12 março 2026

O ESPÍRITO NOS GUIA NA VONTADE DO PAI

 (Comentário do 2⁰ tópico da Lição 11: O Pai e o Espírito Santo)

Neste segundo tópico, estudaremos como o Espírito Santo conduz a vida do crente de acordo com a vontade de Deus, que é boa, agradável e perfeita.

O apóstolo Paulo declarou que os filhos de Deus são guiados pelo Espírito Santo (Rm 8.14). Ele habita em nós e nos orienta quanto ao caminho que devemos seguir neste mundo. O Espírito Santo não apenas indica a direção correta, mas também caminha conosco em todos os momentos da nossa jornada cristã.

Além disso, o Espírito Santo opera em nós a mortificação da carne, isto é, da velha natureza corrompida pelo pecado. A sua atuação vai além de simplesmente mostrar o erro; Ele transforma a nossa mente e nos fortalece para resistir ao pecado e viver em santidade.

A obra do Espírito Santo está diretamente relacionada ao plano da redenção, que é um plano trinitário. Nesse plano, as três Pessoas da Santíssima Trindade atuam em perfeita harmonia e cooperação para realizar a salvação da humanidade.

1. Os filhos são guiados pelo Espírito. 

O apóstolo Paulo afirma na Epístola aos Romanos: “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rm 8.14). Essa declaração mostra que a filiação divina não é apenas um título ou uma identificação religiosa. Ser filho de Deus significa viver sob a direção do Espírito Santo e permitir que Ele conduza nossas atitudes, decisões e maneira de viver. Portanto, não é coerente alguém afirmar que é filho de Deus e, ao mesmo tempo, viver dominado pela velha natureza pecaminosa.

No contexto do Império Romano, a adoção de filhos envolvia não somente direitos e privilégios, mas também responsabilidades. O filho adotado passava a pertencer oficialmente à nova família e deveria obedecer e honrar aqueles que o adotaram. De modo semelhante, quando somos regenerados e recebidos na família de Deus, passamos a viver de acordo com a orientação do Espírito Santo, demonstrando, por meio de nossa conduta, que pertencemos ao Senhor.

Nas últimas instruções dadas aos discípulos, Jesus prometeu o envio do Espírito Santo e declarou: “Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade” (Jo 16.13a). O Espírito Santo, que inspirou os escritores das Escrituras, também guia os crentes na compreensão e na prática da Palavra de Deus. Por isso, nunca haverá contradição entre a ação do Espírito Santo e aquilo que está revelado nas Escrituras Sagradas.

2. O Espírito opera a mortificação da carne. 

Diferentemente do que muitos crentes imaginam, quando nascemos de novo não sofremos uma espécie de “amnésia espiritual”, como se a velha natureza deixasse imediatamente de existir. Na verdade, o Espírito Santo gera em nós uma nova natureza para que possamos viver segundo os padrões de Deus. Entretanto, a velha natureza pecaminosa ainda está presente e precisa ser continuamente mortificada. Somente estaremos completamente livres dos desejos pecaminosos e da própria presença do pecado quando o nosso corpo for glorificado.

Nesse mesmo capítulo da Epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo declara: “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Rm 8.13). Observemos que a mortificação da velha natureza é uma obra realizada pelo Espírito Santo. Não é por meio de esforços meramente humanos ou de sacrifícios pessoais que conseguimos vencer o pecado. À medida que andamos no Espírito, Ele nos capacita a vencer as inclinações da carne e a viver de acordo com a vontade de Deus.

3. O Espírito age conforme o plano do Pai. 

O comentarista afirma que o Espírito Santo age conforme o plano do Pai, referindo-se ao plano da redenção. Ele ressalta, corretamente, que o Pai é o autor do plano da salvação. No entanto, conforme a própria Escritura, a redenção é uma obra trinitária: o Pai, o Filho e o Espírito Santo atuam juntos em perfeita unidade. O Pai não planejou a salvação sozinho, mas em comunhão com o Filho e o Espírito Santo.

O texto bíblico citado pelo comentarista, 1 João 4.14, diz: “E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo”. Esse versículo confirma que o Pai enviou o Filho para a salvação da humanidade, mas não limita a participação das outras Pessoas da Trindade. Posteriormente, o Pai enviou o Espírito Santo, o Consolador, para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo, e habitar naqueles que creem, conforme João 16.8-15.

Portanto, embora haja funções específicas de cada pessoa da Trindade — como o Filho que encarnou e morreu na cruz, e o Pai que envia — todos participam da obra salvífica de forma integrada. O Espírito Santo não age isoladamente, mas em consonância com o plano divino do Pai e a obra redentora do Filho, operando poderosamente na vida do crente, capacitando-o a viver segundo a vontade de Deus. 

Ev. WELIANO PIRES 

11 março 2026

O ESPÍRITO E AS DÁDIVAS DO PAI

(Comentário do 1⁰ tópico das Lição 11: O Pai e o Espírito Santo)

Neste primeiro tópico, abordaremos três dádivas que o Pai ministra ao crente por meio do Espírito Santo. Por intermédio dessas dádivas, o Espírito Santo transforma a nossa identidade espiritual diante de Deus e muda a nossa condição.

Em primeiro lugar, Ele muda a nossa condição de escravos do pecado para filhos de Deus. O apóstolo Paulo escreveu aos Romanos: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor...” (Rm 8.15a). Assim, em Cristo, não somos mais dominados pelo medo ou pela escravidão do pecado, mas desfrutamos da liberdade concedida por Deus.

Em segundo lugar, o Espírito Santo muda a nossa condição de rebeldes para filhos legítimos de Deus. Antes de conhecermos ao Senhor, todos nós vivíamos em rebeldia espiritual. Contudo, ao recebermos a Cristo, recebemos também uma nova identidade e fomos feitos filhos legítimos de Deus.

Por fim, fomos transportados das trevas para a luz e para a plenitude da vida no Espírito. Na Bíblia, as trevas simbolizam o pecado e a separação de Deus. Entretanto, ao recebermos o Espírito Santo, fomos elevados à condição de filhos de Deus, passando a viver em comunhão com Ele.

1. Da escravidão à filiação. 

Antes de conhecermos a Cristo, vivíamos em uma condição deplorável: éramos escravos do pecado. O Senhor Jesus afirmou aos judeus: “Todo aquele que pratica o pecado é escravo do pecado” (Jo 8.34). O homem sem Deus vive em servidão espiritual, incapaz de libertar-se por si mesmo e sob o constante temor da punição.

A condição de escravo, em qualquer sociedade antiga, era extremamente degradante. O escravo era tratado como um instrumento de trabalho ou como um animal de serviço. Não possuía direitos e estava sujeito a diferentes tipos de abuso, como torturas físicas e psicológicas, jornadas excessivas de trabalho, subnutrição, castigos corporais e até mesmo a morte.

