11 abril 2026

OS ALTARES ERGUIDOS POR ABRÃO

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 2: A fé de Abrão nas promessas de Deus)

No terceiro tópico, o comentarista nos mostra que, apesar de suas falhas, Abrão possuía um grande diferencial: era um adorador por excelência, que expressava sua fé por meio da construção de altares.

Veremos, neste tópico, que Abrão foi um verdadeiro construtor de altares. Por onde passava, independentemente das circunstâncias, erguia um altar e oferecia sacrifício ao Senhor. O primeiro altar de Abrão foi construído em Siquém, em um momento de gratidão a Deus pelas bênçãos e promessas recebidas.

Em seguida, encontramos o segundo altar em Betel, cujo significado é “Casa de Deus”. O comentarista chama nossa atenção para a importância de estarmos na casa do Senhor e de cultivarmos uma vida de adoração e comunhão com Ele.

Por fim, destacamos os altares construídos por Abrão em Hebrom e Moriá. Considerando o significado de Hebrom, que é “união”, somos lembrados da necessidade de vivermos em unidade, tanto com Deus quanto com nossos irmãos.

Já o altar erguido em Moriá representa um dos momentos mais marcantes da vida de Abrão: um altar de entrega total. Ali, ele demonstrou obediência irrestrita ao Senhor, ao se dispor a oferecer Isaque em sacrifício. Entretanto, Deus proveu um carneiro em lugar de Isaque, apontando profeticamente para o sacrifício de Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

1. Abrão, um construtor de altares. Abrão partiu de Harã levando consigo Sarai, sua esposa, Ló, seu sobrinho, e todos os bens e servos que haviam adquirido. Ao chegar à terra de Canaã, sua primeira parada foi em Siquém. Nesse local, o Senhor lhe apareceu e reafirmou a promessa de que daria aquela terra à sua descendência:

“E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam então os cananeus na terra. E apareceu o Senhor a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera.” (Gn 12.6,7)

Siquém situava-se em um vale entre os montes Gerizim e Ebal, aproximadamente 65 quilômetros ao norte de Jerusalém. Foi ali que Abrão construiu o seu primeiro altar na Terra Prometida, marcando espiritualmente sua chegada.

É importante destacar que Canaã era uma região marcada pelo politeísmo. Havia muitos altares dedicados a divindades pagãs, onde eram oferecidos sacrifícios. Contudo, Abrão não utilizou esses altares; ele edificou o seu próprio altar ao Senhor, demonstrando fidelidade exclusiva e evitando qualquer tipo de mistura na adoração.

O altar construído por Abrão representava sua gratidão a Deus pelas bênçãos recebidas e pelas promessas futuras. Sua atitude revela que a verdadeira adoração está fundamentada no reconhecimento de quem Deus é e do que Ele faz.

Aprendemos com Abrão que, ao chegarmos a um novo lugar ou iniciarmos uma nova etapa em nossa vida, devemos, antes de tudo, adorar ao Senhor. A gratidão deve ser a nossa primeira resposta à direção e às promessas de Deus.

O apóstolo Paulo exortou assim a Igreja de Tessalônica: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5.18). Essa recomendação nos ensina que a gratidão não depende das circunstâncias, mas da nossa confiança em Deus.

Diante disso, cabe-nos refletir: temos sido gratos ao Senhor pelas bênçãos recebidas? Desde o nosso nascimento, desfrutamos de sua proteção, provisão e cuidado. Devemos a Ele, inclusive, a própria vida, pois Deus é o seu doador. Portanto, sejamos gratos a Ele por todas as coisas. 

2. Mais um altar. O texto de Gênesis 12.8 diz:

“E moveu-se dali [de Siquém] para a montanha do lado oriental de Betel, e armou a sua tenda, tendo Betel ao ocidente e Ai ao oriente; e edificou ali um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR”.

O comentarista valeu-se do significado do nome Betel, que é “Casa de Deus”, e chamou a nossa atenção para a importância de estarmos na casa de Deus, isto é, congregar. Entretanto, o nome desse local, nos dias de Abraão, ainda não era Betel, mas Luz. Foi Jacó, neto de Abraão, quem lhe deu o nome de Betel, após o sonho com uma escada que ia da terra ao céu, pela qual os anjos de Deus subiam e desciam.

Mesmo assim, essa aplicação é importante, pois, de fato, Abrão era um adorador por excelência e tinha o hábito de construir altares e invocar o nome do Senhor por onde passava. Abrão, que depois passou a se chamar Abraão, desfrutava de íntima comunhão com Deus, mesmo vivendo em uma sociedade politeísta, que não conhecia o Deus verdadeiro. Por isso, foi chamado de “amigo de Deus” (Is 41.8; Tg 2.23).

É indispensável ao crente o ato de congregar-se com os irmãos para orar, adorar a Deus, ouvir a sua Palavra e pregar o Evangelho (Hb 10.25). Os discípulos de Jesus tinham o hábito de reunir-se diariamente. Inicialmente, o faziam no templo (At 2.42-47; 5.42). Posteriormente, devido à intensa perseguição dos judeus, passaram a reunir-se nas casas. O apóstolo Paulo, por sua vez, onde chegava, procurava as sinagogas.

