02 janeiro 2026

A RELEVÂNCIA DA TRINDADE PARA A FÉ CRISTÃ

(Comentário do 3º tópico da Lição 1: O mistério da Santíssima Trindade).

No terceiro tópico, trataremos da importância da Doutrina da Trindade para a fé cristã. Inicialmente, abordaremos o desenvolvimento histórico dessa doutrina no seio da Igreja. Embora a Trindade seja uma verdade claramente ensinada nas Escrituras, sua formulação teológica e compreensão sistematizada foram progressivamente desenvolvidas, sendo definidas de forma mais precisa nos Concílios de Nicéia (325 d.C.) e de Constantinopla (381 d.C.). 

Em seguida, destacaremos as implicações doutrinárias da Trindade para a fé cristã, demonstrando sua centralidade para a correta compreensão de Deus e da salvação. Nesse contexto, refutaremos algumas heresias que negam ou distorcem essa doutrina, tais como: o triteísmo, que defende a existência de três deuses; o unitarismo, que ensina que somente o Pai é Deus; e o unicismo, também conhecido como modalismo, que afirma haver apenas uma Pessoa na Divindade, a qual se manifesta de três formas distintas.

1. Desenvolvimento doutrinário da Trindade. Quando falamos sobre a doutrina da Trindade, uma das primeiras acusações feitas pelos que contestam essa doutrina é que ela teria sido criada pela Igreja Católica após a conversão do imperador romano Constantino, que, supostamente, teria introduzido o paganismo na Igreja e criado novas doutrinas.

Entretanto, isso não é verdade. Primeiro, porque Constantino não se converteu à Igreja Católica, pois ela ainda não existia na ocasião de sua conversão. Constantino se converteu no ano de 312 d.C. Nessa época, ainda não existia a Igreja Católica com Papa, conforme a conhecemos hoje. Existia apenas a Igreja Cristã.

O Catolicismo se desenvolveu somente a partir do século IV. No ano de 380 d.C., com o Édito de Tessalônica, o imperador Teodósio I declarou o cristianismo niceno como a única religião oficial do Império Romano. A partir daí, outras religiões passaram a ser progressivamente reprimidas. Teodósio proibiu oficialmente os cultos pagãos e fechou templos tradicionais. O primeiro papa foi Leão Magno, a partir de 440 d.C.

Conforme já vimos nos tópicos anteriores, a doutrina da Trindade é amplamente fundamentada nas Escrituras. No Antigo Testamento, embora ainda não houvesse a revelação explícita da Trindade, ela está implícita em vários textos, conforme vimos no tópico anterior. No Novo Testamento, porém, fica claro a existência de três Pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Os primeiros cristãos criam em um Deus Trino. Tanto que, no chamado Credo Apostólico, um documento escrito no século II da Era Cristã e atribuído pela tradição aos apóstolos, fica muito claro que eles criam em um Deus Trino. Eu destaquei em negrito as partes que fazem menção às três pessoas da Trindade:

"Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, nosso Senhor; que foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria; sofreu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, e desceu ao Hades; e ressuscitou da morte ao terceiro dia; que subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus, o Pai Todo-Poderoso; de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja cristã, na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; e na vida eterna."

Nos primeiros séculos da Igreja, surgiram várias heresias, e os apologistas da Igreja precisaram se debruçar sobre as Escrituras e se posicionar contra essas heresias. As primeiras heresias diziam respeito à Pessoa de Cristo, no que tange à sua divindade e à sua humanidade. Posteriormente, surgiram também heresias sobre a Pessoa do Espírito Santo e sobre a Trindade.

O Concílio de Nicéia, em 325 d.C., foi a primeira formulação teológica da doutrina da Trindade, contra as heresias dos unicistas e unitaristas, contendo também a condenação da Igreja aos hereges:

"Cremos em um só Deus, Pai Onipotente, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, o Unigênito do Pai, que é da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, Verdadeiro Deus de Verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância [homooúsios] com o Pai, por meio de quem todas as coisas vieram a existir, as coisas que estão no céu e as coisas que estão na terra, que por nós, homens, e por nossa salvação desceu e foi feito carne, e se fez homem, sofreu, e ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, e virá para julgar os vivos e os mortos. E também no Espírito Santo. Mas aqueles que dizem: “Houve um tempo quando ele não era”; e “Ele não era antes de ter nascido”; e “Ele foi feito do que não existe”, ou “Ele é de outra substância” ou “essência”, ou “O Filho de Deus é criado”, ou “mutável”, ou “alternável” — eles são condenados pela Igreja cristã e apostólica."