No contexto do Império Romano, um escravo poderia alcançar a liberdade de algumas maneiras. Entre elas estavam: a compra da própria liberdade, mediante recursos acumulados por meio de gorjetas ou economias; a concessão da liberdade por testamento do senhor; a libertação por meio de um ato solene diante de um magistrado; ou ainda como recompensa concedida pelo senhor pelos serviços prestados.

Entretanto, mesmo após obter a liberdade, o ex-escravo ainda mantinha certas obrigações e respeito para com o antigo senhor. Além disso, não desfrutava plenamente dos mesmos direitos dos cidadãos romanos livres ou dos filhos de seu antigo proprietário. Havia restrições quanto à participação em cargos públicos, no serviço militar e até mesmo em alguns aspectos da vida social.

O cristão regenerado, porém, não foi elevado apenas à condição de ex-escravo, mas à posição de filho adotivo de Deus, com todos os direitos espirituais. Na cultura romana, a adoção frequentemente envolvia adultos. O adotado passava por uma mudança completa de status: rompia seus vínculos com a família anterior, recebia um novo nome, suas dívidas eram canceladas e ele passava a desfrutar de todos os direitos de um filho legítimo.

Essa realidade ilustra de forma clara o que Deus realizou por nós em Cristo. Ele pagou a nossa dívida espiritual, concedeu-nos o privilégio de chamar Deus de Pai e nos introduziu em sua família. Agora desfrutamos do cuidado e da proteção do Pai, bem como da promessa da herança espiritual. Assim, por meio da filiação divina, podemos nos aproximar de Deus com confiança, sem medo da condenação, pois “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).

2. Da rebeldia a filho legítimo. 

Antes de nascermos de novo, éramos, por natureza, inimigos de Deus. O apóstolo Paulo utiliza expressões como “filhos da desobediência” e “filhos da ira” para descrever a condição de rebeldia em que vivíamos antes de sermos alcançados pela salvação em Cristo.

Após a nossa conversão, o Espírito Santo passa a habitar em nós e “testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16). Isso significa que o Espírito Santo não apenas nos conduz à condição de filhos de Deus por adoção, mas também confirma em nosso interior que, de fato, pertencemos à família de Deus. Por isso, podemos clamar com confiança: “Aba, Pai”.

A expressão “Aba, Pai” é formada pelo termo aramaico Abba (pai) e pela palavra grega pater, que também significa pai. De acordo com o comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal, a junção dessas duas palavras — aramaica e grega — enfatiza a profundidade da intimidade, a intensidade da emoção, o calor e a confiança com que o Espírito Santo nos auxilia a nos relacionarmos com Deus e a clamar a Ele.

Nos Evangelhos, Jesus utilizava a palavra “Abba” ao se dirigir ao Pai. Por essa razão, muitos estudiosos entendem que a expressão “Aba, Pai” transmite a ideia de um tratamento afetuoso, semelhante a “papai” ou “paizinho”, revelando proximidade e confiança.

Assim, em Cristo, já não somos inimigos de Deus, mas fomos reconciliados com Ele e recebemos o privilégio de nos dirigir ao Senhor com a intimidade de quem pode chamá-lo, com fé e amor, de “Meu Pai”.

3. Das trevas à plenitude do Espírito. 

O Novo Testamento nos mostra, em vários textos, que, antes de sermos regenerados, andávamos em trevas: “Porque, noutro tempo, éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5.8). O Senhor Jesus também afirmou: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12).

No Novo Testamento, viver nas trevas indica, pelo menos, três situações:

a) Ignorância espiritual. “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” (Ef 4.18). Quem vive nas trevas está cego espiritualmente e não enxerga a verdade do Evangelho.

b) Depravação moral. Viver em trevas significa praticar as obras da carne, sem nenhuma preocupação com o fato de que isso desagrada a Deus: “E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as” (Ef 5.11).

c) Separação de Deus. As trevas indicam um império maligno, governado pelo inimigo, o príncipe das trevas: “Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13). Quem está em trevas, portanto, vive sob o domínio do inimigo. 

Deus nos tirou das trevas e nos conduziu à sua maravilhosa luz. Estávamos presos à ignorância espiritual, ao pecado e à separação de Deus. Agora regenerados, podemos desfrutar de uma nova vida em Cristo. Somos chamados não apenas a abandonar as trevas, mas a viver plenamente na luz, permitindo que o Espírito Santo conduza cada área da nossa vida.

Ev. WELIANO PIRES 

10 março 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 11: O PAI E O ESPÍRITO SANTO

Data: 15 de março de 2026

TEXTO ÁUREO:

“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.” (Rm 8.14).

VERDADE PRÁTICA:

O Espírito Santo nos liberta da escravidão do pecado, confirma nossa filiação em Cristo e nos conduz à herança eterna planejada pelo Pai.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Romanos 8.12-17; Gálatas 4.1-6.

OBJETIVOS DA LIÇÃO:

I) Mostrar que o Espírito Santo nos liberta da escravidão do pecado e confirma nossa filiação em Cristo; 

II) Explicar que o Espírito Santo guia o crente na vontade do Pai; 

III) Destacar que a Trindade nos conduz à herança eterna.

Palavra-Chave: FILIAÇÃO

A palavra filho, em hebraico, é ben, e o seu correspondente em aramaico é bar. Esses termos possuem um campo de significado bastante amplo, que vai além da ideia de um filho biológico ou adotivo. Podem referir-se a filho, neto, criança ou até mesmo a um membro de determinado grupo.

Também podem indicar ascendência ou pertencimento, como nas expressões filhos de Amon, filhos de Abraão e filhos de Israel. Em outros contextos, o termo é usado para designar discípulos ou alunos, como acontece com os estudantes das escolas de profetas, chamados de filhos dos profetas.

Além disso, a palavra filho pode expressar características ou qualidades de uma pessoa, sejam boas ou más. Por exemplo: filho da sabedoria, filho de Belial, filho da luz, filho das trevas e filhos do trovão.

Há ainda situações em que o termo indica identidade de natureza. Um exemplo é a expressão Filho do Homem. No livro de Ezequiel, ela é usada para se referir ao próprio profeta, destacando sua condição humana. Já nos Evangelhos, é um dos títulos utilizados por Jesus para falar de si mesmo, enfatizando a sua verdadeira humanidade.

No Novo Testamento, escrito em grego, encontramos duas palavras traduzidas por filho. A palavra huios que significa um filho reconhecido, muitas vezes com posição ou identidade ligada ao pai. Pode carregar ideia de maturidade, dignidade ou representação. Há também a palavra teknon, que se refere ao filho biológico, mas pode significar também uma criança pequena e imatura, ou simplesmente um descendente. 

