31 dezembro 2025

A DISTINÇÃO E A UNIDADE DAS PESSOAS DIVINAS

(Comentário do 2º tópico da Lição 01: O mistério da Santíssima Trindade)

Neste segundo tópico, trataremos da distinção e da unidade das Pessoas da Santíssima Trindade. Inicialmente, afirmaremos a unidade divina, ressaltando que Deus é uma só essência (ousia), única e indivisível. Ao mesmo tempo, destacaremos a distinção pessoal, visto que essa única essência subsiste eternamente em três Pessoas (hipóstases): o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Em seguida, abordaremos a pluralidade das Pessoas divinas no Antigo Testamento. Embora a doutrina da Trindade não seja ali revelada de forma plena e explícita, diversos textos veterotestamentários apontam para uma pluralidade no ser divino, sem que isso comprometa a unidade de Deus.

Por fim, analisaremos a revelação clara da Trindade no Novo Testamento, especialmente por meio da fórmula batismal trinitária (Mt 28.19), da bênção apostólica (2Co 13.13) e da atuação conjunta das três Pessoas da Santíssima Trindade na obra da salvação.

1. Unidade e distinção pessoal.

Aqui, o comentarista nos apresenta a premissa fundamental da doutrina da Trindade: a afirmação de que Deus é uma só essência (gr. ousía), mas subsiste em três pessoas distintas (gr. hypóstasis): o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Em outras palavras, há um só Deus e três pessoas.

A Bíblia demonstra essa verdade de forma clara em diversos textos. No Antigo Testamento, vemos explicitamente a unidade de Deus. Mesmo após o advento do pecado, os filhos de Adão adoravam a um único Deus (Gn 4.3-5). Somente com a multiplicação do pecado o mundo afastou-se de Deus e tornou-se politeísta. Nos dias de Noé, apenas ele e sua família serviam ao Senhor.

O Deus de Israel é único e não admite outros deuses. No Decálogo, há a expressa proibição da adoração a outros deuses:

“Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra” (Êx 20.3,4).

Em Deuteronômio 6.4, que constitui a confissão de fé do judaísmo, Yahweh também é apresentado a Israel como o único Deus verdadeiro:

“Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR.”

Entretanto, na mesma Bíblia, vemos que não apenas o Pai, mas também o Filho e o Espírito Santo são chamados de Deus. Com relação ao Pai, não há dúvidas, pois Ele é chamado de Deus em toda a Escritura. Contudo, em João 1.1, o apóstolo João afirma: “[…] o Verbo era Deus”, referindo-se ao Filho.

No livro de Atos dos Apóstolos 5.3,4, Pedro repreendeu Ananias, dizendo:

“[…] Por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo […]? Não mentiste aos homens, mas a Deus.”

Ou seja, quem mente ao Espírito Santo mente a Deus, pois Ele é Deus.

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, no capítulo III, que trata da doutrina da Trindade, afirma:

“Cremos, professamos e ensinamos o monoteísmo bíblico, que Deus é uno em essência ou substância, indivisível em natureza e que subsiste eternamente em três pessoas — o Pai, o Filho e o Espírito Santo —, iguais em poder, glória e majestade e distintas em função, manifestação e aspecto […]. As Escrituras Sagradas claramente revelam que a Trindade é real e verdadeira: uma só essência, uma só substância, em três pessoas. Cada pessoa da Santíssima Trindade possui todos os atributos divinos: onipotência, onisciência, onipresença, soberania e eternidade. A Bíblia chama textualmente de Deus cada uma delas; contudo, as Escrituras Sagradas afirmam que há um só Deus e que Deus é um” (1Co 8.6; Gl 3.20; Ef 4.6).”

2. A Pluralidade na Unidade no Antigo Testamento. Embora a doutrina da Trindade não seja revelada diretamente no Antigo Testamento, visto que a revelação tanto do Filho quanto do Espírito Santo ocorre de maneira plena apenas no Novo Testamento, há várias evidências da pluralidade das Pessoas divinas dentro da unidade de Deus no Antigo Testamento.

Logo no primeiro versículo da Bíblia, a Trindade já se faz presente:

“No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1).

No texto em português, essa realidade não é facilmente perceptível; entretanto, no texto hebraico ela se torna evidente. O termo traduzido por “Deus” nesse versículo é Elohim. Em hebraico, a palavra “Deus” é El, e sua variação é Elohah. Elohim é o plural de Elohah.

O verbo “criou”, no texto hebraico, é bará e encontra-se no singular. Ou seja, o sujeito está no plural, enquanto o verbo está no singular. Em português, isso configuraria um erro de concordância verbal, pois, em nossa gramática, o verbo concorda com o sujeito. Dessa forma, a explicação mais coerente é que Elohim, embora plural, expressa uma unidade composta, apontando para a Trindade.

Embora a palavra Elohim também seja entendida por estudiosos judeus como um “plural de majestade”, à luz da revelação progressiva das Escrituras, principalmente no Novo Testamento, essa explicação não exclui a evidência da pluralidade das pessoas divinas na palavra Elohim. 

Há ainda, no Antigo Testamento, diálogos divinos, como no relato da criação do homem e no episódio da construção da Torre de Babel, nos quais Deus utiliza verbos e pronomes no plural para referir-se a Si mesmo. Quando Deus criou o homem, disse:

“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26).

Tanto o verbo “façamos” quanto o pronome “nossa” estão no plural.

Da mesma forma, quando homens ímpios intentaram construir a Torre de Babel, Deus declarou:

“Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro” (Gn 11.7).

