27 fevereiro 2026

A NATUREZA ESPIRITUAL DA REGENERAÇÃO

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 9: Espírito Santo – o Regenerador)

No segundo tópico, trataremos da natureza espiritual da regeneração. Com base no diálogo de Nicodemos com Jesus, conforme registrado no Evangelho de João, compreenderemos que a regeneração é uma transformação interior, e não um mero aperfeiçoamento do comportamento humano.

Na sequência, reafirmaremos, como já exposto no primeiro tópico, que a regeneração é obra soberana do Espírito Santo e não pode ser produzida pela natureza humana.

Por fim, veremos que o ser humano regenerado passa a desfrutar de uma nova vida e a evidenciar uma nova conduta, ambas produzidas pelo Espírito Santo em seu interior. 

1. Uma transformação interior. 

Nicodemos iniciou sua conversa com Jesus chamando-o de “Rabi”, transliteração do termo hebraico Rabbi, que significa “Meu Mestre”. Esta palavra tem origem na raiz hebraica rav, que, no hebraico bíblico, expressa a ideia de “grande”, “distinto” ou “notável” no conhecimento.

Ao dirigir-se a Jesus dessa maneira, Nicodemos reconheceu que Ele era um Mestre vindo da parte de Deus, em razão dos sinais que realizava. Em suas palavras iniciais, percebemos que ele havia presenciado alguns dos milagres operados por Jesus e compreendeu que eram, de fato, manifestações do poder divino.

Diferentemente de outros integrantes do partido dos fariseus, esse mestre da Lei não procurou Jesus com a intenção de criticá-lo ou apanhá-lo em alguma palavra. Ao contrário, demonstrou sincero interesse em compreender a sua mensagem.

Diante dessa abordagem, Jesus respondeu-lhe de modo surpreendente: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3).

A interpretação imediata de Nicodemos foi entender tais palavras em sentido literal, como se Jesus estivesse falando de um novo nascimento físico. Essa compreensão equivocada também é adotada pelo Espiritismo, que afirma estar Jesus ensinando a reencarnação nesse texto.

Entretanto, o Senhor deixou claro que não se tratava de um nascimento biológico, mas de uma transformação interior. Não é uma simples reforma que preserva a mesma estrutura, e sim uma mudança profunda que se inicia na mente e prossegue por meio da renovação do entendimento, conforme ensina o apóstolo Paulo em Romanos 12.2.

2. Uma obra soberana do Espírito. 

Jesus explicou a Nicodemos que não se tratava de um segundo nascimento físico, mas de um nascimento espiritual, expresso na declaração: “nascer da água e do Espírito”. Ao empregar os termos “água” e “Espírito”, o Senhor utilizou linguagem figurada para apontar a ação sobrenatural do Espírito Santo, que transforma o velho homem — cuja natureza foi corrompida pelo pecado — em uma nova criatura, segundo os padrões de Deus.

O nascimento do Espírito refere-se à regeneração operada pelo Espírito Santo no interior do ser humano, produzindo uma transformação profunda, inclusive na mente, para que esteja em conformidade com a mente de Cristo. O Espírito Santo esteve presente na criação do homem e, de igual modo, atua na “recriação” do novo homem, que renasce segundo Deus. O apóstolo Paulo escreveu aos Romanos: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9).

Ao declarar a Nicodemos: “O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai” (Jo 3.8), Jesus evidenciou a soberania da ação do Espírito Santo na regeneração. Trata-se de uma obra que não está sujeita ao controle humano nem depende de méritos ou esforços pessoais.

O Espírito Santo opera no interior do pecador, convencendo-o e capacitando-o a crer em Jesus. Ao atender à voz do Espírito, o homem é justificado, regenerado e santificado. Contudo, o Espírito não constrange ninguém a crer, pois Deus concedeu ao ser humano o livre-arbítrio. As Escrituras registram reiterados convites divinos, como: “Se alguém quer vir após mim...” e “Vinde a mim...”, palavras do próprio Senhor (Mt 16.24; 11.28), conclamando todos a uma decisão voluntária de fé e obediência.

3. Uma nova vida e nova conduta. 

Na continuidade de sua explicação a Nicodemos, Jesus declarou: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Para compreendermos plenamente essa afirmação, é necessário considerar o significado dos termos “carne” e “espírito” no contexto do Novo Testamento.

A palavra “carne”, na Bíblia, é um termo polissêmico, isto é, possui diferentes significados, conforme o contexto:

a) O tecido muscular do ser humano e dos animais — a parte macia, fibrosa e irrigada de sangue que se encontra entre a pele e os ossos.

b) O corpo humano como um todo — em diversos textos bíblicos, “carne” não se refere apenas ao tecido muscular, mas à totalidade do corpo.

c) A fragilidade humana — em certas passagens, o termo aponta para a condição limitada e mortal do ser humano.

d) A natureza humana corrompida pelo pecado — especialmente no Novo Testamento, “carne” pode designar a inclinação pecaminosa da natureza humana.

A palavra “espírito”, conforme estudado em lições anteriores, também apresenta diferentes significados. O termo grego pneuma significa literalmente “sopro” ou “vento”, mas, nas Escrituras, pode referir-se ao Espírito de Deus, ao espírito humano ou a seres espirituais. Quando grafado com inicial maiúscula, refere-se ao Espírito Santo.

Ao afirmar que há dois tipos de nascimento — o da carne e o do Espírito — Jesus não estava tratando meramente do nascimento biológico. O nascimento “da carne” aponta para a condição humana marcada pelo pecado. Já o nascimento “do Espírito” refere-se ao novo nascimento, que produz em nós uma nova vida e se evidencia pelo fruto do Espírito, conforme ensina o apóstolo Paulo em Gálatas 5.22.

É importante destacar que a velha natureza não é erradicada imediatamente após o novo nascimento; ela permanece até a glorificação do corpo. Todavia, na conversão a Cristo, o Espírito Santo gera em nós uma nova natureza, segundo os padrões divinos, e nos capacita a mortificar as obras da velha natureza, à medida que caminhamos em comunhão com Ele.

Ev. WELIANO PIRES 

25 fevereiro 2026

REGENERAÇÃO: UMA OBRA TRINITÁRIA

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 9: Espírito Santo - o Regenerador)

Neste primeiro tópico, estudaremos que a regeneração é uma obra trinitária. Inicialmente, abordaremos a doutrina bíblica da regeneração, ou novo nascimento, apresentando o seu conceito à luz das Escrituras.

Em seguida, com base na declaração de Jesus a Nicodemos, conforme João 3.3, compreenderemos que a regeneração é uma exigência do Senhor Jesus e condição indispensável para a salvação.

Veremos também que a regeneração tem sua origem no plano eterno e soberano de Deus Pai, pois é Ele quem, movido por Seu imensurável amor, dá início ao processo da salvação do pecador.

Por fim, trataremos do Espírito Santo como o agente direto da regeneração. Embora seja uma obra das três Pessoas da Santíssima Trindade, é o Espírito Santo quem a opera eficazmente no coração do pecador, convencendo-o do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8).

1. A doutrina bíblica da Regeneração

Na teologia cristã, Novo Nascimento e Regeneração são termos equivalentes. A expressão “nascer de novo”, mencionada por Jesus em João 3.3, traduz duas palavras gregas: gennēthē (ser gerado, nascer) e anōthen (do alto, de cima, novamente). Essa expressão também pode ser compreendida como “nascer do alto” ou “nascer de cima”, indicando a origem celestial — e não humana — dessa transformação espiritual.

