10 janeiro 2026

A PESSOA DE DEUS PAI

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 2: Deus, o Pai)

No terceiro tópico, trataremos da Pessoa de Deus, o Pai, considerando especialmente os atributos pelos quais Ele se revela nas Escrituras. Esses atributos nos ajudam a compreender quem Deus é em Sua essência e como Ele se relaciona com a Sua criação.

Inicialmente, abordaremos os atributos incomunicáveis do Pai, isto é, aquelas qualidades exclusivas da divindade, que não podem ser compartilhadas com nenhuma criatura. Entre esses atributos estão a eternidade, a imutabilidade, a onipotência, a onisciência, a onipresença e a autoexistência. 

Na sequência, estudaremos os atributos comunicáveis do Pai, que são qualidades divinas relacionadas ao aspecto moral e relacional do Criador, como o amor, a bondade, a justiça, a misericórdia, a santidade e a fidelidade. 

Por fim, trataremos dos nomes que revelam o Pai. Nomes hebraicos como El Shadday, Adonai, YHWH, El Shaddai, e o grego Kyrios, revelam verdades profundas acerca de quem Deus é e de como Ele se relaciona com o Seu povo. Importante destacar que estes nomes e títulos revelam o Deus Trino e não apenas o Pai.

1. Atributos incomunicáveis do Pai. Atributos são qualidades, particularidades, traços e características que descrevem uma pessoa, organização ou localidade. No caso de Deus, a teologia bíblica reconhece dois tipos de atributos: os incomunicáveis e os comunicáveis.

Os atributos incomunicáveis são aqueles que pertencem exclusivamente a Deus e não podem ser compartilhados com nenhuma criatura. Já os atributos comunicáveis são qualidades divinas que, embora pertençam plenamente a Deus, são comunicadas aos seres humanos de forma limitada e imperfeita.

Os atributos incomunicáveis revelam a absoluta singularidade de Deus e demonstram que Ele é infinito, soberano e plenamente suficiente em Si mesmo. Nenhuma criatura possui tais atributos, nem mesmo os seres espirituais. É importante destacar que esses atributos pertencem ao Deus Triúno — Pai, Filho e Espírito Santo — e não exclusivamente à Pessoa do Pai.

a) Autoexistência (Asseidade). Deus não foi criado e existe por Si mesmo. Ele é absolutamente autossuficiente, não dependendo de nada nem de ninguém fora de Si para existir ou subsistir.

b) Eternidade. Deus nunca teve princípio e jamais terá fim. Nunca houve um tempo em que Deus não existisse. Ele é eterno, existindo acima do tempo e não sujeito às suas limitações.

c) Onipotência. A palavra onipotência deriva dos termos latinos omni (todo) e potens (poderoso). Deus é onipotente porque todo poder e autoridade pertencem a Ele. Não existe, nem jamais existirá, poder algum capaz de subjugá-Lo. Para Deus, nada é impossível.

d) Onisciência. O termo onisciência resulta da junção de omni (todo) e scientia (conhecimento). Deus conhece plenamente todas as coisas, visíveis e invisíveis, passadas, presentes e futuras, em todos os lugares do universo.

e) Onipresença. A palavra onipresença deriva dos termos latinos omni (todo) e praesentia (presença). Significa que Deus está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. Esse atributo não deve ser confundido com o panteísmo, que ensina que Deus é tudo e tudo é Deus. A onipresença afirma que Deus está em toda parte, sem se confundir com a criação.

f) Unicidade. Deus é único, exclusivo e incomparável em Sua essência, natureza e atributos. Não há outro Deus além d’Ele, nem alguém semelhante a Ele.

g) Imutabilidade. Deus não muda em Sua natureza, essência ou caráter. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Por isso, o verbo ser, quando aplicado a Deus, é expresso no presente eterno: EU SOU.

h) Soberania. Deus governa soberanamente sobre toda a criação, estabelece Suas próprias leis e executa Seus desígnios sem impedimento. Contudo, em Sua soberania, Ele concedeu ao ser humano o livre-arbítrio, permitindo-lhe fazer escolhas reais, pelas quais é responsável e que produzem consequências.

2. Atributos comunicáveis do Pai. Os atributos comunicáveis de Deus são aqueles que Ele compartilha com o ser humano de forma limitada, uma vez que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). Contudo, essas qualidades jamais se manifestam de maneira plena no ser humano, em razão de sua condição de imperfeição e da realidade do pecado, sendo reveladas em sua plenitude somente em Deus.

