09 fevereiro 2026

A OBRA DO FILHO


SUBSÍDIO DA REVISTA ENSINADOR CRISTÃO

Nesta lição, veremos que a morte vicária do Senhor Jesus revela o propósito do Pai em conceder perdão aos pecadores e restaurar toda a criação. A humilhação, a redenção e a exaltação do Filho Unigênito de Deus manifestam a profundidade da obra que Ele realizou. Graças à Sua vida de obediência completa e justiça, bem como ao Seu sacrifício vivo e santo sobre a cruz, temos acesso à salvação eterna.

Enquanto esteve neste mundo, a vida de Jesus foi marcada pela total submissão à vontade do Pai. Não encontramos, em momento algum de Sua vida e ministério, qualquer comportamento que destoasse desse propósito. Pelo contrário, Ele obedeceu até a morte, e morte de cruz (Fl 2.8). Para assumir esse compromisso fiel de submissão, Cristo esvaziou-se da glória que compartilhava com Deus Pai desde a eternidade, antes mesmo que todas as coisas fossem criadas (Jo 17.5).

Conforme explica a Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global (CPAD), a expressão “Aniquilou-se a si mesmo” corresponde ao termo grego ekenōsen (do verbo kenoō, derivado de kenos, “vazio”, “vão”), que literalmente significa “ele esvaziou-se”. Isso não indica que Jesus renunciou à Sua divindade, ou seja, à Sua natureza plena como Deus, mas que voluntariamente deixou de lado Suas prerrogativas divinas.

Esse esvaziamento envolveu a renúncia temporária de Sua glória celestial (Jo 17.4), posição (Jo 5.30; Hb 5.8), riqueza (2Co 8.9), direitos (Lc 22.27; Mt 20.28) e do uso independente de Seus atributos divinos (Jo 5.19; 8.28; 14.10). Não se tratou apenas de uma suspensão voluntária de privilégios, mas também da aceitação do sofrimento humano, dos maus-tratos, do ódio e, por fim, da maldição da morte na cruz.

Embora tenha permanecido totalmente divino, Cristo assumiu plenamente a natureza humana, com todas as tentações, humilhações e fraquezas inerentes à condição humana. Ainda assim, suportou tudo isso sem pecar (vv. 7,8; Hb 4.15). Ele jamais ofendeu ou desafiou a Deus Pai, nem praticou qualquer coisa contrária ao padrão perfeito de Deus.

Por essa razão, Cristo foi capaz de oferecer o sacrifício perfeito, pagando de forma definitiva e completa a pena pelos nossos pecados, de uma vez por todas (1Pe 3.18). Em resposta à Sua obediência e fidelidade, o Pai o exaltou sobremaneira e lhe deu um nome que está acima de todo nome (Fp 2.8-11).

A glória restaurada ao Filho é o sinal da aprovação divina de que Ele cumpriu fielmente todas as coisas. Essa mesma glória, Cristo prometeu compartilhar com aqueles que creram em Seu testemunho e permanecem fiéis a Ele, independentemente das circunstâncias. A esses, o Senhor Jesus prometeu conceder a coroa da vida e o galardão da herança (Ap 2.10; 3.21).

FONTE:

Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, Ed. 104, p.39,

07 fevereiro 2026

O VERBO COMO REVELAÇÃO DO PAI

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 6: O Filho como o Verbo de Deus)

No terceiro tópico, abordaremos o Verbo como a revelação do Pai. Inicialmente, trataremos da encarnação do Verbo, com base na afirmação de João: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória” (Jo 1.14a).

Em seguida, falaremos do Verbo como a plenitude da graça e da verdade, conforme a declaração: “Vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14b).

Por fim, apresentaremos o Verbo como o revelador do Deus invisível, com base em João 1.18, que afirma: “Deus nunca foi visto por alguém; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”.

1. A encarnação do Verbo. Nos primeiros cinco versículos do prólogo do Evangelho segundo João, o apóstolo apresenta afirmações decisivas acerca da Pessoa de Jesus Cristo, que não deixam margem a dúvidas quanto à sua divindade. Ele declara que o Verbo é preexistente, distinto do Pai, plenamente divino, Criador de todas as coisas e a fonte de vida e de luz para a humanidade.

Após afirmar a divindade do Verbo, João declara de modo igualmente enfático a sua plena humanidade. No encerramento do prólogo, ele escreve:

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Nessa afirmação, o evangelista ensina que o Filho eterno de Deus assumiu a natureza humana real, passando a viver entre os homens. Trata-se da doutrina da Encarnação, na qual a natureza divina e a natureza humana unem-se na única Pessoa de Cristo, sem confusão, sem divisão e sem alteração — o que a teologia cristã denomina união hipostática.

O próprio apóstolo reafirma essa verdade em sua Primeira Epístola:

“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram, da Palavra da vida” (1Jo 1.1).

Aqui, João enfatiza a experiência concreta e histórica com Cristo, destacando que Ele foi visto, ouvido e tocado.

A Encarnação do Filho de Deus constitui uma das doutrinas centrais do Cristianismo bíblico. Sobre esse ponto essencial, afirma a Declaração de Fé das Assembleias de Deus:

“Cremos na concepção e no nascimento virginal de nosso Senhor Jesus Cristo, conforme as Escrituras Sagradas e anunciado de antemão pelo profeta Isaías, e que Ele foi concebido pelo Espírito Santo no ventre da virgem Maria.”

Essa declaração reafirma que a humanidade de Cristo teve origem sobrenatural, sem, contudo, deixar de ser verdadeira e completa.

Nos primeiros séculos da história da Igreja, surgiram diversas heresias relacionadas à Pessoa e à natureza de Cristo. Os ebionitas e os arianistas negavam a sua divindade, reduzindo-o à condição de mero homem ou de ser criado.

Na direção oposta, surgiram os docetistas e alguns grupos gnósticos, que negavam a verdadeira humanidade de Cristo. O docetismo baseava-se na ideia gnóstica de um dualismo radical entre espírito e matéria, considerando o espírito como bom e a matéria como má.

Segundo essa concepção, se Jesus fosse realmente Deus, não poderia possuir um corpo físico verdadeiro, mas apenas uma aparência humana. Tal ensino, porém, contradiz frontalmente o testemunho das Escrituras.

A Bíblia afirma claramente que Jesus tornou-se verdadeiramente humano, com exceção do pecado. Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas registram detalhes significativos da humanidade de Cristo desde o seu nascimento. Estes relatos evidenciam, de maneira inequívoca, que Jesus possuía um corpo físico real. As testemunhas oculares, genealogias, familiares e circunstâncias históricas confirmam a realidade da sua encarnação.

Marcos, embora não trate do nascimento de Jesus, apresenta-o como um homem que viveu entre as multidões, sentiu cansaço, compaixão e participou ativamente da vida cotidiana, ao mesmo tempo em que realizava milagres.

O apóstolo João, diferentemente dos sinóticos, não descreve o nascimento nem a infância de Jesus, mas inicia o seu Evangelho apresentando-o como o Verbo eterno e divino. Ainda assim, ele afirma explicitamente que esse Verbo se fez carne.

