(Comentário do segundo tópico da Lição 13: Perseverando na fé em Cristo)
Ev. WELIANO PIRES
No segundo tópico, falaremos da recomendação de Paulo a Timóteo para permanecer naquilo que aprendeu: aprendendo, sendo inteirado e sabendo. Inicialmente, responderemos à pergunta: De quem Timóteo aprendeu as Sagradas Letras? O comentarista apresenta uma boa exegese do pronome relativo, “de quem”, usado pelo apóstolo Paulo. Na sequência, falaremos da recomendação para que Timóteo permaneça firme nas Sagradas Letras, lembrando-se de quem foram os seus instrutores. Por fim, veremos que a Bíblia é divinamente inspirada e apresentaremos o significado da inspiração divina das Escrituras.
1. De quem Timóteo aprendeu as Sagradas Letras? (v.14). Nos versículos 14 e 15, da Leitura Bíblica em Classe, o apóstolo Paulo fez a seguinte recomendação a Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido. E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus”. O conteúdo que Timóteo aprendeu eram as Sagradas Letras, ou as Escrituras, inspiradas por Deus, como veremos abaixo.
O comentarista faz menção aos instrutores de Timóteo, ou seja, quem lhe ensinou as Sagradas Letras. Timóteo era filho de uma mulher judia, chamada Eunice, e neto de outra judia chamada Loide. Embora o pai de Timóteo fosse gentio e não tenha permitido que ele fosse circuncidado, a sua mãe e avó lhe ensinaram as Escrituras judaicas, desde a sua infância. Além da sua mãe e avó que eram judias e lhe ensinaram as Escrituras hebraicas, Timóteo também teve como mentor o apóstolo Paulo que, além das Escrituras hebraica, lhe ensinou também as doutrinas cristãs, que ele recebeu do próprio Senhor Jesus.
Todos nós, no início da nossa fé precisamos de mentores ou discipuladores, que nos ensinem a Palavra de Deus. O discipulado cristão é tão importante quanto a evangelização. De nada adianta fazermos congressos, trazer pregadores eloquentes e dezenas de pessoas se entregarem a Cristo, se não houver a continuidade deste trabalho através do discipulado. Os novos convertidos são como bebês recém nascidos, que necessitam de cuidados especiais e alimentação leve. São presas fáceis dos falsos mestres e, se não ficarmos atentos, eles serão levados por ventos de doutrinas.
2. Permanecendo firme nas Sagradas Letras (v.15). Paulo recomendou a Timóteo que permanecesse naquilo que aprendeu, que eram as Sagradas Letras. A fonte das instruções que Timóteo recebeu eram as Escrituras e os seus instrutores eram pessoas tementes a Deus. O jovem Timóteo teve o privilégio de crescer em lar onde havia instruções da Palavra de Deus, apesar do seu pai não ser judeu. Tanto a sua mãe, como a sua avó, não descuidaram da educação religiosa da criança. Eu louvo a Deus, pois também tive este privilégio. Os meus pais se converteram quando eu tinha apenas cinco anos e, com eles, eu aprendi desde cedo as Sagradas Letras. O meu pai foi o meu primeiro professor da Escola Dominical.
O lar cristão é o ambiente propício para se ensinar a Palavra de Deus aos nossos filhos. A Igreja local, principalmente o pastor e o professor da Escola Dominical, tem a responsabilidade de ensinar a Palavra de Deus aos crentes. Entretanto, o ensino da Palavra de Deus deve começar em casa. É de responsabilidade dos pais ensinar aos seus filhos a Palavra de Deus. Nos textos de Deuteronômio 6.4-8 e 11.18,19, o Senhor fala para os pais ensinarem a Lei do Senhor aos filhos, assentados com eles à mesa, andando com eles no caminho, ao deitar e ao levantar.
No Livro de Provérbios também há várias referências recomendando aos pais que instruam os seus filhos, mostrando-lhes o caminho em que devem andar. O texto mais conhecido é Provérbios 22.5 que diz: “Instrui à criança no caminho em que deve andar e quando envelhecer não se desviará dele”. Este texto nos mostra que os pais têm a responsabilidade de ensinar a Palavra de Deus aos filhos. Este ensino, no entanto, não deve ser apenas teórico. Os pais devem ensinar os filhos “no caminho” e não “sobre o caminho”. Isto significa que devem ensinar, andando também no caminho.
Os nossos filhos passam várias horas por dia expostos a vários tipos de ensinos perniciosos e a práticas que contrariam a Palavra de Deus. Por isso, precisamos gastar tempo com eles, para orar, ler a Bíblia e ensiná-los a ter um relacionamento com Deus. Não podemos negligenciar esta responsabilidade, ou deixá-los apenas a cargo da Igreja. Infelizmente, muitos pais crentes não se preocupam com a salvação dos seus filhos e não lhes ensinam a Palavra de Deus. Depois que os filhos crescem e dão trabalho ficam se perguntando onde erraram.
3. A Bíblia é divinamente inspirada. Depois de recomendar a Timóteo que permanecesse naquilo que aprendeu, que eram as Sagradas Letras, sabendo de quem as tinha aprendido: da sua mãe e avó, e do próprio Paulo, nos versículos 16 e 17, na versão Almeida Revista e Corrigida, o apóstolo fala da inspiração divina das Escrituras, dizendo: “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra”.
As versões Almeida Revista e Atualizada, Nova Almeida Atualizada, Almeida Revista e Corrigida Fiel, traduzem a primeira parte do versículo 16 assim: “Toda a Escritura é divinamente inspirada…”. A Nova Versão Internacional e Nova Versão Transformadora, dizem: “Toda a Escritura é inspirada por Deus…”. A palavra grega usada por Paulo, traduzida por “inspirada por Deus” é “theopneustos”. É a junção dos termos gregos: “Theos” (Deus) e “pneõ” (sopro), significando literalmente “soprada por Deus”. Toda a Bíblia foi inspirada por Deus e não apenas algumas partes, como prega a teologia liberal. Não há um livro ou texto mais inspirado do que outros.
Há várias teorias erradas a respeito da inspiração divina da Bíblia. A teoria correta, que a Assembleia de Deus adota, é chamada de inspiração verbal plenária. Esta teoria afirma que o Espírito Santo, agiu sobre os escritores da Bíblia e os conduziu na transcrição daquilo que Deus queria que fosse escrito. Esta ação do Espírito Santo manteve a inerrância das Escrituras e deu-lhe a autoridade divina. A inspiração verbal significa que todas as palavras da Bíblia são inspiradas por Deus. Por outro lado, a inspiração bíblica também é plenária, pois, todo o texto bíblico foi inspirado por Deus e não apenas algumas palavras. Sendo assim, rejeitamos as ideias da teologia liberal que afirma que a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas, "contém a Palavra de Deus".
REFERÊNCIAS:
SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025.
Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, Ed. 100, 2025, p. 42.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2013, pp.1715.
Bíblia de Estudo Apologia Cristã. 1ª Edição. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2017, p.1930.
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