24 março 2025

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 13: PERSEVERANDO NA FÉ EM CRISTO

Ev. WELIANO PIRES

Com a ajuda do Espírito Santo, chegamos ao final de mais um trimestre de estudos bíblicos, em nossa Escola Bíblica Dominical. O tema deste trimestre foi Apologética Cristã, ou defesa da fé. Ao longo deste trimestre, em cada lição, apresentamos uma doutrina bíblica e os fundamentos bíblicos para esta doutrina. Na sequência apresentamos as heresias do passado contra cada uma destas doutrinas e as respectivas respostas bíblicas contra estes falsos ensinos. Por fim, apresentamos as formas em que estes enganos se manifestam na atualidade, com novas roupagens. 


Nesta última lição, como conclusão do trimestre, falaremos da necessidade de perseverança nas doutrinas bíblicas que abraçamos. É muito importante esclarecer que o verdadeiro Cristianismo tem a Bíblia como único manual de doutrina e prática. Não podemos jamais basear a nossa fé em escritos humanos, ou em profecias e revelações, fora das Escrituras. Quando falamos em perseverança, no contexto desta lição, nos referimos à persistência em seguir a Bíblia Sagrada, como autoridade suprema para a nossa vida cristã. 


No primeiro tópico, veremos que é preciso perseverar diante das heresias. Inicialmente, falaremos dos falsos mestres mencionados por Paulo nas duas Epístolas a Timóteo, que eram os gnósticos e os judaizantes. Na sequência, falaremos da experiência do apóstolo Paulo nas perseguições, vindas dos judeus e dos falsos irmãos. Falaremos também do significado do verbo “querer” usado por Paulo, quando disse: “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm 3.12). Por último, falaremos das características dos enganadores, mencionados por Paulo em 2 Timóteo 2.13.


No segundo tópico, falaremos da recomendação de Paulo a Timóteo para permanecer naquilo que aprendeu: aprendendo, sendo inteirado e sabendo. Inicialmente, responderemos à pergunta: De quem Timóteo aprendeu as Sagradas Letras? O comentarista apresenta uma boa exegese do pronome relativo, “de quem”, usado pelo apóstolo Paulo. Na sequência, falaremos da recomendação para que Timóteo permaneça firme nas Sagradas Letras, lembrando-se de quem foram os seus instrutores. Por fim, veremos que a Bíblia é divinamente inspirada e apresentaremos o significado da inspiração divina das Escrituras.


No terceiro tópico, falaremos da importância de termos a Bíblia como fundamento. Falaremos da autoridade dos apóstolos do Novo Testamento, considerando que os seus escritos são colocados no mesmo nível das Escrituras do Antigo Testamento. Na sequência, falaremos da abrangência do termo “Escrituras” na Bíblia, que não se limita ao Antigo Testamento. Por último, falaremos da Bíblia como o manual de Deus, a qual é “proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça”, qualquer pessoa, para toda boa obra. 


REFERÊNCIAS: 

SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025. 
Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, Ed. 100, 2025, p. 42.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2013, pp.1715.
Bíblia de Estudo Apologia Cristã. 1ª Edição. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2017, p.1930

PERSEVERANDO NA FÉ EM CRISTO


(Subsídio da Revista Ensinador Cristão /CPAD 

A Bíblia Sagrada é o nosso único manual e regra de fé e prática. É por meio dela que ajustamos a nossa conduta de acordo com a vontade de Deus. Ao longo da história, muitas religiões têm se apropriado indevidamente da Bíblia para fundamentar suas ideias erradas, bem como suas heresias. Só existe uma forma de refutar essa adulteração da verdade, a saber, mostrando apologeticamente que estes grupos estão interpretando de forma equivocada as Sagradas Escrituras.


A heresia, como bem sabemos, é fruto da escolha pelo erro. Diga-se de passagem, muitos erros interpretativos da Bíblia são o resultado de interpretações particulares que conduziram à formação de seitas. A Palavra de Deus, entretanto, não é de particular interpretação, como afirma o apóstolo Pedro. A profecia foi produzida a partir de homens santos que falaram inspirados pelo Espírito Santo (2Pe 1.20, 21). A Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global (CPAD) discorre que “o que Pedro afirma nesses trechos sobre a origem e a autoridade da profecia (que vieram de Deus) registrada na Bíblia Sagrada é verdadeiro a respeito de todas as coisas que constam em sua Palavra escrita: ‘homens santos [da parte] de Deus falaram [e escreveram à medida que eram] inspirados pelo Espírito Santo’. Os crentes devem manter uma visão forte e intransigente das Escrituras Sagradas em termos de inspiração (isto é, não devem abrir mão do fato de elas terem sido dadas diretamente por Deus através de pessoas guiadas pelo Espírito Santo, e segundo a escolha de Deus) e autoridade (isto é, ela é completamente confiável, está apoiada por evidências sólidas e por uma autoridade estabelecida). [...] Sem uma forte visão da Sagrada Escritura, as pessoas não reconhecem a plena autoridade e o ensino da Bíblia. Como resultado, a sua fé será fraca e a Bíblia será substituída pela experiência religiosa subjetiva (isto é, estará sempre mudando, com base na pessoa ou na situação) ou pela razão humana, que é crítica e falha (2.1-3).” (2022, p.2367).