Além de ensinar essa verdade, João foi testemunha ocular da humanidade de Cristo. Juntamente com Pedro e Tiago, integrou o círculo mais próximo dos discípulos. Em diversas ocasiões, eles tocaram em Jesus, viram-no dormir, comer, sentir cansaço e mantiveram contato direto com Ele, não restando qualquer dúvida quanto à realidade do seu corpo humano.

Os demais apóstolos também afirmaram a humanidade de Cristo em suas Epístolas. O apóstolo Paulo escreveu aos Romanos que Jesus “nasceu da descendência de Davi, segundo a carne” (Rm 1.3).

João, em suas Epístolas, foi igualmente enfático ao declarar que todo aquele que nega que Jesus Cristo veio em carne não procede de Deus, mas é movido pelo espírito do Anticristo (1Jo 4.2,3).

Negar a Encarnação de Cristo compromete todo o plano da redenção. Se Jesus não assumiu um corpo humano verdadeiro, então não poderia ter sido crucificado nem ressuscitado corporalmente. Nesse caso, conforme ensina o apóstolo Paulo, seria vã a nossa fé, e os que dormiram em Cristo estariam perdidos (1Co 15.1–3,17,18).

2. A plenitude da graça e da verdade. João, testemunha ocular da encarnação do Verbo, declara ser a “glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14b). A palavra “glória” (gr. dóxa) remete ao conceito da shekinah — a presença gloriosa de Deus entre o seu povo (Êx 40.34,35). Porém, enquanto a glória na Antiga Aliança se manifestava parcialmente, em Cristo ela se mostra plenamente (Jo 2.11; 17.1-5). A frase “cheio de graça e de verdade” revela o conteúdo dessa glória. Diferente da Lei dada por Moisés (Jo 1.17a), Cristo encarnou a própria graça salvadora e a verdade eterna. Ele não apenas ensina a verdade — Ele é a verdade (Jo 14.6). E não apenas oferece graça — Ele é a plenitude da graça de Deus, uma provisão contínua que se manifestou salvadora a todos os homens (Tt 2.11).

No prólogo do seu Evangelho, João afirma que ele e os demais discípulos contemplaram a glória de Cristo, “como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Essa declaração revela que a glória do Senhor foi perceptível àqueles que com Ele conviveram.

Na lição passada, destacamos que essa glória foi vista de modo especial na Transfiguração. Naquela ocasião, os discípulos tiveram uma revelação extraordinária da natureza divina de Jesus, ainda que de forma limitada.

O termo grego doxa, traduzido por “glória”, expressa ideias como esplendor, majestade, excelência e dignidade. Em relação a Cristo, essa glória está ligada à sua divindade, pois pertence exclusivamente a Deus, conforme o próprio Senhor declara: “A minha glória não darei a outrem” (Is 42.8).

No Antigo Testamento, a palavra hebraica kavod indica a presença manifesta de Deus em ação. No Novo Testamento, essa glória encontra sua revelação máxima em Jesus Cristo. Contudo, durante a sua encarnação, o Senhor não manifestou a plenitude da sua glória, pois o ser humano, em sua condição mortal, não poderia suportá-la.

O apóstolo Paulo explica que Cristo “esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo” (Fp 2.7). Esse esvaziamento não significa que Ele deixou de ser Deus, mas que voluntariamente limitou a manifestação da sua glória para cumprir o plano da redenção.

João resume o conteúdo dessa glória revelada ao afirmar que Jesus é “cheio de graça e de verdade”. A graça refere-se ao favor imerecido de Deus, manifestado na oferta da salvação por meio do sacrifício vicário de Cristo (Tt 2.11). Jesus não recebeu graça; Ele é pleno de graça e é quem a concede.

Além disso, Jesus é a Verdade, pois é a revelação perfeita do Deus verdadeiro (Jo 1.18; Cl 1.15). Nas Escrituras, a verdade está associada às três Pessoas da Trindade: o Pai é o Deus da verdade (Sl 31.5), o Filho é a própria Verdade (Jo 14.6) e o Espírito Santo é o Espírito da verdade (Jo 14.17).

Assim, ao afirmar que Cristo é cheio de graça e de verdade, João ensina que, em Jesus, Deus se revela de forma perfeita, tanto na concessão graciosa da salvação quanto na plena revelação da verdade divina.

3. O revelador do Deus invisível. Ao concluir o prólogo do seu Evangelho, o apóstolo João demonstra de forma inequívoca que o Filho é o revelador do Deus invisível. Assim ele declara:

“Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer” (Jo 1.18).

Alguns que negam a divindade do Filho utilizam este texto como argumento para afirmar que Jesus não é Deus, alegando que, se Deus nunca foi visto por ninguém e Jesus foi visto, então Jesus não poderia ser Deus. Contudo, tal interpretação desconsidera o contexto e a distinção entre as Pessoas da Trindade.

No texto em questão, quando João afirma que “Deus nunca foi visto por alguém”, ele se refere à Pessoa do Pai, que, de fato, nunca foi visto por nenhum ser humano. A própria continuidade do versículo esclarece que o Filho veio para revelar o Pai. Essa verdade é confirmada pelo próprio Senhor Jesus quando disse a Filipe: “Quem vê a mim, vê o Pai” (Jo 14.9).

Deus, em sua essência, é invisível e inacessível ao ser humano. Somente Ele pode revelar a Si mesmo. Jesus Cristo, sendo plenamente Deus, revelou Deus à humanidade de maneira perfeita, porém acomodada à limitação humana. A revelação plena e definitiva ocorrerá somente após a glorificação do nosso corpo, quando o veremos como Ele é (cf. 1 Jo 3.2).

Outro ponto relevante em João 1.18 é a expressão “Filho unigênito”. No texto grego, essa expressão aparece em diferentes manuscritos. Alguns trazem a leitura monogenēs theos, que significa literalmente “Deus unigênito”, enquanto outros registram monogenēs huios, traduzido como “Filho unigênito”. A Nova Almeida Atualizada opta corretamente pela tradução “Deus unigênito”.

Ambas as leituras afirmam claramente a plena divindade de Cristo. Ser o “Filho unigênito” não indica criação ou inferioridade, mas aponta para a relação única e eterna do Filho com o Pai, compartilhando da mesma essência divina. Dessa forma, João reafirma que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e o único e perfeito revelador do Pai.  

Ev. WELIANO PIRES 

06 fevereiro 2026

O VERBO COMO CRIADOR

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 6: O Filho como o Verbo de Deus).

No segundo tópico, abordaremos o Verbo como Criador. Com base em João 1.3, demonstraremos que o Verbo é o agente da criação, o que comprova a sua divindade, uma vez que Gênesis 1 afirma que Deus é o Criador de todas as coisas.

Em seguida, à luz de João 1.4a, veremos que o Verbo é a fonte da vida, tanto física quanto espiritual e eterna. Essa verdade evidencia a sua autossuficiência, atributo que confirma a sua natureza divina.

Por fim, com base em João 1.4–5, veremos que o Verbo é a luz dos homens. Essa simbologia revela o seu caráter divino e afirma que as trevas não prevalecem contra Ele.

