(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 1: O chamado de Abrão e a sua jornada de fé)
No terceiro tópico, analisaremos as lutas enfrentadas por Abrão ao chegar à terra para a qual Deus o havia chamado, isto é, a terra de Canaã. O fato de obedecer à direção divina não o isentou das dificuldades, pois a caminhada de fé também envolve provas e desafios.
Inicialmente, destacamos a dificuldade da fome, que Abrão enfrentou ao chegar a Canaã. Diante daquela situação adversa, viu-se obrigado a descer ao Egito, em busca de sustento para si, para sua comitiva e para seus rebanhos.
Em seguida, consideraremos a dificuldade de permanecer no lugar da promessa. Diante disso, qual decisão Abrão deveria tomar? Onde buscar socorro? O texto bíblico não registra que ele tenha consultado ao Senhor naquele momento, o que nos leva à reflexão sobre a importância de buscar sempre a direção divina.
Por fim, abordaremos a dificuldade enfrentada por Abrão ao não dizer toda a verdade acerca de sua esposa, ao chegar ao Egito. Temendo por sua vida, declarou que Sarai era sua irmã. Naquele contexto, essa atitude revelou fragilidade humana diante do medo. Contudo, Deus, em sua soberania e graça, interveio para preservar Sarai e cumprir os seus propósitos.
1. A dificuldade contra a fome.
A terra de Canaã, embora reconhecida por sua fertilidade, estava sujeita a longos períodos de estiagem, o que frequentemente resultava em escassez de alimentos para a população e de pastagem para os rebanhos. Naquele tempo, não havia sistemas de irrigação como os atuais; por isso, tanto agricultores quanto pecuaristas dependiam diretamente das chuvas. Na ausência delas, a fome tornava-se inevitável.
Isaque e Jacó, respectivamente filho e neto de Abraão, também enfrentaram períodos de escassez em Canaã. No caso de Isaque, ele recebeu orientação divina para não descer ao Egito, dirigindo-se à terra de Gerar, região situada ao sul de Canaã e pertencente aos filisteus — local por onde o próprio Abrão também passou. Jacó, por sua vez, mudou-se com toda a sua família para o Egito, onde seu filho José havia sido constituído governador.
A experiência desses três patriarcas nos ensina que, mesmo estando no centro da vontade de Deus e em obediência à sua Palavra, não estamos isentos de enfrentar dificuldades, lutas e oposições. A vida cristã é marcada por desafios, mas também pela confiança na fidelidade divina. O próprio Senhor Jesus declarou: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).
2. A dificuldade de ir para o lugar certo.
À primeira vista, parece um paradoxo: deixar sua terra em obediência ao chamado de Deus, chegar ao destino indicado e deparar-se com a escassez. Diante dessa realidade, Abrão, como chefe de sua casa, responsável por sua família, servos e rebanhos, precisou tomar uma decisão para garantir a sobrevivência de todos.
Para onde deveria ir? Retornar à sua terra de origem não era uma opção viável, pois Deus lhe havia ordenado que saísse de lá. Outra alternativa seria o Egito, cuja terra era irrigada pelas cheias do rio Nilo, que deixavam um solo fértil, favorecendo a agricultura. Havia ainda a região de Sodoma e Gomorra, que, antes de sua destruição, era bem irrigada e comparada ao jardim do Éden.
Entretanto, apesar de sua prosperidade material, essas regiões eram marcadas pela idolatria, violência e imoralidade. Portanto, não representavam boas escolhas para aqueles que desejavam viver segundo os princípios divinos. Ló, sobrinho de Abrão, optou por habitar em Sodoma, decisão que lhe trouxe sérias consequências pessoais e familiares, como será estudado na lição seguinte.
Observa-se que Abrão não buscou ao Senhor em oração antes de tomar sua decisão, optando por descer ao Egito por iniciativa própria. Essa atitude nos conduz a uma importante reflexão: em tempos de crise e escassez, quando somos chamados a tomar decisões relevantes, devemos, acima de tudo, buscar a direção de Deus em oração. Ele é onisciente e sabe perfeitamente o que é melhor para cada um de nós.
3. A dificuldade em falar a verdade.
Sarai, esposa de Abrão, mesmo com aproximadamente sessenta e cinco anos, destacava-se por sua beleza, atraindo a atenção por onde passava. É importante observar que Abrão tinha cerca de setenta e cinco anos ao sair de Harã, sendo Sarai dez anos mais nova. A descida ao Egito ocorreu pouco tempo depois da chegada a Canaã.
A notável formosura de Sarai levou Abrão a temer por sua própria vida ao entrar no Egito, pois imaginava que Faraó poderia matá-lo para tomar sua esposa. Movido por esse receio, orientou Sarai a declarar que era sua irmã, caso fosse questionada.
Em consequência dessa atitude, Sarai foi levada à casa de Faraó para integrar seu harém. Contudo, o pior não aconteceu, pois Deus, em sua misericórdia, interveio, ferindo Faraó e sua casa, impedindo que ele tocasse em Sarai. Dessa forma, o Senhor revelou que ela era, na verdade, esposa de Abrão.
Diante disso, Faraó repreendeu Abrão por não ter declarado a verdade. Como justificativa, Abrão apresentou uma meia verdade, afirmando que Sarai era sua irmã por parte de pai, mas não de mãe. Embora essa informação tivesse fundamento, omitia o fato principal: ela era sua esposa. À luz das Escrituras, uma meia verdade não deixa de ser mentira.
Essa narrativa nos ensina que o servo de Deus deve pautar sua vida pela verdade em todas as circunstâncias, ainda que isso lhe traga aparentes prejuízos. A mentira não procede de Deus, pois o próprio Senhor é a verdade absoluta. Conforme está escrito: “Vós tendes por pai ao diabo... ele é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Portanto, a integridade e a sinceridade devem marcar a vida daquele que serve ao Senhor.
Ev. WELIANO PIRES
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