23 julho 2025

Os três tipos principais de pessoas que se afastam da Igreja

Imagem: Lucas Aquino

As pessoas se afastam da Igreja por motivos diferentes e, por isso, a maneira de abordá-las também deve ser diferente. Neste artigo, eu aponto três perfis de pessoas que podem se afastar da Igreja e como devemos proceder com cada uma delas.

O número de pessoas que se declaram cristãs evangélicas no Brasil é significativo e tem crescido nas últimas décadas. Segundo os dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de evangélicos entre a população de 10 anos ou mais passou de 21,7% em 2010 para 26,9% em 2022.


Por outro lado, também é expressivo o número de pessoas que se afastaram de nossas igrejas. Não me refiro àqueles que mudaram de ministério ou passaram a congregar em outra igreja, mas continuam servindo ao Senhor, e sim àqueles que deixaram de congregar e, em muitos casos, também se afastaram da comunhão com o povo de Deus.


É importante destacar que as pessoas se afastam da Igreja por motivos diferentes e, por isso, a maneira de abordá-las também deve ser diferente. Não podemos tratar da mesma forma alguém que caiu em pecado, mas deseja ser restaurado, e alguém que deliberadamente se rebelou contra Deus e contra a sua Palavra. Também precisamos ter cuidado para não rotular precipitadamente como apóstata alguém que está apenas atravessando um período de fraqueza espiritual.


Vejamos, portanto, três perfis de pessoas que podem se afastar da Igreja e como devemos proceder com cada uma delas.


1. Pessoas que caíram em pecado e se afastaram da Igreja


Há pessoas que, por falta de vigilância ou por fraqueza espiritual, acabam cedendo à tentação e pecando. Algumas delas, porém, continuam tementes a Deus, reconhecem o seu pecado, sentem necessidade de restauração e desejam voltar à comunhão, embora, muitas vezes, não tenham forças para dar esse passo sozinhas.


A Igreja deve acolher essas pessoas com amor, oração, aconselhamento e acompanhamento espiritual. A Palavra de Deus nos ensina a restaurar com espírito de mansidão aqueles que forem surpreendidos em alguma falta (Gl 6.1). Tiago também destaca a importância de alguém reconduzir o pecador do seu caminho errado (Tg 5.19,20).


Isso não significa tratar o pecado com tolerância ou ignorar a necessidade de arrependimento. A restauração bíblica envolve reconhecimento do pecado, arrependimento e mudança de vida (Pv 28.13; 1Jo 1.9). Contudo, a disciplina cristã deve ter como objetivo a restauração do pecador, e não simplesmente sua rejeição (2Co 2.6-8).


Por essas pessoas devemos orar, visitá-las, aconselhá-las e incentivá-las a retornar à comunhão da Igreja. O Senhor não despreza um coração quebrantado e contrito (Sl 51.17).


2. Pessoas que se afastaram por orgulho e rebeldia


Há também aqueles que se afastam não por terem simplesmente caído em pecado, mas porque alimentaram ressentimento, orgulho ou espírito de rebeldia. São pessoas que, em determinadas situações, desejam que a Igreja se ajuste às suas próprias conveniências e, quando suas vontades não são atendidas, passam a criticar a liderança, a igreja e, até mesmo, os princípios estabelecidos na Palavra de Deus.


Evidentemente, nem toda pessoa que deixa uma igreja é necessariamente rebelde. Existem situações legítimas que podem levar alguém a mudar de congregação. Quando, porém, há evidências claras de rebeldia deliberada, o caminho bíblico é a exortação e, quando necessário, a disciplina espiritual. Jesus ensinou que, diante de uma situação de pecado, devemos procurar a pessoa individualmente e, se necessário, seguir os demais passos estabelecidos por Ele (Mt 18.15-17).