Nicodemos era mestre da Lei, pertencente ao partido dos fariseus e membro do Sinédrio. Homem influente em Jerusalém, conhecia profundamente a religião judaica e a praticava com zelo. Ao iniciar o diálogo com Jesus, reconheceu que Ele era um rabino vindo de Deus, por causa dos sinais que realizava.

Em resposta, Jesus afirmou que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus. Nicodemos interpretou a declaração de maneira literal e questionou como poderia um homem nascer sendo já adulto. Entretanto, o novo nascimento ao qual Jesus se referiu é uma obra sobrenatural do Espírito Santo. Nenhum ser humano pode alcançá-lo por seus próprios esforços ou méritos.

Outros termos correlatos aparecem no Novo Testamento, como anagennaō (1 Pe 1.3,23), que descreve a ação regeneradora de Deus ao conceder nova vida ao crente, segundo a sua vontade.

Há também o termo palingenesia, traduzido por “regeneração”, intimamente relacionado à conversão. Essa palavra ocorre apenas duas vezes no Novo Testamento: em Mateus 19.28, referindo-se à renovação escatológica; e em Tito 3.5, indicando a regeneração do indivíduo.

Conforme a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, a regeneração “é a transformação do pecador em uma nova criatura pelo poder de Deus, como resultado do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário”. 

A doutrina da regeneração nos ensina que a salvação não é resultado de esforço humano, religiosidade ou mérito pessoal, mas da ação soberana e graciosa de Deus. Assim como Nicodemos, muitas pessoas possuem conhecimento religioso, mas ainda necessitam do novo nascimento. 

2. A Regeneração como exigência de Jesus. 

Jesus foi enfático ao declarar a Nicodemos: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3). Isso significa que a regeneração é indispensável a todos os seres humanos, porque todos pecaram (Rm 3.23).

Quando Adão pecou, a natureza humana foi totalmente corrompida pelo pecado. Se todos pecaram, inevitavelmente precisam ser regenerados. Não há ser humano que tenha nascido justo e sem pecado. Da mesma forma, não há ninguém que não necessite da regeneração.

A Igreja tem a obrigação, diante de Deus, de anunciar ao mundo que todos são pecadores e necessitam da regeneração; do contrário, estarão fora do Reino de Deus. Antes de falarmos da salvação, faz-se necessário falar do pecado, para que as pessoas compreendam que precisam de um Salvador.

3. O Pai como o autor da salvação. 

Neste subtópico, o comentarista enfatiza que a regeneração tem sua origem no plano eterno e soberano de Deus Pai. A base bíblica para essa verdade encontra-se na Epístola aos Efésios 1.3-5: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo...”.

O Pai, em sua soberania, planejou a redenção da humanidade caída, demonstrando seu amor e sua misericórdia. Entretanto, é fundamental compreender que o plano salvífico é essencialmente trinitário. Embora, na chamada “economia da salvação”, cada Pessoa da Trindade exerça funções específicas, não há separação ou independência entre elas. O Pai planeja, o Filho executa e o Espírito Santo aplica a obra redentora.

O Filho, Jesus Cristo, realizou a redenção por meio de sua morte expiatória e ressurreição gloriosa. O Espírito Santo, por sua vez, opera a regeneração no coração do pecador, convencendo-o do pecado, da justiça e do juízo, e conduzindo-o à fé salvadora.

À luz da doutrina da pericorese — a perfeita comunhão e inter-relação entre as Pessoas da Trindade — afirmamos que nenhuma ação divina ocorre de forma isolada. As três Pessoas participam plenamente de toda a obra da salvação, em perfeita unidade e harmonia.

Assim, ao declararmos que o Pai é o Autor da salvação, reconhecemos que o plano redentor procede de sua vontade eterna; contudo, sua execução e aplicação são realizadas em cooperação plena pelo Filho e pelo Espírito Santo. Desse modo, toda a glória da salvação pertence ao Deus Trino.

4. O Espírito como agente da Regeneração. 

A regeneração é um ato da misericórdia divina: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5).

É o Pai quem a decreta: “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.4). Esse decreto, no entanto, não significa escolha arbitrária individual de quem será salvo ou condenado, mas refere-se à eleição em Cristo; ou seja, Deus preestabeleceu que todos os que crerem em Cristo sejam regenerados.

O Filho a torna possível por meio de sua morte e ressurreição: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Ef 1.7). A regeneração só é possível mediante o sacrifício de Cristo, pois Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Em nenhum outro há salvação (At 4.12).

O Espírito Santo, por sua vez, realiza-a no coração do pecador: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo” (Jo 16.8). O ser humano não regenerado está morto espiritualmente em seus pecados e delitos e é incapaz, por si mesmo, de compreender o Evangelho e crer em Jesus. Somente por meio da ação do Espírito Santo é possível haver fé e arrependimento.

Considerando o plano divino da salvação mencionado acima, é o Espírito Santo quem realiza o milagre da regeneração no interior do homem e produz o fruto do Espírito naquele que recebe a Cristo. A regeneração, portanto, não é fruto do esforço humano e só pode ser operada pelo Espírito Santo, mediante a fé em Cristo.

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 9: ESPÍRITO SANTO — O REGENERADOR

Data: 1 de março de 2026

TEXTO ÁUREO:

“Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (Jo 3.3).

VERDADE PRÁTICA:

A regeneração é a transformação operada pelo Espírito Santo, pela qual o pecador se torna uma nova criatura.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: João 3.1-8.

OBJETIVOS DA LIÇÃO:

I) Explicar que a Regeneração é uma obra trinitária, planejada pelo Pai, realizada pelo Filho e aplicada pelo Espírito Santo; 

II) Mostrar que a Regeneração é uma transformação espiritual interior e indispensável à salvação; 

III) Apontar os sinais práticos do Novo Nascimento: justificação, santificação e o fruto do Espírito.

Palavra-Chave: REGENERAÇÃO

A palavra grega traduzida por regeneração é palingenesía, que aparece apenas duas vezes no Novo Testamento:

No texto de Mateus 19.28, o termo é empregado por Jesus para se referir à renovação escatológica de todas as coisas, isto é, à restauração futura no tempo da consumação do Reino, quando o Filho do Homem se assentará no trono da sua glória. Nesse contexto, a palavra aponta para a regeneração no sentido cósmico, relacionada ao estabelecimento pleno do Reino de Deus.

Já na Epístola a Tito 3.5, o termo refere-se à experiência individual da salvação: “o lavar da regeneração e da renovação do Espírito Santo”. Aqui, a regeneração diz respeito à obra interior realizada pelo Espírito Santo na vida do pecador, pela qual ele recebe nova vida espiritual.

Outra expressão amplamente associada à regeneração é gennēthē anōthen, que pode ser traduzida como “nascido do alto”, “nascido de cima” ou “nascido de novo”.

No diálogo entre Jesus e Nicodemos, registrado no Evangelho de João 3, ao afirmar a necessidade de nascer de novo, Jesus foi inicialmente compreendido de forma literal por Nicodemos, que pensou em um segundo nascimento biológico. Entretanto, Cristo referia-se a um nascimento espiritual, “do alto”, operado pelo Espírito.

A regeneração é o ato soberano de Deus, mediante o qual o Espírito Santo comunica vida nova ao pecador arrependido, transformando sua natureza moral e capacitando-o a viver em novidade de vida. Trata-se de uma obra exclusivamente divina, não produzida por méritos humanos, mas resultante da graça de Deus manifestada em Cristo Jesus.

INTRODUÇÃO

Na lição passada, estudamos o tema: O Deus Espírito Santo. Vimos que o Espírito Santo é uma Pessoa distinta, porém consubstancial e coigual ao Pai e ao Filho. Também tratamos da sua divindade e dos seus atributos. Por fim, destacamos três obras principais do Espírito Santo: a encarnação de Jesus, a ressurreição de Jesus e a santificação do crente. Essas obras revelam o poder e a atuação contínua do Espírito Santo na Igreja.

