20 fevereiro 2026

AS OBRAS DO ESPÍRITO SANTO

(Comentário do 3º tópico da Lição 8: O Deus Espírito Santo)

Neste terceiro tópico, trataremos de três obras fundamentais do Espírito Santo. Nas duas lições seguintes, abordaremos outras atuações do Espírito Santo na vida do ser humano.

Inicialmente, destacaremos a obra do Espírito Santo na encarnação do Filho de Deus, quando concebeu, no ventre da virgem Maria, o corpo de Jesus.

Em seguida, estudaremos a atuação do Espírito Santo na ressurreição de Jesus. Veremos também que Ele atuará na ressurreição dos justos e na glorificação do nosso corpo, conforme está escrito em Romanos 8.11.

Por fim, analisaremos a obra do Espírito Santo na santificação do crente, a qual apresenta três dimensões: a santificação posicional, a progressiva e a final.

1. O Espírito Santo e a Encarnação.


O tema da encarnação do Filho de Deus já foi amplamente abordado no primeiro tópico da Lição 5, quando tratamos da concepção virginal de Jesus, demonstrando que se tratou de um ato sobrenatural realizado pelo Espírito Santo, sem qualquer intervenção humana.


Na Lição 5, o comentarista escreveu: “O anjo Gabriel explicou à virgem: ‘Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra’ (Lc 1.35a)”. O texto afirma que Jesus seria concebido pela ação do Espírito Santo e pelo poder do Altíssimo.


Posteriormente, na Lição 12, o comentarista retoma esse mesmo tema, apresentando o Espírito Santo como o agente da concepção. Mais uma vez, enfatiza-se que a concepção singular e miraculosa de Jesus é obra direta do Espírito Santo.


Entretanto, é importante destacar que a encarnação do Filho de Deus constitui uma obra da Trindade. As três Pessoas da Santíssima Trindade participaram ativamente desse acontecimento redentor.


O Pai enviou o Filho: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4).


O Filho assumiu a natureza humana: “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.7).


E o Espírito Santo realizou o milagre da concepção: “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo” (Mt 1.18).


Assim, a encarnação revela a perfeita unidade e atuação harmônica da Trindade na execução do plano da redenção, evidenciando a soberania do Pai, a obediência do Filho e a operação poderosa do Espírito Santo.


2. O Espírito Santo e a Ressurreição.

O comentarista apresenta a ressurreição de Jesus como obra do Espírito Santo. Entretanto, assim como ocorreu na encarnação, a ressurreição também deve ser compreendida como ação das três Pessoas da Santíssima Trindade, conforme o próprio comentarista demonstra ao citar diferentes referências bíblicas.

No texto de Atos 2.24, Pedro afirma que Deus ressuscitou a Jesus: “Ao qual Deus ressuscitou, desfazendo as dores da morte, pois não era possível que fosse retido por ela”. A referência aqui aponta para Deus Pai, destacando sua ação soberana que ao ressuscitar Jesus, declarou publicamente que Ele era justo, verdadeiro e aprovado por pelo Pai.

Contudo, o próprio Jesus declarou possuir autoridade para entregar a sua vida e retomá-la. Em João 10.18, Ele afirma: “Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai”. Além disso, declarou: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11.25).

Em João 2.19, Jesus disse: “Destruí este templo, e em três dias o levantarei”. No versículo 21, o evangelista esclarece que Ele falava do templo do seu corpo. Assim, o texto indica que o próprio Cristo retomaria a vida, evidenciando sua autoridade divina sobre a morte.

Quanto ao Espírito Santo, Ele é apresentado nas Escrituras como o agente vivificador. Em Romanos 8.11 lemos: “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita”. Embora o texto mencione “o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus”, numa referência ao Pai, afirma explicitamente que o Espírito vivificará os crentes. Portanto, é coerente afirmar que o Espírito Santo participou da ressurreição de Cristo, exercendo seu poder vivificador.

Essa compreensão é corroborada por 1 Pedro 3.18: “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito”. O texto reforça a atuação do Espírito Santo no evento da ressurreição.

Assim, à luz das Escrituras, concluímos que a ressurreição de Jesus é obra trinitária: o Pai ressuscitou o Filho, o Filho retomou a sua vida pelo seu próprio poder, e o Espírito Santo operou como agente vivificador. Longe de haver contradição, há perfeita harmonia na atuação das três Pessoas da Trindade na realização da redenção.

3. O Espírito Santo e a Santificação.


A santificação é a separação de tudo o que é impuro ou profano para pertencer exclusivamente a Deus e ao seu serviço. Deus é santo em si mesmo, não necessitando de qualquer intervenção externa. Ele não se associa ao mal. Por isso, exige que o seu povo também seja santo: 

“Santificai-vos e sede santos, pois eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 20.7).

Infelizmente, há muitos conceitos equivocados acerca da santidade. No catolicismo romano, por exemplo, considera-se santo aquele que viveu de modo extraordinário, realizou milagres e foi oficialmente canonizado. Já no meio evangélico, especialmente os que não frequentam a Escola Dominical, confundem santidade com perfeccionismo absoluto ou com ascetismo — entendido como abstinência rigorosa de prazeres e isolamento social como meios de alcançar pureza espiritual.

Entretanto, a santificação não é obra humana nem resultado de méritos pessoais. No Novo Testamento, ela é apresentada primeiramente como um ato divino de separação do crente do estilo de vida pecaminoso. Quando recebemos a Cristo como Salvador, somos santificados pelo Espírito Santo e separados do mundo enquanto sistema que se opõe a Deus.

Todavia, a santificação não se limita a um ato inicial. Ela também é um processo contínuo pelo qual o crente é transformado à imagem de Cristo, à medida que anda no Espírito. Dia após dia, o Espírito Santo opera em nós, moldando nosso caráter segundo o padrão de Cristo. Enquanto estivermos neste corpo mortal, ainda enfrentaremos a inclinação da natureza pecaminosa e estaremos sujeitos a falhas. Por isso, dependemos constantemente da graça e da atuação do Espírito.

A santificação apresenta, portanto, três dimensões:

a) Santificação inicial ou posicional. Ocorre no novo nascimento. O crente é separado para Deus, tem seus pecados perdoados e é declarado santo pelos méritos de Cristo.

b) Santificação progressiva. É o processo contínuo de crescimento espiritual durante a vida cristã. À medida que o crente anda no Espírito, reveste-se do novo homem e desenvolve o caráter cristão.

c) Santificação final ou glorificação. Dar-se-á por ocasião do arrebatamento da Igreja, quando o corpo será revestido de imortalidade e incorruptibilidade, ficando definitivamente livre da presença do pecado. 

O tema da santificação do crente pelo Espírito Santo será aprofundado na próxima lição, quando estudaremos “O Espírito Santo, o Regenerador”.

Ev. WELIANO PIRES

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