TEXTO ÁUREO:
“Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt 11.27c).
VERDADE PRÁTICA:
Conhecemos a identidade, os atributos e a glória do Deus Pai por meio da revelação de Cristo e da ação do Espírito Santo.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Mateus 11.25-27; João 14.6-11.
OBJETIVOS DA LIÇÃO:
I) Reconhecer, biblicamente, a identidade de Deus Pai;
II) Entender que o Pai se revela plenamente em Cristo;
III) Identificar atributos e nomes que expressam a natureza de Deus Pai.
Palavra-Chave: PAI
Na Bíblia, o termo pai possui ampla gama de significados, variando conforme o contexto linguístico, histórico e teológico.
No hebraico, a palavra traduzida por pai é ʼâb (אַב). Esse termo pode designar o pai biológico de um indivíduo, bem como um antepassado, avô ou patriarca. Também é empregado para indicar o fundador de uma casa, família, clã ou nação. Em outros contextos, refere-se ao originador ou patrono de uma profissão, arte ou ofício. Em sentido figurado, ’av expressa ideias de proteção, benevolência, autoridade, respeito e honra, sendo inclusive usado como título aplicado a governantes ou líderes do povo.
No grego, o termo correspondente é patḗr (πατήρ), igualmente rico em significados. Pode indicar o gerador biológico, um antepassado remoto, ou ainda o fundador de uma família, tribo ou povo. O termo é usado para designar os patriarcas, como Abraão, Isaque, Jacó e Davi. Em sentido figurado, patḗr pode referir-se ao originador ou transmissor de algo, a um mentor espiritual, ou àquele que exerce cuidado e autoridade de maneira paternal. O vocábulo também era utilizado como título de honra atribuído a mestres da Lei e a membros do Sinédrio.
As Escrituras apresentam Deus como Pai em diversos sentidos. Ele é revelado como Pai da criação, incluindo os luminares celestes e todos os seres inteligentes e racionais que Ele criou e governa (cf. Is 64.8). Deus também é chamado de Pai dos que creem em Jesus Cristo, os quais, mediante a fé, são feitos filhos por adoção, sendo introduzidos em um relacionamento íntimo, pessoal e familiar com Ele (cf. Rm 8.15; Gl 4.4,5).
De modo singular e absoluto, Deus é apresentado como Pai de Jesus Cristo. Jesus é identificado nas Escrituras como o Filho Unigênito de Deus. O termo grego monogenḗs (μονογενής) significa “único do seu gênero”, “exclusivo”. Cristo é o Filho Unigênito porque Ele é o único que possui a mesma essência do Pai, sendo eterno, divino e consubstancial com Deus. Essa filiação distingue Jesus de todos os demais filhos de Deus, que o são por criação ou adoção (cf. Jo 1.14,18; 3.16; Hb 1.3).
INTRODUÇÃO
Esta é a segunda lição sobre a Doutrina da Santíssima Trindade. Na semana passada, tivemos uma lição introdutória sobre o assunto, tomando como base o batismo de Jesus como exemplo da manifestação simultânea das três Pessoas divinas.
Nas próximas três lições, falaremos sobre a primeira Pessoa da Santíssima Trindade, que é o Pai, de quem procedem o Filho e o Espírito Santo. Quando dizemos que o Filho e o Espírito Santo procedem do Pai, é preciso tomar cuidado para não cair no erro de imaginar que o Pai os criou, ou que houve um tempo em que não existiam o Filho e o Espírito Santo, como dizem os unitaristas. Esta procedência não se refere a princípio ou ao tempo, mas à relação eterna entre as três pessoas divinas.
Nesta primeira lição sobre a Pessoa do Pai, estudaremos a identidade, a revelação e a Pessoa de Deus Pai, conforme a Bíblia nos revela. Na introdução desta lição, o comentarista afirma que a doutrina da Trindade significa um só Deus em três Pessoas, que são coeternas, consubstanciais e distintas. Isso significa que:
a) as três Pessoas existem juntas por toda a eternidade, e nenhuma delas teve princípio (coeternas);
b) as três Pessoas são iguais em essência, natureza e poder (consubstanciais);
c) as três Pessoas são distintas, ou seja, o Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo, e vice-versa.
TÓPICOS DA LIÇÃO
I. A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI
Neste primeiro tópico, trataremos da identidade de Deus, o Pai. Inicialmente, veremos que o Pai é o Único Deus Verdadeiro, ressaltando o papel de Deus como Pai enquanto Criador e sustentador de todas as coisas. Nesse ponto, o professor deve ter especial cuidado para não incorrer no erro do unitarismo, que ensina que somente o Pai é Deus verdadeiro e que o Filho seria uma criatura do Pai. A revelação bíblica afirma que Deus é uma unidade composta, de modo que Pai, Filho e Espírito Santo são o mesmo Deus, coexistindo eternamente como três Pessoas distintas, porém consubstanciais.