Nesta segunda lição acerca da Pessoa e Obra do Espírito Santo, estudaremos a Regeneração, sua natureza espiritual e seus evidentes sinais na vida do crente. Embora seja uma obra da Trindade, o Espírito Santo é o agente direto da regeneração, aplicando ao pecador a obra redentora realizada por Cristo.

A Regeneração não consiste em mero aperfeiçoamento moral do ser humano, nem em mudança exterior de comportamento. Trata-se de uma obra espiritual, sobrenatural e milagrosa do Espírito Santo, por meio da qual Deus comunica ao pecador uma nova vida, concede-lhe uma nova natureza e imprime-lhe uma nova direção.

Jesus ensinou que, para ver e entrar no Reino de Deus, é necessário nascer de novo, conforme registrado no Evangelho de João 3.3-5. Portanto, a Regeneração, ou Novo Nascimento, é uma experiência indispensável à salvação, sendo condição essencial para que o homem participe do Reino de Deus.

Ev. WELIANO PIRES

20 fevereiro 2026

AS OBRAS DO ESPÍRITO SANTO

(Comentário do 3º tópico da Lição 8: O Deus Espírito Santo)

Neste terceiro tópico, trataremos de três obras fundamentais do Espírito Santo. Nas duas lições seguintes, abordaremos outras atuações do Espírito Santo na vida do ser humano.

Inicialmente, destacaremos a obra do Espírito Santo na encarnação do Filho de Deus, quando concebeu, no ventre da virgem Maria, o corpo de Jesus.

Em seguida, estudaremos a atuação do Espírito Santo na ressurreição de Jesus. Veremos também que Ele atuará na ressurreição dos justos e na glorificação do nosso corpo, conforme está escrito em Romanos 8.11.

Por fim, analisaremos a obra do Espírito Santo na santificação do crente, a qual apresenta três dimensões: a santificação posicional, a progressiva e a final.

1. O Espírito Santo e a Encarnação.


O tema da encarnação do Filho de Deus já foi amplamente abordado no primeiro tópico da Lição 5, quando tratamos da concepção virginal de Jesus, demonstrando que se tratou de um ato sobrenatural realizado pelo Espírito Santo, sem qualquer intervenção humana.


Na Lição 5, o comentarista escreveu: “O anjo Gabriel explicou à virgem: ‘Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra’ (Lc 1.35a)”. O texto afirma que Jesus seria concebido pela ação do Espírito Santo e pelo poder do Altíssimo.


Posteriormente, na Lição 12, o comentarista retoma esse mesmo tema, apresentando o Espírito Santo como o agente da concepção. Mais uma vez, enfatiza-se que a concepção singular e miraculosa de Jesus é obra direta do Espírito Santo.


Entretanto, é importante destacar que a encarnação do Filho de Deus constitui uma obra da Trindade. As três Pessoas da Santíssima Trindade participaram ativamente desse acontecimento redentor.


O Pai enviou o Filho: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4).


O Filho assumiu a natureza humana: “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.7).


E o Espírito Santo realizou o milagre da concepção: “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo” (Mt 1.18).


Assim, a encarnação revela a perfeita unidade e atuação harmônica da Trindade na execução do plano da redenção, evidenciando a soberania do Pai, a obediência do Filho e a operação poderosa do Espírito Santo.


2. O Espírito Santo e a Ressurreição.

O comentarista apresenta a ressurreição de Jesus como obra do Espírito Santo. Entretanto, assim como ocorreu na encarnação, a ressurreição também deve ser compreendida como ação das três Pessoas da Santíssima Trindade, conforme o próprio comentarista demonstra ao citar diferentes referências bíblicas.

No texto de Atos 2.24, Pedro afirma que Deus ressuscitou a Jesus: “Ao qual Deus ressuscitou, desfazendo as dores da morte, pois não era possível que fosse retido por ela”. A referência aqui aponta para Deus Pai, destacando sua ação soberana que ao ressuscitar Jesus, declarou publicamente que Ele era justo, verdadeiro e aprovado por pelo Pai.

Contudo, o próprio Jesus declarou possuir autoridade para entregar a sua vida e retomá-la. Em João 10.18, Ele afirma: “Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai”. Além disso, declarou: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11.25).

Em João 2.19, Jesus disse: “Destruí este templo, e em três dias o levantarei”. No versículo 21, o evangelista esclarece que Ele falava do templo do seu corpo. Assim, o texto indica que o próprio Cristo retomaria a vida, evidenciando sua autoridade divina sobre a morte.

Quanto ao Espírito Santo, Ele é apresentado nas Escrituras como o agente vivificador. Em Romanos 8.11 lemos: “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita”. Embora o texto mencione “o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus”, numa referência ao Pai, afirma explicitamente que o Espírito vivificará os crentes. Portanto, é coerente afirmar que o Espírito Santo participou da ressurreição de Cristo, exercendo seu poder vivificador.

Essa compreensão é corroborada por 1 Pedro 3.18: “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito”. O texto reforça a atuação do Espírito Santo no evento da ressurreição.

Assim, à luz das Escrituras, concluímos que a ressurreição de Jesus é obra trinitária: o Pai ressuscitou o Filho, o Filho retomou a sua vida pelo seu próprio poder, e o Espírito Santo operou como agente vivificador. Longe de haver contradição, há perfeita harmonia na atuação das três Pessoas da Trindade na realização da redenção.

3. O Espírito Santo e a Santificação.


A santificação é a separação de tudo o que é impuro ou profano para pertencer exclusivamente a Deus e ao seu serviço. Deus é santo em si mesmo, não necessitando de qualquer intervenção externa. Ele não se associa ao mal. Por isso, exige que o seu povo também seja santo: 

“Santificai-vos e sede santos, pois eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 20.7).

Infelizmente, há muitos conceitos equivocados acerca da santidade. No catolicismo romano, por exemplo, considera-se santo aquele que viveu de modo extraordinário, realizou milagres e foi oficialmente canonizado. Já no meio evangélico, especialmente os que não frequentam a Escola Dominical, confundem santidade com perfeccionismo absoluto ou com ascetismo — entendido como abstinência rigorosa de prazeres e isolamento social como meios de alcançar pureza espiritual.

Entretanto, a santificação não é obra humana nem resultado de méritos pessoais. No Novo Testamento, ela é apresentada primeiramente como um ato divino de separação do crente do estilo de vida pecaminoso. Quando recebemos a Cristo como Salvador, somos santificados pelo Espírito Santo e separados do mundo enquanto sistema que se opõe a Deus.

Todavia, a santificação não se limita a um ato inicial. Ela também é um processo contínuo pelo qual o crente é transformado à imagem de Cristo, à medida que anda no Espírito. Dia após dia, o Espírito Santo opera em nós, moldando nosso caráter segundo o padrão de Cristo. Enquanto estivermos neste corpo mortal, ainda enfrentaremos a inclinação da natureza pecaminosa e estaremos sujeitos a falhas. Por isso, dependemos constantemente da graça e da atuação do Espírito.

A santificação apresenta, portanto, três dimensões:

a) Santificação inicial ou posicional. Ocorre no novo nascimento. O crente é separado para Deus, tem seus pecados perdoados e é declarado santo pelos méritos de Cristo.

b) Santificação progressiva. É o processo contínuo de crescimento espiritual durante a vida cristã. À medida que o crente anda no Espírito, reveste-se do novo homem e desenvolve o caráter cristão.

c) Santificação final ou glorificação. Dar-se-á por ocasião do arrebatamento da Igreja, quando o corpo será revestido de imortalidade e incorruptibilidade, ficando definitivamente livre da presença do pecado. 

