29 abril 2022

O QUE REGE O CORAÇÃO REGERÁ O CORPO


Comentário do 2º tópico da Lição 5: O casamento é para sempre

Neste segundo tópico, veremos que, aquilo que rege o coração, regerá o corpo. Veremos a definição e significado bíblico da palavra traduzida por coração. Os nossos pensamentos determinam as nossas ações e a nossa conduta. O nosso cérebro comanda as ações de todo o corpo. Por isso, em vez de tentar dominar os membros do corpo, devemos controlar os pensamentos. Isso só acontecerá se os nossos pensamentos estiverem entregues ao domínio e dependência do Espírito Santo. 


1 - O que procede do coração. Assim como fez com o assassinato, Jesus vai à origem do pecado do adultério que é o coração, ou o interior do homem. Quando a Bíblia fala de coração, evidentemente não está se referindo ao músculo cardíaco, responsável por bombear sangue para todo o corpo. No hebraico, a palavra “leb” ou “lebab (pronuncia-se lev e levav respectivamente) traduzida por coração, é usada para se referir ao próprio órgão cardíaco: “Mas Jeú entesou o seu arco com toda a força e feriu a Jorão entre os braços, e a flecha lhe saiu pelo coração; e caiu no seu carro.” (2 Rs 9.24); aos anseios da pessoa humana: “Deleita-te também no Senhor , e ele te concederá o que deseja o teu coração.” (Sl 37.4); aos pensamentos humanos: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jr 17.9). Esta palavra aparece centenas de vezes no Antigo Testamento, para se referir ao ser interior, ou aquilo que nos faz amar, chorar, pecar e ter empatia.

No grego, a palavra correspondente é “kardia”, que deu origem à palavra portuguesa cardíaco. Esta palavra não também não se refere apenas ao órgão cardíaco. É o centro da personalidade humana, física, emocional, moral e espiritualmente. kardia É o centro dos sentimentos, desejos, alegria, dor, amor, etc. Somente Deus, na sua onisciência, conhece profundamente o coração humano. É no coração (não no órgão físico) que o Espírito Santo habita. Jesus disse que “...a boca fala daquilo que o coração está cheio”. (Mt 12.34). Em outra parte, Ele disse: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.” (Mt 15.19). 

Então, o pecado não se restringe à consumação física do ato, mas, tem o seu início no interior do ser humano. Segundo Charles Spurgeon, “os assassinatos não começam com o punhal, mas com a maldade do coração. Adultérios e prostituições são primeiramente entretidos no coração antes de serem efetuados pelo corpo. O coração é a gaiola de onde essas aves impuras voam. Todos esses males terríveis fluem de uma fonte, o coração do homem.” Por isso, é preciso nascer da água e do Espírito e ter um novo “coração”, onde o Espírito de Deus habita e produz o Fruto do Espírito. (Jo 3.3-5; 2 Tm 1.14; Gl 5.22). 

2 - O homem é o que pensa. O ser humano é formado de três partes: Espírito, alma e corpo. O espírito é a parte capaz de responder a Deus, através da fé e da consciência. É o sopro que Deus colocou no homem no ato da criação. A alma é a sede das emoções e sentimentos. O espírito e a alma são a parte imaterial e são inseparáveis. O corpo é a parte material, composta por órgãos e tecidos. O pensamento humano é regido pela alma. Conforme vimos no ponto anterior, as ações do nosso corpo são primeiro processadas em nosso pensamento. Portanto, o pensamento é o laboratório das ações do corpo, sejam elas boas ou más. Sendo assim, tudo aquilo que plantamos em nosso pensamento irá brotar em nossas ações. Alguns até conseguem disfarçar um pouco as verdadeiras intenções, com palavras enganosas. Mas a essência do ser humano está em seu pensamento. O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos disse: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2). O apóstolo recomenda aos irmãos que não se “conformem” com este mundo (sistema maligno). A palavra conformeis (Gr. schmatizo) significa assimilar-se, moldar de acordo com, tomar a forma do ambiente, amoldar-se.  Em seguida ele recomenda que sejam transformados pela “renovação do vosso entendimento". A palavra “entendimento” (Gr. nous) neste texto não se limita à capacidade intelectual apenas, mas refere-se “ao homem interior", incluindo a capacidade de perceber as coisas espirituais, discernir o bem do mal e julgar com imparcialidade. Isto significa que o ser humano é aquilo que está em seu interior. Se o seu pensamento (ser interior) for mau, as suas atitudes também serão. Se for bom as suas atitudes também serão boas. Hendriksen diz: “Se o que está no coração é bom, o excedente que vaza será bom; se o conteúdo do ser interior é ruim, o que vaza pela boca será também ruim”.


