(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 3: A Impaciência na espera do cumprimento da promessa)
No terceiro tópico, veremos que Deus é soberano. Ele não apenas conhece o futuro antecipadamente, mas também conduz a história e cuida dos aflitos e necessitados.
No encontro com Agar, no deserto, Deus ordenou que ela desse ao seu filho o nome de Ismael, que significa “Deus ouve”. Agar, por sua vez, chamou o nome do Senhor que com ela falava de “Tu és Deus que vê” e denominou o poço de Beer-Laai-Roi, que pode ser traduzido como “poço daquele que vive e me vê”.
Deus viu a aflição de Agar, que estava grávida e sozinha no deserto, e prontamente a socorreu. Da mesma forma, também assistiu Abrão e Sarai em suas aflições. Ele continua sendo o nosso socorro bem presente nos momentos de angústia.
1. O Deus que ouve e vê. Agar não fazia parte da promessa de Deus a Abrão. A sua gravidez, conforme vimos no primeiro tópico, foi um arranjo humano de Sarai, na tentativa de ajudar a Deus. Ela também errou ao desprezar a sua senhora e depois fugir para o deserto.
Entretanto, nem por isso Deus a abandonou à própria sorte. Deus viu a sua aflição e foi ao seu encontro à beira do poço. O Senhor se interessou pela sua aflição e deu-lhe as orientações necessárias para ela retornar à sua senhora e recomeçar.
Por fim, Deus deu o nome de Ismael ao filho dela, que significa “Deus ouviu”. Os nomes naquele contexto não eram apenas uma palavra pela qual as pessoas eram chamadas. O nome de uma pessoa era dado de acordo com a circunstância do seu nascimento.
Na gravidez de Agar, ela estava aflita e sem direção, mas Deus ouviu e viu a dor dela e a socorreu, sem lançar em rosto os seus erros. O nosso Deus não ignora as nossas dores, sofrimentos e aflições. Ele vê aquilo que ninguém vê e socorre àqueles que o buscam.
2. Tudo conforme a sua soberana vontade. Para interpretar fielmente as narrativas bíblicas, é necessário considerar o texto à luz do seu contexto histórico e cultural. Na atualidade, é praticamente impossível um homem de cem anos gerar filhos. Contudo, no período em que Abrão viveu, a longevidade humana era significativamente maior do que a observada hoje. Assim, não era incomum que homens tivessem filhos em idade considerada avançada para os padrões atuais.
Entre os ancestrais de Abrão, Sem, filho de Noé, gerou seu primeiro filho aos cem anos (Gn 11.10). Arfaxade, seu filho, tornou-se pai aos trinta e cinco anos (Gn 11.12). Em seguida, Selá gerou seu primeiro filho aos trinta anos (Gn 11.14). A média de idade para a paternidade manteve-se entre vinte e nove e trinta e cinco anos, até que Terá, pai de Abrão, teve seu primeiro filho aos setenta anos (Gn 11.26). Abrão, por sua vez, gerou seu primeiro filho aos oitenta e seis anos (Gn 16.16) e, posteriormente, o filho da promessa aos cem anos (Gn 21.5). Após a morte de Sara, teve ainda outros seis filhos com Quetura, sua segunda esposa (Gn 25.1,2).
Deus não está sujeito ao tempo, e nada foge ao seu controle. Ele não se atrasa nem se adianta, pois tudo ocorre de acordo com os seus desígnios. Nada pode impedir o cumprimento de suas promessas, especialmente quando são incondicionais (Sl 115.3; Is 43.13). Portanto, ainda que o ser humano faça planos, prevalecerá aquilo que Deus determinou. Todavia, quando o homem escolhe trilhar caminhos diferentes da vontade divina, inevitavelmente colhe consequências que poderiam ser evitadas, caso seguisse a direção do Senhor.
3. O cuidado de Deus em todo o tempo. Conforme visto no tópico anterior, após ser afligida por sua senhora Sarai, Agar fugiu para o deserto, grávida e sem qualquer provisão para a jornada. Na condição de escrava, corria sérios riscos de ser capturada e, consequentemente, punida, até mesmo com a morte. Além disso, estava exposta aos perigos do deserto, podendo perecer de fome, sede ou devido às variações extremas de temperatura.
Deus conhece todas as coisas e é compassivo e misericordioso diante do sofrimento humano. O Deus da Bíblia não é aquele apregoado pelo deísmo, que criou o Universo com leis próprias e se afastou dele. Deus não apenas criou todas as coisas, Ele sustenta as coisas criadas e se envolve com as nossas causas, pois nos ama com amor incomparável.
O apóstolo Paulo escreveu aos filipenses: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Fp 4.6,7). Portanto, nos momentos de aflição e angústia, o crente deve descansar no Senhor, convicto de que Ele cuida de seus filhos em todo o tempo.
Ev. WELIANO PIRES
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