A doutrina da filiação divina traz profundas implicações para a vida cristã. Saber que somos filhos de Deus produz em nós confiança, gratidão e santidade. Essa verdade nos encoraja a viver sem medo da condenação, em plena dependência do Pai e com o firme compromisso de glorificar o Seu nome em todas as áreas da vida.

INTRODUÇÃO

Nesta lição e na próxima, estudaremos a atuação coordenada do Espírito Santo com as outras duas Pessoas da Santíssima Trindade no plano da salvação. O objetivo desta lição é destacar a ação conjunta do Pai e do Espírito Santo na vida do crente. Na próxima lição, veremos como o Espírito Santo atuou na concepção, na capacitação e na missão de Jesus, bem como a aplicação dessa verdade à vida cristã.

Ao longo desta lição, veremos que o Espírito Santo nos libertou da escravidão do pecado e nos conduz à boa, perfeita e agradável vontade do Pai. Também estudaremos que o divino Consolador confirma em nosso coração a nossa identidade como filhos adotivos de Deus e nos guia rumo à herança eterna preparada pelo Pai para todos aqueles que receberam a Cristo como Senhor e Salvador.

Durante a nossa peregrinação neste mundo, em meio a lutas, perseguições e dificuldades, é possível que surjam dúvidas e incertezas quanto ao nosso futuro e à nossa identidade espiritual. Contudo, a Palavra de Deus nos assegura que, mediante a fé em Cristo, fomos adotados como filhos de Deus. Por isso, podemos descansar na fidelidade divina e viver com confiança e esperança, certos de que um futuro glorioso nos aguarda.

Ev. WELIANO PIRES

06 março 2026

A CONTINUIDADE DO DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO

(Comentário do 3º tópico da Lição 10: Espírito Santo - o capacitador)

No terceiro tópico, trataremos da continuidade do derramamento do Espírito Santo. Esse derramamento não ficou restrito ao período apostólico, como ensinam os cessacionistas.

Com base no discurso de Pedro, no Dia de Pentecostes, veremos que a promessa do derramamento do Espírito estendia-se àquela geração, à geração seguinte, aos que estavam fora do território israelita e a todos quantos fossem chamados por Deus (At 2.39).

Na sequência, observaremos que o Espírito Santo opera com diversidade e unidade, conforme a afirmação do apóstolo Paulo aos coríntios: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1Co 12.4).

Por fim, veremos que a distribuição dos dons pelo Espírito Santo possui propósito e revela a sua soberania. Ele distribui os dons como quer, visando ao que é útil para a edificação do Corpo de Cristo (1Co 12.7).

1. A extensão da promessa do Espírito.

Os cessacionistas — assim são chamados aqueles que afirmam que os dons espirituais cessaram — costumam argumentar que o ensino sobre a atualidade dos dons é algo recente. Entretanto, até meados do século IV, não há registros de cristãos ensinando o cessacionismo. Esse entendimento passou a ganhar espaço na Igreja quando foi defendido pelo bispo e teólogo Agostinho de Hipona (354–430).

Devido à grande influência que Agostinho exerceu em sua época, essa concepção acabou predominando na Igreja Ocidental durante grande parte da Idade Média. Mesmo com o advento da Reforma Protestante, essa questão não foi amplamente debatida pelos reformadores. Naquele contexto, eles concentraram seus esforços principalmente na doutrina da salvação, combatendo ensinos como a salvação pelas obras, a idolatria e a mediação dos santos, além de reafirmarem a autoridade suprema das Escrituras.

As Assembleias de Deus são conhecidas como igrejas pentecostais porque creem na atualidade da experiência do Dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado sobre os primeiros cristãos reunidos em oração no cenáculo. A base bíblica dessa crença encontra-se no discurso do apóstolo Pedro (apóstolo):

“Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (At 2.39).

Assim, a promessa do revestimento de poder não se restringia apenas aos ouvintes imediatos de Pedro. Ela abrangia também as gerações seguintes, os que estavam “longe” — não apenas no sentido geográfico, mas também no tempo — e todos aqueles que, no decorrer da história, seriam chamados por Deus para a salvação.

Portanto, a promessa do derramamento do Espírito Santo se estende a todas as épocas da Igreja enquanto ela estiver neste mundo. Se, em determinados períodos da história cristã, não houve ênfase na experiência do Batismo no Espírito Santo e na manifestação dos dons espirituais, isso não significa que tais dons tenham cessado, mas que, em muitos momentos, deixaram de ser ensinados e buscados com o devido zelo pela Igreja.

2. O Espírito opera com diversidade e unidade.

Escrevendo aos crentes de Corinto, o apóstolo Paulo de Tarso tratou do tema dos dons espirituais e destacou um princípio importante: a diversidade de manifestações do Espírito acompanhada de perfeita unidade divina. Ele declarou:

“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (1Co 12.4–6).

Nessa afirmação, Paulo mostra que existem diferentes formas de atuação na vida da Igreja. Em primeiro lugar, há diversidade de dons concedidos pelo Espírito Santo (1Co 12.4). Em segundo lugar, há diversidade de ministérios concedidos pelo Senhor Jesus Cristo (1Co 12.5; Ef 4.11). Por fim, também há diversidade de operações ou serviços relacionados à atuação de Deus entre os crentes (Rm 12.3–8; 1Co 12.6).

Apesar dessa diversidade de manifestações, a unidade divina permanece absoluta. O Espírito é o mesmo, o Senhor é o mesmo e o mesmo Deus é quem realiza tudo em todos. Assim, a variedade de dons e ministérios não produz divisão na Igreja, mas cooperação para a edificação do Corpo de Cristo.

Segundo o pastor e teólogo Elinaldo Renovato de Lima, “a multiforme sabedoria de Deus manifesta-se na igreja por meio da intervenção sobrenatural do Espírito Santo e através dos dons de Deus necessários ao crescimento espiritual dos crentes”.

Essa realidade revela a perfeita unidade da Santíssima Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo atuam de forma harmoniosa na vida da Igreja. Não há competição nem qualquer tipo de rivalidade entre as Pessoas divinas. Pelo contrário, cada uma delas coopera na realização do propósito de Deus para o crescimento e a edificação do seu povo. 

3. O Espírito distribui dons com propósito.

A igreja em Corinto possuía abundância de dons espirituais. Por isso, o apóstolo Paulo afirmou: “de maneira que nenhum dom vos falta” (1Co 1.7). Apesar disso, tratava-se de uma igreja marcada pela imaturidade espiritual. O próprio apóstolo declarou que “não podia falar-lhes como a espirituais, mas como a carnais” (1Co 3.1,3).

Essa imaturidade se refletia em diversos problemas presentes na comunidade cristã. Entre eles estavam o partidarismo entre os irmãos, casos de imoralidade, litígios levados aos tribunais, dificuldades relacionadas ao casamento, dúvidas sobre alimentos sacrificados aos ídolos, questões sobre o uso do véu, desordem na celebração da Ceia do Senhor, má administração dos dons espirituais, a atuação de falsos obreiros que difamavam o apóstolo e até mesmo erros doutrinários a respeito da ressurreição dos mortos.