3- Sujeitando o corpo ao Espírito Santo. Conforme já vimos, o nosso corpo é regido pelo nosso coração (pensamentos, ser interior). Por conta da entrada do pecado no mundo, a natureza humana foi terrivelmente afetada e, portanto, os seus instintos naturais são maus. Sendo assim, se o ser humano seguir os seus próprios instintos, cometerá as mais terríveis atrocidades, tanto no campo espiritual, quanto moral. O apóstolo Paulo assim escreveu aos Efésios: “E digo isto e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade do seu sentido, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus, pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração, os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para, com avidez, cometerem toda impureza.” (Ef 4.17-19). Na Epístola aos Gálatas, falando sobre o mesmo assunto, o apóstolo disse que “a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis” Gl 5.17). Ou seja, a natureza humana destituída da glória de Deus, se contrapõe ao modo de vida proposto pelo Espírito Santo e domina o homem. No versículo anterior, Paulo mostra o remédio para vencer a natureza carnal: Andar no Espírito. (Gl 5.16). O verbo grego traduzido por “andai” é “peripateo”. Nos escritos paulinos esta palavra é usada em sentido figurado, com o sentido de “viver”, “portar-se”, ou ‘conduzir-se”. Quanto vivemos na dependência do Espírito Santo e nos submetemos ao Seu domínio, a nossa natureza pecaminosa é dominada e passamos a refletir o caráter de Cristo. Portanto, para vencer o adultério e outros pecados, que são obras da carne, o crente precisa sujeitar-se completamente ao Espírito Santo. 


REFERÊNCIAS: 

GOMES, Osiel. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pág. 93-97.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 1. pág. 434.

E. Howard. Comentário Bíblico Beacon. Gálatas. Editora CPAD. Vol. 9. pág. 68.

LOPES, Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pág. 482-483.

LOPES, Hernandes Dias. GÁLATAS, A carta da liberdade cristã. Editora Hagnos. pág. 238-240.

LOPES, Hernandes Dias. Lucas Jesus o Homem Perfeito. Editora Hagnos. 1 Ed 2017.

HENRY, Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento: MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pág. 568.


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Pb. Weliano Pires

27 abril 2022

A CONDENAÇÃO DO ADULTÉRIO


Comentário do 1º tópico da Lição 5: O casamento é para sempre


O casamento é uma instituição divina. Depois de criar o homem, Deus criou também a mulher para ser a sua ajudadora e parceira na missão de se multiplicarem e dominarem a criação. Na criação, Deus criou um homem e uma mulher e os uniu, tornando-os uma só carne. (Gn 1.27; Gn 2.21-24). Isso mostra claramente que Deus criou o casamento heterossexual, monogâmico e vitalício. O adultério, a poligamia, o homossexualismo e outros desvirtuamentos das relações conjugais surgiram depois, com a entrada do pecado no mundo. 

O adultério sempre foi considerado um pecado gravíssimo, que era punido com a pena capital na Lei mosaica. O sétimo mandamento do decálogo traz expressamente a proibição ao adultério: “Não adulterarás”. O décimo mandamento, proíbe a cobiça à mulher do próximo. Deus sabia perfeitamente que o adultério representa uma ameaça à família. Por isso, deixou expressamente proibido na lei esta prática e prescreveu duras penas para os infratores. No Novo Testamento, o Senhor Jesus vai muito além do entendimento dos escribas e fariseus a respeito desta prática. Veremos neste tópico a definição da palavra adultério, a posição de Jesus a este respeito e os males decorrentes deste grave pecado. 


1- Definição de adultério. Etimologicamente, a palavra portuguesa adultério vem do latim “ad alterum torum” que significa literalmente “na cama de outro”. É uma referência à infidelidade conjugal. Com o passar do tempo, a palavra passou a significar também falsificação, modificação ou fraude. Por exemplo, o “combustível adulterado”, significa que foi alterada a sua fórmula original.

No sentido bíblico, a palavra adultério no hebraico é “na’aph” e o seu correspondente grego é “moicheia”. Significa a relação sexual entre uma pessoa casada e outra que não é seu cônjuge. A palavra é usada também em sentido figurado, para se referir  à adoração aos ídolos, principalmente no Livro do profeta Oséias, onde Deus se refere à infidelidade de Israel como adultério. Em vários textos bíblicos também a palavra aparece com o significado de infidelidade espiritual (Jr 3.8,9; Ez 23.26,43; Os 2.2-13; Mt 12.39; Tg 4.4). Aliás, o primeiro dos mandamentos é: “Não terás outros deuses diante de mim”. 

