30 janeiro 2026

A MISSÃO REDENTORA DO DEUS FILHO

(Comentário do 3º tópico da Lição 5: O Deus Filho)

No terceiro tópico, estudaremos a missão redentora do Deus Filho, tomando como referência o episódio da Transfiguração, registrado nos Evangelhos (Mt 17.1-9; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36). Esse acontecimento revela antecipadamente a glória de Cristo e confirma a sua centralidade no plano redentor de Deus.

1. O Filho como a revelação suprema do Pai. Na Transfiguração, a voz do Pai declarou: “Escutai-o” (Mt 17.5; Mc 9.7; Lc 9.35). Essa ordem divina evidencia que o Filho é a revelação suprema do Pai e que é a Ele que o povo de Deus deve ouvir. Moisés e Elias, representantes da Lei e dos Profetas, aparecem ao lado de Jesus, mas a voz do céu não aponta para eles; aponta exclusivamente para o Filho.

Ao longo da história, houve quem insistisse que a obediência à Lei mosaica fosse necessária para a salvação. No entanto, as Escrituras ensinam que Cristo é o cumprimento da Lei e que seus ritos e prescrições eram sombras das realidades futuras que se concretizariam nEle (Cl 2.17; Hb 10.1). Tudo o que estava prescrito na Lei apontava para Cristo e encontrou nEle o seu pleno cumprimento.

O autor da Epístola aos Hebreus afirma: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hb 1.1,2). Essa declaração confirma que a revelação divina alcança sua plenitude em Jesus Cristo, que manifesta de forma perfeita o caráter, a vontade e o propósito redentor do Pai.

A teologia cristã reconhece que Deus se revelou à humanidade de duas formas principais: a revelação geral e a revelação especial.

a) Revelação geral. A revelação geral ocorre quando Deus se manifesta a todos os seres humanos por meio da criação, que proclama a sua glória e o seu poder (Sl 19.1–4; Rm 1.19,20). Além disso, Deus também se revela por meio da consciência humana, capacitando cada pessoa a discernir, ainda que de forma limitada, entre o bem e o mal. Essa revelação torna a humanidade responsável diante de Deus, ainda que não seja suficiente para a salvação.

b) Revelação especial.  A revelação especial é a manifestação pela qual Deus torna possível um relacionamento pessoal e redentor com o ser humano. Inicialmente, Deus falou por meio dos profetas e dos escritores das Escrituras Sagradas, que, inspirados pelo Espírito Santo, transmitiram fielmente a sua Palavra. Contudo, essa revelação alcança seu ponto culminante na encarnação do Filho, que revelou de modo pleno e definitivo quem é o Pai e qual é a sua vontade salvadora.

Por essa razão, rejeitar o Filho equivale a rejeitar o próprio Deus, conforme ensina o apóstolo João: “Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho tem também o Pai” (1Jo 2.23). Cristo ocupa o centro da vontade divina e possui autoridade absoluta para ensinar e conduzir o ser humano à salvação.

2. A exclusividade do Filho na redenção. Após o desaparecimento de Moisés e Elias, os discípulos “ergueram os olhos e não viram ninguém, senão a Jesus” (Mt 17.8). Esse detalhe é teologicamente significativo, pois reforça que a salvação é concedida única e exclusivamente por meio de Cristo. Nenhum outro mediador ou caminho pode conduzir o ser humano à redenção (Jo 14.6; At 4.12).

A Lei e os Profetas cumpriram sua função pedagógica ao apontar para o Messias e vigoraram até João Batista. Com a vinda de Cristo, Deus estabeleceu uma Nova Aliança, tendo o Filho como o único Mediador entre Deus — absolutamente santo — e a humanidade pecadora.

O próprio Jesus declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Essa afirmação deixa claro que a salvação não é resultado de múltiplos caminhos espirituais, mas encontra-se exclusivamente na pessoa e na obra de Cristo. Fora dEle, não há possibilidade de reconciliação com Deus.

Essa mesma verdade foi proclamada pelo apóstolo Pedro diante das autoridades judaicas: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12).

O apóstolo Paulo reforça essa doutrina ao escrever a Timóteo: “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1Tm 2.5). Essa declaração reafirma a exclusividade da mediação do Deus Filho, que se fez homem para reconciliar a humanidade com Deus. Não existe, no céu, na terra ou em qualquer outra esfera, outro mediador que possa exercer essa obra redentora.

3. O impacto dessa revelação na vida dos discípulos. A experiência de contemplar o Cristo glorificado na Transfiguração produziu profundo fortalecimento espiritual em Pedro, Tiago e João. Esse episódio preparou-os para compreender que o Messias glorioso também deveria passar pelo sofrimento da cruz antes de entrar definitivamente em sua glória, fortalecendo-os para o ministério que exerceriam como líderes e colunas da Igreja Primitiva (At 2.42,43; 5.13).

Anos mais tarde, Pedro testemunhou essa experiência ao escrever: “Porque não vos fizemos saber o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas astuciosamente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade” (2Pe 1.16,17). O apóstolo deixa claro que sua fé estava fundamentada em um testemunho real e histórico da glória de Cristo.

Além da Transfiguração, os discípulos também viram Jesus ressuscitado durante quarenta dias e testemunharam a sua ascensão gloriosa aos céus. Tanto a revelação antecipada da glória de Cristo no monte quanto o testemunho ocular de sua ressurreição exerceram profundo impacto em suas vidas e ministérios. Por essa convicção, enfrentaram perseguições, sofrimentos e até a morte, certos de que não haviam crido em fábulas, mas na verdade revelada de Deus em Jesus Cristo.

Ev. WELIANO PIRES

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