Com quem Deus estaria falando ao empregar os verbos “desçamos” e “confundamos” na primeira pessoa do plural? A única explicação coerente é que se trata de um diálogo entre as Pessoas da Santíssima Trindade. Esse plural não pode ser atribuído aos anjos, pois o ser humano foi criado à imagem de Deus, e não de seres criados (Gn 9.6). Além disso, o próprio texto afirma que Deus criou o homem, reforçando a unidade da ação divina (Gn 1.27).

O mesmo ocorre na chamada do profeta Isaías. Após um dos serafins voar até ele e tocar-lhe os lábios com uma brasa retirada do altar, declarando que o seu pecado fora purificado, Isaías ouviu a voz do Senhor, que dizia:

“A quem enviarei? E quem há de ir por nós?” (Is 6.8).

Nesse texto, o verbo “enviarei” está no singular, enquanto o pronome “nós” está no plural, evidenciando que Deus é uma unidade em essência, mas subsiste em três Pessoas.

3. A Trindade Explicitada no Novo Testamento. Se, por um lado, o Antigo Testamento não apresenta uma formulação explícita da doutrina da Trindade, mas apenas indícios e evidências da doutrina da Santíssima Trindade, o Novo Testamento afirma, de maneira inequívoca, a existência de um único Deus que subsiste eternamente em três Pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 28.19).

Vários textos do Novo Testamento demonstram claramente a distinção das três Pessoas da Trindade. O primeiro deles é o texto da Grande Comissão, em Mateus 28.19, que diz:

“Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.

Neste versículo, vemos a pluralidade das Pessoas divinas sendo explicitada. O uso do singular "Nome" (e não "nomes") indica a unidade da essência divina, enquanto a pluralidade das Pessoas é claramente apresentada.

Outro texto significativo é 1 Coríntios 12.4-6, que fala da distribuição dos dons espirituais e diz:

“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.”

Neste texto, temos uma referência direta às três Pessoas: o Espírito Santo, o Senhor (Jesus Cristo) e Deus (o Pai), demonstrando a ação conjunta de cada uma das Pessoas da Trindade no corpo de Cristo e na edificação da Igreja.

Além disso, em 2 Coríntios 13.13 (ou 14, dependendo da versão), encontramos a bênção apostólica que reafirma a Trindade:

“A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo seja convosco.”

Aqui, novamente, vemos as três Pessoas divinas sendo mencionadas com funções distintas, mas sempre em unidade.

Em todos esses textos, está clara a existência das três Pessoas divinas, mas não há confusão entre elas. O Novo Testamento deixa patente que, embora Pai, Filho e Espírito Santo sejam três Pessoas distintas, elas são um só Deus. Essa distinção entre as três Pessoas da Santíssima Trindade está amplamente documentada em diversos acontecimentos do Novo Testamento, os quais demonstram que, embora sejam pessoas distintas, não são deuses diferentes.

A primeira distinção clara entre as três Pessoas da Trindade pode ser observada no batismo de Jesus (Mt 3.16-17; Mc 1.9-11; Lc 3.21-22). Neste episódio, o Filho é batizado, o Pai fala do Céu, e o Espírito Santo desce em forma de pomba sobre Jesus. Este é um exemplo claro de uma manifestação simultânea das três Pessoas divinas, cada uma com um papel distinto, mas em plena harmonia.

Outro exemplo claro de distinção entre as Pessoas é encontrado na Oração Sacerdotal de Jesus em João 17, onde o Filho se dirige ao Pai, confirmando que são duas Pessoas distintas. Ele diz:

“Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.” (Jo 17.4,5).

Aqui, Jesus não está falando consigo mesmo, mas com o Pai. Ele enfatiza que antes da fundação do mundo, o Pai e Ele já existiam como duas Pessoas distintas, e essa relação é uma expressão de união e distinção.

Além disso, nos discursos de Jesus, especialmente na promessa do envio do Consolador (o Espírito Santo), Ele menciona novamente as três Pessoas da Trindade:

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16-17).

Neste versículo, Jesus está claramente diferenciando a si mesmo como o Filho, rogando ao Pai (não a Si mesmo) e prometendo o envio do Espírito Santo. Isso revela não apenas a distinção das Pessoas, mas também o relacionamento entre elas no plano de redenção.

Há muitas outras referências bíblicas que afirmam a distinção entre as Pessoas da Trindade, como em João 15.26, onde Jesus fala novamente sobre o Espírito Santo, e em várias epístolas paulinas (cf. Ef 1.3-14; 2Co 1.21-22). A ideia de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três Pessoas distintas, mas um só Deus, é uma doutrina central no Novo Testamento.

Ev. WELIANO PIRES

A REVELAÇÃO TRINITÁRIA NO BATISMO DE JESUS

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 1: O Mistério da Santíssima Trindade)

No primeiro tópico, abordaremos a revelação trinitária presente no batismo do Senhor Jesus. Inicialmente, trataremos do batismo do Filho de Deus como um ato de obediência ao plano redentor do Pai, no qual Ele se identifica com a humanidade pecadora que veio resgatar do pecado.

Na sequência, destacaremos a descida do Espírito Santo como um ato de unção pública e visível do ministério de Jesus, indicuando que Ele é o Messias prometido a Israel e o Salvador do mundo.

Por fim, consideraremos a voz do Pai, ouvida do céu, declarando: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Essa declaração pública de aprovação ao Filho remete às profecias do Antigo Testamento e confirma a identidade messiânica de Jesus, bem como a sua divindade.

1. O batismo do Filho: a obediência de Cristo. O batismo nas águas é uma ordenança de Cristo a todos aqueles que nele creem, constituindo-se em um testemunho público do sepultamento da velha natureza e do surgimento de uma nova criatura. O batismo não salva, não remove pecados e não representa o novo nascimento. Trata-se, antes, de um símbolo externo daquilo que já ocorreu interiormente na vida daquele que creu em Jesus.

