25 setembro 2024

O PEDIDO DE DEFESA AOS JUDEUS E A CONCESSÃO DO REI

(Comentário do 1º tópico da Lição 13: Ester, a portadora de boas novas) 

Ev. WELIANO PIRES


No primeiro tópico, falaremos do pedido de defesa aos judeus, que foi atendido pelo rei Assuero. Humildemente, Ester suplicou ao rei que revogasse o decreto feito por influência de Hamã. Havia, no entanto, um obstáculo, pois o rei não poderia simplesmente revogar um decreto assinado por ele mesmo, para não causar insegurança jurídica. Assuero, então, emitiu outro decreto que permitia ao povo judeu o direito de se defender perante os seus inimigos. No dia previsto para a matança dos judeus, aconteceu o contrário: eles puderam se defender e mataram os seus inimigos. 


1- A humildade de Ester e sua súplica. Uma das principais virtudes de Ester sempre foi a humildade. Apesar de ter conquistado a todos por onde passava, na ocasião do concurso para a escolha da nova rainha, a belíssima jovem Ester sempre se manteve humilde e discreta. As moças que iriam se apresentar perante o rei poderiam pedir qualquer coisa que desejassem, para se embelezar. Ester, porém nada pediu para si, além do recomendado pelo camareiro do rei (Et 2.14.15). 


Depois que foi escolhida rainha, Ester nunca se exaltou e manteve sempre a discrição. Sempre foi submissa a Mardoqueu e ao rei. Mesmo após saber do plano maligno para assassinar todo o seu povo, Ester agiu humildemente perante o rei, esperando o momento certo para fazer a sua denúncia. Quando contou ao rei que ela e o seu povo estavam condenados à morte, Ester disse ao rei que se fossem vendidos como escravos, ela não incomodaria o rei, só estava fazendo aquela denúncia porque eles seriam mortos. 


Após a execução de Hamã, o grande inimigo dos judeus, o decreto para executar os judeus continuava em vigor e tinha data marcada para ser cumprido. Ester com toda a sua humildade e carisma suplicou ao rei que revogasse aquele decreto. O rei Assuero, então, informou a Ester que ele já havia feito o que podia, mandando executar Hamã, e que não estava ao seu alcance revogar aquele decreto. A luta para os judeus ainda não havia terminado, embora tivessem obtido uma grande vitória com a morte de Hamã. 


2- Segurança jurídica. O Império Medo-persa, evidentemente, não era uma democracia, pois este regime teve início com os gregos e foi se aperfeiçoando ao longo dos séculos. Era uma monarquia absolutista como os demais impérios também o foram. Entretanto, havia um pouco mais de liberdade para os povos dominados. Uma das características do Império dos Medo-persa era a segurança jurídica. Eles tinham tanto apreço por suas leis que, uma vez promulgada uma lei, nem mesmo o rei poderia revogá-la. Sendo assim, o rei Assuero não poderia revogar o decreto elaborado por Hamã, que ele mesmo havia assinado. Situação semelhante viveu Dario, o medo, quando os adversários de Daniel armaram um decreto para lançá-lo na cova dos leões. Dario gostava muito de Daniel, mas não pôde revogar o decreto que ele mesmo havia assinado (Dn 6.8,15). 


O comentarista cometeu um equívoco aqui, ao mencionar este Dario, como o pai de Assuero. Embora tenham o mesmo título, Dario, o medo, e Dario I, o pai de Assuero, não são a mesma pessoa. Dario, o medo, foi co-regente de Ciro, o Grande, e governou a Babilônia, após o assassinato de Belsazar. A história secular não o menciona e, por isso, não se sabe ao certo quem foi ele. Dario I, por sua vez, era filho de Cambises II e neto de Ciro, o grande. Este governou a Pérsia, de 521 a.C a 485 a. C. e foi sucedido no trono por seu filho Xerxes I ou Assuero, como é chamado no Livro de Ester. Feito este esclarecimento, voltemos ao tema da segurança jurídica. 


Segurança jurídica é um dos princípios fundamentais do direito, segundo o qual, o estado deve garantir os direitos fundamentais dos seus cidadãos e a previsibilidade e estabilidade das relações comerciais, empresariais, trabalhistas, etc. Isto serve para nortear todas as relações jurídicas no país. Isto significa que, em tese, as regras não podem mudar no meio do jogo, para não prejudicar o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. Por exemplo, a lei não pode retroceder, exceto se for para benefício do réu. Você que lê este texto deve estar se perguntando, mas isso é o contrário do que está acontecendo no Brasil atualmente. Pois é, o Brasil vive uma insegurança jurídica generalizada e na opinião de muitos juristas já pode ser considerado uma ditadura. 