Entre as nações pagãs, o adultério era tolerado, principalmente por parte dos homens, a não ser que coabitasse com a esposa ou noiva de outro homem. Entretanto, na Lei mosaica, o adultério era expressamente proibido (Êx 20.14; Dt 5.18) e era punido com o apedrejamento do homem e da mulher (Lv 20.10; Dt 22.22). Entretanto, havia várias regras dentro da Lei sobre isso. Se um homem fosse surpreendido com a mulher de outro, os dois seriam mortos (Dt 22.22). Até uma moça prometida em casamento, se outro homem se relacionasse sexualmente com ela, com consentimento dela, ambos seriam mortos (Dt 22.23,24). Se, no entanto, um homem forçasse uma moça prometida em casamento, sem o consentimento dela, apenas ele seria morto (Dt 22.25). 

É importante destacar que a poligamia, embora nunca tenha sido a vontade de Deus, era tolerada nos tempos do Antigo Testamento e não era condenada na Lei (Ex 21.10). Sendo assim, se um homem tivesse mais de uma esposa, isso não era considerado adultério. Até pessoas tementes a Deus como Abraão, Jacó, Gideão, Elcana, Davi e Salomão tiveram mais de uma esposa. Então, do ponto de vista da lei,o adultério era apenas ter relacionamento com a mulher ou marido de outra pessoa. Ter mais de uma esposa legítima não violava o mandamento de não adulterar. Evidentemente, a poligamia nunca foi ordenada por Deus e sempre causou muitos males. 


2 - A posição de Jesus quanto ao adultério. A interpretação que Jesus dá ao sétimo mandamento vai muito além da conjunção carnal entre um homem e a mulher do seu próximo, como ensinavam os rabinos. Jesus coloca no mesmo patamar do adultério consumado, o olhar malicioso e os pensamentos impuros. Depois, Jesus coloca também na condição de adúlteros, aquele que repudia a sua esposa, sem que haja infidelidade da parte dela e casa-se com outra; e aquele que casa com uma esposa repudiada. (Mt 5.31,32). Falaremos mais detalhadamente sobre isso no terceiro tópico. 

No Novo Testamento, em vários textos, o adultério é mencionado como um dentre vários pecados, que impedem a entrada no Reino de Deus. Por exemplo: “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” (1 Co 6.9).


3 - Os males do adultério. Conforme vimos acima, o adultério é sinônimo de infidelidade, falsificação e fraude. Evidentemente, em qualquer relação humana onde há infidelidade, falsificação e fraude, os resultados serão trágicos. No caso da relação conjugal, onde há intimidade absoluta, a situação fica muito pior. O adultério destrói a confiança, causa feridas, sofrimentos, depressão e humilha a parte traída. 

Além disso, afronta à santidade de Deus e contraria a sua vontade, que a família, para que o marido e a esposa fossem uma só carne, propiciando um ambiente saudável e harmonioso para a criação dos filhos. O autor da Epístola aos Hebreus diz: “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará.” (Hb13.4). Então, além dos males causados ao cônjuge traído, aos seus familiares e aos filhos, os adúlteros enfrentarão também o julgamento de Deus. 


4. Como evitar o adultério. O primeiro passo para evitar o adultério físico é fechar todas as brechas. O adversário anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Não devemos jamais flertar com o adultério, pois é algo perigoso. Começa com um olhar, depois um pensamento e por fim, o ato consumado. Ser tentado, não é pecado. Mas, ceder a tentação é. Para um homem casado, a melhor maneira de fechar as portas ao adultério é sempre que possível andar com a esposa e evitar ao máximo conversar a sós com outras mulheres, principalmente as que são atraentes. O homem normalmente é atraído pelo que vê. Portanto, não devemos jamais direcionar os nossos olhos para outra mulher que não seja a nossa esposa. Primeiro vem o olhar, depois a atração (que já é pecado) e se for correspondido, a relação adúltera. No caso das mulheres, o que mais lhe atrai são as palavras e a amabilidade. Portanto, devem tomar cuidado com elogios vindos de outro homem que não seja o seu esposo. Isso pode levá-la a uma atração ou até uma relação adúltera. Paulo nos recomenda a fugir da imoralidade (1 Co 6.18). A vigilância é uma arma muito importante contra o adultério, mas, a principal arma é submeter o nosso corpo ao domínio do Espírito Santo conforme veremos no próximo tópico.


REFERÊNCIAS:

GOMES, Osiel. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pág. 89-93.

PFEIFFER, Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pág. 35-36.

TENNEY, Merril C. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pág. 132-133.

LOPES, Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pág. 201.