João Batista iniciou o seu ministério pregando o arrependimento dos pecados no deserto da Judeia. Pessoas de Jerusalém, de toda a Judeia e das regiões circunvizinhas dirigiam-se até ele para serem batizadas, confessando os seus pecados. João condicionava o batismo a uma atitude genuína de arrependimento e repreendeu severamente os escribas e fariseus que se aproximaram para ser batizados sem demonstrarem tal arrependimento, dizendo:

“Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.7,8).

Nesse contexto, Jesus veio da Galileia ao rio Jordão e apresentou-se a João para ser batizado por ele. Naturalmente, João estranhou tal atitude e declarou:

“Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?” (Mt 3.14).

O questionamento de João Batista fazia sentido, pois ele pregava o batismo de arrependimento para os pecadores. Ele sabia que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Se Jesus não tinha pecado (Hb 4.15) e é aquele que perdoa os pecados (Mt 9.6), por que, então, precisava ser batizado?

A explicação para o batismo de Jesus encontra-se em seu propósito redentor. Trata-se de um ato de obediência ao Pai, por meio do qual Jesus identificou-se com a humanidade pecadora que veio salvar. O seu batismo fazia parte do plano redentor do Pai, que incluía também a sua morte e ressurreição. Assim, Jesus, sendo Deus, humilhou-se a si mesmo, assumiu a condição humana e foi obediente ao Pai em todas as coisas (Fp 2.8).

2. A descida do Espírito: a unção para o Ministério. Convencido por Jesus, João Batista O batizou nas águas do rio Jordão. Logo após sair da água, ocorreram três fenômenos sobrenaturais: a) o céu se abriu; b) o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma corpórea, como pomba; c) uma voz foi ouvida dos céus (Mt 3.16; Mc 1.10; Lc 3.22; Jo 1.32).

A descida do Espírito Santo sobre Jesus foi o sinal dado a João de que Aquele era o Messias prometido, conforme o próprio Batista testificou:

“E João testificou, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba e repousar sobre ele. E eu não o conhecia; mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo” (Jo 1.32,33).

As profecias acerca da vinda do Messias indicavam que sobre Ele repousaria a unção do Espírito Santo (Is 11.2; 42.1). No Antigo Testamento, o ungido era aquele que recebia óleo sobre a cabeça como sinal de que Deus o havia escolhido para uma missão específica. A palavra hebraica Mashiach, transliterada como “Messias”, e sua correspondente grega Christós, significam “Ungido”. Assim, o título “Jesus Cristo” significa literalmente “Jesus, o Ungido”.

Conforme corretamente esclarece o comentarista, é importante ressaltar que essa unção recebida por Jesus não indica que Ele tenha se tornado o Messias naquele momento. Trata-se, antes, de uma confirmação pública de que Ele já era o Messias prometido a Israel. Jesus também não Se tornou Filho de Deus no ato do batismo, como ensina a heresia do adocionismo, segundo a qual Jesus seria apenas um homem comum que, ao receber o Espírito Santo, teria sido “adotado” como Filho de Deus.

A Escritura afirma que Jesus é preexistente e eterno. Ele sempre existiu em perfeita comunhão com o Pai e com o Espírito Santo. Como declarou o apóstolo Paulo aos colossenses:

“Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17).

3. A voz do Pai: a aprovação celestial. Após a descida do Espírito Santo sobre Jesus, de forma corpórea, para que todos vissem, ouviu-se uma voz do Céu que dizia:

“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17; Lc 3.22; Mc 1.11).

Era a voz do próprio Pai, confirmando que aquele era o Messias prometido a Israel e que Ele era divino. A voz do Pai foi ouvida publicamente e, por meio dela, o Pai autenticou a missão redentora de Jesus e demonstrou a sua filiação divina. Essa declaração do Pai acerca de Jesus confirma o que as profecias anunciavam: que Ele era o Filho de Deus:

“Tu és meu Filho; eu hoje te gerei” (Sl 2.7).

É importante esclarecer que a voz do Pai não inaugurou a filiação divina de Jesus. Ele não se tornou Filho de Deus no batismo, como ensinavam os hereges adocionistas. Jesus sempre foi o Filho de Deus desde a eternidade, pois Ele nunca teve princípio. O que o Pai proclamou naquele momento foi a confirmação da encarnação de Jesus, o Verbo de Deus, que se fez carne e habitou entre os seres humanos. 

O episódio do batismo de Jesus revela, de forma inequívoca, a atuação simultânea das três Pessoas da Santíssima Trindade. O Filho estava presente na terra, sendo batizado por João Batista; o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como pomba; e o Pai falou dos Céus, autenticando a missão do Filho e confirmando a sua filiação divina. Trata-se de uma manifestação trinitária clara, distinta e harmoniosa.

Esse evento refuta de maneira contundente a heresia unicista (ou modalista), segundo a qual Pai, Filho e Espírito Santo seriam apenas manifestações sucessivas de uma única Pessoa divina. De acordo com esse falso ensino, no Antigo Testamento Deus se manifestaria como Pai; no Novo Testamento, como Filho; e, na atualidade, como Espírito Santo. Todavia, à luz do testemunho bíblico, especialmente no batismo de Jesus, verifica-se que as três Pessoas divinas coexistem eternamente, são distintas entre si e atuam simultaneamente, sem confusão de Pessoas nem divisão da essência divina. Nos tópicos seguintes, demonstraremos biblicamente que tal doutrina não encontra respaldo nas Escrituras Sagradas.

Ev. WELIANO PIRES 

29 dezembro 2025

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 1: O MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

Data: 4 de janeiro de 2026

TEXTO ÁUREO:

“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mt 3.17).

VERDADE PRÁTICA:

A doutrina da Trindade é central à fé cristã: um só Deus em três Pessoas que coexistem e atuam harmoniosamente na Obra da Redenção.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Mateus 3.13-17.