1. O agente da criação. Desde o relato da criação em Gênesis, as Escrituras revelam Deus como o Criador de todas as coisas. À luz do Novo Testamento, compreendemos que essa obra criadora foi realizada por meio do Filho, que atua como o Agente da criação. No primeiro capítulo de Gênesis, vemos que Deus criou todas as coisas: céu, terra, mares e tudo o que neles há. O Filho não está incluído entre as coisas criadas, pois Ele é Criador e não criatura.

O apóstolo João afirma claramente essa verdade ao declarar:

 “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3).

Nessa mesma linha de pensamento, o apóstolo Paulo escreveu aos colossenses:

 “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.16,17).

Essas declarações evidenciam que o Filho criou não apenas as coisas visíveis do universo, mas também as invisíveis, como os anjos. Essa verdade bíblica refuta diretamente o arianismo, doutrina surgida no século IV que ensinava que o Filho teria sido criado em algum momento da eternidade. 

À luz das Escrituras, fica claro que nunca houve um tempo em que o Verbo não existisse. Ele é Deus, eterno e jamais foi criado, pois é o Criador de todas as coisas. O próprio Jesus testemunhou essa verdade ao orar pelos seus discípulos, quando falou ao Pai acerca da glória que tinha com Ele antes que o mundo existisse (Jo 17.5).

2. A fonte da vida. Depois de afirmar que o Verbo criou todas as coisas, o evangelista João declara:

 “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo 1.4).

Essa declaração é de grande relevância teológica, pois evidencia que o Verbo é autoexistente, isto é, possui a vida em Si mesmo e é o doador da vida. Segundo o comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal, “a ‘vida’ (gr. zōē) é um dos temas centrais do Evangelho de João, aparecendo 36 vezes. Jesus é descrito como o Pão da Vida (Jo 6.35,48) e a Água da Vida (Jo 4.10,11; 7.38). Suas palavras são palavras de vida eterna (Jo 6.68). Ele é quem dá a vida (Jo 6.33; 10.10), e essa vida é um dom de Cristo (Jo 10.28).”

O próprio Jesus confirmou essa verdade em diversos episódios registrados no Evangelho segundo João. Pouco antes de ressuscitar Lázaro, Jesus afirmou a Marta, sua irmã:“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11.25).

No capítulo 14 desse mesmo Evangelho, Jesus reafirma aos seus discípulos que Ele é a vida (Jo 14.6). Ele não é apenas o doador da existência física, mas o concedente da vida eterna e plena em comunhão com Deus. Somente Deus pode fazer tal afirmação a respeito de Si mesmo, pois a vida e a morte estão sob o Seu domínio. É o Senhor quem dá a vida e quem a tira (1 Sm 2.6). Esta afirmação de que Jesus é a vida, confirma mais uma vez a sua divindade. 

Quando Jesus afirmou: "Eu Sou a vida”, não se referia apenas à vida física, mas à vida eterna concedida àqueles que nEle creem. Na Escritura, o conceito de vida vai muito além do intervalo entre a concepção e a morte física. Nem sempre o termo vida apresenta o mesmo significado. 

Conforme a Concordância Bíblica de Strong, o vocábulo grego zoe, traduzido por “vida” no Novo Testamento, refere-se à vida em seu sentido mais pleno, abrangendo tanto a dimensão física quanto a espiritual. Esse termo é frequentemente utilizado para descrever a vida eterna concedida por meio da fé em Jesus Cristo. Trata-se não apenas de uma existência sem fim, mas de uma vida abundante e plena, caracterizada por um relacionamento vivo e contínuo com Deus.

3. A luz dos homens. João menciona, já no prólogo do seu Evangelho, que “a vida era a luz dos homens” (Jo 1.4b). No Antigo Testamento, Deus é apresentado como “luz”: “O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei?…” (Sl 27.1a).

Em outros textos, a Palavra de Deus também é descrita como “luz”: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz, para o meu caminho” (Sl 119.105).

O Novo Testamento reafirma essa verdade em relação a Deus: “E esta é a mensagem que dele ouvimos e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas” (1 Jo 1.5).

O próprio Jesus afirmou ser a Luz: “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12).

A metáfora da luz é recorrente no Evangelho segundo João. O Comentário da Bíblia o de Estudo Pentecostal (CPAD) enfatiza que “a ‘luz’ (gr. phōs) é mencionada 23 vezes no Evangelho de João, mais do que em qualquer outro livro do Novo Testamento. A vida de Jesus é a luz para todas as pessoas, o que significa que Ele revelou Deus e os Seus planos para a nossa existência, mostrando-nos o caminho de volta a Ele”.

Na Bíblia, a luz também expressa a ideia de perfeição moral absoluta. A afirmação do apóstolo João de que Deus é luz e não há nEle trevas nenhumas indica que Ele é absolutamente santo, isento de qualquer maldade, impureza ou falha em Seu caráter. O mesmo se aplica ao Filho, pois Ele é Deus e possui a mesma natureza do Pai.

Ev. WELIANO PIRES

05 fevereiro 2026

O VERBO COMO DEUS ETERNO

(Comentário do 1º tópico da Lição 6: O Filho como o Verbo de Deus)

No primeiro tópico, abordaremos o Verbo como Deus eterno. Inicialmente, trataremos da preexistência do Verbo, com base na expressão joanina: “No princípio, era o Verbo” (Jo 1.1a).

Em seguida, analisaremos a distinção entre o Verbo e o Pai, a partir da afirmação de João: “o Verbo estava com Deus” (Jo 1.1b), demonstrando que o Verbo não é o próprio Deus Pai, mas uma pessoa distinta.

Por fim, examinaremos a declaração final do versículo: “o Verbo era Deus” (Jo 1.1c), evidenciando que o Verbo possui a mesma essência divina do Pai.

1. O Verbo preexistente. Neste subtópico, o comentarista observa que o prólogo do Evangelho segundo João é frequentemente denominado “Hino ao Logos”. Tal designação decorre de uma discussão teológica relacionada à estrutura literária do texto, marcada pelo paralelismo semítico característico da literatura bíblica.

Alguns estudiosos defendem que essa perícope de João 1.1–18 consistia originalmente em um hino cristão primitivo, posteriormente incorporado por João ao seu Evangelho. Outros, porém, entendem que o próprio apóstolo João tenha composto esse hino como prólogo, a fim de introduzir e antecipar os principais temas do livro.

O prólogo de um livro é a parte introdutória que antecede o corpo principal da obra e tem por finalidade preparar o leitor para o seu conteúdo. No âmbito bíblico e teológico, o prólogo frequentemente assume a função de síntese teológica da obra. 

Nesse sentido, Luciane da Silva Neves Paes Leme afirma que “o prólogo é uma introdução ao evangelho de João, porém uma introdução que já aparece como síntese de tudo aquilo que será discutido durante todo o escrito joanino”.

O comentarista dedica-se, neste subtópico, à análise da primeira parte de João 1.1, que declara: “No princípio era o Verbo”. A expressão “no princípio”, utilizada por João, remete deliberadamente ao início do livro de Gênesis: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1).