O tema da santificação do crente pelo Espírito Santo será aprofundado na próxima lição, quando estudaremos “O Espírito Santo, o Regenerador”.

Ev. WELIANO PIRES

19 fevereiro 2026

A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 8: O Deus Espírito Santo)

Neste segundo tópico, abordaremos a divindade do Espírito Santo. Iniciaremos tratando do debate “Filioque”, uma expressão latina que significa “e do Filho”.

Na sequência, falaremos sobre os atributos divinos presentes na Pessoa do Espírito Santo, os quais comprovam a sua divindade.

Por último, trataremos dos símbolos do Espírito Santo utilizados na Bíblia, que nos ajudam a compreender o seu caráter e a sua atuação.

1. O debate “Filioque”. A expressão latina filioque significa “e do Filho”, foi inserida no Credo Niceno-Constantinopolitano para reafirmar o ensino bíblico que o Espírito procede do Pai e do Filho: “o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome” (Jo 15.26 — NAA); “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9); “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho” (Gl 4.6). Esse debate ocorreu no século IV em virtude das heresias do arianismo e dos pneumatômacos. Em 381, após confirmar que o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem a mesma essência divina, a igreja aprovou o Credo que ratificava as Escrituras e professava a fé: “no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.

A expressão latina “Filioque” é desconhecida da maioria dos nossos professores e alunos, principalmente onde não há um conhecimento teológico mais aprofundado. Por isso, faz-se necessário trazer uma explicação mais detalhada sobre os concílios da Igreja.

Os concílios eram reuniões da liderança eclesiástica para discutir temas doutrinários e se posicionar a respeito de heresias que surgiam no seio da Igreja. A primeira vez que a Igreja precisou realizar um concílio foi por volta do ano 49 d.C., ainda no período apostólico, para discutir a questão dos judaizantes, que afirmavam: 'Se os gentios não forem circuncidados, não podem ser salvos.' (Concílio de Jerusalém).

Posteriormente, surgiram as chamadas heresias cristológicas que negavam: a humanidade de Cristo (Docetismo e Gnosticismo); a sua divindade (Arianismo); ou a tripessoalidade de Deus (Modalismo). Para responder a essas questões, houve o Concílio de Niceia em 325 d.C., o qual afirmou que o Filho é consubstancial (homoousios) ao Pai, produzindo o Credo Niceno.

Até então, pouco se definia sobre o Espírito Santo. Os credos Apostólico e Niceno diziam apenas 'Creio no Espírito Santo', sem fazer afirmações detalhadas sobre a sua Pessoa. No entanto, com o surgimento da heresia dos pneumatômacos (do grego pneuma 'espírito' e machomai 'combater') — que aceitavam a divindade de Cristo, mas recusavam a do Espírito Santo —, tornou-se necessária uma nova definição.

Para debater esta questão, foi convocado o Concílio de Constantinopla em 381 d.C., que afirmou a divindade da Terceira Pessoa da Trindade e acrescentou as seguintes palavras ao Credo: 'Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado.’

Séculos depois, no século VI, a Igreja Ocidental, no intuito de combater novos focos de arianismo na Espanha, acrescentou a cláusula ao Credo Niceno-Constantinopolitano: 'Que procede do Pai e do Filho (Filioque)'. Até então, o texto oficial dizia que o Espírito Santo procedia apenas do Pai. Esse acréscimo foi um dos principais motivos que provocou a ruptura entre a Igreja Oriental (Ortodoxa) e a Igreja Ocidental (Católica Romana) em 1054, evento conhecido como o 'Grande Cisma do Oriente'.

Na Reforma Protestante, os reformadores mantiveram a posição da Igreja Ocidental. Eles entenderam que tal formulação é bíblica, visto que o Espírito Santo é enviado tanto pelo Pai quanto pelo Filho, conforme João 15:26: 'Mas, quando vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.'”

2. Os atributos divinos do Espírito. Todos os atributos divinos do Pai e do Filho podem ser igualmente relacionados com o Espírito Santo, tais como: Onipotência, o Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas (Lc 1.15; Rm 15.19). Onisciência, não existe nada além de seu conhecimento (At 5.3,4; 1Co 2.10,11). Onipresença, não há lugar algum onde se possa fugir da sua presença (Sl 139.7-10). Eternidade, Ele não passou a existir no Pentecostes, pois estava presente no ato da criação (Gn 1.1,2; Hb 9.14). Esses atributos absolutos são exclusivos da divindade. Tais virtudes são, de modo inequívoco, evidências da deidade do Espírito Santo. Essas características lhe são inerentes, não lhe foram agregadas nem conferidas. A Terceira Pessoa da Trindade possui a mesma essência do Pai e do Filho.

Nas lições em que estudamos a respeito do Pai e do Filho, vimos que ambos possuem atributos exclusivos da divindade, pois nenhuma criatura — seja anjo ou ser humano — os possui. A Bíblia nos revela que esses atributos divinos também pertencem ao Espírito Santo, o que comprova a sua plena divindade.

a) Onipotência. Trata-se de um atributo exclusivo de Deus, pois todo poder e toda autoridade pertencem a Ele. A Bíblia demonstra que o Espírito Santo exerce pleno poder: “Pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus...” (Rm 15.19a).

b) Onisciência. O Espírito Santo conhece todas as coisas, inclusive as profundezas de Deus: “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2.10,11).

c) Onipresença. Significa que Deus está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. O Espírito Santo também possui esse atributo divino, conforme declara o salmista: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no Sheol a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Sl 139.7-10).

d) Eternidade. Atributo divino que afirma que Deus nunca teve princípio e jamais terá fim. Nunca houve um tempo em que Deus não existisse. Ele é eterno, existindo acima do tempo e não sujeito às suas limitações.O Espírito Santo é chamado de “Espírito eterno”: “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hb 9.14).

À luz das Escrituras, afirmamos que o Espírito Santo possui atributos incomunicáveis: onipotência, onisciência, onipresença e eternidade. Tais atributos pertencem exclusivamente a Deus. Portanto, o Espírito Santo é Deus, da mesma essência do Pai e do Filho, coeterno, coigual e consubstancial com ambos.

3. Os símbolos do Espírito. Os principais símbolos representativos do Espírito Santo são: Fogo, utilizado para retratar o batismo no Espírito (At 2.3), simboliza pureza, a presença e o poder de Deus. Água, o Espírito flui da Palavra como águas vivas que refrigeram o crente e o revestem de poder (Jo 7.37-39). Vento, se refere à natureza invisível do Espírito (Jo 3.8). No Pentecostes é representado pelo som como de um vento (At 2.2). Óleo, usado para a luz e a unção, simboliza a consagração do crente para o serviço, e a iluminação para o entendimento das Escrituras (2Co 1.21,22; 1Jo 2.20,27). Pomba, o Espírito desceu sobre Jesus em forma de pomba (Mt 3.16), é símbolo da paz e da mansidão. Cada símbolo atua como figuras para a compreensão do caráter e da atuação do Espírito.

A Bíblia apresenta diversos símbolos que ilustram a ação do Espírito Santo, tais como: o fogo, a água, o vento, o óleo (ou azeite) e a pomba. Entretanto, isso não significa que o Espírito Santo seja qualquer desses elementos, nem que todas as referências bíblicas a esses símbolos se refiram diretamente a Ele.

a) Fogo. O fogo, na Bíblia, geralmente está associado à presença de Deus (Êx 3.2) e simboliza purificação, santificação e poder. No Dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja Primitiva, “foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (At 2.3,4).