Lamentavelmente, em nosso país, quem deveria garantir a segurança jurídica, que é o Supremo Tribunal Federal, nos últimos anos vem fazendo exatamente o contrário. Além de desrespeitar a Constituição, atentando contra as garantias fundamentais, os ministros do STF criam e modificam leis conforme as circunstâncias e as próprias conveniências, usurpando as prerrogativas do Poder Legislativo. Interferiram também no Poder Executivo, em governos passados, impedindo o Presidente da República de exercer as suas prerrogativas legais. Além disso, extrapolam as suas funções abrindo inquéritos ilegais, usurpando a função do Ministério Público e da Polícia Federal. Para piorar prendem deputados, jornalistas e cidadãos que os criticam, sem o devido processo legal, negando o acesso à denúncia até aos advogados; censuram perfis de cidadãos comuns, de deputados, de jornalistas e órgãos de imprensa; desmonetizam canais por causa das suas opiniões ou críticas, alegando que são desinformação; etc. 


3- O direito de defesa. Conforme falamos no subtópico anterior, os decretos e leis da Pérsia, uma vez promulgados pelo rei, não poderiam ser revogados nem mesmo por ele. Desta forma, o decreto que ordenava a morte de todos os judeus  do Império Persa, continuava em vigor. Mesmo Hamã tendo sido morto e Ester pedindo ao rei que o decreto fosse revogado, ele não poderia fazer isso. Entretanto, o rei Assuero deu total liberdade a Mardoqueu e a Ester para escreverem outro decreto, conforme desejassem, permitindo aos judeus que se defendessem, contra qualquer pessoa que os atacasse (Et 8.8-13). 


Não se tratava de vingança, mas de legítima defesa. Os judeus não iriam atacar ninguém, mas poderiam se organizar e se armar para reagir diante de qualquer ataque dos seus inimigos. Hamã, que era o homem mais importante depois do rei, mandou cartas em nome do rei a todas as províncias do Império Persa, dizendo que os judeus eram um povo inimigo do rei e que deveriam ser mortos na data marcada. Em uma situação dessa, ninguém queria se aproximar dos judeus e se matasse um deles estaria prestando um bom serviço ao rei. 


Agora, a situação havia se invertido após a morte de Hamã. Todo o Império Persa já sabia que os judeus eram o povo da rainha Ester, que Mardoqueu era o seu pai adotivo e que ele havia assumido o cargo de Hamã. Nenhum governador de província, em sã consciência, iria querer matar os judeus. Entretanto, ainda havia muitos inimigos dos judeus, provavelmente os aliados de Hamã. Estes insistiram em atacar os judeus e foram mortas oitocentas pessoas, somente da cidade de Susã, incluindo os dez filhos de Hamã, e setenta e cinco mil em todo o Império Persa. 


O direito à legítima defesa está previsto nas leis de vários países. No Código Penal Brasileiro também está previsto este direito. No artigo 25 do Código Penal temos o seguinte: “Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.” Portanto, não há crime quando alguém mata ou fere outra pessoa que o ataca. Porém, comete crime se houver exagero. É importante salientar que legítima defesa não pode ser confundida com vingança ou execução de alguém que já se rendeu. 


REFERÊNCIAS: 


QUEIROZ, Silas. O Deus que governa o Mundo e cuida da Família: Os ensinamentos divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024.

REVISTA ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 3º Trimestre de 2024. Nº 98, pág. 42.

Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.843; 846. 

23 setembro 2024

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 13: ESTER, A PORTADORA DAS BOAS NOVAS

Ev. WELIANO PIRES

REVISÃO DA LIÇÃO PASSADA 


Na lição passada, falamos do banquete de Ester e da denúncia que ela fez ao rei. Foi  o desfecho final do plano elaborado por Ester para salvar o seu povo. O rei perguntou a Ester qual era a sua petição, pois aguardava o seu pedido, desde o primeiro banquete. Diante disso, Ester denunciou o plano maligno de Hamã contra o povo judeu, que era o seu povo e até aquele momento ninguém sabia. 