RENOVATO, Elinaldo. A Família Cristã e os Ataques do Inimigo. Editora CPAD. 1ª edição: 2013. pág. 68.

CHAMPLIN, Russell Norman. Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pág. 2558-2559.

Mesquita. Antônio Neves de. Provérbios. Editora JUERP.


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Pb. Weliano Pires

26 abril 2022

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 5: O CASAMENTO É PARA SEMPRE


REVISÃO DA LIÇÃO PASSADA

Na lição passada estudamos sobre a abrangência que Jesus dá à Lei moral, principalmente ao sexto mandamento, que proíbe o homicídio. O nosso tema foi: Resguardando-se de sentimentos ruins. Jesus nos mostra que o "não matarás" não se resume à execução do assassinato, mas inicia-se com o ódio ao próximo. 


No primeiro tópico da lição vimos que o Evangelho não é antinomista, ou seja, não é contrário à lei. Vimos também a definição da palavra antinomismo. Falamos sobre a relação entre a Lei e o Evangelho e sobre os extremos que devemos evitar: o antinomismo e o legalismo. 


No segundo tópico, vimos que a cólera é o primeiro passo para o homicídio. Falaremos sobre as implicações do sexto mandamento do decálogo. Depois abordamos o sentimento de ira do ponto de vista bíblico. Por último falamos sobre o valor da pessoa humana. 


No terceiro e último tópico, falamos sobre o ato de ofertar e a desavença. A oferta do altar é um ato de adoração a Deus, onde o ofertante reconhece a sua dependência de Deus e entrega-lhe uma oferta como forma de gratidão. Por outro lado, Jesus alerta que as desavenças com o próximo afrontam também a Deus e, portanto, antes de entregar a oferta, devemos primeiro entrar em acordo com o próximo e eliminar as desavenças. 


INTRODUÇÃO À LIÇÃO 5


Na parte do Sermão do Monte, em que Jesus contrapõe a sua interpretação da Lei com o ensino dos escribas e fariseus, Jesus coloca seis contrapontos (Ouvistes que foi dito aos antigos…Eu porém vos digo) que os estudiosos chamam de antíteses: a proibição do homicídio (Mt 5.21-26); a proibição do adultério (Mt 5.27-30); a questão do divórcio (Mt 5.31,32); a proibição dos juramentos (Mt 5.33-37); a lei do talião (Mt 5.38-42); o amor ao próximo (v. 43-47). 

Na lição desta semana estudaremos a segunda e terceira antítese: A proibição do adultério e do divórcio. Ambas estão relacionadas à indissolubilidade do casamento. De novo, Jesus contrapõe o seu ensino com entendimento dos rabinos que atentavam apenas para o caráter exterior da Lei. A Lei continha dois mandamentos no decálogo sobre este assunto: Não adulterarás e não cobiçarás a mulher do teu próximo. Entretanto, para os rabinos o adultério acontecia apenas na chamada conjunção carnal, ou seja quando era consumado fisicamente. Jesus, porém, diz que tudo começa no coração, ou seja, no interior do ser humano.


No primeiro tópico da lição falaremos sobre a condenação do adultério. Abordaremos a definição de adultério e o significado bíblico deste pecado. Falaremos sobre o posicionamento de Jesus sobre o adultério no Sermão do Monte. Por último mostraremos os males e prejuízos causados pela prática do adultério. 


No segundo tópico, veremos que, o que rege o coração, regerá o corpo. Veremos neste tópico a definição e significado bíblico da palavra traduzida por coração. Depois veremos que o homem é aquilo que ele pensa. Ou seja, os nossos pensamentos determinam as nossas ações e a nossa conduta. Por último, veremos que o caminho para dominar o próprio corpo é sujeitá-lo ao domínio e dependência do Espírito Santo.


No terceiro e último tópico, falaremos sobre a indissolubilidade do casamento. Enfatizaremos o casamento sob a perspectiva bíblica, que é heterossexual, monogâmico e vitalício. Depois, veremos o que fazer para que o casamento dure até à morte. Por último, veremos que no ensino de Jesus, o casamento é indissolúvel e que o divórcio contraria a vontade de Deus. O padrão divino desde o Éden é: os dois serão uma só carne (Gn 2.23,24).


Pb. Weliano Pires

REFERÊNCIAS: 

GOMES, Osiel. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 86-88.

SPROUL, R. C. Estudos bíblicos expositivos em Mateus. 1° Ed 2017 Editora Cultura Cristã. pag. 93.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 1. pag. 41.