O texto não afirma que o Espírito Santo seja fogo, mas que sua manifestação visível ocorreu em forma semelhante a línguas de fogo, indicando sua obra purificadora e capacitadora.

b) Água. A água é indispensável para a vida humana, animal e vegetal. Onde não há água, não há vida. Ela simboliza purificação, renovação e vida espiritual.

Jesus declarou: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” (Jo 7.38). Na sequência, o evangelista explica que Ele se referia ao Espírito Santo, que haviam de receber os que nele cressem (Jo 7.39).

Assim, a água simboliza a ação regeneradora e vivificadora do Espírito Santo.

c) Vento. O vento é invisível, poderoso e não pode ser controlado pelo homem. Nos tempos bíblicos, não se compreendia plenamente sua origem ou direção.

Jesus afirmou: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (Jo 3.8).

O termo grego pneuma pode significar tanto “vento” quanto “espírito”, reforçando a analogia feita por Jesus. O símbolo destaca a soberania e a atuação invisível do Espírito Santo.

d) Óleo ou azeite. Nos tempos bíblicos, o azeite era utilizado como combustível para lâmpadas, como elemento medicinal e na unção de reis, sacerdotes e profetas.

Como símbolo do Espírito Santo, o óleo representa unção, consagração e capacitação divina para o serviço. O apóstolo Paulo declara: “Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus, o qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações” (2 Co 1.21,22).

A unção aponta para a atuação interior do Espírito na vida do crente.

e) Pomba. A pomba é apresentada nas Escrituras como um animal limpo, podendo ser oferecida em sacrifício pelos que não possuíam maiores recursos (Lv 12.8). Também é associada à paz, à simplicidade e à mansidão. 

No batismo de Jesus, o Espírito Santo desceu sobre Ele “como pomba” (Mt 3.16). O texto não afirma que o Espírito seja uma pomba, mas que sua manifestação ocorreu de forma visível semelhante a ela, evidenciando pureza e aprovação divina.

Os símbolos do Espírito Santo revelam aspectos importantes de sua atuação e nos auxiliam na compreensão de sua obra. Entretanto, é necessário cautela na interpretação, evitando alegorizações excessivas ou associações indevidas.

Os símbolos não definem sua essência. O Espírito Santo é Deus, a terceira Pessoa da Trindade, coeterno e coigual com o Pai e o Filho, digno de adoração e obediência.

Ev. WELIANO PIRES 

18 fevereiro 2026

A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO

(Comentário do 1º tópico da Lição 8: O Deus Espírito Santo)

Neste primeiro tópico, estudaremos a Pessoa do Espírito Santo. Inicialmente, veremos que Ele é uma Pessoa, e não uma força impessoal. Na sequência, compreenderemos que, embora o Espírito Santo seja uma Pessoa divina, Ele é distinto do Pai e do Filho. Por fim, abordaremos o Espírito Santo como o Consolador prometido por Jesus aos Seus discípulos.

1. O Espírito Santo é uma Pessoa. Ao afirmarmos que o Espírito Santo é uma Pessoa, estamos declarando uma verdade essencial da fé cristã. A Bíblia não O apresenta como uma força ativa ou mera influência divina, mas como uma Pessoa divina, plenamente participante da Trindade. Ele possui atributos pessoais inconfundíveis como intelecto, sentimentos e vontade.


O apóstolo Paulo ensina que o Espírito Santo revela as profundezas de Deus (1 Co 2.10), demonstrando Seu intelecto. Também adverte os crentes a não O entristecerem (Ef 4.30), evidenciando que Ele possui sentimentos. Além disso, ao tratar dos dons espirituais, o apóstolo afirma que o Espírito distribui a cada um “como quer” (1 Co 12.11), deixando claro que Ele exerce vontade própria. Tais características não podem ser atribuídas a uma energia impessoal, mas a uma Pessoa divina que age de modo consciente e soberano.


As Escrituras também registram a atuação pessoal do Espírito Santo na direção dos servos de Deus. Filipe recebeu uma ordem direta: “Chega-te e ajunta-te a esse carro” (At 8.29). Pedro foi instruído a acompanhar os enviados de Cornélio sem hesitação (At 10.19,29). O apóstolo Paulo e sua equipe missionária foram impedidos de seguir para a Bitínia pelo Espírito (At 16.7). Esses episódios revelam que o Espírito fala, orienta, envia e, quando necessário, impede, conforme o propósito divino.


Sua atuação não se limita ao âmbito individual. Na igreja de Antioquia, enquanto os líderes serviam ao Senhor com jejum e oração, “disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). O texto mostra que o Espírito dirige a Igreja em suas decisões missionárias. De igual modo, a exortação: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7) confirma que Sua voz continua ativa na edificação do Corpo de Cristo.


Portanto, reconhecer a personalidade do Espírito Santo implica desenvolver com Ele um relacionamento consciente e reverente. Não nos relacionamos com uma força, mas com uma Pessoa divina que nos guia, consola, corrige e capacita para o serviço cristão.


2. Pessoa distinta na Trindade. Além de ser uma Pessoa divina, o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho. As Escrituras revelam que Pai, Filho e Espírito Santo são três Pessoas distintas, que subsistem na unidade da mesma essência divina. Não se trata de três deuses, mas de um só Deus em três Pessoas. Também não se trata de uma só pessoa divina que se manifesta de três modos diferentes, como ensina a heresia do modalismo. 


Uma das manifestações mais claras dessa distinção ocorre no batismo de Jesus. O evangelista registra: “E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16,17). Nesse episódio, o Filho é batizado no rio Jordão; o Pai fala dos céus; e o Espírito Santo desce sobre o Filho em forma corpórea, como pomba. As três Pessoas manifestam-Se simultaneamente, evidenciando distinção pessoal.


Outro exemplo marcante encontra-se nas orações de Jesus ao Pai, especialmente na chamada Oração Sacerdotal (Jo 17). Ao declarar: “Eu glorifiquei-Te na terra, tendo consumado a obra que Me deste a fazer. E agora glorifica-Me Tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.4,5), o Senhor demonstra claramente a distinção entre Sua Pessoa e a do Pai. Ele não fala consigo mesmo, mas dirige-Se a Outra Pessoa divina. Ao mencionar “a glória que tinha contigo”, antes da fundação do mundo, afirma Sua preexistência e a comunhão eterna entre o Pai e o Filho.


É importante compreender a diferença entre os termos “distinto” e “diferente”. Embora possam parecer sinônimos, não expressam a mesma ideia. “Distinto” indica que é outro, sem implicar desigualdade de natureza. “Diferente”, por sua vez, sugere desigualdade de essência ou natureza. Na Trindade, as Pessoas são distintas — o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito, e o Espírito não é o Pai —, porém não são diferentes em essência, pois compartilham plenamente a mesma natureza divina.


Assim, afirmar que o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho preserva tanto a unidade de Deus quanto a realidade da comunhão eterna entre as três Pessoas divinas. Trata-se de um mistério revelado nas Escrituras, fundamento da fé cristã histórica e essencial para uma compreensão equilibrada da doutrina de Deus.


3. O Consolador prometido. Antes de Sua ascensão, o Senhor Jesus confortou os discípulos com a promessa da vinda do Espírito Santo. Ele declarou: “E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16). Essa promessa assegurava que a presença divina não seria interrompida com Sua partida, mas continuaria de modo permanente por meio do Espírito Santo.


A palavra grega traduzida por “outro”, nesse texto, é állos, que significa “outro da mesma natureza”. Esse termo difere de héteros, que indica “outro de natureza diferente”. Portanto, ao prometer “outro Consolador”, o Senhor Jesus afirmava que o Espírito Santo seria da mesma essência divina, possuindo a mesma natureza, caráter e poder. Não se trata de uma força inferior ou distinta em essência, mas de uma Pessoa divina igual ao Filho quanto à divindade, embora distinta quanto à Pessoa. Tal verdade refuta interpretações unicistas que negam a distinção pessoal na Trindade.


