30 janeiro 2026

A MISSÃO REDENTORA DO DEUS FILHO

(Comentário do 3º tópico da Lição 5: O Deus Filho)

No terceiro tópico, estudaremos a missão redentora do Deus Filho, tomando como referência o episódio da Transfiguração, registrado nos Evangelhos (Mt 17.1-9; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36). Esse acontecimento revela antecipadamente a glória de Cristo e confirma a sua centralidade no plano redentor de Deus.

1. O Filho como a revelação suprema do Pai. Na Transfiguração, a voz do Pai declarou: “Escutai-o” (Mt 17.5; Mc 9.7; Lc 9.35). Essa ordem divina evidencia que o Filho é a revelação suprema do Pai e que é a Ele que o povo de Deus deve ouvir. Moisés e Elias, representantes da Lei e dos Profetas, aparecem ao lado de Jesus, mas a voz do céu não aponta para eles; aponta exclusivamente para o Filho.

Ao longo da história, houve quem insistisse que a obediência à Lei mosaica fosse necessária para a salvação. No entanto, as Escrituras ensinam que Cristo é o cumprimento da Lei e que seus ritos e prescrições eram sombras das realidades futuras que se concretizariam nEle (Cl 2.17; Hb 10.1). Tudo o que estava prescrito na Lei apontava para Cristo e encontrou nEle o seu pleno cumprimento.

O autor da Epístola aos Hebreus afirma: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hb 1.1,2). Essa declaração confirma que a revelação divina alcança sua plenitude em Jesus Cristo, que manifesta de forma perfeita o caráter, a vontade e o propósito redentor do Pai.

A teologia cristã reconhece que Deus se revelou à humanidade de duas formas principais: a revelação geral e a revelação especial.

a) Revelação geral. A revelação geral ocorre quando Deus se manifesta a todos os seres humanos por meio da criação, que proclama a sua glória e o seu poder (Sl 19.1–4; Rm 1.19,20). Além disso, Deus também se revela por meio da consciência humana, capacitando cada pessoa a discernir, ainda que de forma limitada, entre o bem e o mal. Essa revelação torna a humanidade responsável diante de Deus, ainda que não seja suficiente para a salvação.

b) Revelação especial.  A revelação especial é a manifestação pela qual Deus torna possível um relacionamento pessoal e redentor com o ser humano. Inicialmente, Deus falou por meio dos profetas e dos escritores das Escrituras Sagradas, que, inspirados pelo Espírito Santo, transmitiram fielmente a sua Palavra. Contudo, essa revelação alcança seu ponto culminante na encarnação do Filho, que revelou de modo pleno e definitivo quem é o Pai e qual é a sua vontade salvadora.

Por essa razão, rejeitar o Filho equivale a rejeitar o próprio Deus, conforme ensina o apóstolo João: “Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho tem também o Pai” (1Jo 2.23). Cristo ocupa o centro da vontade divina e possui autoridade absoluta para ensinar e conduzir o ser humano à salvação.

2. A exclusividade do Filho na redenção. Após o desaparecimento de Moisés e Elias, os discípulos “ergueram os olhos e não viram ninguém, senão a Jesus” (Mt 17.8). Esse detalhe é teologicamente significativo, pois reforça que a salvação é concedida única e exclusivamente por meio de Cristo. Nenhum outro mediador ou caminho pode conduzir o ser humano à redenção (Jo 14.6; At 4.12).

A Lei e os Profetas cumpriram sua função pedagógica ao apontar para o Messias e vigoraram até João Batista. Com a vinda de Cristo, Deus estabeleceu uma Nova Aliança, tendo o Filho como o único Mediador entre Deus — absolutamente santo — e a humanidade pecadora.

O próprio Jesus declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Essa afirmação deixa claro que a salvação não é resultado de múltiplos caminhos espirituais, mas encontra-se exclusivamente na pessoa e na obra de Cristo. Fora dEle, não há possibilidade de reconciliação com Deus.

Essa mesma verdade foi proclamada pelo apóstolo Pedro diante das autoridades judaicas: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12).

O apóstolo Paulo reforça essa doutrina ao escrever a Timóteo: “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1Tm 2.5). Essa declaração reafirma a exclusividade da mediação do Deus Filho, que se fez homem para reconciliar a humanidade com Deus. Não existe, no céu, na terra ou em qualquer outra esfera, outro mediador que possa exercer essa obra redentora.

3. O impacto dessa revelação na vida dos discípulos. A experiência de contemplar o Cristo glorificado na Transfiguração produziu profundo fortalecimento espiritual em Pedro, Tiago e João. Esse episódio preparou-os para compreender que o Messias glorioso também deveria passar pelo sofrimento da cruz antes de entrar definitivamente em sua glória, fortalecendo-os para o ministério que exerceriam como líderes e colunas da Igreja Primitiva (At 2.42,43; 5.13).

Anos mais tarde, Pedro testemunhou essa experiência ao escrever: “Porque não vos fizemos saber o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas astuciosamente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade” (2Pe 1.16,17). O apóstolo deixa claro que sua fé estava fundamentada em um testemunho real e histórico da glória de Cristo.

Além da Transfiguração, os discípulos também viram Jesus ressuscitado durante quarenta dias e testemunharam a sua ascensão gloriosa aos céus. Tanto a revelação antecipada da glória de Cristo no monte quanto o testemunho ocular de sua ressurreição exerceram profundo impacto em suas vidas e ministérios. Por essa convicção, enfrentaram perseguições, sofrimentos e até a morte, certos de que não haviam crido em fábulas, mas na verdade revelada de Deus em Jesus Cristo.

Ev. WELIANO PIRES

29 janeiro 2026

A CENTRALIDADE DO DEUS FILHO

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 5: O Deus Filho)

No segundo tópico, estudaremos a centralidade do Deus Filho, tomando como referência o episódio da Transfiguração (Mt 17.1-9; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36). 

Inicialmente, abordaremos a glória sobrenatural de Jesus no Monte da Transfiguração, na presença de Moisés e Elias, contemplada pelos discípulos Pedro, Tiago e João.

Em seguida, trataremos do testemunho da Lei e dos profetas, representados, respectivamente, por Moisés e Elias.

Por fim, analisaremos a aprovação do Pai, manifestada pela voz que se fez ouvir aos discípulos: “Este é o meu Filho amado, a Ele escutai” (Mt 17.5; Mc 9.7; Lc 9.35).

1. A glória sobrenatural de Jesus. Jesus subiu ao monte da Transfiguração acompanhado de Pedro, Tiago e João, os apóstolos mais íntimos, que estiveram com Ele em momentos marcantes de Seu ministério terreno. Embora as Escrituras não identifiquem com precisão o monte onde ocorreu esse episódio, a tradição cristã, desde o século III, aponta o Monte Tabor, na Galileia, como o local do acontecimento. Essa identificação é mencionada por Orígenes, Cirilo de Jerusalém e Jerônimo.

Durante a Transfiguração, na presença de Moisés e Elias, os apóstolos contemplaram a glória sobrenatural de Jesus. Seu rosto resplandeceu como o sol, e Suas vestes tornaram-se brancas como a luz. Esse evento não foi apenas uma manifestação momentânea de poder, mas uma antecipação da glória futura que se revelaria plenamente após a ressurreição de Cristo, apontando também para a realidade do Reino de Deus em sua consumação final (Mt 17.2; Lc 9.29).