Tendo como verdade que as Escrituras Sagradas fornecem o “Norte” para que tenhamos uma vida espiritual conforme a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.1,2), faz-se necessário defender a sua autoridade em matéria de fé e prática. Os crentes observam os ensinamentos sagrados não como um livro de filosofia, e sim como a ética que norteia o seu estilo de vida e o testemunho cristão. Por essa razão, devemos observá-la continuamente para preservar na fé.

22 março 2025

A QUESTÃO ATUAL

(Comentário do 3º tópico da Lição 12: A Igreja tem uma natureza organizacional). 

Ev. WELIANO PIRES 

No terceiro tópico, falaremos da necessidade de organização da Igreja nos dias atuais. Inicialmente falaremos da Igreja como organismo e como organização, mostrando que um não exclui o outro. Na sequência falaremos da experiência do Movimento Pentecostal, que surgiu em um contexto de contestação da Igreja como organização, mas, pouco tempo depois, alguns viram a necessidade de se organizar para evitar o crescimento desordenado. Por último, falaremos da necessidade que a Igreja tem de se organizar, para cumprir a sua missão, tomando como exemplo a história da Assembléia de Deus. 

1. Organismo e organização. Este subtópico ficou um pouco desconexo no início. Isso vem acontecendo bastante neste trimestre, provavelmente, no momento de resumir o que está no livro de apoio, para o texto da revista. O texto diz: “A ideia é de que a igreja deve se restringir a um local onde as pessoas se reúnem para adorar a Deus, estudar a Palavra, pregar o evangelho, orar e celebrar as ordenanças eclesiásticas.” De qual idéia ele está falando? Não ficou muito claro, pelo menos para mim, pelo texto da revista, o que o comentarista quis dizer aqui. É possível que ele esteja falando da ideia da Igreja como organização. 

Conforme falamos no tópico anterior, embora a Igreja não existisse como pessoa jurídica no primeiro século, pois isso ainda não existia, ela trazia características de uma organização. Havia lideranças, reuniões de obreiros, concílio de pastores para debater questões doutrinárias, arrecadação de ofertas, diáconos, missionários, cartas de recomendação, disciplina, envio de obreiros, etc. Não é possível realizar tudo isso, se não houver uma organização com funções estabelecidas, mesmo não sendo uma organização registrada oficialmente. 

A institucionalização da Igreja não foi algo que aconteceu de uma vez, como muitos imaginam. Aos poucos, conforme as mudanças ocorriam na sociedade, surgia a necessidade da Igreja também se organizar para atender às demandas dos seus membros e se adequar às transformações da sociedade. Nos primeiros anos após o Pentecostes, os cristãos frequentavam o templo judaico e as sinagogas. Com as perseguições dos judeus, passaram a se reunir apenas nas casas. Tudo o que havia de liderança eram os apóstolos, mas estes se dedicavam apenas à oração e ao ensino da Palavra. 

Com o crescimento vertiginoso do números de cristãos, foram surgindo outros problemas e necessidades de resolvê-los, como no caso das viúvas dos gentios, que foram deixadas de lado e houve murmuração. Deste problema, surgiu a necessidade da Igreja instituir os diáconos (At 6.1-4). Depois, com as viagens missionárias de Barnabé e Paulo, as novas Igrejas implantadas tinham outros formatos de liderança como os bispos e presbíteros (At 14.23). Em Atos 15, vemos a necessidade da Igreja realizar um concílio para discutir questões doutrinárias, que contou com a participação dos apóstolos e anciãos (presbíteros). 

Com a conversão do imperador Constantino, cessaram as perseguições e o Cristianismo se tornou a religião oficial do império. A partir daí, muitas mudanças ocorreram na Igreja, de acordo com as necessidades e as mudanças ocorridas no mundo. A Igreja de Roma reivindicou para si a primazia e acabaram criando a figura do Papa. A Igreja romana acabou se misturando ao estado e se tornou poderosa. Isso trouxe o desvirtuamento do papel da Igreja e houve muitos abusos de autoridade. 