OBJETIVOS DA LIÇÃO:

 I) Explicar a revelação da Trindade no batismo de Jesus; 

II) Mostrar a unidade e a distinção das Pessoas divinas à luz das Escrituras; 

III) Enfatizar a importância da doutrina trinitária para a fé cristã.

Palavra-Chave: TRINDADE

A palavra Trindade deriva do termo latino trinitas ou trinitatis, que significa "tríade", "reunião de três" ou "estado de ser triplo". Alguns teólogos preferem o termo Triunidade, que descreve a unidade e a pluralidade de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. 

Evidentemente, o termo trindade não aparece na Bíblia, pois não é um termo bíblico e sim uma conceito teológico, de origem latina, que foi usado primeiramente por Tertuliano, em 213 d.C. O termo grego correspondente é trias e foi usado originalmente por Teófilo de Antioquia. 

Somente no Concílio de Niceia, em 325 d.C. é que esta doutrina foi consolidada. Entretanto, isto não significa que ela não é bíblica, ou que antes disso, os cristãos não criam em um Deus Trino. Esta doutrina foi amplamente debatida nos primeiros séculos da Igreja Cristã. Os Concílios de Niceia e de Constantinopla definiram, à luz da Bíblia, esta doutrina bíblica. Ao longo desta lição veremos que a doutrina da Santíssima Trindade é amplamente fundamentada nas Escrituras.

INTRODUÇÃO

Nesta primeira lição, estudaremos o conceito da Doutrina da Santíssima Trindade e o seu sólido fundamento bíblico. Trata-se de uma doutrina central da fé cristã que, ao longo da história da Igreja, tem sido alvo de debates e questionamentos.

Desde os primeiros séculos do cristianismo, surgiram heresias como o Arianismo ou Unitarismo, bem como o Modalismo ou Unicismo, que, embora reconhecessem a divindade do Pai, negavam a existência de três Pessoas distintas na Divindade.

O Unitarismo, também conhecido como Arianismo — por ter sido defendido pelo presbítero Ário de Alexandria — ensinava que somente o Pai é Deus e que o Filho foi a primeira criatura criada por Ele. Essa doutrina ainda é ensinada atualmente pelas Testemunhas de Jeová e por outras seitas.

O Modalismo ou Unicismo, por sua vez, afirmava que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são três Pessoas distintas, mas apenas diferentes manifestações de um único Deus. Essa heresia também é conhecida como Sabelianismo, por ter sido defendida por Sabélio de Pentápolis.

Há ainda outra heresia chamada Triteísmo, que ensina que Pai, Filho e Espírito Santo são três deuses. Mas isso seria politeísmo e não é isso que a Bíblia ensina. Na Trindade não há três deuses, mas um Único Deus e três pessoas. Lamentavelmente, muitos pregadores tentam “dramatizar” o plano divino de Salvação e acabam transmitindo a ideia do Triteísmo, pois descrevem discussões entre as Pessoas da Santíssima Trindade, como se fossem três deuses. 

Não é apropriado utilizar ilustrações humanas para explicar a doutrina da Trindade, pois ela constitui um grande mistério — conforme indica o próprio título desta lição — que ultrapassa os limites da compreensão humana. Muitas das ilustrações comumente empregadas acabam distorcendo o ensino bíblico da Santíssima Trindade e, em vez de esclarecê-lo, terminam por reforçar heresias como o modalismo.

O comentarista utiliza como base o episódio do batismo de Jesus para apresentar o fundamento bíblico da Doutrina da Santíssima Trindade. Naquela ocasião, as três Pessoas divinas manifestam-se simultaneamente e interagem entre si: o Pai fala do céu, o Filho está na terra sendo batizado, e o Espírito Santo desce sobre o Filho em forma corpórea, como pomba.

TÓPICOS DA LIÇÃO 

I. A REVELAÇÃO TRINITÁRIA NO BATISMO DE JESUS

No primeiro tópico, abordaremos a revelação trinitária presente no batismo do Senhor Jesus. Inicialmente, trataremos do batismo do Filho de Deus como um ato de obediência ao plano redentor do Pai, no qual Ele se identifica com a humanidade pecadora que veio resgatar do pecado.

Na sequência, destacaremos a descida do Espírito Santo como um ato de unção pública e visível do ministério de Jesus, indicando que Ele é o Messias prometido a Israel e o Salvador do mundo.

Por fim, consideraremos a voz do Pai, ouvida do céu, declarando: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Essa declaração pública de aprovação ao Filho remete às profecias do Antigo Testamento e confirma a identidade messiânica de Jesus, bem como a sua divindade.

II. A DISTINÇÃO E A UNIDADE DAS PESSOAS DIVINAS

Neste segundo tópico, trataremos da distinção e da unidade das Pessoas da Santíssima Trindade. Inicialmente, afirmaremos a unidade divina, ressaltando que Deus é uma só essência (ousia), única e indivisível. Ao mesmo tempo, destacaremos a distinção pessoal, visto que essa única essência subsiste eternamente em três Pessoas (hipóstases): o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Em seguida, abordaremos a pluralidade das Pessoas divinas no Antigo Testamento. Embora a doutrina da Trindade não seja ali revelada de forma plena e explícita, diversos textos veterotestamentários apontam para uma pluralidade no ser divino, sem que isso comprometa a unidade de Deus.

Por fim, analisaremos a revelação clara da Trindade no Novo Testamento, especialmente por meio da fórmula batismal trinitária (Mt 28.19), da bênção apostólica (2Co 13.13) e da atuação conjunta das três Pessoas da Santíssima Trindade na obra da salvação.

