19 fevereiro 2026

A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 8: O Deus Espírito Santo)

Neste segundo tópico, abordaremos a divindade do Espírito Santo. Iniciaremos tratando do debate “Filioque”, uma expressão latina que significa “e do Filho”.

Na sequência, falaremos sobre os atributos divinos presentes na Pessoa do Espírito Santo, os quais comprovam a sua divindade.

Por último, trataremos dos símbolos do Espírito Santo utilizados na Bíblia, que nos ajudam a compreender o seu caráter e a sua atuação.

1. O debate “Filioque”. A expressão latina filioque significa “e do Filho”, foi inserida no Credo Niceno-Constantinopolitano para reafirmar o ensino bíblico que o Espírito procede do Pai e do Filho: “o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome” (Jo 15.26 — NAA); “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9); “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho” (Gl 4.6). Esse debate ocorreu no século IV em virtude das heresias do arianismo e dos pneumatômacos. Em 381, após confirmar que o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem a mesma essência divina, a igreja aprovou o Credo que ratificava as Escrituras e professava a fé: “no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.

A expressão latina “Filioque” é desconhecida da maioria dos nossos professores e alunos, principalmente onde não há um conhecimento teológico mais aprofundado. Por isso, faz-se necessário trazer uma explicação mais detalhada sobre os concílios da Igreja.

Os concílios eram reuniões da liderança eclesiástica para discutir temas doutrinários e se posicionar a respeito de heresias que surgiam no seio da Igreja. A primeira vez que a Igreja precisou realizar um concílio foi por volta do ano 49 d.C., ainda no período apostólico, para discutir a questão dos judaizantes, que afirmavam: 'Se os gentios não forem circuncidados, não podem ser salvos.' (Concílio de Jerusalém).

Posteriormente, surgiram as chamadas heresias cristológicas que negavam: a humanidade de Cristo (Docetismo e Gnosticismo); a sua divindade (Arianismo); ou a tripessoalidade de Deus (Modalismo). Para responder a essas questões, houve o Concílio de Niceia em 325 d.C., o qual afirmou que o Filho é consubstancial (homoousios) ao Pai, produzindo o Credo Niceno.

Até então, pouco se definia sobre o Espírito Santo. Os credos Apostólico e Niceno diziam apenas 'Creio no Espírito Santo', sem fazer afirmações detalhadas sobre a sua Pessoa. No entanto, com o surgimento da heresia dos pneumatômacos (do grego pneuma 'espírito' e machomai 'combater') — que aceitavam a divindade de Cristo, mas recusavam a do Espírito Santo —, tornou-se necessária uma nova definição.

Para debater esta questão, foi convocado o Concílio de Constantinopla em 381 d.C., que afirmou a divindade da Terceira Pessoa da Trindade e acrescentou as seguintes palavras ao Credo: 'Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado.’

Séculos depois, no século VI, a Igreja Ocidental, no intuito de combater novos focos de arianismo na Espanha, acrescentou a cláusula ao Credo Niceno-Constantinopolitano: 'Que procede do Pai e do Filho (Filioque)'. Até então, o texto oficial dizia que o Espírito Santo procedia apenas do Pai. Esse acréscimo foi um dos principais motivos que provocou a ruptura entre a Igreja Oriental (Ortodoxa) e a Igreja Ocidental (Católica Romana) em 1054, evento conhecido como o 'Grande Cisma do Oriente'.

Na Reforma Protestante, os reformadores mantiveram a posição da Igreja Ocidental. Eles entenderam que tal formulação é bíblica, visto que o Espírito Santo é enviado tanto pelo Pai quanto pelo Filho, conforme João 15:26: 'Mas, quando vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.'”

2. Os atributos divinos do Espírito. Todos os atributos divinos do Pai e do Filho podem ser igualmente relacionados com o Espírito Santo, tais como: Onipotência, o Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas (Lc 1.15; Rm 15.19). Onisciência, não existe nada além de seu conhecimento (At 5.3,4; 1Co 2.10,11). Onipresença, não há lugar algum onde se possa fugir da sua presença (Sl 139.7-10). Eternidade, Ele não passou a existir no Pentecostes, pois estava presente no ato da criação (Gn 1.1,2; Hb 9.14). Esses atributos absolutos são exclusivos da divindade. Tais virtudes são, de modo inequívoco, evidências da deidade do Espírito Santo. Essas características lhe são inerentes, não lhe foram agregadas nem conferidas. A Terceira Pessoa da Trindade possui a mesma essência do Pai e do Filho.

Nas lições em que estudamos a respeito do Pai e do Filho, vimos que ambos possuem atributos exclusivos da divindade, pois nenhuma criatura — seja anjo ou ser humano — os possui. A Bíblia nos revela que esses atributos divinos também pertencem ao Espírito Santo, o que comprova a sua plena divindade.

a) Onipotência. Trata-se de um atributo exclusivo de Deus, pois todo poder e toda autoridade pertencem a Ele. A Bíblia demonstra que o Espírito Santo exerce pleno poder: “Pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus...” (Rm 15.19a).

b) Onisciência. O Espírito Santo conhece todas as coisas, inclusive as profundezas de Deus: “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2.10,11).

c) Onipresença. Significa que Deus está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. O Espírito Santo também possui esse atributo divino, conforme declara o salmista: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no Sheol a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Sl 139.7-10).

d) Eternidade. Atributo divino que afirma que Deus nunca teve princípio e jamais terá fim. Nunca houve um tempo em que Deus não existisse. Ele é eterno, existindo acima do tempo e não sujeito às suas limitações.O Espírito Santo é chamado de “Espírito eterno”: “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hb 9.14).

À luz das Escrituras, afirmamos que o Espírito Santo possui atributos incomunicáveis: onipotência, onisciência, onipresença e eternidade. Tais atributos pertencem exclusivamente a Deus. Portanto, o Espírito Santo é Deus, da mesma essência do Pai e do Filho, coeterno, coigual e consubstancial com ambos.

3. Os símbolos do Espírito. Os principais símbolos representativos do Espírito Santo são: Fogo, utilizado para retratar o batismo no Espírito (At 2.3), simboliza pureza, a presença e o poder de Deus. Água, o Espírito flui da Palavra como águas vivas que refrigeram o crente e o revestem de poder (Jo 7.37-39). Vento, se refere à natureza invisível do Espírito (Jo 3.8). No Pentecostes é representado pelo som como de um vento (At 2.2). Óleo, usado para a luz e a unção, simboliza a consagração do crente para o serviço, e a iluminação para o entendimento das Escrituras (2Co 1.21,22; 1Jo 2.20,27). Pomba, o Espírito desceu sobre Jesus em forma de pomba (Mt 3.16), é símbolo da paz e da mansidão. Cada símbolo atua como figuras para a compreensão do caráter e da atuação do Espírito.

A Bíblia apresenta diversos símbolos que ilustram a ação do Espírito Santo, tais como: o fogo, a água, o vento, o óleo (ou azeite) e a pomba. Entretanto, isso não significa que o Espírito Santo seja qualquer desses elementos, nem que todas as referências bíblicas a esses símbolos se refiram diretamente a Ele.

a) Fogo. O fogo, na Bíblia, geralmente está associado à presença de Deus (Êx 3.2) e simboliza purificação, santificação e poder. No Dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja Primitiva, “foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (At 2.3,4).

O texto não afirma que o Espírito Santo seja fogo, mas que sua manifestação visível ocorreu em forma semelhante a línguas de fogo, indicando sua obra purificadora e capacitadora.

b) Água. A água é indispensável para a vida humana, animal e vegetal. Onde não há água, não há vida. Ela simboliza purificação, renovação e vida espiritual.

Jesus declarou: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” (Jo 7.38). Na sequência, o evangelista explica que Ele se referia ao Espírito Santo, que haviam de receber os que nele cressem (Jo 7.39).

Assim, a água simboliza a ação regeneradora e vivificadora do Espírito Santo.

c) Vento. O vento é invisível, poderoso e não pode ser controlado pelo homem. Nos tempos bíblicos, não se compreendia plenamente sua origem ou direção.

