14 fevereiro 2026

A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO

(Comentário do 3º tópico da Lição 7: A Obra do Filho).

No terceiro e último tópico, trataremos da última etapa da obra de Cristo, que foi a Sua gloriosa exaltação pelo Pai.

Veremos que, após passar por todo o processo de humilhação voluntária — tornando-se humano e suportando o sacrifício vicário na cruz — Cristo foi recebido à destra do Pai e entronizado com glória eterna.

Veremos, ainda, que Cristo recebeu do Pai “um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2.9b). Isso significa que nenhuma autoridade visível ou invisível pode se igualar à Sua autoridade suprema.

Por fim, abordaremos a soberania universal e o retorno triunfal de Cristo. O apóstolo Paulo afirma que, após a exaltação de Cristo, todas as criaturas se curvarão diante do nome de Jesus (Fp 2.10), e que Cristo retornará de forma triunfal como Rei e Senhor absoluto de todo o universo.

1. Recebido à destra do Pai. 

A exaltação de Cristo é uma das mais gloriosas verdades da fé cristã. Após cumprir plenamente a obra da redenção, o Filho foi exaltado pelo Pai e entronizado em glória. Essa verdade não é apenas doutrinária, mas também consoladora, pois fundamenta a nossa esperança e assegura o nosso acesso à presença de Deus.

Na Epístola aos Filipenses, o apóstolo Paulo de Tarso declara:

“Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2.9).

A expressão grega hypsýpsōsen significa superexaltar ou elevar à mais alta posição. Essa exaltação é a resposta divina à humilhação voluntária de Cristo, que foi obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.8).

É importante destacar que o Filho nunca deixou de possuir a mesma essência e glória do Pai. Contudo, na encarnação, esvaziou-se voluntariamente, assumindo a forma de servo, sem abrir mão de sua divindade. A exaltação, portanto, não lhe concedeu uma nova natureza, mas manifestou publicamente a sua glória eterna.

Após a ressurreição e ascensão, Cristo foi entronizado à destra do Pai. Estar à “destra” simboliza posição de honra, autoridade e soberania. No contexto monárquico antigo, esse lugar era reservado ao herdeiro do trono, que participava do governo do reino.

Assim, Cristo não apenas retornou ao Céu, mas assentou-se no trono, indicando que sua obra redentora foi consumada. Diferentemente dos sacerdotes do Antigo Testamento, que permaneciam continuamente em pé ministrando, Jesus assentou-se, pois o seu sacrifício foi perfeito e definitivo.

Conforme o próprio Senhor Jesus declarou no Evangelho de João 17.4,5, Ele completou a obra que o Pai lhe confiara e pediu para ser glorificado com a glória que tinha antes que o mundo existisse. Sua entronização, portanto, é o reconhecimento público da missão cumprida.

A exaltação de Cristo tem implicações diretas para a Igreja. À destra do Pai, Ele atua como nosso Advogado e Intercessor. Como ensina Romanos 8.34, Cristo intercede por nós; e, conforme 1 João 2.1, Ele é o nosso Advogado junto ao Pai.

A palavra traduzida por advogado em 1 João 2.1 é “Paracleto” que significa “aquele que é chamado para estar ao lado de outro em um tribunal”, indicando um defensor e auxiliador. Cristo intercede no Céu com base em sua obra consumada. O Espírito Santo, por sua vez, habita em nós e intercede com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26). Não há confusão de funções na Trindade, mas perfeita harmonia na obra da salvação.

Graças à exaltação de Cristo, temos livre acesso à presença de Deus e a certeza de que nossa redenção é eficaz e eterna. O fato de Cristo estar assentado à destra do Pai fortalece nossa fé e renova nossa esperança. A sua obra está consumada, a  sua vitória é definitiva e a sua intercessão é contínua.

2. Um nome acima de todo nome. 

Na segunda parte de Epístola aos Filipenses 2.9, o apóstolo Paulo declara que, após a humilhação voluntária de Cristo (Fp 2.5–8), o Pai “lhe deu um nome que é sobre todo o nome”. Esta exaltação, conforme já falamos, é a resposta divina à obediência perfeita do Filho. Aquele que se humilhou até a morte de cruz foi soberanamente exaltado.