III. A RELEVÂNCIA DA TRINDADE PARA A FÉ CRISTÃ

No terceiro tópico, trataremos da importância da Doutrina da Trindade para a fé cristã. Inicialmente, abordaremos o desenvolvimento histórico dessa doutrina no seio da Igreja. Embora a Trindade seja uma verdade claramente ensinada nas Escrituras, sua formulação teológica e compreensão sistematizada foram progressivamente desenvolvidas, sendo definidas de forma mais precisa nos Concílios de Niceia (325 d.C.) e de Constantinopla (381 d.C.). 

Em seguida, destacaremos as implicações doutrinárias da Trindade para a fé cristã, demonstrando sua centralidade para a correta compreensão de Deus e da salvação. Nesse contexto, refutaremos algumas heresias que negam ou distorcem essa doutrina, tais como: o triteísmo, que defende a existência de três deuses; o unitarismo, que ensina que somente o Pai é Deus; e o unicismo, também conhecido como modalismo, que afirma haver apenas uma Pessoa na Divindade, a qual se manifesta de três formas distintas.

Ev. WELIANO PIRES 

INTRODUÇÃO AO 1º TRIMESTRE DE 2026

Imagem: Editora CPAD

Graças a Deus, iniciamos um novo ano e também um novo trimestre de estudos bíblicos em nossa Escola Bíblica Dominical. Quero aproveitar para desejar a todos um feliz ano novo e que este ano seja um ano de muitas realizações e, principalmente, de aprendizado da Palavra de Deus. 

O assunto que estudaremos neste trimestre é estritamente teológico e exigirá muito, tanto do professor para explicar e do aluno para entender, pois estudaremos um dos maiores mistérios da  teologia cristã que é a Doutrina da Santíssima Trindade. Este assunto já foi alvo de grandes debates em concílios ao longo da história da Igreja e ainda hoje suscita muitos questionamentos, principalmente na internet.  

O tema da revista deste trimestre é: A Santíssima Trindade: O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Para compreendermos este tema é necessário um conhecimento básico de pelo menos três disciplinas da teologia sistemática: Teontologia, que é o estudo sobre Deus; Cristologia, que é o estudo sobre a Pessoa e obra de Cristo; e Pneumatologia, que o estudo da Pessoa e obra do Espírito Santo. 

As lições deste trimestre estão organizadas da seguinte forma: A lição introdutória, apresentando a coexistência perfeita e harmoniosa do Pai, Filho e Espírito Santo, com base no relato do batismo de Jesus; três lições sobre a Pessoa do Deus Pai e o seu relacionamento com o Filho; três lições sobre a Pessoa e a Obra do Deus Filho; três lições sobre a Pessoa e a Obra do Deus Espírito Santo; uma sobre a relação entre o Pai e o Espírito Santo; uma lição sobre a relação entre o Filho e o Espírito Santo; e a lição conclusiva sobre a Santíssima Trindade e a Igreja de Cristo. 

LIÇÕES DO TRIMESTRE

Lição 1: O mistério da Santíssima Trindade

Lição 2: O Deus Pai

Lição 3: O Pai enviou o Filho

Lição 4: A Paternidade Divina

Lição 5: O Deus Filho

Lição 6: O Filho como o Verbo de Deus

Lição 7: A Obra do Filho

Lição 8: O Deus Espírito Santo

Lição 9: Espírito Santo — O Regenerador

Lição 10: Espírito Santo — O Capacitador

Lição 11: O Pai e o Espírito Santo

Lição 12: O Filho e o Espírito Santo

Lição 13: A Trindade Santa e a Igreja de Cristo

COMENTARISTA: Pr. Douglas Baptista

Douglas Roberto de Almeida Baptista é pastor presidente da Assembleia de Deus de Missão, no Distrito Federal; doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB, da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; segundo vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás; vice-presidente da Rede Assembleiana de Ensino (RAE) e diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas. É comentarista de Lições Bíblicas há vários anos; colunista de periódicos da CPAD e do Portal CPAD News; é autor de diversos livros publicados pela CPAD, entre eles, Filosofia da Educação Cristã, A Igreja de Cristo e o império do mal, Valores Cristãos, A Igreja Eleita, A Supremacia das Escrituras, todos publicados pela CPAD. 

O Pr. Douglas Baptista tem ampla atuação na área educacional da Convenção Geral da Assembléia de Deus no  Brasil e tem representado esta instituição em debates e audiências públicas no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal, em temas relacionados aos valores morais e cosmovisão cristã. Foi também o relator da Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil. 

Bons estudos!

Ev. WELIANO PIRES


24 dezembro 2025

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 13: PREPARANDO O CORPO, A ALMA E O ESPÍRITO PARA A ETERNIDADE


Data: 28 de dezembro de 2025

TEXTO ÁUREO:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” (Fp 3.20).

VERDADE PRÁTICA: 

Na vinda de Jesus nosso corpo abatido será transformado em um corpo glorioso, e, como um ser integral, habitaremos para sempre com Ele no Céu.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Tito 2.11-14; 1 Pedro 1.13-16

OBJETIVOS DA LIÇÃO:

I) Levar os alunos a compreenderem que a esperança escatológica é fundamental para uma vida de santificação integral, ou seja, corpo, alma e espírito; 

II) Alertar os alunos sobre os desvios das teologias modernas que enfraquecem a santificação e a esperança na volta de Cristo; 

III) Ensinar que a santificação deve abranger todo o ser — corpo, alma e espírito — como preparação contínua para a vinda de Jesus.

Palavra-Chave: SANTIFICAÇÃO

No Antigo Testamento, especialmente no Pentateuco, a ideia de santidade está relacionada a Deus e a tudo o que lhe pertence e o serve. Os objetos e as pessoas envolvidas no culto ao Senhor eram totalmente separados das coisas consideradas imundas. O substantivo hebraico qōdesh significa sacralidade ou algo que foi separado do uso comum para pertencer exclusivamente a Deus. Esse termo pode ser aplicado a Deus, a pessoas, a lugares ou a objetos. A palavra deriva do verbo qādash, que significa consagrar, separar ou dedicar exclusivamente a Deus.

