08 janeiro 2026

A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI

(Comentário do 1º tópico da Lição 2: O Deus Pai).

Neste primeiro tópico, trataremos da identidade de Deus, o Pai. Inicialmente, veremos que o Pai é o Único Deus Verdadeiro, ressaltando o papel de Deus como Pai enquanto Criador e sustentador de todas as coisas. Nesse ponto, o professor deve ter especial cuidado para não incorrer no erro do unitarismo, que ensina que somente o Pai é Deus verdadeiro e que o Filho seria uma criatura do Pai. A revelação bíblica afirma que Deus é uma unidade composta, de modo que Pai, Filho e Espírito Santo são o mesmo Deus, coexistindo eternamente como três Pessoas distintas, porém consubstanciais.

Na sequência, abordaremos o Pai como a fonte da divindade. Aqui também é necessário cautela para evitar o erro do subordinacionismo, que defende a superioridade do Pai em relação ao Filho, e do Filho em relação ao Espírito Santo. Embora a Bíblia apresente o Pai como a origem e fonte eterna da divindade, isso não implica prioridade temporal, hierarquia ontológica ou desigualdade de essência. Trata-se de uma distinção relacional e funcional, conforme já exposto na introdução desta lição, e não de natureza ou valor.

Por fim, veremos que o Pai age por meio do Filho e do Espírito Santo. Essa verdade não sugere inferioridade entre as Pessoas da Santíssima Trindade, mas descreve a forma harmoniosa e ordenada como cada Pessoa divina atua tanto na criação quanto na redenção do ser humano. É fundamental esclarecer que as três Pessoas da Trindade são iguais em essência, eternas e inseparáveis em suas obras. Assim, em todas as ações do Pai, o Filho e o Espírito Santo também participam, e o mesmo ocorre nas obras do Filho e do Espírito, preservando a perfeita unidade do Deus Triúno.

1. O Pai é o único Deus verdadeiro. Ao ler este ponto da lição, confesso que fiquei um tanto confuso, pois aprendemos, na lição passada, que as três Pessoas da Santíssima Trindade são um único Deus, iguais em essência, natureza e poder. Como, então, podemos afirmar que o Pai é o Único Deus Verdadeiro?

Entretanto, quem fez tal afirmação foi o próprio Jesus, conforme lemos em João 17.3:

“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”

Como resolver essa questão? Se o Pai é o Único Deus Verdadeiro, então o Filho e o Espírito Santo não são também Deus Verdadeiro? Para compreendermos corretamente essa declaração, é necessário considerar o contexto em que Jesus a proferiu. Ele falou na condição humana, exaltando o Pai. Quando Jesus afirma que o Pai é o Único Deus Verdadeiro, isso se dá em oposição aos falsos deuses. De fato, só há um único Deus Verdadeiro. Contudo, esse Deus é uma unidade composta, conforme estudamos na lição anterior.

No Antigo Testamento, o Deus de Israel é apresentado como o único Deus no Shemá Yisrael, que aparece em três textos da Torá: Deuteronômio 6.4-9; 11.13-21 e Números 15.37-41:

“Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.”

Essa declaração constitui a confissão de fé do Judaísmo e é recitada pelos judeus piedosos duas vezes ao dia: ao amanhecer e ao anoitecer. A primeira parte do Shemá proclama a unicidade, unidade e singularidade de Yahweh. Com base nesse texto, os judeus rejeitam o politeísmo, o dualismo e a doutrina da Trindade. Contudo, essa declaração não contradiz a doutrina trinitária.

A palavra hebraica echad (pronuncia-se “errád”), traduzida por “único”, não indica unidade absoluta de pessoa, mas unidade composta. Um exemplo disso encontra-se no matrimônio, quando marido e mulher se tornam “uma só carne”, sem deixarem de ser duas pessoas distintas.

O Cristianismo é uma religião monoteísta, pois cremos em um único Deus, que subsiste eternamente em três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não são três deuses, como ensina o triteísmo, mas um só Deus em três Pessoas. Dessa forma, afirmar que o Pai é o Único Deus Verdadeiro não exclui o Filho nem o Espírito Santo, pois ambos são o mesmo Deus.

