24 junho 2026

O LEGADO DE ABRAÃO

(Comentário do 1° tópico da Lição 13: O legado de Abraão, Isaque e Jacó)


No primeiro tópico, estudaremos o legado do patriarca Abraão, personagem que foi objeto de estudo nas lições 1 a 7 deste trimestre.


Abrão vivia com seus pais, irmãos e parentes em Ur dos caldeus, na antiga Mesopotâmia, quando recebeu o chamado divino para deixar sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, dirigindo-se para uma terra que Deus lhe mostraria (Gn 12.1; At 7.2-4).


O alcance do legado de fé de Abraão ultrapassa os limites de sua própria vida e de sua descendência natural. Deus lhe fez promessas que não se restringem a Israel, mas alcançam também a Igreja e toda a humanidade. Entre elas, destaca-se a promessa de que, em sua descendência, seriam benditas todas as famílias da terra (Gn 12.3; 22.18; Gl 3.8,16).


Ao ser chamado por Deus, Abrão demonstrou fé incondicional e obediência imediata, pois atendeu à ordem divina sem conhecer todos os detalhes do plano de Deus. Pela fé, partiu sem saber para onde ia, confiando inteiramente na direção do Senhor (Gn 12.4; Hb 11.8).


Deus se agradou da resposta de Abrão ao seu chamado e lhe fez diversas promessas, posteriormente reafirmadas a seu filho Isaque e a seu neto Jacó (Gn 26.3-5; 28.13-15). Durante toda a sua vida, Abraão viveu como peregrino, habitando em tendas, pois aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor (Hb 11.9,10).


1. O alcance do legado de fé de Abraão. O legado de Abraão não foi material, mas espiritual. Sua vida tornou-se um exemplo permanente de fé, obediência e confiança nas promessas de Deus, inspirando gerações a andar segundo a vontade do Senhor (Rm 4.11,12,16; Hb 6.12).


Abrão nasceu em Ur dos caldeus, na antiga Mesopotâmia. De acordo com Josué 24.2, seus antepassados, incluindo Terá, seu pai, serviam a outros deuses. É possível que o próprio Abrão também compartilhasse desse contexto religioso antes de conhecer o verdadeiro Deus. A Bíblia não informa de que maneira ocorreu seu primeiro contato com o Senhor. Contudo, Gênesis 11.31 relata que Terá saiu de Ur acompanhado de Abrão e de seus familiares com o propósito de ir à terra de Canaã.


Ao chegarem a Harã, estabeleceram-se ali e permaneceram naquele lugar até a morte de Terá (Gn 11.31,32). Depois disso, Abrão recebeu o chamado divino para deixar sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, a fim de seguir para a terra que Deus lhe mostraria (Gn 12.1; At 7.2-4).


Juntamente com o chamado, Deus fez promessas a Abrão que ultrapassavam os limites de sua própria existência e alcançariam todas as gerações. Entre elas, destaca-se a declaração: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). O propósito divino revelado a Abraão envolvia a formação do povo de Israel, o surgimento da Igreja e a salvação oferecida a todas as nações por meio de Jesus Cristo.


O Novo Testamento revela que essas promessas encontram seu pleno cumprimento em Cristo. Por isso, Jesus é apresentado como o descendente prometido de Abraão, por meio de quem a bênção divina alcança todas as nações da terra (Mt 1.1; Gl 3.8,16). Dessa forma, o legado de Abraão transcende sua descendência biológica e alcança todos aqueles que, pela fé em Cristo, tornam-se herdeiros das promessas de Deus (Rm 4.16; Gl 3.29).


2. A fé incondicional de Abraão. Abraão demonstrou uma fé incondicional nas promessas de Deus. Ele deixou sua terra, sua parentela e a segurança da vida que possuía em Ur dos caldeus, uma das principais cidades da antiga Mesopotâmia, para seguir em direção a um lugar que Deus ainda lhe mostraria (Gn 12.1-4).


O texto de Hebreus 11.8 destaca que Abraão saiu sem saber para onde ia. Ele não possuía todas as respostas, mas confiava naquele que havia feito a promessa. Mesmo vivendo em um contexto marcado pela idolatria e sem possuir a revelação escrita das Escrituras, Abraão creu na palavra que havia recebido do Senhor e demonstrou uma fé obediente (Js 24.2; Hb 11.8).


A fé verdadeira em Deus obedece mesmo sem conhecer todos os detalhes do caminho; confia antes de ver o cumprimento da promessa e segue as orientações divinas mesmo quando nem tudo está esclarecido. A revelação de Deus ocorre de maneira progressiva, e muitas vezes o Senhor revela o próximo passo enquanto caminhamos em obediência à sua vontade.


Por isso, a caminhada de fé exige confiança plena na Palavra de Deus. Como afirma a Escritura: “Sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6).


3. A resposta ao chamado de Deus. Abrão recebeu o chamado de Deus inicialmente em Ur dos caldeus e, posteriormente, em Harã. Diante da voz do Senhor, ele entregou o curso de sua vida a Deus e partiu em obediência, sem conhecer todos os detalhes do caminho que percorreria. Ele não perguntou como seria a terra para onde iria nem de que maneira sustentaria sua família; simplesmente confiou na promessa daquele que o havia chamado (Gn 12.1-4; Hb 11.8).


Deus prometeu que faria de Abrão uma grande nação e que sua descendência seria numerosa como as estrelas do céu e como a areia do mar (Gn 12.2; 15.5; 22.17). Essa promessa foi feita quando Abrão tinha 75 anos e sua esposa, Sarai, era estéril (Gn 12.4; 11.30). Depois de aproximadamente 25 anos de espera, nasceu Isaque, o filho da promessa, quando Abraão tinha 100 anos e Sara 90 anos (Gn 21.1-5; 17.17).


Durante esse período de espera, Abraão e Sara enfrentaram momentos de fragilidade na fé. Diante da impossibilidade humana de gerar filhos, decidiram recorrer a uma prática comum daquela cultura, e Abraão teve um filho com Agar, serva de Sara, chamado Ismael (Gn 16.1-4,15). Contudo, Deus deixou claro que a aliança seria estabelecida por meio de Isaque, o filho que nasceria de Sara (Gn 17.19,21; 21.12).


Quando Deus reafirmou sua promessa, mudou os nomes de Abrão e Sarai para Abraão e Sara, indicando uma nova etapa no cumprimento do seu propósito (Gn 17.5,15). Um ano depois, nasceu Isaque, demonstrando que a promessa de Deus se cumpriria no tempo determinado por Ele (Gn 21.1-2).


Mais tarde, Deus provou a fé de Abraão ao ordenar que oferecesse Isaque como sacrifício em holocausto (Gn 22.1-2). Abraão demonstrou confiança absoluta no Senhor e seguiu em obediência, crendo que Deus era poderoso até mesmo para ressuscitar seu filho dentre os mortos, se fosse necessário (Hb 11.17-19).


A fé de Abraão não estava fundamentada apenas nas bênçãos recebidas de Deus, mas no próprio Deus que prometeu. Uma fé genuína entrega ao Senhor todas as áreas da vida, confiando em seu caráter santo, em sua soberania e em sua fidelidade (Rm 4.20-21).


Ev. WELIANO PIRES

23 junho 2026

Introdução à Lição 13: O legado de fé de Abraão, Isaque e Jacó

Data: 28 de junho de 2026

TEXTO ÁUREO:

“Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.” (Hb 11.8).

VERDADE PRÁTICA:

Abraão, Isaque e Jacó deixaram um legado de fé em Deus para as futuras gerações.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Hebreus 11.8-12,17-21.

Objetivos da Lição: 

I) Mostrar o legado de fé de Abraão; 

II) Explicar o legado de Isaque; 

III) Conhecer a escolha e o legado de fé de Jacó.

INTRODUÇÃO 

Com a ajuda do Espírito Santo, chegamos ao encerramento de mais um trimestre de estudos em nossa Escola Bíblica Dominical. Nesta oportunidade, estudamos a trajetória dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Embora não tenham sido perfeitos, foram homens alcançados pela graça de Deus e conduzidos por Ele em uma caminhada marcada pela fé, pela obediência e pelo aprendizado espiritual (Hb 11.8-21).