Claro que sempre houve cristãos que se posicionaram contra, mas foram perseguidos e até mortos. Isso perdurou por muitos séculos, até o período da Reforma Protestante. Depois da Reforma, os reformadores adotaram o seu próprio modelo de instituição, de acordo com o seu entendimento da Bíblia. Mas ainda trouxeram muita coisa do Catolicismo neste aspecto. Os reformadores se dividiram entre si, quanto à forma batismal, o significado da Ceia do Senhor e a forma de governo eclesiástico. Por isso, surgiram muitas denominações, conforme o entendimento de cada líder nestas questões. 

A organização da Igreja como vimos até aqui é indispensável, pois nada desorganizado funciona. É preciso haver liderança, unidade doutrinária, planejamento de ações, distribuição de atividades, arrecadação e administração dos recursos, etc. Sem isso, nenhum movimento se sustenta. Atualmente, a organização de uma Igreja não é apenas uma questão opcional. A própria legislação brasileira exige que uma Igreja tenha CNPJ e alvará de funcionamento. Para isso, precisa ter o seu estatuto e os responsáveis pela administração da Igreja. 

2. A experiência pentecostal. A Reforma Protestante se espalhou por vários países e, com isso, surgiram as chamadas Igrejas Protestantes, que romperam com o Catolicismo Romano. Os anos foram passando e as Igrejas Protestantes, como eram lideradas por homens falíveis, enquanto organização, também tinham os seus problemas institucionais. Surgiram, então, vários movimentos dentro delas, como o Puritanismo, o Movimento da Santidade ou Movimento Holiness, entre outros. Neste contexto, havia um clima de descontentamento e contestação às denominações. O Movimento Pentecostal surgiu neste contexto. 

Charles Fox Parham (1873–1929), pastor metodista e pregador americano, considerado um dos principais pioneiros do pentecostalismo moderno, tinha uma posição antidenominacionalista. Em 1895, ele rompeu com a Igreja Metodista e iniciou um movimento de estudos bíblicos, chamado Missão da Fé Apostólica (Apostolic Faith Mission). Um dos seus alunos, William Seymour, iniciou o Movimento Pentecostal da Rua Azuza, em Los Angeles e partir daí, vários missionários saíram pelo mundo pregando a mensagem pentecostal. Os primeiros missionários pentecostais também não viam com bons olhos a Igreja como uma instituição. 

3. É necessário organizar. No final de 1910, dois jovens suecos que viviam nos Estados Unidos, que eram ligados à Igreja Batista dos Estados Unidos, aderiram ao Movimento Pentecostal e vieram ao Brasil como missionários independentes, sem serem enviados pela Igreja. Inicialmente, procuraram a Igreja Batista de Belém/PA e foram congregar lá. Entretanto, a sua fé na atualidade dos dons espirituais incomodou a liderança da Igreja e eles foram expulsos com outros 19 irmãos, que concordaram com a pregação deles. 

A partir desta expulsão, começaram a realizar cultos na casa da irmã Celina de Albuquerque, que foi a primeira brasileira a receber o batismo no Espírito Santo. O novo trabalho iniciado recebeu o nome de Missão da Fé Apostólica, o mesmo nome do Movimento Pentecostal dos Estados Unidos. 

O avanço do Movimento Pentecostal nos Estados Unidos com o sentimento antidenominacionista de Charles Fox Parham e de outros pentecostais, trouxe vários problemas ao Movimento, entre eles o Unicismo. Por conta disso, os pentecostais entenderam que era o momento de rever este modelo e realizaram o Concílio das Assembléias de Deus nos Estados Unidos, que resultou na primeira declaração de fé, em 1917. 

No Brasil, os missionários seguiram a mesma linha e em 1918, adotaram o nome Assembléia de Deus, seguindo o modelo americano. A chama pentecostal se espalhou pelo Brasil a partir do Pará, chegou ao Nordeste e alcançou as outras regiões do Brasil. Neste período, a liderança da Igreja permaneceu com os missionários suecos. Mas havia um movimento de pastores brasileiros que desejavam que houvesse maior participação dos obreiros nacionais. A partir daí, em 1930, foi criada a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil e a liderança da Igreja foi passada aos pastores brasileiros. 


REFERÊNCIAS:
SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025. 
Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, Ed. 100, 2025, p. 42.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2013, pp.1718,1719, 1720, 1721.
GONÇALVES, José: O Corpo de Cristo: Origem, Natureza e a Vocação da Igreja no Mundo. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2023.


