03 abril 2025

JESUS, O VERBO DE DEUS

(Comentário do 2º tópico da Lição 01: O Verbo que se tornou carne)

Ev. WELIANO PIRES

No segundo tópico, falaremos de Jesus como o Verbo de Deus. Veremos que a expressão inicial do Evangelho segundo João “No princípio”, ultrapassa o passado de Gênesis 1.1. Na sequência, falaremos da natureza fundamental do Verbo de Deus, no prólogo do Evangelho de João e no Apocalipse. Por fim, falaremos do significado da expressão joanina “No princípio era o Verbo”, analisando o significado da palavra grega logos, traduzida por verbo.


1. A revelação que ultrapassa o passado. João inicia o Evangelho com a expressão “No princípio”, (Gr. En arché), assim como aconteceu no Livro Gênesis. Entretanto, “no princípio” usado em Gênesis 1.1 (Heb. Beheshit), refere-se ao início da criação, quando Deus criou os Céus e a terra. João usa “no príncipio” para se referir à eternidade passada, uma existência infinita, que não teve começo e não terá fim. 


Jesus não teve princípio, porque todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Nesta mesma linha, o apóstolo Paulo escreveu aos Colossenses dizendo: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” (Cl 1.16,17). 


Isto significa que Ele criou não apenas as coisas visíveis do Universo, mas também as invisíveis, como os anjos. Portanto, ao contrário do que ensinava o Arianismo, nunca houve um tempo em que o Verbo não existia. Ele é Deus e, portanto, é autoexistente e eterno. Ele nunca foi criado, pois Ele é o Criador de todas as coisas. Na oração de Jesus pelos seus discípulos, Ele falou para o Pai da glória que Ele tinha com o Pai, antes que o mundo existisse (Jo 17.5). 


2. A natureza fundamental do Verbo. No Apocalipse, Jesus apareceu para João, em seu estado glorificado, e declarou: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso”. (Ap 1.8). Alfa e Ômega são, respectivamente, a primeira e última letra do alfabeto grego. Evidentemente, Jesus não dizendo que Ele era a totalidade do alfabeto grego, mas falou, em linguagem simbólica, que Ele é o começo e o fim de todas as coisas, assim como Deus falou no Antigo Testamento: “Assim diz o SENHOR, Rei de Israel e seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, e fora de mim não há Deus”. (Is 44.6)


Na lição 6 do trimestre passado tivemos uma lição com o tema: O Filho é igual com o Pai. Nesta lição, falamos do significado da expressão bíblica “Filho de Deus” que expressa a divindade de Jesus, assim como a expressão “Filho do homem” revela a sua humanidade. Jesus é Deus assim como o Pai, da mesma substância e natureza. Na Bíblia há abundantes comprovações de que Jesus é Deus. Ele não é um “deus” inferior como ensina o Arianismo. Ele é igual ao Pai, mas não é o Pai como ensina o Unicismo.


3. “No princípio era o Verbo” (Jo 1.1). A palavra grega traduzida por Verbo é “Logos” e significa “razão”, “palavra” ou “discurso”. O vocábulo Logos é um termo polissêmico, ou seja, possui vários significados. Foi amplamente usado tanto pelos filósofos gregos, quanto pelos judeus. O seu uso, porém, tem significados diferentes. Na filosofia grega, o logos é uma força impessoal e significa o princípio que organiza o Universo, na visão deles, a razão ou o pensamento. Para os judeus, o Verbo de Deus (Heb. Debah Yahweh) é outra forma de se referir a Deus. Nos textos do Antigo Testamento, o  Debah (Verbo) aparece como o Agente da criação (Sl 33.6); a Palavra de Deus, ou a mensagem dos profetas para o seu povo (Os 4.1); e a lei de Deus, com o seu padrão de santidade (Sl 119.11). 


No Novo Testamento, a palavra Logos é usada para se referir à Palavra de Deus, como em Lucas 8.11, na explicação da Parábola do Semeador: "... A semente é a palavra [Logos] de Deus". Também na oração de Jesus por seus discípulos em João 17.17: "Santifica-os na tua verdade; a tua palavra [Logos] é a verdade". Paulo também usou o termo logos com o sentido de pregação ou discurso em 1 Tessalonicenses 1.5: "Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras [Logos], mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós."


Entretanto, o uso do termo "Logos" para se referir à Pessoa de Cristo, que é o sentido da do Verbo nesta lição, foi usado somente por João, tanto no Evangelho segundo João (Jo 1.1,14) como na primeira Epístola de João (1 Jo 1.1) e no Apocalipse (Ap 19.13). O Logos (Gr. Ho Logos] apresentado pelo apóstolo João é divino, pois Ele é pré-existente, criador de todas as coisas e doador da Vida. Dizer que Jesus é o Verbo, era considerado uma blasfêmia pelos Judeus, pois equivale a dizer que Ele é Deus. Por outro lado, para os gregos era uma loucura dizer que o Verbo era uma Pessoa e se tornou humano, pois para os gregos, o Logos era um princípio impessoal e não uma pessoa. 


REFERÊNCIAS:


CABRAL, Elienai. E o Verbo se fez carne: Jesus sob o olhar do apóstolo do amor. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025.

Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, Ed. 101, p.36.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2022, p.1410. 

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2022, p.1410. 

Bíblia de Estudo Plenitude. BARUERI-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1ª Ed. 2001, p. 1069, 1070.

SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025.