Jesus afirmou: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (Jo 3.8).

O termo grego pneuma pode significar tanto “vento” quanto “espírito”, reforçando a analogia feita por Jesus. O símbolo destaca a soberania e a atuação invisível do Espírito Santo.

d) Óleo ou azeite. Nos tempos bíblicos, o azeite era utilizado como combustível para lâmpadas, como elemento medicinal e na unção de reis, sacerdotes e profetas.

Como símbolo do Espírito Santo, o óleo representa unção, consagração e capacitação divina para o serviço. O apóstolo Paulo declara: “Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus, o qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações” (2 Co 1.21,22).

A unção aponta para a atuação interior do Espírito na vida do crente.

e) Pomba. A pomba é apresentada nas Escrituras como um animal limpo, podendo ser oferecida em sacrifício pelos que não possuíam maiores recursos (Lv 12.8). Também é associada à paz, à simplicidade e à mansidão. 

No batismo de Jesus, o Espírito Santo desceu sobre Ele “como pomba” (Mt 3.16). O texto não afirma que o Espírito seja uma pomba, mas que sua manifestação ocorreu de forma visível semelhante a ela, evidenciando pureza e aprovação divina.

Os símbolos do Espírito Santo revelam aspectos importantes de sua atuação e nos auxiliam na compreensão de sua obra. Entretanto, é necessário cautela na interpretação, evitando alegorizações excessivas ou associações indevidas.

Os símbolos não definem sua essência. O Espírito Santo é Deus, a terceira Pessoa da Trindade, coeterno e coigual com o Pai e o Filho, digno de adoração e obediência.

Ev. WELIANO PIRES 

18 fevereiro 2026

A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO

(Comentário do 1º tópico da Lição 8: O Deus Espírito Santo)

Neste primeiro tópico, estudaremos a Pessoa do Espírito Santo. Inicialmente, veremos que Ele é uma Pessoa, e não uma força impessoal. Na sequência, compreenderemos que, embora o Espírito Santo seja uma Pessoa divina, Ele é distinto do Pai e do Filho. Por fim, abordaremos o Espírito Santo como o Consolador prometido por Jesus aos Seus discípulos.

1. O Espírito Santo é uma Pessoa. Ao afirmarmos que o Espírito Santo é uma Pessoa, estamos declarando uma verdade essencial da fé cristã. A Bíblia não O apresenta como uma força ativa ou mera influência divina, mas como uma Pessoa divina, plenamente participante da Trindade. Ele possui atributos pessoais inconfundíveis como intelecto, sentimentos e vontade.


O apóstolo Paulo ensina que o Espírito Santo revela as profundezas de Deus (1 Co 2.10), demonstrando Seu intelecto. Também adverte os crentes a não O entristecerem (Ef 4.30), evidenciando que Ele possui sentimentos. Além disso, ao tratar dos dons espirituais, o apóstolo afirma que o Espírito distribui a cada um “como quer” (1 Co 12.11), deixando claro que Ele exerce vontade própria. Tais características não podem ser atribuídas a uma energia impessoal, mas a uma Pessoa divina que age de modo consciente e soberano.


As Escrituras também registram a atuação pessoal do Espírito Santo na direção dos servos de Deus. Filipe recebeu uma ordem direta: “Chega-te e ajunta-te a esse carro” (At 8.29). Pedro foi instruído a acompanhar os enviados de Cornélio sem hesitação (At 10.19,29). O apóstolo Paulo e sua equipe missionária foram impedidos de seguir para a Bitínia pelo Espírito (At 16.7). Esses episódios revelam que o Espírito fala, orienta, envia e, quando necessário, impede, conforme o propósito divino.


Sua atuação não se limita ao âmbito individual. Na igreja de Antioquia, enquanto os líderes serviam ao Senhor com jejum e oração, “disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). O texto mostra que o Espírito dirige a Igreja em suas decisões missionárias. De igual modo, a exortação: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7) confirma que Sua voz continua ativa na edificação do Corpo de Cristo.


Portanto, reconhecer a personalidade do Espírito Santo implica desenvolver com Ele um relacionamento consciente e reverente. Não nos relacionamos com uma força, mas com uma Pessoa divina que nos guia, consola, corrige e capacita para o serviço cristão.


2. Pessoa distinta na Trindade. Além de ser uma Pessoa divina, o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho. As Escrituras revelam que Pai, Filho e Espírito Santo são três Pessoas distintas, que subsistem na unidade da mesma essência divina. Não se trata de três deuses, mas de um só Deus em três Pessoas. Também não se trata de uma só pessoa divina que se manifesta de três modos diferentes, como ensina a heresia do modalismo. 


Uma das manifestações mais claras dessa distinção ocorre no batismo de Jesus. O evangelista registra: “E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16,17). Nesse episódio, o Filho é batizado no rio Jordão; o Pai fala dos céus; e o Espírito Santo desce sobre o Filho em forma corpórea, como pomba. As três Pessoas manifestam-Se simultaneamente, evidenciando distinção pessoal.


Outro exemplo marcante encontra-se nas orações de Jesus ao Pai, especialmente na chamada Oração Sacerdotal (Jo 17). Ao declarar: “Eu glorifiquei-Te na terra, tendo consumado a obra que Me deste a fazer. E agora glorifica-Me Tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.4,5), o Senhor demonstra claramente a distinção entre Sua Pessoa e a do Pai. Ele não fala consigo mesmo, mas dirige-Se a Outra Pessoa divina. Ao mencionar “a glória que tinha contigo”, antes da fundação do mundo, afirma Sua preexistência e a comunhão eterna entre o Pai e o Filho.


É importante compreender a diferença entre os termos “distinto” e “diferente”. Embora possam parecer sinônimos, não expressam a mesma ideia. “Distinto” indica que é outro, sem implicar desigualdade de natureza. “Diferente”, por sua vez, sugere desigualdade de essência ou natureza. Na Trindade, as Pessoas são distintas — o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito, e o Espírito não é o Pai —, porém não são diferentes em essência, pois compartilham plenamente a mesma natureza divina.


Assim, afirmar que o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho preserva tanto a unidade de Deus quanto a realidade da comunhão eterna entre as três Pessoas divinas. Trata-se de um mistério revelado nas Escrituras, fundamento da fé cristã histórica e essencial para uma compreensão equilibrada da doutrina de Deus.


3. O Consolador prometido. Antes de Sua ascensão, o Senhor Jesus confortou os discípulos com a promessa da vinda do Espírito Santo. Ele declarou: “E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16). Essa promessa assegurava que a presença divina não seria interrompida com Sua partida, mas continuaria de modo permanente por meio do Espírito Santo.


A palavra grega traduzida por “outro”, nesse texto, é állos, que significa “outro da mesma natureza”. Esse termo difere de héteros, que indica “outro de natureza diferente”. Portanto, ao prometer “outro Consolador”, o Senhor Jesus afirmava que o Espírito Santo seria da mesma essência divina, possuindo a mesma natureza, caráter e poder. Não se trata de uma força inferior ou distinta em essência, mas de uma Pessoa divina igual ao Filho quanto à divindade, embora distinta quanto à Pessoa. Tal verdade refuta interpretações unicistas que negam a distinção pessoal na Trindade.


O termo traduzido por Consolador é parákletos, formado por pará (ao lado de) e kaléō (chamar). A expressão designa alguém chamado para estar ao lado de outro com a finalidade de auxiliar, defender, interceder ou advogar. No contexto jurídico, referia-se a um defensor que atuava em favor de alguém. Assim, o Espírito Santo é apresentado como Aquele que foi enviado pelo Pai, a pedido do Filho, para permanecer ao lado dos crentes, fortalecendo-os, guiando-os e capacitando-os.


Essa promessa também revela a harmonia na atuação das Pessoas divinas: o Filho roga, o Pai envia, e o Espírito Santo vem para habitar nos crentes. Ele dá continuidade à obra de Cristo na vida da Igreja, aplicando a salvação, ensinando a verdade, consolando nos momentos de aflição e capacitando para o testemunho.