Dentre os atributos comunicáveis de Deus, destacam-se os seguintes:

a) Amor. O amor faz parte da própria natureza de Deus (1 Jo 4.8). Ele concedeu ao ser humano a capacidade de amar a Deus e ao próximo. Entretanto, nenhum ser humano jamais conseguirá amar com a mesma intensidade, pureza e perfeição com que Deus ama, conforme demonstrado na entrega de Seu Filho unigênito (Jo 3.16).

b) Santidade. Deus é absolutamente santo e puro (Is 6.3). Ele jamais comete erro ou pratica qualquer ato imoral. Contudo, Deus comunica Sua santidade, de forma limitada, ao Seu povo e exige que sejamos santos em toda a nossa maneira de viver. Ainda assim, nenhum ser humano consegue ser santo por si mesmo, pois é o próprio Deus quem nos santifica (1 Pe 1.15,16).

c) Justiça. Deus é absolutamente justo em tudo o que faz (Dt 32.4). Ele sempre age com retidão e jamais comete qualquer injustiça. Esse atributo também é comunicado aos Seus servos, que são chamados a viver e praticar a justiça em suas relações e atitudes.

d) Misericórdia. Deus é misericordioso em Sua essência e manifesta Sua compaixão e bondade para com os seres humanos. A misericórdia do Senhor é a razão de não sermos consumidos (Lm 3.22). Deus também compartilha conosco Seu caráter misericordioso e exige que sejamos misericordiosos para com o nosso próximo.

e) Bondade. Deus é bom em Sua essência (Sl 100.5) e jamais pratica o mal. A bondade é uma das virtudes produzidas pelo Espírito Santo na vida do crente (Gl 5.22). Entretanto, nenhum ser humano jamais alcançará o nível de bondade que há em Deus.

f) Verdade. Deus é o Deus da verdade (Sl 31.5). Ele é absolutamente verdadeiro em tudo o que faz e fala. Em Deus não há mentira, engano ou fingimento. Ele exige que os Seus servos vivam na verdade e rejeitem a mentira (Ef 4.25).

g) Fidelidade. Deus é fiel a Si mesmo e à Sua Palavra. Ele jamais falha em Suas promessas e alianças (Nm 23.19). Ainda que o ser humano seja infiel, Deus permanece fiel, pois não pode negar-Se a Si mesmo (2 Tm 2.13). Do mesmo modo, Ele exige fidelidade do Seu povo (Ap 2.10).

3. Os nomes que revelam o Pai. Diferentemente da compreensão comum da cultura ocidental, na qual os nomes frequentemente servem apenas como identificação pessoal, na Bíblia os nomes de Deus expressam aspectos do seu caráter, da sua natureza e da sua atuação.

O comentarista mencionou aqui alguns nomes de Deus, em hebraico, que revelam a sua natureza, as suas obras e as suas virtudes:

a) Elohim (Gn 1.1). O título Elohim é o plural de Elohah. Esse nome revela Deus como o Criador de todas as coisas. O uso do plural, conforme visto na lição anterior, aponta para a unidade composta de Deus.

b) El Shaddai (Gn 17.1). Esse nome revela a onipotência de Deus. Foi com esse título que Deus se revelou aos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, destacando o seu poder absoluto e a sua suficiência.

c) Adonai (Sl 8.1). Significa “Senhor” e revela a autoridade e o domínio de Deus. O seu correspondente grego é Kyrios (At 2.36), termo que, no Novo Testamento, é aplicado a Jesus, afirmando a sua divindade e senhorio.

d) YHWH. Conhecido como o Tetragrama, é formado pelas consoantes hebraicas Yod, Hê, Vav e Hê. É o nome pelo qual Deus se revelou a Moisés e indica a sua eternidade, imutabilidade e fidelidade: “EU SOU O QUE SOU” (Êx 3.14; 6.3). Esse nome é considerado sagrado pelos judeus e, para evitar o risco de usá-lo em vão, deixou de ser pronunciado, perdendo-se, assim, a sua pronúncia exata.

Posteriormente, os massoretas acrescentaram vogais ao Tetragrama, resultando na forma Yahweh, transliterada para o português como Javé. Por volta de 1270 d.C., teólogos medievais combinaram as consoantes do Tetragrama com as vogais do nome Adonai, originando a forma Yehowah, que deu origem ao termo Jeová em português.

O Tetragrama hebraico também é utilizado em nomes compostos para revelar atributos e ações de Deus, tais como: 

  • Yahweh Yirê (O SENHOR proverá); Yahweh Rafá (O SENHOR que sara);
  • Yahweh Shalom (O SENHOR é Paz);
  • Yahweh Tsidkenu (O SENHOR é a nossa Justiça);
  • Yahweh Raah (O SENHOR é o meu Pastor), entre outros.

