(Comentário
do 2º tópico da Lição 5: O Juízo contra Sodoma e Gomorra)
Este
segundo tópico trata do anúncio que Deus fez a Abraão acerca de seu propósito
de destruir as cidades de Sodoma, Gomorra e as circunvizinhas.
Veremos
que, após anunciar que Sara teria um filho, o Senhor decidiu revelar a Abraão o
juízo que traria sobre aquelas cidades, em razão de sua extrema pecaminosidade.
Na
sequência, enfatizaremos que o pecado conduz à destruição. A iniquidade
daquelas cidades havia atingido níveis intoleráveis diante de Deus, e, por
isso, Ele determinou julgá-las.
Por
fim, abordaremos a intercessão de Abraão em favor dos justos que, porventura,
ali se encontrassem. Abraão argumentou que Deus, sendo justo, não destruiria o
justo com o ímpio. Em resposta, o Senhor demonstrou sua misericórdia e
consideração pelos justos, assegurando que, se houvesse ali dez justos, não
destruiria as cidades.
1.
O anúncio da destruição. O conteúdo deste subtópico não
corresponde plenamente ao seu título, pois, em vez de abordar diretamente o
anúncio divino da destruição de Sodoma a Abraão (Gn 18), o comentarista
deteve-se na escolha de Ló e na descrição do pecado de Sodoma, assunto que pertence
mais propriamente ao subtópico seguinte. É possível que tenha buscado oferecer
uma contextualização prévia, mas não retomou de forma clara o tema principal.
Após
anunciar a Abraão que Sara teria um filho, o Senhor, acompanhado de seus anjos,
dirigiu-se à região de Sodoma, sendo Abraão conduzido com eles. Nesse momento,
Deus declarou: “Ocultarei eu a Abraão o que faço, visto que Abraão certamente
virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações
da terra?” (Gn 18.17,18).
Esse
episódio evidencia a intimidade e comunhão entre Deus e Abraão. Embora o Senhor
seja soberano e realize a sua vontade independentemente de prestar contas a
quem quer que seja, Ele, em sua graça, decide revelar parte de seus desígnios
aos seus servos. Ainda assim, nem tudo é revelado, pois a limitação humana
impede a compreensão plena dos mistérios divinos.
Deus
revelou esse plano a Abraão, mas não manifestou todas as coisas a outros
patriarcas, como Isaque e Jacó, que também eram herdeiros da promessa. Por
exemplo, quando Jacó se fez passar por Esaú, Deus não revelou o engano a
Isaque. Da mesma forma, Jacó não recebeu revelação acerca do que realmente
ocorrera com José, sendo levado a acreditar na versão apresentada por seus
filhos.
Nos
dias atuais, é necessário cuidado com atitudes presunçosas de pessoas que
afirmam possuir pleno conhecimento dos segredos de Deus. De fato, o Senhor
revela mistérios aos seus servos, e entre os dons espirituais mencionados em
Bíblia Sagrada estão a palavra da sabedoria, a palavra do conhecimento e o
discernimento de espíritos, classificados como dons de revelação. Contudo, isso
não significa que tudo será revelado. Há mistérios que somente conheceremos na
eternidade, enquanto outros pertencem exclusivamente a Deus.
2.
O pecado leva à destruição. Na Lição 2, vimos que,
devido à contenda entre os pastores de Abrão e de Ló, o patriarca entendeu que
seria melhor a separação, a fim de evitar conflitos. Por isso, deu a seu
sobrinho o direito de escolher a região onde desejaria habitar. Considerando apenas
os aspectos econômicos, Ló escolheu a campina do Jordão, estabelecendo-se nas
proximidades de Sodoma, sem atentar para o caráter moral de seus habitantes.
A
Bíblia descreve os moradores de Sodoma como extremamente perversos e pecadores
diante do Senhor. A violência e a imoralidade, especialmente de natureza
sexual, eram práticas comuns naquela cidade. A depravação era tão intensa que,
posteriormente, o termo “sodomia” passou a ser associado a tais práticas
pecaminosas.