O termo glória, no Antigo Testamento, deriva do hebraico kavod, amplamente utilizado no judaísmo para expressar a presença manifesta de Deus ou o próprio Deus em ação. Já no Novo Testamento, o vocábulo grego correspondente é doxa, cujo significado envolve ideias como resplendor, poder, honra e majestade divina.

É comum, especialmente no meio cristão contemporâneo, a utilização da palavra “Shekinah” como sinônimo da glória de Deus. Todavia, é necessário esclarecer que esse termo não aparece nos textos bíblicos. Shekinah tem origem no Talmud, literatura judaica pós-bíblica que reúne comentários e discussões rabínicas sobre a Lei, a história e a tradição de Israel. Embora o conceito remeta à presença divina, a sua utilização não é bíblica.

No Novo Testamento, a glória divina encontra sua revelação máxima na pessoa de Jesus Cristo. No relato do nascimento do Salvador, o evangelista Lucas descreve que, enquanto os pastores vigiavam seus rebanhos, “eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; e tiveram grande temor” (Lc 2.9).

O escritor da Epístola aos Hebreus declara que Jesus é “o resplendor da glória [de Deus] e a expressa imagem da sua pessoa” (Hb 1.3). Dessa forma, Cristo não apenas reflete a glória divina, mas a manifesta plenamente à humanidade. O apóstolo João confirma essa verdade ao afirmar: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Ao assumir a natureza humana, o Senhor Jesus esvaziou-se de Sua glória, tomando a forma de servo, conforme ensina o apóstolo Paulo (Fp 2.7). Contudo, na Transfiguração, os discípulos tiveram um vislumbre dessa glória, sendo tomados de temor diante da revelação do Cristo glorificado. De modo semelhante, Saulo de Tarso teve um encontro com o Senhor ressurreto, e o resplendor de Sua glória foi tão intenso que o deixou cego por três dias (At 9.3,9).

Essa mesma glória é apresentada de forma ainda mais majestosa no livro do Apocalipse. O apóstolo João relata ter visto um Ser semelhante ao Filho do Homem, vestido com uma veste comprida e cingido com um cinto de ouro. Seus cabelos eram brancos como a neve, Seus pés reluziam como bronze polido, e Sua voz soava como o som de muitas águas. Diante de tamanha manifestação da glória divina, João, o discípulo que desfrutara de maior proximidade com Jesus durante Seu ministério terreno, caiu como morto diante dEle (Ap 1.17,18).

2. O testemunho da Lei e dos profetas. A presença de Moisés e Elias na Transfiguração, dois personagens amplamente respeitados no Antigo Pacto, confirma que Jesus veio cumprir a Lei e os Profetas, estabelecendo a Nova Aliança. Desse modo, a Transfiguração evidencia a continuidade e, ao mesmo tempo, o cumprimento das Escrituras, demonstrando que Cristo é o centro da história da salvação (Lc 9.31; Hb 1.1-2).

Moisés foi o grande libertador e legislador de Israel, aquele que recebeu do próprio Deus as tábuas da Lei. Sua autoridade era incontestável entre os judeus. Ao final de sua vida, Moisés anunciou que Deus levantaria um profeta semelhante a ele, a quem o povo deveria ouvir (Dt 18.15). Na Transfiguração, sua presença confirma que esse profeta prometido era Jesus, o Messias.

Elias, por sua vez, foi um dos profetas mais respeitados da história de Israel. Viveu em um período de profunda apostasia espiritual, durante os reinados de Acabe e de seu filho Acazias. Embora não tenha deixado escritos proféticos, Elias destacou-se como profeta oral, sendo poderosamente usado por Deus na realização de milagres e no confronto direto com reis ímpios e com a idolatria nacional.

A aparição de Moisés e Elias — personagens que os discípulos não conheceram pessoalmente — serviu como um testemunho inequívoco da Lei e dos Profetas de que Jesus veio estabelecer a Nova Aliança, da qual Ele é o único e suficiente Mediador. Após a vinda de Cristo em carne, a Antiga Aliança tornou-se obsoleta, não por ter falhado, mas porque foi plenamente cumprida nEle (Hb 8.13). Como será visto no próximo tópico, Jesus é o cumprimento final de tudo aquilo que a Lei e os Profetas anunciaram.

É importante esclarecer que a Transfiguração não se trata de necromancia ou de qualquer prática semelhante às sessões espíritas ensinadas pelo espiritismo. Em primeiro lugar, a Bíblia condena de forma explícita e categórica toda tentativa de comunicação com os mortos:

“Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor” (Dt 18.10-12).

Além disso, não houve qualquer tentativa de comunicação dos discípulos com Moisés e Elias. Quem dialogou com eles foi o próprio Jesus, que é Deus e Senhor tanto dos vivos quanto dos mortos. Não há qualquer indicação de manifestação espiritual independente, incorporação ou retorno à vida terrena.

Ademais, se o episódio fosse interpretado à luz da doutrina espírita da reencarnação, quem deveria ter aparecido seria João Batista, e não Elias, uma vez que o espiritismo sustenta que João teria sido a reencarnação do profeta Elias. Tal interpretação, porém, é estranha ao ensino bíblico e incompatível com o testemunho das Escrituras.

3. A aprovação do Pai. A voz do Pai manifestou-se em aprovação ao ministério de Jesus. Os discípulos ficaram maravilhados com o que viram e desejaram permanecer ali para sempre. Entretanto, uma nuvem veio e encobriu Moisés e Elias. Do meio da nuvem, ouviu-se uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado; a Ele escutai” (Mt 17.5; Mc 9.7; Lc 9.35). 

Essa nuvem representa a presença gloriosa de Deus, conforme ocorreu no deserto durante a peregrinação de Israel. Os discípulos conheciam as Escrituras e sabiam que uma coluna de nuvem guiava o povo durante o dia, e uma coluna de fogo, durante a noite. Deus falava com Moisés do meio da nuvem. Agora, eles ouviram a voz do próprio Deus, do meio da nuvem, afirmando que Jesus é o Filho de Deus e que a Ele deveriam obedecer.

O episódio da Transfiguração revela, de maneira clara, o caráter trinitário da revelação divina: o Pai fala do céu, o Filho é glorificado diante dos discípulos, e a nuvem, símbolo da glória divina, manifesta a presença de Deus. Assim como no batismo de Jesus, a Trindade se faz presente de forma inequívoca, confirmando a identidade e a missão do Messias.