Ev. WELIANO PIRES 

09 janeiro 2026

O PAI REVELADO EM CRISTO

(Comentário do 2º tópico da Lição 2: O Deus Pai)

No segundo tópico, veremos que o Pai foi revelado em Cristo. Inicialmente, observaremos que o Pai se revela aos humildes. Analisaremos a declaração de exaltação feita por Jesus em Mateus 11.25, quando disse: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.” Essa afirmação evidencia que a revelação divina não depende do saber humano ou da sabedoria meramente intelectual, mas de um coração humilde e disposto a receber a verdade de Deus.

Na sequência, veremos que o Pai se faz conhecer por meio do Filho, conforme a declaração de Jesus: “Ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27). Deus é um Ser transcendente, isto é, está infinitamente além da plena compreensão humana. Por essa razão, Ele só pode ser verdadeiramente conhecido mediante a revelação que ocorre em Cristo. O Filho é o único mediador entre Deus e os homens (cf. 1Tm 2.5) e o único plenamente capacitado para revelar a natureza, a vontade e o amor do Pai.

Por fim, veremos que quem vê o Filho, vê o Pai, com base no diálogo entre Jesus e Filipe. Diante do pedido do discípulo — “Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta” — Jesus respondeu: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.8,9). Essa declaração revela a unidade perfeita entre as Pessoas da Santíssima Trindade e afirma que Jesus Cristo é a expressão exata e visível do Pai. Assim, conhecer a Cristo é conhecer o próprio Deus, conforme Ele se revelou de forma plena e definitiva.

1. O Pai se revela aos humildes. No contexto de Mateus 11.25–27, Jesus enfrentava rejeição e resistência por parte dos líderes religiosos de Israel. João Batista havia sido preso e enviou dois de seus discípulos a Jesus para perguntar se Ele era o que havia de vir ou se deveriam esperar outro. Jesus respondeu, orientando-os a anunciar a João que os cegos viam, os coxos andavam, os leprosos eram purificados, os surdos ouviam, os mortos ressuscitavam e o evangelho estava sendo anunciado aos pobres.

Em seguida, Jesus interrogou a multidão acerca da identidade de João Batista e afirmou que ele era mais do que um profeta. Declarou ainda que, entre os nascidos de mulher, não surgira ninguém maior do que João; contudo, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. Jesus explicou que João cumpriu a profecia de Malaquias, que diz:


“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (Ml 4.5).


Depois disso, Jesus censurou a incredulidade daquela geração, pois rejeitaram a pregação de João Batista, que vivia de modo austero, abstendo-se de determinados alimentos e bebidas, e diziam que ele tinha demônio. Por outro lado, quando veio Jesus, que não seguia tais restrições, acusaram-no de ser comilão, beberrão e amigo de pecadores.


Jesus também pronunciou juízo contra as cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum, porque presenciaram muitos milagres e não se arrependeram. Segundo Ele, se em Tiro, Sidom e Sodoma tivessem ocorrido tais milagres, há muito teriam se convertido.


Finalmente, Jesus dirigiu-se ao Pai em oração, dizendo:

“Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11.25).


Nessa declaração, Jesus mencionou dois grupos de pessoas aos quais Deus não se revelou:


a) Os sábios (gr. sophós): Pessoas que se consideram intelectualmente superiores e julgavam-se demasiadamente inteligentes para crer em Deus.


b) Os instruídos (gr. synetós): Indivíduos com elevada formação intelectual que entendiam a fé em Deus como algo próprio dos ignorantes.


Esses dois grupos se enquadram perfeitamente nos fariseus e escribas, que eram soberbos e se julgavam superiores ao povo. Eles afirmavam que apenas os que desconheciam a Lei davam crédito às palavras de Jesus. Não perceberam, porém, que o próprio Deus lhes ocultara a verdade em razão de sua soberba e prepotência, pois “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes”.


Em contraste, Jesus afirmou que o Pai revelou a Sua doutrina aos “pequeninos” (gr. népios). Literalmente, o termo grego népios refere-se a um bebê que ainda não sabe falar. No texto, porém, é empregado em sentido figurado para indicar pessoas simples, humildes e dependentes de Deus.