O Novo Testamento também afirma claramente que Jesus é Deus Verdadeiro:

“E sabemos que já o Filho de Deus é vindo e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” (1Jo 5.20).

Além disso, as Escrituras afirmam que o Espírito Santo é Deus:

“Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.” (At 5.3,4).

Nas lições em que abordaremos as Pessoas do Filho e do Espírito Santo, retornaremos a este tema e trataremos de forma mais específica da divindade do Filho e do Espírito Santo.

2. O Pai é a fonte da divindade. Neste ponto, é necessário cuidado para evitar equívocos doutrinários. O comentarista afirma que “Deus é o Supremo Ser, é eterno, nunca teve começo nem princípio e nunca terá fim (Dt 33.27), pois Ele existe por si mesmo”. Tal afirmação é absolutamente verdadeira; entretanto, não se aplica exclusivamente à Pessoa do Pai.


Sendo Deus, o Filho também é eterno, pois nunca teve princípio nem terá fim, conforme declara a Escritura:

“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13.8).


Da mesma forma, a Bíblia chama o Espírito Santo de Espírito eterno, pois Ele igualmente não teve princípio e não terá fim:

“Quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hb 9.14).


Todas as afirmações feitas a respeito do Pai — eterno, autoexistente, imutável, Criador, doador e sustentador da vida — aplicam-se igualmente às três Pessoas da Santíssima Trindade, visto que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só Deus. As distinções existentes entre as Pessoas divinas não dizem respeito à essência ou à natureza, mas às funções e às relações pessoais dentro da Trindade.


Assim, somente Deus, o Pai, é chamado de Pai; somente Deus, o Filho, é chamado de Filho; e somente o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. O Pai não foi enviado nem se fez homem; essa missão coube ao Filho. O Espírito Santo, por sua vez, não se encarnou nem enviou o Filho.


Conclui-se, portanto, que a afirmação de que “o Pai é a origem e fonte eterna da divindade, de quem o Filho é gerado e de quem o Espírito procede” refere-se à relação intratrinitária, isto é, à comunhão eterna entre as três Pessoas da Trindade. Tal declaração não implica, de modo algum, superioridade ou subordinação entre as Pessoas divinas, mas apenas distinção pessoal na unidade da essência divina.


3. O Pai age por meio do Filho e do Espírito. Neste ponto, o comentarista aborda as operações do Pai por meio do Filho e do Espírito Santo. Para compreendermos isso, é necessário nos atentarmos para um conceito teológico chamado perícrose. Esse termo descreve a habitação mútua e a interpenetração perfeita entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ou seja, as três Pessoas da Trindade vivem em comunhão eterna, sem se confundir nem se separar. Onde está o Pai, ali também estão o Filho e o Espírito Santo.


Dito isso, analisemos agora o que o comentarista afirma sobre as ações do Pai por meio do Filho e do Espírito Santo. Segundo ele, a paternidade é atributo da primeira Pessoa da Trindade, o Pai. Isso significa que as ações da divindade têm origem no Pai, embora contem com a participação do Filho e do Espírito Santo. O Pai planeja e inicia as obras divinas. Na criação, por exemplo, o Pai pronunciou as palavras criadoras, o Filho as executou, e o Espírito Santo pairava sobre as águas, sustentando as coisas criadas.


Da mesma forma, no plano da redenção humana, o Pai elaborou o plano da salvação e enviou o Filho para realizá-lo. Após a ressurreição e ascensão do Filho, o Espírito Santo foi enviado para agir por meio da Igreja e convencer os pecadores a se renderem a Cristo. Além disso, o Espírito Santo capacita a Igreja com os dons espirituais, para que testemunhe corajosamente do Evangelho.


Esses papéis de cada Pessoa da Santíssima Trindade não implicam, de forma alguma, inferioridade, subordinação ou separação entre elas. Cada Pessoa realiza seu papel em conjunto com as demais, em perfeita harmonia, pois são coeternas e coiguais. Assim, em todas as ações de Deus, estão presentes as três Pessoas divinas.


Ev. WELIANO PIRES

07 janeiro 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 2: O DEUS PAI

 


TEXTO ÁUREO:

“Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt 11.27c).


VERDADE PRÁTICA:

Conhecemos a identidade, os atributos e a glória do Deus Pai por meio da revelação de Cristo e da ação do Espírito Santo.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Mateus 11.25-27; João 14.6-11.