A declaração do Pai autentica o ministério de Jesus e confirma a sua autoridade divina, da mesma forma que ocorreu no batismo, quando o Pai reconheceu publicamente o Filho (Mt 3.16-17; Mc 1.11; Lc 3.22). Diante disso, os discípulos — e a Igreja em todos os tempos — são chamados a reconhecer Jesus como o Filho amado de Deus e a obedecer fielmente à sua palavra, acima de qualquer outra voz ou autoridade

Ev. WELIANO PIRES 

28 janeiro 2026

A DIVINDADE DO FILHO

(Comentário do 1° tópico da Lição 5: O Deus Filho)

Neste primeiro tópico, estudaremos a divindade de Cristo, tomando por base a Sua concepção virginal e os Seus atributos divinos, os quais evidenciam a Sua plena divindade (Mt 1.18,23; Jo 1.1). 
1. A Concepção Virginal de Jesus. A concepção virginal de Jesus foi um ato miraculoso operado pelo Espírito Santo. Esse fato foi profetizado por Isaías cerca de setecentos anos antes do A concepção virginal de Jesus foi um ato sobrenatural realizado pelo Espírito Santo, sem intervenção humana. Tal evento não ocorreu de forma acidental, mas foi anunciado profeticamente séculos antes do nascimento de Cristo, confirmando o cumprimento das promessas messiânicas:
“Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.” (Is 7.14).
O evangelista Mateus, escrevendo especialmente aos judeus, identifica claramente o cumprimento dessa profecia na pessoa de Jesus Cristo:
“E tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, dizendo: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamarão o seu nome Emanuel, que traduzido é: Deus conosco.” (Mt 1.22,23).
Alguns judeus e teólogos liberais rejeitam a doutrina da concepção virginal, baseando-se em uma discussão linguística envolvendo os termos hebraicos ‘almah’ (jovem) e ‘betulah’ (virgem). Argumentam que Isaías teria se referido apenas a uma jovem, e não necessariamente a uma virgem.
Entretanto, embora ‘almah’ signifique uma jovem solteira, no Antigo Testamento essa palavra nunca se refere a uma mulher que não seja virgem. Além disso, a Septuaginta — tradução grega do Antigo Testamento, produzida por judeus séculos antes de Cristo — traduziu ‘almah’ pelo termo grego ‘parthenos’, que significa inequivocamente “virgem”. Isso demonstra que o entendimento judaico original reconhecia o caráter virginal da profecia.
A concepção virginal é uma doutrina bíblica fundamental, pois garante que Cristo assumiu a natureza humana sem herdar a natureza pecaminosa. Não se deve, contudo, confundir essa verdade com a doutrina da “virgindade perpétua de Maria”, ensinada pelo catolicismo romano. Maria era virgem quando concebeu Jesus, mas, posteriormente, teve vida conjugal com José e outros filhos (cf. Mt 13.55).
2. A deidade absoluta do Filho. 
Jesus Cristo é o Filho eterno de Deus e possui a mesma essência e substância do Pai (gr. homoousios). As Escrituras afirmam claramente essa verdade:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (Jo 1.1).
“Eu e o Pai somos um.” (Jo 10.30).
“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Cl 2.9).
“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas.” (Hb 1.3).
Ao encarnar-se, Jesus tornou-se verdadeiramente homem, sem jamais deixar de ser Deus. Após a ressurreição, Ele continuou sendo plenamente humano. Assim, Cristo possui duas naturezas — divina e humana — unidas em uma única pessoa, conforme ensina a cristologia bíblica histórica, em oposição às heresias cristológicas, como o nestorianismo.
Por ser verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e a humanidade:
“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (1Tm 2.5).
A Bíblia afirma de forma direta e inequívoca a divindade de Cristo:
“E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!” (Jo 20.28).
“Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” (1Jo 5.20).
3. Os atributos divinos de Jesus. 
A Bíblia ensina que Deus possui atributos incomunicáveis, isto é, qualidades exclusivas da divindade. Esses atributos também são atribuídos a Cristo, confirmando Sua plena divindade.
1. Imutabilidade. A imutabilidade é o atributo pelo qual Deus não muda em Sua essência, natureza ou perfeição. Essa característica é atribuída a Jesus Cristo:
“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” (Hb 13.8).
2. Eternidade. Deus é eterno, pois nunca teve princípio e jamais terá fim. Nunca houve um tempo em que Deus não existisse. Ele existe acima do tempo e não está sujeito às suas limitações. A Bíblia afirma que o Filho compartilha dessa eternidade: 
“E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” (Cl 1.17).
 “Pai da Eternidade.” (Is 9.6).
3. Onipotência. Deus é onipotente porque todo poder e autoridade pertencem a Ele. Não existe, nem jamais existirá, poder algum capaz de subjugá-Lo. Para Deus, nada é impossível. Este atributo também é atribuído a Cristo:
“Eu sou o Alfa e o Ômega… o Todo-Poderoso.” (Ap 1.8).
4. Onipresença. Deus é onipresente, pois está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. Esse atributo não deve ser confundido com o panteísmo, que ensina que Deus é tudo e tudo é Deus. A onipresença afirma que Deus está em toda parte, sem se confundir com a criação. A Bíblia nos mostra claramente que Jesus é onipresente:
“E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação do mundo.” (Mt 28.20).
5. Onisciência. Deus é onisciente, pois Ele conhece plenamente todas as coisas, visíveis e invisíveis, passadas, presentes e futuras, em todos os lugares do universo. A Bíblia também nos mostra que Jesus é onisciente, pois Ele conhece pensamentos e mistérios que somente Deus conhece:
“Porque ele bem sabia o que havia no homem.” (Jo 2.25).
6. Autoexistência. Deus não foi criado e existe por Si mesmo. Ele é absolutamente autossuficiente, não dependendo de nada nem de ninguém fora de Si para existir ou subsistir. Jesus Cristo, o Filho de Deus também possui este atributo:
“Assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo.” (Jo 5.26).
Ev. WELIANO PIRES

27 janeiro 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 5: O DEUS FILHO

Data: 1 de fevereiro de 2026

TEXTO ÁUREO:

“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; escutai-o.” (Mt 17.5b).

VERDADE PRÁTICA:

Jesus Cristo, o Deus Filho, é a revelação plena do Pai, centro da revelação divina e único mediador entre Deus e os homens.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Lucas 1.31,32,34,35; Mateus 17.1-8.

OBJETIVOS DA LIÇÃO:

I) Explicar a concepção virginal e a deidade absoluta de Jesus; 

II) Mostrar a centralidade de Cristo como cumprimento da Lei e dos Profetas; 

III) Enfatizar a exclusividade de Cristo como único mediador e salvador.

Palavra-Chave: CRISTO

A palavra “Cristo” é a transliteração do termo grego Christós, substantivo derivado do verbo chríō, que significa ungir, isto é, derramar óleo sobre uma pessoa ou objeto, consagrando-o para um serviço ou finalidade específica. Desse modo, Christós significa “Ungido” (cf. Lc 4.18; At 10.38).

Em referência a Jesus, esse título aparece frequentemente precedido do artigo definido ho (ὁ), formando a expressão “O Cristo”, o que indica não apenas um ungido entre outros, mas o Ungido exclusivo e prometido por Deus (cf. Mt 16.16; Jo 1.41).

No Antigo Testamento, o termo correspondente ao grego Christós é o hebraico Mashíach (Messias), que também significa “ungido”. Aplicado a Jesus, esse título aparece acompanhado do artigo definido ha, resultando na expressão Yeshua Ha Mashíach (Jesus, o Messias), destacando sua identidade messiânica prometida nas Escrituras (cf. Sl 2.2; Dn 9.25).

A unção, no Antigo Testamento, era determinada por Deus e aplicada exclusivamente a três ofícios específicos:

  • Reis (cf. 1Sm 16.13),
  • Profetas (cf. 1Rs 19.16),
  • Sacerdotes (cf. Êx 29.7).