Ao longo destas treze lições, não estudamos apenas a biografia desses patriarcas, mas também o legado espiritual que deixaram para as gerações futuras. Suas vidas nos ensinam que Deus usa pessoas imperfeitas para cumprir os seus propósitos, pois a fidelidade divina não depende da perfeição humana, mas da sua graça e do seu poder transformador (Gn 12.1-3; 28.15).


Abraão nos deixou o exemplo de uma fé obediente e confiante nas promessas de Deus (Gn 12.4; Hb 11.8). Isaque nos ensina sobre uma fé perseverante, fundamentada na comunhão com o Senhor e na confiança em sua provisão (Gn 26.24,25). Jacó, por sua vez, revela que Deus transforma vidas por meio de encontros que produzem arrependimento e mudança de caráter (Gn 32.28; 35.2-3).


Aprendemos com os acertos dos patriarcas, mas também com os seus erros e limitações. A Bíblia não apresenta homens idealizados, mas servos que experimentaram a correção, a disciplina e a misericórdia de Deus ao longo da caminhada (Rm 15.4).


Diante disso, somos levados a refletir: que tipo de legado espiritual estamos deixando para nossa família e para as próximas gerações? Como seremos lembrados por aqueles que virão depois de nós? Nossa vida tem transmitido valores que apontam para Deus ou um exemplo que poderá conduzir outros para longe da vontade do Senhor?


O maior legado que podemos deixar não são apenas bens ou realizações pessoais, mas uma vida de fé, obediência e compromisso com Deus, capaz de influenciar positivamente aqueles que caminham depois de nós (Sl 78.5-7; 2Tm 1.5).


Palavra-Chave: RECONCILIAÇÃO


(Eu imagino que houve um equívoco e a CPAD acabou repetindo a palavra-chave da lição passada, que não tem nada a ver com o tema desta lição. A palavra-chave ideal para esta lição seria “Legado”).


LEGADO 


A palavra legado vem do latim legatum, que significa “aquilo que foi deixado por testamento”, “herança” ou “bem transmitido a alguém”. Com o passar do tempo, o significado dessa palavra foi ampliado e passou a se referir não apenas a bens materiais, mas também aos valores, ensinamentos, exemplos, influência e princípios que são transmitidos de uma geração para outra.


No contexto desta lição, aprendemos que Abraão, Isaque e Jacó deixaram muito mais do que uma descendência numerosa e uma herança material. Eles deixaram um patrimônio espiritual: um legado de fé, marcado pela confiança nas promessas de Deus, pela obediência à sua Palavra e por um relacionamento pessoal com o Senhor. Esse legado foi transmitido às gerações seguintes e continua sendo um exemplo para todos aqueles que desejam viver uma fé verdadeira em Deus (Hb 11.8-21).


Ev. WELIANO PIRES


20 junho 2026

A FAMÍLIA DE JACÓ SEGUE SEU CAMINHO


(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 12: A reconciliação de Jacó com Esaú)

Neste terceiro e último tópico, veremos o caminho percorrido por Jacó e sua família após o reencontro com seu irmão Esaú. Como já estudado, houve reconciliação entre ambos (Gn 33.4–11), mas, a partir desse momento, cada um seguiu sua própria trajetória, conforme o propósito e o contexto de suas vidas.

Esaú retornou para a região montanhosa de Seir, estabelecendo-se em Edom e consolidando sua descendência ali (Gn 33.16; Gn 36.6–8). Jacó, por sua vez, dirigiu-se a Sucote e, posteriormente, chegou a Siquém, onde se estabeleceu na terra de Canaã (Gn 33.17–18).

Nesse percurso, observamos que Jacó ainda não havia retornado imediatamente a Betel, conforme a orientação que recebera do Senhor. Sua família, nesse período, enfrentaria situações que revelariam a necessidade de uma redireção espiritual e de maior alinhamento com a vontade divina.

Mais adiante, Jacó retorna a Betel, onde edifica um altar ao Senhor e conduz sua casa a um processo de consagração e abandono de ídolos, reafirmando sua aliança com Deus (Gn 35.1–4, 7).

1. Os irmãos se separam. Jacó teve um encontro marcante com Deus em Peniel (Gn 32.24-30). Em seguida, ocorreu o temido reencontro com seu irmão Esaú, após cerca de vinte anos de separação. Contrariando os temores de Jacó, Esaú o recebeu com disposição para a reconciliação. Os dois irmãos se abraçaram, choraram juntos e restabeleceram a paz entre si (Gn 33.4). Depois desse encontro, cada um seguiu o seu próprio caminho: Esaú retornou para Seir, enquanto Jacó prosseguiu em direção à terra de Canaã (Gn 33.16,17).

A experiência de Jacó e Esaú nos ensina que o perdão e a reconciliação são valores fundamentais para o povo de Deus. Contudo, reconciliar-se nem sempre significa retomar a convivência nos mesmos moldes de antes. Em determinadas situações, pode haver perdão genuíno sem que haja uma convivência próxima. O essencial é que o coração esteja livre da mágoa, do ressentimento e do desejo de vingança (Rm 12.18,19).

A Palavra de Deus ensina que o cristão deve cultivar uma atitude perdoadora, seguindo o exemplo do próprio Deus. A falta de perdão aprisiona a pessoa ao passado e compromete sua comunhão com o Senhor. Por isso, o apóstolo Paulo exorta os crentes: “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4.32). Da mesma forma, Jesus ensinou que devemos perdoar aqueles que nos ofendem (Mt 6.14,15).

2. Jacó não retorna para a casa de seu pai. Infelizmente, Jacó não cumpriu imediatamente a orientação que Deus havia lhe dado para retornar à terra de seus pais. Depois de muitos anos em Padã-Arã, o Senhor ordenou que ele voltasse à sua terra e à sua parentela, reafirmando a promessa feita a Abraão e Isaque (Gn 31.3,13). Contudo, ao chegar a Canaã, Jacó estabeleceu-se em Siquém, em vez de prosseguir diretamente para Betel, o lugar onde Deus havia determinado que ele habitasse (Gn 35.1).

A permanência de Jacó em Siquém trouxe consequências dolorosas para sua família. Foi ali que ocorreu o triste episódio envolvendo sua filha Diná e Siquém, filho de Hamor, que abusou dela (Gn 34.1-2). Como reação, seus filhos Simeão e Levi agiram com vingança desmedida e enganaram os homens da cidade, promovendo uma matança que trouxe grande preocupação a Jacó (Gn 34.25-30).

A escolha de permanecer em Siquém parecia, humanamente, uma decisão conveniente, pois aquela região oferecia boas condições para estabelecer sua família. Entretanto, estar fora do centro da vontade de Deus sempre representa riscos espirituais e familiares. O caminho mais fácil nem sempre corresponde ao propósito divino. Por isso, a experiência de Jacó nos ensina sobre a importância de obedecer plenamente à direção de Deus e confiar em seus planos, pois a vontade do Senhor continua sendo o melhor lugar para a nossa vida (Pv 3.5-6; Sl 37.5).

3. Jacó levanta um altar ao Senhor. Depois de chegar a Siquém, Jacó comprou uma parte do campo onde havia armado sua tenda, dos filhos de Hamor, pai de Siquém (Gn 33.18-19). Nesse local, ele edificou um altar ao Senhor e o chamou de “Deus, o Deus de Israel” (Gn 33.20). Essa atitude demonstra sua gratidão e seu reconhecimento de que sua vida, sua família e suas conquistas dependiam da ação de Deus.

Ao edificar esse altar, Jacó seguiu o exemplo de seus antepassados. Abraão e Isaque também tinham o hábito de levantar altares ao Senhor como expressão de fé, gratidão e adoração (Gn 12.7-8; 13.18; 26.25). Mesmo vivendo em um período anterior à Lei de Moisés e sem uma estrutura formal de culto estabelecida, os patriarcas demonstravam que a verdadeira adoração começa com um relacionamento de fé e comunhão com Deus.