TÓPICOS DA LIÇÃO 


No primeiro tópico, falamos do segundo banquete de Ester e da denúncia que ela fez ao rei. Falamos da instabilidade de Hamã, após a exaltação de Mardoqueu. Falamos também sobre o chamado “banquete do vinho”. O falou dos terríveis males que o vinho causa na vida das pessoas que fazem uso dele. Por último, falamos da pergunta do rei a Ester, pela segunda vez, sobre qual seria a sua petição. 


No segundo tópico, falamos da fúria do rei contra a injustiça. Após a denúncia de Ester, o rei quis saber quem teria feito tal coisa, pois até aquele momento, ninguém sabia que Ester era uma judia. Ester, então, revelou ao rei que era Hamã o protagonista deste plano. O rei ficou furioso e levantou-se imediatamente do banquete. Hamã lançou-se aos pés de Ester para pedir misericórdia e o rei interpretou que ele estaria tentando forçar a rainha. 


No terceiro tópico, falamos do grande livramento concedido ao povo judeu. A história da forca de Hamã chegou ao palácio em um momento crítico para Hamã. Ao saber disso, o rei ordenou que Hamã fosse enforcado nela. Isto mostra que Hamã não era querido no palácio, era reverenciado apenas por imposição.


LIÇÃO 13: ESTER, A PORTADORA DAS BOAS NOVAS 


Nesta última lição veremos que o drama do povo judeu chegou ao fim e a rainha Ester agiu como propagadora de boas novas ao seu povo. O seu pai adotivo, Mardoqueu, que havia pouco tempo estava condenado à morte, agora foi honrado por todo o Império Persa. Esta lição aborda o grande livramento que Deus deu ao seu povo, garantindo assim, o percurso histórico da salvação. Ao longo deste trimestre vimos que Rute e Ester cumpriram papéis relevantes na história de tão grande salvação revelada em Cristo Jesus. 


TÓPICOS DA LIÇÃO 


No primeiro tópico, falaremos do pedido de defesa aos judeus, que foi atendido pelo rei Assuero. Humildemente, Ester suplicou ao rei que revogasse o decreto feito por influência de Hamã. Havia, no entanto, um obstáculo, pois o rei não poderia simplesmente revogar um decreto assinado por ele mesmo, para não causar insegurança jurídica. Assuero, então, emitiu outro decreto que permitia ao povo judeu o direito de se defender perante os seus inimigos. No dia previsto para a matança dos judeus, aconteceu o contrário: eles puderam se defender e mataram os seus inimigos. 


No segundo tópico, falaremos das boas notícias que a rainha Ester escreveu ao seu povo. Primeiro, Mardoqueu escreveu cartas aos judeus em todas as províncias relatando os fatos e instituindo a festa de Purim, como um feriado nacional, para comemorar o livramento. Depois, a própria Ester escreveu uma carta dirigida ao seu povo, confirmando a instituição dessa festa. Agora, o rei sabia que Mardoqueu era o pai adotivo de Ester e deu-lhe o anel e o posto de Hamã no reino. 


No terceiro tópico, veremos que a mulher é chamada por Deus para ser relevante neste mundo. Ester foi uma mulher que se notabilizou primeiro por sua obediência a Mardoqueu. Depois, pela sua humildade, prudência, equilíbrio e honra ao rei. Deus não apoia a famigerada guerra dos sexos, promovida pelo feminismo. Homem e mulher foram criados por Deus com as suas diferenças para serem parceiros e não competidores. Tanto na Bíblia, como na história da Igreja, diversas mulheres exerceram papéis importantes na Obra de Deus sem, no entanto, desonrar a liderança concedida por Deus ao homem. 


REFERÊNCIAS: 


QUEIROZ, Silas. O Deus que governa o Mundo e cuida da Família: Os ensinamentos divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024.

REVISTA ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 3º Trimestre de 2024. Nº 98, pág. 42.

Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.843; 846. 

20 setembro 2024

O GRANDE LIVRAMENTO

(Comentário do 3° tópico da lição 12: O banquete de Ester – Denúncia e livramento) 

Ev. WELIANO PIRES


No terceiro tópico, falaremos do grande livramento concedido ao povo judeu. Ao perceberem que a sentença de Hamã seria decretada, um dos servos rei contou-lhe que Hamã havia feito uma forca, para enforcar Mardoqueu. Ao saber disso, imediatamente, o rei ordenou que Hamã fosse enforcado nela. Esta revelação dos servos do rei sobre a forca que Hamã fizera, justamente em um momento crítico, sugere que ele não era tão querido no palácio e era reverenciado apenas por imposição. 