20 março 2025

A INSTITUCIONALIDADE BÍBLICA DA IGREJA

(Comentário do 2º tópico da Lição 12: A Igreja tem uma natureza organizacional)

Ev. WELIANO PIRES

No segundo tópico, falaremos da institucionalidade da Igreja no Novo Testamento. Primeiro analisaremos o teor das instruções paulinas a Tito para a Igreja de Creta. Na sequência, falaremos do aspecto institucional da Igreja. Por último, falaremos da organização da Igreja  Primitiva. No Novo Testamento há várias evidências de que a Igreja era organizada e não tinha nada de anarquia como ensina o movimento dos desigrejados.

1. A instrução paulina. A pequena Epístola de Paulo a Tito possui apenas três capítulos e foi escrita, provavelmente, entre a primeira e a segunda epístola a Timóteo, entre os anos 63 e 66 d.C. Esta Epístola escrita pelo veterano apóstolo dos gentios a um jovem pastor, por quem ele tinha muita afinidade, vai muito além da orientação para a estruturação ministerial nas igrejas da Ilha de Creta, conforme colocou o comentarista. 


A prática de estabelecer presbíteros nas cidades já era rotineira em todas as igrejas estabelecidas por Paulo e sua equipe missionária. Podemos constatar isso, por exemplo, no texto de Atos 14.23: “E, havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido”. Paulo relembra a Tito, a razão de tê-lo deixado em Creta, que era colocar as coisas em ordem. Para isso, Tito deveria estabelecer presbíteros em cada cidade. 


O apóstolo colocou para Tito os critérios e as qualificações para a escolha desses presbíteros, que são praticamente os mesmos que falou para Timóteo: Ser irrepreensível, marido de uma mulher, ter filhos fiéis, não soberbo, não iracundo, não dado ao vinho, não espancador, nem cobiçoso de torpe ganância. Tais exigências reforçam a importância deste ministério e a necessidade da liderança das igrejas fazer uma análise rigorosa no perfil dos candidatos ao presbitério. 


Não sabemos ao certo quando surgiu o presbitério na Igreja Primitiva. Mas, ele estava presente nas Igrejas de Jerusalém, Antioquia, Listra e Icônio, nos relatos de Atos dos apóstolos e participava das discussões e decisões da liderança da Igreja junto com os apóstolos. O presbitério da Igreja Primitiva formava uma espécie de conselho ou assembléia que deliberava junto com os apóstolos, sobre assuntos doutrinários, éticos e administrativos da Igreja. (At 15.2,6,9-11; At 16.4). Eles faziam o papel exercido hoje pelos pastores e evangelistas nas convenções, no caso das Assembléias de Deus.


No capítulo 2, Paulo prescreve a Tito, exortações para várias classes de pessoas: homens e mulheres idosos, mulheres novas e jovens, servos e senhores. Em seguida, ele recomenda que Tito seja o exemplo, nas boas obras, na linguagem e na doutrina. Não basta ao pastor trazer orientações à igreja que ele lidera, o povo precisa ver nele o exemplo. A filosofia que diz: “faça o que eu digo, mas não o que eu faço” não funciona na Igreja, pois ela é o retrato da hipocrisia. 


Ainda no capítulo 2, o apóstolo falou sobre a Graça de Deus, que se manifestou e trouxe salvação a todos. Tito precisava ensinar à Igreja a Doutrina da Salvação, que é fruto da Graça de Deus e não vem de obras ou méritos humanos, como ensinavam os judaizantes. Entretanto esta graça não pode ser usada como justificativa para permanecer no pecado. Na continuidade deste texto, ele disse que “devemos renunciar à impiedade e às concupiscências mundanas, e viver neste presente século sóbria, justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo”. 


No capítulo 3, o apóstolo traz várias exortações a Tito: Sujeição às autoridades; ser bom cidadão e cumpridor dos seus deveres; não entrar em questões loucas e evitar os hereges, após a repreensão. Por fim, envia saudações dos irmãos que estão com ele e se despede. Apesar de pequena, a Epístola a Tito discorre sobre temas variados, trazendo exortações importantes ao jovem pastor. 


É muito importante que a liderança de um ministério tenha o cuidado de preparar os obreiros mais novos, dando-lhes as orientações de como proceder em seu campo de trabalho. Além de dar as orientações, é importante fiscalizar para ver se elas são realmente cumpridas. Os obreiros, por sua vez, devem obedecer à liderança da Igreja, pois quem não obedece, não merece ser obedecido e é um péssimo exemplo para a igreja. Eu já conheci obreiros que cobravam obediência da congregação a ele, mas não obedeciam às determinações da Igreja Sede. 