A adoração era uma marca da vida de Abraão, Isaque e Jacó. Da mesma forma, o lar cristão deve ser um ambiente onde Deus ocupa o primeiro lugar. O “altar” da família não é uma construção de pedras, mas uma vida dedicada ao Senhor, marcada pela oração, pelo ensino da Palavra e pelo compromisso de servir a Deus com fidelidade e reverência (Dt 6.6-7).

Por isso, precisamos refletir: o que tem ocupado o primeiro lugar em nossa casa? Quais valores e prioridades têm sido estabelecidos em nossa família? Quando Deus chamou Jacó para Betel, ele ordenou que sua casa abandonasse os deuses estrangeiros e se purificasse diante do Senhor (Gn 35.1-4). Isso revela que não pode haver verdadeira adoração quando existem outros elementos ocupando o lugar que pertence exclusivamente a Deus.

Nos dias atuais, muitos “altares” podem tentar substituir a presença de Deus no lar, como o materialismo, o individualismo, o entretenimento excessivo ou qualquer outra prioridade que tome o lugar do Senhor. Uma família espiritualmente forte é construída quando Deus é colocado como fundamento e centro de todas as coisas. Tudo aquilo que ocupa o lugar devido somente ao Senhor torna-se uma forma de idolatria e precisa ser rejeitado (Mt 6.33; 1Jo 5.21).

Ev. WELIANO PIRES

O ENCONTRO ENTRE JACÓ E ESAÚ


(Comentário do 2⁰ tópico da lição 12: A reconciliação de Jacó com Esaú)

Neste tópico, estudaremos o encontro entre os irmãos Jacó e Esaú, após cerca de vinte anos de separação, ocasionada pelo conflito que surgiu quando Jacó recebeu a bênção destinada ao primogênito (Gn 27.41-45). Durante esse período, Esaú alimentou o propósito de vingar-se do irmão, o que levou Jacó a fugir para a casa de Labão.

Inicialmente, veremos a providência divina atuando para promover um reencontro pacífico entre os irmãos. Jacó estava apreensivo diante da possibilidade de encontrar Esaú, especialmente ao saber que ele vinha ao seu encontro acompanhado por quatrocentos homens (Gn 32.6). Contudo, após sua experiência transformadora com Deus em Peniel (Gn 32.24-30), Jacó avançou com humildade e reverência, inclinando-se à terra sete vezes diante de seu irmão (Gn 33.3).

Veremos também como Deus operou poderosamente naquela situação, tornando possível a reconciliação. Ao encontrar Jacó, Esaú correu ao seu encontro, abraçou-o, lançou-se ao seu pescoço, beijou-o, e ambos choraram (Gn 33.4). O gesto demonstra que o ressentimento que existia anteriormente já não dominava o coração de Esaú.

Por fim, observaremos que esse encontro resultou em uma verdadeira reconciliação entre os irmãos. O Senhor preservou a vida de Jacó e conduziu os acontecimentos de modo que sua promessa continuasse a cumprir-se na linhagem patriarcal (Gn 28.13-15). A humildade demonstrada por Jacó e a disposição de Esaú para recebê-lo evidenciam como Deus pode restaurar relacionamentos marcados por conflitos, mágoas e separações.

1. Deus entra em ação. O texto de Gênesis 33.3 declara: “E ele mesmo passou adiante deles e inclinou-se à terra sete vezes, até chegar a seu irmão”. Essa atitude de Jacó revela uma profunda transformação em seu caráter. Aquele que, no passado, agiu com astúcia ao obter a bênção patriarcal destinada a Esaú (Gn 27.18-29), agora aproxima-se do irmão com humildade e reverência.

Jacó estava apreensivo quanto à reação de Esaú. As lembranças dos acontecimentos passados certamente pesavam sobre sua consciência, e a notícia de que seu irmão vinha ao seu encontro acompanhado de quatrocentos homens aumentava ainda mais sua preocupação (Gn 32.6,7). Seu temor era compreensível, pois a ira de Esaú havia motivado sua fuga para Padã-Arã muitos anos antes (Gn 27.41-45).

Entretanto, após buscar a Deus em oração e ter uma experiência transformadora em Peniel (Gn 32.24-30), Jacó demonstrou uma nova postura diante da situação. A obra de Deus em sua vida refletiu-se em seu comportamento. Ao inclinar-se sete vezes diante de Esaú, expressou respeito, reconhecimento dos erros do passado e disposição para a reconciliação. Seu gesto evidencia uma atitude de humildade que contrasta com a forma como havia agido em sua juventude.

Convém observar que a Escritura distingue a venda da primogenitura da obtenção da bênção paterna. O direito de primogenitura havia sido negociado entre os irmãos anteriormente (Gn 25.29-34), enquanto a bênção de Isaque foi recebida por Jacó mediante o engano narrado em Gênesis 27. Ambas as situações contribuíram para o agravamento do conflito familiar.

Os erros cometidos produzem consequências e, muitas vezes, despertam temor em nosso coração. Entretanto, a humildade aliada à confiança em Deus favorece a superação dos conflitos e a restauração dos relacionamentos. A Palavra de Deus ensina que o Senhor resiste aos soberbos, mas concede graça aos humildes (Tg 4.6; 1Pe 5.5). O próprio Jesus Cristo é o supremo exemplo de mansidão e humildade, convidando seus discípulos a aprenderem dEle (Mt 11.29; Fp 2.5-8).

Muitas reconciliações deixam de acontecer porque as pessoas não estão dispostas a dar o primeiro passo. O exemplo de Jacó nos ensina que a humildade pode abrir caminho para a paz, para o perdão e para a restauração da comunhão.

2. Esaú abraça e beija Jacó. A atitude humilde de Jacó encontrou uma resposta surpreendente da parte de Esaú. O relato bíblico registra: “Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram” (Gn 33.4). Aquele que, anos antes, havia manifestado o desejo de matar o irmão em razão dos acontecimentos envolvendo a bênção paterna (Gn 27.41), agora o recebe com demonstrações de afeto, acolhimento e reconciliação.

Esse encontro evidencia a providência de Deus atuando na vida dos dois irmãos. Embora o texto bíblico não descreva os processos que levaram à mudança de atitude de Esaú, sua reação demonstra que o ressentimento e o desejo de vingança já não determinavam suas ações. O Senhor, que dirige a história segundo os seus propósitos, operou de modo a tornar possível a restauração daquele relacionamento familiar (Pv 21.1).

Nesse episódio, observamos o poder da graça divina na restauração dos relacionamentos. Esaú agiu de forma muito diferente do que Jacó esperava. Em vez de retribuir o mal com o mal, acolheu o irmão com amor e cordialidade. Sua disposição conciliadora também se evidencia quando reluta em aceitar os presentes oferecidos por Jacó, afirmando: “Eu tenho bastante, meu irmão; seja para ti o que tens” (Gn 33.9).

A reconciliação produz cura para feridas que, muitas vezes, permanecem abertas por longos períodos. Após cerca de vinte anos de separação, os irmãos choraram juntos, demonstrando que aquele reencontro representava a restauração de uma comunhão familiar profundamente abalada pelos acontecimentos do passado. O abraço de Esaú e as lágrimas compartilhadas por ambos revelam a força restauradora do perdão.

Deus continua restaurando famílias e relacionamentos marcados por conflitos, mágoas e afastamentos. Quando o Senhor opera nos corações, situações aparentemente insolúveis podem ser transformadas. Entretanto, a reconciliação exige humildade, disposição para reconhecer a própria responsabilidade e sincero desejo de perdoar e restabelecer a comunhão (Mt 5.23,24; Ef 4.31,32; Cl 3.13).

O reencontro entre Jacó e Esaú demonstra que o perdão não apaga o passado, mas permite que as feridas sejam tratadas pela graça de Deus. Assim, relacionamentos que pareciam definitivamente perdidos podem ser restaurados para a glória do Senhor.