02 abril 2025

O EVANGELHO DE JOÃO

(Comentário do 1° tópico da lição 01: O Verbo que se tornou em carne)

Ev. WELIANO PIRES

No primeiro tópico, apresentaremos uma visão panorâmica do Evangelho de João. Inicialmente, veremos as informações sobre a autoria e data deste Evangelho. Na sequência, falaremos do propósito de João ao escrever o Evangelho, com base nos textos de João 1.1-14 e 21.31. Por fim, faremos uma abordagem da natureza de Jesus, com base nos textos joaninos. 


1. Autoria e data. Diferente das Epístolas e do Apocalipse, onde os autores se identificam logo prefácio e identificam também os destinatários (com exceção da Epístola aos Hebreus), nos quatro Evangelhos não temos esta informação, pois nenhum deles se identificou. Entretanto, temos evidências no próprio texto e contamos com as informações advindas dos escritos dos chamados pais apostólicos, que foram aqueles que tiveram contato direto com os apóstolos, ou foram citados por eles nas Epístolas. 


No caso do Evangelho segundo João, temos a informação no próprio texto de que o escritor foi “o discípulo a quem Jesus amava”: “E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair? Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.” (Jo 21.20,24). Este discípulo, conhecido como “o discípulo a quem Jesus amava” é identificado como sendo João, dada a proximidade dele com Jesus, inclusive nos momentos finais da crucificação, ele permaneceu ao pé da Cruz e Jesus o incumbiu da responsabilidade de cuidar da mãe dele (Jo 19.26,27). 


Além desta evidência interna, temos as evidências externas, que são os testemunhos dos pais da Igreja, como: Clemente de Alexandria, Tertuliano de Cartago, Policarpo de Esmirna, Irineu de Gália, entre outros, afirmaram que foi o apóstolo João, filho de Zebedeu e irmão de Tiago, quem escreveu o quarto Evangelho. Não temos uma data precisa para a composição do livro, mas, segundo o testemunho de Irineu, que conviveu com Policarpo, bispo de Esmirna e discípulo do apóstolo João, o livro foi escrito no período em que João vivia em Éfeso, na Ásia Menor, já em idade avançada. Com base em dados históricos, a maioria dos estudiosos colocam como data provável, entre 80 e 90 d.C. 


2. O propósito do Evangelho. Sobre o propósito do livro, encontramos a descrição do propósito no próprio texto: “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (Jo 20.30,31). O propósito descrito aqui, portanto, é evangelistico, ou seja, levar as pessoas a crer em Cristo. De fato, o Evangelho segundo João tem sido uma excelente ferramenta de evangelização ao longo dos séculos, pois traz informações muito importantes sobre a pessoa de Jesus e sua missão. 


Outro propósito que podemos encontrar neste Evangelho, principalmente no prólogo, é apologético, pois conforme falamos na introdução, ele afirma claramente a preexistência de Jesus, a  sua divindade, a sua distinção do Pai e a sua humanidade. Conforme vimos nos trimestre passado, havia já naquele período, várias heresias referente à Pessoa de Cristo. Desse modo, tanto este Evangelho como as Epístolas de João, tinham o propósito de fornecer material de defesa da cristologia aos cristãos, contra os falsos ensinos, principalmente os do Gnosticismo. 


3. A Natureza de Jesus. Quando falamos de natureza, estamos nos referindo aos atributos, ou qualidades inerentes a um ser. No caso de Jesus, Ele possui duas naturezas: uma divina, pois Ele é plenamente Deus; e outra humana, pois Ele é plenamente humano. Jesus não é meio divino e meio humano. Estas duas naturezas convivem em uma única pessoa, mas não se confundem e não se transformam em uma única natureza.  A união destas duas naturezas é chamada na teologia de União Hipostática. A palavra Hipostática deriva do grego hypostasis, que significa substância. Portanto, a doutrina da União Hipostática de Jesus significa que Ele é uma única pessoa com duas naturezas distintas: a divina e a humana. 


Dos quatro evangelistas, João é o mais contundente sobre a divindade de Jesus. Logo no primeiro versículo, João afirma abertamente que Jesus é: Preexistente (No princípio era o Verbo), é distinto do Pai (O Verbo estava com Deus) e é Deus (O Verbo era Deus). Só neste versículo, João deixa claro a natureza divina de Jesus. Mas há outros textos também que mostram indiretamente que Jesus é Deus, inclusive os judeus procuravam matá-lo por causa disso. 


Entretanto, João nos mostra claramente a natureza humana de Jesus, quando disse que “o Verbo se fez carne habitou entre nós”. (Jo 1.14). Em outras partes do Evangelho, João descreve aspectos da humanidade de Jesus: participando de uma festa de casamento (Jo 2.1-11); cansado do caminho (Jo 4.6); chorando (Jo 11.35); participando de jantar (Jo 12.1-11); tendo sede (Jo 19.28). Estas e outras ações de Jesus comprovam a sua plena humanidade. 


REFERÊNCIAS:


CABRAL, Elienai. E o Verbo se fez carne: Jesus sob o olhar do apóstolo do amor. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025.

Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2025, Ed. 101, p.36.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2022, p.1410. 

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2022, p.1410. 

Bíblia de Estudo Plenitude. BARUERI-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1ª Ed. 2001, p. 1069, 1070.

JESUS, O VERBO DE DEUS

(Comentário do 2º tópico da Lição 01: O Verbo que se tornou carne) Ev. WELIANO PIRES No segundo tópico, falaremos de Jesus como o Verbo de D...