Em Gênesis 1.1, a expressão hebraica bereshit refere-se ao início da criação, quando Deus trouxe à existência os céus e a terra. João, entretanto, ao empregar a expressão grega en archē, não se limita a um ponto inicial no tempo, mas aponta para a eternidade passada, indicando uma existência infinita, sem começo e sem fim.

De acordo com a Concordância de Strong, a preposição en pode significar “em”, “por” ou “com”. O substantivo archē, por sua vez, possui diversos significados, tais como: começo, origem; aquele que dá início a algo; a primeira pessoa ou coisa em uma série; líder; princípio governante; causa ativa; bem como principado, domínio ou autoridade.

Assim, quando João afirma: “No princípio era o Verbo”, ele não se refere a um evento localizado no tempo, mas apresenta o Filho de Deus como o Princípio de todas as coisas. Trata-se de uma afirmação cristológica que ressalta a eternidade do Logos, pois tudo tem nele a sua origem e existência.

2. O Verbo como pessoa distinta. Na segunda parte de João 1.1, lemos que “o Verbo estava com Deus”. Nesse texto, o termo “Deus” refere-se ao Pai, enquanto o Verbo é identificado como o Filho. João deixa claro que o Verbo estava em comunhão com o Pai, evidenciando uma distinção pessoal entre ambos. Assim, o evangelista afirma que o Verbo não é o próprio Pai, mas uma Pessoa distinta, embora da mesma essência divina, conforme veremos no próximo subtópico. 

A distinção pessoal dentro da unidade divina é amplamente confirmada por diversos acontecimentos e declarações ao longo do Novo Testamento, os quais demonstram que, embora sejam Pessoas distintas, não se trata de deuses diferentes. Um exemplo claro encontra-se na chamada Oração Sacerdotal de Jesus, registrada em João 17, na qual o Filho dirige-se ao Pai, confirmando a distinção entre ambos. Jesus declara: 

“Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.4,5).

Nesse contexto, é evidente que Jesus não fala consigo mesmo, mas dirige-se ao Pai. Ele enfatiza que, antes da fundação do mundo, ambos já existiam em uma relação de comunhão, revelando simultaneamente unidade e distinção pessoal. 

Nos discursos de Jesus, especialmente na promessa do envio do Consolador, a distinção entre as três Pessoas da Trindade é novamente evidenciada. O Senhor afirma: 

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16).

Nesse texto, Jesus distingue claramente a si mesmo como o Filho que roga ao Pai, ao mesmo tempo em que anuncia o envio do Espírito Santo. Tal declaração revela não apenas a distinção das Pessoas divinas, mas também o relacionamento harmonioso entre elas no plano da redenção.

Há ainda muitas outras passagens bíblicas que confirmam a distinção entre as Pessoas da Santíssima Trindade, como João 15.26, onde Jesus volta a mencionar o Espírito Santo, bem como diversas referências nas epístolas paulinas (cf. Ef 1.3–14; 2Co 1.21–22). Dessa forma, a doutrina de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três Pessoas distintas, mas um só Deus, constitui um ensinamento central e claramente afirmado no Novo Testamento.

3. O Verbo é da mesma essência do Pai. O evangelista João conclui o primeiro versículo do seu Evangelho afirmando que “[…] o Verbo era Deus” (Jo 1.1c). Essa declaração revela uma verdade central da fé cristã: embora o Filho seja uma Pessoa distinta do Pai, Ele possui a mesma essência, natureza e glória divinas. Não se trata de semelhança moral ou funcional, mas de identidade de essência e natureza.

O Novo Testamento apresenta inúmeros textos que confirmam, de forma inequívoca, a divindade de Jesus Cristo. Um dos mais claros encontra-se em João 20.28. Após constatar pessoalmente a realidade da ressurreição, o apóstolo Tomé confessou: “Senhor meu, e Deus meu”. 

Essa declaração não foi corrigida nem rejeitada por Jesus. Caso fosse incorreta, o Senhor teria prontamente repreendido Tomé. Ao contrário, Ele recebeu essa confissão, confirmando sua legitimidade. Alguns que negam a divindade de Cristo argumentam que Tomé teria apenas expressado uma reação emocional de admiração, semelhante a expressões populares usadas hoje. No entanto, tal interpretação ignora o contexto histórico e religioso. 

Tomé era judeu, e, na tradição judaica, o nome de Deus não é usado de maneira leviana ou como mera exclamação. Ao chamar Jesus de “Senhor” (Kyrios) e “Deus” (Theós), Tomé empregou títulos reservados exclusivamente ao Deus verdadeiro, reconhecendo, assim, a plena divindade de Cristo.

Diante de textos como esse, torna-se evidente que as Escrituras afirmam claramente que Jesus é Deus. Negar essa verdade exige não apenas interpretações forçadas, mas também o enfraquecimento da autoridade bíblica. Ao longo da história, diferentes grupos tentaram reinterpretar ou modificar passagens bíblicas para adequá-las a sistemas doutrinários previamente estabelecidos.

Nesse contexto, destaca-se a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, produzida pela Sociedade Torre de Vigia. Nessa versão, algumas passagens bíblicas receberam traduções interpretativas que se afastam do texto original. Em João 1.1, por exemplo, onde o texto grego afirma claramente que “o Verbo era Deus”, foi introduzido um artigo indefinido inexistente no original, além do uso de inicial minúscula, com o objetivo de negar a plena divindade do Filho.

O mesmo ocorre em textos como Tito 2.13 (“o grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo”) e 2 Pedro 1.1 (“nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”), nos quais a estrutura gramatical do grego aponta para uma única Pessoa, Jesus Cristo, identificado como Deus e Salvador. Alterações nessas passagens resultam em interpretações que não refletem com fidelidade o sentido original.

Em 1 João 5.20, lemos: “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.”

Diante da clareza dessa afirmação do apóstolo João e, não havendo como negar que esse texto afirma, de maneira explícita, a divindade de Jesus, a Sociedade Torre de Vigia simplesmente o suprimiu da Tradução do Novo Mundo. Ora, a Bíblia, em harmonia do início ao fim, afirma que Jesus é o verdadeiro Deus. Essa verdade é fundamental para a fé cristã, pois somente sendo Deus o Filho poderia revelar plenamente o Pai, vencer o pecado e conceder vida eterna aos que nele creem.

Referência:

LEME, Luciane da Silva Neves Paes. A Doutrina do Logos e o Prólogo de João: uma perspectiva no método histórico-gramatical da exegese bíblica. Curitiba: Revista Teológica Pneuma, 2022, p. 127.

Ev. WELIANO PIRES 

03 fevereiro 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 6: O FILHO COMO O VERBO DE DEUS

 Data: 8 de fevereiro de 2026

TEXTO ÁUREO

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1.14).

VERDADE PRÁTICA

Jesus Cristo, o Verbo eterno, é a revelação plena e visível de Deus ao mundo, manifestando graça, verdade e a glória do Pai.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: João 1.1-5,14.