Portanto, a promessa do Consolador não é apenas uma declaração doutrinária, mas uma garantia de presença permanente. O Espírito Santo não apenas visita, mas habita no crente, permanecendo para sempre com aqueles que pertencem a Cristo.


Ev. WELIANO PIRES

16 fevereiro 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 8: O DEUS ESPÍRITO SANTO

Data: 22 de fevereiro de 2026

TEXTO ÁUREO

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.” (Jo 14.16).

VERDADE PRÁTICA

O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Trindade, plenamente divino, atuando como Consolador, Ensinador e Santificador da Igreja.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: João 14.25-31.

OBJETIVOS DS LIÇÃO:

I) Mostrar que o Espírito Santo é uma Pessoa, distinta, mas coigual ao Pai e ao Filho; 

II) Evidenciar a plena divindade do Espírito Santo e seus atributos; 

III) Ressaltar as principais obras do Espírito Santo: encarnação, ressurreição e santificação.

INTRODUÇÃO 

Quem é o Espírito Santo? Uma força impessoal ou uma Pessoa divina? Após estudarmos lições específicas acerca das Pessoas do Pai e do Filho, nas próximas três lições nos dedicaremos ao estudo da Pessoa e da Obra do Espírito Santo, com os seguintes temas: O Deus Espírito Santo; Espírito Santo — o Regenerador; e Espírito Santo — o Capacitador.

Nesta primeira lição, cujo tema é “O Deus Espírito Santo”, apresentaremos os conceitos fundamentais acerca da Sua Pessoa, enfatizando que Ele é uma Pessoa divina e não uma força impessoal. O Espírito Santo é uma Pessoa distinta do Pai e do Filho, mas consubstancial com ambos.

Além de ser Pessoa, a Bíblia revela que o Espírito Santo é Deus. Ele possui a mesma essência e natureza do Pai e do Filho. Essa verdade é confirmada tanto pelos atributos divinos que Lhe são conferidos nas Escrituras quanto pelas obras que Ele realiza e pelos símbolos que O representam na Bíblia.

Antes de retornar ao Céu, Jesus prometeu aos Seus discípulos que enviaria outro Consolador, para que estivesse para sempre com eles (Jo 14.16), a fim de consolá-los, ensiná-los e fazê-los lembrar de tudo quanto Ele lhes havia ensinado. Após a ressurreição, Jesus soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20.22).

A partir daquele momento, o Espírito Santo passou a habitar neles. Contudo, Jesus também prometeu o revestimento de poder do Espírito Santo, que viria sobre eles poucos dias depois, com o propósito de capacitá-los para cumprir a missão que lhes fora confiada.

Essa promessa cumpriu-se no Dia de Pentecostes, mas não se limitou àquele evento. Ela continua a se cumprir na vida daqueles que creem e buscam esse revestimento, pois, como declarou Pedro: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.39).

Palavras-Chave: ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo é uma das três Pessoas da Santíssima Trindade, sendo verdadeiro Deus, da mesma essência do Pai e do Filho (Mt 28.19; 2 Co 13.13). 

Ele capacita os crentes para proclamarem a Palavra de Deus com ousadia (At 4.31) e confirma a mensagem do evangelho com sinais que a seguem, segundo a Sua soberana vontade (Mc 16.20; 1 Co 12.4-11).

O Espírito Santo opera também na esfera da salvação. Ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), regenera o pecador (Jo 3.5-8; Tt 3.5) e testifica que somos filhos de Deus (Rm 8.16). É Ele quem aplica no coração humano a obra redentora consumada por Cristo no Calvário. 

Ev WELIANO PIRES 

O DEUS ESPÍRITO SANTO


SUBSÍDIOS DA REVISTA ENSINADOR CRISTÃO / CPAD

Nesta oportunidade, estudaremos sobre a Pessoa do Espírito Santo, que, juntamente com o Pai e o Filho, é plenamente divino e atua para consolar, ensinar e santificar a igreja. A Palavra de Deus nos revela o Espírito Santo como a Terceira Pessoa da Trindade que foi enviada a este mundo para avançar a obra de Cristo. Uma vez que o Filho Unigênito de Deus, que consolava e ensinava Seus discípulos, foi assunto ao Céu, o Pai enviou “outro” Consolador para que estivesse com eles até o fim (Jo 14.16). Este mesmo Espírito da verdade que o mundo não pode receber seria responsável por conduzir os discípulos a cumprir a missão de tornar mundialmente conhecida a mensagem do Evangelho (Mc 16.15). Os três aspectos de Sua atuação (consolo, ensino e santificação) não estariam restritos aos primeiros anos da igreja, mas se estendem às próximas gerações e continuam presentes.


A obra Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal (CPAD) discorre que “a obra do Espírito Santo como Consolador inclui o seu papel como Espírito da Verdade que habita em nós (Jo 14.16; 15.26), como Ensinador de todas as coisas, como aquEle que nos faz lembrar tudo o que Cristo tem dito (14.26), como aquEle que dará testemunho de Cristo (15.26) e como aquEle que convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo (16.8). Não se pode subestimar a importância dessas tarefas. O Espírito Santo, dentro em nós, começa a esclarecer as crenças incompletas e errôneas sobre Deus, sua obra, seus propósitos, sua Palavra, o mundo, crenças estas que trazemos conosco ao iniciarmos nosso relacionamento com Deus. Conforme as palavras de Paulo, é uma obra vitalícia, jamais completada neste lado da eternidade (1Co 13.12)” (2021, p.397).


Não podemos negligenciar a necessidade que temos da Pessoa do Espírito Santo. Sem Sua presença, não podemos exercer o chamado que fomos desafiados a cumprir. É Ele quem nos escolhe para realização da Sua obra a partir da oração (At 13.2). O exercício dos dons espirituais e ministeriais (1Co 12.8-10; Ef 4.11,12), as decisões na condução de Sua obra, a tarefa de convencer os pecadores a Cristo (Jo 16.8) ou mesmo a libertação do pecado ou perdão entre irmãos são obras que dependem inquestionavelmente da atuação do Espírito Santo na Igreja. Nossa dependência dEle é uma forma de glorificá-lO. Quando reconhecemos que sem Ele nada podemos, Sua presença se manifesta para nos mostrar a verdade, direcionar as decisões e nos aconselhar para que tenhamos uma vida sábia.


Fonte:

Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2026, Ed. 104, p.40.



14 fevereiro 2026

A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO

(Comentário do 3º tópico da Lição 7: A Obra do Filho).

No terceiro e último tópico, trataremos da última etapa da obra de Cristo, que foi a Sua gloriosa exaltação pelo Pai.

Veremos que, após passar por todo o processo de humilhação voluntária — tornando-se humano e suportando o sacrifício vicário na cruz — Cristo foi recebido à destra do Pai e entronizado com glória eterna.

Veremos, ainda, que Cristo recebeu do Pai “um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2.9b). Isso significa que nenhuma autoridade visível ou invisível pode se igualar à Sua autoridade suprema.

Por fim, abordaremos a soberania universal e o retorno triunfal de Cristo. O apóstolo Paulo afirma que, após a exaltação de Cristo, todas as criaturas se curvarão diante do nome de Jesus (Fp 2.10), e que Cristo retornará de forma triunfal como Rei e Senhor absoluto de todo o universo.

1. Recebido à destra do Pai. 

A exaltação de Cristo é uma das mais gloriosas verdades da fé cristã. Após cumprir plenamente a obra da redenção, o Filho foi exaltado pelo Pai e entronizado em glória. Essa verdade não é apenas doutrinária, mas também consoladora, pois fundamenta a nossa esperança e assegura o nosso acesso à presença de Deus.

Na Epístola aos Filipenses, o apóstolo Paulo de Tarso declara:

“Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2.9).

A expressão grega hypsýpsōsen significa superexaltar ou elevar à mais alta posição. Essa exaltação é a resposta divina à humilhação voluntária de Cristo, que foi obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.8).