Esse contexto mostra que os dons do Espírito Santo são concedidos pela graça divina e não devem ser usados como motivo de orgulho ou superioridade espiritual. Eles são dádivas de Deus, concedidas não por merecimento humano, mas para benefício da Igreja. Como ensina a Escritura: “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1Co 12.7).

Conforme destacou o comentarista, os dons espirituais possuem um tríplice propósito. Em primeiro lugar, destinam-se ao serviço do Reino de Deus (1Pe 4.10). Em segundo lugar, visam à edificação da Igreja (1Co 14.12). Por fim, têm como objetivo a glorificação de Cristo (1Co 12.3). Assim, os crentes são apenas portadores dos dons, e não seus proprietários. Eles pertencem ao Senhor, que os concede e os dirige segundo os seus propósitos.

Infelizmente, alguns pensam que possuir dons espirituais é sinônimo de verdadeira espiritualidade. Entretanto, a presença de dons não é, por si só, uma prova do caráter espiritual do crente. Significa apenas que Deus concedeu determinadas capacidades para o serviço de sua Igreja. 

No Sermão do Monte, o Senhor Jesus nos advertiu sobre essa realidade:

“Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.22,23).

Essa passagem ensina que o mais importante não é apenas manifestar dons, mas viver em comunhão genuína com Cristo e em obediência à sua Palavra. Dessa forma, os dons cumprem o seu verdadeiro propósito: servir à Igreja e glorificar o nome do Senhor.

Ev. WELIANO PIRES

05 março 2026

O CUMPRIMENTO: PODER PARA TESTEMUNHAR

(Comentário do 2º tópico da Lição 10: Espírito Santo - o capacitador)

Neste segundo tópico, falaremos do cumprimento da promessa do derramamento do Espírito, que concedeu aos discípulos de Jesus poder para testemunhar.

Inicialmente, veremos que o Espírito Santo veio com poder do alto sobre os discípulos no cenáculo. Esse poder não era apenas para vencer o pecado; era também ousadia para testemunhar, poder para operar milagres e sabedoria para a edificação da Igreja.

Na sequência, abordaremos os sinais sobrenaturais que foram vistos na descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes: o som, como de um vento forte e impetuoso, e as línguas repartidas, como de fogo, que pousaram sobre a cabeça dos discípulos.

Por fim, trataremos da evidência do revestimento do poder do Espírito, que foi o “falar em outras línguas” (At 2.4). Os outros sinais observados no Pentecostes não se repetiram em outras ocasiões; apenas o falar em outras línguas permaneceu como evidência.

1. O Espírito Santo veio com o poder do Alto.

Após a ressurreição e antes de subir ao Céu, o Senhor Jesus ordenou aos seus discípulos que não se ausentassem de Jerusalém até que recebessem a promessa do Pai (Lc 24.49; At 1.4). Essa promessa referia-se à vinda do Espírito Santo, que capacitaria os discípulos para a grande missão de anunciar o Evangelho ao mundo.

O livro de Atos inicia-se com as últimas palavras de Jesus aos seus discípulos antes de sua ascensão. Entre essas palavras, destaca-se a promessa de que o Espírito Santo viria sobre eles, não muito tempo depois daqueles dias (At 1.5,8). Esse acontecimento transformaria completamente a vida daqueles homens.

De fato, a partir da descida do Espírito Santo, os discípulos nunca mais foram os mesmos. Eles receberam ousadia para proclamar o Evangelho, mesmo diante das autoridades judaicas e em meio à perseguição. O Espírito Santo também lhes concedeu poder para realizar sinais e maravilhas, além de dirigir a obra missionária da Igreja nascente.

No livro de Atos encontramos diversas evidências da atuação do Espírito Santo por meio dos apóstolos. No próprio dia de Pentecostes, após a descida do Espírito Santo, a multidão que estava em Jerusalém ficou admirada e confusa com o que estava acontecendo.

Então, Pedro, cheio do Espírito Santo, levantou-se e pregou com grande ousadia. Sua mensagem foi poderosa e tocou profundamente o coração dos ouvintes. Não foi necessário fazer qualquer apelo formal, pois a multidão, compungida em seu coração, aproximou-se perguntando o que deveria fazer. Pedro respondeu:

“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38).

O resultado foi extraordinário: quase três mil pessoas aceitaram a mensagem e se converteram naquele mesmo dia. Pouco tempo depois, o número de discípulos chegou a quase cinco mil pessoas.

Esse acontecimento nos mostra que o crescimento da Igreja não depende apenas de argumentos humanos ou de discursos bem elaborados. Somente o Espírito Santo pode convencer o pecador, transformar vidas e conduzir pessoas a Cristo. O crescimento da Igreja primitiva foi resultado direto da ação do Espírito Santo. Hoje, a Igreja também precisa depender do mesmo poder para cumprir sua missão de anunciar o Evangelho.

2. Os sinais da descida do Espírito Santo.

O texto de Atos 2.1–4 descreve o extraordinário evento da descida do Espírito Santo sobre os discípulos. Eles estavam reunidos no mesmo lugar, perseverando em oração e aguardando o cumprimento da promessa de Jesus, embora não soubessem exatamente como ela se realizaria.

De repente, veio do Céu um som como de um vento forte e impetuoso, que encheu toda a casa onde estavam assentados. Naquele momento, três sinais sobrenaturais foram percebidos pelos que estavam no cenáculo: um som como de um vento veemente e impetuoso (At 2.2); línguas repartidas, como que de fogo (At 2.3); e os discípulos falando em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem (At 2.4).

O primeiro sinal foi auditivo: um som como de um vento forte e impetuoso. As pessoas ouviram o som, mas não viram o vento. Esse barulho indicava a manifestação da presença de Deus. Na Bíblia, em várias ocasiões, a manifestação divina foi acompanhada por sons grandiosos.

No Antigo Testamento, por exemplo, o profeta Ezequiel descreveu a glória de Deus dizendo: 

“E eis que a glória do Deus de Israel vinha do caminho do oriente; e a sua voz era como a voz de muitas águas, e a terra resplandeceu por causa da sua glória” (Ez 43.2).

Da mesma forma, o Senhor Jesus revelou-se ao apóstolo João na ilha de Ilha de Patmos, e sua voz foi comparada ao som de muitas águas:

“Os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivesse sido refinado numa fornalha; e a sua voz, como a voz de muitas águas” (Ap 1.15).

Outro sinal foi o aparecimento de línguas repartidas como que de fogo, que pousaram sobre cada um dos discípulos. O fogo, nas Escrituras, frequentemente simboliza a presença, a santidade e o poder de Deus.

