(Comentário do 3º tópico da Lição 4: A paternidade divina)
No
terceiro tópico, trataremos da experiência do amor do Pai. Inicialmente,
compreenderemos que o amor do Pai é aperfeiçoado no crente. Essa obra é
realizada pelo Espírito Santo, mediante a nossa comunhão com Deus e a obediência
à Sua Palavra.
Veremos
também que o amor é a marca distintiva dos filhos de Deus. É por meio do
amor que somos reconhecidos como discípulos de Jesus. Quando nos amamos uns aos
outros, o mundo vê em nós a manifestação do amor de Deus.
Por
último, aprenderemos que fomos amados primeiro pelo Pai. Isso significa
que Deus nos amou quando ainda estávamos em nosso pior estado, sendo nós
pecadores, sem quaisquer méritos ou iniciativa de nossa parte. Foi Ele quem
tomou a iniciativa de nos amar e nos buscar para a salvação.
1.
O amor é aperfeiçoado no crente.
Na
Lição 2, ao estudarmos a Pessoa do Pai, abordamos dois tipos de atributos
divinos: incomunicáveis e comunicáveis. Os atributos comunicáveis
são qualidades de Deus que, de forma limitada, são compartilhadas com Suas
criaturas.
Dentre
esses atributos, o amor ocupa lugar de destaque, pois faz parte da
essência de Deus. A Escritura declara:
“Deus
é amor” (1Jo 4.8),
e
evidencia que o amor não é apenas uma característica divina, mas a expressão
do próprio ser de Deus.
Todo
ser humano foi criado com capacidade de amar. Contudo, em decorrência da Queda,
essa capacidade encontra-se profundamente comprometida. O homem, em seu estado
natural, tende ao egoísmo e é incapaz de manifestar um amor pleno, sacrificial
e desinteressado, conforme o padrão divino.
Essa
realidade é transformada quando recebemos Cristo como Salvador. O Espírito
Santo passa a habitar no crente, operando a regeneração espiritual e produzindo
nele as virtudes do Fruto do Espírito, conforme Paulo ensina:
“Mas
o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade,
fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22).
O
amor é a principal dessas virtudes, pois serve de fundamento para todas
as demais. É o Espírito Santo, que é Deus, quem aperfeiçoa a nossa capacidade
de amar de forma verdadeira, profunda e constante, visto que esse amor procede
do próprio Deus.
Por
si mesmo, o ser humano não consegue expressar o amor segundo o padrão divino. O
amor do mundo é limitado, condicional e frequentemente marcado pelo interesse
próprio. Em contraste, o amor de Deus é derramado nos corações dos
crentes pelo Espírito Santo (Rm 5.5), capacitando-os a viver de modo que
glorifique a Deus e edifique o próximo.
2.
O amor é a marca dos filhos de Deus. A principal marca de um
filho de Deus é a manifestação do amor divino. Aqueles que foram
adotados como filhos de Deus e receberam o Espírito Santo naturalmente
evidenciam esse amor em suas atitudes e no modo de viver.
Jesus
explicou aos Seus discípulos:
“Nisto
todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo
13.35).
João
complementa:
“Nisto
são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: qualquer que não pratica
a justiça e não ama a seu irmão não é de Deus” (1Jo 3.10).
“Ninguém jamais viu a Deus; se nós amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor” (1Jo 4.12).
Embora
a ortodoxia doutrinária seja indispensável, a identificação como filhos
de Deus não ocorre apenas pelo que pregamos, mas pela evidência prática do
amor a Deus e ao próximo, fruto da ação do Espírito Santo.
Paulo,
em 1 Coríntios 13, destaca a supremacia do amor, colocando-o acima dos
dons espirituais, da fé, da filantropia e até do martírio. Ele conclui:
“Agora,
pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é
o amor” (1Co 13.13).
Essas
três virtudes são chamadas de teologais, pois procedem de Deus e têm
nEle a sua origem. São inseparáveis e interdependentes: onde há fé e esperança
genuínas, o amor também se manifesta, evidenciando a vida transformada em
Cristo.
3.
Fomos amados primeiro. Amamos porque Deus nos amou primeiro.
Quando amamos, não há mérito algum em nós; é apenas uma resposta de
gratidão ao amor incomparável e incondicional de Deus. Nosso amor não nasce de
nossos esforços, mas da iniciativa divina.
Deus
nos amou mesmo quando estávamos em nosso pior estado, na condição de pecadores
e inimigos. Paulo escreve:
“Mas
Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós
ainda pecadores” (Rm 5.8).
João
reforça essa verdade:
“Nós
o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19).
Segundo
o comentário da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal (CPAD, p. 1788):
“O
amor de Deus é a fonte de todo o amor humano, e se espalha como o fogo. Ao amar
os seus filhos, Deus acende uma chama em seus corações. Estes, por sua vez,
amam os outros, que são então aquecidos pelo amor de Deus.”
Por
ter nos amado sem merecimento e por nos oferecer o maior presente — Seu Filho
unigênito para nossa salvação — Deus espera que sejamos gratos e manifestemos
esse amor ao próximo, inclusive àqueles que nos fazem mal. Assim, o amor
recebido de Deus se torna visível em atitudes de obediência, misericórdia e
serviço ao próximo.
Ev. WELIANO PIRES
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