Quando
os anjos do Senhor foram enviados para retirar Ló da cidade, visto que a sua
destruição era iminente, os homens de Sodoma cercaram a casa com a intenção de
abusar deles. Ló intercedeu para que não cometessem tal maldade, chegando,
equivocadamente, a oferecer suas próprias filhas. Contudo, os homens insistiram
em arrombar a porta, sendo necessário que os anjos os ferissem com cegueira,
impedindo assim a ação violenta.
À
luz da cronologia bíblica apresentada em Gênesis, desde a chamada de Abrão até
a destruição de Sodoma e Gomorra, é possível inferir que Ló tenha vivido cerca
de vinte anos naquela cidade. Provavelmente, sua esposa era natural daquele
lugar, o que ajuda a compreender o apego dela àquela sociedade
corrompida.
As
consequências espirituais foram evidentes em sua família: seus genros não
levaram a sério o aviso da destruição; sua esposa desobedeceu à ordem divina ao
olhar para trás, tornando-se uma estátua de sal; e, posteriormente, suas
filhas, influenciadas pelo ambiente em que viveram, praticaram atos moralmente
reprováveis com o próprio pai.
A
escolha equivocada de Ló traz uma importante lição aos pais de família,
advertindo-os quanto ao cuidado necessário em suas decisões. É imprescindível
refletir antes de optar por mudanças como residência, profissão, escola,
amizades ou relacionamentos.
Nenhum
êxito de ordem econômica ou profissional compensará os prejuízos causados à
vida espiritual e à integridade da família. Portanto, o crente deve buscar
direção divina em todas as áreas da vida, priorizando sempre os valores do
Reino de Deus acima de quaisquer interesses terrenos.
3.
A intercessão. Deus já havia determinado destruir aquelas
cidades, em razão do elevado nível de violência e degradação moral de seus
moradores. Entretanto, devido à comunhão que mantinha com Abraão, a quem a
Escritura apresenta como amigo de Deus, o Senhor decidiu revelar-lhe o seu
propósito.
Ao
tomar conhecimento do juízo divino sobre Sodoma e Gomorra, Abraão, movido por
preocupação com seu sobrinho Ló e sua família, colocou-se diante de Deus como
intercessor. Ele apelou ao caráter justo do Senhor, reconhecendo que Deus não
destruiria o justo com o ímpio.
Abraão,
então, perguntou se, havendo cinquenta justos na cidade, ela ainda seria
destruída. O Senhor respondeu que a pouparia por amor aos cinquenta. Contudo,
refletindo sobre a realidade daquele lugar, Abraão passou a reduzir o número,
chegando até dez justos. Deus afirmou que, por amor aos dez, não destruiria a
cidade.
Na
realidade, apenas Ló e suas filhas não haviam se corrompido completamente.
Ainda assim, após a destruição, observa-se que sua família apresentava
fragilidades morais. É possível que a convivência prolongada com o pecado de
Sodoma tenha influenciado negativamente seus valores. Apesar disso, o Novo
Testamento refere-se a ele como “o justo Ló” (2Pe 2.7).
Cabe
destacar que Ló, embora tenha convivido com Abraão, não demonstrou o mesmo
compromisso com a vida devocional, como o hábito de levantar altares e invocar
ao Senhor. Caso cultivasse tal prática, possivelmente teria tomado decisões
diferentes, preservando melhor a sua família.
A
intercessão consiste no ato de orar a Deus em favor de outras pessoas.
Diferencia-se de “interseção”, termo utilizado nas ciências exatas para indicar
o ponto de encontro entre linhas. No contexto espiritual, a intercessão é uma
prática indispensável na vida do crente, pois expressa amor, compaixão e fé na
justiça, bondade e misericórdia divina.
Deus
espera que nos coloquemos na brecha, intercedendo por nossa família, amigos,
colegas de trabalho, autoridades, enfermos e por aqueles que ainda não conhecem
o Evangelho, para que cheguem ao conhecimento da verdade. Contudo, é importante
lembrar que a intercessão não substitui a responsabilidade pessoal: aquilo que
nos compete fazer não será realizado por Deus em nosso lugar.
Ev. WELIANO PIRES
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