14 novembro 2025

A BATALHA NA ARENA DOS PENSAMENTOS

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 7: Os pensamentos – a arena de batalha na vida cristã)

No terceiro tópico, trataremos da batalha espiritual que ocorre na mente. Primeiramente, falaremos sobre as influências espirituais nos pensamentos humanos, destacando os exemplos de Judas Iscariotes e Ananias, esposo de Safira, ambos influenciados por Satanás em seus pensamentos — e, por isso, tiveram fins trágicos.

Abordaremos também cuidados práticos que devemos adotar para proteger a mente de maus pensamentos e manter a saúde mental e espiritual.

A mente é o campo onde se trava a principal batalha da vida cristã, e somente pela ação do Espírito Santo e pela renovação contínua da mente pela Palavra (Rm 12.2) é possível experimentar a verdadeira vitória interior.

1. Influências espirituais

Conforme vimos no primeiro tópico, os pensamentos podem surgir a partir de fatores biológicos, emocionais e espirituais, ou através da combinação desses fatores. No aspecto espiritual, o nosso pensamento está sujeito às influências malignas. Falando sobre a batalha espiritual, o apóstolo Paulo escreveu aos crentes de Éfeso:

 “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Ef 6.12).

Ao falar sobre os itens da armadura de Deus que o crente deve usar na batalha espiritual, o apóstolo Paulo denominou um deles de “capacete da salvação". O capacete é um equipamento de proteção individual que protege a cabeça — seja do operário, engenheiro civil, soldado ou motociclista. Da mesma forma, a confiança na salvação também protege a nossa mente de maus pensamentos.

Inevitavelmente, o inimigo irá bombardear a nossa mente com maus pensamentos. Mesmo pessoas que creram em Jesus e nasceram de novo não estão imunes a esse bombardeio. O comentarista mencionou dois exemplos de pessoas que eram crentes e se deixaram influenciar pelo maligno em suas mentes.

O primeiro deles foi Judas Iscariotes, que era um dos apóstolos de Jesus e foi induzido pelo inimigo, logo após a ceia, a trair o Mestre, vendendo-o por trinta moedas de prata:

 “E, acabada a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse.” (Jo 13.2).

 “E, após o bocado, entrou nele Satanás. Disse-lhe, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa.” (Jo 13.27).

O segundo caso foi o de Ananias, esposo de Safira, que era membro da Igreja de Jerusalém e arquitetou um plano para enganar os apóstolos, fingindo generosidade para com os pobres, enquanto guardava parte do dinheiro para si. O Espírito Santo revelou a farsa ao apóstolo Pedro e, após este repreender Ananias e sua esposa Safira, ambos caíram mortos aos seus pés, em momentos diferentes. Em sua repreensão a Ananias, Pedro revelou que aquilo era obra do inimigo em sua mente:

 “Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?” (At 5.2–3).

Alguém poderá argumentar que esses dois, embora estivessem entre os crentes, já estavam desviados. Isso é verdade, mas ninguém se desvia de uma hora para outra. O processo começa na mente, seja através da natureza carnal, seja por meio de influências malignas. O inimigo vai lançando setas, e a mente da pessoa vai absorvendo-as até, finalmente, se entregar ao pecado.

Além disso, temos também o caso de Pedro, que era convertido e um dos principais apóstolos de Jesus, e que se deixou influenciar por Satanás logo depois de ter proferido uma mensagem revelada por Deus sobre a identidade de Jesus:

 “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mt 16.16).

Essa atitude foi elogiada por Jesus, que reconheceu publicamente que Pedro não fizera aquela afirmação por si mesmo, mas que Deus lha havia revelado:

 “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.” (Mt 16.17).

Entretanto, logo em seguida, ao ser informado por Jesus de que o Mestre iria para Jerusalém e seria torturado e condenado à morte por autoridades religiosas de Israel, mas ressuscitaria ao terceiro dia, o mesmo Pedro repreendeu Jesus, dizendo:

 “Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso!” (Mt 16.22).