1- A história da forca chegou ao palácio. Conforme falamos no tópico anterior, o rei ficou furioso com Hamã, após a denúncia de Ester e, mais ainda, quando o viu prostrado sobre a cama da rainha, pois interpretou que ele estaria querendo abusar dela. Naqueles tempos sombrios, um rei furioso com um dos seus subordinados era praticamente uma sentença de morte. “Como o rugido do leão é o terror do rei; o que o provoca à ira peca contra a sua própria alma.” (Pv 20.2). Os servos do rei logo concluíram que a sentença de morte de Hamã era certa e cobriram-lhe o rosto, como sinal de que o rei não queria vê-lo mais em sua frente. 

A esta altura dos acontecimentos, no palácio todos já sabiam da forca que Hamã havia mandado preparar para Mardoqueu, menos o rei e a rainha. Era algo que Hamã havia tramado em sua casa com Zeres, sua mulher e os seus amigos. Ele havia ido ao palácio pedir autorização ao rei para enforcar Mardoqueu. Porém, a notícia se espalhou e chegou ao palácio. Devido à altura da forca, todos podiam vê-la de longe. Não adianta tramar nada contra os servos de Deus às escondidas, pois mais cedo ou mais tarde virá a público, como disse Jesus: “Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido.” (Lc 12.2)

Para complicar mais ainda a situação de Hamã, um dos eunucos chamado Harbona, toca no assunto da forca no calor das emoções e menciona até as medidas da forca: cinquenta côvados de altura, aproximadamente 22,5 metros, considerando a média de um côvado, que era 45 centímetros. Um côvado é a medida do cotovelo de um homem até a ponta do dedo médio. Mas nem todos os braços masculinos são do mesmo tamanho. Logo, não é uma medida exata.  


2- Os ventos mudaram. Hamã era o homem mais importante do Império até aquele momento. Somente o rei estava acima dele e tinha total confiança nele, dando-lhe, inclusive, carta branca para executar impiedosamente os seus desafetos, sem ao menos questionar os motivos. Ele era reverenciado por todos por onde passava, com exceção de Mardoqueu. Esta inclinação perante ele, no entanto, não era voluntária ou por amor. Era algo forçado e todos o faziam por medo. Esta é uma das grandes diferenças entre chefe e líder. Um chefe é temido e bajulado na presença dele. O líder é influenciador e convence outros a seguirem as suas orientações. 

Quando Hamã perdeu todo o seu prestígio diante do rei, não apareceu ninguém para defendê-lo e se lamentar por ele. Ao contrário, é possível que muitos tenham até comemorado. Em ambientes de poder, os ventos mudam facilmente e quem estar por cima pode cair. Quando isso acontece, muitos dos que estavam ao lado dos poderosos por conveniência, mudam de lado rapidamente e sem nenhum constrangimento. Segundo o comentarista, é possível que Harbona até tenha feito parte da equipe que denunciou Mardoqueu a Hamã. Mas, a menção dele à forca que Hamã havia feito, naquele momento crítico, foi a mesma coisa de sugerir que o rei o enforcasse. Como diz o ditado popular, “em casa de enforcados, não se deve falar em cordas”.

Com a execução de Hamã, veio o livramento de Deus para o seu povo, como veremos na próxima lição. O povo judeu agora estava livre do seu pior inimigo, que havia planejado o extermínio de todos eles em um único dia. A sentença de morte estava decretada, mas Deus mudou o quadro e o seu povo, finalmente, iria vencer os seus inimigos, como veremos na próxima lição. Quando tudo parecer perdido, a solução para o povo de Deus é confiar nele e buscá-lo em oração e jejum, como fizeram Mardoqueu e Ester. 


REFERÊNCIAS: 


QUEIROZ, Silas. O Deus que governa o Mundo e cuida da Família: Os ensinamentos divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024.

REVISTA ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 3º Trimestre de 2024. Nº 98, pág. 42.

Comentário Bíblico Beacon: Josué a Ester. RIO DE JANEIRO, CPAD, VOL.2. p.554.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.694-95.