Evidentemente, Jesus não ensina que Deus se revela apenas aos pobres ou aos analfabetos. O próprio Senhor teve entre seus seguidores pessoas ricas e instruídas, como Lázaro, José de Arimateia, Zaqueu, Nicodemos, Barnabé e o apóstolo Paulo. A questão não está relacionada à condição social ou ao nível de instrução, mas à postura do coração. Deus se revela àqueles que reconhecem sua própria insignificância e se humilham diante dEle.


Por isso, Jesus conclui essa seção declarando:

“Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29).


2. O Pai se faz conhecer pelo Filho. No texto de Mateus 11.27, Jesus declarou:

“Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.”


Deus é transcendente, imensurável e altíssimo; como tal, está infinitamente acima da capacidade humana de compreensão. Sendo assim, nenhum ser humano é capaz de conhecer a Deus por si mesmo. Entretanto, Deus é um Ser pessoal e relacional que se revela. Ele deseja ser conhecido, ainda que não plenamente, pois nenhuma criatura é capaz de conhecê-lo em sua totalidade.


É nesse sentido que Jesus afirma que ninguém conhece o Pai senão o Filho, e ninguém conhece o Filho senão o Pai. Evidentemente, o Espírito Santo, que é Deus, também conhece plenamente o Pai e o Filho. Contudo, nesse momento do ministério terreno de Jesus, a revelação acerca do Espírito Santo ainda não havia sido plenamente apresentada. Essa revelação seria dada de forma mais clara aos discípulos pouco antes de sua ascensão (Jo 14–16).


Deus revelou-se à humanidade de duas maneiras distintas: a revelação geral e a revelação especial.


a) Revelação geral. A revelação geral é aquela pela qual Deus se manifesta a toda a humanidade por meio das coisas criadas, que proclamam a sua glória e o seu poder (Sl 19.1–4; Rm 1.19,20). Por meio dessa revelação, Deus torna todos os seres humanos indesculpáveis diante dEle.


Deus também se revela por meio da consciência humana, implantada em cada pessoa, capacitando-a a discernir, ainda que de forma limitada, entre o bem e o mal. Todavia, conforme estudado anteriormente, a consciência humana foi corrompida pelo pecado e, por isso, não é plenamente confiável. Uma pessoa não regenerada pode praticar o pecado sem sentir acusação em sua consciência, pois esta encontra-se afetada pela natureza pecaminosa.


b) Revelação especial. A revelação especial é a manifestação específica de Deus que torna possível um relacionamento pessoal e redentor com Ele. Inicialmente, Deus revelou-se de maneira especial aos profetas e aos escritores das Escrituras Sagradas, que, inspirados pelo Espírito Santo, transmitiram às gerações futuras a Palavra de Deus.


Deus revelou-se de forma suprema e definitiva na encarnação do Filho. O Verbo se fez carne, assumiu a natureza humana e tornou-se o único mediador entre Deus e os seres humanos (1Tm 2.5), revelando de maneira perfeita o caráter e a vontade do Pai.


Por fim, Deus se revela por meio do Espírito Santo, que é Deus, e atua iluminando a mente humana para o conhecimento da verdade e conduzindo o pecador ao arrependimento e à conversão. Sem a ação eficaz do Espírito Santo, é impossível que alguém se converta, mesmo tendo acesso à revelação geral, à consciência moral ou até mesmo ao conhecimento histórico sobre Jesus, como ocorreu com muitos judeus nos dias do seu ministério terreno.


3. Quem vê o Filho vê o Pai. Durante o seu ministério terreno, Jesus falou continuamente a respeito do Pai, afirmando que fora por Ele enviado ao mundo e que cumpria fielmente as Suas determinações. Contudo, aqueles que o ouviam não compreendiam de quem Ele falava.


No discurso acerca de sua missão, registrado no Evangelho de João, Jesus declarou:


“Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai, que me enviou” (Jo 8.18).


Diante disso, os judeus o questionaram:

— Onde está teu pai?


Jesus respondeu:

“Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai” (Jo 8.19).


Essa incompreensão não se restringia aos líderes judeus. Até mesmo os discípulos demonstravam dificuldade em entender de quem Jesus falava quando mencionava o Pai. No discurso conhecido como As últimas instruções de Jesus aos seus discípulos, Ele afirmou:

“Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis e o tendes visto” (Jo 14.7).


Visto que nunca haviam contemplado a pessoa do Pai e não compreendiam plenamente o significado dessas palavras, Filipe lhe disse:

— Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta (Jo 14.8).


Jesus respondeu:

“Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?” (Jo 14.9,10).