OBJETIVOS DA LIÇÃO:

I) Explicar a preexistência e a divindade do Verbo; 

II) Mostrar a atuação do Verbo na criação e como fonte de vida e luz; 

III) Ressaltar que o Verbo encarnado é a plena revelação do Pai.

INTRODUÇÃO

Nesta segunda lição sobre o Deus Filho, estudaremos Jesus Cristo como o Verbo eterno de Deus, que é plenamente Deus e se fez plenamente humano. Tomando como base o prólogo do Evangelho segundo João (João 1.1-18), que é dos mais profundos tratados sobre a Pessoa de Cristo das Escrituras. 

A abordagem de João é diferente dos Evangelhos Sinóticos, pois ele inicia o seu relato não com o nascimento histórico de Jesus, mas aborda a sua existência eterna e a sua relação com Deus Pai, antes da criação. João faz afirmações fundamentais sobre a Pessoa de Cristo neste trecho do Evangelho: Ele é eterno, distinto do Pai, divino, criador, revelador do Pai e encarnado, assumindo a humanidade sem deixar de ser Deus.

PALAVRA-CHAVE: VERBO

A palavra verbo deriva do latim verbum, que significa “palavra”, “termo” ou “expressão”. Inicialmente, o termo latino designava qualquer palavra, mas, posteriormente, passou a ser usado como classe gramatical que expressa ação, estado ou fenômeno. Na língua portuguesa, o verbo indica, portanto, ação, estado ou acontecimento, funcionando como o núcleo da oração.

No grego antigo, havia duas palavras traduzidas por “palavra” ou “verbo”: lógos e rhêma . O termo lógos possuía uma ampla variedade de significados para os gregos, muito além do sentido de “verbo” em português: podia indicar palavra, discurso, razão, argumento, sentido ou princípio racional. Já o termo rhêma significava aquilo que é dito, enunciado, fala em ato, ou, no contexto gramatical, verbo.

Nas Escrituras hebraicas, o termo dābār abrange os sentidos de palavra, fala, ação e evento. Na Septuaginta — versão grega do Antigo Testamento — dābār foi traduzido tanto por lógos quanto por rhêma, conforme o contexto. Para os judeus, dābār era o agente da criação, conforme explica o teólogo Matthew Henry, em seu comentário sobre o texto de João 1:

“Pela palavra [Dābār] do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca” (Sl 33.6). 

Além de ser agente criador, dābār também era a fonte da mensagem de Deus ao seu povo, transmitida por intermédio dos profetas, como em Oséias 1.2:

“O princípio da palavra do Senhor por Oséias…”.

No Salmo 119.105, dābār representa a lei de Deus, ou seja, sua norma de santidade:

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra [Dābār] e luz para o meu caminho”.

No contexto desta lição, estudaremos o sentido do termo lógos, usado por João no capítulo 1 do Evangelho. Enquanto para os gregos o Logos era um princípio racional que ordenava o mundo, para os judeus o Dābār era o agente criador e a própria Palavra de Deus. Diferentemente do conceito grego e hebraico, João apresenta o Verbo como preexistente, pessoal, divino, distinto do Pai e encarnado.

Assim, ao empregar o termo lógos, João estabelece uma ponte entre o pensamento hebraico e o grego, mas ao mesmo tempo revela uma verdade teológica única: o Verbo não é impessoal nem abstrato. Para os judeus, seria impossível conceber que Jesus pudesse ser o Dābār, e, para os gregos, seria absurda a ideia de humanizar o Logos. João, entretanto, mostra que o Verbo eterno se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14), revelando a encarnação de Deus em Jesus Cristo.

TÓPICOS DA LIÇÃO 

I. O VERBO COMO DEUS ETERNO

No primeiro tópico, abordaremos o Verbo como Deus eterno. Inicialmente, trataremos da preexistência do Verbo, com base na expressão joanina: “No princípio, era o Verbo” (Jo 1.1a).

Em seguida, analisaremos a distinção entre o Verbo e o Pai, a partir da afirmação de João: “o Verbo estava com Deus” (Jo 1.1b), demonstrando que o Verbo não é o próprio Deus Pai, mas uma pessoa distinta.

Por fim, examinaremos a declaração final do versículo: “o Verbo era Deus” (Jo 1.1c), evidenciando que o Verbo possui a mesma essência divina do Pai.

II. O VERBO COMO CRIADOR

No segundo tópico, abordaremos o Verbo como Criador. Com base em João 1.3, demonstraremos que o Verbo é o agente da criação, o que comprova a sua divindade, uma vez que Gênesis 1 afirma que Deus é o Criador de todas as coisas.

Em seguida, à luz de João 1.4a, veremos que o Verbo é a fonte da vida, tanto física quanto espiritual e eterna. Essa verdade evidencia a sua autossuficiência, atributo que confirma a sua natureza divina.

Por fim, com base em João 1.4–5, veremos que o Verbo é a luz dos homens. Essa simbologia revela o seu caráter divino e afirma que as trevas não prevalecem contra Ele.

III. O VERBO COMO REVELAÇÃO DO PAI

No terceiro tópico, abordaremos o Verbo como a revelação do Pai. Inicialmente, trataremos da encarnação do Verbo, com base na afirmação de João: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória” (Jo 1.14a).

Em seguida, falaremos do Verbo como a plenitude da graça e da verdade, conforme a declaração: “Vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14b).

Por fim, apresentaremos o Verbo como o revelador do Deus invisível, com base em João 1.18, que afirma: “Deus nunca foi visto por alguém; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”.

Bons estudos!

Ev. WELIANO PIRES 

O FILHO COMO O VERBO DE DEUS

(Subsídio da Revista Ensinador Cristão /CPAD)

Esta lição tem como finalidade apresentar maiores detalhes da Pessoa de Jesus como o Verbo de Deus encarnado. Ele é a revelação plena e visível de Deus neste mundo. A introdução do Evangelho de João ratifica a coexistência de Jesus e Sua participação com o Pai na criação (Gn 1.1,26). Cristo não veio a existir, mas sempre existiu e estava com o Pai na criação de todas as coisas (Jo 1.2,3). 

Essa é uma das verdades basilares da fé cristã que os hereges tentam distorcer. Há grupos, inclusive, que interpretam equivocadamente o capítulo 1 do Evangelho de João e afirmam que o Verbo era “um” deus, classificando o Senhor Jesus como uma Pessoa menor em relação a Deus Pai. Contudo, reafirmamos de forma contundente que o Senhor Jesus exerce Seu papel de Filho Unigênito como Pessoa da Trindade possuindo a mesma essência do Pai e é Deus em Sua totalidade. 

A importância de crer nesse ensino é indispensável para vida cristã, tendo em vista que a fé em Jesus é o meio pelo qual somos transformados pelo poder do Espírito Santo e recebemos o poder de sermos filhos de Deus (Jo 1.12). A Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal, publicada pela CPAD, discorre: 

Em João 1.12, lemos: “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome”. Em outras palavras, Jesus estava redefinindo toda a realidade de alguém tornar-se filho de Deus. Até aquele momento, a pessoa precisava nascer especificamente no povo de Israel, chamado segundo a aliança (ou pelo menos afiliar-se a ele), para ter aquela oportunidade.