É importante destacar que o Filho nunca deixou de possuir a mesma essência e glória do Pai. Contudo, na encarnação, esvaziou-se voluntariamente, assumindo a forma de servo, sem abrir mão de sua divindade. A exaltação, portanto, não lhe concedeu uma nova natureza, mas manifestou publicamente a sua glória eterna.

Após a ressurreição e ascensão, Cristo foi entronizado à destra do Pai. Estar à “destra” simboliza posição de honra, autoridade e soberania. No contexto monárquico antigo, esse lugar era reservado ao herdeiro do trono, que participava do governo do reino.

Assim, Cristo não apenas retornou ao Céu, mas assentou-se no trono, indicando que sua obra redentora foi consumada. Diferentemente dos sacerdotes do Antigo Testamento, que permaneciam continuamente em pé ministrando, Jesus assentou-se, pois o seu sacrifício foi perfeito e definitivo.

Conforme o próprio Senhor Jesus declarou no Evangelho de João 17.4,5, Ele completou a obra que o Pai lhe confiara e pediu para ser glorificado com a glória que tinha antes que o mundo existisse. Sua entronização, portanto, é o reconhecimento público da missão cumprida.

A exaltação de Cristo tem implicações diretas para a Igreja. À destra do Pai, Ele atua como nosso Advogado e Intercessor. Como ensina Romanos 8.34, Cristo intercede por nós; e, conforme 1 João 2.1, Ele é o nosso Advogado junto ao Pai.

A palavra traduzida por advogado em 1 João 2.1 é “Paracleto” que significa “aquele que é chamado para estar ao lado de outro em um tribunal”, indicando um defensor e auxiliador. Cristo intercede no Céu com base em sua obra consumada. O Espírito Santo, por sua vez, habita em nós e intercede com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26). Não há confusão de funções na Trindade, mas perfeita harmonia na obra da salvação.

Graças à exaltação de Cristo, temos livre acesso à presença de Deus e a certeza de que nossa redenção é eficaz e eterna. O fato de Cristo estar assentado à destra do Pai fortalece nossa fé e renova nossa esperança. A sua obra está consumada, a  sua vitória é definitiva e a sua intercessão é contínua.

2. Um nome acima de todo nome. 

Na segunda parte de Epístola aos Filipenses 2.9, o apóstolo Paulo declara que, após a humilhação voluntária de Cristo (Fp 2.5–8), o Pai “lhe deu um nome que é sobre todo o nome”. Esta exaltação, conforme já falamos, é a resposta divina à obediência perfeita do Filho. Aquele que se humilhou até a morte de cruz foi soberanamente exaltado.

Para compreendermos o significado dessa afirmação, é necessário recordar que o conceito de nome, na Bíblia, difere da concepção moderna. Nas Escrituras, o nome não representa apenas a identificação pessoal, mas está relacionado ao caráter, à autoridade e à posição de quem o possui. Em muitos casos, o nome expressava circunstâncias do nascimento ou características marcantes da vida da pessoa.

No texto de Filipenses 2.9, Paulo afirma que Cristo recebeu um “nome” (gr. onoma) que está acima de todo nome. O termo grego onoma pode referir-se ao nome próprio, à reputação (Mc 6.14), ao caráter (Mt 6.9), à autoridade ou a um título de dignidade concedido a alguém, como César, Herodes ou Faraó. Também pode designar um grupo identificado por determinado nome (Ap 3.4).

Nesse contexto de Filipenses 2.9, o “nome sobre todo nome” aponta para o reconhecimento público do senhorio universal de Cristo. O nome que Jesus recebeu do Pai não se refere a um novo vocábulo, mas à investidura suprema de autoridade, glória e domínio sobre todas as coisas, visíveis e invisíveis. Trata-se da proclamação universal de seu senhorio.

Além disso, Cristo delegou à sua Igreja autoridade para agir em seu Nome contra as forças espirituais da maldade e para realizar sinais que confirmam a proclamação do Evangelho, conforme registrado em Evangelho segundo Marcos 16.17,18:

“Em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.”

Assim, o Nome de Jesus expressa sua autoridade soberana e fundamenta a atuação espiritual da Igreja no cumprimento de sua missão. Se Cristo foi exaltado acima de todo poder e autoridade, a Igreja deve viver debaixo do seu senhorio, confiando plenamente em sua supremacia. Agir em nome de Jesus não é repetir uma fórmula, mas submeter-se à sua vontade e representar seu caráter no mundo.

3. Soberania universal e retorno triunfal. 

Nos versículos seguintes de Filipenses 2.10–11, o apóstolo Paulo declara:

“Ao nome de Jesus se dobrará todo joelho, e toda língua confessará que Ele é o Senhor.”

Muitos estudiosos entendem que essa referência está associada ao título “Senhor” (Kyrios), que expressa a sua plena divindade e soberania. O Antigo Testamento já apontava para isso em Isaías 45.23: “A mim se dobrará todo joelho, e a mim jurará toda língua”. Paulo aplica esse princípio ao nome de Cristo, mostrando a sua divindade e autoridade universal e eterna.

Em sua pregação no dia de Pentecostes, em Atos 2.36 o apóstolo Pedro declarou:

“Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.”

Quer a humanidade creia ou não, Cristo é Senhor absoluto do universo. Sua autoridade é plena e incontestável sobre todos os seres e poderes, visíveis e invisíveis. Atualmente, o reconhecimento dessa autoridade é voluntário, como ensina Epístola aos Romanos 10.9–10:

“A saber: se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.”

Cristo chama a todos para que se submetam ao seu senhorio: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos...” (Mt 11.28); “Se alguém quer vir após mim...” (Mt 16.24); “Quem quiser, tome de graça da água da vida” (Ap 22.17).

Todavia, chegará o dia em que esse reconhecimento será universal e inevitável: todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai (Fp 2.10–11). Essa confissão será voluntária para aqueles que creem e servem a Cristo, conduzindo-os à salvação, e compulsória para os que o rejeitaram, como sinal do juízo vindouro (Rm 14.11; Fp 2.11).

O retorno de Cristo será triunfal, em glória, poder e justiça, e terá um duplo efeito: Para a Igreja haverá Salvação, pois Ele buscará os que o esperam, cumprindo a promessa da esperança cristã (Hb 9.28; Jo 14.2–3). Para os ímpios, no entanto, terá um efeito de juízo. A Sua glória será reconhecida por todos, resultando em condenação para aqueles que o rejeitaram (Mt 24.30).

A soberania de Cristo exige resposta pessoal e congregacional. A Igreja deve viver sob seu senhorio, proclamando o seu Nome com coragem, obedecendo à sua vontade e aguardando vigilante o seu retorno triunfal. Não se trata apenas de confessar verbalmente, mas de agir em obediência e fé.

Ev. WELIANO PIRES

13 fevereiro 2026

A OBRA REDENTORA DO FILHO

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 7: A Obra do Filho)

No segundo tópico, trataremos da segunda parte da obra do Filho de Deus, que é o processo da redenção por meio do Seu sacrifício na cruz do Calvário.

Inicialmente, abordaremos a ineficácia do sacerdócio levítico para a salvação. Esse era um sacerdócio imperfeito, cujos rituais precisavam ser repetidos, e apontava para o sacrifício perfeito de Cristo.

Veremos, ainda, que o sacrifício de Cristo foi único e suficiente para a purificação dos pecados do mundo inteiro, com a condição de que se creia n’Ele.

Por fim, trataremos da substituição vicária do pecador por Cristo. A palavra vicário significa “em lugar de outro”. A justiça divina exige a punição pelos pecados cometidos, e Cristo assumiu a nossa culpa e pagou o preço da nossa redenção. 