3. O perdão verdadeiro. O reencontro entre Jacó e Esaú revela uma notável restauração do relacionamento entre os irmãos. De um lado, Jacó demonstrou uma sincera disposição para a paz ao aproximar-se de Esaú com humildade e reverência (Gn 33.3). De outro, Esaú o recebeu com acolhimento, afeição e cordialidade, sem apresentar qualquer atitude de hostilidade ou desejo de vingança (Gn 33.4). As atitudes de ambos evidenciam que o relacionamento rompido havia sido restaurado.

A narrativa bíblica demonstra que a graça de Deus foi maior do que os conflitos do passado. Onde antes havia medo, ressentimento e separação, agora havia paz e reconciliação. O encontro dos irmãos confirma que Deus é poderoso para restaurar relacionamentos que parecem irreparáveis e para transformar situações marcadas pela dor e pelo afastamento.

A Palavra de Deus ensina que o caminho para a reconciliação não é ignorar a ofensa nem agir como se nada tivesse acontecido. Ao tratar dos relacionamentos interpessoais, Jesus ensinou que a parte ofendida deve buscar o diálogo e a restauração da comunhão (Mt 18.15-17). Em outro momento, o Senhor também destacou a importância de tomar a iniciativa da reconciliação quando há conflitos entre irmãos (Mt 5.23,24).

Conflitos prolongados podem enfraquecer famílias, amizades e até mesmo a comunhão da igreja. Por isso, o cristão deve agir como instrumento de paz e reconciliação. Sempre que possível, deve buscar o entendimento, oferecer perdão e estar disposto a corrigir aquilo que estiver ao seu alcance. Embora a reconciliação dependa da disposição das partes envolvidas, a Escritura orienta: “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18).

O perdão e a reconciliação glorificam a Deus porque refletem sua graça e seu amor. O exemplo de Jacó e Esaú nos ensina que relacionamentos profundamente abalados podem ser restaurados quando há humildade, disposição para a paz e confiança na ação do Senhor. Como ensinou Jesus: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9).

Ev. WELIANO PIRES

19 junho 2026

IRMÃOS EM CONFLITO

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 12: a reconciliação de Jacó com Esaú)

Neste primeiro tópico, trataremos do conflito entre os irmãos Esaú e Jacó. Embora esse assunto já tenha sido estudado detalhadamente na Lição 9, faz-se necessário retomá-lo para contextualizar a reconciliação entre ambos, tema central desta lição.

Inicialmente, abordaremos a transformação que Deus realizou no caráter de Jacó. Conforme vimos nas duas últimas lições, Jacó era conhecido por sua astúcia e por tirar vantagem das situações em benefício próprio (Gn 25.29-34; 27.1-29). Entretanto, ele teve dois encontros marcantes com Deus. O primeiro ocorreu em Betel, quando sonhou com uma escada que ligava a terra ao céu e ouviu pessoalmente as promessas divinas (Gn 28.10-22). O segundo aconteceu no vau de Jaboque, onde lutou com um ser celestial e teve seu nome mudado de Jacó para Israel, simbolizando uma profunda transformação espiritual (Gn 32.22-32).

Em seguida, veremos que Deus também operou no coração de Esaú. Anteriormente, ele havia prometido matar seu irmão em razão do episódio da bênção paterna (Gn 27.41). Esaú era um homem acostumado à caça e possuía grande influência, vindo ao encontro de Jacó acompanhado de quatrocentos homens (Gn 32.6). Diante dessa notícia, Jacó ficou profundamente temeroso e buscou a Deus em oração (Gn 32.7-12). Contudo, após a experiência transformadora no vau de Jaboque, ele descobriu que Deus já estava trabalhando na vida de seu irmão. Assim, o encontro entre ambos ocorreu em clima de paz e reconciliação (Gn 33.1-4).

Por fim, trataremos de Raquel, a esposa amada de Jacó. Ao preparar-se para encontrar Esaú, Jacó elaborou uma estratégia peculiar. Colocou à frente as servas e seus filhos; em seguida, Leia e seus filhos; e, por último, Raquel e seu filho José (Gn 33.1-2). Essa disposição revela a preferência afetiva de Jacó por Raquel e José, demonstrando sua intenção de protegê-los diante de um possível conflito.

1. Jacó. A história do conflito entre Jacó e Esaú teve início ainda no ventre de Rebeca. As Escrituras relatam que os gêmeos lutavam entre si antes mesmo de nascerem. Sem compreender o significado daquela situação, Rebeca consultou o Senhor, que lhe revelou haver duas nações em seu ventre e que o maior serviria ao menor (Gn 25.21-23).

Após o nascimento, a rivalidade entre os irmãos tornou-se ainda mais evidente. A disputa pela primogenitura e pela bênção paterna gerou divisão, ressentimento e desejo de vingança (Gn 25.29-34; 27.1-41). Em certa ocasião, Jacó aproveitou-se da fragilidade momentânea de Esaú, que retornava faminto do campo, e negociou com ele o direito da primogenitura. Embora essa atitude pareça estranha à cultura contemporânea, a primogenitura possuía grande valor familiar, social e espiritual no contexto patriarcal.

Após muitos anos de separação, Deus preparou um reencontro que revelou Sua graça e Seu poder transformador. A mudança ocorrida na vida de Jacó não foi resultado de sua capacidade pessoal nem de sua astúcia, mas da ação divina. Com o passar do tempo, ele compreendeu que sua prosperidade e proteção provinham da bênção de Deus e não de seus próprios esforços (Gn 31.42; 32.9-12).

A experiência de Jacó no vau de Jaboque marcou profundamente sua vida espiritual (Gn 32.22-32). Naquela ocasião, ele foi levado a reconhecer sua total dependência de Deus. O homem que durante muitos anos procurou resolver seus problemas por meio de seus próprios recursos aprendeu que a verdadeira vitória é alcançada quando se busca o auxílio do Senhor.

Assim como Jacó, os cristãos também enfrentam lutas espirituais e desafios que exigem dependência de Deus. A verdadeira transformação não ocorre por meio de métodos meramente humanos, mas pela ação divina na vida daqueles que perseveram em oração, adoração e fé. Somente Deus pode transformar o coração humano, restaurar relacionamentos e fortalecer a vida familiar e espiritual.

2. Esaú. Não era apenas Jacó que necessitava da intervenção divina. Esaú também carregava profundas mágoas em seu coração. Depois que Jacó recebeu a bênção destinada ao primogênito, Esaú passou a nutrir ressentimento contra o irmão e planejou matá-lo após a morte de seu pai (Gn 27.41).

É importante observar que Esaú não perdeu a primogenitura apenas por causa da astúcia de Jacó. As Escrituras mostram que ele desprezou esse privilégio ao trocá-lo por um prato de lentilhas, revelando pouco apreço pelas bênçãos associadas à sua posição de primogênito (Gn 25.29-34; Hb 12.16). Dessa forma, suas próprias escolhas contribuíram para as consequências que enfrentou ao longo dos anos.

Após cerca de vinte anos de separação, ocorreu o reencontro entre os irmãos. Embora Jacó estivesse apreensivo e temesse uma reação violenta, Esaú surpreendeu-o com uma atitude de acolhimento. Ao vê-lo, correu ao seu encontro, abraçou-o, lançou-se sobre o seu pescoço, beijou-o, e ambos choraram juntos (Gn 33.4). Aquele gesto demonstrou que o desejo de vingança havia dado lugar à reconciliação.

A mudança observada na atitude de Esaú nos lembra que Deus é capaz de agir nos corações e remover barreiras que parecem intransponíveis. Jacó enviou presentes ao irmão como demonstração de humildade e boa vontade (Gn 32.13-21), mas a reconciliação ocorrida entre eles revela, acima de tudo, a providência e a graça de Deus.

Ainda hoje, existem relacionamentos marcados por feridas, ressentimentos e afastamentos. Embora nem sempre seja possível controlar a reação das outras pessoas, o cristão deve fazer a sua parte na busca pela paz (Rm 12.18). Além disso, jamais deve desistir de orar por aqueles que parecem resistentes à mudança, confiando que Deus continua operando onde os recursos humanos não alcançam.