No Novo Testamento, Jesus foi ungido pelo Espírito Santo (cf. Mt 3.16; At 10.38) e cumpriu de maneira plena e perfeita esses três ofícios:

  • Rei, governando com justiça e autoridade (cf. Ap 19.16);
  • Profeta, revelando plenamente a vontade de Deus (cf. Dt 18.15; At 3.22);
  • Sumo Sacerdote, oferecendo a si mesmo como sacrifício perfeito e eterno (cf. Hb 4.14; 9.11–12).

O evangelista Mateus, escrevendo especialmente ao público judeu, demonstrou por meio do cumprimento das profecias do Antigo Testamento que Jesus é o Ha Mashíach, o Ungido prometido a Israel, em quem se cumprem as promessas messiânicas (cf. Mt 1.1; 1.22–23; 2.4–6). 

INTRODUÇÃO 

Dando continuidade ao estudo da doutrina da Santíssima Trindade, nesta lição iniciaremos o segundo bloco deste trimestre, que trata da Pessoa e obra do Filho de Deus. Esta é a primeira de três lições sobre a Pessoa do Filho: O Deus Filho, O Filho como o Verbo de Deus e A Obra do Filho.

Com base nos relatos do anúncio do nascimento de Jesus, e do episódio da transfiguração, falaremos da divindade de Jesus, da centralidade de Cristo e da sua missão redentora. Jesus Cristo é o Filho Unigênito de Deus, que sempre existiu e possui a mesma essência e natureza do Pai. Por amor à humanidade e obediência voluntária ao Pai, Ele esvaziou-se da Sua glória e se fez humano. Mas nunca deixou de ser Deus. 

TÓPICOS DA LIÇÃO 

I. A DIVINDADE DO FILHO

Neste primeiro tópico, estudaremos a divindade de Cristo, tomando por base a Sua concepção virginal e os Seus atributos divinos, os quais evidenciam a Sua plena divindade (Mt 1.18,23; Jo 1.1).

Inicialmente, abordaremos a concepção virginal de Jesus como um ato miraculoso operado pelo Espírito Santo. Esse fato foi profetizado por Isaías cerca de setecentos anos antes do nascimento de Cristo, demonstrando o cumprimento das profecias messiânicas (Is 7.14; Mt 1.18-25; Lc 1.26-35).

Em seguida, trataremos da deidade absoluta do Filho, demonstrando que Ele é o Filho eterno de Deus, da mesma essência do Pai, conforme revelam as Escrituras (Jo 1.1,2; Jo 10.30; Cl 2.9; Hb 1.3).

Por fim, veremos que Jesus possui os atributos incomunicáveis de Deus, isto é, aquelas características exclusivas da Divindade. Esses atributos confirmam, de maneira clara e bíblica, a natureza plenamente divina do Filho de Deus.

II. A CENTRALIDADE DO DEUS FILHO

No segundo tópico, estudaremos a centralidade do Deus Filho, tomando como referência o episódio da Transfiguração (Mt 17.1-9; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36).

Inicialmente, abordaremos a glória sobrenatural de Jesus no Monte da Transfiguração, na presença de Moisés e Elias, contemplada pelos discípulos Pedro, Tiago e João. O Seu rosto resplandeceu como o sol, e Suas vestes tornaram-se brancas como a luz. Esse evento prenunciava a glória futura que se manifestaria plenamente após a ressurreição de Cristo (Mt 17.2; Lc 9.29).

Em seguida, trataremos do testemunho da Lei e dos profetas, representados, respectivamente, por Moisés e Elias. A presença desses personagens, altamente respeitados no Antigo Pacto, serviu como confirmação de que Jesus veio cumprir a Lei e os profetas, estabelecendo a Nova Aliança (Lc 9.31; Hb 1.1-2).

Por fim, analisaremos a aprovação do Pai, manifestada pela voz que se fez ouvir aos discípulos: “Este é o meu Filho amado, a Ele escutai” (Mt 17.5; Mc 9.7; Lc 9.35). Essa declaração autentica o ministério de Jesus e confirma Sua autoridade divina, da mesma forma que ocorrera no batismo, quando o Pai reconheceu publicamente o Filho (Mt 3.16-17; Mc 1.11; Lc 3.22).

III. A MISSÃO REDENTORA DO DEUS FILHO

No terceiro tópico, estudaremos a missão redentora do Deus Filho, tomando como referência o episódio da Transfiguração (Mt 17.1-9; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36).

Inicialmente, destacaremos o Filho como a revelação suprema do Pai. A voz do Pai que ordenou: “A Ele escutai” (Mt 17.5; Mc 9.7; Lc 9.35) confirma que Jesus é a plena manifestação de Deus e que é somente a Ele que devemos dar ouvidos. Assim, o Filho se apresenta como o centro da vontade divina e a autoridade máxima para ensinar e conduzir à salvação.

Em seguida, trataremos da exclusividade do Filho na redenção. Após Moisés e Elias desaparecerem, os discípulos “ergueram os olhos e não viram ninguém, senão a Jesus” (Mt 17.8). Esse detalhe evidencia que a salvação é única e exclusivamente por meio de Cristo, reforçando que nenhum outro mediador ou caminho é capaz de trazer redenção (Jo 14.6; At 4.12).

Por fim, analisaremos o impacto dessa revelação na vida dos discípulos. A experiência de contemplar o Cristo glorificado trouxe grande aprendizado e fortalecimento a Pedro, Tiago e João, preparando-os para o ministério que exerceriam como líderes e colunas da Igreja Primitiva (At 2.42-43; At 5.13).

Ev. WELIANO PIRES
AD BELÉM / SÃO CARLOS, SP.


26 janeiro 2026

DEUS FILHO

(SUBSÍDIO DA REVISTA ENSINADOR CRISTÃO/CPAD)

Nesta lição, veremos que no Filho habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 2.9). Ele é a revelação plena do Pai que se manifestou em carne sem abandonar a natureza divina. Assim, Ele é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5,6). Por isso, os estudiosos declaram que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Essa doutrina é conhecida como união hipostática. Para compreendermos melhor esse aspecto importante da Cristologia, precisamos nos ater às características de Jesus, tanto as que evidenciam Sua natureza humana quanto as que ratificam Sua natureza divina em Sua única Pessoa.

De acordo com a Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal, editada pela CPAD, “O ensino bíblico aceca da humanidade de Jesus revela-nos que, na encarnação, Ele tornou-se plenamente humano em todas as áreas da vida, menos na prática de um eventual pecado. [...] Jesus era capaz de sentir em profundidade as emoções humanas. Conforme vemos nos evangelhos, Ele sentia dor, tristeza, alegria e esperança. Assim acontecia porque Ele compartilhava conosco a realidade da alma humana. [...] Os escritores do Novo Testamento atribuem divindade a Jesus em vários textos importantes. Em João 1.1, Jesus, como o Verbo existia como o próprio Deus. É difícil imaginar uma afirmação mais clara do que esta acerca da divindade de Cristo. [...] As informações do Novo Testamento a respeito desse assunto levam-nos a reconhecer que Jesus não deixou de ser Deus durante a encarnação. Pelo contrário, abriu mão apenas do exercício independente dos atributos divinos. Ele ainda era plena Deidade no seu próprio ser, mas cumpriu o que parece ter sido imposto pela encarnação: limitações humanas reais, não artificiais” (2021, pp.325-327).