Quando Deus se manifestou a Moisés pela primeira vez no monte Horebe, ele viu uma sarça que ardia em fogo, mas não se consumia:

“E apareceu-lhe o anjo do SENHOR em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia” (Êx 3.2).

Mais tarde, quando Moisés subiu ao monte Sinai para receber a Lei, Deus também se manifestou em fogo:

“E todo o monte Sinai fumegava, porque o SENHOR descera sobre ele em fogo; e a sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente” (Êx 19.18).

Esses sinais demonstram que o evento de Pentecostes não foi algo comum. Tratou-se de uma poderosa manifestação divina, marcando o início da atuação do Espírito Santo na Igreja de forma plena e visível.

Os sinais que acompanharam a descida do Espírito Santo mostraram que Deus estava inaugurando uma nova etapa na história da Igreja: a capacitação espiritual dos crentes para testemunhar de Cristo. Assim como os primeiros discípulos foram cheios do Espírito Santo para cumprir sua missão, os crentes de hoje também devem buscar a presença e o poder do Espírito para viver e anunciar o Evangelho.

3. A evidência do revestimento de poder.

O evangelista Lucas relata que todos foram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem (At 2.4). Esse acontecimento marcou profundamente a experiência espiritual da Igreja primitiva.

A doutrina pentecostal clássica ensina, desde os seus primórdios, que a evidência física inicial do batismo no Espírito Santo é o falar em outras línguas. Esse também é o posicionamento das Assembleias de Deus desde a sua fundação. A Declaração de Fé afirma:

“O batismo dos crentes no Espírito Santo é testemunhado pelo sinal físico inicial de falar em outras línguas, conforme o Espírito de Deus lhes concede que falem” (At 2.4).

É importante esclarecer que existem dois tipos de falar em línguas descritos no estudo do Novo Testamento. Há duas palavras gregas frequentemente associadas a essa experiência.

A primeira é xenolalia, formada por xeno (estrangeiro) e laleo (falar). Esse termo refere-se ao falar em uma língua estrangeira desconhecida por quem fala, mas compreendida por quem a ouve.

A segunda é glossolalia, formada por glossa (língua) e laleo (falar). Nesse caso, trata-se de uma linguagem espiritual desconhecida tanto por quem fala quanto por quem ouve, sendo uma manifestação sobrenatural do Espírito Santo.

No dia de Pentecostes, os discípulos foram cheios do Espírito Santo e falaram em “outras línguas”. O termo grego utilizado em Atos 2.4 é heterais glossais, que significa “outras línguas”. Essas línguas eram desconhecidas para aqueles que falavam, mas algumas pessoas presentes em Jerusalém as compreenderam, pois as ouviram em seus próprios idiomas.

No capítulo 8 de Atos, após a pregação de Filipe em Samaria, os apóstolos Pedro e João impuseram as mãos sobre os novos convertidos, e eles receberam o Espírito Santo (At 8.17). O texto não afirma explicitamente que falaram em línguas, mas houve um sinal visível dessa experiência, pois até mesmo Simão, o Mago percebeu o ocorrido e ofereceu dinheiro para obter esse poder (At 8.18).

Algo semelhante ocorreu com Paulo de Tarso. Quando Ananias de Damasco lhe impôs as mãos, ele foi cheio do Espírito Santo (At 9.17). Embora o texto não mencione explicitamente as línguas nesse momento, o próprio apóstolo Paulo posteriormente afirmou falar em línguas (1 Co 14.18), indicando que também teve essa experiência.

Em Cesareia, na casa do centurião Cornélio, enquanto Pedro ainda pregava, o Espírito Santo caiu sobre todos os que ouviam a Palavra. Os presentes reconheceram que eles haviam recebido o Espírito Santo porque os ouviram falar em línguas e glorificar a Deus (At 10.46).

Mais tarde, em Éfeso, o apóstolo Paulo encontrou cerca de doze discípulos que ainda não conheciam plenamente a doutrina sobre o Espírito Santo. Depois de instruí-los, Paulo lhes impôs as mãos, e eles receberam o Espírito Santo, passando também a falar em línguas e a profetizar (At 19.1–6).

Assim, ao comparar os diferentes relatos do livro de Atos, observamos que o falar em línguas aparece repetidamente como o sinal que acompanhou o batismo no Espírito Santo. Por essa razão, na teologia pentecostal, entende-se que essa manifestação constitui a evidência inicial dessa experiência espiritual.

O batismo no Espírito Santo não é apenas uma experiência emocional, mas uma capacitação espiritual concedida por Deus para fortalecer a fé e impulsionar a Igreja na proclamação do Evangelho. Por isso, devemos buscar a plenitude do Espírito Santo, permitindo que Ele dirija suas vidas e os capacite para testemunhar de Cristo com poder.

Ev. WELIANO PIRES

03 março 2026

A PROMESSA DO DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO.

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 10: Espírito Santo – o capacitador)

No primeiro tópico, falaremos a respeito da promessa do derramamento do Espírito Santo, feita pelo profeta Joel. Inicialmente, veremos que a abrangência dessa promessa é de caráter universal: “sobre toda a carne”. Entretanto, isso não se refere a todos os seres humanos, mas apenas aos que invocam o Nome do Senhor.

Na sequência, veremos que essa promessa consiste em ações sobrenaturais, como profecias, visões e sonhos. Essas manifestações servem para a edificação espiritual do povo de Deus.

Por fim, veremos que essa promessa foi dada para um tempo específico, denominado na Bíblia de “últimos dias”. Esse período inicia-se após a ressurreição de Jesus e estende-se até o arrebatamento da Igreja.

1. Uma promessa de abrangência universal. 

O Espírito Santo é Deus e é eterno, conforme já vimos em lições anteriores. Ele sempre atuou ao longo da história: na criação e na sustentação de todas as coisas; na inspiração dos escritores da Bíblia; na instrução do povo de Israel; na inspiração de profetas e salmistas etc.

Entretanto, a ação do Espírito Santo, antes da ressurreição de Jesus, era diferente da que ocorre na Nova Aliança. No Antigo Pacto, o Espírito Santo escolhia e capacitava algumas pessoas para realizarem obras específicas, em determinado período.

O Espírito Santo capacitou Bezalel e Aoliabe para a construção do Tabernáculo (Êx 31.2,3). Capacitou também Gideão (Jz 6.34), Jefté (Jz 11.29), Sansão (Jz 13.25) e outros juízes, para libertarem o povo de Israel do domínio dos inimigos. Além disso, escolheu líderes do povo, como reis, sacerdotes e profetas.

Os profetas Isaías (Is 11.1-4; 42.1; 61.1-3), Ezequiel (Ez 36.26,27) e Joel (Jl 2.28,29) profetizaram que Deus derramaria o seu Espírito sobre todos, e não apenas sobre algumas pessoas específicas. Há, no entanto, diferenças entre essas profecias; elas não se referem ao mesmo evento.