Na sequência, abordaremos o Pai como a fonte da divindade. Aqui também é necessário cautela para evitar o erro do subordinacionismo, que defende a superioridade do Pai em relação ao Filho, e do Filho em relação ao Espírito Santo. Embora a Bíblia apresente o Pai como a origem e fonte eterna da divindade, isso não implica prioridade temporal, hierarquia ontológica ou desigualdade de essência. Trata-se de uma distinção relacional e funcional, conforme já exposto na introdução desta lição, e não de natureza ou valor.
Por fim, veremos que o Pai age por meio do Filho e do Espírito Santo. Essa verdade não sugere inferioridade entre as Pessoas da Santíssima Trindade, mas descreve a forma harmoniosa e ordenada como cada Pessoa divina atua tanto na criação quanto na redenção do ser humano. É fundamental esclarecer que as três Pessoas da Trindade são iguais em essência, eternas e inseparáveis em suas obras. Assim, em todas as ações do Pai, o Filho e o Espírito Santo também participam, e o mesmo ocorre nas obras do Filho e do Espírito, preservando a perfeita unidade do Deus Triúno.
II. O PAI REVELADO EM CRISTO
No segundo tópico, veremos que o Pai foi revelado em Cristo. Inicialmente, observaremos que o Pai se revela aos humildes. Analisaremos a declaração de exaltação feita por Jesus em Mateus 11.25, quando disse: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.” Essa afirmação evidencia que a revelação divina não depende do saber humano ou da sabedoria meramente intelectual, mas de um coração humilde e disposto a receber a verdade de Deus.
Na sequência, veremos que o Pai se faz conhecer por meio do Filho, conforme a declaração de Jesus: “Ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27). Deus é um Ser transcendente, isto é, está infinitamente além da plena compreensão humana. Por essa razão, Ele só pode ser verdadeiramente conhecido mediante a revelação que ocorre em Cristo. O Filho é o único mediador entre Deus e os homens (cf. 1Tm 2.5) e o único plenamente capacitado para revelar a natureza, a vontade e o amor do Pai.
Por fim, veremos que quem vê o Filho, vê o Pai, com base no diálogo entre Jesus e Filipe. Diante do pedido do discípulo — “Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta” — Jesus respondeu: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.8,9). Essa declaração revela a unidade perfeita entre as Pessoas da Santíssima Trindade e afirma que Jesus Cristo é a expressão exata e visível do Pai. Assim, conhecer a Cristo é conhecer o próprio Deus, conforme Ele se revelou de forma plena e definitiva.
III. A PESSOA DE DEUS PAI
No terceiro tópico, trataremos da Pessoa de Deus, o Pai, considerando especialmente os atributos pelos quais Ele se revela nas Escrituras. Esses atributos nos ajudam a compreender quem Deus é em Sua essência e como Ele se relaciona com a Sua criação.
Inicialmente, abordaremos os atributos incomunicáveis do Pai, isto é, aquelas qualidades exclusivas da divindade, que não podem ser compartilhadas com nenhuma criatura. Entre esses atributos estão a eternidade, a imutabilidade, a onipotência, a onisciência, a onipresença e a autoexistência. Tais perfeições revelam a absoluta singularidade de Deus e demonstram que Ele é infinito, soberano e plenamente suficiente em Si mesmo.
Na sequência, estudaremos os atributos comunicáveis do Pai, que são qualidades divinas relacionadas ao aspecto moral e relacional do Criador. Esses atributos, como o amor, a bondade, a justiça, a misericórdia, a santidade e a fidelidade, são compartilhados com o ser humano de forma limitada, uma vez que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Contudo, essas qualidades jamais se manifestam de maneira plena no ser humano, em razão da sua condição de imperfeição e da realidade do pecado, sendo plenamente reveladas somente em Deus.
Por fim, trataremos dos nomes que revelam o Pai. Diferentemente da compreensão comum da cultura ocidental, na qual os nomes frequentemente servem apenas como identificação pessoal, na Bíblia os nomes de Deus expressam aspectos do Seu caráter, da Sua natureza e da Sua atuação. Assim, nomes hebraicos como El Shadday, Adonai, YHWH, El Shaddai, e o grego Kyrios, revelam verdades profundas acerca de quem Deus é e de como Ele se relaciona com o Seu povo, fortalecendo a fé e a compreensão teológica do crente.
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