Isto posto, conhecer as especificidades dessa doutrina é imprescindível para que tenhamos a compreensão de que a fé cristã está centralizada no Filho de Deus, aquEle que possui em Sua Pessoa os atributos divinos e humanos em plena harmonia. Qualquer ensinamento que nega as naturezas divina e humana na Pessoa de Jesus é falso e, portanto, deve ser rejeitado. Cristo é e sempre será Deus. Ele próprio, por meio de Sua morte, nos abriu um novo e vivo caminho que nos leva ao Santo dos Santos para que possamos desfrutar da comunhão plena com o Criador (Hb 10.19-22). Devemos reconhecer Seu senhorio, pois o Pai exaltou-O como Senhor e lhe concedeu um nome que é sobre todo nome (Fp 2.9-11).

24 janeiro 2026

A Experiência do Amor do Pai

(Comentário do 3º tópico da Lição 4: A paternidade divina)

No terceiro tópico, trataremos da experiência do amor do Pai. Inicialmente, compreenderemos que o amor do Pai é aperfeiçoado no crente. Essa obra é realizada pelo Espírito Santo, mediante a nossa comunhão com Deus e a obediência à Sua Palavra.

Veremos também que o amor é a marca distintiva dos filhos de Deus. É por meio do amor que somos reconhecidos como discípulos de Jesus. Quando nos amamos uns aos outros, o mundo vê em nós a manifestação do amor de Deus.

Por último, aprenderemos que fomos amados primeiro pelo Pai. Isso significa que Deus nos amou quando ainda estávamos em nosso pior estado, sendo nós pecadores, sem quaisquer méritos ou iniciativa de nossa parte. Foi Ele quem tomou a iniciativa de nos amar e nos buscar para a salvação.

1. O amor é aperfeiçoado no crente.

Na Lição 2, ao estudarmos a Pessoa do Pai, abordamos dois tipos de atributos divinos: incomunicáveis e comunicáveis. Os atributos comunicáveis são qualidades de Deus que, de forma limitada, são compartilhadas com Suas criaturas.

Dentre esses atributos, o amor ocupa lugar de destaque, pois faz parte da essência de Deus. A Escritura declara:

“Deus é amor” (1Jo 4.8),

e evidencia que o amor não é apenas uma característica divina, mas a expressão do próprio ser de Deus.

Todo ser humano foi criado com capacidade de amar. Contudo, em decorrência da Queda, essa capacidade encontra-se profundamente comprometida. O homem, em seu estado natural, tende ao egoísmo e é incapaz de manifestar um amor pleno, sacrificial e desinteressado, conforme o padrão divino.

Essa realidade é transformada quando recebemos Cristo como Salvador. O Espírito Santo passa a habitar no crente, operando a regeneração espiritual e produzindo nele as virtudes do Fruto do Espírito, conforme Paulo ensina:

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22).

O amor é a principal dessas virtudes, pois serve de fundamento para todas as demais. É o Espírito Santo, que é Deus, quem aperfeiçoa a nossa capacidade de amar de forma verdadeira, profunda e constante, visto que esse amor procede do próprio Deus.

Por si mesmo, o ser humano não consegue expressar o amor segundo o padrão divino. O amor do mundo é limitado, condicional e frequentemente marcado pelo interesse próprio. Em contraste, o amor de Deus é derramado nos corações dos crentes pelo Espírito Santo (Rm 5.5), capacitando-os a viver de modo que glorifique a Deus e edifique o próximo.

2. O amor é a marca dos filhos de Deus. A principal marca de um filho de Deus é a manifestação do amor divino. Aqueles que foram adotados como filhos de Deus e receberam o Espírito Santo naturalmente evidenciam esse amor em suas atitudes e no modo de viver.

Jesus explicou aos Seus discípulos:

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.35).

João complementa:

“Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: qualquer que não pratica a justiça e não ama a seu irmão não é de Deus” (1Jo 3.10).

“Ninguém jamais viu a Deus; se nós amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor” (1Jo 4.12).

Embora a ortodoxia doutrinária seja indispensável, a identificação como filhos de Deus não ocorre apenas pelo que pregamos, mas pela evidência prática do amor a Deus e ao próximo, fruto da ação do Espírito Santo.

Paulo, em 1 Coríntios 13, destaca a supremacia do amor, colocando-o acima dos dons espirituais, da fé, da filantropia e até do martírio. Ele conclui:

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (1Co 13.13).

Essas três virtudes são chamadas de teologais, pois procedem de Deus e têm nEle a sua origem. São inseparáveis e interdependentes: onde há fé e esperança genuínas, o amor também se manifesta, evidenciando a vida transformada em Cristo.

3. Fomos amados primeiro. Amamos porque Deus nos amou primeiro. Quando amamos, não há mérito algum em nós; é apenas uma resposta de gratidão ao amor incomparável e incondicional de Deus. Nosso amor não nasce de nossos esforços, mas da iniciativa divina.

Deus nos amou mesmo quando estávamos em nosso pior estado, na condição de pecadores e inimigos. Paulo escreve:

“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).

João reforça essa verdade:

“Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19).

Segundo o comentário da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal (CPAD, p. 1788):

“O amor de Deus é a fonte de todo o amor humano, e se espalha como o fogo. Ao amar os seus filhos, Deus acende uma chama em seus corações. Estes, por sua vez, amam os outros, que são então aquecidos pelo amor de Deus.”

Por ter nos amado sem merecimento e por nos oferecer o maior presente — Seu Filho unigênito para nossa salvação — Deus espera que sejamos gratos e manifestemos esse amor ao próximo, inclusive àqueles que nos fazem mal. Assim, o amor recebido de Deus se torna visível em atitudes de obediência, misericórdia e serviço ao próximo.

Ev. WELIANO PIRES

 

23 janeiro 2026

RECONHECENDO A PATERNIDADE DO PAI

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 4: A Paternidade Divina)

No segundo tópico, trataremos do reconhecimento da paternidade do Pai. Abordaremos a confissão de Jesus Cristo como o Filho de Deus, destacando-a como um ato central da fé cristã. Aquele que nega essa verdade bíblica não tem acesso ao Pai, pois o único meio de chegar a Ele é por meio do Filho, conforme ensinam as Escrituras (Jo 14.6; At 4.12; 1 Tm 2.5).

Em seguida, refletiremos sobre a perfeição do amor do Pai. O amor é parte essencial da natureza de Deus e se manifesta de forma sacrificial, visto que Ele entregou o Seu Filho para a nossa salvação e nos adotou como filhos. Nenhum poder nem circunstância deste mundo pode romper esse amor ou nos separar dele (Rm 8.38,39).

Por fim, trataremos das bênçãos da filiação divina. O amor do Pai lança fora todo o temor do juízo, pois já não somos inimigos de Deus nem estamos sujeitos à condenação eterna. Em Cristo, somos livres, amados por Deus e habitados pelo Espírito Santo, que nos assegura nossa nova condição de filhos (Rm 8.15,16; 1 Jo 4.18).

