(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 6: O Filho como o Verbo de Deus).
No segundo tópico, abordaremos o Verbo como Criador. Com base em João 1.3, demonstraremos que o Verbo é o agente da criação, o que comprova a sua divindade, uma vez que Gênesis 1 afirma que Deus é o Criador de todas as coisas.
Em seguida, à luz de João 1.4a, veremos que o Verbo é a fonte da vida, tanto física quanto espiritual e eterna. Essa verdade evidencia a sua autossuficiência, atributo que confirma a sua natureza divina.
Por fim, com base em João 1.4–5, veremos que o Verbo é a luz dos homens. Essa simbologia revela o seu caráter divino e afirma que as trevas não prevalecem contra Ele.
1. O agente da criação. Desde o relato da criação em Gênesis, as Escrituras revelam Deus como o Criador de todas as coisas. À luz do Novo Testamento, compreendemos que essa obra criadora foi realizada por meio do Filho, que atua como o Agente da criação. No primeiro capítulo de Gênesis, vemos que Deus criou todas as coisas: céu, terra, mares e tudo o que neles há. O Filho não está incluído entre as coisas criadas, pois Ele é Criador e não criatura.
O apóstolo João afirma claramente essa verdade ao declarar:
“Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3).
Nessa mesma linha de pensamento, o apóstolo Paulo escreveu aos colossenses:
“Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.16,17).
Essas declarações evidenciam que o Filho criou não apenas as coisas visíveis do universo, mas também as invisíveis, como os anjos. Essa verdade bíblica refuta diretamente o arianismo, doutrina surgida no século IV que ensinava que o Filho teria sido criado em algum momento da eternidade.
À luz das Escrituras, fica claro que nunca houve um tempo em que o Verbo não existisse. Ele é Deus, eterno e jamais foi criado, pois é o Criador de todas as coisas. O próprio Jesus testemunhou essa verdade ao orar pelos seus discípulos, quando falou ao Pai acerca da glória que tinha com Ele antes que o mundo existisse (Jo 17.5).
2. A fonte da vida. Depois de afirmar que o Verbo criou todas as coisas, o evangelista João declara:
“Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo 1.4).
Essa declaração é de grande relevância teológica, pois evidencia que o Verbo é autoexistente, isto é, possui a vida em Si mesmo e é o doador da vida. Segundo o comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal, “a ‘vida’ (gr. zōē) é um dos temas centrais do Evangelho de João, aparecendo 36 vezes. Jesus é descrito como o Pão da Vida (Jo 6.35,48) e a Água da Vida (Jo 4.10,11; 7.38). Suas palavras são palavras de vida eterna (Jo 6.68). Ele é quem dá a vida (Jo 6.33; 10.10), e essa vida é um dom de Cristo (Jo 10.28).”
O próprio Jesus confirmou essa verdade em diversos episódios registrados no Evangelho segundo João. Pouco antes de ressuscitar Lázaro, Jesus afirmou a Marta, sua irmã:“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11.25).
No capítulo 14 desse mesmo Evangelho, Jesus reafirma aos seus discípulos que Ele é a vida (Jo 14.6). Ele não é apenas o doador da existência física, mas o concedente da vida eterna e plena em comunhão com Deus. Somente Deus pode fazer tal afirmação a respeito de Si mesmo, pois a vida e a morte estão sob o Seu domínio. É o Senhor quem dá a vida e quem a tira (1 Sm 2.6). Esta afirmação de que Jesus é a vida, confirma mais uma vez a sua divindade.
Quando Jesus afirmou: "Eu Sou a vida”, não se referia apenas à vida física, mas à vida eterna concedida àqueles que nEle creem. Na Escritura, o conceito de vida vai muito além do intervalo entre a concepção e a morte física. Nem sempre o termo vida apresenta o mesmo significado.
Conforme a Concordância Bíblica de Strong, o vocábulo grego zoe, traduzido por “vida” no Novo Testamento, refere-se à vida em seu sentido mais pleno, abrangendo tanto a dimensão física quanto a espiritual. Esse termo é frequentemente utilizado para descrever a vida eterna concedida por meio da fé em Jesus Cristo. Trata-se não apenas de uma existência sem fim, mas de uma vida abundante e plena, caracterizada por um relacionamento vivo e contínuo com Deus.
3. A luz dos homens. João menciona, já no prólogo do seu Evangelho, que “a vida era a luz dos homens” (Jo 1.4b). No Antigo Testamento, Deus é apresentado como “luz”: “O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei?…” (Sl 27.1a).
Em outros textos, a Palavra de Deus também é descrita como “luz”: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz, para o meu caminho” (Sl 119.105).
O Novo Testamento reafirma essa verdade em relação a Deus: “E esta é a mensagem que dele ouvimos e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas” (1 Jo 1.5).
O próprio Jesus afirmou ser a Luz: “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12).
A metáfora da luz é recorrente no Evangelho segundo João. O Comentário da Bíblia o de Estudo Pentecostal (CPAD) enfatiza que “a ‘luz’ (gr. phōs) é mencionada 23 vezes no Evangelho de João, mais do que em qualquer outro livro do Novo Testamento. A vida de Jesus é a luz para todas as pessoas, o que significa que Ele revelou Deus e os Seus planos para a nossa existência, mostrando-nos o caminho de volta a Ele”.
Na Bíblia, a luz também expressa a ideia de perfeição moral absoluta. A afirmação do apóstolo João de que Deus é luz e não há nEle trevas nenhumas indica que Ele é absolutamente santo, isento de qualquer maldade, impureza ou falha em Seu caráter. O mesmo se aplica ao Filho, pois Ele é Deus e possui a mesma natureza do Pai.
Ev. WELIANO PIRES
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