19 setembro 2024

A FÚRIA DO REI CONTRA A INJUSTIÇA

(COMENTÁRIO DO 2° TÓPICO DA LIÇÃO 12: O BANQUETE DE ESTER – DENÚNCIA E LIVRAMENTO). 


Ev. WELIANO PIRES


No segundo tópico, falaremos da fúria do rei contra a injustiça. Ester denunciou todo o plano maligno para eliminar ela própria e o seu povo. O rei, então, quis saber quem teria feito tal coisa, sem saber que se tratava do povo judeu, pois até aquele momento, ninguém sabia que Ester era uma judia. Ester, então, revelou ao rei que era Hamã o protagonista deste plano. O rei ficou furioso e levantou-se imediatamente do banquete. Hamã lançou-se aos pés de Ester para pedir misericórdia e a sua situação se agravou, pois o rei interpretou que ele estaria tentando forçar a rainha. 


1- A revelação do plano. Até este momento, o rei não sabia qual era a petição de Ester e já havia lhe perguntado três vezes. Entretanto, ele sabia que algo muito sério estava acontecendo, porque ela foi à entrada do palácio, correndo risco de morte, pois não tinha autorização para se apresentar perante o rei. Quando o rei lhe estendeu o cetro de ouro, garantindo-lhe que ela poderia falar, e lhe perguntou qual era a sua petição, ela apenas convidou o rei e Hamã para o primeiro banquete. 


Neste banquete, de novo o rei perguntou qual era a sua petição, garantindo que ela seria atendida, com a frase “até metade do reino se te dará”. Ester, por sua vez, não fez o pedido ainda, mas convidou o rei e Hamã para outro banquete que é o do vinho. No intervalo entre estes dois banquetes aconteceu o que vimos na lição passada: a exaltação de Mardoqueu e a humilhação de Hamã. 


Finalmente, chegou a hora de Ester revelar todo o plano de extermínio dos judeus ao rei. Certamente, o rei sabia deste decreto, pois ele havia autorizado Hamã a fazer isso, enviando cópias a todas as províncias em nome do rei. O que o rei não sabia é que aquele povo era o povo da rainha Ester. Ela foi conduzindo a conversa com prudência e sem citar os nomes, com o objetivo de fazer o rei entender que era um absurdo exterminar toda uma etnia do Império, sem terem cometido crime algum contra o rei. Pior ainda, este povo era a família da rainha, que o rei não conhecia.


Antes de falar que se tratava do povo judeu e sem mencionar Hamã, Ester falou que ela e o seu povo estavam condenados à morte, sem terem cometido crime algum contra o rei. Não havia nenhum caso de rebelião desse povo contra o Império Persa. Mesmo assim, foi autorizado um genocídio contra eles. Em seguida, Ester falou humildemente ao rei, que se tivessem sido vendidos como escravos, ela não iria incomodar o rei, por causa disso. A escravidão, embora seja algo desumano, era comum naquela época. 


2- Quem fez isso? Ao ouvir este relato de Ester, e sem saber de qual povo se tratava, o rei ficou surpreso que aquele absurdo estivesse acontecendo em seu reino e perguntou quem teria feito uma coisa dessa contra o povo da rainha. Como disse o comentarista, parece estranho o rei não saber do teor do decreto assinado por ele, autorizando o extermínio de todo o povo judeu, sem ao menos querer saber o motivo. O que fica evidente, é que ele se surpreendeu com o fato de ser o povo da rainha, a quem ele amava. 


É perfeitamente possível que o rei não soubesse os detalhes de tudo o que acontecia no Império, até porque ele era muito grande e, por isso, era dividido entre várias províncias, chamadas de satrapias,  que tinham os seus sátrapas ou governadores. Entretanto, este decreto contra os judeus foi assinado no Palácio de Susã pelo próprio Assuero, seguindo cegamente a sugestão de Hamã, sem ao menos questionar, por que decretar a morte de um povo, e quais os crimes que teriam cometido para serem exterminados daquela forma. 


Aqui, o comentarista nos alerta para o risco de conceder poderes ilimitados a uma pessoa e confiar demais. Por mais que confiemos em um subordinado, jamais devemos dar carta branca para fazer tudo o que quiser. Muitos governantes enfrentam terríveis problemas, por confiarem demais em ministros, secretários e assessores, que fazem coisas erradas, sem o chefe do governo saber. Quando descobrem, se dizem surpresos, pois não sabiam de nada. Entretanto, um governante responde por todos os seus subordinados e tem a obrigação de saber o que acontece em sua gestão. Para isso, deve nomear pessoas competentes, limitar os seus poderes e exigir prestação de contas. 