3. Raquel. Neste ponto, o comentarista abre um parêntese para tratar de Raquel e do problema do favoritismo no ambiente familiar. Esse tema já foi abordado na Lição 9, quando estudamos o conflito entre Esaú e Jacó. A própria narrativa bíblica demonstra que a preferência de Isaque por Esaú e de Rebeca por Jacó contribuiu para o surgimento de tensões e conflitos entre os irmãos (Gn 25.28).

Quando soube que Esaú vinha ao seu encontro acompanhado de quatrocentos homens, Jacó temeu que sua família fosse atacada. Por essa razão, organizou seus familiares estrategicamente, colocando as servas e seus filhos à frente, Lia e seus filhos em seguida, e, por último, Raquel e José, que ocupavam a posição de maior proteção (Gn 33.1,2).

Essa atitude evidencia o amor especial que Jacó nutria por Raquel, a esposa que mais amava (Gn 29.18,20,30), e o apreço que demonstrava por José, o filho de sua velhice (Gn 37.3). Embora tais sentimentos sejam compreensíveis do ponto de vista humano, o tratamento diferenciado contribuiu para o agravamento das tensões familiares. Ao perceberem a preferência do pai por José, os demais irmãos passaram a nutrir inveja e ressentimento contra ele (Gn 37.4).

Entretanto, o conflito não pode ser atribuído exclusivamente ao favoritismo de Jacó. A narrativa bíblica também mostra que os sonhos de José despertaram ainda mais a hostilidade dos irmãos (Gn 37.5-11). Além disso, a atitude pecaminosa deles revelou sentimentos de inveja e ódio que culminaram na venda de José como escravo (Gn 37.11,28). Assim, a história demonstra como decisões equivocadas e pecados pessoais podem comprometer a harmonia familiar.

A Bíblia ensina que o favoritismo pode produzir profundas feridas emocionais e sérios conflitos nos relacionamentos. Pais e mães devem manifestar amor, atenção e cuidado de maneira equilibrada, evitando distinções que provoquem sentimentos de rejeição ou inferioridade entre os filhos. Esse tipo de comportamento pode resultar em ciúmes, rivalidade, competição e conflitos duradouros, comprometendo a paz no lar (Tg 3.16).

A família cristã deve refletir os valores do Reino de Deus, pautando-se pela justiça, pelo amor e pela imparcialidade. O Senhor não faz acepção de pessoas (Rm 2.11; Ef 6.9), e esse princípio deve servir de referência para os relacionamentos familiares. Embora Deus, em sua soberania, tenha transformado os erros daquela família em instrumento para a preservação de Israel e o cumprimento de seus propósitos (Gn 45.5-8; 50.20), a narrativa bíblica não aprova o favoritismo praticado por Jacó. Pelo contrário, evidencia os prejuízos que tal atitude causou dentro de seu próprio lar.

Diante disso, cada cristão deve examinar sua conduta no ambiente familiar, avaliando se tem tratado seus familiares com amor, equilíbrio e justiça ou se, ainda que involuntariamente, tem demonstrado preferência por alguns em detrimento de outros.

Ev. WELIANO PIRES 

18 junho 2026

Parabéns à Assembleia de Deus pelos 115 anos de fundação.

Foto: AD Belém São Carlos/SP

Na Rua Azusa, em Los Angeles
Um fenômeno atípico aconteceu
Em um velho templo abandonado
Uma reunião de crentes ocorreu
Foram cheios do Espírito Santo
E a notícia pelo mundo correu.

Por todo o país se espalhou
Este Movimento Pentecostal
Várias Igrejas foram avivadas
Com grande fervor espiritual
Os crentes foram despertados
Para a missão internacional.

Nesse clima de avivamento
Dois jovens foram impactados
Daniel Berg e Gunnar Vingren
Por Deus foram direcionados
Eles viviam nos Estados Unidos
E para o Brasil foram enviados.

No ano de mil novecentos e dez
Em Belém do Pará chegaram
Não conheciam o nosso idioma
Muitas dificuldades enfrentaram
A Igreja Batista já existia aqui
E nela eles se congregaram.

Entretanto, a mensagem pregada 
Incomodou aos irmãos batistas
A liderança ficou contrariada 
Pois eram cessacionistas
Uma reunião foi marcada
E desligaram os avivalistas 

Junho de mil novecentos e onze
Dezenove crentes se reuniram
Após saírem da Igreja
Por unanimidade decidiram
Criar uma nova denominação
Da obra de Deus não desistiram.

Missão da Fé Apostólica
Foi este o nome escolhido
Para a nova denominação
Pelo Espírito Santo dirigidos
Se espalharam pela nação
Pregando aos oprimidos.

Depois, outros missionários
Ao nosso Brasil chegaram
Para apoiar esta grande obra
Com coragem desbravaram
Os mais longínquos rincões
Cantaram, oraram e pregaram.

Em mil novecentos e dezoito
Mudaram o nome da missão
Tornou-se Assembleia de Deus
Firmada na doutrina e na oração
Pregavam os dons, cura divina
Batismo no Espírito e salvação.

Em mil novecentos e vinte e dois
Foi lançada a primeira edição
Com cem hinos de doutrina sã
O novo hinário da denominação
Que foi chamado Harpa Cristã
Usado no louvor e adoração.

No ano mil novecentos e trinta
A Convenção Geral foi criada
Visando a união e crescimento
Para que a obra fosse divulgada
Decidiram lançar o jornal oficial
Na primeira reunião realizada.

Dez anos depois foi criada
A nossa Casa Publicadora
Pela demanda apresentada
Na expansão evangelizadora
Várias obras foram publicadas
Com mensagens consoladoras

Devido à grande expansão
Surgiram divisões regionais
Chamadas de ministérios
Com suas lideranças locais
Porém estavam vinculadas
Com as diretrizes nacionais.

Com o passar dos anos surgiram
Muitos ministérios e convenções
Que se tornaram independentes
Cada um com suas convicções
Chamam-se Assembleia de Deus
Mas com ela não têm ligações.

Pela Igreja Assembleia de Deus
Eu nutro respeito e gratidão
Foi nela que eu ouvi o Evangelho
Fui criado e aprendi a ser cristão.
Hoje, eu quero parabenizá-la
Pelo aniversário de fundação.

Ev.  Weliano Pires
Assembléia de Deus
Ministério do Belém
São Carlos-SP.



16 junho 2026

Introdução à Lição 12: A reconciliação de Jacó com Esaú

Data: 21 de junho de 2026

TEXTO ÁUREO:

“Então, Esaú correu-lhe ao encontro e abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram.” (Gn 33.4).


VERDADE PRÁTICA:

Em Deus, sempre há possibilidade de perdão e reconciliação.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 33.1-10.


Objetivos da Lição: 

I) Explicar que Jacó e Esaú tinham sérios conflitos; 

II) Mostrar o encontro de Jacó e Esaú;

III) Saber que, depois do encontro com seu irmão, Jacó segue seu caminho.


INTRODUÇÃO 

Estamos nos aproximando do final deste trimestre, e esta penúltima lição será a última dedicada ao estudo da vida do patriarca Jacó. Nesta oportunidade, veremos o reencontro dos irmãos Esaú e Jacó, após cerca de vinte anos de separação, desde que Jacó obteve a bênção da primogenitura e despertou a ira de seu irmão (Gn 27.41).

Dando continuidade à lição anterior, observaremos que Jacó ainda estava apreensivo diante da possibilidade de um confronto com Esaú, que vinha ao seu encontro acompanhado de quatrocentos homens (Gn 32.6,7). Contudo, após sua experiência transformadora com Deus em Peniel (Gn 32.24-30), Jacó demonstrou humildade e disposição para reconciliar-se com seu irmão.

O encontro dos dois não resultou em vingança, mas em perdão e restauração (Gn 33.3,4). Assim, esta lição nos ensina que a graça de Deus pode restaurar relacionamentos rompidos e produzir reconciliação entre aqueles que se dispõem a andar segundo a vontade divina.