A profecia de Isaías é uma referência à ação do Espírito Santo no ministério de Jesus. O profeta anunciou a vinda do Messias e declarou que o Espírito do Senhor estaria sobre Ele. Jesus leu o texto de Isaías 61 e aplicou-o a si mesmo, dizendo: “Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lc 4.21).

O profeta Ezequiel, por sua vez, profetizou que Deus colocaria o seu Espírito dentro do seu povo (Ez 36.26,27). Ezequiel fala de transformação interior, mudança de vida e atuação do Espírito Santo no coração do homem. Trata-se de uma referência ao novo nascimento, operado pelo Espírito Santo no interior do crente.

Já o profeta Joel falou sobre o derramamento do Espírito Santo, referindo-se à capacitação sobrenatural concedida para a realização da Obra de Deus (Jl 2.28,29). Essa profecia foi interpretada pelo apóstolo Pedro como o cumprimento da descida do Espírito Santo no Dia de Pentecostes.

2. Uma promessa com ação sobrenatural. 

A profecia de Joel anuncia manifestações visíveis e sobrenaturais, como profecias, visões e sonhos, no derramamento do Espírito Santo. Essas manifestações revelam o poder de Deus operando no meio do seu povo.

As profecias mencionadas nesse texto distinguem-se do ofício profético do Antigo Testamento, no qual o profeta era instrumento da revelação divina, transmitindo a própria Palavra de Deus de forma inspirada e autorizada. Deus lhes revelava sua mensagem por meio de sonhos, visões e outras formas de comunicação sobrenatural.

O profeta do Antigo Testamento era porta-voz de Deus, incumbido de entregar fielmente a mensagem divina, onde, quando e a quem o Senhor determinasse. Esse ministério profético, como canal da revelação canônica, teve seu cumprimento em Cristo e encerrou-se nesse aspecto com João Batista, o último profeta daquela dispensação.

No Novo Testamento, a profecia, como dom espiritual, não possui caráter canônico nem estabelece nova doutrina para a Igreja. A doutrina da Igreja está fundamentada nas Sagradas Escrituras, que são a completa e suficiente revelação de Deus para a fé e a prática cristã. A manifestação do dom de profecia tem como finalidade a edificação, exortação e consolação, conforme o ensino apostólico.

Da mesma forma, visões e sonhos continuam sendo meios pelos quais Deus pode revelar sua vontade e direcionamento aos seus servos, trazendo orientação, conforto e edificação à Igreja, sempre em harmonia com a Palavra de Deus. O livro de Atos registra que os apóstolos Pedro e Paulo receberam revelações dessa natureza (At 10.9-16; 16.9).

Essas não são as únicas manifestações sobrenaturais decorrentes do derramamento do Espírito Santo. No Novo Testamento, especialmente no contexto da Igreja Primitiva, observam-se diversas manifestações espirituais concedidas pelo Espírito para o fortalecimento do Corpo de Cristo.

No Dia de Pentecostes, quando essa promessa teve seu cumprimento inaugural, manifestaram-se sinais sobrenaturais: um som como de um vento veemente e impetuoso, línguas repartidas como de fogo que pousaram sobre os discípulos, e todos passaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.

Posteriormente, o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, ensinou acerca das diversas manifestações espirituais concedidas à Igreja para a edificação, exortação e consolação dos crentes. Esses dons também não devem ser confundidos com o ministério profético do Antigo Testamento, nem possuem a finalidade de estabelecer doutrina, pois esta já se encontra plenamente revelada nas Escrituras Sagradas.

3. Uma promessa para os últimos dias. 

A profecia de Joel aponta para o derramamento do Espírito em um tempo específico: “Naqueles dias, derramarei o meu Espírito” (Jl 2.29b). A palavra hebraica traduzida por “naqueles dias” é yom, que pode se referir a um dia literal, a um ano ou a um período de tempo.

Ao mencionar essa mesma profecia, Pedro usou a expressão grega eschatais hēmerais, traduzida por “últimos dias”. Refere-se ao período compreendido entre a ressurreição de Jesus e o arrebatamento da Igreja.

Não é uma referência exclusiva ao acontecimento do Dia de Pentecostes nem aos dias que antecedem a vinda de Jesus, como alguns imaginam. “Últimos dias” é uma referência à chamada Dispensação do Espírito, ou Dispensação da Graça, que corresponde ao último período da história da humanidade antes do arrebatamento da Igreja.

Essa promessa não se limitou aos dias apostólicos, como erroneamente interpretam os cessacionistas. Sobre isso, o apóstolo Pedro declarou: “A promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.39).

Ev. WELIANO PIRES

02 março 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 10: ESPÍRITO SANTO — O CAPACITADOR

Data: 8 de março de 2026

TEXTO ÁUREO:

“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne.” (Jl 2.28a).

VERDADE PRÁTICA: 

“O derramamento do Espírito Santo é uma promessa universal que capacita a Igreja com poder para pregar o Evangelho.”

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Joel 2.28,29; Atos 2.1-4; 8.14-17; 1 Coríntios 12.4-7.

OBJETIVOS DA LIÇÃO: 

I) Mostrar que o derramamento do Espírito Santo é uma promessa universal e atual;

II) Explicar que o Espírito Santo concede poder para testemunhar de Cristo;

III) Destacar que o Espírito distribui dons espirituais com propósito e para edificação da Igreja.

PALAVRA-CHAVE: PODER

No Novo testamento há quatro palavras que foram traduzidas por poder: 

a) Exousia. Autoridade exercida por uma pessoa em nome de outro maior, como por exemplo, um oficial do rei fala em nome dele;

b) Ischyros. Força física capaz de vencer ou dominar outra pessoa através da força dos músculos;

c) Kratos. É o poder das autoridades que governam um país. É desta palavra que vem as palavras democracia e aristocracia.

d) Dynamis. Energia, grande força e grande habilidade, vindas do mundo espiritual. Esta palavra deu origem às palavras portuguesas dinâmico e dinamite. 

No contexto desta lição, a palavra poder é dynamis que significa mais que força ou habilidade. Indica poder em ação. Lucas enfatiza que o poder do Espírito Santo inclui autoridade para expulsar espíritos malignos e a unção para curar os enfermos.

INTRODUÇÃO

Na lição passada estudamos o tema “Espírito Santo — O Regenerador”. Aprendemos que a Regeneração é uma obra trinitária: planejada pelo Pai, realizada pelo Filho e aplicada pelo Espírito Santo. Vimos, também, que se trata de uma transformação espiritual interior, indispensável à salvação. Por fim, destacamos os sinais práticos do Novo Nascimento: a justificação, a santificação e o fruto do Espírito. 