1. Confessar a Cristo como Filho. Confessar que Jesus é o Filho de Deus é indispensável para que se tenha um relacionamento com Deus. A respeito dessa verdade, o apóstolo João escreveu:

“Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus” (1Jo 4.15).

A palavra grega traduzida por “confessar”, nesse texto, é homologeō, formada pelos termos homou (juntamente, em concordância) e lógos (palavra, discurso). Assim, o verbo expressa 

a ideia de reconhecer publicamente, concordar plenamente, declarar ou admitir algo de modo aberto e consciente. Do termo grego homologeō deriva a palavra portuguesa “homologar”, que significa reconhecer oficialmente.

Confessar que Jesus é o Filho de Deus implica reconhecer a sua plena divindade. Tal confissão, contudo, não procede da sabedoria humana, mas é resultado da revelação concedida pelo Espírito Santo, que ilumina o entendimento do crente para reconhecer essa verdade (cf. Mt 16.16,17).

Negar essa doutrina fundamental impede o acesso ao Pai, pois Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e a humanidade. Dessa forma, qualquer pessoa ou sistema religioso que negue a divindade de Cristo encontra-se separado de Deus, conforme afirma o apóstolo João:

“Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai” (1Jo 2.23).

2. A perfeição do amor do Pai. Após destacar a necessidade de confessar Jesus como o Filho de Deus como condição indispensável para um relacionamento verdadeiro com Deus, o apóstolo João apresenta o amor como parte essencial da natureza divina. Deus não apenas manifesta amor; Ele é amor:

“E nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus, nele” (1 Jo 4.16).

No primeiro tópico da lição anterior, vimos que o envio do Filho pelo Pai constitui a mais sublime expressão do Seu amor. O amor de Deus pela humanidade é incondicional em sua oferta, pois Ele amou pecadores que não mereciam ser amados e que não tinham como retribuir tal amor. Esse amor não foi motivado por qualquer mérito humano. Deus não viu “algo de bom” no ser humano para então decidir amá-lo; antes, por Sua soberana graça, tomou a iniciativa de amar e prover a salvação.

O comentarista apresenta, ainda, outras características desse amor. Ele é sacrificial, visto que Deus enviou o Seu Filho Unigênito para morrer em favor dos pecadores (Jo 3.16). Foi também por esse amor que Deus nos adotou como filhos, concedendo-nos, mediante a fé em Cristo, a posição e os direitos de filhos legítimos (1 Jo 3.1). Deus ama a todos de forma geral, desejando que todos se salvem, mas ama de modo especial aqueles que recebem a Cristo e permanecem em comunhão com Ele (Jo 14.21; 16.27).

O amor de Deus é igualmente firme e poderoso. Nenhuma força criada, nem quaisquer circunstâncias deste mundo, têm poder para nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Rm 8.38,39). Contudo, à luz da doutrina bíblica da responsabilidade humana, é possível ao crente afastar-se voluntariamente desse relacionamento, rejeitando o amor de Deus por meio da desobediência e da incredulidade. A comunhão é mantida enquanto permanecemos em Cristo. Se o deixarmos, Ele nos deixará, conforme adverte a Escritura:

“O Senhor está convosco, enquanto vós estais com ele; e, se o buscardes, o achareis; porém, se o deixardes, vos deixará” (2 Cr 15.2).

3. As bênçãos da filiação divina. Neste ponto, o comentarista apresenta a principal bênção da filiação divina: a plena confiança em Deus e a ausência do medo do Seu juízo, conforme ensina o texto de 1 João 4.17:

“Nisto é perfeito o amor para conosco, para que, no Dia do Juízo, tenhamos confiança”.

Antes de sermos adotados como filhos de Deus, mediante a fé em Cristo, éramos, por natureza, filhos da ira e inimigos de Deus. Pesava contra nós uma sentença de condenação eterna, pois o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Todavia, sendo justificados pela fé em Cristo, temos paz com Deus (Rm 5.1), e nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1).

Nesse sentido, Jesus Cristo exerce, em favor dos crentes, o ministério de Advogado perante o Pai (1Jo 2.1), assegurando-nos perdão, reconciliação e segurança espiritual. Tal verdade não anula o fato de que Ele é também o Juiz estabelecido por Deus, mas destaca que, para os que creem, o juízo já foi tratado na cruz.

Outra bênção da filiação divina é a habitação do Espírito Santo no crente. Essa bênção é concedida exclusivamente aos que são feitos filhos de Deus por meio da fé em Cristo. Jesus prometeu enviar o Consolador para permanecer para sempre com os Seus, deixando claro que o mundo não pode recebê-lo, por não O ver nem O conhecer (Jo 14.17). A presença do Espírito Santo confirma a nossa adoção e nos capacita a viver segundo a vontade de Deus.

Por fim, a filiação divina, por adoção, nos confere o direito às bênçãos celestiais, especialmente à vida eterna com Deus. Somente os filhos de Deus herdarão a vida eterna em Sua presença. Aqueles que rejeitam a Cristo não são adotados como filhos e, consequentemente, permanecerão separados de Deus por toda a eternidade.

A doutrina da filiação divina deve produzir no crente uma vida marcada pela confiança, pela gratidão e pela santidade. Saber que somos filhos de Deus nos leva a viver sem medo da condenação, com plena dependência do Pai e compromisso diário com uma vida que glorifique o Seu nome.

Ev. WELIANO PIRES 

22 janeiro 2026

A REVELAÇÃO DA PATERNIDADE DO PAI

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 4: A Paternidade Divina) 

Neste primeiro tópico, trataremos da revelação da paternidade de Deus, o Pai. Inicialmente, analisaremos o conceito bíblico da paternidade do Pai, reconhecendo-o como a fonte de todas as coisas, que opera por meio do Filho e do Espírito Santo. 

Em seguida, veremos que a paternidade de Deus é eterna, pois não tem origem no tempo. Nunca houve um momento em que Ele tenha se tornado Pai. O Pai sempre existiu em comunhão com o Filho e o Espírito Santo. Devemos rejeitar qualquer ideia de que a paternidade divina tenha um começo ou que esteja condicionada à criação.

Observaremos, ainda, que o Pai gerou o Filho. Essa geração, contudo, não significa criação, visto que, assim como o Pai, o Filho é eterno e autoexistente. O termo “gerado” expressa uma relação eterna dentro da Trindade, e não um início no tempo.

Por fim, abordaremos a concessão do Espírito Santo, que procede do Pai e é enviado pelo Filho. Isso também não implica que o Espírito Santo tenha sido criado ou que seja inferior ao Pai e ao Filho, pois Ele é igualmente eterno e plenamente Deus.

1. Definição da paternidade do Pai. A palavra “pai” na Bíblia, em hebraico, é ’ab, termo que deu origem a diversos nomes próprios, como Abel, Absalão, Abigail, Abisai, Abias, entre outros. Em aramaico, o termo correspondente é ’abba, que expressa uma relação íntima e pessoal entre pai e filho. No Novo Testamento, esse conceito geralmente aparece associado ao termo grego patḗr, equivalente ao hebraico ’ab.