O termo traduzido por Consolador é parákletos, formado por pará (ao lado de) e kaléō (chamar). A expressão designa alguém chamado para estar ao lado de outro com a finalidade de auxiliar, defender, interceder ou advogar. No contexto jurídico, referia-se a um defensor que atuava em favor de alguém. Assim, o Espírito Santo é apresentado como Aquele que foi enviado pelo Pai, a pedido do Filho, para permanecer ao lado dos crentes, fortalecendo-os, guiando-os e capacitando-os.


Essa promessa também revela a harmonia na atuação das Pessoas divinas: o Filho roga, o Pai envia, e o Espírito Santo vem para habitar nos crentes. Ele dá continuidade à obra de Cristo na vida da Igreja, aplicando a salvação, ensinando a verdade, consolando nos momentos de aflição e capacitando para o testemunho.


Portanto, a promessa do Consolador não é apenas uma declaração doutrinária, mas uma garantia de presença permanente. O Espírito Santo não apenas visita, mas habita no crente, permanecendo para sempre com aqueles que pertencem a Cristo.


Ev. WELIANO PIRES

16 fevereiro 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 8: O DEUS ESPÍRITO SANTO

Data: 22 de fevereiro de 2026

TEXTO ÁUREO

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.” (Jo 14.16).

VERDADE PRÁTICA

O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Trindade, plenamente divino, atuando como Consolador, Ensinador e Santificador da Igreja.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: João 14.25-31.

OBJETIVOS DS LIÇÃO:

I) Mostrar que o Espírito Santo é uma Pessoa, distinta, mas coigual ao Pai e ao Filho; 

II) Evidenciar a plena divindade do Espírito Santo e seus atributos; 

III) Ressaltar as principais obras do Espírito Santo: encarnação, ressurreição e santificação.

INTRODUÇÃO 

Quem é o Espírito Santo? Uma força impessoal ou uma Pessoa divina? Após estudarmos lições específicas acerca das Pessoas do Pai e do Filho, nas próximas três lições nos dedicaremos ao estudo da Pessoa e da Obra do Espírito Santo, com os seguintes temas: O Deus Espírito Santo; Espírito Santo — o Regenerador; e Espírito Santo — o Capacitador.

Nesta primeira lição, cujo tema é “O Deus Espírito Santo”, apresentaremos os conceitos fundamentais acerca da Sua Pessoa, enfatizando que Ele é uma Pessoa divina e não uma força impessoal. O Espírito Santo é uma Pessoa distinta do Pai e do Filho, mas consubstancial com ambos.

Além de ser Pessoa, a Bíblia revela que o Espírito Santo é Deus. Ele possui a mesma essência e natureza do Pai e do Filho. Essa verdade é confirmada tanto pelos atributos divinos que Lhe são conferidos nas Escrituras quanto pelas obras que Ele realiza e pelos símbolos que O representam na Bíblia.

Antes de retornar ao Céu, Jesus prometeu aos Seus discípulos que enviaria outro Consolador, para que estivesse para sempre com eles (Jo 14.16), a fim de consolá-los, ensiná-los e fazê-los lembrar de tudo quanto Ele lhes havia ensinado. Após a ressurreição, Jesus soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20.22).

A partir daquele momento, o Espírito Santo passou a habitar neles. Contudo, Jesus também prometeu o revestimento de poder do Espírito Santo, que viria sobre eles poucos dias depois, com o propósito de capacitá-los para cumprir a missão que lhes fora confiada.

Essa promessa cumpriu-se no Dia de Pentecostes, mas não se limitou àquele evento. Ela continua a se cumprir na vida daqueles que creem e buscam esse revestimento, pois, como declarou Pedro: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.39).

Palavras-Chave: ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo é uma das três Pessoas da Santíssima Trindade, sendo verdadeiro Deus, da mesma essência do Pai e do Filho (Mt 28.19; 2 Co 13.13). 

Ele capacita os crentes para proclamarem a Palavra de Deus com ousadia (At 4.31) e confirma a mensagem do evangelho com sinais que a seguem, segundo a Sua soberana vontade (Mc 16.20; 1 Co 12.4-11).

O Espírito Santo opera também na esfera da salvação. Ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), regenera o pecador (Jo 3.5-8; Tt 3.5) e testifica que somos filhos de Deus (Rm 8.16). É Ele quem aplica no coração humano a obra redentora consumada por Cristo no Calvário. 

Ev WELIANO PIRES 

O DEUS ESPÍRITO SANTO


SUBSÍDIOS DA REVISTA ENSINADOR CRISTÃO / CPAD

Nesta oportunidade, estudaremos sobre a Pessoa do Espírito Santo, que, juntamente com o Pai e o Filho, é plenamente divino e atua para consolar, ensinar e santificar a igreja. A Palavra de Deus nos revela o Espírito Santo como a Terceira Pessoa da Trindade que foi enviada a este mundo para avançar a obra de Cristo. Uma vez que o Filho Unigênito de Deus, que consolava e ensinava Seus discípulos, foi assunto ao Céu, o Pai enviou “outro” Consolador para que estivesse com eles até o fim (Jo 14.16). Este mesmo Espírito da verdade que o mundo não pode receber seria responsável por conduzir os discípulos a cumprir a missão de tornar mundialmente conhecida a mensagem do Evangelho (Mc 16.15). Os três aspectos de Sua atuação (consolo, ensino e santificação) não estariam restritos aos primeiros anos da igreja, mas se estendem às próximas gerações e continuam presentes.


A obra Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal (CPAD) discorre que “a obra do Espírito Santo como Consolador inclui o seu papel como Espírito da Verdade que habita em nós (Jo 14.16; 15.26), como Ensinador de todas as coisas, como aquEle que nos faz lembrar tudo o que Cristo tem dito (14.26), como aquEle que dará testemunho de Cristo (15.26) e como aquEle que convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo (16.8). Não se pode subestimar a importância dessas tarefas. O Espírito Santo, dentro em nós, começa a esclarecer as crenças incompletas e errôneas sobre Deus, sua obra, seus propósitos, sua Palavra, o mundo, crenças estas que trazemos conosco ao iniciarmos nosso relacionamento com Deus. Conforme as palavras de Paulo, é uma obra vitalícia, jamais completada neste lado da eternidade (1Co 13.12)” (2021, p.397).


Não podemos negligenciar a necessidade que temos da Pessoa do Espírito Santo. Sem Sua presença, não podemos exercer o chamado que fomos desafiados a cumprir. É Ele quem nos escolhe para realização da Sua obra a partir da oração (At 13.2). O exercício dos dons espirituais e ministeriais (1Co 12.8-10; Ef 4.11,12), as decisões na condução de Sua obra, a tarefa de convencer os pecadores a Cristo (Jo 16.8) ou mesmo a libertação do pecado ou perdão entre irmãos são obras que dependem inquestionavelmente da atuação do Espírito Santo na Igreja. Nossa dependência dEle é uma forma de glorificá-lO. Quando reconhecemos que sem Ele nada podemos, Sua presença se manifesta para nos mostrar a verdade, direcionar as decisões e nos aconselhar para que tenhamos uma vida sábia.


Fonte:

Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2026, Ed. 104, p.40.



14 fevereiro 2026

A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO

(Comentário do 3º tópico da Lição 7: A Obra do Filho).

No terceiro e último tópico, trataremos da última etapa da obra de Cristo, que foi a Sua gloriosa exaltação pelo Pai.