Isso vale também para a liderança da Igreja. Os pastores presidentes e pastores setoriais devem ficar atentos ao que os seus subordinados fazem na sua ausência. Não podem dar carta branca para eles fazerem o que quiserem. Claro que cada um é responsável por seus atos e quando delegamos responsabilidades, as pessoas respondem pelos seus atos. Mas, a liderança de um campo ou setor precisa ficar atenta às ações dos seus liderados e investigar toda e qualquer denúncia ou crítica contra eles, principalmente se estas denúncias partirem de pessoas idôneas. Não se deve confundir, no entanto, denúncias e críticas de pessoas idôneas, que querem preservar a Igreja, com fofocas e rebeldia de pessoas invejosas e insubordinadas, que querem destruir reputações e puxar tapetes dos outros. 


De igual modo, os pais devem estar atentos ao comportamento dos seus filhos, principalmente em sua ausência. Muitos filhos aprontam na ausência dos pais e, quando alguém reclama com os pais, eles simplesmente dizem que “confiam em seus filhos” e que eles “jamais fariam aquilo”. Ora, não podemos confiar cegamente em ninguém. Muitos pais confiaram demais em seus filhos adolescentes e, quando se deram conta, eles estavam envolvidos nas drogas e na criminalidade, e os pais só ficaram sabendo depois que eles foram presos ou assassinados. Tem umas mães que até discutem com os policiais, jurando que os seus filhos não cometeram crimes, sendo que a polícia os prendeu em flagrante. 


3- A terrível reação do rei. Depois de denunciar o plano assassino contra ela e o seu povo, diante da pergunta do rei, indagando quem seria a pessoa que estava atentando contra a rainha e o seu povo, Ester corajosamente denunciou Hamã ao rei, na frente dele: O homem, o opressor e o inimigo é este mau Hamã” (Et 7.6). Esta coragem e determinação vieram de Deus, pois ela havia se dedicado à oração e ao jejum, antes de falar com o rei e com Hamã. Em todo o tempo ela agiu em sintonia com Deus, confiando em sua providência e esperou o momento oportuno para fazer a sua denúncia. 


Ao ouvir a denúncia contra Hamã, o rei se enfureceu, saiu imediatamente da sala e foi ao jardim do palácio, provavelmente para pensar no que faria a Hamã. Toda a confiança incondicional que o rei tinha nele se transformou em decepção, pois ele percebeu que Hamã agiu com astúcia e oportunismo para induzi-lo a cometer um ato monstruoso daquele. Claro que o rei deveria ter investigado melhor a situação, antes de assinar um decreto desta magnitude. Mas o excesso de confiança o levou a agir sem pensar nas consequências. 


Diante da saída do rei, Hamã percebeu que a sua sentença seria decretada ali mesmo. No desespero para salvar a própria vida, Hamã prostrou-se na cama da rainha Ester, a fim de implorar pela própria vida, mas a situação piorou, pois o rei voltou ao local e, ao ver Hamã caído sobre a cama da rainha, entendeu que ele estava querendo forçar a rainha em sua própria casa, na frente do rei (Et 7.8). Ouvindo as declarações do rei contra Hamã, os oficiais do palácio cobriram o rosto de Hamã. Esta prática demonstrava que o rei não queria mais olhar para o rosto do indivíduo e ele seria executado. Era o fim da linha para a soberba, ódio e maldade de Hamã. 


REFERÊNCIAS: 


QUEIROZ, Silas. O Deus que governa o Mundo e cuida da Família: Os ensinamentos divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024.

REVISTA ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 3º Trimestre de 2024. Nº 98, pág. 42.

Comentário Bíblico Beacon: Josué a Ester. RIO DE JANEIRO, CPAD, VOL.2. p.554.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.694-95.

18 setembro 2024

O BANQUETE E A DENÚNCIA

(COMENTÁRIO DO 1° TÓPICO DA LIÇÃO 12: O BANQUETE DE ESTER – DENÚNCIA E LIVRAMENTO) 

Ev. WELIANO PIRES


No primeiro tópico, falaremos do banquete de Ester e da denúncia que ela fez ao rei. Inicialmente, falaremos da instabilidade de Hamã, após a exaltação de Mardoqueu, o seu maior inimigo. Na sequência, falaremos sobre o “banquete do vinho”, como é chamado este segundo banquete de Ester. Aqui, o comentarista abre um parêntese para falar dos terríveis males que o vinho causa na vida das pessoas que fazem uso dele. Por último, falaremos da pergunta do rei a Ester, pela segunda vez, sobre qual seria a sua petição. 