OBJETIVOS DA LIÇÃO:

I) Reconhecer, biblicamente, a identidade de Deus Pai; 

II) Entender que o Pai se revela plenamente em Cristo; 

III) Identificar atributos e nomes que expressam a natureza de Deus Pai.


Palavra-Chave: PAI

Na Bíblia, o termo pai possui ampla gama de significados, variando conforme o contexto linguístico, histórico e teológico.

No hebraico, a palavra traduzida por pai é ʼâb (אַב). Esse termo pode designar o pai biológico de um indivíduo, bem como um antepassado, avô ou patriarca. Também é empregado para indicar o fundador de uma casa, família, clã ou nação. Em outros contextos, refere-se ao originador ou patrono de uma profissão, arte ou ofício. Em sentido figurado, ’av expressa ideias de proteção, benevolência, autoridade, respeito e honra, sendo inclusive usado como título aplicado a governantes ou líderes do povo.

No grego, o termo correspondente é patḗr (πατήρ), igualmente rico em significados. Pode indicar o gerador biológico, um antepassado remoto, ou ainda o fundador de uma família, tribo ou povo. O termo é usado para designar os patriarcas, como Abraão, Isaque, Jacó e Davi. Em sentido figurado, patḗr pode referir-se ao originador ou transmissor de algo, a um mentor espiritual, ou àquele que exerce cuidado e autoridade de maneira paternal. O vocábulo também era utilizado como título de honra atribuído a mestres da Lei e a membros do Sinédrio.

As Escrituras apresentam Deus como Pai em diversos sentidos. Ele é revelado como Pai da criação, incluindo os luminares celestes e todos os seres inteligentes e racionais que Ele criou e governa (cf. Is 64.8). Deus também é chamado de Pai dos que creem em Jesus Cristo, os quais, mediante a fé, são feitos filhos por adoção, sendo introduzidos em um relacionamento íntimo, pessoal e familiar com Ele (cf. Rm 8.15; Gl 4.4,5).

De modo singular e absoluto, Deus é apresentado como Pai de Jesus Cristo. Jesus é identificado nas Escrituras como o Filho Unigênito de Deus. O termo grego monogenḗs (μονογενής) significa “único do seu gênero”, “exclusivo”. Cristo é o Filho Unigênito porque Ele é o único que possui a mesma essência do Pai, sendo eterno, divino e consubstancial com Deus. Essa filiação distingue Jesus de todos os demais filhos de Deus, que o são por criação ou adoção (cf. Jo 1.14,18; 3.16; Hb 1.3).

INTRODUÇÃO 


Esta é a segunda lição sobre a Doutrina da Santíssima Trindade. Na semana passada, tivemos uma lição introdutória sobre o assunto, tomando como base o batismo de Jesus como exemplo da manifestação simultânea das três Pessoas divinas.


Nas próximas três lições, falaremos sobre a primeira Pessoa da Santíssima Trindade, que é o Pai, de quem procedem o Filho e o Espírito Santo. Quando dizemos que o Filho e o Espírito Santo procedem do Pai, é preciso tomar cuidado para não cair no erro de imaginar que o Pai os criou, ou que houve um tempo em que não existiam o Filho e o Espírito Santo, como dizem os unitaristas. Esta procedência não se refere a princípio ou ao tempo, mas à relação eterna entre as três pessoas divinas.


Nesta primeira lição sobre a Pessoa do Pai, estudaremos a identidade, a revelação e a Pessoa de Deus Pai, conforme a Bíblia nos revela. Na introdução desta lição, o comentarista afirma que a doutrina da Trindade significa um só Deus em três Pessoas, que são coeternas, consubstanciais e distintas. Isso significa que:

a) as três Pessoas existem juntas por toda a eternidade, e nenhuma delas teve princípio (coeternas);

b) as três Pessoas são iguais em essência, natureza e poder (consubstanciais);

c) as três Pessoas são distintas, ou seja, o Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo, e vice-versa.