Palavra-Chave: RECONCILIAÇÃO


A palavra reconciliação deriva do latim reconciliatio, formada pelo prefixo re (“de novo”, “novamente”) e pelo verbo conciliare (“unir”, “harmonizar”, “promover a concórdia” ou “tornar favorável”). Portanto, a palavra reconciliação significa o restabelecimento de uma relação rompida, a reaproximação entre pessoas ou grupos, ou a restauração da amizade e da harmonia após um desentendimento.


Ev. WELIANO PIRES

13 junho 2026

JACÓ NO VAU DO JABOQUE


(Comentário do terceiro tópico da lição 11: Jacó – De enganador a homem de honra)

Neste terceiro tópico, abordaremos o ponto culminante da trajetória de Jacó: sua passagem pelo vau de Jaboque, onde teve um encontro pessoal com Deus e sua vida foi transformada.

Depois de se reconciliar com Labão, Jacó seguiu o seu caminho em direção à terra de seus pais. Contudo, ainda carregava em seu coração angústia e temor por causa do reencontro com seu irmão Esaú. Ao saber que Esaú vinha ao seu encontro com quatrocentos homens, Jacó ficou preocupado diante daquela situação (Gn 32.6).

Diante disso, Jacó enviou mensageiros e presentes ao seu irmão, buscando uma atitude de paz. Depois de atravessar sua família pelo ribeiro de Jaboque, ficou sozinho e teve um encontro com um ser em forma humana, identificado posteriormente como o próprio Deus, com quem lutou até o amanhecer (Gn 32.24,30; Os 12.3,4).

Ao perceber que não prevaleceria contra Jacó, o Senhor tocou-lhe na articulação da coxa, deixando-o marcado fisicamente. Mesmo ferido, Jacó não desistiu e pediu uma bênção, demonstrando sua dependência de Deus (Gn 32.26). Naquele momento, seu nome foi mudado de Jacó para Israel (Gn 32.28), indicando uma nova identidade e uma transformação realizada pelo Senhor.

1. A angústia e o medo de Jacó. Depois de se reconciliar com seu sogro Labão, Jacó seguiu em direção à terra de seus pais. No caminho, teve uma experiência marcante ao ver um exército de anjos e reconheceu aquele lugar como “Maanaim”, o acampamento de Deus (Gn 32.1,2). Apesar dessa manifestação divina, Jacó ainda estava angustiado e temeroso por causa do reencontro com seu irmão Esaú, que vinha ao seu encontro com quatrocentos homens (Gn 32.6).

O temor de Jacó se justificava, pois vinte anos antes ele havia enganado seu irmão Esaú, tomando-lhe a bênção, e este havia prometido matá-lo. Agora, diante daquela situação, Jacó temia pela sua vida e pela sua família. Sua reação revela que, mesmo tendo experimentado a proteção e a fidelidade de Deus ao longo de sua caminhada, ainda enfrentava momentos de medo e insegurança.

Diante dessa angústia, Jacó decidiu buscar a Deus em oração, reconhecendo sua total dependência do Senhor e pedindo-lhe proteção. Ele também tomou atitudes para tentar promover a reconciliação com seu irmão, enviando presentes e preparando o encontro com Esaú. 

Todos nós estamos sujeitos a passar por momentos que ameaçam nossa segurança e nos causam medo. Entretanto, nas crises, o melhor caminho é buscar o socorro de Deus e não se desesperar. Assim como Jacó, devemos reconhecer nossa dependência do Senhor, pois Ele é o nosso refúgio, fortaleza e socorro nos momentos de angústia.

2. Jacó ficou só e lutou com o anjo. Depois de conduzir sua família para além do ribeiro de Jaboque, Jacó ficou sozinho e teve um encontro com Deus, lutando com Ele até o amanhecer (Gn 32.24,30; Os 12.3,4). Aquele momento representou um confronto espiritual decisivo, no qual Jacó foi conduzido a reconhecer sua total dependência do Senhor.

Ao perceber a perseverança de Jacó, o Senhor tocou na articulação de sua coxa, deixando uma marca física daquele encontro. Mesmo ferido, Jacó não desistiu e clamou por uma bênção, demonstrando sua dependência de Deus: “Não te deixarei ir, se me não abençoares” (Gn 32.26).

Naquele momento, seu nome foi mudado de Jacó para Israel (Gn 32.28), simbolizando uma nova identidade e a transformação espiritual realizada pelo Senhor em sua vida. O texto bíblico revela que aquela experiência envolvia o próprio Deus, pois Jacó declarou: “Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva” (Gn 32.30).

A atitude de Jacó, em uma noite marcada por angústia e incertezas, nos ensina sobre a importância da perseverança na oração, da dependência de Deus e da disposição para permitir que o Senhor opere as mudanças necessárias em nosso caráter.

3. Jacó é transformado. Depois do encontro com Deus no vau de Jaboque, houve uma mudança decisiva na história de Jacó. O seu nome foi mudado de Jacó — relacionado ao sentido de “agarrado ao calcanhar” e associado à ideia de suplantador — para Israel, que expressa a ideia de alguém que prevalece com Deus. Conforme observamos em lições anteriores, na cultura bíblica o nome possuía um significado profundo, estando frequentemente relacionado à identidade e à história da pessoa.

Portanto, Deus não mudou apenas o nome de Jacó, mas também trabalhou o seu caráter e reafirmou o propósito que havia estabelecido para sua vida. A transformação de Jacó demonstra que o Senhor não apenas abençoa circunstâncias externas, mas opera uma mudança interior na vida daqueles que têm um encontro verdadeiro com Ele.

O encontro no vau de Jaboque nos ensina que Deus trabalha no interior do ser humano, transformando seu caráter e conduzindo-o ao cumprimento dos seus propósitos (2 Co 5.17; Fp 1.6). Aquele que experimenta uma verdadeira comunhão com Deus não permanece dominado pelos antigos padrões de vida, pois o Espírito Santo produz uma nova maneira de viver, refletindo as virtudes do fruto do Espírito (Gl 5.22).

Obs.: Houve um equívoco na sinopse deste tópico, na revista do professor, pois foi repetida a do terceiro tópico da lição anterior, que não tem nada a ver com o assunto deste tópico. 

Podemos substituir pelo seguinte: 

“Jacó passou o vau de Jaboque em profunda angústia e teve um encontro com Deus. Este encontro revela a sua transformação”.

Ev. WELIANO PIRES 

12 junho 2026

JACÓ DESEJA RETORNAR À SUA TERRA

(Comentário do 2º tópico da Lição 11: Jacó - De enganador a homem de honra) 

Neste segundo tópico, abordaremos o desejo de Jacó de retornar à terra de seus pais após vinte anos vivendo na casa de seu tio Labão. Quando chegou àquela região, Jacó nada possuía; entretanto, prosperou grandemente, porque o Senhor o abençoou (Gn 30.43; 31.9). Essa prosperidade despertou a inveja e o descontentamento de Labão e de seus filhos contra ele (Gn 31.1,2).

Diante dessa situação, Jacó manifestou o desejo de voltar à casa de seus pais e solicitou a Labão que o liberasse juntamente com suas esposas e seus filhos (Gn 30.25,26). Contudo, esse propósito não partiu apenas de uma iniciativa pessoal. Deus estava conduzindo Jacó de volta à terra de Canaã, em cumprimento às promessas que lhe havia feito anteriormente (Gn 28.13-15; 31.3).

Ao tomar conhecimento da intenção de Jacó, Labão procurou convencê-lo a permanecer em sua casa e propôs um acordo para que continuasse trabalhando para ele (Gn 30.27,28). Após um período adicional de serviço, o Senhor ordenou que Jacó retornasse à sua parentela, prometendo estar com ele nessa jornada (Gn 31.3).

Em obediência à voz de Deus, Jacó partiu com sua família. Quando Labão soube da partida, saiu em sua perseguição, mas o Senhor interveio e não permitiu que ele causasse qualquer dano a Jacó (Gn 31.22-24). Assim, Deus demonstrou sua fidelidade, protegendo o patriarca e conduzindo-o de volta ao lugar onde cumpriria seus propósitos em sua vida.

