02 abril 2026

DEUS CHAMA ABRÃO

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 1: Abraão, seu chamado e sua jornada de fé)

Neste primeiro tópico, estudaremos o chamado de Abrão, quando ainda vivia com seu pai, Terá, em Ur dos caldeus, na antiga Mesopotâmia.

Veremos que o chamado divino exigiu de Abrão fé e obediência incondicional. Ele vivia de forma estável entre seus parentes e amigos, mas Deus lhe ordenou que deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, dirigindo-se a uma terra que ainda lhe seria mostrada. Tal ordem demandava confiança plena na direção do Senhor.

Em seguida, analisaremos as promessas feitas por Deus a Abrão, as quais não se restringiam a ele e à sua família, mas alcançariam todas as nações da terra. Essas promessas se cumpririam no tempo determinado por Deus, sendo que algumas delas teriam seu pleno cumprimento ao longo da história da redenção.

Por fim, destacaremos as bênçãos divinas sobre Abrão, conforme registradas em Gênesis 12.1-3. Esse texto revela que Deus é abençoador e se alegra em favorecer aqueles que lhe obedecem e nele depositam sua esperança. Contudo, é importante ressaltar que as bênçãos do Senhor não se limitam à vida presente nem aos bens materiais, mas abrangem, sobretudo, as riquezas espirituais e eternas.

1. A fé de Abrão diante do chamado (Gn 12.1). Abrão aparece pela primeira vez na narrativa bíblica em Gênesis 11.26-31. Ele era descendente de Sem, um dos três filhos de Noé. Filho de Terá, irmão de Naor e Harã, e marido de Sarai (posteriormente chamada Sara), Abrão também era tio de Ló, filho de Harã, que faleceu ainda em Ur dos caldeus.

Abrão vivia com sua família em Ur dos caldeus, uma importante cidade da antiguidade, conhecida por sua riqueza, desenvolvimento e expressiva cultura arquitetônica e artística. Localizada às margens do rio Eufrates, era um centro urbano influente. Contudo, conforme registrado em Josué 24.2, Terá, pai de Abrão, servia a outros deuses, evidenciando o contexto de idolatria em que Abrão estava inserido.

A Bíblia não descreve detalhadamente como ocorreu o primeiro contato de Deus com Abrão em Ur. Entretanto, Gênesis 11.31 relata que Terá tomou Abrão, Ló e Sarai, e saiu de Ur com destino à terra de Canaã. Todavia, interromperam a jornada em Harã, onde passaram a habitar:

“E tomou Terá a Abrão seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã, e habitaram ali”.

Como o texto bíblico não afirma que Deus chamou Terá, entende-se que o chamado foi dirigido exclusivamente a Abrão. É possível que Abrão tenha compartilhado essa revelação com seu pai, que decidiu acompanhá-lo parcialmente na jornada. No entanto, o plano divino estava centrado em Abrão e sua esposa, por meio dos quais Deus formaria uma grande nação. 

O chamado de Abrão exigia fé e obediência absolutas. Deus ordenou que ele deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, dirigindo-se a uma terra que ainda lhe seria mostrada (Gn 12.1). Tratava-se de um verdadeiro passo de fé rumo ao desconhecido. Abrão deveria abandonar sua estabilidade e passar a viver como peregrino, habitando em tendas e dependendo inteiramente da provisão divina.

Assim, a experiência de Abrão nos ensina que atender ao chamado de Deus requer confiança plena, disposição para renunciar à segurança humana e coragem para seguir pela fé, mesmo quando não se conhece todos os detalhes do caminho.

2. A promessa para Abrão. Juntamente com o chamado de Abrão, Deus lhe fez promessas grandiosas, condicionadas à sua obediência. Tais promessas não se limitaram apenas ao patriarca e à sua esposa, mas estenderam-se aos seus descendentes, especialmente ao povo de Israel, e, de modo abrangente, a toda a humanidade. Isso porque Abraão é considerado o pai de todos os que creem.