Também devemos reconhecer que há momentos em que insistir em discussões pode ser improdutivo. A Bíblia nos exorta a evitar contendas e discussões insensatas (2Tm 2.23-25; Tt 3.9-11). Entretanto, isso não significa abandonar a pessoa ou considerá-la irremediavelmente perdida. Devemos continuar orando para que o Senhor opere em seu coração e a conduza ao arrependimento.


A mansidão, a oração e o bom testemunho são instrumentos importantes para lidar com pessoas que se encontram nessa condição.


3. Pessoas que abandonaram a fé e abraçaram falsas doutrinas


Há, ainda, pessoas que se afastam da Igreja e passam a rejeitar deliberadamente os fundamentos da fé cristã, abraçando falsas doutrinas, heresias ou ensinamentos incompatíveis com a Palavra de Deus. Em alguns casos, além de abandonar a verdade que anteriormente professavam, passam a combatê-la e a influenciar outras pessoas.


A Bíblia nos adverte seriamente acerca da apostasia e da necessidade de permanecermos firmes na fé (1Tm 4.1; 2Tm 4.3,4; Hb 3.12-14; 2Pe 2.20-22). Por isso, a Igreja deve ensinar sistematicamente a Palavra de Deus, para que os crentes não sejam levados por todo vento de doutrina (Ef 4.14).


Entretanto, precisamos fazer uma distinção importante: apostasia não é sinônimo de blasfêmia contra o Espírito Santo. Jesus ensinou que a blasfêmia contra o Espírito Santo é um pecado de natureza singular e afirmou que não há perdão para esse pecado (Mt 12.31,32; Mc 3.28-30). Portanto, não devemos afirmar que toda pessoa que abandona a fé cometeu o pecado imperdoável.


Da mesma forma, 1 João 5.16 fala acerca do “pecado para morte”, uma passagem que exige cautela em sua interpretação. O texto não nos autoriza a declarar, de maneira precipitada, que determinada pessoa está definitivamente sem possibilidade de arrependimento ou restauração.


Mesmo diante daqueles que se opõem à verdade, a orientação apostólica é que o servo do Senhor não seja contencioso, mas manso para com todos, apto para ensinar e paciente, corrigindo com mansidão os que resistem (2Tm 2.24,25). Nosso papel é proclamar a verdade, defender a sã doutrina e orar para que Deus conceda arrependimento e conhecimento da verdade.


Conclusão


O apóstolo Paulo advertiu: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1Co 10.12). O primeiro passo para permanecermos firmes é reconhecer nossa própria fragilidade e depender continuamente da graça e do poder de Deus.


A Igreja precisa trabalhar tanto na prevenção do afastamento quanto na restauração daqueles que se afastaram. Para isso, é necessário conhecer as pessoas, acompanhar suas vidas espirituais e compreender as circunstâncias que as levaram a deixar a comunhão.


Não devemos confundir uma pessoa fragilizada com uma pessoa rebelde, nem chamar precipitadamente de apóstata alguém que está atravessando uma crise espiritual. Ao mesmo tempo, não podemos tratar a rebeldia e o abandono deliberado da verdade como se fossem apenas momentos passageiros de fraqueza.


Precisamos de discernimento, conhecimento bíblico, oração, amor e firmeza doutrinária. A Igreja deve estar preparada para corrigir o que precisa ser corrigido, restaurar quem caiu, exortar quem está em erro e permanecer firme na defesa da verdade.


A parábola da ovelha perdida nos lembra que o coração do Bom Pastor é buscar aquele que se desviou (Mt 18.12-14; Lc 15.3-7). Portanto, enquanto houver oportunidade, devemos trabalhar pela restauração dos que se afastaram, sempre debaixo da autoridade da Palavra de Deus e com a esperança de que “aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados” (Tg 5.20).


Weliano Pires é ministro do Evangelho, bacharel em teologia, escritor, articulista, blogueiro evangélico e professor da Escola Dominical na Assembléia de Deus / Ministério do Belém, em São Carlos-SP.

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