O Concílio de Constantinopla foi convocado em 381 d.C. para reafirmar as decisões do Concílio de Nicéia e esclarecer algumas disputas cristológicas relacionadas à natureza de Cristo. Na parte que fala sobre as três pessoas da Trindade, o Concílio de Constantinopla declarou o seguinte:

"Cremos em um só DEUS, o Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, o gerado do Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz de Luz, Verdadeiro Deus de Verdadeiro Deus, gerado e não feito, da mesma substância do Pai […] E no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai e do Filho, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado..."

Concluímos, portanto, que a doutrina da Santíssima Trindade não foi uma formulação teológica tardia acrescentada à fé cristã pela Igreja Romana, como acusam seus opositores. Ela é uma doutrina que emerge das Escrituras, assim como as demais doutrinas cristãs, e que já era professada pelos cristãos no período apostólico. Foi por causa do surgimento das heresias que os líderes da Igreja precisaram estudar o assunto a partir das Escrituras e elaborar o seu Credo.

2. Implicações doutrinárias. Alguém pode perguntar: Mas qual é a importância de se estudar a doutrina da Santíssima Trindade? Quais são as implicações da negação dessa doutrina? Eu mesmo já vi crentes da Assembleia de Deus, que são fãs de um grupo herege que nega esta doutrina, dizendo que não é uma doutrina fundamental, como se fosse algo opcional, ou uma simples divergência teológica, como se houvesse mais de uma opinião a respeito.

Ora, a doutrina da Santíssima Trindade é bíblica e inegociável. Negar esta doutrina implica em negar as Escrituras, e isso é gravíssimo. Conforme colocou o comentarista, a negação da Trindade resultou em heresias como o Unitarismo (ou Arianismo), o Modalismo (ou Sabelianismo) e o Triteísmo.

O Unitarismo também nega a doutrina da Trindade e afirma que somente o Pai é Deus. Crêem que Jesus é o Filho de Deus, mas não é divino. Essa heresia é chamada também de Arianismo, pois foi defendida inicialmente pelo presbítero Ário de Alexandria. Um dos movimentos religiosos da atualidade que mais se assemelha ao Arianismo são as Testemunhas de Jeová, que dizem que somente o Pai é Deus, que Jesus Cristo é um deus menor, criado pelo Pai, e que o Espírito Santo é uma força impessoal.

O Unicismo é outra heresia sobre a doutrina da Trindade, que defende que Pai, Filho e Espírito Santo são, na verdade, uma única pessoa que se manifesta de três modos diferentes. Segundo essa visão, Deus era o Pai no Antigo Testamento, no Novo Testamento era o Filho e, após a ascensão de Cristo, Deus se tornou o Espírito Santo. Os principais propagadores dessa heresia foram Noeto, Praxeas e Sabélio. Por isso, ela é também chamada de Sabelianismo.

O Unicismo praticamente desapareceu depois que Dionísio de Antioquia enfrentou Sabélio e combateu eficazmente suas heresias. Contudo, renasceu com John G. Schepp, que fundou a seita “Só Jesus”. Atualmente, há muitos grupos unicistas. No Brasil, os mais conhecidos são: a Igreja Evangélica Voz da Verdade, Igreja Local, Tabernáculo da Fé e Testemunhas de Yehoshua.

O Triteísmo, por sua vez, é uma heresia que surgiu a partir de uma interpretação errada da doutrina da Trindade. Segundo o Triteísmo, existem três deuses separados, ou seja, três deuses independentes, que coexistem, mas não estão unidos em uma única essência divina. Cada uma dessas Pessoas teria uma natureza diferente e seria uma divindade. Trata-se de uma forma de politeísmo, pois crê-se em três deuses, o que contradiz o monoteísmo bíblico. Essa ideia foi discutida e refutada nos primeiros concílios da Igreja, especialmente nos Concílios de Nicéia e Constantinopla I.

Negar a doutrina da Trindade, ou ter uma crença distorcida sobre as Pessoas da Santíssima Trindade, compromete a salvação, e a Bíblia é clara sobre isso:

“E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, só por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3)

“Todo aquele que nega o Filho, também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho, tem também o Pai.” (1 João 2:23)

Ev. WELIANO PIRES

A RELEVÂNCIA DA TRINDADE PARA A FÉ CRISTÃ

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