As promessas divinas são compromissos assumidos pelo próprio Deus quanto ao cumprimento de seus desígnios no futuro. Em sua presciência, o Senhor refere-se a eventos futuros como se já estivessem presentes, pois Ele conhece todas as coisas. Deus é autossuficiente e não depende de nada nem de ninguém para cumprir aquilo que prometeu. Assim, suas promessas constituem a garantia segura de que se cumprirão no tempo determinado.

No texto de Gênesis 12.2,3, encontramos sete promessas feitas por Deus a Abrão:

a) Fazer dele uma grande nação. Abrão tinha 75 anos, e sua esposa, 65; além disso, não tinham filhos, e Sarai era estéril. Ainda assim, Deus prometeu fazer dele o pai de uma grande nação, promessa que se cumpriu com a formação de Israel.

b) Abençoá-lo. O termo hebraico barach significa “abençoar” e também “ajoelhar-se”. Trata-se de uma palavra-chave na aliança entre Deus e Abrão, aparecendo repetidas vezes no texto. A bênção divina refere-se ao favor, à aprovação, à prosperidade e à proteção de Deus.

c) Engrandecer o seu nome. O termo hebraico gadal indica crescer, tornar-se importante, ser exaltado e realizar grandes feitos. Deus cumpriu essa promessa, tornando Abraão uma figura de destaque universal e seus descendentes relevantes na história.

d) Fazer dele uma bênção. Mais do que ser abençoado, Abrão seria um canal de bênção. Essa promessa ultrapassa sua época e alcança toda a humanidade por meio de Cristo.

e) Abençoar os que o abençoarem. Deus prometeu favorecer aqueles que demonstrarem benevolência para com Abrão e seus descendentes. A história registra exemplos de nações que prosperaram ao se relacionarem positivamente com Israel.

f) Amaldiçoar os que o amaldiçoarem. Da mesma forma, Deus declarou que julgaria aqueles que se levantassem contra Abrão e sua descendência. Ao longo da história, diversas nações sofreram consequências por se oporem ao povo de Israel.

g) Em ti serão benditas todas as famílias da terra. Esta promessa possui caráter messiânico, apontando para o Salvador, descendente de Abraão, que veio ao mundo para redimir a humanidade de seus pecados. Também destaca o papel de Israel como instrumento de bênção, especialmente por meio das Escrituras Sagradas.

3. As bênçãos de Deus para Abrão. Este subtópico constitui um desdobramento do anterior, que trata das promessas de Deus a Abrão. As promessas divinas diferem das humanas, pois Deus não depende de qualquer agente externo para cumprir aquilo que declarou. Logo, o que Deus promete não é mera intenção futura, mas um compromisso soberano, irrevogável, que certamente se cumprirá, visto que ninguém pode impedir a realização de seus desígnios.

Deus é essencialmente bondoso e deseja conceder benefícios aos seus servos. No Salmo 103, o salmista conclama a sua alma a bendizer ao Senhor por todos os benefícios recebidos. De fato, são inúmeras as dádivas provenientes de Deus, começando pelo dom da vida. O apóstolo Tiago afirma que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto” (Tg 1.17), ressaltando a origem divina de todas as bênçãos verdadeiras.

Entretanto, é necessário compreender que as bênçãos de Deus não se limitam à vida presente. Neste mundo, o crente está sujeito a lutas e tribulações. O apóstolo Paulo, ao escrever aos coríntios, declarou: “Se esperamos em Cristo somente nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co 15.19). Tal afirmação evidencia que a esperança cristã transcende a realidade terrena.

Além disso, convém destacar que o contexto do Antigo Testamento difere do período da Igreja. Os patriarcas viviam sob uma revelação progressiva e não possuíam a mesma clareza acerca da vida eterna que foi plenamente manifestada em Cristo. Hoje, à luz do Novo Testamento, temos uma compreensão mais ampla das promessas eternas de Deus.

Ev. WELIANO PIRES 

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