1. Jacó almeja retornar para sua casa.

Conforme abordamos no tópico anterior, Jacó chegou a Padã-Arã solteiro, a pé e sem possuir bem algum. Entretanto, o Senhor o abençoou grandemente e, após vinte anos, ele havia constituído família e adquirido muitos bens. Nessa ocasião, Jacó já possuía duas esposas, onze filhos e uma filha — Benjamin ainda não havia nascido —, além de numerosos rebanhos, servos, servas, camelos e jumentos (Gn 30.43).

Toda essa prosperidade despertou a inveja dos filhos de Labão, que diziam: “Jacó tem tomado tudo o que era de nosso pai; e do que era de nosso pai fez ele toda esta glória” (Gn 31.1). Além disso, Jacó percebeu que a atitude de Labão para com ele já não era a mesma de antes (Gn 31.2).

Contudo, o desejo de Jacó de retornar à sua terra não era motivado apenas pela saudade ou pelo desgaste do relacionamento com a família de Labão. Tratava-se também da ação de Deus, que, em sua soberania, dirigia seus passos de volta à terra da promessa. Ali, o Senhor cumpriria as promessas da aliança feitas a Abraão, Isaque e ao próprio Jacó em Betel (Gn 28.13-15; 31.3,13).

2. O acordo entre Labão e Jacó.

Na sociedade patriarcal da época, cabia ao chefe do clã tomar as principais decisões da família. Assim, não bastava que Jacó desejasse partir; era necessário tratar da questão com Labão, seu sogro e patrão. Reconhecendo que havia sido abençoado por causa de Jacó, Labão procurou convencê-lo a permanecer e propôs que continuasse trabalhando para ele (Gn 30.27,28).

Jacó, então, sugeriu um acordo: os animais salpicados, malhados e escuros que nascessem entre os rebanhos seriam o seu salário (Gn 30.32,33). Labão aceitou a proposta, e Jacó continuou servindo ao sogro. A partir daquele momento, passou a trabalhar para formar o patrimônio de sua própria casa (Gn 30.34-36).

O Senhor, porém, abençoou o trabalho de Jacó, fazendo com que seus rebanhos crescessem de forma extraordinária (Gn 30.43; 31.9-12). Dessa maneira, Deus compensou os prejuízos causados pelos anos de exploração e pelas constantes mudanças de salário impostas por Labão (Gn 31.7,41,42).

Essa experiência ensina que há momentos em que Deus nos chama para permanecer e outros em que nos conduz a uma nova etapa de sua vontade. O mais importante não é ficar ou sair, mas discernir e obedecer à direção do Senhor (Ec 3.1; Sl 32.8).

Também devemos compreender que Deus conduz cada pessoa segundo os seus propósitos. A Abraão, o Senhor ordenou que deixasse sua terra e sua parentela para seguir rumo ao desconhecido (Gn 12.1-4). A Jacó, porém, determinou que retornasse à terra de seus pais (Gn 31.3). Em ambos os casos, a bênção estava vinculada à obediência à voz de Deus.

3. Deus manda Jacó retornar à casa de seus pais.

O ambiente na casa de Labão tornou-se cada vez mais hostil para Jacó. Os filhos de Labão o acusavam injustamente de enriquecer às custas de seu pai, quando, na realidade, havia sido Labão quem o explorara durante vinte anos, alterando repetidas vezes o seu salário (Gn 31.1,7,41). Contudo, a prosperidade de Jacó não era resultado apenas de seu trabalho, mas, sobretudo, da bênção de Deus sobre a sua vida (Gn 31.9,12).

Nesse contexto, o Senhor falou claramente a Jacó, ordenando-lhe que retornasse à terra de seus pais: “Torna-te à terra dos teus pais e à tua parentela, e eu serei contigo” (Gn 31.3). Mais adiante, Deus relembrou a experiência de Betel e confirmou que havia visto todas as injustiças praticadas por Labão (Gn 31.12,13).

Sabendo que seu sogro dificilmente aceitaria sua partida, Jacó aproveitou a ausência de Labão, que havia saído para tosquiar suas ovelhas, e partiu com suas esposas, filhos e bens (Gn 31.17-21). Ao saber da fuga, Labão reuniu seus parentes e perseguiu Jacó por sete dias, alcançando-o na montanha de Gileade (Gn 31.22,23).

Entretanto, antes do encontro, Deus advertiu Labão em sonho, dizendo: “Guarda-te, que não fales com Jacó nem bem nem mal” (Gn 31.24). Assim, o Senhor protegeu seu servo e impediu que lhe fosse causado qualquer dano.

Durante esse episódio, Raquel furtou os ídolos domésticos de seu pai sem o conhecimento de Jacó (Gn 31.19). Embora Labão os procurasse insistentemente, não conseguiu encontrá-los (Gn 31.33-35). Ao final, ambos fizeram uma aliança de paz, e Labão retornou à sua terra, enquanto Jacó prosseguiu sua jornada rumo a Canaã (Gn 31.44-55).

A experiência de Jacó nos ensina que, quando Deus nos dirige por um caminho, também cuida de nós durante a caminhada. O Senhor abriu o caminho diante de Jacó, protegeu-o de seus adversários e o conduziu em segurança ao cumprimento de seus propósitos. Da mesma forma, aqueles que obedecem à direção divina podem confiar no cuidado e na fidelidade de Deus (Sl 37.23,24; Is 41.10).

Ev. WELIANO PIRES

11 junho 2026

A FAMÍLIA DE JACÓ

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 11: Jacó – De enganador a homem de honra)

No primeiro tópico, discorreremos sobre a formação da família de Jacó. Esse tema é de grande importância para a história bíblica, pois de seus descendentes surgiriam as doze tribos de Israel, o povo escolhido por Deus para cumprir seus propósitos redentivos na história.

Jacó deixou a casa paterna para fugir da ameaça de seu irmão Esaú e partiu para Padã-Arã, onde passou a viver com seu tio materno, Labão. Ao chegar à terra de seus parentes, sem conhecer ninguém e sem possuir recursos materiais, encontrou sua prima Raquel junto a um poço.

Desejando casar-se com ela, Jacó propôs a Labão trabalhar durante sete anos como dote. Labão aceitou a proposta, mas, ao final dos sete anos, enganou Jacó, entregando-lhe Léia (ou Lia), sua filha mais velha. Posteriormente, permitiu que ele também se casasse com Raquel, mediante o compromisso de trabalhar outros sete anos.

Por meio de Léia, Raquel e de suas servas, Zilpa e Bila, Jacó teve doze filhos e uma filha, dos quais surgiram as doze tribos de Israel. A formação dessa família, porém, não foi resultado apenas de circunstâncias humanas, mas ocorreu sob a direção da providência divina, pois Deus conduzia a história de Jacó para o cumprimento de suas promessas.

1. Um encontro especial. 

Após o encontro com Deus em Betel, onde teve a visão da escada que ligava a terra aos céus e recebeu promessas divinas acerca de sua posteridade e da proteção do Senhor (Gn 28.10–22), Jacó prosseguiu sua jornada até a terra de seus parentes, dando continuidade ao cumprimento do pacto abraâmico na sua história. A viagem foi longa e exaustiva, percorrendo aproximadamente 860 km.

Cansado da caminhada, Jacó chegou a um poço em uma região de Harã, onde pastores davam água aos rebanhos. Ali, ele perguntou de onde eram aqueles homens, e eles responderam que eram de Harã (Gn 29.1–4). Em seguida, Jacó indagou sobre Labão, irmão de sua mãe Rebeca, e foi informado de que ele era bem conhecido entre eles.

Enquanto conversavam, Raquel, filha de Labão, chegou com as ovelhas de seu pai (Gn 29.6). Ao vê-la, os homens informaram Jacó de quem ela era. Movido por iniciativa e gentileza, Jacó ajudou Raquel a dar água ao rebanho e, então, apresentou-se como seu parente, filho de Rebeca (Gn 29.10–12).