TÓPICOS DA LIÇÃO


I. A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI

Neste primeiro tópico, trataremos da identidade de Deus, o Pai. Inicialmente, veremos que o Pai é o Único Deus Verdadeiro, ressaltando o papel de Deus como Pai enquanto Criador e sustentador de todas as coisas. Nesse ponto, o professor deve ter especial cuidado para não incorrer no erro do unitarismo, que ensina que somente o Pai é Deus verdadeiro e que o Filho seria uma criatura do Pai. A revelação bíblica afirma que Deus é uma unidade composta, de modo que Pai, Filho e Espírito Santo são o mesmo Deus, coexistindo eternamente como três Pessoas distintas, porém consubstanciais.

Na sequência, abordaremos o Pai como a fonte da divindade. Aqui também é necessário cautela para evitar o erro do subordinacionismo, que defende a superioridade do Pai em relação ao Filho, e do Filho em relação ao Espírito Santo. Embora a Bíblia apresente o Pai como a origem e fonte eterna da divindade, isso não implica prioridade temporal, hierarquia ontológica ou desigualdade de essência. Trata-se de uma distinção relacional e funcional, conforme já exposto na introdução desta lição, e não de natureza ou valor.

Por fim, veremos que o Pai age por meio do Filho e do Espírito Santo. Essa verdade não sugere inferioridade entre as Pessoas da Santíssima Trindade, mas descreve a forma harmoniosa e ordenada como cada Pessoa divina atua tanto na criação quanto na redenção do ser humano. É fundamental esclarecer que as três Pessoas da Trindade são iguais em essência, eternas e inseparáveis em suas obras. Assim, em todas as ações do Pai, o Filho e o Espírito Santo também participam, e o mesmo ocorre nas obras do Filho e do Espírito, preservando a perfeita unidade do Deus Triúno.

II. O PAI REVELADO EM CRISTO

No segundo tópico, veremos que o Pai foi revelado em Cristo. Inicialmente, observaremos que o Pai se revela aos humildes. Analisaremos a declaração de exaltação feita por Jesus em Mateus 11.25, quando disse: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.” Essa afirmação evidencia que a revelação divina não depende do saber humano ou da sabedoria meramente intelectual, mas de um coração humilde e disposto a receber a verdade de Deus.

Na sequência, veremos que o Pai se faz conhecer por meio do Filho, conforme a declaração de Jesus: “Ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27). Deus é um Ser transcendente, isto é, está infinitamente além da plena compreensão humana. Por essa razão, Ele só pode ser verdadeiramente conhecido mediante a revelação que ocorre em Cristo. O Filho é o único mediador entre Deus e os homens (cf. 1Tm 2.5) e o único plenamente capacitado para revelar a natureza, a vontade e o amor do Pai.

Por fim, veremos que quem vê o Filho, vê o Pai, com base no diálogo entre Jesus e Filipe. Diante do pedido do discípulo — “Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta” — Jesus respondeu: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.8,9). Essa declaração revela a unidade perfeita entre as Pessoas da Santíssima Trindade e afirma que Jesus Cristo é a expressão exata e visível do Pai. Assim, conhecer a Cristo é conhecer o próprio Deus, conforme Ele se revelou de forma plena e definitiva.

III. A PESSOA DE DEUS PAI

No terceiro tópico, trataremos da Pessoa de Deus, o Pai, considerando especialmente os atributos pelos quais Ele se revela nas Escrituras. Esses atributos nos ajudam a compreender quem Deus é em Sua essência e como Ele se relaciona com a Sua criação.

Inicialmente, abordaremos os atributos incomunicáveis do Pai, isto é, aquelas qualidades exclusivas da divindade, que não podem ser compartilhadas com nenhuma criatura. Entre esses atributos estão a eternidade, a imutabilidade, a onipotência, a onisciência, a onipresença e a autoexistência. Tais perfeições revelam a absoluta singularidade de Deus e demonstram que Ele é infinito, soberano e plenamente suficiente em Si mesmo.

Na sequência, estudaremos os atributos comunicáveis do Pai, que são qualidades divinas relacionadas ao aspecto moral e relacional do Criador. Esses atributos, como o amor, a bondade, a justiça, a misericórdia, a santidade e a fidelidade, são compartilhados com o ser humano de forma limitada, uma vez que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Contudo, essas qualidades jamais se manifestam de maneira plena no ser humano, em razão da sua condição de imperfeição e da realidade do pecado, sendo plenamente reveladas somente em Deus.