1. A ineficácia do sacerdócio levítico. Em todo o Antigo Testamento, Deus utilizou figuras, tipos e personagens que apontavam para a Nova Aliança, para Cristo, para o seu sacrifício e para a Igreja (Cl 2.16,17; Hb 8.5; 10.1). O escritor da Epístola aos Hebreus demonstra que aqueles rituais eram imperfeitos, provisórios e transitórios, pois não podiam aperfeiçoar a consciência do adorador (Hb 7.18,19; 9.9,10).

Dentre as tribos de Israel, Deus escolheu a tribo de Levi para o serviço sagrado (Nm 3.5-12; Dt 10.8). Os membros dessa tribo não receberam herança territorial na Terra Prometida, porque o Senhor era a sua herança (Nm 18.20; Dt 18.1,2), e dedicavam-se exclusivamente ao serviço do Tabernáculo (Nm 1.50-53). 

Os levitas cuidavam da manutenção do Tabernáculo, realizavam a montagem e a desmontagem da estrutura (Nm 4.1-33), preparavam o necessário para os sacrifícios e transportavam os utensílios sagrados. Com a construção do Templo, nos dias de Salomão (1 Rs 6.1; 8.1-11), os levitas passaram a os levitas passaram a exercer outras funções, como porteiros, guardas, músicos, administradores e mestres da Lei (1 Cr 23.1-5; 2 Cr 35.3).

Da tribo de Levi, Deus escolheu a família de Arão, irmão de Moisés, para exercer o sacerdócio (Êx 28.1; 29.9). Arão foi constituído sumo sacerdote, e seus filhos, sacerdotes (Êx 28.41; Nm 18.7). O ministério dos sacerdotes incluía o oferecimento dos sacrifícios no átrio do Tabernáculo (Lv 1–7) e o serviço no Lugar Santo, onde acendiam continuamente as lâmpadas do candelabro (Êx 27.20,21), trocavam os pães da proposição (Lv 24.5-9) e queimavam o incenso sobre o altar de ouro (Êx 30.7,8).

O sumo sacerdote exercia uma função singular, pois atuava como mediador entre Deus e o povo (Lv 16.32-34). Uma vez por ano, no Dia da Expiação (Yom Kippur), ele entrava no Lugar Santíssimo, também chamado Santo dos Santos, levando o sangue do sacrifício para fazer expiação por si mesmo e pelo povo (Lv 16.11-17; Hb 9.7). Ali estava a Arca da Aliança, onde se encontravam as tábuas da Lei (Êx 25.16; 40.20), um vaso com o maná e a vara de Arão que floresceu (Hb 9.4; Nm 17.8-10).

Por não ser perfeito, o sumo sacerdote precisava oferecer sacrifícios por si mesmo antes de interceder pelo povo (Hb 5.1-3; 7.27). Além disso, os sacrifícios eram repetidos continuamente, evidenciando sua insuficiência (Hb 10.1-4,11). O sistema levítico, embora instituído por Deus, era incapaz de remover definitivamente o pecado, pois consistia em sombras e figuras das realidades celestiais (Hb 8.5; 9.23,24).

2. O Sacrifício único e suficiente. Por ser provisório e insuficiente para solucionar plenamente o problema do pecado, o sacerdócio levítico foi substituído pelo sacerdócio de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 110.4; Hb 7.11-17), que é perfeito, eterno e infinitamente superior (Hb 7.23-28; 9.11,12), tendo oferecido um único e suficiente sacrifício pelos pecados (Hb 10.12-14).

Os sacrifícios e rituais da Antiga Aliança eram repetidos continuamente, ano após ano, porque eram incapazes de remover definitivamente o pecado (Hb 9.6-9; 10.1-4). A repetição constante evidenciava sua limitação. Entretanto, Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29; 1 Pe 1.18,19), ofereceu-se em sacrifício uma única vez pelos pecados de toda a humanidade (Rm 6.10; Hb 9.26-28). Seu sacrifício é plenamente suficiente para purificar, de uma vez por todas, aqueles que nele creem (Hb 7.27; 10.10,14; 1 Jo 1.7).

Ao bradar no Calvário: “Está consumado!” (Jo 19.30), consumando a obra redentora, o véu do Templo — que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo — rasgou-se de alto a baixo (Mt 27.50,51; Mc 15.37,38; Lc 23.45). Esse acontecimento simbolizou o fim da antiga ordem sacrificial e a remoção da barreira que separava o homem de Deus, possibilitando o livre acesso à presença do Pai mediante a fé em Cristo (Hb 10.19-22; Ef 2.13-18).

Assim, somente por meio de Cristo é possível a reconciliação do pecador com Deus, pois Ele é o único caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6), e em nenhum outro há salvação (At 4.12; 1 Tm 2.5).

3. A substituição vicária. Com o pecado de Adão e Eva, todos os seres humanos se tornaram pecadores por natureza e incapazes de se reconciliarem com Deus por si mesmos (Rm 3.23). Deus é absolutamente justo e não pode ignorar o pecado. Por isso, a sua justiça exige a punição pelos pecados cometidos.

Por outro lado, Deus é misericordioso e deseja salvar o ser humano da condenação eterna decorrente do pecado. Assim, entregou o seu Filho Unigênito para padecer em nosso lugar, a fim de que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). O hino 18 da Harpa Cristã descreve bem essa verdade ao declarar: “Na cruz estão unidos a justiça e o amor”.

O sacrifício de Cristo foi vicário e expiatório. A palavra vicário deriva do latim vicarius, que significa “no lugar de outro”. Já o termo expiatório procede do latim expiāre, que significa “purificar” ou “reparar uma falta”. Assim, Jesus padeceu em nosso lugar para purificar-nos dos pecados e reconciliar-nos com Deus.

Jesus é o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Ele levou sobre si os nossos pecados (Is 53.4) e realizou a reconciliação entre Deus e a humanidade (2Co 5.18,21). Conforme afirma a Escritura, há “um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1Tm 2.5). Não há outra forma de salvação para os pecadores senão por meio do sacrifício de Cristo.

Ev. WELIANO PIRES

12 fevereiro 2026

A HUMILHAÇÃO VOLUNTÁRIA DO FILHO

(Comentário do 1º tópico da Lição 7: A Obra do Filho)

No primeiro tópico, estudaremos a primeira parte da obra do Filho de Deus: a sua humilhação voluntária. Esse aspecto revela a profundidade do amor de Cristo e apresenta o modelo de vida cristã a ser seguido.

Inicialmente, analisaremos a atitude de submissão de Cristo no cumprimento do plano da salvação. Tal atitude serve de exemplo para o crente, que é chamado a renunciar a toda forma de egoísmo, a buscar o bem do próximo e a viver para a glória de Deus.

Em seguida, refletiremos sobre o esvaziamento da glória de Cristo. Embora sendo Deus, o Filho “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo” (Fp 2.7). Esse esvaziamento não significa que Ele tenha deixado de ser Deus, mas que, voluntariamente, abriu mão de seus privilégios divinos para cumprir a missão redentora.

Por fim, destacaremos a obediência sacrificial de Cristo ao Pai, desde a sua encarnação até a morte na cruz (Fp 2.8). Foi essa obediência perfeita que tornou possível a nossa salvação, e não quaisquer méritos humanos.

1. A Submissão de Cristo

No contexto de Filipenses 2, antes de tratar da submissão voluntária de Cristo, o apóstolo Paulo exorta os crentes a nada fazerem por contenda ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo e priorizando o próximo (Fp 2.1–4).

Na sequência dessa exortação, o apóstolo recomenda: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5).

O texto de Filipenses 2.5–11 é considerado por muitos estudiosos um antigo hino cristológico. Alguns afirmam que esse hino era entoado pelos primeiros cristãos, sendo anterior à Epístola aos Filipenses e posteriormente incorporado ao texto pelo apóstolo Paulo. Não sabemos se essa hipótese procede; contudo, isso em nada altera o valor inspirado e doutrinário da mensagem nele contida.

A palavra grega phroneō, traduzida por “sentimento” nesse texto, vai além de mera emoção. Refere-se a uma disposição interior, a um modo de pensar que se traduz em atitudes concretas. Jesus nos deu o exemplo supremo de humildade e submissão ao Pai. Mesmo sendo Deus, jamais buscou glória para si nem promoveu a si mesmo. A mansidão e a humildade fazem parte de sua própria natureza (Mt 11.29).