Veremos que, após passar por todo o processo de humilhação voluntária — tornando-se humano e suportando o sacrifício vicário na cruz — Cristo foi recebido à destra do Pai e entronizado com glória eterna.

Veremos, ainda, que Cristo recebeu do Pai “um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2.9b). Isso significa que nenhuma autoridade visível ou invisível pode se igualar à Sua autoridade suprema.

Por fim, abordaremos a soberania universal e o retorno triunfal de Cristo. O apóstolo Paulo afirma que, após a exaltação de Cristo, todas as criaturas se curvarão diante do nome de Jesus (Fp 2.10), e que Cristo retornará de forma triunfal como Rei e Senhor absoluto de todo o universo.

1. Recebido à destra do Pai. 

A exaltação de Cristo é uma das mais gloriosas verdades da fé cristã. Após cumprir plenamente a obra da redenção, o Filho foi exaltado pelo Pai e entronizado em glória. Essa verdade não é apenas doutrinária, mas também consoladora, pois fundamenta a nossa esperança e assegura o nosso acesso à presença de Deus.

Na Epístola aos Filipenses, o apóstolo Paulo de Tarso declara:

“Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2.9).

A expressão grega hypsýpsōsen significa superexaltar ou elevar à mais alta posição. Essa exaltação é a resposta divina à humilhação voluntária de Cristo, que foi obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.8).

É importante destacar que o Filho nunca deixou de possuir a mesma essência e glória do Pai. Contudo, na encarnação, esvaziou-se voluntariamente, assumindo a forma de servo, sem abrir mão de sua divindade. A exaltação, portanto, não lhe concedeu uma nova natureza, mas manifestou publicamente a sua glória eterna.

Após a ressurreição e ascensão, Cristo foi entronizado à destra do Pai. Estar à “destra” simboliza posição de honra, autoridade e soberania. No contexto monárquico antigo, esse lugar era reservado ao herdeiro do trono, que participava do governo do reino.

Assim, Cristo não apenas retornou ao Céu, mas assentou-se no trono, indicando que sua obra redentora foi consumada. Diferentemente dos sacerdotes do Antigo Testamento, que permaneciam continuamente em pé ministrando, Jesus assentou-se, pois o seu sacrifício foi perfeito e definitivo.

Conforme o próprio Senhor Jesus declarou no Evangelho de João 17.4,5, Ele completou a obra que o Pai lhe confiara e pediu para ser glorificado com a glória que tinha antes que o mundo existisse. Sua entronização, portanto, é o reconhecimento público da missão cumprida.

A exaltação de Cristo tem implicações diretas para a Igreja. À destra do Pai, Ele atua como nosso Advogado e Intercessor. Como ensina Romanos 8.34, Cristo intercede por nós; e, conforme 1 João 2.1, Ele é o nosso Advogado junto ao Pai.

A palavra traduzida por advogado em 1 João 2.1 é “Paracleto” que significa “aquele que é chamado para estar ao lado de outro em um tribunal”, indicando um defensor e auxiliador. Cristo intercede no Céu com base em sua obra consumada. O Espírito Santo, por sua vez, habita em nós e intercede com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26). Não há confusão de funções na Trindade, mas perfeita harmonia na obra da salvação.

Graças à exaltação de Cristo, temos livre acesso à presença de Deus e a certeza de que nossa redenção é eficaz e eterna. O fato de Cristo estar assentado à destra do Pai fortalece nossa fé e renova nossa esperança. A sua obra está consumada, a  sua vitória é definitiva e a sua intercessão é contínua.

2. Um nome acima de todo nome. 

Na segunda parte de Epístola aos Filipenses 2.9, o apóstolo Paulo declara que, após a humilhação voluntária de Cristo (Fp 2.5–8), o Pai “lhe deu um nome que é sobre todo o nome”. Esta exaltação, conforme já falamos, é a resposta divina à obediência perfeita do Filho. Aquele que se humilhou até a morte de cruz foi soberanamente exaltado.

Para compreendermos o significado dessa afirmação, é necessário recordar que o conceito de nome, na Bíblia, difere da concepção moderna. Nas Escrituras, o nome não representa apenas a identificação pessoal, mas está relacionado ao caráter, à autoridade e à posição de quem o possui. Em muitos casos, o nome expressava circunstâncias do nascimento ou características marcantes da vida da pessoa.

No texto de Filipenses 2.9, Paulo afirma que Cristo recebeu um “nome” (gr. onoma) que está acima de todo nome. O termo grego onoma pode referir-se ao nome próprio, à reputação (Mc 6.14), ao caráter (Mt 6.9), à autoridade ou a um título de dignidade concedido a alguém, como César, Herodes ou Faraó. Também pode designar um grupo identificado por determinado nome (Ap 3.4).

Nesse contexto de Filipenses 2.9, o “nome sobre todo nome” aponta para o reconhecimento público do senhorio universal de Cristo. O nome que Jesus recebeu do Pai não se refere a um novo vocábulo, mas à investidura suprema de autoridade, glória e domínio sobre todas as coisas, visíveis e invisíveis. Trata-se da proclamação universal de seu senhorio.

Além disso, Cristo delegou à sua Igreja autoridade para agir em seu Nome contra as forças espirituais da maldade e para realizar sinais que confirmam a proclamação do Evangelho, conforme registrado em Evangelho segundo Marcos 16.17,18:

“Em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.”

Assim, o Nome de Jesus expressa sua autoridade soberana e fundamenta a atuação espiritual da Igreja no cumprimento de sua missão. Se Cristo foi exaltado acima de todo poder e autoridade, a Igreja deve viver debaixo do seu senhorio, confiando plenamente em sua supremacia. Agir em nome de Jesus não é repetir uma fórmula, mas submeter-se à sua vontade e representar seu caráter no mundo.

3. Soberania universal e retorno triunfal. 

Nos versículos seguintes de Filipenses 2.10–11, o apóstolo Paulo declara:

“Ao nome de Jesus se dobrará todo joelho, e toda língua confessará que Ele é o Senhor.”

Muitos estudiosos entendem que essa referência está associada ao título “Senhor” (Kyrios), que expressa a sua plena divindade e soberania. O Antigo Testamento já apontava para isso em Isaías 45.23: “A mim se dobrará todo joelho, e a mim jurará toda língua”. Paulo aplica esse princípio ao nome de Cristo, mostrando a sua divindade e autoridade universal e eterna.

Em sua pregação no dia de Pentecostes, em Atos 2.36 o apóstolo Pedro declarou:

“Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.”

Quer a humanidade creia ou não, Cristo é Senhor absoluto do universo. Sua autoridade é plena e incontestável sobre todos os seres e poderes, visíveis e invisíveis. Atualmente, o reconhecimento dessa autoridade é voluntário, como ensina Epístola aos Romanos 10.9–10:

“A saber: se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.”

Cristo chama a todos para que se submetam ao seu senhorio: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos...” (Mt 11.28); “Se alguém quer vir após mim...” (Mt 16.24); “Quem quiser, tome de graça da água da vida” (Ap 22.17).

Todavia, chegará o dia em que esse reconhecimento será universal e inevitável: todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai (Fp 2.10–11). Essa confissão será voluntária para aqueles que creem e servem a Cristo, conduzindo-os à salvação, e compulsória para os que o rejeitaram, como sinal do juízo vindouro (Rm 14.11; Fp 2.11).

O retorno de Cristo será triunfal, em glória, poder e justiça, e terá um duplo efeito: Para a Igreja haverá Salvação, pois Ele buscará os que o esperam, cumprindo a promessa da esperança cristã (Hb 9.28; Jo 14.2–3). Para os ímpios, no entanto, terá um efeito de juízo. A Sua glória será reconhecida por todos, resultando em condenação para aqueles que o rejeitaram (Mt 24.30).

