30 abril 2026

DEUS ANUNCIA SEUS PLANOS A ABRAÃO

(Comentário do 2º tópico da Lição 5: O Juízo contra Sodoma e Gomorra) 

Este segundo tópico trata do anúncio que Deus fez a Abraão acerca de seu propósito de destruir as cidades de Sodoma, Gomorra e as circunvizinhas.

Veremos que, após anunciar que Sara teria um filho, o Senhor decidiu revelar a Abraão o juízo que traria sobre aquelas cidades, em razão de sua extrema pecaminosidade.

Na sequência, enfatizaremos que o pecado conduz à destruição. A iniquidade daquelas cidades havia atingido níveis intoleráveis diante de Deus, e, por isso, Ele determinou julgá-las.

Por fim, abordaremos a intercessão de Abraão em favor dos justos que, porventura, ali se encontrassem. Abraão argumentou que Deus, sendo justo, não destruiria o justo com o ímpio. Em resposta, o Senhor demonstrou sua misericórdia e consideração pelos justos, assegurando que, se houvesse ali dez justos, não destruiria as cidades.

1. O anúncio da destruição. O conteúdo deste subtópico não corresponde plenamente ao seu título, pois, em vez de abordar diretamente o anúncio divino da destruição de Sodoma a Abraão (Gn 18), o comentarista deteve-se na escolha de Ló e na descrição do pecado de Sodoma, assunto que pertence mais propriamente ao subtópico seguinte. É possível que tenha buscado oferecer uma contextualização prévia, mas não retomou de forma clara o tema principal.

Após anunciar a Abraão que Sara teria um filho, o Senhor, acompanhado de seus anjos, dirigiu-se à região de Sodoma, sendo Abraão conduzido com eles. Nesse momento, Deus declarou: “Ocultarei eu a Abraão o que faço, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra?” (Gn 18.17,18).

Esse episódio evidencia a intimidade e comunhão entre Deus e Abraão. Embora o Senhor seja soberano e realize a sua vontade independentemente de prestar contas a quem quer que seja, Ele, em sua graça, decide revelar parte de seus desígnios aos seus servos. Ainda assim, nem tudo é revelado, pois a limitação humana impede a compreensão plena dos mistérios divinos.

Deus revelou esse plano a Abraão, mas não manifestou todas as coisas a outros patriarcas, como Isaque e Jacó, que também eram herdeiros da promessa. Por exemplo, quando Jacó se fez passar por Esaú, Deus não revelou o engano a Isaque. Da mesma forma, Jacó não recebeu revelação acerca do que realmente ocorrera com José, sendo levado a acreditar na versão apresentada por seus filhos.

Nos dias atuais, é necessário cuidado com atitudes presunçosas de pessoas que afirmam possuir pleno conhecimento dos segredos de Deus. De fato, o Senhor revela mistérios aos seus servos, e entre os dons espirituais mencionados em Bíblia Sagrada estão a palavra da sabedoria, a palavra do conhecimento e o discernimento de espíritos, classificados como dons de revelação. Contudo, isso não significa que tudo será revelado. Há mistérios que somente conheceremos na eternidade, enquanto outros pertencem exclusivamente a Deus.

2. O pecado leva à destruição. Na Lição 2, vimos que, devido à contenda entre os pastores de Abrão e de Ló, o patriarca entendeu que seria melhor a separação, a fim de evitar conflitos. Por isso, deu a seu sobrinho o direito de escolher a região onde desejaria habitar. Considerando apenas os aspectos econômicos, Ló escolheu a campina do Jordão, estabelecendo-se nas proximidades de Sodoma, sem atentar para o caráter moral de seus habitantes.

A Bíblia descreve os moradores de Sodoma como extremamente perversos e pecadores diante do Senhor. A violência e a imoralidade, especialmente de natureza sexual, eram práticas comuns naquela cidade. A depravação era tão intensa que, posteriormente, o termo “sodomia” passou a ser associado a tais práticas pecaminosas.