1- A instabilidade de Hamã. Se um astrólogo fosse analisar o dia deste banquete para Hamã, diria que o seu mapa astral não estava nada bom naquele dia. Um supersticioso diria que Hamã teria levantado com o pé esquerdo, ou que estaria em um dia de azar. Mesmo que estas explicações sejam bizarras e sem fundamento, o fato é que aquele foi um péssimo dia para Hamã. Ele saiu de casa e deixou uma forca preparada para enforcar o seu pior inimigo. Faltava apenas a autorização do rei. Entretanto, como vimos na lição passada, a situação se inverteu no palácio e ele teve que sair pelas ruas de Susã, puxando o cavalo do rei com Mardoqueu, que era o seu pior inimigo, vestindo as vestes reais e usando a coroa do rei. Para piorar, Hamã ainda teve que repetir a frase: “Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada”. 


Toda a euforia de Hamã por ter sido o único, além do rei, a ser convidado para este banquete, se perdeu. Depois de tudo o que lhe  aconteceu neste dia, ele não tinha mais nenhuma motivação para estar neste banquete. Até a sua esposa e amigos já haviam percebido que ele já começara a cair perante Mardoqueu. Por causa disso, ele demorou a comparecer ao banquete e foi preciso os funcionários do palácio o apressarem, para que fosse ao banquete da rainha. Hamã foi a este banquete, praticamente conduzido pelos oficiais do rei.


Toda esta instabilidade foi construída por ele mesmo, devido à sua soberba e presunção. Hamã saiu de uma posição inferior e foi promovido ao cargo mais importante do Império Persa, ficando subordinado apenas ao rei, que tinha plena confiança nele. Poderia ter usado esta posição privilegiada para fazer coisas boas e criar amizades. Mas ele estava mais preocupado em ser reverenciado e adulado. Por causa de um judeu que não se curvava diante dele, tomado de um ódio de várias gerações, Hamã induziu o rei Assuero a autorizar um genocídio contra o povo judeu, sem nenhuma causa. 


Mesmo após ter sido obrigado a honrar Mardoqueu publicamente e ver que aquele era um homem que salvou a vida do rei, Hamã continuou com o seu ódio mortal. Poderia ter se humilhado, pedido perdão a Mardoqueu e ter falado com o rei para revogar aquele decreto contra os judeus. Se ele tivesse feito isso, a rainha Ester poderia não denunciá-lo e apenas interceder pela vida dos judeus. Precisamos ter cuidado ao exercer um cargo elevado, para não dar lugar ao orgulho e pisar nas pessoas que estão por baixo, pois colhemos aquilo que plantamos (Gl 6.7). 


2- O banquete do vinho. O Livro de Ester pode ser considerado “o livro dos banquetes”, devido à quantidade de banquetes que o Livro menciona. Logo no primeiro capítulo, vemos três banquetes. O primeiro deles foi oferecido por Assuero a todas as autoridades do império e durou cento e oitenta dias (Et 1.3,4). O segundo banquete foi oferecido também por Assuero a todo o povo e durou sete dias (Et 1.5) O terceiro banquete foi oferecido pela rainha Vasti exclusivamente para as mulheres (Et 1.9). No capítulo 2, temos o quarto banquete, que foi oferecido por Assuero, na coroação de Ester (Et 2.18). O quinto banquete foi oferecido por Ester ao rei e a Hamã (Et 5.5). O sexto banquete, também conhecido como “Banquete do vinho”, foi o segundo banquete oferecido por Ester ao rei Assuero e a Hamã. O sétimo banquete foi realizado pelos judeus após a sua vitória sobre os seus inimigos (Et 8.17).


Em todos estes banquetes havia muito vinho, pois isso fazia parte da cultura persa e era comum as festas serem regadas a muito vinho, entre os povos pagãos do Oriente. É importante mencionar que o vinho daqueles tempos não era alcoólico como os de hoje. Era um suco de uva puro, que era consumido como os refrigerantes nos dias atuais. Por ser um suco de uva puro, evidentemente, se consumido em excesso a pessoa se embriagaria. Entretanto, para alguém ficar embriagado teria que beber o dia inteiro. 


