24 janeiro 2026

A Experiência do Amor do Pai

(Comentário do 3º tópico da Lição 4: A paternidade divina)

No terceiro tópico, trataremos da experiência do amor do Pai. Inicialmente, compreenderemos que o amor do Pai é aperfeiçoado no crente. Essa obra é realizada pelo Espírito Santo, mediante a nossa comunhão com Deus e a obediência à Sua Palavra.

Veremos também que o amor é a marca distintiva dos filhos de Deus. É por meio do amor que somos reconhecidos como discípulos de Jesus. Quando nos amamos uns aos outros, o mundo vê em nós a manifestação do amor de Deus.

Por último, aprenderemos que fomos amados primeiro pelo Pai. Isso significa que Deus nos amou quando ainda estávamos em nosso pior estado, sendo nós pecadores, sem quaisquer méritos ou iniciativa de nossa parte. Foi Ele quem tomou a iniciativa de nos amar e nos buscar para a salvação.

1. O amor é aperfeiçoado no crente.

Na Lição 2, ao estudarmos a Pessoa do Pai, abordamos dois tipos de atributos divinos: incomunicáveis e comunicáveis. Os atributos comunicáveis são qualidades de Deus que, de forma limitada, são compartilhadas com Suas criaturas.

Dentre esses atributos, o amor ocupa lugar de destaque, pois faz parte da essência de Deus. A Escritura declara:

“Deus é amor” (1Jo 4.8),

e evidencia que o amor não é apenas uma característica divina, mas a expressão do próprio ser de Deus.

Todo ser humano foi criado com capacidade de amar. Contudo, em decorrência da Queda, essa capacidade encontra-se profundamente comprometida. O homem, em seu estado natural, tende ao egoísmo e é incapaz de manifestar um amor pleno, sacrificial e desinteressado, conforme o padrão divino.

Essa realidade é transformada quando recebemos Cristo como Salvador. O Espírito Santo passa a habitar no crente, operando a regeneração espiritual e produzindo nele as virtudes do Fruto do Espírito, conforme Paulo ensina:

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22).

O amor é a principal dessas virtudes, pois serve de fundamento para todas as demais. É o Espírito Santo, que é Deus, quem aperfeiçoa a nossa capacidade de amar de forma verdadeira, profunda e constante, visto que esse amor procede do próprio Deus.

Por si mesmo, o ser humano não consegue expressar o amor segundo o padrão divino. O amor do mundo é limitado, condicional e frequentemente marcado pelo interesse próprio. Em contraste, o amor de Deus é derramado nos corações dos crentes pelo Espírito Santo (Rm 5.5), capacitando-os a viver de modo que glorifique a Deus e edifique o próximo.

2. O amor é a marca dos filhos de Deus. A principal marca de um filho de Deus é a manifestação do amor divino. Aqueles que foram adotados como filhos de Deus e receberam o Espírito Santo naturalmente evidenciam esse amor em suas atitudes e no modo de viver.

Jesus explicou aos Seus discípulos:

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.35).

João complementa:

“Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: qualquer que não pratica a justiça e não ama a seu irmão não é de Deus” (1Jo 3.10).

“Ninguém jamais viu a Deus; se nós amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor” (1Jo 4.12).

Embora a ortodoxia doutrinária seja indispensável, a identificação como filhos de Deus não ocorre apenas pelo que pregamos, mas pela evidência prática do amor a Deus e ao próximo, fruto da ação do Espírito Santo.

Paulo, em 1 Coríntios 13, destaca a supremacia do amor, colocando-o acima dos dons espirituais, da fé, da filantropia e até do martírio. Ele conclui:

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (1Co 13.13).

Essas três virtudes são chamadas de teologais, pois procedem de Deus e têm nEle a sua origem. São inseparáveis e interdependentes: onde há fé e esperança genuínas, o amor também se manifesta, evidenciando a vida transformada em Cristo.

3. Fomos amados primeiro. Amamos porque Deus nos amou primeiro. Quando amamos, não há mérito algum em nós; é apenas uma resposta de gratidão ao amor incomparável e incondicional de Deus. Nosso amor não nasce de nossos esforços, mas da iniciativa divina.

Deus nos amou mesmo quando estávamos em nosso pior estado, na condição de pecadores e inimigos. Paulo escreve:

“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).

João reforça essa verdade:

“Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19).

Segundo o comentário da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal (CPAD, p. 1788):

“O amor de Deus é a fonte de todo o amor humano, e se espalha como o fogo. Ao amar os seus filhos, Deus acende uma chama em seus corações. Estes, por sua vez, amam os outros, que são então aquecidos pelo amor de Deus.”

Por ter nos amado sem merecimento e por nos oferecer o maior presente — Seu Filho unigênito para nossa salvação — Deus espera que sejamos gratos e manifestemos esse amor ao próximo, inclusive àqueles que nos fazem mal. Assim, o amor recebido de Deus se torna visível em atitudes de obediência, misericórdia e serviço ao próximo.

Ev. WELIANO PIRES

 

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