que nem tudo o que parece bom aos olhos humanos corresponde à vontade de Deus. As aparências podem enganar, e decisões tomadas sem direção divina podem resultar em sérias consequências. Por isso, é imprescindível buscar a orientação do Senhor em todas as escolhas, evitando agir apenas com base em vantagens imediatas e materiais.
3. A atitude de Abrão para com Ló. Algum tempo após Ló estabelecer-se em Sodoma, a região por ele escolhida foi invadida por uma confederação de quatro reis, e Ló, juntamente com sua família, foi levado cativo (Gn 14.12). Ao tomar conhecimento desse acontecimento, Abrão reuniu seus servos, nascidos em sua casa, totalizando trezentos e dezoito homens armados, e partiu em perseguição aos inimigos com o objetivo de resgatar seu sobrinho.
Essa atitude revela a nobreza de caráter de Abrão e demonstra que seu coração estava livre de ressentimentos. Mesmo após os conflitos entre os pastores de Ló e os seus, Abrão não guardou mágoas. Pelo contrário, agiu com coragem e altruísmo, libertando Ló e todos os que haviam sido levados cativos, conforme registrado em Gênesis 14.14-16. O patriarca evidenciou, assim, fé em Deus, coragem diante do perigo e amor ao próximo.
Além disso, Abrão demonstrou discernimento espiritual ao agir no momento oportuno. Sua atitude nos ensina que a vida cristã não se resume apenas à fé contemplativa, mas envolve oração, confiança em Deus e ação prática no tempo certo.
Aprendemos também que devemos estender a mão àqueles que fizeram escolhas equivocadas. Não é papel do cristão julgar ou condenar, mas socorrer e restaurar, evitando atitudes como: “Eu sabia que isso iria acontecer”. A verdadeira fé se manifesta por meio do amor, do perdão e da prática do bem.
Por fim, este episódio reforça uma importante lição: toda escolha traz consequências. De um lado, vemos a decisão de Abrão, pautada na obediência a Deus, resultando em bênçãos; de outro, a escolha de Ló, baseada em vantagens aparentes, que trouxe sérios prejuízos para si e sua família. Portanto, somos desafiados a viver segundo a vontade de Deus, a fim de colhermos frutos que permaneçam.
Ev.. WELIANO PIRES