No Novo Testamento, o correspondente grego do verbo hebraico qādash é hagiazō, traduzido por “santificar”, e traz a ideia de tornar santo, purificar, consagrar e venerar. Diferentemente do que ocorre no Antigo Testamento, no Novo Testamento inexiste o conceito de consagração e pureza ritual associadas a lugares ou objetos sagrados. A santidade, nesse contexto, aplica-se às pessoas.

Ao falarmos de santidade, precisamos ter em mente que somente Deus é santo em si mesmo, em sua essência e natureza. Assim, ninguém pode ser santo por si próprio, nem na mesma proporção em que Deus é santo. Contudo, quando andamos no Espírito, Ele nos santifica e, desse modo, refletimos a sua santidade em nosso modo de viver.

INTRODUÇÃO 

Graças a Deus, chegamos ao final de mais um trimestre de estudos em nossa Escola Bíblica Dominical, o último do ano de 2025. O tema abordado ao longo deste período foi a Antropologia Bíblica, por meio do qual estudamos a integralidade do ser humano — corpo, alma e espírito — à luz da Palavra de Deus. 

Durante as lições, refletimos sobre a constituição do homem conforme a revelação bíblica, bem como sobre a necessidade de uma restauração integral promovida pela obra redentora de Cristo.

Nesta última lição, teremos uma aula conclusiva sobre o tema estudado, na qual trataremos da preparação do corpo, da alma e do espírito para a eternidade, com ênfase na santificação e na bendita esperança da volta de Cristo. Assim, somos desafiados a viver de modo santo, vigilante e comprometido com os valores do Reino de Deus, aguardando a gloriosa manifestação do nosso Senhor.

TÓPICOS DA LIÇÃO 

I. PRESERVANDO A ESPERANÇA ESCATOLÓGICA

Neste primeiro tópico, abordaremos a preservação da esperança escatológica, isto é, a esperança da vida eterna. Inicialmente, destacaremos que o alvo do crente é o Céu e que o processo de santificação está diretamente relacionado a esse propósito maior.

Em seguida, analisaremos as oposições à visão celestial que o cristão enfrenta neste mundo. Tais oposições procuram restringir a vida cristã a uma perspectiva meramente terrena, desviando o olhar do crente da realidade eterna.

Por fim, trataremos dos inimigos da cruz de Cristo, mencionados pelo apóstolo Paulo em sua Epístola aos Filipenses, os quais se ocupavam exclusivamente das coisas desta vida. A respeito deles, o apóstolo afirma: “A nossa pátria está nos céus, de onde também esperamos o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).

II. PERIGOS DE TEOLOGIAS MODERNAS

No segundo tópico, falaremos sobre os perigos das teologias modernas, cujos discursos enfatizam a transformação deste mundo, deixando em segundo plano a santificação e a volta de Cristo.

Inicialmente, abordaremos o perigo de um cristianismo secularizado, que busca transformar a mensagem cristã em militância social, econômica e política, bem como em programas sociais voltados à redução das desigualdades. Esse tipo de militância não confronta o pecado nem anuncia a realidade da eternidade.

Na sequência, trataremos do perigo dos discursos teológicos que se limitam à cultura e à intelectualidade, mas estão dissociados das práticas cristãs. Essas teologias criticam indiscriminadamente todas as tradições e ignoram os fundamentos do Evangelho.

Por último, falaremos sobre as falsas teologias da prosperidade, do existencialismo e do engajamento cultural. São correntes que reduzem a fé cristã ao triunfalismo, ao bem-estar físico e à prosperidade econômica. Elas não aceitam o sofrimento, as enfermidades e a pobreza, por considerarem tais circunstâncias incompatíveis com a vida dos filhos de Deus. Ignoram, porém, que as promessas plenas do Evangelho têm seu cumprimento definitivo na eternidade.

III. CONSERVANDO ESPÍRITO, ALMA E CORPO

Neste terceiro e último tópico, concluímos o tema central desta lição: a profunda ligação entre a santificação integral do ser humano — espírito, alma e corpo — e a volta de Cristo.

Inicialmente, abordaremos a prontidão do cristão para o retorno do Senhor, à luz de 1 Tessalonicenses 5, a partir do versículo 12. Esse texto destaca os deveres do cristão tanto no âmbito pessoal quanto no comunitário, orientando sua vida diária com os olhos voltados para a vinda de Cristo.

Em seguida, refletiremos sobre a santificação completa do cristão, que alcança todo o seu ser: espírito, alma e corpo. A Palavra nos ensina que todo o nosso ser deve ser preservado irrepreensível para o momento da vinda do Senhor (1Ts 5.23). Contudo, é fundamental lembrar que essa santificação não é fruto do esforço humano, mas uma obra realizada pelo Espírito Santo. Nenhum ser humano é capaz, por si mesmo, de tornar-se santo; é Deus quem opera essa transformação em nós.