A “OFERTA DO ALTAR” E A DESAVENÇA



Neste terceiro tópico, falaremos sobre o ato de ofertar e a desavença. A oferta do altar é um ato de adoração a Deus, onde o ofertante reconhece a sua dependência de Deus e entrega-lhe uma oferta como forma de gratidão. Por outro lado, Jesus alerta que as desavenças com o próximo afrontam também a Deus e, portanto, antes de entregar a oferta, devemos primeiro entrar em acordo com o próximo e eliminar as desavenças. 


1- A oferta do altar. Para os judeus, o momento da oferta e do sacrifício era sagrado. Uma vez ao ano, eles iam a Jerusalém oferecer sacrifícios aos Senhor e traziam as suas ofertas. Com isso, reconheciam a bondade e provisão de Deus. Eles entendiam que trazer a oferta diante de Deus era o suficiente. Infelizmente, muitas pessoas em nossos dias já pessoas que pensam dessa forma e entendem que basta dizimar e ofertar no templo que está tudo certo. Há ainda aqueles que pensam em barganhar com Deus, achando que podem comprar o favor de Deus. 

De fato a oferta ao Senhor é um momento especial e deve ser feito com alegria e gratidão. Quando ofertamos a Deus, reconhecemos que tudo pertence a Ele e demonstramos a nossa gratidão por tudo o que Ele nos deu. Entretanto, antes de oferecer alguma coisa ao Senhor devemos nos relacionar com Ele, servindo-o de todo o nosso coração. Antes de aceitar a oferta, Deus aceita o ofertante. Deus atentou para Abel e para a sua oferta, ao passo que rejeitou Caim e a sua oferta. (Gn 4.4,5). 


2- Evitando a desavença. Nos versículos 23 e 25, o Senhor Jesus diz que a desavença é incompatível com a oferta. Portanto, se ao ofertar, o cristão lembrar que o seu irmão tem alguma coisa contra ele, deve deixar ali a sua oferta e reconciliar-se primeiro antes de ofertar. Na sequência, nos versículos 25 e 26, o Senhor alerta para a reconciliação antes do caso chegar aos tribunais. Naquela época, os devedores podiam ser levados aos tribunais pelos próprio credores. Os devedores eram presos e se ninguém pagasse a dívida poderiam passar o resto da vida na prisão.

O que o Senhor Jesus alerta nessa parte do Sermão é que os seus discípulos evitem as desavenças e, caso elas sejam inevitáveis, busquem um acordo antes que a desavença seja julgada nos tribunais, onde as consequências serão muito piores. Muitos desentendimentos poderia ser resolvidos pacificamente, se houvesse humildade e perdão de ambas as partes. Em muitos casos não basta o perdão, é preciso haver também a reparação ou amenização dos danos causados. 

O apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios sobre este assunto e disse que já é demais haver desavenças entre irmãos. Pior ainda é o caso ser levado aos tribunais perante ímpios. Paulo recomenda que pessoas sábias da Igreja julguem os casos com sabedoria para evitar escândalos. (1 Co 6.1-8). Infelizmente, em nosso dias, vemos crentes que causam prejuízos aos irmãos e não honram as suas dívidas. Muitos casos vão parar na Justiça, causando escândalo ao Evangelho. Até pastores processam uns aos outros. 

Alguns teólogos entendem que o ensino de Jesus aqui não se refere apenas ao aspecto terreno, mas se aplica também à reconciliação com Deus. O pecador, enquanto tem vida tem a oportunidade de pedir perdão a Deus e se reconciliar com Ele. Hoje, o Senhor Jesus atua como advogado e Salvador. Entretanto, no Juízo Final, Ele atuará como Juiz e condenará os pecadores que não se reconciliaram ao inferno, uma prisão da qual não terão como sair. 


Pb. Weliano Pires


REFERÊNCIAS:

GOMES, Osiel. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 83-85.

HENRY, Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO. Edição completa. Editora CPAD. pág. 53.

HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento. Mateus. Editora Cultura Cristã. pag. 420-421.

HENRY, Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO. Edição completa. Editora CPAD. pág. 53-54.

HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento. Mateus. Editora Cultura Cristã. pag. 421-423.

BARCLAY, William. O Novo Testamento. Mateus. pág. 156-158.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio Janeiro: CPAD, 2004, p.1225).

A CÓLERA É O PRIMEIRO ATO PARA O HOMICÍDIO



O sexto mandamento proibia o assassinato doloso (com intenção de matar) por maldade. Diferente do que muitos imaginam, não estavam inclusos no sexto mandamento matar alguém em legítima defesa, a pena capital e as mortes na guerra. Se alguém matasse por acidente, tinha direito a se abrigar em uma das cidades de refúgio. Nestas cidades,  não poderia sofrer vingança, mas estaria sujeito ao julgamento dos juízes da cidade. Neste segundo tópico, veremos que a cólera é o primeiro passo para o homicídio. Falaremos sobre as implicações do sexto mandamento do decálogo. Depois abordaremos o sentimento de ira do ponto de vista bíblico. Por último falaremos sobre o valor da pessoa humana. 