João, porém, enfatiza que a mensagem espiritual — o Evangelho poderoso — chegara às pessoas, e que elas haviam recebido Jesus, o Logos. Recebê-lo importava em obter o direito ou autoridade de se tornar filho de Deus. Alguns dos que o receberam eram judeus, e outros eram gentios. Jesus derrubou o muro divisório e franqueou a salvação a todos os que desejassem chegar a Ele e recebê-lo pela fé (Jo 1.13) (2021, p. 309).

Este critério foi definido pelo próprio Deus em Sua Palavra e é uma verdade inegociável. Se queremos ter e manter nossa comunhão com o Pai, precisamos preservar a fé e a comunhão com Seu Filho Unigênito, bem como nutrir a intimidade com a Pessoa do Espírito Santo.

À medida que conhecemos e desenvolvemos nosso relacionamento com Jesus, prosseguimos em conhecer o próprio Pai (Jo 14.8–9). E, como testemunhas do Seu amor, compartilhamos essa verdade com o mundo, para que todos conheçam que só podem ter o Pai se receberem e crerem em Seu Filho Unigênito (1Jo 2.23).

30 janeiro 2026

A MISSÃO REDENTORA DO DEUS FILHO

(Comentário do 3º tópico da Lição 5: O Deus Filho)

No terceiro tópico, estudaremos a missão redentora do Deus Filho, tomando como referência o episódio da Transfiguração, registrado nos Evangelhos (Mt 17.1-9; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36). Esse acontecimento revela antecipadamente a glória de Cristo e confirma a sua centralidade no plano redentor de Deus.

1. O Filho como a revelação suprema do Pai. Na Transfiguração, a voz do Pai declarou: “Escutai-o” (Mt 17.5; Mc 9.7; Lc 9.35). Essa ordem divina evidencia que o Filho é a revelação suprema do Pai e que é a Ele que o povo de Deus deve ouvir. Moisés e Elias, representantes da Lei e dos Profetas, aparecem ao lado de Jesus, mas a voz do céu não aponta para eles; aponta exclusivamente para o Filho.

Ao longo da história, houve quem insistisse que a obediência à Lei mosaica fosse necessária para a salvação. No entanto, as Escrituras ensinam que Cristo é o cumprimento da Lei e que seus ritos e prescrições eram sombras das realidades futuras que se concretizariam nEle (Cl 2.17; Hb 10.1). Tudo o que estava prescrito na Lei apontava para Cristo e encontrou nEle o seu pleno cumprimento.

O autor da Epístola aos Hebreus afirma: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hb 1.1,2). Essa declaração confirma que a revelação divina alcança sua plenitude em Jesus Cristo, que manifesta de forma perfeita o caráter, a vontade e o propósito redentor do Pai.

A teologia cristã reconhece que Deus se revelou à humanidade de duas formas principais: a revelação geral e a revelação especial.

a) Revelação geral. A revelação geral ocorre quando Deus se manifesta a todos os seres humanos por meio da criação, que proclama a sua glória e o seu poder (Sl 19.1–4; Rm 1.19,20). Além disso, Deus também se revela por meio da consciência humana, capacitando cada pessoa a discernir, ainda que de forma limitada, entre o bem e o mal. Essa revelação torna a humanidade responsável diante de Deus, ainda que não seja suficiente para a salvação.

b) Revelação especial.  A revelação especial é a manifestação pela qual Deus torna possível um relacionamento pessoal e redentor com o ser humano. Inicialmente, Deus falou por meio dos profetas e dos escritores das Escrituras Sagradas, que, inspirados pelo Espírito Santo, transmitiram fielmente a sua Palavra. Contudo, essa revelação alcança seu ponto culminante na encarnação do Filho, que revelou de modo pleno e definitivo quem é o Pai e qual é a sua vontade salvadora.

Por essa razão, rejeitar o Filho equivale a rejeitar o próprio Deus, conforme ensina o apóstolo João: “Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho tem também o Pai” (1Jo 2.23). Cristo ocupa o centro da vontade divina e possui autoridade absoluta para ensinar e conduzir o ser humano à salvação.

2. A exclusividade do Filho na redenção. Após o desaparecimento de Moisés e Elias, os discípulos “ergueram os olhos e não viram ninguém, senão a Jesus” (Mt 17.8). Esse detalhe é teologicamente significativo, pois reforça que a salvação é concedida única e exclusivamente por meio de Cristo. Nenhum outro mediador ou caminho pode conduzir o ser humano à redenção (Jo 14.6; At 4.12).

A Lei e os Profetas cumpriram sua função pedagógica ao apontar para o Messias e vigoraram até João Batista. Com a vinda de Cristo, Deus estabeleceu uma Nova Aliança, tendo o Filho como o único Mediador entre Deus — absolutamente santo — e a humanidade pecadora.

O próprio Jesus declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Essa afirmação deixa claro que a salvação não é resultado de múltiplos caminhos espirituais, mas encontra-se exclusivamente na pessoa e na obra de Cristo. Fora dEle, não há possibilidade de reconciliação com Deus.

Essa mesma verdade foi proclamada pelo apóstolo Pedro diante das autoridades judaicas: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12).

O apóstolo Paulo reforça essa doutrina ao escrever a Timóteo: “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1Tm 2.5). Essa declaração reafirma a exclusividade da mediação do Deus Filho, que se fez homem para reconciliar a humanidade com Deus. Não existe, no céu, na terra ou em qualquer outra esfera, outro mediador que possa exercer essa obra redentora.

3. O impacto dessa revelação na vida dos discípulos. A experiência de contemplar o Cristo glorificado na Transfiguração produziu profundo fortalecimento espiritual em Pedro, Tiago e João. Esse episódio preparou-os para compreender que o Messias glorioso também deveria passar pelo sofrimento da cruz antes de entrar definitivamente em sua glória, fortalecendo-os para o ministério que exerceriam como líderes e colunas da Igreja Primitiva (At 2.42,43; 5.13).

Anos mais tarde, Pedro testemunhou essa experiência ao escrever: “Porque não vos fizemos saber o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas astuciosamente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade” (2Pe 1.16,17). O apóstolo deixa claro que sua fé estava fundamentada em um testemunho real e histórico da glória de Cristo.

Além da Transfiguração, os discípulos também viram Jesus ressuscitado durante quarenta dias e testemunharam a sua ascensão gloriosa aos céus. Tanto a revelação antecipada da glória de Cristo no monte quanto o testemunho ocular de sua ressurreição exerceram profundo impacto em suas vidas e ministérios. Por essa convicção, enfrentaram perseguições, sofrimentos e até a morte, certos de que não haviam crido em fábulas, mas na verdade revelada de Deus em Jesus Cristo.

Ev. WELIANO PIRES

29 janeiro 2026

A CENTRALIDADE DO DEUS FILHO

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 5: O Deus Filho)

No segundo tópico, estudaremos a centralidade do Deus Filho, tomando como referência o episódio da Transfiguração (Mt 17.1-9; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36). 