Essa segunda atitude de Pedro foi vista por Jesus como uma influência de Satanás, e Ele imediatamente o repreendeu, dizendo:

 “Para trás de mim, Satanás! Tu me és pedra de tropeço, porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens.” (Mt 16.23).

Jesus identificou prontamente a fonte daquela declaração, que era o próprio Satanás, tentando mais uma vez fazê-lo desistir da cruz.

2. Cuidados práticos. 

No tópico anterior, vimos como gerir os nossos pensamentos, enchendo a mente com aquilo que é verdadeiro, honesto, amável, puro, vitorioso, de boa fama e digno de louvor. Além disso, mencionamos o uso de recursos espirituais como a leitura e a meditação na Palavra de Deus, a oração e o jejum.

Neste subtópico, o comentarista apresenta uma lista de cuidados práticos que podemos adotar para proteger a mente dos maus pensamentos. São medidas extremamente eficientes para impedir que nossos pensamentos sejam contaminados. Achei interessante listar essas medidas e comentar sobre cada uma delas:

a) Não nutrir pensamentos distorcidos sobre si mesmo.

Nesse aspecto, devemos evitar dois extremos: a mania de grandeza e o complexo de inferioridade. O primeiro evita a frustração causada pelo choque de realidade quando pensamos ser mais do que realmente somos. O segundo impede que sejamos dominados pela autocomiseração, acreditando que não somos nada e que ninguém gosta de nós. Esses extremos podem abrir portas para maus pensamentos e até para a depressão.

b) Purificar a mente dos maus pensamentos.

Devemos rejeitar todo tipo de pensamento impuro, especialmente os de caráter sexual, os pensamentos de vingança e as mágoas do passado. Esses elementos corrompem a nossa mente e adoecem a alma.

c) Vigiar contra a mentira e todo tipo de engano.

Como vimos no tópico anterior, devemos ocupar a mente com aquilo que é verdadeiro e honesto. Por isso, é fundamental submeter nossos pensamentos ao filtro da verdade. O crente jamais deve se envolver com mentiras — seja criando, seja divulgando. Da mesma forma, não deve ocupar a sua mente com nada fraudulento ou desonesto, mesmo que ofereça algum benefício imediato.

d) Livrar-se da intoxicação e do excesso de informações.

No mundo atual, especialmente com a internet e as redes sociais, a informação se espalha em velocidade impressionante. Tudo — até o que não é verdade — chega a nós em poucos segundos. A mente humana não é capaz (e nem precisa) processar tamanha quantidade de dados, pois isso causa cansaço, ansiedade, exaustão e até colapso. A internet tem seu valor, mas não precisamos gastar horas consumindo “lixo virtual” que prejudica nosso equilíbrio mental.

e) Focar a mente no que edifica e instrui.

Sem dúvida, precisamos estar bem informados, ou ficaremos para trás. No entanto, devemos selecionar cuidadosamente o que consumimos, priorizando conteúdos que edifiquem e instruam. Na internet há estudos bíblicos, cursos, palestras e materiais úteis para nossa vida. Podemos — e devemos — ocupar nosso tempo com essas coisas.

f) Construir relacionamentos saudáveis.

Um dos grandes problemas do mundo virtual é o aumento de brigas e contendas. Discussões que antes aconteciam apenas pessoalmente agora tomam conta do Instagram, Facebook, Twitter, WhatsApp e outras plataformas. Embora a internet tenha grande potencial para aproximar pessoas e criar amizades, também é um ambiente propício a fofocas, conflitos e intrigas por meio de postagens e comentários. Isso faz muito mal à nossa alma, ao nosso espírito e até ao nosso corpo. Muitas pessoas estão adoecidas por causa de contendas. Que Deus nos dê sabedoria para fugir dessas coisas!

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