2. O Esvaziamento de Sua Glória

Após apresentar o modo de pensar de Cristo como exemplo supremo de humildade e submissão voluntária, o apóstolo Paulo fundamenta sua exortação na própria obra redentora do Senhor:

“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.6,7).

Nesses versículos encontramos verdades profundas a respeito da Pessoa de Cristo, essenciais para a compreensão da doutrina cristã.

a) “Sendo em forma de Deus”

A expressão grega hos morphē theou hyparchōn afirma que Cristo subsistia na forma de Deus antes de sua encarnação. O termo morphē não se refere apenas à aparência externa, mas à manifestação visível de uma realidade essencial. Em outras palavras, Paulo declara que Jesus possui a mesma essência e natureza de Deus.

Temos aqui uma clara afirmação da divindade e da preexistência de Cristo. Ele não passou a existir em Belém; antes, existia eternamente com o Pai. Essa verdade harmoniza-se com João 1.1 e reafirma que Jesus é plenamente Deus.

b) “Não teve por usurpação ser igual a Deus”

Essa expressão não significa que Cristo não fosse igual a Deus, mas que não considerou essa igualdade como algo a que deveria apegar-se para benefício próprio. Ele não explorou sua posição divina em vantagem pessoal.

O texto revela a atitude voluntária de Cristo. Mesmo sendo Deus, não se valeu de seus direitos divinos para evitar o sofrimento da encarnação e da cruz. Aqui vemos o contraste entre o primeiro Adão, que desejou ser igual a Deus (Gn 3.5), e o último Adão, que, sendo Deus, humilhou-se (Rm 5.19; 1Co 15.45).

c) “Aniquilou-se a si mesmo”

A palavra grega ekenōsen (de kenóō) pode ser traduzida como “esvaziou-se”. Esse termo não significa que Cristo deixou de ser Deus ou que tenha perdido seus atributos divinos. Ao longo da história, surgiu uma heresia conhecida como kenoticismo, segundo a qual Cristo teria abandonado atributos como onipotência, onisciência e onipresença ao tornar-se homem. Tal interpretação, porém, não encontra respaldo nas Escrituras.

Colossenses 2.9 declara: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”. Portanto, mesmo encarnado, Cristo continuou sendo plenamente Deus.

Seu esvaziamento consistiu não na perda de sua natureza divina, mas na renúncia voluntária à glória que tinha com o Pai antes que o mundo existisse (Jo 17.5). Ele assumiu a forma de servo e submeteu-se às limitações próprias da condição humana. Essa autolimitação refere-se ao não uso independente de seus atributos, e não à abdicação deles.

3. Obediência Sacrificial até a Cruz

Após discorrer sobre a submissão e o esvaziamento de Cristo, o apóstolo Paulo destaca a profundidade de sua humildade, evidenciada em sua total obediência ao Pai: “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.8).

A obediência de Cristo não foi circunstancial, mas constante e perfeita. Desde a encarnação até o Calvário, Ele submeteu-se voluntariamente à vontade do Pai. O Senhor Jesus afirmou: “Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38). Sua obediência foi espontânea, consciente e amorosa.

O escritor aos Hebreus declara que Cristo “aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hb 5.8), não no sentido de que fosse desobediente, mas porque experimentou plenamente, na condição humana, o custo da obediência. Paulo também ensina que “pela obediência de um, muitos serão feitos justos” (Rm 5.19). Assim, a nossa redenção está diretamente ligada à obediência perfeita do Filho.

A cruz era considerada uma forma de execução cruel e degradante. Aplicada pelo Império Romano a escravos rebeldes, criminosos perigosos e povos subjugados, tratava-se de pena tão desonrosa que não era imposta a cidadãos romanos. Além da dor física, havia a exposição pública e a vergonha.

Para os judeus, a morte por crucificação trazia ainda um peso espiritual, pois estava escrito: “Maldito por Deus é todo aquele que for pendurado no madeiro” (Dt 21.23). Ser suspenso em um madeiro era sinal de maldição e rejeição. Todavia, conforme profetizado por Isaías, o Messias seria “desprezado e o mais rejeitado entre os homens” (Is 53.3).

Na cruz, Cristo assumiu não apenas o sofrimento físico, mas também o peso espiritual do pecado da humanidade. Entretanto, não é na intensidade do sofrimento que reside o valor do sacrifício de Cristo. Muitos outros padeceram mortes cruéis ao longo da história. O valor da cruz está na Pessoa que nela se entregou.

Somente Cristo poderia efetuar essa obra, pois é absolutamente santo e não cometeu pecado (1Pe 2.22). Sua morte não foi mero martírio, mas substituição redentora. Ele se fez maldição por nós (Gl 3.13), a fim de nos libertar da condenação. Assim, o valor do sacrifício está diretamente ligado à identidade singular de Cristo — verdadeiro Deus e verdadeiro homem — e à eficácia de sua obra expiatória.

Ev. WELIANO PIRES

10 fevereiro 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 7: A OBRA DO FILHO

TEXTO ÁUREO:

“Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.” (Fp 2.9).

VERDADE PRÁTICA:

A humilhação voluntária de Cristo, sua obra redentora e sua exaltação gloriosa revelam que somente Ele é digno de toda adoração e obediência.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Filipenses 2.5-11; Hebreus 9.24-28.

Objetivos da Lição: 

I) Explicar a humilhação voluntária de Cristo e sua obediência até a cruz; 

II) Mostrar que a obra redentora do Filho é única, suficiente e vicária; 

III) Ressaltar a exaltação gloriosa de Cristo e sua soberania universal.

INTRODUÇÃO 

Chegamos à última de uma série de três lições que tratam da Pessoa e da obra do Filho de Deus.

Na Lição 5, estudamos a Pessoa do Deus Filho, destacando a sua divindade, a centralidade de Cristo no cumprimento da Lei e dos Profetas, bem como a sua exclusividade como o único Salvador e Mediador entre Deus e os homens.

Na lição anterior, refletimos acerca do Filho como o Verbo de Deus. Vimos a sua preexistência e divindade, sendo Ele distinto do Pai, mas da mesma essência. Também aprendemos que o Verbo é o Criador, a fonte da vida e a luz dos homens. Por fim, compreendemos que o Verbo que se fez carne é a perfeita revelação do Deus invisível, cheio de graça e de verdade.

Nesta lição, à luz dos textos de Filipenses 2.5-11 e Hebreus 9.24-28, estudaremos a obra redentora do Filho de Deus sob três aspectos fundamentais: a sua humilhação, ao assumir a natureza humana; a sua obra redentora, por meio do sacrifício vicário na cruz; e a sua exaltação gloriosa pelo Pai.

Palavra - Chave: OBRA

A palavra obra deriva do substantivo latino opera, que significa “trabalho”, “esforço” ou “atividade”. No latim clássico, opera está relacionada à ideia de trabalho ou tarefa realizada, e foi incorporada ao português como obra, mantendo o sentido de aquilo que é produzido ou executado por alguém.

No contexto desta lição, obra refere‑se ao conjunto de ações pelas quais Cristo se submeteu em favor da humanidade: desde a Sua encarnação, passando pela Sua humanização e pelo sacrifício vicário na cruz do Calvário, até a Sua ressurreição e gloriosa exaltação. Isso significa que toda essa realização foi o ato completo e eficaz de Deus para a redenção dos pecadores.

TÓPICOS DA LIÇÃO 

I. A HUMILHAÇÃO VOLUNTÁRIA DO FILHO

No primeiro tópico, estudaremos a primeira parte da obra do Filho de Deus: a sua humilhação voluntária. Isso revela a profundidade do amor de Cristo e o modelo de vida cristã a ser seguido.