Quando os anjos do Senhor foram enviados para retirar Ló da cidade, visto que a sua destruição era iminente, os homens de Sodoma cercaram a casa com a intenção de abusar deles. Ló intercedeu para que não cometessem tal maldade, chegando, equivocadamente, a oferecer suas próprias filhas. Contudo, os homens insistiram em arrombar a porta, sendo necessário que os anjos os ferissem com cegueira, impedindo assim a ação violenta.

À luz da cronologia bíblica apresentada em Gênesis, desde a chamada de Abrão até a destruição de Sodoma e Gomorra, é possível inferir que Ló tenha vivido cerca de vinte anos naquela cidade. Provavelmente, sua esposa era natural daquele lugar, o que ajuda a compreender o apego dela àquela sociedade corrompida. 

As consequências espirituais foram evidentes em sua família: seus genros não levaram a sério o aviso da destruição; sua esposa desobedeceu à ordem divina ao olhar para trás, tornando-se uma estátua de sal; e, posteriormente, suas filhas, influenciadas pelo ambiente em que viveram, praticaram atos moralmente reprováveis com o próprio pai. 

A escolha equivocada de Ló traz uma importante lição aos pais de família, advertindo-os quanto ao cuidado necessário em suas decisões. É imprescindível refletir antes de optar por mudanças como residência, profissão, escola, amizades ou relacionamentos.

Nenhum êxito de ordem econômica ou profissional compensará os prejuízos causados à vida espiritual e à integridade da família. Portanto, o crente deve buscar direção divina em todas as áreas da vida, priorizando sempre os valores do Reino de Deus acima de quaisquer interesses terrenos.

3. A intercessão. Deus já havia determinado destruir aquelas cidades, em razão do elevado nível de violência e degradação moral de seus moradores. Entretanto, devido à comunhão que mantinha com Abraão, a quem a Escritura apresenta como amigo de Deus, o Senhor decidiu revelar-lhe o seu propósito.

Ao tomar conhecimento do juízo divino sobre Sodoma e Gomorra, Abraão, movido por preocupação com seu sobrinho Ló e sua família, colocou-se diante de Deus como intercessor. Ele apelou ao caráter justo do Senhor, reconhecendo que Deus não destruiria o justo com o ímpio.

Abraão, então, perguntou se, havendo cinquenta justos na cidade, ela ainda seria destruída. O Senhor respondeu que a pouparia por amor aos cinquenta. Contudo, refletindo sobre a realidade daquele lugar, Abraão passou a reduzir o número, chegando até dez justos. Deus afirmou que, por amor aos dez, não destruiria a cidade.

Na realidade, apenas Ló e suas filhas não haviam se corrompido completamente. Ainda assim, após a destruição, observa-se que sua família apresentava fragilidades morais. É possível que a convivência prolongada com o pecado de Sodoma tenha influenciado negativamente seus valores. Apesar disso, o Novo Testamento refere-se a ele como “o justo Ló” (2Pe 2.7).

Cabe destacar que Ló, embora tenha convivido com Abraão, não demonstrou o mesmo compromisso com a vida devocional, como o hábito de levantar altares e invocar ao Senhor. Caso cultivasse tal prática, possivelmente teria tomado decisões diferentes, preservando melhor a sua família.

A intercessão consiste no ato de orar a Deus em favor de outras pessoas. Diferencia-se de “interseção”, termo utilizado nas ciências exatas para indicar o ponto de encontro entre linhas. No contexto espiritual, a intercessão é uma prática indispensável na vida do crente, pois expressa amor, compaixão e fé na justiça, bondade e misericórdia divina. 

Deus espera que nos coloquemos na brecha, intercedendo por nossa família, amigos, colegas de trabalho, autoridades, enfermos e por aqueles que ainda não conhecem o Evangelho, para que cheguem ao conhecimento da verdade. Contudo, é importante lembrar que a intercessão não substitui a responsabilidade pessoal: aquilo que nos compete fazer não será realizado por Deus em nosso lugar.

Ev. WELIANO PIRES

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