Com essa afirmação, Jesus não ensina que Ele e o Pai sejam a mesma pessoa, conforme propõe o unicismo. O que Ele revela é que o Pai e o Filho compartilham da mesma natureza divina. O caráter, as obras e as palavras de Jesus refletem perfeitamente o Pai, pois ambos são o mesmo Deus em essência, embora sejam pessoas distintas. 


É nesse sentido que Jesus afirma que quem vê o Filho, vê o Pai. Conhecer o Filho é conhecer o Pai; rejeitar o Filho é rejeitar a revelação máxima de Deus, pois o Filho é a expressão exata do Pai.


08 janeiro 2026

A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI

(Comentário do 1º tópico da Lição 2: O Deus Pai).

Neste primeiro tópico, trataremos da identidade de Deus, o Pai. Inicialmente, veremos que o Pai é o Único Deus Verdadeiro, ressaltando o papel de Deus como Pai enquanto Criador e sustentador de todas as coisas. Nesse ponto, o professor deve ter especial cuidado para não incorrer no erro do unitarismo, que ensina que somente o Pai é Deus verdadeiro e que o Filho seria uma criatura do Pai. A revelação bíblica afirma que Deus é uma unidade composta, de modo que Pai, Filho e Espírito Santo são o mesmo Deus, coexistindo eternamente como três Pessoas distintas, porém consubstanciais.

Na sequência, abordaremos o Pai como a fonte da divindade. Aqui também é necessário cautela para evitar o erro do subordinacionismo, que defende a superioridade do Pai em relação ao Filho, e do Filho em relação ao Espírito Santo. Embora a Bíblia apresente o Pai como a origem e fonte eterna da divindade, isso não implica prioridade temporal, hierarquia ontológica ou desigualdade de essência. Trata-se de uma distinção relacional e funcional, conforme já exposto na introdução desta lição, e não de natureza ou valor.

Por fim, veremos que o Pai age por meio do Filho e do Espírito Santo. Essa verdade não sugere inferioridade entre as Pessoas da Santíssima Trindade, mas descreve a forma harmoniosa e ordenada como cada Pessoa divina atua tanto na criação quanto na redenção do ser humano. É fundamental esclarecer que as três Pessoas da Trindade são iguais em essência, eternas e inseparáveis em suas obras. Assim, em todas as ações do Pai, o Filho e o Espírito Santo também participam, e o mesmo ocorre nas obras do Filho e do Espírito, preservando a perfeita unidade do Deus Triúno.

1. O Pai é o único Deus verdadeiro. Ao ler este ponto da lição, confesso que fiquei um tanto confuso, pois aprendemos, na lição passada, que as três Pessoas da Santíssima Trindade são um único Deus, iguais em essência, natureza e poder. Como, então, podemos afirmar que o Pai é o Único Deus Verdadeiro?

Entretanto, quem fez tal afirmação foi o próprio Jesus, conforme lemos em João 17.3:

“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”

Como resolver essa questão? Se o Pai é o Único Deus Verdadeiro, então o Filho e o Espírito Santo não são também Deus Verdadeiro? Para compreendermos corretamente essa declaração, é necessário considerar o contexto em que Jesus a proferiu. Ele falou na condição humana, exaltando o Pai. Quando Jesus afirma que o Pai é o Único Deus Verdadeiro, isso se dá em oposição aos falsos deuses. De fato, só há um único Deus Verdadeiro. Contudo, esse Deus é uma unidade composta, conforme estudamos na lição anterior.

No Antigo Testamento, o Deus de Israel é apresentado como o único Deus no Shemá Yisrael, que aparece em três textos da Torá: Deuteronômio 6.4-9; 11.13-21 e Números 15.37-41:

“Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.”

Essa declaração constitui a confissão de fé do Judaísmo e é recitada pelos judeus piedosos duas vezes ao dia: ao amanhecer e ao anoitecer. A primeira parte do Shemá proclama a unicidade, unidade e singularidade de Yahweh. Com base nesse texto, os judeus rejeitam o politeísmo, o dualismo e a doutrina da Trindade. Contudo, essa declaração não contradiz a doutrina trinitária.

A palavra hebraica echad (pronuncia-se “errád”), traduzida por “único”, não indica unidade absoluta de pessoa, mas unidade composta. Um exemplo disso encontra-se no matrimônio, quando marido e mulher se tornam “uma só carne”, sem deixarem de ser duas pessoas distintas.

O Cristianismo é uma religião monoteísta, pois cremos em um único Deus, que subsiste eternamente em três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não são três deuses, como ensina o triteísmo, mas um só Deus em três Pessoas. Dessa forma, afirmar que o Pai é o Único Deus Verdadeiro não exclui o Filho nem o Espírito Santo, pois ambos são o mesmo Deus.