Inicialmente, abordaremos a glória sobrenatural de Jesus no Monte da Transfiguração, na presença de Moisés e Elias, contemplada pelos discípulos Pedro, Tiago e João.

Em seguida, trataremos do testemunho da Lei e dos profetas, representados, respectivamente, por Moisés e Elias.

Por fim, analisaremos a aprovação do Pai, manifestada pela voz que se fez ouvir aos discípulos: “Este é o meu Filho amado, a Ele escutai” (Mt 17.5; Mc 9.7; Lc 9.35).

1. A glória sobrenatural de Jesus. Jesus subiu ao monte da Transfiguração acompanhado de Pedro, Tiago e João, os apóstolos mais íntimos, que estiveram com Ele em momentos marcantes de Seu ministério terreno. Embora as Escrituras não identifiquem com precisão o monte onde ocorreu esse episódio, a tradição cristã, desde o século III, aponta o Monte Tabor, na Galileia, como o local do acontecimento. Essa identificação é mencionada por Orígenes, Cirilo de Jerusalém e Jerônimo.

Durante a Transfiguração, na presença de Moisés e Elias, os apóstolos contemplaram a glória sobrenatural de Jesus. Seu rosto resplandeceu como o sol, e Suas vestes tornaram-se brancas como a luz. Esse evento não foi apenas uma manifestação momentânea de poder, mas uma antecipação da glória futura que se revelaria plenamente após a ressurreição de Cristo, apontando também para a realidade do Reino de Deus em sua consumação final (Mt 17.2; Lc 9.29).

O termo glória, no Antigo Testamento, deriva do hebraico kavod, amplamente utilizado no judaísmo para expressar a presença manifesta de Deus ou o próprio Deus em ação. Já no Novo Testamento, o vocábulo grego correspondente é doxa, cujo significado envolve ideias como resplendor, poder, honra e majestade divina.

É comum, especialmente no meio cristão contemporâneo, a utilização da palavra “Shekinah” como sinônimo da glória de Deus. Todavia, é necessário esclarecer que esse termo não aparece nos textos bíblicos. Shekinah tem origem no Talmud, literatura judaica pós-bíblica que reúne comentários e discussões rabínicas sobre a Lei, a história e a tradição de Israel. Embora o conceito remeta à presença divina, a sua utilização não é bíblica.

No Novo Testamento, a glória divina encontra sua revelação máxima na pessoa de Jesus Cristo. No relato do nascimento do Salvador, o evangelista Lucas descreve que, enquanto os pastores vigiavam seus rebanhos, “eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; e tiveram grande temor” (Lc 2.9).

O escritor da Epístola aos Hebreus declara que Jesus é “o resplendor da glória [de Deus] e a expressa imagem da sua pessoa” (Hb 1.3). Dessa forma, Cristo não apenas reflete a glória divina, mas a manifesta plenamente à humanidade. O apóstolo João confirma essa verdade ao afirmar: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Ao assumir a natureza humana, o Senhor Jesus esvaziou-se de Sua glória, tomando a forma de servo, conforme ensina o apóstolo Paulo (Fp 2.7). Contudo, na Transfiguração, os discípulos tiveram um vislumbre dessa glória, sendo tomados de temor diante da revelação do Cristo glorificado. De modo semelhante, Saulo de Tarso teve um encontro com o Senhor ressurreto, e o resplendor de Sua glória foi tão intenso que o deixou cego por três dias (At 9.3,9).

Essa mesma glória é apresentada de forma ainda mais majestosa no livro do Apocalipse. O apóstolo João relata ter visto um Ser semelhante ao Filho do Homem, vestido com uma veste comprida e cingido com um cinto de ouro. Seus cabelos eram brancos como a neve, Seus pés reluziam como bronze polido, e Sua voz soava como o som de muitas águas. Diante de tamanha manifestação da glória divina, João, o discípulo que desfrutara de maior proximidade com Jesus durante Seu ministério terreno, caiu como morto diante dEle (Ap 1.17,18).

2. O testemunho da Lei e dos profetas. A presença de Moisés e Elias na Transfiguração, dois personagens amplamente respeitados no Antigo Pacto, confirma que Jesus veio cumprir a Lei e os Profetas, estabelecendo a Nova Aliança. Desse modo, a Transfiguração evidencia a continuidade e, ao mesmo tempo, o cumprimento das Escrituras, demonstrando que Cristo é o centro da história da salvação (Lc 9.31; Hb 1.1-2).

Moisés foi o grande libertador e legislador de Israel, aquele que recebeu do próprio Deus as tábuas da Lei. Sua autoridade era incontestável entre os judeus. Ao final de sua vida, Moisés anunciou que Deus levantaria um profeta semelhante a ele, a quem o povo deveria ouvir (Dt 18.15). Na Transfiguração, sua presença confirma que esse profeta prometido era Jesus, o Messias.

Elias, por sua vez, foi um dos profetas mais respeitados da história de Israel. Viveu em um período de profunda apostasia espiritual, durante os reinados de Acabe e de seu filho Acazias. Embora não tenha deixado escritos proféticos, Elias destacou-se como profeta oral, sendo poderosamente usado por Deus na realização de milagres e no confronto direto com reis ímpios e com a idolatria nacional.

A aparição de Moisés e Elias — personagens que os discípulos não conheceram pessoalmente — serviu como um testemunho inequívoco da Lei e dos Profetas de que Jesus veio estabelecer a Nova Aliança, da qual Ele é o único e suficiente Mediador. Após a vinda de Cristo em carne, a Antiga Aliança tornou-se obsoleta, não por ter falhado, mas porque foi plenamente cumprida nEle (Hb 8.13). Como será visto no próximo tópico, Jesus é o cumprimento final de tudo aquilo que a Lei e os Profetas anunciaram.

É importante esclarecer que a Transfiguração não se trata de necromancia ou de qualquer prática semelhante às sessões espíritas ensinadas pelo espiritismo. Em primeiro lugar, a Bíblia condena de forma explícita e categórica toda tentativa de comunicação com os mortos:

“Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor” (Dt 18.10-12).

Além disso, não houve qualquer tentativa de comunicação dos discípulos com Moisés e Elias. Quem dialogou com eles foi o próprio Jesus, que é Deus e Senhor tanto dos vivos quanto dos mortos. Não há qualquer indicação de manifestação espiritual independente, incorporação ou retorno à vida terrena.

Ademais, se o episódio fosse interpretado à luz da doutrina espírita da reencarnação, quem deveria ter aparecido seria João Batista, e não Elias, uma vez que o espiritismo sustenta que João teria sido a reencarnação do profeta Elias. Tal interpretação, porém, é estranha ao ensino bíblico e incompatível com o testemunho das Escrituras.

3. A aprovação do Pai. A voz do Pai manifestou-se em aprovação ao ministério de Jesus. Os discípulos ficaram maravilhados com o que viram e desejaram permanecer ali para sempre. Entretanto, uma nuvem veio e encobriu Moisés e Elias. Do meio da nuvem, ouviu-se uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado; a Ele escutai” (Mt 17.5; Mc 9.7; Lc 9.35). 