Por fim, trataremos dos nomes que revelam o Pai. Diferentemente da compreensão comum da cultura ocidental, na qual os nomes frequentemente servem apenas como identificação pessoal, na Bíblia os nomes de Deus expressam aspectos do Seu caráter, da Sua natureza e da Sua atuação. Assim, nomes hebraicos como El Shadday, Adonai, YHWH, El Shaddai, e o grego Kyrios, revelam verdades profundas acerca de quem Deus é e de como Ele se relaciona com o Seu povo, fortalecendo a fé e a compreensão teológica do crente.


04 janeiro 2026

DEUS PAI

(Subsídio da Revista Ensinador Cristão/CPAD)

Nesta lição, conheceremos com maiores detalhes a identidade do Pai, Seus atributos e Sua revelação ao homem. As Escrituras comprovam a coexistência das três Pessoas da Santíssima Trindade, bem como a forma como cada Pessoa se manifesta no decorrer da história (Mt 28.19; Rm 1.20). A maior revelação da Pai e que nos aproxima de Sua natureza é a Pessoa de Jesus Cristo. Enquanto esteve neste mundo, Ele revelou quem é o Pai, a saber, um Deus amoroso, compassivo, cheio de misericórdia e disposto a perdoar os pecadores e trazê-los para perto de si (Jo 3.16). O Pai se fez conhecer ao mundo por intermédio do Filho e desfaz, por meio dEle, as inimizades que separam a humanidade do seu Criador (Ef 2.15-17).

Conhecer a unidade e a inseparabilidade entre o Pai e o Filho é essencial para o nosso relacionamento com Deus (Jo 10.30). Para compreendermos com clareza a natureza do Pai, precisamos conhecer algumas de Suas qualidades mais inerentes, também chamadas pelos estudiosos de atributos. Os atributos são as qualidades que Deus manifesta em Seu caráter e O tornam conhecido. Esses atributos são classificados como incomunicáveis, que são aqueles que pertencem exclusivamente a Ele; e comunicáveis, que são os que compartilha com as Suas criaturas. Dentre os atributos naturais de Deus, há um que nos garante conhecer a Sua Pessoa, mesmo de forma limitada. Estamos falando da cognoscibilidade. A respeito de Deus, esse termo significa que Ele pode ser conhecido e compreendido intelectualmente pelo ser humano.

Nessa perspectiva, de acordo com a obra Teologia Sistemática: uma Perspectiva Pentecostal (CPAD), editada pelo teólogo Stanley Horton, “Deus não se oculta para encobrir seus atributos, mas para deixar-nos bem patentes nossos limites diante do seu ilimitado poder. Pelo fato de Deus ter decidido agir através de seu Filho (Hb 1.2) e ter a sua plenitude habitando nEle (Cl 1.19), podemos estar confiantes de que encontraremos em Jesus as grandiosas manifestações do caráter divino. Jesus não somente torna conhecido o Pai, como também revela o significado e a importância do Pai Celestial. [...] Se temos algum conhecimento de Deus é porque Ele optou por se nos revelar. Mas este conhecimento que agora temos, embora confessadamente limitado, é mui glorioso e constitui-se na base suficiente de nossa fé” (2021, pp.129,130). Partindo desse princípio, esclareça aos alunos que conhecer a Deus significa conhecer Suas qualidades e submeter-se à Sua vontade, revelada nas Escrituras. Deus quer ter um relacionamento pleno e verdadeiro com Sua criação, principalmente, com o ser humano, a maior obra de Suas mãos. 

FONTE: Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, Ed. 104, p.37

02 janeiro 2026

A RELEVÂNCIA DA TRINDADE PARA A FÉ CRISTÃ

(Comentário do 3º tópico da Lição 1: O mistério da Santíssima Trindade).

No terceiro tópico, trataremos da importância da Doutrina da Trindade para a fé cristã. Inicialmente, abordaremos o desenvolvimento histórico dessa doutrina no seio da Igreja. Embora a Trindade seja uma verdade claramente ensinada nas Escrituras, sua formulação teológica e compreensão sistematizada foram progressivamente desenvolvidas, sendo definidas de forma mais precisa nos Concílios de Nicéia (325 d.C.) e de Constantinopla (381 d.C.). 