O Novo Testamento também afirma claramente que Jesus é Deus Verdadeiro:

“E sabemos que já o Filho de Deus é vindo e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” (1Jo 5.20).

Além disso, as Escrituras afirmam que o Espírito Santo é Deus:

“Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.” (At 5.3,4).

Nas lições em que abordaremos as Pessoas do Filho e do Espírito Santo, retornaremos a este tema e trataremos de forma mais específica da divindade do Filho e do Espírito Santo.

2. O Pai é a fonte da divindade. Neste ponto, é necessário cuidado para evitar equívocos doutrinários. O comentarista afirma que “Deus é o Supremo Ser, é eterno, nunca teve começo nem princípio e nunca terá fim (Dt 33.27), pois Ele existe por si mesmo”. Tal afirmação é absolutamente verdadeira; entretanto, não se aplica exclusivamente à Pessoa do Pai.


Sendo Deus, o Filho também é eterno, pois nunca teve princípio nem terá fim, conforme declara a Escritura:

“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13.8).


Da mesma forma, a Bíblia chama o Espírito Santo de Espírito eterno, pois Ele igualmente não teve princípio e não terá fim:

“Quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hb 9.14).


Todas as afirmações feitas a respeito do Pai — eterno, autoexistente, imutável, Criador, doador e sustentador da vida — aplicam-se igualmente às três Pessoas da Santíssima Trindade, visto que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só Deus. As distinções existentes entre as Pessoas divinas não dizem respeito à essência ou à natureza, mas às funções e às relações pessoais dentro da Trindade.


Assim, somente Deus, o Pai, é chamado de Pai; somente Deus, o Filho, é chamado de Filho; e somente o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. O Pai não foi enviado nem se fez homem; essa missão coube ao Filho. O Espírito Santo, por sua vez, não se encarnou nem enviou o Filho.


Conclui-se, portanto, que a afirmação de que “o Pai é a origem e fonte eterna da divindade, de quem o Filho é gerado e de quem o Espírito procede” refere-se à relação intratrinitária, isto é, à comunhão eterna entre as três Pessoas da Trindade. Tal declaração não implica, de modo algum, superioridade ou subordinação entre as Pessoas divinas, mas apenas distinção pessoal na unidade da essência divina.


3. O Pai age por meio do Filho e do Espírito. Neste ponto, o comentarista aborda as operações do Pai por meio do Filho e do Espírito Santo. Para compreendermos isso, é necessário nos atentarmos para um conceito teológico chamado perícrose. Esse termo descreve a habitação mútua e a interpenetração perfeita entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ou seja, as três Pessoas da Trindade vivem em comunhão eterna, sem se confundir nem se separar. Onde está o Pai, ali também estão o Filho e o Espírito Santo.


Dito isso, analisemos agora o que o comentarista afirma sobre as ações do Pai por meio do Filho e do Espírito Santo. Segundo ele, a paternidade é atributo da primeira Pessoa da Trindade, o Pai. Isso significa que as ações da divindade têm origem no Pai, embora contem com a participação do Filho e do Espírito Santo. O Pai planeja e inicia as obras divinas. Na criação, por exemplo, o Pai pronunciou as palavras criadoras, o Filho as executou, e o Espírito Santo pairava sobre as águas, sustentando as coisas criadas.


Da mesma forma, no plano da redenção humana, o Pai elaborou o plano da salvação e enviou o Filho para realizá-lo. Após a ressurreição e ascensão do Filho, o Espírito Santo foi enviado para agir por meio da Igreja e convencer os pecadores a se renderem a Cristo. Além disso, o Espírito Santo capacita a Igreja com os dons espirituais, para que testemunhe corajosamente do Evangelho.


Esses papéis de cada Pessoa da Santíssima Trindade não implicam, de forma alguma, inferioridade, subordinação ou separação entre elas. Cada Pessoa realiza seu papel em conjunto com as demais, em perfeita harmonia, pois são coeternas e coiguais. Assim, em todas as ações de Deus, estão presentes as três Pessoas divinas.


Ev. WELIANO PIRES

07 janeiro 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 2: O DEUS PAI

 


TEXTO ÁUREO:

“Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt 11.27c).


VERDADE PRÁTICA:

Conhecemos a identidade, os atributos e a glória do Deus Pai por meio da revelação de Cristo e da ação do Espírito Santo.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Mateus 11.25-27; João 14.6-11.