1 - Jesus e o sexto mandamento. Jesus não anulou o sexto mandamento que diz: "Não matarás" (Ex 20.13). Nem tampouco o amenizou. Jesus deu-lhe uma interpretação mais profunda, que vai muito além da consumação do ato do assassinato. O mestre fez a seguinte afirmação:  "Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo." (Mt 5.21). A expressão "Ouvistes o que foi dito aos antigos", não é uma referência ao texto da Lei e sim à explicação que os rabinos davam a ela. Se fosse uma referência à Lei, Jesus teria dito: "Está escrito", como disse ao diabo, na ocasião da tentação. Naquela época as pessoas não tinham cópias das Escrituras em suas casas e dependiam da leitura e explicação que ouviam nas Sinagogas. 

Quando Jesus diz: "Eu, porém, vos digo…" (Mt 5.21,27,33,34,43), não está demonstrando prepotência ou alterando a Lei de Deus. Ele está mostrando a própria autoridade como Filho de Deus. Os profetas do Antigo Testamento, inclusive Moisés, diziam: Assim diz o Senhor, veio a mim a Palavra do Senhor, etc. Eles não falavam em seu próprio nome, mas eram porta-vozes de Deus. Jesus, no entanto, sendo Deus, dizia: Eu, porém, vos digo, na verdade vos digo, Eu sou, etc. 

Jesus não está alterando o conceito de não matarás, prescrito na Lei. Ele está colocando o verdadeiro significado da Lei, que não foi devidamente compreendido pelos escribas e fariseus. Quando a lei proíbe alguma coisa, ela está também ordenando o contrário e quando ordena alguma coisa está proibindo o contrário, mesmo que não esteja explicitamente escrito. Por exemplo, quanto Deus diz para não matar, além de proibir o assassinato, está também ordenando que façamos o possível para proteger a vida do próximo. Sendo assim, de nada adianta não matar alguém diretamente, mas causar a sua morte por omissão. 

2 - A cólera no contexto bíblico. Jesus vai muito além do entendimento dos mestres judaicos sobre a Lei. O Senhor fala sobre a origem do assassinato que é a ira contra o seu irmão. Os doutores da Lei pensavam que a Lei proibia apenas a consumação do ato pecaminoso de matar. Jesus, no entanto, diz que as intenções assassinas também são condenadas.  

Segundo Warren Wiersbe, "Jesus não diz que a ira conduz ao homicídio, mas sim que a ira é uma forma de homicídio”. Quando Jesus fala sobre a cólera, a palavra usada no grego é "orge", que significa uma fúria interna que se multiplica. É diferente de "thymos", que é uma ira passageira. No Salmo 4.4, o salmista diz que um servo de Deus pode irar-se, mas não deve pecar. Paulo cita este texto, escrevendo aos Efésios. Ef 4.26). Nesse caso, é uma referência à ira natural, como uma emoção humana. Muitos servos de Deus como Elias, Eliseu e o próprio Jesus ficaram irados contra o pecado. Entretanto, esta ira não é uma obra da carne que domina o homem e o leva a praticar o mal contra o próximo. Paulo recomenda que não devemos deixar que a nossa ira passe de um dia para o outro (Ef 4.26). 

Jesus está se referindo à cólera "sem motivos" contra o próximo, que é capaz de fazer-lhe mal, mesmo que não chegue ao ponto de assassiná-lo fisicamente. Há pessoas que não matam por falta de coragem, ou por medo das consequências. Entretanto, caluniam, destroem reputações, causam demissões, separações, etc. porque odeiam a outra pessoa. Foi esse tipo de ira que dominou Caim e levou a assassinar o seu irmão Abel, sem motivo algum (Gn 4.5-8; 1Jo 3.12).


3- O valor da pessoa humana. Depois de colocar a ira contra um irmão no mesmo patamar de um assassinato, Jesus defende agora o valor da dignidade da pessoa humana. Nesta perspectiva, o Senhor condena o desrespeito à pessoa humana e a humilhação do próximo com palavras desdenhosas.

