16 abril 2026

O PAI DA FÉ E A TENTATIVA DE AJUDAR A DEUS

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 3: A impaciência na espera do cumprimento da promessa)

Neste tópico, trataremos da tentativa do pai da fé, de “ajudar” a Deus no cumprimento da promessa de dar-lhes um filho. A ideia não partiu de Abrão, mas de sua esposa Sarai, que era estéril e já estava com setenta e cinco anos. Abrão, no entanto, aceitou o plano sem nenhuma objeção. A esta altura dos acontecimentos, a fé de Abrão também estava abalada. 

1. O plano para “ajudar” a Deus. Vendo que os anos se passaram e que a promessa ainda não havia se cumprido, Sarai sugeriu a Abrão que tivesse relações com a sua serva, Agar, a fim de gerar filhos por meio dela. Naquele tempo, a esposa estéril podia oferecer sua serva ao marido para que, por intermédio dela, tivesse descendência. Essa prática era regulamentada pelas leis vigentes da época. Assim, Sarai entregou sua serva egípcia, Agar, a Abrão, para que ele gerasse um filho com ela.r
Abrão, sem questionar e sem buscar a orientação divina, atendeu à sugestão de sua esposa. Como líder da família, cabia-lhe transmitir os princípios de Deus ao seu lar. Naquela sociedade patriarcal, a palavra do patriarca possuía grande autoridade; portanto, era sua responsabilidade instruir a família acerca do caráter de Deus e da confiança em suas promessas.

A ansiedade pelo cumprimento da promessa deu lugar à impaciência, levando-os a agir por conta própria, na tentativa de “ajudar” a Deus. Entretanto, Deus é Todo-Poderoso e soberano sobre todas as coisas. Ele sabe o que faz e não necessita da intervenção humana para cumprir os seus desígnios. Aquilo que, aos nossos olhos, parece demora ou atraso, na verdade faz parte do agir divino, tanto para forjar o nosso caráter quanto para evidenciar que é Ele quem realiza o impossível.

2. Abrão aceita o plano de Sarai. O comentarista destaca que Abrão estava sendo pressionado tanto por sua esposa quanto pelo tempo. Contudo, essa pressão recaía de forma ainda mais intensa sobre Sarai, pois, além de estéril, encontrava-se em idade avançada. Abrão, por sua vez, não era estéril, como se comprova pelo fato de ter gerado filhos com Agar, com Sara e, posteriormente, com Quetura, após ficar viúvo. Sara, entretanto, teve apenas Isaque, e isso de forma milagrosa. 

Na atualidade, muitos casais optam por não ter filhos ou preferem aguardar algum tempo antes de constituir família. Ainda assim, frequentemente enfrentam cobranças por parte de familiares e amigos quanto ao momento de terem filhos. Na sociedade em que Sarai viveu, porém, a pressão sobre a mulher era muito maior, pois a esterilidade era vista como maldição ou até mesmo como punição divina. A própria Sarai reconheceu isso ao afirmar que “o Senhor a tinha impedido de gerar filhos” (Gn 16.2).

Essa pressão contribuiu para que Sarai se tornasse impaciente e concebesse um plano para “ajudar” a Deus no cumprimento da promessa. A partir disso, influenciou seu marido a aceitar sua proposta. Esse episódio remete ao Éden, quando Eva, após pecar, induziu Adão a também desobedecer a Deus. Todavia, é importante ressaltar que a responsabilidade diante de Deus é individual.

Se, por um lado, Eva e Sarai falharam, por outro, Adão e Abrão, como líderes da família, falharam ainda mais. Cabia-lhes, como sacerdotes do lar, instruir suas esposas quanto à vontade de Deus, exortando-as à obediência e à confiança em suas promessas. A fé caminha sempre juntamente com a esperança e o amor; por isso, a ansiedade e a impaciência tornam-se inimigas da fé. Quando esperamos com paciência no Senhor, Ele se inclina para nós e ouve o nosso clamor (Sl 40.1).

3. Agar zomba de Sarai.  O comentarista afirma que “Agar aceitou prontamente a proposta de Sarai e certamente se sentiu muito honrada”. Entretanto, é importante considerar que Agar era uma serva e, nessa condição, não tinha liberdade de escolha. Não se tratava, portanto, de uma proposta, mas de uma decisão imposta pelo casal. Assim, Agar pode ser vista como a primeira vítima desse plano, seguida por seu filho, Ismael, visto que ambos foram posteriormente expulsos do lar.
Após conceber, Agar mudou sua atitude em relação à sua senhora, passando a agir com desprezo. Ao engravidar de seu senhor, ela pode ter se sentido em posição superior, como se sua condição houvesse sido elevada. O texto bíblico declara que “foi sua senhora por ela desprezada” (Gn 16.4).

A palavra hebraica traduzida como “desprezada” é qālal, que traz a ideia de tornar-se insignificante, desprezível ou até mesmo amaldiçoado. Trata-se do mesmo termo utilizado em Gênesis 12.3, quando Deus afirma a Abrão que amaldiçoaria (qālal) os que o amaldiçoassem.

O plano que parecia ser a solução para a esterilidade de Sarai acabou se tornando um problema ainda maior. Com a gravidez de Agar, Sarai, além de continuar sem filhos, passou a ser alvo de desprezo por parte de sua serva. Esse episódio nos ensina que decisões tomadas precipitadamente, fora da direção divina, podem gerar consequências dolorosas.
Dessa forma, nos momentos de ansiedade e aflição, a melhor atitude é buscar ao Senhor em oração, confiar em sua soberania e esperar com paciência pelo cumprimento de suas promessas. Ele é fiel para cumprir aquilo que prometeu, mas o cumprimento será no tempo e na forma que Ele determinar. Mesmo não entendendo o processo, devemos esperar. 

Ev. WELIANO PIRES 

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