Em seguida, destacaremos as implicações doutrinárias da Trindade para a fé cristã, demonstrando sua centralidade para a correta compreensão de Deus e da salvação. Nesse contexto, refutaremos algumas heresias que negam ou distorcem essa doutrina, tais como: o triteísmo, que defende a existência de três deuses; o unitarismo, que ensina que somente o Pai é Deus; e o unicismo, também conhecido como modalismo, que afirma haver apenas uma Pessoa na Divindade, a qual se manifesta de três formas distintas.

1. Desenvolvimento doutrinário da Trindade. Quando falamos sobre a doutrina da Trindade, uma das primeiras acusações feitas pelos que contestam essa doutrina é que ela teria sido criada pela Igreja Católica após a conversão do imperador romano Constantino, que, supostamente, teria introduzido o paganismo na Igreja e criado novas doutrinas.

Entretanto, isso não é verdade. Primeiro, porque Constantino não se converteu à Igreja Católica, pois ela ainda não existia na ocasião de sua conversão. Constantino se converteu no ano de 312 d.C. Nessa época, ainda não existia a Igreja Católica com Papa, conforme a conhecemos hoje. Existia apenas a Igreja Cristã.

O Catolicismo se desenvolveu somente a partir do século IV. No ano de 380 d.C., com o Édito de Tessalônica, o imperador Teodósio I declarou o cristianismo niceno como a única religião oficial do Império Romano. A partir daí, outras religiões passaram a ser progressivamente reprimidas. Teodósio proibiu oficialmente os cultos pagãos e fechou templos tradicionais. O primeiro papa foi Leão Magno, a partir de 440 d.C.

Conforme já vimos nos tópicos anteriores, a doutrina da Trindade é amplamente fundamentada nas Escrituras. No Antigo Testamento, embora ainda não houvesse a revelação explícita da Trindade, ela está implícita em vários textos, conforme vimos no tópico anterior. No Novo Testamento, porém, fica claro a existência de três Pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Os primeiros cristãos criam em um Deus Trino. Tanto que, no chamado Credo Apostólico, um documento escrito no século II da Era Cristã e atribuído pela tradição aos apóstolos, fica muito claro que eles criam em um Deus Trino. Eu destaquei em negrito as partes que fazem menção às três pessoas da Trindade:

"Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, nosso Senhor; que foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria; sofreu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, e desceu ao Hades; e ressuscitou da morte ao terceiro dia; que subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus, o Pai Todo-Poderoso; de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja cristã, na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; e na vida eterna."

Nos primeiros séculos da Igreja, surgiram várias heresias, e os apologistas da Igreja precisaram se debruçar sobre as Escrituras e se posicionar contra essas heresias. As primeiras heresias diziam respeito à Pessoa de Cristo, no que tange à sua divindade e à sua humanidade. Posteriormente, surgiram também heresias sobre a Pessoa do Espírito Santo e sobre a Trindade.

O Concílio de Nicéia, em 325 d.C., foi a primeira formulação teológica da doutrina da Trindade, contra as heresias dos unicistas e unitaristas, contendo também a condenação da Igreja aos hereges:

"Cremos em um só Deus, Pai Onipotente, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, o Unigênito do Pai, que é da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, Verdadeiro Deus de Verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância [homooúsios] com o Pai, por meio de quem todas as coisas vieram a existir, as coisas que estão no céu e as coisas que estão na terra, que por nós, homens, e por nossa salvação desceu e foi feito carne, e se fez homem, sofreu, e ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, e virá para julgar os vivos e os mortos. E também no Espírito Santo. Mas aqueles que dizem: “Houve um tempo quando ele não era”; e “Ele não era antes de ter nascido”; e “Ele foi feito do que não existe”, ou “Ele é de outra substância” ou “essência”, ou “O Filho de Deus é criado”, ou “mutável”, ou “alternável” — eles são condenados pela Igreja cristã e apostólica."