Jesus diz que qualquer que chamar ao seu próximo de raca, será réu do Sinédrio e, se chamá-lo de louco, será réu do fogo do inferno. A palavra transliterada por raca é "rhaká" é um substantivo de origem aramaica, que significa "vazio", "inútil", "cabeça-oca". Era uma forma de diminuir e humilhar alguém. Já a palavra traduzida por "louco" é  "moros" e significa "tolo, ímpio, incrédulo, idiota, retardado mental." É uma forma de depreciar espiritualmente uma pessoa ou considerá-la moralmente desprezível.  No primeiro caso, Jesus diz que que, aquele que trata o próximo dessa forma é réu do Sinédrio e no segundo caso é réu do fogo do inferno (Grego Geena, uma referência à condenação eterna). 

Esta interpretação que Jesus dá à Lei nos ensina que devemos respeitar as pessoas e nunca humilhar a ninguém com palavras desprezíveis. Infelizmente, há pessoas que se dizem cristãs, que por coisas banais, ofendem, ferem e humilham os outros, com palavras de baixo calão. Isso é gravíssimo.


Pb. Weliano Pires


REFERÊNCIAS

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 611.

LOPES, Hernandes Dias. EFÉSIOS Igreja, A Noiva Gloriosa de Cristo. Editora Hagnos. pág. 121-122.

GOMES, Osiel. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pág. 80-81.

HENRY, Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pág. 52.

LOPES, Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pág. 198-199.


O EVANGELHO NÃO É ANTINOMISTA


Há várias interpretações sobre o cumprimento da Lei, que são heréticas e absurdas. Alguns dizem que Jesus era apenas um rabino judeu, que apenas deu continuidade à Lei e a explicou. Segundo esta interpretação, o Cristianismo seria obra de Paulo. Outros, interpretam erroneamente João 1.17 e dizem que Jesus aboliu completamente a Lei e introduziu a Graça. Nesta questão, há dois extremos que o cristão deve evitar em relação à Lei: o antinomismo e o legalismo. O Evangelho de Cristo não é antinomista, nem legalista. Vejamos a seguir, o que isto significa. 


1 - O que é Antinomismo?  A palavra antinomismo procede da junção de duas palavras gregas, “anti”, que significa "contra", e “nomos”, que significa lei. Portanto, antinomismo significa literalmente “contra a lei.” Segundo os antinomistas, Cristo aboliu completamente o Antigo Testamento e o cristão está desobrigado de obedecer quaisquer princípios morais da lei. 

Há dois tipos de antinomismo: o dualístico e o espiritual. O antinomismo dualístico ensina que a salvação é apenas para a alma, independente do que fazemos com o nosso corpo em nossas ações e comportamento. Segundo este ponto de vista, o cristão não precisa guardar a lei de Deus e pode viver desenfreadamente em pecado. 

O chamado antinomismo espiritual diz que a lei deve ser rejeitada e que o Espírito Santo diz a cada pessoa o que é certo e errado. Portanto, fazer a vontade de Deus seria algo subjetivo e segundo a revelação espiritual de cada indivíduo.


2- A Lei e o Evangelho. Os opositores de Jesus constantemente o acusavam de violar a Lei e as tradições dos anciãos. Esta foi a principal acusação das autoridades judaicas para condená-lo à morte. Porém, os 

romanos não condenavam ninguém à morte por questões religiosas. Então, eles inventaram a acusação de que Jesus se declarava rei, o que configurava uma conspiração contra o imperador romano (Jo 18.33). 

Conforme vimos na lição passada, o Senhor Jesus não veio abolir a Lei, mas veio cumpri-la e aperfeiçoá-la. Em relação às questões cerimoniais, sacrifícios e rituais, Jesus veio cumpri-las. Esta parte da lei eram tipos e figuras que apontavam para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Com a vinda de Jesus, elas foram cumpridas nele e se tornaram desnecessárias. 

As leis civis, administrativas e criminais eram voltadas para a nação de Israel na época em que era uma teocracia e, portanto, não se aplica aos cristãos não judeus. Neste aspecto, cada país tem as suas leis e o cristão deve estar submetido a elas. 

As leis morais, por sua vez, receberam de Jesus uma abrangência maior. Jesus incluiu nos mandamentos as intenções e o aspecto interior. 


3 - Legalismo x Antinomismo. Se por um lado temos a heresia do antinomismo, que nega totalmente a Lei de Deus, inclusive as leis morais, temos no outro extremo o legalismo, que defende o cumprimento de regras para alcançar o favor de Deus. Normalmente, o legalismo despreza a Graça de Deus e vê no cumprimento de regras, um alicerce para a salvação. O legalismo coloca Deus como um devedor, se cumprirmos regras. Isso torna o cristão, um merecedor da salvação, por causa das boas obras praticadas. Entretanto, a Bíblia nos ensina que somos salvos pela Graça de Deus mediante a fé. Isso não vem de nós mesmos, nem das obras, para que ninguém se glorie. (Ef 2.8-10). Entretanto, não é porque somos salvos pela fé e não pelas obras, que podemos viver sem regras, como dizem os antinomistas, pois Tiago disse que a fé sem as obras e morta. (Tg 2.29,26). 