O termo hebraico ’ab refere-se àquele de quem algo ou alguém procede, não apenas no sentido biológico, mas também como fonte, origem ou referência de uma família, de um povo, de uma ideia ou de uma tradição. Assim, pode designar um mestre, protetor, provedor ou até mesmo uma identidade espiritual ou moral. Exemplos disso são expressões como: filhos da sabedoria, filhos das trevas, filhos de Belial, entre outras.

Conforme explicado na definição da palavra-chave desta lição, a paternidade de Deus é distinta da paternidade humana. Deus não é Pai por gerar biologicamente, pois Ele é espírito e não possui corpo. Sua paternidade deve ser compreendida em termos espirituais, relacionais e ontológicos, e não físicos.

No livro de Jó, os anjos são chamados de “filhos de Deus”:

“Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles.” (Jó 1.6)

Nesse contexto, Deus é Pai dos anjos porque Ele os criou. Da mesma forma, Deus pode ser chamado Pai de toda a humanidade, tanto pela criação quanto pela provisão. O próprio Senhor Jesus ensinou que o Pai celestial alimenta as aves do céu e veste os lírios do campo, demonstrando Seu cuidado providencial. Esse cuidado se estende a todos os seres humanos, justos e injustos, pois Deus faz nascer o sol e enviar a chuva sobre todos (Mt 5.45).

Deus é também o Pai de Jesus Cristo de forma eterna e única, por natureza. Nesse sentido, Cristo é o Filho Unigênito (monogenḗs) de Deus, isto é, o Filho eternamente gerado, e não criado, pelo Pai. Portanto, não há outro Filho de Deus nesse mesmo sentido essencial e eterno, conforme será aprofundado nos próximos subtópicos.

Por fim, a Bíblia ensina que Deus é Pai daqueles que recebem a Cristo como Senhor e Salvador, não por natureza, mas por adoção:

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome.” (Jo 1.12)

2. A paternidade eterna do Pai. Quando falamos da paternidade eterna de Deus, significa que Ele é Pai eternamente, não por um ato que Ele tenha feito no tempo, mas por natureza. Da mesma forma, o Filho Unigênito de Deus é Filho desde a eternidade, pois Ele também nunca teve princípio. 

Diferente do que ensinava o Arianismo, nunca houve um tempo em que Deus não era Pai e que o Filho não existia. Deus nunca se tornou Pai, Ele sempre foi Pai em toda a eternidade. Da mesma forma, o Espírito Santo sempre foi Espírito. 

A paternidade de Deus também não significa que haja hierarquia entre as pessoas da Trindade ou que um seja superior e mais importante que os outros. Trata-se de um Único Deus, que subsiste eternamente em três pessoas. Deus é pai desde a eternidade, porque o Filho sempre existiu e não se tornou Filho de Deus em um determinado tempo. 

3. O Pai gerou o Filho. Da forma que o comentarista colocou no título: “O Pai gerou o Filho”, fica a impressão de que o pai deu origem ao Filho em algum momento, exatamente como ensinava o Arianismo, embora no comentário ele afirma que “a geração do Filho não implica criação; Ele sempre existiu com o Pai, com a mesma essência. A afirmação correta seria: O Filho é gerado do Pai, pois Ele é eterno e nunca teve princípio. 

O Credo Niceno-Constantinopolitano, formulado nos Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla (381), afirma sobre o Filho:

“Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não criado, consubstancial ao Pai; por meio dele todas as coisas foram feitas.”

O Filho de Deus é gerado do Pai eternamente. Ele é gerado do Pai, e não foi gerado, e esta geração não implica criação. Ele sempre existiu com o Pai, possuindo a mesma essência. Por isso, a afirmação correta é: “O Filho é gerado do Pai, pois Ele é eterno e nunca teve princípio.”

O professor Tiago Rosas explica [veja o vídeo aqui] que há três sentidos possíveis para a geração do Filho:

a) Natureza divina. O Credo de Atanásio afirma:

“O Filho não é feito, nem criado, mas eternamente gerado.”

Isso significa que o Filho é da mesma natureza do Pai. Neste sentido, diz-se corretamente que o Filho é “gerado do Pai” e não “gerado pelo Pai”, enfatizando a eternidade e a igualdade da divindade.

b) Encarnação. Na encarnação, Jesus foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria:

“O que nela foi gerado é do Espírito Santo.” (Mateus 1:20).

É importante destacar que, neste caso, foi gerado Jesus como homem, e não o Filho eterno. Por isso, a Igreja Católica incorre em erro ao chamar Maria de “Mãe de Deus”, pois ela é mãe de Jesus como homem, e não do Filho eterno. Como Deus, Jesus é eterno e Criador de Maria.

c) Exaltação. Após a ressurreição, Jesus foi declarado Filho pelo Pai, coroado como Rei dos reis e recebeu um Nome que está acima de todo nome. É a esta geração que se refere o Salmo 2.7:

“Tu és meu Filho; hoje te gerei.” (Sl 2:7).

Neste contexto, “gerar” não significa início da existência do Filho, mas declaração pública, entronização e investidura messiânica. O apóstolo Paulo interpreta o texto desta forma:

“E nós vos anunciamos que a promessa que foi feita aos pais, Deus a cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus; como também está escrito no salmo segundo: ‘Meu Filho és tu, hoje te gerei’.” (Atos 13:32-33). 

O Filho é eternamente gerado do Pai em sua divindade, gerado pelo Espírito Santo na encarnação como homem, e declarado Filho em sua exaltação após a ressurreição, cumprindo o Salmo 2.7 como investidura messiânica.

4. O Pai nos concede o Espírito. Também é preciso ter cuidado com o termo “origem” em relação ao Espírito Santo. Dizer que o Espírito Santo tem origem no Pai não significa que Ele foi criado ou que teve um começo no tempo. Refere-se, sim, a uma relação eterna dentro da Trindade, pois, assim como o Pai e o Filho, o Espírito Santo também é eterno, visto que Ele é Deus (At 5.3-4).

O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, no sentido de que Ele vem da parte do Pai, enviado pelo Filho:

“Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, esse dará testemunho de mim.” (Jo 15.26)

O verbo “proceder” (do grego ekporeuetai) indica origem relacional e não significa que o Espírito Santo teve começo no tempo. Assim como “gerar” em relação ao Filho de Deus não significa que Ele teve princípio, a procedência do Espírito Santo descreve a relação eterna dentro da Trindade. 

Ev. WELIANO PIRES 

21 janeiro 2026

INTRODUÇÃO LIÇÃO 4: A PATERNIDADE DIVINA

TEXTO ÁUREO:

“E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.” (1Jo 4.14).

VERDADE PRÁTICA:

A paternidade de Deus é revelada no envio do Filho e na concessão do Espírito, confirmando nossa filiação e aperfeiçoando-nos no amor.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: 1 João 4.13-16.

Objetivos da Lição: 

I) Compreender que a paternidade de Deus é eterna e inseparável de sua natureza; 

II) Reconhecer que confessar a Cristo como Filho é evidência de filiação divina; 

III) Aplicar os princípios do amor do Pai como base para a vida cristã.

Palavra-Chave: Paternidade 

A palavra paternidade deriva do latim paternĭtas e refere-se à condição daquele que gera ou possui filho(s). Tradicionalmente, o termo aplica-se ao homem, enquanto, no caso da mulher, utiliza-se a expressão maternidade. Contudo, a paternidade não se limita ao aspecto biológico, pois aquele que adota um filho também exerce, de forma legítima, a paternidade.

