13 fevereiro 2026

A OBRA REDENTORA DO FILHO

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 7: A Obra do Filho)

No segundo tópico, trataremos da segunda parte da obra do Filho de Deus, que é o processo da redenção por meio do Seu sacrifício na cruz do Calvário.

Inicialmente, abordaremos a ineficácia do sacerdócio levítico para a salvação. Esse era um sacerdócio imperfeito, cujos rituais precisavam ser repetidos, e apontava para o sacrifício perfeito de Cristo.

Veremos, ainda, que o sacrifício de Cristo foi único e suficiente para a purificação dos pecados do mundo inteiro, com a condição de que se creia n’Ele.

Por fim, trataremos da substituição vicária do pecador por Cristo. A palavra vicário significa “em lugar de outro”. A justiça divina exige a punição pelos pecados cometidos, e Cristo assumiu a nossa culpa e pagou o preço da nossa redenção. 

1. A ineficácia do sacerdócio levítico. Em todo o Antigo Testamento, Deus utilizou figuras, tipos e personagens que apontavam para a Nova Aliança, para Cristo, para o seu sacrifício e para a Igreja (Cl 2.16,17; Hb 8.5; 10.1). O escritor da Epístola aos Hebreus demonstra que aqueles rituais eram imperfeitos, provisórios e transitórios, pois não podiam aperfeiçoar a consciência do adorador (Hb 7.18,19; 9.9,10).

Dentre as tribos de Israel, Deus escolheu a tribo de Levi para o serviço sagrado (Nm 3.5-12; Dt 10.8). Os membros dessa tribo não receberam herança territorial na Terra Prometida, porque o Senhor era a sua herança (Nm 18.20; Dt 18.1,2), e dedicavam-se exclusivamente ao serviço do Tabernáculo (Nm 1.50-53). 

Os levitas cuidavam da manutenção do Tabernáculo, realizavam a montagem e a desmontagem da estrutura (Nm 4.1-33), preparavam o necessário para os sacrifícios e transportavam os utensílios sagrados. Com a construção do Templo, nos dias de Salomão (1 Rs 6.1; 8.1-11), os levitas passaram a os levitas passaram a exercer outras funções, como porteiros, guardas, músicos, administradores e mestres da Lei (1 Cr 23.1-5; 2 Cr 35.3).

Da tribo de Levi, Deus escolheu a família de Arão, irmão de Moisés, para exercer o sacerdócio (Êx 28.1; 29.9). Arão foi constituído sumo sacerdote, e seus filhos, sacerdotes (Êx 28.41; Nm 18.7). O ministério dos sacerdotes incluía o oferecimento dos sacrifícios no átrio do Tabernáculo (Lv 1–7) e o serviço no Lugar Santo, onde acendiam continuamente as lâmpadas do candelabro (Êx 27.20,21), trocavam os pães da proposição (Lv 24.5-9) e queimavam o incenso sobre o altar de ouro (Êx 30.7,8).

O sumo sacerdote exercia uma função singular, pois atuava como mediador entre Deus e o povo (Lv 16.32-34). Uma vez por ano, no Dia da Expiação (Yom Kippur), ele entrava no Lugar Santíssimo, também chamado Santo dos Santos, levando o sangue do sacrifício para fazer expiação por si mesmo e pelo povo (Lv 16.11-17; Hb 9.7). Ali estava a Arca da Aliança, onde se encontravam as tábuas da Lei (Êx 25.16; 40.20), um vaso com o maná e a vara de Arão que floresceu (Hb 9.4; Nm 17.8-10).

Por não ser perfeito, o sumo sacerdote precisava oferecer sacrifícios por si mesmo antes de interceder pelo povo (Hb 5.1-3; 7.27). Além disso, os sacrifícios eram repetidos continuamente, evidenciando sua insuficiência (Hb 10.1-4,11). O sistema levítico, embora instituído por Deus, era incapaz de remover definitivamente o pecado, pois consistia em sombras e figuras das realidades celestiais (Hb 8.5; 9.23,24).

2. O Sacrifício único e suficiente. Por ser provisório e insuficiente para solucionar plenamente o problema do pecado, o sacerdócio levítico foi substituído pelo sacerdócio de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 110.4; Hb 7.11-17), que é perfeito, eterno e infinitamente superior (Hb 7.23-28; 9.11,12), tendo oferecido um único e suficiente sacrifício pelos pecados (Hb 10.12-14).

Os sacrifícios e rituais da Antiga Aliança eram repetidos continuamente, ano após ano, porque eram incapazes de remover definitivamente o pecado (Hb 9.6-9; 10.1-4). A repetição constante evidenciava sua limitação. Entretanto, Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29; 1 Pe 1.18,19), ofereceu-se em sacrifício uma única vez pelos pecados de toda a humanidade (Rm 6.10; Hb 9.26-28). Seu sacrifício é plenamente suficiente para purificar, de uma vez por todas, aqueles que nele creem (Hb 7.27; 10.10,14; 1 Jo 1.7).

Ao bradar no Calvário: “Está consumado!” (Jo 19.30), consumando a obra redentora, o véu do Templo — que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo — rasgou-se de alto a baixo (Mt 27.50,51; Mc 15.37,38; Lc 23.45). Esse acontecimento simbolizou o fim da antiga ordem sacrificial e a remoção da barreira que separava o homem de Deus, possibilitando o livre acesso à presença do Pai mediante a fé em Cristo (Hb 10.19-22; Ef 2.13-18).

Assim, somente por meio de Cristo é possível a reconciliação do pecador com Deus, pois Ele é o único caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6), e em nenhum outro há salvação (At 4.12; 1 Tm 2.5).

3. A substituição vicária. Com o pecado de Adão e Eva, todos os seres humanos se tornaram pecadores por natureza e incapazes de se reconciliarem com Deus por si mesmos (Rm 3.23). Deus é absolutamente justo e não pode ignorar o pecado. Por isso, a sua justiça exige a punição pelos pecados cometidos.

Por outro lado, Deus é misericordioso e deseja salvar o ser humano da condenação eterna decorrente do pecado. Assim, entregou o seu Filho Unigênito para padecer em nosso lugar, a fim de que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). O hino 18 da Harpa Cristã descreve bem essa verdade ao declarar: “Na cruz estão unidos a justiça e o amor”.

O sacrifício de Cristo foi vicário e expiatório. A palavra vicário deriva do latim vicarius, que significa “no lugar de outro”. Já o termo expiatório procede do latim expiāre, que significa “purificar” ou “reparar uma falta”. Assim, Jesus padeceu em nosso lugar para purificar-nos dos pecados e reconciliar-nos com Deus.

Jesus é o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Ele levou sobre si os nossos pecados (Is 53.4) e realizou a reconciliação entre Deus e a humanidade (2Co 5.18,21). Conforme afirma a Escritura, há “um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1Tm 2.5). Não há outra forma de salvação para os pecadores senão por meio do sacrifício de Cristo.

Ev. WELIANO PIRES

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