Em nossos dias, há um movimento nocivo que tem crescido significativamente: o dos desigrejados. São pessoas que se dizem cristãs, mas não estão vinculadas a nenhuma igreja local. Procuram desqualificar a igreja e negam a sua necessidade. São contrárias à igreja como organização e alegam que a Igreja Primitiva reunia-se nas casas, não era institucionalizada e não construía templos.

Entretanto, a Igreja, nos primeiros séculos, não possuía templos porque vivia sob intensa perseguição, tanto dos judeus quanto do Império Romano. Também não era uma pessoa jurídica, pois, naquele contexto, não existiam instituições formais como hoje. Ainda assim, a Igreja possuía liderança constituída por apóstolos, profetas, evangelistas, pastores, mestres, presbíteros e diáconos (Ef 4.11; At 6.1-6; 14.23). Havia também doutrina (At 2.42-47) e disciplina (1 Pe 3.5,6; 2 Ts 3.6).

Atualmente, para funcionar legalmente, a igreja precisa possuir CNPJ e alvará de funcionamento. Para isso, é necessário ter estatuto e pessoas responsáveis por sua administração. A organização da Igreja não se confunde com a sua espiritualidade. Como organismo, a Igreja é liderada pelo Espírito Santo. Mas, no aspecto humano, ela é também uma organização e necessita de todo aparato de uma instituição humana.

A Igreja é a família de Deus (Ef 2.19) e, como tal, necessita de regras e de liderança. A igreja local também é responsável por cumprir as ordenanças do Senhor Jesus, que são o batismo em águas e a Ceia do Senhor. Como cumprir tais ordenanças bíblicas sem uma organização local e uma liderança eclesiástica?

A igreja local também atua como uma agência do Reino de Deus em um bairro ou cidade. Nela realizam-se cultos para a pregação do Evangelho, ensino da Palavra de Deus, além de outras atividades que contribuem para a edificação espiritual dos crentes e a evangelização dos não convertidos. 

Os templos oferecem um espaço adequado e organizado para o culto a Deus, preservando também a boa convivência com a vizinhança. Infelizmente, nem sempre há recursos suficientes para que todos os templos possuam a estrutura ideal, o que se deve, em parte, à falta de contribuição de alguns membros.

3. O altar em Hebrom e Moriá. Após separar-se de seu sobrinho Ló, o Senhor apareceu novamente a Abrão e reafirmou as suas promessas. O texto bíblico declara que ele veio a Hebrom e ali edificou um altar ao Senhor:

“E Abrão armou as suas tendas, e veio, e habitou nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e edificou ali um altar ao Senhor” (Gn 13.18).

A cidade de Hebrom situa-se a cerca de trinta quilômetros ao sul de Jerusalém. É uma das cidades mais altas da região, estando aproximadamente a mil metros acima do nível do mar Mediterrâneo. Nos dias de Abrão, era chamada Quiriate-Arba (Gn 23.2), nome que significa “cidade dos quatro”, possivelmente em referência a quatro clãs que habitavam o local (Js 15.14).

Foi em Hebrom que Abraão adquiriu o campo de Macpela, pertencente a Efrom, o heteu, para sepultar Sara, sua esposa. Posteriormente, também foram sepultados ali Abraão, Isaque, Rebeca, Lia e Jacó. José, antes de sua morte, fez os filhos de Israel jurarem que levariam seus ossos do Egito para serem sepultados na terra prometida. Por essa razão, Hebrom tornou-se uma cidade de grande importância histórica e espiritual para o povo judeu.

O nome Hebrom pode ser associado aos significados de “comunhão”, “aliança” ou “união”. Nesse sentido, o comentarista destaca a importância da unidade entre os servos de Deus, conforme ensina o Salmo 133. Os crentes são chamados a preservar a unidade do Espírito, servindo uns aos outros com humildade, sinceridade e amor. Assim, não deve haver lugar para contendas carnais ou falsidade no Corpo de Cristo.

Outro importante altar na vida de Abraão foi o de Moriá, onde Deus lhe ordenou que oferecesse Isaque em sacrifício. Esse episódio representa, sem dúvida, a maior prova de sua fé.

Após esperar cerca de vinte e cinco anos pelo cumprimento da promessa de um filho, mesmo diante da esterilidade de Sara e da idade avançada de ambos, Abraão é desafiado a entregar aquilo que lhe era mais precioso.

Demonstrando obediência imediata, Abraão partiu rumo ao lugar determinado por Deus, em uma jornada de três dias, levando consigo Isaque, a lenha, o fogo e o cutelo. Ao aproximar-se do local, Isaque perguntou onde estava o cordeiro para o holocausto, ao que Abraão respondeu com fé: “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto” (Gn 22.8).

Ao chegarem ao lugar indicado, Abraão edificou o altar, amarrou Isaque e preparou-se para sacrificá-lo. No entanto, o Anjo do Senhor o impediu. Erguendo os olhos, Abraão viu um carneiro preso pelos chifres em um arbusto e o ofereceu em lugar de seu filho.

O altar de Moriá simboliza a entrega total a Deus e a obediência incondicional. Além disso, aponta profeticamente para o sacrifício de Cristo, que morreria em nosso lugar. Esse tema será aprofundado na lição 7.

Ev. WELIANO PIRES 

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