No contexto desta lição, o termo paternidade é aplicado a Deus e deve ser compreendido de maneira distinta da paternidade humana. Deus é Pai de Jesus Cristo eternamente, por natureza. Nesse sentido, Cristo é o Filho único (monogenēs) de Deus, isto é, o Filho eternamente gerado — e não criado — pelo Pai.

Em sentido figurado, o inventor ou idealizador de uma obra é considerado seu “pai”, como se diz: o pai de todos os que tocam harpa e flauta, o pai da aviação, o pai da psicanálise, o pai da escrita, entre outros. À luz desse entendimento, Deus é Pai de todos os seres humanos e dos anjos, por tê-los criado. No Antigo Testamento, Deus é apresentado como Pai da criação, conforme lemos em Deuteronômio 32.6:

“Recompensais assim ao Senhor, povo louco e ignorante? Não é ele teu Pai que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?”

Deus é Pai também por adoção. Nesse sentido, Ele é Pai apenas daqueles que creem em Cristo, conforme testificam as Escrituras:

“Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12).

“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5).

INTRODUÇÃO 

Estamos na quarta lição deste trimestre, cujo tema central é A Doutrina da Santíssima Trindade: o Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Conforme sugerido no plano de aula da revista do professor, convém fazermos uma breve recapitulação das lições já estudadas, a fim de consolidarmos o aprendizado.

Na primeira lição, tivemos uma introdução geral ao tema do trimestre, intitulada O Mistério da Santíssima Trindade. Estudamos o conceito da Doutrina da Trindade e o seu sólido fundamento bíblico, tomando como exemplo o batismo de Jesus. Destacamos, ainda, a distinção e a unidade das Pessoas da Santíssima Trindade e, por fim, ressaltamos a importância dessa doutrina para a fé cristã.

Na segunda lição, iniciamos o estudo da Pessoa de Deus Pai. Abordamos a sua identidade, revelação e pessoa, conforme testemunham as Escrituras. Vimos que o Pai foi revelado em Cristo, pois ninguém pode conhecê-lo senão por meio do Filho. Consideramos também os atributos de Deus Pai, conforme revelados na Bíblia, destacando que eles se dividem em dois grupos: os atributos incomunicáveis, exclusivos da divindade, e os atributos comunicáveis, que dizem respeito às perfeições morais de Deus, compartilhadas, em certa medida, com as suas criaturas.

Na terceira lição, estudamos o envio do Filho Unigênito de Deus ao mundo, segundo o propósito eterno do Pai. Compreendemos que esse envio constitui a mais profunda demonstração do amor divino. Refletimos, ainda, sobre a expressão paulina “na plenitude dos tempos”, que indica que a encarnação do Filho ocorreu no tempo determinado por Deus, sem atraso nem antecipação. Por fim, analisamos a atuação das Pessoas da Santíssima Trindade no plano da salvação: a vontade do Pai foi plenamente cumprida pelo Filho, o único Mediador entre Deus e os homens, e o Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho, convence o ser humano do pecado, da justiça e do juízo.

Nesta quarta lição, trataremos da paternidade divina. Deus revela a sua paternidade por meio do envio do seu Filho Unigênito ao mundo, para salvar a humanidade perdida, e pela concessão do Espírito Santo. Essa paternidade, entretanto, não teve início no tempo, mas é eterna, pois Deus é eterno e imutável. As três Pessoas divinas coexistem eternamente e compartilham da mesma natureza. Portanto, não devemos incorrer no erro de pensar que o Pai deu origem ao Filho e ao Espírito Santo, nem de supor que estes sejam inferiores ao Pai.

TÓPICOS DA LIÇÃO 

I. A REVELAÇÃO DA PATERNIDADE DO PAI

Neste primeiro tópico, trataremos da revelação da paternidade de Deus, o Pai. Inicialmente, analisaremos o conceito bíblico da paternidade do Pai, reconhecendo-o como a fonte de todas as coisas, que opera por meio do Filho e do Espírito Santo. 

Em seguida, veremos que a paternidade de Deus é eterna, pois não tem origem no tempo. Nunca houve um momento em que Ele tenha se tornado Pai. O Pai sempre existiu em comunhão com o Filho e o Espírito Santo. Devemos rejeitar qualquer ideia de que a paternidade divina tenha um começo ou que esteja condicionada à criação.

Observaremos, ainda, que o Pai gerou o Filho. Essa geração, contudo, não significa criação, visto que, assim como o Pai, o Filho é eterno e autoexistente. O termo “gerado” expressa uma relação eterna dentro da Trindade, e não um início no tempo.

Por fim, abordaremos a concessão do Espírito Santo, que procede do Pai e é enviado pelo Filho. Isso também não implica que o Espírito Santo tenha sido criado ou que seja inferior ao Pai e ao Filho, pois Ele é igualmente eterno e plenamente Deus.

II. RECONHECENDO A PATERNIDADE DO PAI

No segundo tópico, trataremos do reconhecimento da paternidade do Pai. Abordaremos a confissão de Jesus Cristo como o Filho de Deus, destacando-a como um ato central da fé cristã. Aquele que nega essa verdade bíblica não tem acesso ao Pai, pois o único meio de chegar a Ele é por meio do Filho, conforme ensinam as Escrituras (Jo 14.6; At 4.12; 1 Tm 2.5).

Em seguida, refletiremos sobre a perfeição do amor do Pai. O amor é parte essencial da natureza de Deus e se manifesta de forma sacrificial, visto que Ele entregou o Seu Filho para a nossa salvação e nos adotou como filhos. Nenhum poder nem circunstância deste mundo pode romper esse amor ou nos separar dele (Rm 8.38,39).

Por fim, trataremos das bênçãos da filiação divina. O amor do Pai lança fora todo o temor do juízo, pois já não somos inimigos de Deus nem estamos sujeitos à condenação eterna. Em Cristo, somos livres, amados por Deus e habitados pelo Espírito Santo, que nos assegura nossa nova condição de filhos (Rm 8.15,16; 1 Jo 4.18).

III. A EXPERIÊNCIA DO AMOR DO PAI

No terceiro tópico, trataremos da experiência do amor do Pai. Inicialmente, compreendemos que o amor do Pai é aperfeiçoado no crente. Essa obra é realizada pelo Espírito Santo, mediante a nossa comunhão com Deus e a obediência à Sua Palavra.

Veremos também que o amor é a marca distintiva dos filhos de Deus. É por meio do amor que somos reconhecidos como discípulos de Jesus. Quando nos amamos uns aos outros, o mundo vê em nós a manifestação do amor de Deus.

Por último, aprenderemos que fomos amados primeiro pelo Pai. Isso significa que Deus nos amou quando ainda estávamos em nosso pior estado, sendo nós pecadores, sem quaisquer méritos ou movimento em Sua direção da nossa parte. Foi Ele quem tomou a iniciativa de nos amar e nos buscar para a salvação.

Ev. WELIANO PIRES 

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 6: O FILHO COMO O VERBO DE DEUS

 Data: 8 de fevereiro de 2026 TEXTO ÁUREO “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do P...