OBJETIVOS DA LIÇÃO:

I) Reconhecer, biblicamente, a identidade de Deus Pai; 

II) Entender que o Pai se revela plenamente em Cristo; 

III) Identificar atributos e nomes que expressam a natureza de Deus Pai.


Palavra-Chave: PAI

Na Bíblia, o termo pai possui ampla gama de significados, variando conforme o contexto linguístico, histórico e teológico.

No hebraico, a palavra traduzida por pai é ʼâb (אַב). Esse termo pode designar o pai biológico de um indivíduo, bem como um antepassado, avô ou patriarca. Também é empregado para indicar o fundador de uma casa, família, clã ou nação. Em outros contextos, refere-se ao originador ou patrono de uma profissão, arte ou ofício. Em sentido figurado, ’av expressa ideias de proteção, benevolência, autoridade, respeito e honra, sendo inclusive usado como título aplicado a governantes ou líderes do povo.

No grego, o termo correspondente é patḗr (πατήρ), igualmente rico em significados. Pode indicar o gerador biológico, um antepassado remoto, ou ainda o fundador de uma família, tribo ou povo. O termo é usado para designar os patriarcas, como Abraão, Isaque, Jacó e Davi. Em sentido figurado, patḗr pode referir-se ao originador ou transmissor de algo, a um mentor espiritual, ou àquele que exerce cuidado e autoridade de maneira paternal. O vocábulo também era utilizado como título de honra atribuído a mestres da Lei e a membros do Sinédrio.

As Escrituras apresentam Deus como Pai em diversos sentidos. Ele é revelado como Pai da criação, incluindo os luminares celestes e todos os seres inteligentes e racionais que Ele criou e governa (cf. Is 64.8). Deus também é chamado de Pai dos que creem em Jesus Cristo, os quais, mediante a fé, são feitos filhos por adoção, sendo introduzidos em um relacionamento íntimo, pessoal e familiar com Ele (cf. Rm 8.15; Gl 4.4,5).

De modo singular e absoluto, Deus é apresentado como Pai de Jesus Cristo. Jesus é identificado nas Escrituras como o Filho Unigênito de Deus. O termo grego monogenḗs (μονογενής) significa “único do seu gênero”, “exclusivo”. Cristo é o Filho Unigênito porque Ele é o único que possui a mesma essência do Pai, sendo eterno, divino e consubstancial com Deus. Essa filiação distingue Jesus de todos os demais filhos de Deus, que o são por criação ou adoção (cf. Jo 1.14,18; 3.16; Hb 1.3).

INTRODUÇÃO 


Esta é a segunda lição sobre a Doutrina da Santíssima Trindade. Na semana passada, tivemos uma lição introdutória sobre o assunto, tomando como base o batismo de Jesus como exemplo da manifestação simultânea das três Pessoas divinas.


Nas próximas três lições, falaremos sobre a primeira Pessoa da Santíssima Trindade, que é o Pai, de quem procedem o Filho e o Espírito Santo. Quando dizemos que o Filho e o Espírito Santo procedem do Pai, é preciso tomar cuidado para não cair no erro de imaginar que o Pai os criou, ou que houve um tempo em que não existiam o Filho e o Espírito Santo, como dizem os unitaristas. Esta procedência não se refere a princípio ou ao tempo, mas à relação eterna entre as três pessoas divinas.


Nesta primeira lição sobre a Pessoa do Pai, estudaremos a identidade, a revelação e a Pessoa de Deus Pai, conforme a Bíblia nos revela. Na introdução desta lição, o comentarista afirma que a doutrina da Trindade significa um só Deus em três Pessoas, que são coeternas, consubstanciais e distintas. Isso significa que:

a) as três Pessoas existem juntas por toda a eternidade, e nenhuma delas teve princípio (coeternas);

b) as três Pessoas são iguais em essência, natureza e poder (consubstanciais);

c) as três Pessoas são distintas, ou seja, o Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo, e vice-versa.


TÓPICOS DA LIÇÃO


I. A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI

Neste primeiro tópico, trataremos da identidade de Deus, o Pai. Inicialmente, veremos que o Pai é o Único Deus Verdadeiro, ressaltando o papel de Deus como Pai enquanto Criador e sustentador de todas as coisas. Nesse ponto, o professor deve ter especial cuidado para não incorrer no erro do unitarismo, que ensina que somente o Pai é Deus verdadeiro e que o Filho seria uma criatura do Pai. A revelação bíblica afirma que Deus é uma unidade composta, de modo que Pai, Filho e Espírito Santo são o mesmo Deus, coexistindo eternamente como três Pessoas distintas, porém consubstanciais.