Raquel correu imediatamente para contar a seu pai o que havia acontecido. Labão, ao saber da chegada de Jacó, foi ao seu encontro e o recebeu com hospitalidade em sua casa (Gn 29.13–14). Jacó, porém, chegou sem recursos e passou a trabalhar na casa de Labão.

Após um mês de permanência, Labão perguntou qual seria o salário de Jacó, reconhecendo a necessidade de estabelecer um acordo justo para seu trabalho (Gn 29.15). Jacó, já profundamente atraído por Raquel, propôs trabalhar sete anos para poder desposá-la. 

Labão aceitou a proposta, conforme os costumes da época, nos quais o serviço podia ser associado ao pagamento do dote matrimonial. As Escrituras registram que esses anos pareceram poucos dias a Jacó, devido ao amor que tinha por Raquel (Gn 29.18–20).

Deus conduziu Jacó até o cumprimento das promessas feitas em Betel (Gn 28.15), mostrando que o Senhor dirige os passos de Seus servos mesmo em jornadas longas e difíceis. O texto também destaca valores como diligência, perseverança e compromisso no trabalho. 

O amor de Jacó por Raquel é apresentado no relato bíblico como intenso, sacrificial e perseverante (Gn 29.20). Devemos considerar também o contexto cultural da época, no qual o casamento envolvia pactos familiares e prestação de serviço como forma de acordo. 

2. O enganador é enganado. 

Passados os sete anos de trabalho, Jacó preparou-se para casar-se com Raquel, conforme o acordo feito com Labão. Contudo, naquela ocasião, seu tio Labão o enganou, entregando-lhe Lia, sua filha mais velha, em lugar de Raquel (Gn 29.21–25).

O texto bíblico indica que, segundo os costumes do Oriente Próximo antigo, a noiva era conduzida ao encontro do noivo com o rosto coberto por um véu, o que favoreceu o engano. Por isso, Jacó não percebeu imediatamente a troca, vindo a constatar a situação somente na manhã seguinte.

Ao confrontar Labão, Jacó ouviu como justificativa o costume local de que a filha mais nova não poderia ser dada em casamento antes da mais velha (Gn 29.26). Mas, o combinado não era este. Labão, então, propôs conceder também Raquel a Jacó, desde que ele cumprisse mais sete anos de serviço.

Jacó experimenta, nesse episódio, as consequências de suas ações passadas. O mesmo homem que outrora enganara seu pai Isaque, apresentando-se como Esaú para receber a bênção (Gn 27.18–29), agora enfrenta uma situação em que também é enganado. Em outro momento da narrativa, Esaú havia chorado amargamente por causa daquele engano e nutrido desejo de vingança (Gn 27.41).

As Escrituras apresentam esse ciclo como parte da disciplina e do agir soberano de Deus na história, ainda que não se possa reduzir toda consequência à simples retribuição mecânica dos atos humanos. O apóstolo Paulo, ao escrever aos Gálatas, declara: “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7), ressaltando o princípio de responsabilidade moral diante de Deus.

Esse episódio evidencia que as escolhas humanas produzem consequências reais, ainda que Deus permaneça soberano e misericordioso em meio às falhas humanas. A narrativa também reforça a importância da integridade e da verdade nas relações.

Deus perdoa o pecado quando há arrependimento, mas muitas vezes permite que o ser humano enfrente os efeitos de suas próprias decisões, como parte de um processo formativo e pedagógico (Pv 11.18; Gl 6.7). 

3. Muitos filhos. 

A poligamia trouxe consequências terríveis para as famílias, em especial a família de Jacó. Porém, Deus honrou a Jacó e lhe concedeu muitos filhos. Os filhos sempre foram e são “heranças do Senhor”, ou seja, são uma recompensa que Ele nos dá (Sl 127.3).

Jacó teve filhos com Leia e com a serva dela. Também teve filhos com Raquel e sua serva. Com Leia, Jacó teve os seguintes filhos: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom (Gn 29.32-35; 30.17-20), totalizando seis filhos e mais uma filha, a quem deu o nome de Diná (Gn 30.21). Com a serva de Leia, Zilpa, teve dois filhos, Gade e Aser (Gn 30.9-13).

Com sua amada esposa teve dois filhos. São eles: José e Benjamim (Gn 30.22-24; 35.16-19). Com Bila, serva de Raquel, teve mais dois filhos: Dã e Naftali (Gn 30.3-8). Apesar de seus erros, Jacó foi honrado pelo Senhor, e seus filhos tornaram-se os líderes das doze tribos de Israel.

Jacó constituiu sua família em um contexto marcado pela poligamia e por casamentos arranjados mediante acordos familiares. Ele desejava casar-se apenas com Raquel, a quem amava. Porém, depois de ser enganado por seu sogro, Labão, acabou casando-se primeiro com Leia e, posteriormente, com Raquel.

Na cultura em que Jacó viveu, as famílias desejavam ter muitos filhos, pois isso representava aumento da força de trabalho e maior proteção para o grupo familiar. Além disso, os filhos eram considerados um sinal da bênção de Deus. Por essa razão, na casa de Jacó surgiu uma disputa entre suas esposas sobre quem teria mais filhos.

Jacó teve um total de doze filhos homens e uma filha, que posteriormente deram origem às doze tribos de Israel. A primeira esposa a gerar filhos foi Leia. Ela não possuía a mesma beleza de sua irmã Raquel e não havia conquistado o coração de Jacó, pois ele se casou com ela por imposição de seu sogro.

Com Leia, Jacó teve os seguintes filhos: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom, além de sua filha Diná (Gn 29.32-35; 30.17-20). Raquel, porém, era estéril e, ao observar que Leia estava tendo filhos, entregou sua serva Bila a Jacó para que tivesse filhos por meio dela, conforme o costume daquela época. Bila gerou dois filhos: Dã e Naftali (Gn 30.3-8).

Leia também seguiu o mesmo costume e entregou sua serva Zilpa a Jacó, por meio de quem nasceram Gade e Aser (Gn 30.9-13). Finalmente, Deus lembrou-se de Raquel, abriu a sua madre, e ela deu à luz José. Mais tarde, ela também teve Benjamim, mas morreu durante o parto (Gn 30.22-24; 35.16-19).

A poligamia, embora fosse uma prática aceita naquela cultura, trouxe muitos conflitos e sofrimentos para a família de Jacó. Deus permitiu essa prática dentro do contexto histórico em que ela existia, mas o propósito original estabelecido por Deus para o casamento sempre foi a união entre um homem e uma mulher. O Senhor é soberano e realiza os seus propósitos mesmo em meio às limitações e imperfeições humanas.

A Bíblia apresenta vários casos de pessoas que nasceram em contextos familiares marcados por erros e situações contrárias à vontade de Deus, mas que foram alcançadas pelos propósitos divinos. Um exemplo é Tamar, que teve um filho com seu sogro Judá, após seus maridos morrerem sem deixar descendência. Esse filho, Perez, passou a fazer parte da genealogia de Jesus Cristo. A Escritura também apresenta Raabe, uma mulher de Jericó com um passado marcado pela prostituição, mas que, após unir-se ao povo de Deus, tornou-se parte da linhagem messiânica.

Esses exemplos demonstram que Deus cumpre seus propósitos por meio de pessoas imperfeitas, sem, contudo, aprovar os erros cometidos por elas. Ao mesmo tempo, a Bíblia revela que escolhas equivocadas podem trazer consequências dolorosas para a vida familiar.

Por causa da poligamia, Jacó enfrentou diversos conflitos dentro de sua casa. Seu filho primogênito, Rúben, envolveu-se com Bila, concubina de seu pai, trazendo grande desonra à família. Havia também a rivalidade entre Leia e Raquel, intensificada pelo fato de Jacó demonstrar maior amor por Raquel. Além disso, a preferência de Jacó por José acabou despertando inveja e ódio nos demais filhos, que chegaram ao ponto de vendê-lo como escravo aos ismaelitas.

Ev. WELIANO PIRES 

O LEGADO DE ABRAÃO

(Comentário do 1° tópico da Lição 13: O legado de Abraão, Isaque e Jacó) No primeiro tópico, estudaremos o legado do patriarca Abraão, perso...