Inicialmente, analisaremos a atitude de submissão de Cristo no cumprimento do plano da salvação. Tal atitude serve como exemplo para o crente, que é chamado a renunciar a toda forma de egoísmo, a buscar o bem do próximo e a viver para a glória de Deus.

Em seguida, refletiremos sobre o esvaziamento da glória de Cristo. Embora sendo Deus, o Filho “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo” (Fp 2.7a). Esse esvaziamento não significa que Ele tenha deixado de ser Deus, mas que, voluntariamente, abriu mão de seus privilégios divinos para cumprir a missão redentora.

Por fim, destacaremos a obediência sacrificial de Cristo ao Pai, desde a sua encarnação até a morte na cruz (Fp 2.8). Foi essa obediência perfeita que tornou possível a nossa salvação, e não quaisquer méritos humanos.

II. A OBRA REDENTORA DO FILHO

No segundo tópico, trataremos da segunda parte da obra do Filho de Deus, que é o processo da redenção por meio do Seu sacrifício na cruz do Calvário.

Inicialmente, abordaremos a ineficácia do sacerdócio levítico para a salvação. Esse era um sacerdócio imperfeito, cujos rituais precisavam ser repetidos, e apontava para o sacrifício perfeito de Cristo.

Veremos, ainda, que o sacrifício de Cristo foi único e suficiente para a purificação dos pecados do mundo inteiro, com a condição de que se creia n’Ele.

Por fim, trataremos da substituição vicária do pecador por Cristo. A palavra vicário significa “em lugar de outro”. A justiça divina exige a punição pelos pecados cometidos, e Cristo assumiu a nossa culpa e pagou o preço da nossa redenção. 

III. A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO

No terceiro e último tópico, trataremos da última etapa da obra de Cristo, que foi a Sua gloriosa exaltação pelo Pai.

Veremos que, após passar por todo o processo de humilhação voluntária — tornando-se humano e suportando o sacrifício vicário na cruz — Cristo foi recebido à destra do Pai e entronizado com glória eterna.

Veremos, ainda, que Cristo recebeu do Pai “um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2.9b). Isso significa que nenhuma autoridade visível ou invisível pode se igualar à Sua autoridade suprema.

Por fim, abordaremos a soberania universal e o retorno triunfal de Cristo. O apóstolo Paulo afirma que, após a exaltação de Cristo, todas as criaturas se curvarão diante do nome de Jesus (Fp 2.10), e que Cristo retornará de forma triunfal como Rei e Senhor absoluto de todo o universo.

Ev. WELIANO PIRES 

09 fevereiro 2026

A OBRA DO FILHO


SUBSÍDIO DA REVISTA ENSINADOR CRISTÃO

Nesta lição, veremos que a morte vicária do Senhor Jesus revela o propósito do Pai em conceder perdão aos pecadores e restaurar toda a criação. A humilhação, a redenção e a exaltação do Filho Unigênito de Deus manifestam a profundidade da obra que Ele realizou. Graças à Sua vida de obediência completa e justiça, bem como ao Seu sacrifício vivo e santo sobre a cruz, temos acesso à salvação eterna.

Enquanto esteve neste mundo, a vida de Jesus foi marcada pela total submissão à vontade do Pai. Não encontramos, em momento algum de Sua vida e ministério, qualquer comportamento que destoasse desse propósito. Pelo contrário, Ele obedeceu até a morte, e morte de cruz (Fl 2.8). Para assumir esse compromisso fiel de submissão, Cristo esvaziou-se da glória que compartilhava com Deus Pai desde a eternidade, antes mesmo que todas as coisas fossem criadas (Jo 17.5).

Conforme explica a Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global (CPAD), a expressão “Aniquilou-se a si mesmo” corresponde ao termo grego ekenōsen (do verbo kenoō, derivado de kenos, “vazio”, “vão”), que literalmente significa “ele esvaziou-se”. Isso não indica que Jesus renunciou à Sua divindade, ou seja, à Sua natureza plena como Deus, mas que voluntariamente deixou de lado Suas prerrogativas divinas.

Esse esvaziamento envolveu a renúncia temporária de Sua glória celestial (Jo 17.4), posição (Jo 5.30; Hb 5.8), riqueza (2Co 8.9), direitos (Lc 22.27; Mt 20.28) e do uso independente de Seus atributos divinos (Jo 5.19; 8.28; 14.10). Não se tratou apenas de uma suspensão voluntária de privilégios, mas também da aceitação do sofrimento humano, dos maus-tratos, do ódio e, por fim, da maldição da morte na cruz.

Embora tenha permanecido totalmente divino, Cristo assumiu plenamente a natureza humana, com todas as tentações, humilhações e fraquezas inerentes à condição humana. Ainda assim, suportou tudo isso sem pecar (vv. 7,8; Hb 4.15). Ele jamais ofendeu ou desafiou a Deus Pai, nem praticou qualquer coisa contrária ao padrão perfeito de Deus.

Por essa razão, Cristo foi capaz de oferecer o sacrifício perfeito, pagando de forma definitiva e completa a pena pelos nossos pecados, de uma vez por todas (1Pe 3.18). Em resposta à Sua obediência e fidelidade, o Pai o exaltou sobremaneira e lhe deu um nome que está acima de todo nome (Fp 2.8-11).

A glória restaurada ao Filho é o sinal da aprovação divina de que Ele cumpriu fielmente todas as coisas. Essa mesma glória, Cristo prometeu compartilhar com aqueles que creram em Seu testemunho e permanecem fiéis a Ele, independentemente das circunstâncias. A esses, o Senhor Jesus prometeu conceder a coroa da vida e o galardão da herança (Ap 2.10; 3.21).

FONTE:

Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, Ed. 104, p.39,

07 fevereiro 2026

O VERBO COMO REVELAÇÃO DO PAI

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 6: O Filho como o Verbo de Deus)

No terceiro tópico, abordaremos o Verbo como a revelação do Pai. Inicialmente, trataremos da encarnação do Verbo, com base na afirmação de João: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória” (Jo 1.14a).

Em seguida, falaremos do Verbo como a plenitude da graça e da verdade, conforme a declaração: “Vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14b).

Por fim, apresentaremos o Verbo como o revelador do Deus invisível, com base em João 1.18, que afirma: “Deus nunca foi visto por alguém; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”.

1. A encarnação do Verbo. Nos primeiros cinco versículos do prólogo do Evangelho segundo João, o apóstolo apresenta afirmações decisivas acerca da Pessoa de Jesus Cristo, que não deixam margem a dúvidas quanto à sua divindade. Ele declara que o Verbo é preexistente, distinto do Pai, plenamente divino, Criador de todas as coisas e a fonte de vida e de luz para a humanidade.

Após afirmar a divindade do Verbo, João declara de modo igualmente enfático a sua plena humanidade. No encerramento do prólogo, ele escreve:

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Nessa afirmação, o evangelista ensina que o Filho eterno de Deus assumiu a natureza humana real, passando a viver entre os homens. Trata-se da doutrina da Encarnação, na qual a natureza divina e a natureza humana unem-se na única Pessoa de Cristo, sem confusão, sem divisão e sem alteração — o que a teologia cristã denomina união hipostática.

O próprio apóstolo reafirma essa verdade em sua Primeira Epístola:

“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram, da Palavra da vida” (1Jo 1.1).

Aqui, João enfatiza a experiência concreta e histórica com Cristo, destacando que Ele foi visto, ouvido e tocado.

A Encarnação do Filho de Deus constitui uma das doutrinas centrais do Cristianismo bíblico. Sobre esse ponto essencial, afirma a Declaração de Fé das Assembleias de Deus:

“Cremos na concepção e no nascimento virginal de nosso Senhor Jesus Cristo, conforme as Escrituras Sagradas e anunciado de antemão pelo profeta Isaías, e que Ele foi concebido pelo Espírito Santo no ventre da virgem Maria.”

Essa declaração reafirma que a humanidade de Cristo teve origem sobrenatural, sem, contudo, deixar de ser verdadeira e completa.