22 dezembro 2025

PREPARANDO O CORPO, A ALMA E O ESPÍRITO PARA A ETERNIDADE


(SUBSÍDIO DA REVISTA ENSINADOR CRISTÃO/CPAD)

Estamos concluindo mais um trimestre. Nesta última lição, estudaremos sobre o preparo do crente para encontrar com o Senhor naj eternidade. O alvo final do crente é a vida com Cristo na eternidade e, para tanto, precisa enfrentar as oposições e inimigos cruéis que surgem ao longo da trajetória. Essas oposições se manifestam por meio das teologias modernas, falsos ensinos, modismos e narrativas que surgem na intenção de fragilizar o compromisso da igreja com o Evangelho puro e simples. Em contrapartida, a ausência de uma teologia bem fundamentada, cristocêntrica e com propósito na eternidade, tem resultado na pregação de um Evangelho empobrecido, sem poder do Espírito e secularizado

Diante desse cenário, aqueles que almejam preservar a sã doutrina precisam conhecer os fundamentos doutrinários que regem a nossa fé (2Tm 3.15). Para tanto, a Declaração de Fé trata-se de um importante documento elaborado pelas lideranças da Assembleia de Deus com vistas a ajudar milhares de irmãos a compreenderem esses fundamentos. Vale ressaltar que tais fundamentos doutrinários têm como origem a Palavra de Deus. Conhecê-los profundamente fortalece a igreja a não ceder aos caprichos daqueles que querem negociar valores e princípios da nossa fé que são inegociáveis. Há, por exemplo, muitos que negam a atualidade do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais. Há quem negue também a necessidade da santificação do espírito, da alma e do corpo por meio da perseverança da fé. A oração de Paulo revela uma petição para que o Deus de paz nos conserve plenamente irrepreensíveis para a vinda do Senhor Jesus Cristo (1Ts 5.23).

Sobre a santidade, adoração e liturgia, nossa Declaração de Fé das Assembleias de Deus (CPAD) afirma: “A santificação é obra do Espírito Santo na vida do crente regenerado e se dá de forma tanto instantânea como progressiva. Ela é um requisito para a vida cristã, pois Deus é Santo e puro. Ela é possível a todos os crentes, pois Jesus se ofereceu em sacrifício para nos oferecer a salvação e santificar a sua igreja: ‘para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra’ (Ef 5.26). A santidade divina é um atributo comunicável admirável, e implica separação de tudo o que é pecaminoso e impuro e exclusividade de vida para o serviço e adoração a Deus, por parte daqueles que foram alcançados pelo Evangelho. Ela é vista como um requisito para que se veja a Deus na eternidade: ‘Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor’ (Hb 12.14)”. (2025, pp.137,138). Neste mundo, precisamos perseverar na fé e na santidade, comprometidos com a ética cristã, para estarmos preparados para a Volta do Senhor Jesus. 

Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2025, Ed. 103, p.42.

18 dezembro 2025

EDIFICAÇÃO E FRUTO DO ESPÍRITO

(Comentário do 3º tópico da lição 12: O espírito humano e o Espírito de Deus).

No terceiro e último tópico, abordaremos a edificação do espírito e o Fruto do Espírito Santo. Inicialmente, trataremos da edificação do nosso espírito por meio do falar em línguas, conforme mencionado pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 14.14.

Por fim, estudaremos as virtudes do Fruto do Espírito, descritas em Gálatas 5.22, apresentadas como o ápice da vida cristã e a evidência de uma vida plenamente conduzida pelo Espírito Santo.

1. O espírito ora bem.

Neste subtópico, aprendemos sobre a ação edificadora do Espírito Santo no espírito do crente por meio do falar em línguas. O apóstolo Paulo ensina que o nosso espírito pode orar a Deus e ser fortalecido, mesmo quando a nossa mente não compreende plenamente as palavras que estão sendo pronunciadas:

“Porque, se eu orar em língua estranha, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto”. (1 Co 14.14).

Esse texto mostra que a oração em línguas é uma experiência espiritual que edifica o interior do crente. Aqui, o falar em línguas não se limita apenas à evidência inicial do batismo no Espírito Santo, mas refere-se ao dom de variedade de línguas, concedido por Deus para edificação.

Quando esse dom é usado para transmitir uma mensagem à igreja, é necessária a interpretação, para que todos sejam edificados. Contudo, quando não há interpretação, Paulo orienta que o crente fale em línguas consigo mesmo e com Deus, pois essa prática fortalece o seu espírito.

Assim, orar em línguas é um presente de Deus para a edificação pessoal. Por meio dessa oração, o crente se conecta profundamente com Deus, fortalece o seu ser interior e tem a sua fé renovada. Essa oração é conduzida pelo Espírito Santo e promove uma comunhão íntima com o Espírito de Deus.

2. O ápice da vida cristã.

O Espírito Santo produz no crente as virtudes listadas pelo apóstolo Paulo em Gálatas 5.22–23, conhecidas como o fruto do Espírito. Essas virtudes representam o ápice, ou seja, o ponto mais elevado da vida cristã, pois revelam o caráter de Cristo sendo formado em nós e envolvem o ser humano por completo.

Muitos confundem o fruto do Espírito com os dons do Espírito Santo. Embora ambos sejam obras do Espírito, tratam-se de realidades distintas. Os dons espirituais, conforme a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, são “capacitações especiais e sobrenaturais concedidas pelo Espírito de Deus ao crente para serviço especial na execução dos propósitos divinos por meio da Igreja”. Eles são distribuídos pelo Espírito Santo a cada um, segundo a Sua vontade, para aquilo que for útil à edificação do Corpo de Cristo.

O fruto do Espírito Santo, por sua vez, é composto por nove virtudes que o Espírito produz na vida do crente que anda no Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22). Essas virtudes são o resultado de uma vida rendida ao Espírito Santo e vivida sob o seu domínio.

A expressão “fruto” está no singular porque ele é um só, formado por várias virtudes inseparáveis. Não é possível desenvolver uma dessas virtudes isoladamente. Por exemplo, não pode haver verdadeira alegria, paz ou bondade onde não existe amor, pois o amor é a base de todo o fruto do Espírito.

Essas virtudes são produzidas no interior do crente pelo Espírito Santo e estão diretamente relacionadas ao caráter cristão. Elas não podem ser fabricadas artificialmente nem simuladas por esforço humano, embora alguns tentem fazê-lo. O fruto do Espírito é resultado de uma vida conduzida pelo Espírito Santo.