Pb. Weliano Pires


REFERÊNCIAS: 

GOMES, Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 75-76.

STOTT, John. Contracultura cristã. A mensagem do Sermão do Monte. Editora: ABU, 1981, pag. 37.

CHEUNG, Vincent. O Sermão do Monte. Editora Monergismo. 1 ed, 2011.

SUGEL, Michelén. Da Parte de Deus e na Presença de Deus: Um guia para a pregação expositiva. Editora Fiel.


INTRODUÇÃO À LIÇÃO 4: RESGUARDANDO-SE DE SENTIMENTOS RUINS


REVISÃO DA LIÇÃO PASSADA


Na semana passada estudamos o tema: Jesus, o discípulo e a lei. Falamos sobre a terceira parte do Sermão do Monte, que se encontra em Mateus 5.17-20. Nesta parte do seu discurso no Monte, o Senhor Jesus explicou que Ele não veio abolir a Lei e sim cumpri-la.


No primeiro tópico, vimos que Jesus nunca foi um revolucionário, como ensinam os socialistas. Os revolucionários querem destruir e modificar tudo o que os antepassados construíram e reconstruir uma nova sociedade a seu modo. Jesus não veio destruir os princípios da Lei, que fora dada pelo próprio Deus, mas veio cumpri-los. Jesus apresentou o seu compromisso com o legado dos antigos. Além de cumprir a Lei, Jesus veio aperfeiçoá-la. 


No segundo tópico, fizemos uma comparação entre a letra da lei mosaica e a verdade do Espírito. Vimos a definição da expressão "letra da lei”. Falamos também sobre a divisão tríplice da Lei:  moral, cerimonial e judicial. Falamos sobre a diferença entre a lei, que trazia letras gravadas em pedras e a verdade do Espírito, gravada nos corações. Por último, falamos sobre o propósito da lei para o cristão. 


No terceiro e último tópico, falamos sobre a Justiça do Reino de Deus. Jesus mostra que o padrão de Justiça do Reino de Deus é diferente daquele ensinado pelos rabinos judaicos, que se baseava no binômio lei-obra. A justiça ensinada por Jesus não é exterior ou legalista e só pode pode ser obtida através da ação do Espírito Santo no interior do ser humano, que promove o novo nascimento. 


LIÇÃO 4: RESGUARDANDO-SE DE SENTIMENTOS RUINS. 


Na lição 04, dando continuidade à relação de Jesus com a Lei, estudaremos sobre a abrangência que Jesus dá à Lei moral, principalmente ao sexto mandamento, que proíbe o homicídio. Jesus nos mostra que o "não matarás" não se resume à execução do assassinato, mas inicia-se com o ódio ao próximo. 


No primeiro tópico da lição veremos que o Evangelho não é antinomista, ou seja, não é contrário à lei. Veremos neste tópico, a definição da palavra antinomismo; a relação entre a Lei e o Evangelho; e os extremos que devemos evitar: o antinomismo e o legalismo. 


No segundo tópico, veremos que a cólera é o primeiro passo para o homicídio. Falaremos sobre as implicações do sexto mandamento do decálogo. Depois abordaremos o sentimento de ira do ponto de vista bíblico. Por último falaremos sobre o valor da pessoa humana. 


No terceiro e último tópico, falaremos sobre o ato de ofertar e a desavença. Veremos que a oferta do altar é um ato de adoração a Deus, onde o ofertante reconhece a sua dependência de Deus e entrega-lhe uma oferta como forma de gratidão. Por outro lado, Jesus alerta que as desavenças com o próximo afrontam também a Deus e, portanto, antes de entregar a oferta, devemos primeiro entrar em acordo com o próximo e eliminar as desavenças.


Pb. Weliano Pires


REFERÊNCIAS:

GOMES, Osiel. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022.

STOTT, John. Contracultura cristã. A mensagem do Sermão do Monte. Editora: ABU, 1981, pag. 33.

ALMEIDA, Alcindo. Vida sincera, O Sermão do Monte. São Paulo: Editora Fôlego, 1 Ed 2013.

O PERIGO DESSA HERESIA PARA A VIDA DO CRENTE E DA IGREJA

(Comentário do 3º tópico da Lição 10: O pecado corrompeu a Natureza Humana).  Ev. WELIANO PIRES No terceiro tópico, falaremos do perigo dest...