Essa nuvem representa a presença gloriosa de Deus, conforme ocorreu no deserto durante a peregrinação de Israel. Os discípulos conheciam as Escrituras e sabiam que uma coluna de nuvem guiava o povo durante o dia, e uma coluna de fogo, durante a noite. Deus falava com Moisés do meio da nuvem. Agora, eles ouviram a voz do próprio Deus, do meio da nuvem, afirmando que Jesus é o Filho de Deus e que a Ele deveriam obedecer.

O episódio da Transfiguração revela, de maneira clara, o caráter trinitário da revelação divina: o Pai fala do céu, o Filho é glorificado diante dos discípulos, e a nuvem, símbolo da glória divina, manifesta a presença de Deus. Assim como no batismo de Jesus, a Trindade se faz presente de forma inequívoca, confirmando a identidade e a missão do Messias.

A declaração do Pai autentica o ministério de Jesus e confirma a sua autoridade divina, da mesma forma que ocorreu no batismo, quando o Pai reconheceu publicamente o Filho (Mt 3.16-17; Mc 1.11; Lc 3.22). Diante disso, os discípulos — e a Igreja em todos os tempos — são chamados a reconhecer Jesus como o Filho amado de Deus e a obedecer fielmente à sua palavra, acima de qualquer outra voz ou autoridade

Ev. WELIANO PIRES 

28 janeiro 2026

A DIVINDADE DO FILHO

(Comentário do 1° tópico da Lição 5: O Deus Filho)

Neste primeiro tópico, estudaremos a divindade de Cristo, tomando por base a Sua concepção virginal e os Seus atributos divinos, os quais evidenciam a Sua plena divindade (Mt 1.18,23; Jo 1.1). 
1. A Concepção Virginal de Jesus. A concepção virginal de Jesus foi um ato miraculoso operado pelo Espírito Santo. Esse fato foi profetizado por Isaías cerca de setecentos anos antes do A concepção virginal de Jesus foi um ato sobrenatural realizado pelo Espírito Santo, sem intervenção humana. Tal evento não ocorreu de forma acidental, mas foi anunciado profeticamente séculos antes do nascimento de Cristo, confirmando o cumprimento das promessas messiânicas:
“Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.” (Is 7.14).
O evangelista Mateus, escrevendo especialmente aos judeus, identifica claramente o cumprimento dessa profecia na pessoa de Jesus Cristo:
“E tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, dizendo: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamarão o seu nome Emanuel, que traduzido é: Deus conosco.” (Mt 1.22,23).
Alguns judeus e teólogos liberais rejeitam a doutrina da concepção virginal, baseando-se em uma discussão linguística envolvendo os termos hebraicos ‘almah’ (jovem) e ‘betulah’ (virgem). Argumentam que Isaías teria se referido apenas a uma jovem, e não necessariamente a uma virgem.
Entretanto, embora ‘almah’ signifique uma jovem solteira, no Antigo Testamento essa palavra nunca se refere a uma mulher que não seja virgem. Além disso, a Septuaginta — tradução grega do Antigo Testamento, produzida por judeus séculos antes de Cristo — traduziu ‘almah’ pelo termo grego ‘parthenos’, que significa inequivocamente “virgem”. Isso demonstra que o entendimento judaico original reconhecia o caráter virginal da profecia.
A concepção virginal é uma doutrina bíblica fundamental, pois garante que Cristo assumiu a natureza humana sem herdar a natureza pecaminosa. Não se deve, contudo, confundir essa verdade com a doutrina da “virgindade perpétua de Maria”, ensinada pelo catolicismo romano. Maria era virgem quando concebeu Jesus, mas, posteriormente, teve vida conjugal com José e outros filhos (cf. Mt 13.55).
2. A deidade absoluta do Filho. 
Jesus Cristo é o Filho eterno de Deus e possui a mesma essência e substância do Pai (gr. homoousios). As Escrituras afirmam claramente essa verdade:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (Jo 1.1).
“Eu e o Pai somos um.” (Jo 10.30).
“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Cl 2.9).
“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas.” (Hb 1.3).
Ao encarnar-se, Jesus tornou-se verdadeiramente homem, sem jamais deixar de ser Deus. Após a ressurreição, Ele continuou sendo plenamente humano. Assim, Cristo possui duas naturezas — divina e humana — unidas em uma única pessoa, conforme ensina a cristologia bíblica histórica, em oposição às heresias cristológicas, como o nestorianismo.
Por ser verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e a humanidade:
“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (1Tm 2.5).
A Bíblia afirma de forma direta e inequívoca a divindade de Cristo:
“E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!” (Jo 20.28).
“Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” (1Jo 5.20).
3. Os atributos divinos de Jesus. 
A Bíblia ensina que Deus possui atributos incomunicáveis, isto é, qualidades exclusivas da divindade. Esses atributos também são atribuídos a Cristo, confirmando Sua plena divindade.
1. Imutabilidade. A imutabilidade é o atributo pelo qual Deus não muda em Sua essência, natureza ou perfeição. Essa característica é atribuída a Jesus Cristo:
“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” (Hb 13.8).
2. Eternidade. Deus é eterno, pois nunca teve princípio e jamais terá fim. Nunca houve um tempo em que Deus não existisse. Ele existe acima do tempo e não está sujeito às suas limitações. A Bíblia afirma que o Filho compartilha dessa eternidade: 
“E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” (Cl 1.17).
 “Pai da Eternidade.” (Is 9.6).
3. Onipotência. Deus é onipotente porque todo poder e autoridade pertencem a Ele. Não existe, nem jamais existirá, poder algum capaz de subjugá-Lo. Para Deus, nada é impossível. Este atributo também é atribuído a Cristo:
“Eu sou o Alfa e o Ômega… o Todo-Poderoso.” (Ap 1.8).
4. Onipresença. Deus é onipresente, pois está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. Esse atributo não deve ser confundido com o panteísmo, que ensina que Deus é tudo e tudo é Deus. A onipresença afirma que Deus está em toda parte, sem se confundir com a criação. A Bíblia nos mostra claramente que Jesus é onipresente:
“E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação do mundo.” (Mt 28.20).
5. Onisciência. Deus é onisciente, pois Ele conhece plenamente todas as coisas, visíveis e invisíveis, passadas, presentes e futuras, em todos os lugares do universo. A Bíblia também nos mostra que Jesus é onisciente, pois Ele conhece pensamentos e mistérios que somente Deus conhece:
“Porque ele bem sabia o que havia no homem.” (Jo 2.25).
6. Autoexistência. Deus não foi criado e existe por Si mesmo. Ele é absolutamente autossuficiente, não dependendo de nada nem de ninguém fora de Si para existir ou subsistir. Jesus Cristo, o Filho de Deus também possui este atributo:
“Assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo.” (Jo 5.26).
Ev. WELIANO PIRES

A OBRA DO FILHO

SUBSÍDIO DA REVISTA ENSINADOR CRISTÃO Nesta lição, veremos que a morte vicária do Senhor Jesus revela o propósito do Pai em conceder perdão ...