Para compreendermos o significado dessa afirmação, é necessário recordar que o conceito de nome, na Bíblia, difere da concepção moderna. Nas Escrituras, o nome não representa apenas a identificação pessoal, mas está relacionado ao caráter, à autoridade e à posição de quem o possui. Em muitos casos, o nome expressava circunstâncias do nascimento ou características marcantes da vida da pessoa.

No texto de Filipenses 2.9, Paulo afirma que Cristo recebeu um “nome” (gr. onoma) que está acima de todo nome. O termo grego onoma pode referir-se ao nome próprio, à reputação (Mc 6.14), ao caráter (Mt 6.9), à autoridade ou a um título de dignidade concedido a alguém, como César, Herodes ou Faraó. Também pode designar um grupo identificado por determinado nome (Ap 3.4).

Nesse contexto de Filipenses 2.9, o “nome sobre todo nome” aponta para o reconhecimento público do senhorio universal de Cristo. O nome que Jesus recebeu do Pai não se refere a um novo vocábulo, mas à investidura suprema de autoridade, glória e domínio sobre todas as coisas, visíveis e invisíveis. Trata-se da proclamação universal de seu senhorio.

Além disso, Cristo delegou à sua Igreja autoridade para agir em seu Nome contra as forças espirituais da maldade e para realizar sinais que confirmam a proclamação do Evangelho, conforme registrado em Evangelho segundo Marcos 16.17,18:

“Em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.”

Assim, o Nome de Jesus expressa sua autoridade soberana e fundamenta a atuação espiritual da Igreja no cumprimento de sua missão. Se Cristo foi exaltado acima de todo poder e autoridade, a Igreja deve viver debaixo do seu senhorio, confiando plenamente em sua supremacia. Agir em nome de Jesus não é repetir uma fórmula, mas submeter-se à sua vontade e representar seu caráter no mundo.

3. Soberania universal e retorno triunfal. 

Nos versículos seguintes de Filipenses 2.10–11, o apóstolo Paulo declara:

“Ao nome de Jesus se dobrará todo joelho, e toda língua confessará que Ele é o Senhor.”

Muitos estudiosos entendem que essa referência está associada ao título “Senhor” (Kyrios), que expressa a sua plena divindade e soberania. O Antigo Testamento já apontava para isso em Isaías 45.23: “A mim se dobrará todo joelho, e a mim jurará toda língua”. Paulo aplica esse princípio ao nome de Cristo, mostrando a sua divindade e autoridade universal e eterna.

Em sua pregação no dia de Pentecostes, em Atos 2.36 o apóstolo Pedro declarou:

“Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.”

Quer a humanidade creia ou não, Cristo é Senhor absoluto do universo. Sua autoridade é plena e incontestável sobre todos os seres e poderes, visíveis e invisíveis. Atualmente, o reconhecimento dessa autoridade é voluntário, como ensina Epístola aos Romanos 10.9–10:

“A saber: se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.”

Cristo chama a todos para que se submetam ao seu senhorio: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos...” (Mt 11.28); “Se alguém quer vir após mim...” (Mt 16.24); “Quem quiser, tome de graça da água da vida” (Ap 22.17).

Todavia, chegará o dia em que esse reconhecimento será universal e inevitável: todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai (Fp 2.10–11). Essa confissão será voluntária para aqueles que creem e servem a Cristo, conduzindo-os à salvação, e compulsória para os que o rejeitaram, como sinal do juízo vindouro (Rm 14.11; Fp 2.11).

O retorno de Cristo será triunfal, em glória, poder e justiça, e terá um duplo efeito: Para a Igreja haverá Salvação, pois Ele buscará os que o esperam, cumprindo a promessa da esperança cristã (Hb 9.28; Jo 14.2–3). Para os ímpios, no entanto, terá um efeito de juízo. A Sua glória será reconhecida por todos, resultando em condenação para aqueles que o rejeitaram (Mt 24.30).

A soberania de Cristo exige resposta pessoal e congregacional. A Igreja deve viver sob seu senhorio, proclamando o seu Nome com coragem, obedecendo à sua vontade e aguardando vigilante o seu retorno triunfal. Não se trata apenas de confessar verbalmente, mas de agir em obediência e fé.

Ev. WELIANO PIRES

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