28 janeiro 2026

A DIVINDADE DO FILHO

(Comentário do 1° tópico da Lição 5: O Deus Filho)

Neste primeiro tópico, estudaremos a divindade de Cristo, tomando por base a Sua concepção virginal e os Seus atributos divinos, os quais evidenciam a Sua plena divindade (Mt 1.18,23; Jo 1.1). 
1. A Concepção Virginal de Jesus. A concepção virginal de Jesus foi um ato miraculoso operado pelo Espírito Santo. Esse fato foi profetizado por Isaías cerca de setecentos anos antes do A concepção virginal de Jesus foi um ato sobrenatural realizado pelo Espírito Santo, sem intervenção humana. Tal evento não ocorreu de forma acidental, mas foi anunciado profeticamente séculos antes do nascimento de Cristo, confirmando o cumprimento das promessas messiânicas:
“Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.” (Is 7.14).
O evangelista Mateus, escrevendo especialmente aos judeus, identifica claramente o cumprimento dessa profecia na pessoa de Jesus Cristo:
“E tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, dizendo: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamarão o seu nome Emanuel, que traduzido é: Deus conosco.” (Mt 1.22,23).
Alguns judeus e teólogos liberais rejeitam a doutrina da concepção virginal, baseando-se em uma discussão linguística envolvendo os termos hebraicos ‘almah’ (jovem) e ‘betulah’ (virgem). Argumentam que Isaías teria se referido apenas a uma jovem, e não necessariamente a uma virgem.
Entretanto, embora ‘almah’ signifique uma jovem solteira, no Antigo Testamento essa palavra nunca se refere a uma mulher que não seja virgem. Além disso, a Septuaginta — tradução grega do Antigo Testamento, produzida por judeus séculos antes de Cristo — traduziu ‘almah’ pelo termo grego ‘parthenos’, que significa inequivocamente “virgem”. Isso demonstra que o entendimento judaico original reconhecia o caráter virginal da profecia.
A concepção virginal é uma doutrina bíblica fundamental, pois garante que Cristo assumiu a natureza humana sem herdar a natureza pecaminosa. Não se deve, contudo, confundir essa verdade com a doutrina da “virgindade perpétua de Maria”, ensinada pelo catolicismo romano. Maria era virgem quando concebeu Jesus, mas, posteriormente, teve vida conjugal com José e outros filhos (cf. Mt 13.55).
2. A deidade absoluta do Filho. 
Jesus Cristo é o Filho eterno de Deus e possui a mesma essência e substância do Pai (gr. homoousios). As Escrituras afirmam claramente essa verdade:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (Jo 1.1).
“Eu e o Pai somos um.” (Jo 10.30).
“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Cl 2.9).
“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas.” (Hb 1.3).
Ao encarnar-se, Jesus tornou-se verdadeiramente homem, sem jamais deixar de ser Deus. Após a ressurreição, Ele continuou sendo plenamente humano. Assim, Cristo possui duas naturezas — divina e humana — unidas em uma única pessoa, conforme ensina a cristologia bíblica histórica, em oposição às heresias cristológicas, como o nestorianismo.
Por ser verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e a humanidade:
“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (1Tm 2.5).
A Bíblia afirma de forma direta e inequívoca a divindade de Cristo:
“E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!” (Jo 20.28).
“Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” (1Jo 5.20).
3. Os atributos divinos de Jesus. 
A Bíblia ensina que Deus possui atributos incomunicáveis, isto é, qualidades exclusivas da divindade. Esses atributos também são atribuídos a Cristo, confirmando Sua plena divindade.
1. Imutabilidade. A imutabilidade é o atributo pelo qual Deus não muda em Sua essência, natureza ou perfeição. Essa característica é atribuída a Jesus Cristo:
“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” (Hb 13.8).
2. Eternidade. Deus é eterno, pois nunca teve princípio e jamais terá fim. Nunca houve um tempo em que Deus não existisse. Ele existe acima do tempo e não está sujeito às suas limitações. A Bíblia afirma que o Filho compartilha dessa eternidade: 
“E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” (Cl 1.17).
 “Pai da Eternidade.” (Is 9.6).
3. Onipotência. Deus é onipotente porque todo poder e autoridade pertencem a Ele. Não existe, nem jamais existirá, poder algum capaz de subjugá-Lo. Para Deus, nada é impossível. Este atributo também é atribuído a Cristo:
“Eu sou o Alfa e o Ômega… o Todo-Poderoso.” (Ap 1.8).
4. Onipresença. Deus é onipresente, pois está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. Esse atributo não deve ser confundido com o panteísmo, que ensina que Deus é tudo e tudo é Deus. A onipresença afirma que Deus está em toda parte, sem se confundir com a criação. A Bíblia nos mostra claramente que Jesus é onipresente:
“E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação do mundo.” (Mt 28.20).
5. Onisciência. Deus é onisciente, pois Ele conhece plenamente todas as coisas, visíveis e invisíveis, passadas, presentes e futuras, em todos os lugares do universo. A Bíblia também nos mostra que Jesus é onisciente, pois Ele conhece pensamentos e mistérios que somente Deus conhece:
“Porque ele bem sabia o que havia no homem.” (Jo 2.25).
6. Autoexistência. Deus não foi criado e existe por Si mesmo. Ele é absolutamente autossuficiente, não dependendo de nada nem de ninguém fora de Si para existir ou subsistir. Jesus Cristo, o Filho de Deus também possui este atributo:
“Assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo.” (Jo 5.26).
Ev. WELIANO PIRES

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