Na sequência, abordaremos o Pai como a fonte da divindade. Aqui também é necessário cautela para evitar o erro do subordinacionismo, que defende a superioridade do Pai em relação ao Filho, e do Filho em relação ao Espírito Santo. Embora a Bíblia apresente o Pai como a origem e fonte eterna da divindade, isso não implica prioridade temporal, hierarquia ontológica ou desigualdade de essência. Trata-se de uma distinção relacional e funcional, conforme já exposto na introdução desta lição, e não de natureza ou valor.

Por fim, veremos que o Pai age por meio do Filho e do Espírito Santo. Essa verdade não sugere inferioridade entre as Pessoas da Santíssima Trindade, mas descreve a forma harmoniosa e ordenada como cada Pessoa divina atua tanto na criação quanto na redenção do ser humano. É fundamental esclarecer que as três Pessoas da Trindade são iguais em essência, eternas e inseparáveis em suas obras. Assim, em todas as ações do Pai, o Filho e o Espírito Santo também participam, e o mesmo ocorre nas obras do Filho e do Espírito, preservando a perfeita unidade do Deus Triúno.

II. O PAI REVELADO EM CRISTO

No segundo tópico, veremos que o Pai foi revelado em Cristo. Inicialmente, observaremos que o Pai se revela aos humildes. Analisaremos a declaração de exaltação feita por Jesus em Mateus 11.25, quando disse: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.” Essa afirmação evidencia que a revelação divina não depende do saber humano ou da sabedoria meramente intelectual, mas de um coração humilde e disposto a receber a verdade de Deus.

Na sequência, veremos que o Pai se faz conhecer por meio do Filho, conforme a declaração de Jesus: “Ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27). Deus é um Ser transcendente, isto é, está infinitamente além da plena compreensão humana. Por essa razão, Ele só pode ser verdadeiramente conhecido mediante a revelação que ocorre em Cristo. O Filho é o único mediador entre Deus e os homens (cf. 1Tm 2.5) e o único plenamente capacitado para revelar a natureza, a vontade e o amor do Pai.

Por fim, veremos que quem vê o Filho, vê o Pai, com base no diálogo entre Jesus e Filipe. Diante do pedido do discípulo — “Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta” — Jesus respondeu: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.8,9). Essa declaração revela a unidade perfeita entre as Pessoas da Santíssima Trindade e afirma que Jesus Cristo é a expressão exata e visível do Pai. Assim, conhecer a Cristo é conhecer o próprio Deus, conforme Ele se revelou de forma plena e definitiva.

III. A PESSOA DE DEUS PAI

No terceiro tópico, trataremos da Pessoa de Deus, o Pai, considerando especialmente os atributos pelos quais Ele se revela nas Escrituras. Esses atributos nos ajudam a compreender quem Deus é em Sua essência e como Ele se relaciona com a Sua criação.

Inicialmente, abordaremos os atributos incomunicáveis do Pai, isto é, aquelas qualidades exclusivas da divindade, que não podem ser compartilhadas com nenhuma criatura. Entre esses atributos estão a eternidade, a imutabilidade, a onipotência, a onisciência, a onipresença e a autoexistência. Tais perfeições revelam a absoluta singularidade de Deus e demonstram que Ele é infinito, soberano e plenamente suficiente em Si mesmo.

Na sequência, estudaremos os atributos comunicáveis do Pai, que são qualidades divinas relacionadas ao aspecto moral e relacional do Criador. Esses atributos, como o amor, a bondade, a justiça, a misericórdia, a santidade e a fidelidade, são compartilhados com o ser humano de forma limitada, uma vez que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Contudo, essas qualidades jamais se manifestam de maneira plena no ser humano, em razão da sua condição de imperfeição e da realidade do pecado, sendo plenamente reveladas somente em Deus.

Por fim, trataremos dos nomes que revelam o Pai. Diferentemente da compreensão comum da cultura ocidental, na qual os nomes frequentemente servem apenas como identificação pessoal, na Bíblia os nomes de Deus expressam aspectos do Seu caráter, da Sua natureza e da Sua atuação. Assim, nomes hebraicos como El Shadday, Adonai, YHWH, El Shaddai, e o grego Kyrios, revelam verdades profundas acerca de quem Deus é e de como Ele se relaciona com o Seu povo, fortalecendo a fé e a compreensão teológica do crente.


A PESSOA DE DEUS PAI

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 2: Deus, o Pai) No terceiro tópico, trataremos da Pessoa de Deus, o Pai, considerando especialmente os atr...