O comentarista abriu um parêntese neste subtópico, para fazer um alerta sobre os males do consumo de bebidas alcoólicas. Mesmo no contexto do  Antigo Testamento, quando o consumo de vinho era cultural, a Bíblia relata dois episódios envolvendo homens tementes a Deus, que cometeram atos insanos sob o efeito do vinho. O primeiro deles foi Noé, que se embriagou e saiu pela casa totalmente despido na frente dos filhos (Gn 9.20-27). O segundo foi Ló, que sob o efeito do vinho, engravidou as duas filhas, sem saber quem era (Gn 19.31-38. Claro que isso foi planejado por elas, porque queriam ter filhos e não havia mais homens onde eles estavam, além do pai delas, depois da destruição de Sodoma e Gomorra. 


O vinho não era recomendado para autoridades, para não perderem a sensatez nos julgamentos. Em Provérbios 31.4,5, o rei Lemuel escreveu o conselho que recebera da sua mãe: “Não é próprio dos reis, ó Lemuel, não é próprio dos reis beber vinho, nem dos príncipes o desejar bebida forte; Para que bebendo, se esqueçam da lei, e pervertam o direito de todos os aflitos”. Os sacerdotes também não podiam beber vinho ou bebida forte. (Lv 10, 8-10; Is 28.7). O comentarista citou também o exemplo dos recabitas, que nos dias do profeta Jeremias foram convidados a beber vinho, mas eles disseram que não bebiam vinho, em obediência a Jonadabe, filho de Recabe, que o era o ancestral daquela tribo. Deus os citou como exemplo de obediência (Jr 35.6-19). O apóstolo Paulo colocou como requisito para o episcopado e diaconato, que os candidatos “não sejam dados ao vinho”. (1 Tm 3.3,8). 


O alcoolismo traz muitos prejuízos, não apenas financeiros e à saúde, mas também prejuízos morais, como insensatez, agressividade e descontrole. Muitas famílias já foram destruídas por causa de pais embriagados, que perdem os empregos, ou gastam tudo o que tem com bebidas. Mulheres já foram espancadas e mortas, por maridos embriagados. Acidentes terríveis já aconteceram por causa de motoristas irresponsáveis que insistem em dirigir embriagados. Felizmente foi aprovada a lei seca (Lei nº 11.705) que pune com prisão o motorista que for flagrado dirigindo embriagado. Acontecem também muitas brigas que terminam em tragédias, envolvendo pessoas embriagadas. Portanto, não convém ao cristão consumir bebidas alcoólicas, de forma alguma, pois a pessoa começa bebendo socialmente e acaba caído na sarjeta. 


3- “Qual é a tua petição?” O rei aguardava o pedido de Ester, desde o convite para o primeiro banquete, mas Ester vinha adiando a sua petição. Isso levou o rei a suspeitar de que havia algo grave acontecendo. Chegou o tão esperado momento de Ester abrir o seu coração para o rei e fazer a sua petição. Naquele momento, Hamã já estava instável, como vimos acima, e Mardoqueu já havia sido honrado pelo rei. Mesmo correndo risco de morte e sabendo da urgência da sua intervenção perante o rei, Ester esperou o momento adequado para falar. 


Diante de uma situação extremamente delicada e ao mesmo tempo urgente, Ester se mostrou uma mulher forte e equilibrada. Se ela se acovardasse, todo o povo judeu, inclusive ela, seriam mortos, impiedosamente. Por outro lado, se ela tivesse se precipitado, Hamã, com a sua astúcia, poderia ter convencido o rei de que ela era uma traidora por não ter revelado a sua identidade antes. Entretanto, agora com a honra de Mardoqueu e a instabilidade de Hamã, o rei certamente ficaria ao lado de Ester. A mulher virtuosa fala palavras de sabedoria, no momento adequado (Pv 32.26). A mulher tola, no entanto, perde as estribeiras, faz escândalos e piora a situação. 


REFERÊNCIAS: 


QUEIROZ, Silas. O Deus que governa o Mundo e cuida da Família: Os ensinamentos divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024.

REVISTA ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 3º Trimestre de 2024. Nº 98, pág. 42.

Comentário Bíblico Beacon: Josué a Ester. RIO DE JANEIRO, CPAD, VOL.2. p.554.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.694-95.

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