A soberania de Cristo exige resposta pessoal e congregacional. A Igreja deve viver sob seu senhorio, proclamando o seu Nome com coragem, obedecendo à sua vontade e aguardando vigilante o seu retorno triunfal. Não se trata apenas de confessar verbalmente, mas de agir em obediência e fé.

Ev. WELIANO PIRES

13 fevereiro 2026

A OBRA REDENTORA DO FILHO

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 7: A Obra do Filho)

No segundo tópico, trataremos da segunda parte da obra do Filho de Deus, que é o processo da redenção por meio do Seu sacrifício na cruz do Calvário.

Inicialmente, abordaremos a ineficácia do sacerdócio levítico para a salvação. Esse era um sacerdócio imperfeito, cujos rituais precisavam ser repetidos, e apontava para o sacrifício perfeito de Cristo.

Veremos, ainda, que o sacrifício de Cristo foi único e suficiente para a purificação dos pecados do mundo inteiro, com a condição de que se creia n’Ele.

Por fim, trataremos da substituição vicária do pecador por Cristo. A palavra vicário significa “em lugar de outro”. A justiça divina exige a punição pelos pecados cometidos, e Cristo assumiu a nossa culpa e pagou o preço da nossa redenção. 

1. A ineficácia do sacerdócio levítico. Em todo o Antigo Testamento, Deus utilizou figuras, tipos e personagens que apontavam para a Nova Aliança, para Cristo, para o seu sacrifício e para a Igreja (Cl 2.16,17; Hb 8.5; 10.1). O escritor da Epístola aos Hebreus demonstra que aqueles rituais eram imperfeitos, provisórios e transitórios, pois não podiam aperfeiçoar a consciência do adorador (Hb 7.18,19; 9.9,10).

Dentre as tribos de Israel, Deus escolheu a tribo de Levi para o serviço sagrado (Nm 3.5-12; Dt 10.8). Os membros dessa tribo não receberam herança territorial na Terra Prometida, porque o Senhor era a sua herança (Nm 18.20; Dt 18.1,2), e dedicavam-se exclusivamente ao serviço do Tabernáculo (Nm 1.50-53). 

Os levitas cuidavam da manutenção do Tabernáculo, realizavam a montagem e a desmontagem da estrutura (Nm 4.1-33), preparavam o necessário para os sacrifícios e transportavam os utensílios sagrados. Com a construção do Templo, nos dias de Salomão (1 Rs 6.1; 8.1-11), os levitas passaram a os levitas passaram a exercer outras funções, como porteiros, guardas, músicos, administradores e mestres da Lei (1 Cr 23.1-5; 2 Cr 35.3).

Da tribo de Levi, Deus escolheu a família de Arão, irmão de Moisés, para exercer o sacerdócio (Êx 28.1; 29.9). Arão foi constituído sumo sacerdote, e seus filhos, sacerdotes (Êx 28.41; Nm 18.7). O ministério dos sacerdotes incluía o oferecimento dos sacrifícios no átrio do Tabernáculo (Lv 1–7) e o serviço no Lugar Santo, onde acendiam continuamente as lâmpadas do candelabro (Êx 27.20,21), trocavam os pães da proposição (Lv 24.5-9) e queimavam o incenso sobre o altar de ouro (Êx 30.7,8).

O sumo sacerdote exercia uma função singular, pois atuava como mediador entre Deus e o povo (Lv 16.32-34). Uma vez por ano, no Dia da Expiação (Yom Kippur), ele entrava no Lugar Santíssimo, também chamado Santo dos Santos, levando o sangue do sacrifício para fazer expiação por si mesmo e pelo povo (Lv 16.11-17; Hb 9.7). Ali estava a Arca da Aliança, onde se encontravam as tábuas da Lei (Êx 25.16; 40.20), um vaso com o maná e a vara de Arão que floresceu (Hb 9.4; Nm 17.8-10).

Por não ser perfeito, o sumo sacerdote precisava oferecer sacrifícios por si mesmo antes de interceder pelo povo (Hb 5.1-3; 7.27). Além disso, os sacrifícios eram repetidos continuamente, evidenciando sua insuficiência (Hb 10.1-4,11). O sistema levítico, embora instituído por Deus, era incapaz de remover definitivamente o pecado, pois consistia em sombras e figuras das realidades celestiais (Hb 8.5; 9.23,24).

2. O Sacrifício único e suficiente. Por ser provisório e insuficiente para solucionar plenamente o problema do pecado, o sacerdócio levítico foi substituído pelo sacerdócio de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 110.4; Hb 7.11-17), que é perfeito, eterno e infinitamente superior (Hb 7.23-28; 9.11,12), tendo oferecido um único e suficiente sacrifício pelos pecados (Hb 10.12-14).

Os sacrifícios e rituais da Antiga Aliança eram repetidos continuamente, ano após ano, porque eram incapazes de remover definitivamente o pecado (Hb 9.6-9; 10.1-4). A repetição constante evidenciava sua limitação. Entretanto, Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29; 1 Pe 1.18,19), ofereceu-se em sacrifício uma única vez pelos pecados de toda a humanidade (Rm 6.10; Hb 9.26-28). Seu sacrifício é plenamente suficiente para purificar, de uma vez por todas, aqueles que nele creem (Hb 7.27; 10.10,14; 1 Jo 1.7).

Ao bradar no Calvário: “Está consumado!” (Jo 19.30), consumando a obra redentora, o véu do Templo — que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo — rasgou-se de alto a baixo (Mt 27.50,51; Mc 15.37,38; Lc 23.45). Esse acontecimento simbolizou o fim da antiga ordem sacrificial e a remoção da barreira que separava o homem de Deus, possibilitando o livre acesso à presença do Pai mediante a fé em Cristo (Hb 10.19-22; Ef 2.13-18).

Assim, somente por meio de Cristo é possível a reconciliação do pecador com Deus, pois Ele é o único caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6), e em nenhum outro há salvação (At 4.12; 1 Tm 2.5).

3. A substituição vicária. Com o pecado de Adão e Eva, todos os seres humanos se tornaram pecadores por natureza e incapazes de se reconciliarem com Deus por si mesmos (Rm 3.23). Deus é absolutamente justo e não pode ignorar o pecado. Por isso, a sua justiça exige a punição pelos pecados cometidos.

Por outro lado, Deus é misericordioso e deseja salvar o ser humano da condenação eterna decorrente do pecado. Assim, entregou o seu Filho Unigênito para padecer em nosso lugar, a fim de que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). O hino 18 da Harpa Cristã descreve bem essa verdade ao declarar: “Na cruz estão unidos a justiça e o amor”.

O sacrifício de Cristo foi vicário e expiatório. A palavra vicário deriva do latim vicarius, que significa “no lugar de outro”. Já o termo expiatório procede do latim expiāre, que significa “purificar” ou “reparar uma falta”. Assim, Jesus padeceu em nosso lugar para purificar-nos dos pecados e reconciliar-nos com Deus.

Jesus é o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Ele levou sobre si os nossos pecados (Is 53.4) e realizou a reconciliação entre Deus e a humanidade (2Co 5.18,21). Conforme afirma a Escritura, há “um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1Tm 2.5). Não há outra forma de salvação para os pecadores senão por meio do sacrifício de Cristo.

Ev. WELIANO PIRES

A NATUREZA ESPIRITUAL DA REGENERAÇÃO

( Comentário do 2⁰ tópico da Lição 9: Espírito Santo – o Regenerador) No segundo tópico, trataremos da natureza espiritual da regeneração. C...