Além disso, essas virtudes não são condenadas nem pela Lei de Deus nem pelas leis humanas. Pelo contrário, elas cumprem a Lei de Deus de maneira plena. O apóstolo Paulo afirma:

“Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Gálatas 5.14).

Assim, o fruto do Espírito Santo é a evidência mais elevada de uma vida cristã madura e alinhada com a vontade de Deus.

Ev. WELIANO PIRES

17 dezembro 2025

TESTEMUNHO, INTERCESSÃO E EDIFICAÇÃO

(Comentário do 2º tópico da Lição 12: O espírito humano e o Espírito de Deus)

Neste segundo tópico, são apresentados três aspectos fundamentais da atuação do Espírito Santo na vida do crente: o testemunho, a intercessão e a edificação.

Inicialmente, é tratado o testemunho do Espírito Santo ao nosso espírito, conforme Romanos 8.16. Em seguida, aborda-se a intercessão do Espírito em nosso favor, com gemidos inexprimíveis, diante do Pai. Embora a edificação seja mencionada no título deste tópico, o comentarista não a desenvolve de forma direta neste ponto, pois esse tema será tratado de maneira mais específica no tópico seguinte.

1. O Espírito testifica ao espírito

No capítulo 8 da Epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo discorre amplamente sobre a atuação do Espírito Santo na vida do crente e destaca o papel do espírito humano na comunhão com Deus. Nesse contexto, ele apresenta a doutrina da adoção espiritual, cuja certeza é testificada pelo próprio Espírito Santo ao espírito do crente regenerado.

O Espírito Santo produz em nosso espírito a firme convicção de que somos filhos de Deus, concedendo-nos segurança espiritual e libertação do temor. Por isso, Paulo afirma:

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos” (Rm 8.15).

Essa adoção não é apenas uma declaração externa, mas uma realidade interior confirmada pelo Espírito de Deus. Em Romanos 8.16, o apóstolo ensina:

“O próprio Espírito confirma ao nosso espírito que somos filhos de Deus.”

A expressão “testifica com”, no texto grego symmartyréō, significa “testemunhar juntamente com” ou “dar confirmação em concordância”. A ideia central é que o Espírito Santo se une ao nosso espírito, dando um testemunho conjunto e convincente de nossa filiação divina. A tradução da Nova Almeida Atualizada expressa adequadamente esse sentido ao afirmar: “O próprio Espírito confirma ao nosso espírito que somos filhos de Deus”.

Essa verdade revela a profunda relação entre o espírito humano regenerado e o Espírito de Deus. O Espírito Santo habita no interior do crente e se comunica diretamente com o seu espírito, produzindo certeza, consolo e comunhão. Contudo, essa experiência é exclusiva daqueles que creram em Jesus Cristo e foram feitos filhos de Deus, conforme declara o evangelista João:

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo 1.12).

Os que não creram permanecem separados de Deus e são descritos pelas Escrituras como “filhos da ira” (Ef 2.3), destituídos dessa comunhão espiritual. Assim, o testemunho do Espírito ao nosso espírito constitui um dos privilégios mais sublimes da vida cristã, assegurando-nos nossa identidade, filiação e relacionamento com Deus Pai.

2. O Espírito intercede

Na continuidade do capítulo 8 da Epístola aos Romanos, Paulo trata da intercessão do Espírito Santo em nosso favor:

“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” (Rm 8.26)

O Espírito Santo intercede por nós com gemidos inexprimíveis, isto é, que não podem ser expressos por meio de palavras humanas (Rm 8.27). Em momentos de dificuldade, em razão de nossas fraquezas e limitações, não sabemos como nos dirigir a Deus em oração. O Espírito Santo, que é Deus, conhecendo perfeitamente quem somos, bem como nossas necessidades e intenções, intercede por nós diante do Pai de forma perfeita e eficaz.

Aquele que tudo conhece examina os corações e discerne plenamente a intenção do Espírito. É importante destacar que a intercessão do Espírito Santo está sempre em plena harmonia com a vontade de Deus, pois Ele é Deus e, portanto, não pensa nem age de modo diferente do Pai e do Filho. Assim, jamais devemos pedir algo que contrarie as Escrituras e supor que o Espírito Santo intercederá em favor de tais pedidos.

3. O Espírito edifica

O comentarista menciona, apenas no título deste tópico, a edificação pelo Espírito Santo, sem desenvolver diretamente o assunto. Todavia, a edificação espiritual é tratada de forma mais específica no tópico seguinte.

Ao falarmos de edificação, somos naturalmente remetidos à construção de um edifício, o qual necessita de um bom alicerce, colunas bem estruturadas e manutenção constante, a fim de não comprometer sua segurança e estabilidade.

Na edificação espiritual, o alicerce do crente é Cristo, e é sobre Ele que o Espírito Santo edifica a nossa fé, conforme declara a Escritura:

“Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” (1Co 3.11)

As colunas que sustentam a vida cristã são: a doutrina dos apóstolos, a comunhão, o partir do pão e as orações, conforme lemos:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” (At 2.42)

Sem essas colunas, o crente não se mantém firme, ainda que afirme estar fundamentado em Cristo, assim como um edifício, mesmo possuindo um bom alicerce, não se sustenta sem colunas adequadas.

A manutenção do edifício espiritual consiste na prática contínua das disciplinas espirituais, conforme estudado na lição anterior: vigilância, oração, jejum, leitura e meditação na Palavra de Deus.

O ENVIO DO FILHO E O AMOR DO PAI

(Comentário do 1º tópico da lição 3: O pai enviou o Filho). Neste primeiro tópico, trataremos do envio do Filho pelo Pai como a mais profun...