(Comentário do 3º tópico da Lição 09: Uma Igreja que se arrisca)
Ev. WELIANO PIRES
No terceiro tópico, falaremos de Estêvão e o martírio da Igreja. Veremos que diante da morte, Estêvão contemplou a vitória da Cruz, ao ver o Cristo glorificado, em pé à direita de Deus. Veremos ainda que em sua morte, Estêvão perdoou os seus algozes, assemelhando-se ao Senhor Jesus, que em sua morte rogou ao Pai que perdoasse àqueles que o crucificaram, pois não sabiam o que faziam.
1. Contemplando a vitória da cruz. Enfurecidos, aqueles homens rangiam os dentes contra Estêvão. Tomados pelo ódio, tiraram Estevão para fora da cidade e o apedrejaram até à morte. Entretanto, enquanto era apedrejado injustamente, Estêvão olhou para o Céu e disse: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus” (At 7.56). Estêvão contemplou o Cristo glorificado, levantando-se à direita do Pai, como um anfitrião que se levanta para receber um visitante ilustre em sua casa.
Esta imagem, certamente, encheu o coração de Estêvão de uma alegria indizível, que somente a presença de Deus pode proporcionar, e lhe deu coragem para enfrentar a morte e não negar a sua fé. Foi assim também com muitos outros mártires do Cristianismo, aos quais os seus algozes lhe davam a oportunidade de renegar ao Senhor para não serem mortos, mas eles recusavam a proposta e davam as suas vidas com alegria, sabendo que partiriam ao encontro do Seu Senhor.
Do ponto de vista do triunfalismo e da teologia da prosperidade, que imperam em muitas igrejas da atualidade, Estêvão foi derrotado. A vitória, segundo estas novas teologias, seria Estêvão ordenar e todos aqueles homens ímpios caírem por terra. É claro que Deus pode fazer isso e muito mais, para livrar um servo seu. Mas a vitória para o crente fiel não será neste mundo. Paulo escreveu aos Coríntios que “se esperarmos em Cristo somente nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”. (1Co 15.19).
Somente aqueles que têm os olhos voltados para a eternidade, encaram as perseguições e até o martírio com serenidade, pois sabem que a morte para o salvo não é o fim. O apóstolo Paulo estava preso em uma masmorra e sabia que não sairia vivo dali, pois o Senhor já lhe tinha revelado. Entretanto, nestas circunstâncias, ele escreveu a segunda Epístola ao seu filho na fé, Timóteo, em tom de despedida, dando-lhe orientações para o exercício do ministério e motivando-o a continuar firme na fé. O apóstolo demonstrou a Timóteo a sua esperança na vida eterna (2Tm 4.7,8).
2. Perdoando o agressor. Estêvão foi o primeiro mártir cristão, que foi assassinado covardemente, por causa da sua fé em Cristo. Em sua vida, ele imitou a Cristo , pois se manteve fiel a Deus, foi usado por Deus para realizar muitos milagres entre o povo e foi também um pregador fiel às Escrituras, mesmo em meio à oposição ferrenha dos religiosos judeus, conforme vimos nos tópicos anteriores.
Em sua morte também, Estêvão imitou o seu Mestre, pois intercedeu pelos seus algozes, dizendo: Senhor Jesus, não lhes imputes este pecado (At 7.60). O Senhor Jesus também fez isso, quando estava na Cruz, dizendo: Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem (Lc 23.34). Estêvão entregou o seu espírito a Jesus, quando estava morrendo, assim como Jesus entregou o seu espírito ao Pai (Lc 23.46).
O cristão deve seguir o exemplo de Cristo em todas as coisas. Diante das perseguições, ofensas, tortura e morte, Jesus jamais revidou ou amaldiçoou os seus algozes. Ao contrário, Ele repreendeu os filhos de Zebedeu, quando queriam que descesse fogo do Céu para consumir os samaritanos (Lc 10.54,55); repreendeu também a pedro, quando reagiu à sua prisão no Getsêmani e cortou a orelha do servo do sumo sacerdote (Jo 18.10,11).
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