Nos primeiros séculos da história da Igreja, surgiram diversas heresias relacionadas à Pessoa e à natureza de Cristo. Os ebionitas e os arianistas negavam a sua divindade, reduzindo-o à condição de mero homem ou de ser criado.

Na direção oposta, surgiram os docetistas e alguns grupos gnósticos, que negavam a verdadeira humanidade de Cristo. O docetismo baseava-se na ideia gnóstica de um dualismo radical entre espírito e matéria, considerando o espírito como bom e a matéria como má.

Segundo essa concepção, se Jesus fosse realmente Deus, não poderia possuir um corpo físico verdadeiro, mas apenas uma aparência humana. Tal ensino, porém, contradiz frontalmente o testemunho das Escrituras.

A Bíblia afirma claramente que Jesus tornou-se verdadeiramente humano, com exceção do pecado. Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas registram detalhes significativos da humanidade de Cristo desde o seu nascimento. Estes relatos evidenciam, de maneira inequívoca, que Jesus possuía um corpo físico real. As testemunhas oculares, genealogias, familiares e circunstâncias históricas confirmam a realidade da sua encarnação.

Marcos, embora não trate do nascimento de Jesus, apresenta-o como um homem que viveu entre as multidões, sentiu cansaço, compaixão e participou ativamente da vida cotidiana, ao mesmo tempo em que realizava milagres.

O apóstolo João, diferentemente dos sinóticos, não descreve o nascimento nem a infância de Jesus, mas inicia o seu Evangelho apresentando-o como o Verbo eterno e divino. Ainda assim, ele afirma explicitamente que esse Verbo se fez carne.

Além de ensinar essa verdade, João foi testemunha ocular da humanidade de Cristo. Juntamente com Pedro e Tiago, integrou o círculo mais próximo dos discípulos. Em diversas ocasiões, eles tocaram em Jesus, viram-no dormir, comer, sentir cansaço e mantiveram contato direto com Ele, não restando qualquer dúvida quanto à realidade do seu corpo humano.

Os demais apóstolos também afirmaram a humanidade de Cristo em suas Epístolas. O apóstolo Paulo escreveu aos Romanos que Jesus “nasceu da descendência de Davi, segundo a carne” (Rm 1.3).

João, em suas Epístolas, foi igualmente enfático ao declarar que todo aquele que nega que Jesus Cristo veio em carne não procede de Deus, mas é movido pelo espírito do Anticristo (1Jo 4.2,3).

Negar a Encarnação de Cristo compromete todo o plano da redenção. Se Jesus não assumiu um corpo humano verdadeiro, então não poderia ter sido crucificado nem ressuscitado corporalmente. Nesse caso, conforme ensina o apóstolo Paulo, seria vã a nossa fé, e os que dormiram em Cristo estariam perdidos (1Co 15.1–3,17,18).

2. A plenitude da graça e da verdade. João, testemunha ocular da encarnação do Verbo, declara ser a “glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14b). A palavra “glória” (gr. dóxa) remete ao conceito da shekinah — a presença gloriosa de Deus entre o seu povo (Êx 40.34,35). Porém, enquanto a glória na Antiga Aliança se manifestava parcialmente, em Cristo ela se mostra plenamente (Jo 2.11; 17.1-5). A frase “cheio de graça e de verdade” revela o conteúdo dessa glória. Diferente da Lei dada por Moisés (Jo 1.17a), Cristo encarnou a própria graça salvadora e a verdade eterna. Ele não apenas ensina a verdade — Ele é a verdade (Jo 14.6). E não apenas oferece graça — Ele é a plenitude da graça de Deus, uma provisão contínua que se manifestou salvadora a todos os homens (Tt 2.11).

No prólogo do seu Evangelho, João afirma que ele e os demais discípulos contemplaram a glória de Cristo, “como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Essa declaração revela que a glória do Senhor foi perceptível àqueles que com Ele conviveram.

Na lição passada, destacamos que essa glória foi vista de modo especial na Transfiguração. Naquela ocasião, os discípulos tiveram uma revelação extraordinária da natureza divina de Jesus, ainda que de forma limitada.

O termo grego doxa, traduzido por “glória”, expressa ideias como esplendor, majestade, excelência e dignidade. Em relação a Cristo, essa glória está ligada à sua divindade, pois pertence exclusivamente a Deus, conforme o próprio Senhor declara: “A minha glória não darei a outrem” (Is 42.8).

No Antigo Testamento, a palavra hebraica kavod indica a presença manifesta de Deus em ação. No Novo Testamento, essa glória encontra sua revelação máxima em Jesus Cristo. Contudo, durante a sua encarnação, o Senhor não manifestou a plenitude da sua glória, pois o ser humano, em sua condição mortal, não poderia suportá-la.

O apóstolo Paulo explica que Cristo “esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo” (Fp 2.7). Esse esvaziamento não significa que Ele deixou de ser Deus, mas que voluntariamente limitou a manifestação da sua glória para cumprir o plano da redenção.

João resume o conteúdo dessa glória revelada ao afirmar que Jesus é “cheio de graça e de verdade”. A graça refere-se ao favor imerecido de Deus, manifestado na oferta da salvação por meio do sacrifício vicário de Cristo (Tt 2.11). Jesus não recebeu graça; Ele é pleno de graça e é quem a concede.

Além disso, Jesus é a Verdade, pois é a revelação perfeita do Deus verdadeiro (Jo 1.18; Cl 1.15). Nas Escrituras, a verdade está associada às três Pessoas da Trindade: o Pai é o Deus da verdade (Sl 31.5), o Filho é a própria Verdade (Jo 14.6) e o Espírito Santo é o Espírito da verdade (Jo 14.17).

Assim, ao afirmar que Cristo é cheio de graça e de verdade, João ensina que, em Jesus, Deus se revela de forma perfeita, tanto na concessão graciosa da salvação quanto na plena revelação da verdade divina.

3. O revelador do Deus invisível. Ao concluir o prólogo do seu Evangelho, o apóstolo João demonstra de forma inequívoca que o Filho é o revelador do Deus invisível. Assim ele declara:

“Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer” (Jo 1.18).

Alguns que negam a divindade do Filho utilizam este texto como argumento para afirmar que Jesus não é Deus, alegando que, se Deus nunca foi visto por ninguém e Jesus foi visto, então Jesus não poderia ser Deus. Contudo, tal interpretação desconsidera o contexto e a distinção entre as Pessoas da Trindade.

No texto em questão, quando João afirma que “Deus nunca foi visto por alguém”, ele se refere à Pessoa do Pai, que, de fato, nunca foi visto por nenhum ser humano. A própria continuidade do versículo esclarece que o Filho veio para revelar o Pai. Essa verdade é confirmada pelo próprio Senhor Jesus quando disse a Filipe: “Quem vê a mim, vê o Pai” (Jo 14.9).

Deus, em sua essência, é invisível e inacessível ao ser humano. Somente Ele pode revelar a Si mesmo. Jesus Cristo, sendo plenamente Deus, revelou Deus à humanidade de maneira perfeita, porém acomodada à limitação humana. A revelação plena e definitiva ocorrerá somente após a glorificação do nosso corpo, quando o veremos como Ele é (cf. 1 Jo 3.2).

Outro ponto relevante em João 1.18 é a expressão “Filho unigênito”. No texto grego, essa expressão aparece em diferentes manuscritos. Alguns trazem a leitura monogenēs theos, que significa literalmente “Deus unigênito”, enquanto outros registram monogenēs huios, traduzido como “Filho unigênito”. A Nova Almeida Atualizada opta corretamente pela tradução “Deus unigênito”.

Ambas as leituras afirmam claramente a plena divindade de Cristo. Ser o “Filho unigênito” não indica criação ou inferioridade, mas aponta para a relação única e eterna do Filho com o Pai, compartilhando da mesma essência divina. Dessa forma, João reafirma que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e o único e perfeito revelador do Pai.  

Ev. WELIANO PIRES 

A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 8: O Deus Espírito Santo) Neste segundo tópico, abordaremos a divindade do Espírito Santo. Iniciaremos tra...