Nota: Conforme expliquei na ministração da lição passada, a justificação não é um sinal da regeneração, pois são ações do Espírito Santo, que ocorrem simultaneamente e são coisas diferentes. 

Nesta Lição 10, estudaremos o tema “Espírito Santo — O Capacitador”. Trataremos da obra do Espírito Santo na capacitação do crente, concedendo-lhe dons e poder para cumprir a missão de pregar o Evangelho.

O Espírito Santo não apenas regenera e santifica o crente; Ele também o capacita para servir ao Senhor e realizar a Sua obra com poder, ousadia e santidade. Ao longo do Novo Testamento, vemos que essa capacitação está diretamente relacionada ao cumprimento da Grande Comissão e à edificação da Igreja.

O Espírito Santo distribui dons espirituais, promove a unidade do Corpo de Cristo e fortalece o testemunho cristão diante do mundo. Nos três tópicos desta lição, estudaremos a promessa, o cumprimento e a continuidade do derramamento do Espírito Santo.

Esta lição é de grande importância para nós, pentecostais, pois enfatiza que o derramamento do Espírito não se restringe ao contexto da Igreja Primitiva, mas permanece atual, evidenciando que o mesmo Espírito continua capacitando a Igreja nos dias de hoje.

Ev WELIANO PIRES 

01 março 2026

SINAIS DO NOVO NASCIMENTO EM CRISTO

(Comentário do 3º tópico da Lição 9: Espírito Santo - o Regenerador)

No terceiro tópico, o comentarista apresenta três evidências do Novo Nascimento em Cristo, enfatizando que a regeneração não é apenas uma experiência interior, mas produz resultados concretos e visíveis na vida do salvo.
O primeiro sinal, segundo ele, é a Justificação pela Fé, que consiste no ato judicial de Deus pelo qual Ele declara justo o pecador que crê em Cristo. Assim, o pecador é reconciliado com Deus e passa a desfrutar de uma nova posição espiritual diante dEle.

O segundo sinal é a vida de santificação, que se manifesta em um processo contínuo de transformação moral e espiritual. A santificação não é um evento isolado, mas uma caminhada progressiva que se estende por toda a vida cristã, culminando na glorificação final, no Dia de Cristo.

Por fim, o terceiro sinal do Novo Nascimento é o Fruto do Espírito Santo, descrito pelo apóstolo Paulo em Gálatas 5.22. Esse fruto é composto por nove virtudes que o Espírito Santo produz no caráter daquele que foi regenerado, evidenciando a atuação divina em sua vida. 

1. A Justificação pela Fé.

A Justificação é um termo de natureza jurídica. Refere-se ao ato pelo qual Deus declara justo o pecador arrependido, absolvendo-o da culpa, da punição e da condenação do pecado. Tal declaração não se fundamenta em méritos humanos, mas exclusivamente na obra redentora de Jesus Cristo realizada na cruz do Calvário. 

Não se trata apenas do perdão dos pecados, mas também da imputação da justiça de Cristo ao crente, que passa a ser visto por Deus como justo. Somente o Senhor pode justificar o homem, pois Ele é tanto o ofendido pelo pecado quanto o Justo Juiz de todo o Universo.

O comentarista apresenta a Justificação pela Fé como um sinal do Novo Nascimento. Contudo, à luz da teologia arminiana, posição doutrinária adotada pelas Assembleias de Deus, faz-se necessária uma distinção conceitual. A Justificação pela Fé não deve ser compreendida como um sinal da Regeneração, mas como um dos aspectos fundamentais da obra da salvação operada por Deus na vida do pecador que crê.

Na ordem lógica da salvação, compreendemos que, após a atuação da Graça Preveniente — ação da graça de Deus antes da conversão, que capacita o ser humano a responder ao chamado divino — o pecador responde a Deus por meio da fé e do arrependimento. Em seguida, Deus o justifica e, simultaneamente, opera nele a Regeneração, concedendo-lhe nova vida espiritual. 

Justificação e Regeneração, portanto, não ocorrem em momentos distintos no tempo, mas são atos inseparáveis da graça divina na experiência da conversão. A distinção entre ambos é de natureza lógica e teológica, não cronológica. 

A salvação envolve diversos aspectos da obra redentora aplicada ao crente: Graça Preveniente, Conversão (fé e arrependimento), Justificação, Regeneração, Adoção, Santificação, Perseverança e, por fim, a Glorificação.

Assim, enquanto a Regeneração produz evidências visíveis na vida do salvo, a Justificação estabelece sua nova posição diante de Deus. Ambas são bênçãos da salvação e revelam a grandeza da graça divina manifestada em Cristo Jesus. Entretanto, uma não é resultado da outra.

2. A vida de Santificação. 

A santificação é, de fato, um sinal do Novo Nascimento. Quem não nasceu de novo não pode ser santificado, pois ainda vive segundo a velha natureza. Ao recebermos a Cristo como Salvador, somos santificados pelo Espírito Santo e separados do mundo, que jaz no maligno e se opõe a Deus.

A santificação é ao mesmo tempo: ato, processo e estado final. No Novo Testamento, ela é apresentada como um ato de separação do mundo, mas também como um processo de transformação, à medida que andamos no Espírito e nos tornamos cada vez mais semelhantes a Cristo. Finalmente, quando Jesus nos levar para o Céu, seremos transformados, receberemos um corpo glorificado e atingiremos o estado final da santificação, chamado glorificação.

Apesar de ser uma obra do Espírito Santo para manter o crente separado do pecado, a santificação se desenvolve em três estágios, que abrangem o passado, o presente e o futuro:

a) Santificação inicial ou posicional – ocorre no momento do Novo Nascimento. O crente é santificado pelo Espírito Santo e tem os pecados perdoados pela fé em Cristo.

b) Santificação progressiva – acontece durante a nossa jornada terrena, à medida que andamos no Espírito, rejeitamos o pecado e nos revestimos do novo Homem.

c) Santificação final ou glorificação – será consumada no arrebatamento da Igreja, quando receberemos um corpo incorruptível, imortal e completamente livre da presença do pecado.

Assim, a santificação não é apenas uma experiência inicial, mas uma caminhada contínua de crescimento espiritual, que culmina na perfeição e na plenitude da vida eterna em Cristo.

3. O Fruto do Espírito. 

O Fruto do Espírito é composto por atributos morais do caráter de Deus, que o Espírito Santo produz no interior daqueles que nasceram de novo. Trata-se do resultado de uma vida cristã submetida à direção e ao domínio do Espírito Santo. Diferentemente dos dons espirituais, o Fruto do Espírito não consiste em vários frutos, mas em um único fruto, formado por nove virtudes.

Para facilitar o entendimento, os expositores bíblicos comparam o Fruto do Espírito a uma fruta, como a laranja, que possui diversos gomos, mas é um só fruto. O amor encabeça essa lista de virtudes e resume as demais, pois quem verdadeiramente ama manifesta também alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança. Não é possível possuir uma dessas virtudes sem as demais, pois todas estão interligadas.