O Concílio de Constantinopla foi convocado em 381 d.C. para reafirmar as decisões do Concílio de Nicéia e esclarecer algumas disputas cristológicas relacionadas à natureza de Cristo. Na parte que fala sobre as três pessoas da Trindade, o Concílio de Constantinopla declarou o seguinte:

"Cremos em um só DEUS, o Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, o gerado do Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz de Luz, Verdadeiro Deus de Verdadeiro Deus, gerado e não feito, da mesma substância do Pai […] E no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai e do Filho, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado..."

Concluímos, portanto, que a doutrina da Santíssima Trindade não foi uma formulação teológica tardia acrescentada à fé cristã pela Igreja Romana, como acusam seus opositores. Ela é uma doutrina que emerge das Escrituras, assim como as demais doutrinas cristãs, e que já era professada pelos cristãos no período apostólico. Foi por causa do surgimento das heresias que os líderes da Igreja precisaram estudar o assunto a partir das Escrituras e elaborar o seu Credo.

2. Implicações doutrinárias. Alguém pode perguntar: Mas qual é a importância de se estudar a doutrina da Santíssima Trindade? Quais são as implicações da negação dessa doutrina? Eu mesmo já vi crentes da Assembleia de Deus, que são fãs de um grupo herege que nega esta doutrina, dizendo que não é uma doutrina fundamental, como se fosse algo opcional, ou uma simples divergência teológica, como se houvesse mais de uma opinião a respeito.

Ora, a doutrina da Santíssima Trindade é bíblica e inegociável. Negar esta doutrina implica em negar as Escrituras, e isso é gravíssimo. Conforme colocou o comentarista, a negação da Trindade resultou em heresias como o Unitarismo (ou Arianismo), o Modalismo (ou Sabelianismo) e o Triteísmo.

O Unitarismo também nega a doutrina da Trindade e afirma que somente o Pai é Deus. Crêem que Jesus é o Filho de Deus, mas não é divino. Essa heresia é chamada também de Arianismo, pois foi defendida inicialmente pelo presbítero Ário de Alexandria. Um dos movimentos religiosos da atualidade que mais se assemelha ao Arianismo são as Testemunhas de Jeová, que dizem que somente o Pai é Deus, que Jesus Cristo é um deus menor, criado pelo Pai, e que o Espírito Santo é uma força impessoal.

O Unicismo é outra heresia sobre a doutrina da Trindade, que defende que Pai, Filho e Espírito Santo são, na verdade, uma única pessoa que se manifesta de três modos diferentes. Segundo essa visão, Deus era o Pai no Antigo Testamento, no Novo Testamento era o Filho e, após a ascensão de Cristo, Deus se tornou o Espírito Santo. Os principais propagadores dessa heresia foram Noeto, Praxeas e Sabélio. Por isso, ela é também chamada de Sabelianismo.

O Unicismo praticamente desapareceu depois que Dionísio de Antioquia enfrentou Sabélio e combateu eficazmente suas heresias. Contudo, renasceu com John G. Schepp, que fundou a seita “Só Jesus”. Atualmente, há muitos grupos unicistas. No Brasil, os mais conhecidos são: a Igreja Evangélica Voz da Verdade, Igreja Local, Tabernáculo da Fé e Testemunhas de Yehoshua.

O Triteísmo, por sua vez, é uma heresia que surgiu a partir de uma interpretação errada da doutrina da Trindade. Segundo o Triteísmo, existem três deuses separados, ou seja, três deuses independentes, que coexistem, mas não estão unidos em uma única essência divina. Cada uma dessas Pessoas teria uma natureza diferente e seria uma divindade. Trata-se de uma forma de politeísmo, pois crê-se em três deuses, o que contradiz o monoteísmo bíblico. Essa ideia foi discutida e refutada nos primeiros concílios da Igreja, especialmente nos Concílios de Nicéia e Constantinopla I.

Negar a doutrina da Trindade, ou ter uma crença distorcida sobre as Pessoas da Santíssima Trindade, compromete a salvação, e a Bíblia é clara sobre isso:

“E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, só por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3)

“Todo aquele que nega o Filho, também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho, tem também o Pai.” (1 João 2:23)

Ev. WELIANO PIRES

RECONHECENDO A PATERNIDADE DO PAI

( Comentário do 2⁰ tópico da Lição 4: A Paternidade Divina) No segundo tópico, trataremos do reconhecimento da paternidade do Pai. Abordarem...