23 janeiro 2026

RECONHECENDO A PATERNIDADE DO PAI

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 4: A Paternidade Divina)

No segundo tópico, trataremos do reconhecimento da paternidade do Pai. Abordaremos a confissão de Jesus Cristo como o Filho de Deus, destacando-a como um ato central da fé cristã. Aquele que nega essa verdade bíblica não tem acesso ao Pai, pois o único meio de chegar a Ele é por meio do Filho, conforme ensinam as Escrituras (Jo 14.6; At 4.12; 1 Tm 2.5).

Em seguida, refletiremos sobre a perfeição do amor do Pai. O amor é parte essencial da natureza de Deus e se manifesta de forma sacrificial, visto que Ele entregou o Seu Filho para a nossa salvação e nos adotou como filhos. Nenhum poder nem circunstância deste mundo pode romper esse amor ou nos separar dele (Rm 8.38,39).

Por fim, trataremos das bênçãos da filiação divina. O amor do Pai lança fora todo o temor do juízo, pois já não somos inimigos de Deus nem estamos sujeitos à condenação eterna. Em Cristo, somos livres, amados por Deus e habitados pelo Espírito Santo, que nos assegura nossa nova condição de filhos (Rm 8.15,16; 1 Jo 4.18).

1. Confessar a Cristo como Filho. Confessar que Jesus é o Filho de Deus é indispensável para que se tenha um relacionamento com Deus. A respeito dessa verdade, o apóstolo João escreveu:

“Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus” (1Jo 4.15).

A palavra grega traduzida por “confessar”, nesse texto, é homologeō, formada pelos termos homou (juntamente, em concordância) e lógos (palavra, discurso). Assim, o verbo expressa 

a ideia de reconhecer publicamente, concordar plenamente, declarar ou admitir algo de modo aberto e consciente. Do termo grego homologeō deriva a palavra portuguesa “homologar”, que significa reconhecer oficialmente.

Confessar que Jesus é o Filho de Deus implica reconhecer a sua plena divindade. Tal confissão, contudo, não procede da sabedoria humana, mas é resultado da revelação concedida pelo Espírito Santo, que ilumina o entendimento do crente para reconhecer essa verdade (cf. Mt 16.16,17).

Negar essa doutrina fundamental impede o acesso ao Pai, pois Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e a humanidade. Dessa forma, qualquer pessoa ou sistema religioso que negue a divindade de Cristo encontra-se separado de Deus, conforme afirma o apóstolo João:

“Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai” (1Jo 2.23).

2. A perfeição do amor do Pai. Após destacar a necessidade de confessar Jesus como o Filho de Deus como condição indispensável para um relacionamento verdadeiro com Deus, o apóstolo João apresenta o amor como parte essencial da natureza divina. Deus não apenas manifesta amor; Ele é amor:

“E nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus, nele” (1 Jo 4.16).

No primeiro tópico da lição anterior, vimos que o envio do Filho pelo Pai constitui a mais sublime expressão do Seu amor. O amor de Deus pela humanidade é incondicional em sua oferta, pois Ele amou pecadores que não mereciam ser amados e que não tinham como retribuir tal amor. Esse amor não foi motivado por qualquer mérito humano. Deus não viu “algo de bom” no ser humano para então decidir amá-lo; antes, por Sua soberana graça, tomou a iniciativa de amar e prover a salvação.

O comentarista apresenta, ainda, outras características desse amor. Ele é sacrificial, visto que Deus enviou o Seu Filho Unigênito para morrer em favor dos pecadores (Jo 3.16). Foi também por esse amor que Deus nos adotou como filhos, concedendo-nos, mediante a fé em Cristo, a posição e os direitos de filhos legítimos (1 Jo 3.1). Deus ama a todos de forma geral, desejando que todos se salvem, mas ama de modo especial aqueles que recebem a Cristo e permanecem em comunhão com Ele (Jo 14.21; 16.27).

O amor de Deus é igualmente firme e poderoso. Nenhuma força criada, nem quaisquer circunstâncias deste mundo, têm poder para nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Rm 8.38,39). Contudo, à luz da doutrina bíblica da responsabilidade humana, é possível ao crente afastar-se voluntariamente desse relacionamento, rejeitando o amor de Deus por meio da desobediência e da incredulidade. A comunhão é mantida enquanto permanecemos em Cristo. Se o deixarmos, Ele nos deixará, conforme adverte a Escritura:

“O Senhor está convosco, enquanto vós estais com ele; e, se o buscardes, o achareis; porém, se o deixardes, vos deixará” (2 Cr 15.2).

3. As bênçãos da filiação divina. Neste ponto, o comentarista apresenta a principal bênção da filiação divina: a plena confiança em Deus e a ausência do medo do Seu juízo, conforme ensina o texto de 1 João 4.17:

“Nisto é perfeito o amor para conosco, para que, no Dia do Juízo, tenhamos confiança”.

Antes de sermos adotados como filhos de Deus, mediante a fé em Cristo, éramos, por natureza, filhos da ira e inimigos de Deus. Pesava contra nós uma sentença de condenação eterna, pois o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Todavia, sendo justificados pela fé em Cristo, temos paz com Deus (Rm 5.1), e nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1).

Nesse sentido, Jesus Cristo exerce, em favor dos crentes, o ministério de Advogado perante o Pai (1Jo 2.1), assegurando-nos perdão, reconciliação e segurança espiritual. Tal verdade não anula o fato de que Ele é também o Juiz estabelecido por Deus, mas destaca que, para os que creem, o juízo já foi tratado na cruz.

Outra bênção da filiação divina é a habitação do Espírito Santo no crente. Essa bênção é concedida exclusivamente aos que são feitos filhos de Deus por meio da fé em Cristo. Jesus prometeu enviar o Consolador para permanecer para sempre com os Seus, deixando claro que o mundo não pode recebê-lo, por não O ver nem O conhecer (Jo 14.17). A presença do Espírito Santo confirma a nossa adoção e nos capacita a viver segundo a vontade de Deus.

Por fim, a filiação divina, por adoção, nos confere o direito às bênçãos celestiais, especialmente à vida eterna com Deus. Somente os filhos de Deus herdarão a vida eterna em Sua presença. Aqueles que rejeitam a Cristo não são adotados como filhos e, consequentemente, permanecerão separados de Deus por toda a eternidade.

A doutrina da filiação divina deve produzir no crente uma vida marcada pela confiança, pela gratidão e pela santidade. Saber que somos filhos de Deus nos leva a viver sem medo da condenação, com plena dependência do Pai e compromisso diário com uma vida que glorifique o Seu nome.

Ev. WELIANO PIRES 

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