Essas virtudes são produzidas no interior do cristão pelo Espírito Santo e estão diretamente relacionadas ao caráter do crente. Não podem ser simuladas nem criadas artificialmente. Assim, ou a pessoa anda no Espírito, produzindo essas virtudes, ou caminha segundo a sua própria natureza, gerando as obras da carne.

Ev. WELIANO PIRES







27 fevereiro 2026

A NATUREZA ESPIRITUAL DA REGENERAÇÃO

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 9: Espírito Santo – o Regenerador)

No segundo tópico, trataremos da natureza espiritual da regeneração. Com base no diálogo de Nicodemos com Jesus, conforme registrado no Evangelho de João, compreenderemos que a regeneração é uma transformação interior, e não um mero aperfeiçoamento do comportamento humano.

Na sequência, reafirmaremos, como já exposto no primeiro tópico, que a regeneração é obra soberana do Espírito Santo e não pode ser produzida pela natureza humana.

Por fim, veremos que o ser humano regenerado passa a desfrutar de uma nova vida e a evidenciar uma nova conduta, ambas produzidas pelo Espírito Santo em seu interior. 

1. Uma transformação interior. 

Nicodemos iniciou sua conversa com Jesus chamando-o de “Rabi”, transliteração do termo hebraico Rabbi, que significa “Meu Mestre”. Esta palavra tem origem na raiz hebraica rav, que, no hebraico bíblico, expressa a ideia de “grande”, “distinto” ou “notável” no conhecimento.

Ao dirigir-se a Jesus dessa maneira, Nicodemos reconheceu que Ele era um Mestre vindo da parte de Deus, em razão dos sinais que realizava. Em suas palavras iniciais, percebemos que ele havia presenciado alguns dos milagres operados por Jesus e compreendeu que eram, de fato, manifestações do poder divino.

Diferentemente de outros integrantes do partido dos fariseus, esse mestre da Lei não procurou Jesus com a intenção de criticá-lo ou apanhá-lo em alguma palavra. Ao contrário, demonstrou sincero interesse em compreender a sua mensagem.

Diante dessa abordagem, Jesus respondeu-lhe de modo surpreendente: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3).

A interpretação imediata de Nicodemos foi entender tais palavras em sentido literal, como se Jesus estivesse falando de um novo nascimento físico. Essa compreensão equivocada também é adotada pelo Espiritismo, que afirma estar Jesus ensinando a reencarnação nesse texto.

Entretanto, o Senhor deixou claro que não se tratava de um nascimento biológico, mas de uma transformação interior. Não é uma simples reforma que preserva a mesma estrutura, e sim uma mudança profunda que se inicia na mente e prossegue por meio da renovação do entendimento, conforme ensina o apóstolo Paulo em Romanos 12.2.

2. Uma obra soberana do Espírito. 

Jesus explicou a Nicodemos que não se tratava de um segundo nascimento físico, mas de um nascimento espiritual, expresso na declaração: “nascer da água e do Espírito”. Ao empregar os termos “água” e “Espírito”, o Senhor utilizou linguagem figurada para apontar a ação sobrenatural do Espírito Santo, que transforma o velho homem — cuja natureza foi corrompida pelo pecado — em uma nova criatura, segundo os padrões de Deus.

O nascimento do Espírito refere-se à regeneração operada pelo Espírito Santo no interior do ser humano, produzindo uma transformação profunda, inclusive na mente, para que esteja em conformidade com a mente de Cristo. O Espírito Santo esteve presente na criação do homem e, de igual modo, atua na “recriação” do novo homem, que renasce segundo Deus. O apóstolo Paulo escreveu aos Romanos: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9).

Ao declarar a Nicodemos: “O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai” (Jo 3.8), Jesus evidenciou a soberania da ação do Espírito Santo na regeneração. Trata-se de uma obra que não está sujeita ao controle humano nem depende de méritos ou esforços pessoais.

O Espírito Santo opera no interior do pecador, convencendo-o e capacitando-o a crer em Jesus. Ao atender à voz do Espírito, o homem é justificado, regenerado e santificado. Contudo, o Espírito não constrange ninguém a crer, pois Deus concedeu ao ser humano o livre-arbítrio. As Escrituras registram reiterados convites divinos, como: “Se alguém quer vir após mim...” e “Vinde a mim...”, palavras do próprio Senhor (Mt 16.24; 11.28), conclamando todos a uma decisão voluntária de fé e obediência.

3. Uma nova vida e nova conduta. 

Na continuidade de sua explicação a Nicodemos, Jesus declarou: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Para compreendermos plenamente essa afirmação, é necessário considerar o significado dos termos “carne” e “espírito” no contexto do Novo Testamento.

A palavra “carne”, na Bíblia, é um termo polissêmico, isto é, possui diferentes significados, conforme o contexto:

a) O tecido muscular do ser humano e dos animais — a parte macia, fibrosa e irrigada de sangue que se encontra entre a pele e os ossos.

b) O corpo humano como um todo — em diversos textos bíblicos, “carne” não se refere apenas ao tecido muscular, mas à totalidade do corpo.

c) A fragilidade humana — em certas passagens, o termo aponta para a condição limitada e mortal do ser humano.

d) A natureza humana corrompida pelo pecado — especialmente no Novo Testamento, “carne” pode designar a inclinação pecaminosa da natureza humana.

A palavra “espírito”, conforme estudado em lições anteriores, também apresenta diferentes significados. O termo grego pneuma significa literalmente “sopro” ou “vento”, mas, nas Escrituras, pode referir-se ao Espírito de Deus, ao espírito humano ou a seres espirituais. Quando grafado com inicial maiúscula, refere-se ao Espírito Santo.

Ao afirmar que há dois tipos de nascimento — o da carne e o do Espírito — Jesus não estava tratando meramente do nascimento biológico. O nascimento “da carne” aponta para a condição humana marcada pelo pecado. Já o nascimento “do Espírito” refere-se ao novo nascimento, que produz em nós uma nova vida e se evidencia pelo fruto do Espírito, conforme ensina o apóstolo Paulo em Gálatas 5.22.

É importante destacar que a velha natureza não é erradicada imediatamente após o novo nascimento; ela permanece até a glorificação do corpo. Todavia, na conversão a Cristo, o Espírito Santo gera em nós uma nova natureza, segundo os padrões divinos, e nos capacita a mortificar as obras da velha natureza, à medida que caminhamos em comunhão com Ele.

Ev. WELIANO PIRES 

O ESPÍRITO NOS GUIA NA VONTADE DO PAI

  (Comentário do 2⁰ tópico da Lição 11: O Pai e o Espírito Santo) Neste segundo tópico, estudaremos como o Espírito Santo conduz a vida do c...