2. Igreja como instituição. Em sua dimensão universal e invisível, a Igreja é formada por todos os cristãos regenerados que estão em todos os lugares e por aqueles que já estão também na glória (Hb 12.23), não se limitando somente à dimensão terrena. Neste aspecto, ela é um organismo vivo e não uma organização. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, comparou a Igreja ao corpo humano e disse, metaforicamente, que a Igreja é o corpo de Cristo. “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também… Ora, vós sois o Corpo de Cristo e seus membros em particular.” (1 Co 12.1,27).


A Igreja fundada por Jesus é um organismo vivo e, nesse sentido, ela é formada por todos os salvos que nasceram de novo, é liderada por Ele e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16.18). Como um organismo, a Igreja de Jesus é única e não precisa de CNPJ, endereço, estatuto, líderes humanos, ou espaço físico. Ela é formada por todos os salvos de qualquer denominação, lugar ou época. Como organismo, a Igreja é representada como o corpo de Cristo, sendo Ele próprio a cabeça (I Co 12.27; Ef 4.12).


3. Organização. Organização, no contexto em que estamos falando aqui, é a forma como um sistema se organiza, para alcançar os atingir os seus objetivos e cumprir a sua missão. Em toda organização há vários setores e funções, que são diferentes e há uma estrutura administrativa para planejar, distribuir as atividades e controlar os recursos. 


Em dimensão local, a Igreja está relacionada ao local ou ao espaço geográfico. Neste aspecto, ela pode ser vista e sentida. Neste aspecto, a Igreja é uma organização que existe como pessoa jurídica, em um determinado local. É dirigida por homens e tem as suas particularidades, costumes e normas. A Igreja, mesmo sendo um organismo, precisa se organizar para cumprir a sua missão neste mundo. 


Na atualidade, há um movimento nocivo que tem crescido assustadoramente, que é o movimento dos desigrejados. Os adeptos deste movimento se dizem cristãos, mas não estão ligados a nenhuma Igreja. Procuram desqualificar a Igreja local e negam a sua necessidade. Os desigrejados são contrários à Igreja como organização, alegando que a Igreja Primitiva se reunia nas casas e não era institucionalizada.


De fato, a Igreja nos primeiros séculos não possuía templos, porque vivia sob intensa perseguição tanto dos judeus quanto do Império romano. Também não era uma pessoa jurídica, porque naquela época não existiam instituições formais como hoje. Entretanto, isso não significa que não era uma organização. A Igreja tinha a sua liderança formada por apóstolos, profetas, evangelistas, presbíteros, diáconos, pastores e mestres (Ef 4.11; At 6.1-6; At 14.23; At 20.28; Hb 13.17). Tinha o seu código doutrinário (At 2.42-47) e disciplinar (1 Pe 3.5,6; 2 Ts 3.6).


No Novo Testamento, podemos perceber claramente, que a Igreja era também uma organização, formada por pessoas diferentes, que formavam uma comunidade local para adorar a Deus e pregar o Evangelho. A Igreja Primitiva começou em Jerusalém, sob a liderança dos apóstolos. Os mais proeminentes entre eles, eram Pedro e João (At 8.14; Gl 2.7). Depois, Tiago, o irmão do Senhor, exerceu papel importante na liderança da Igreja em Jerusalém, dirigindo, inclusive, o primeiro concílio da Igreja (At 15. 13).


Nas Igrejas fundadas por Paulo também havia lideranças estabelecidas. Em todas estas comunidades havia presbíteros e diáconos. Havia também a doutrina dos apóstolos (At 2.42-47); autoridades na Igreja para julgar as causas entre os irmãos (I Co 6.5); Presbíteros que lideravam as Igrejas locais (I Ts 5.12; I Tm 5.17; Tt 1.5). O mesmo acontecia nas Igrejas da Ásia, onde cada uma tinha o seu líder, que recebeu a respectiva carta do Senhor Jesus, através de João. 


Evidentemente, a organização da Igreja dos tempos bíblicos era diferente do que é hoje, como todas as organizações sociais o são. Naquela época, não existia democracia ou estado de direito. O mundo em que os apóstolos viviam era dominado pelo império romano que era extremamente hostil ao Cristianismo. Os cristãos foram duramente perseguidos pelos romanos. Muitos cristãos foram crucificados, decapitados, jogados às feras famintas e queimados vivos. Não dá para imaginar, que em um ambiente assim, seria possível os cristãos terem templos para se reunir. 


REFERÊNCIAS:


SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025. 

Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, Ed. 100, 2025, p. 42.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2013, pp.1718,1719, 1720, 1721.

GONÇALVES, José: O Corpo de Cristo: Origem, Natureza e a Vocação da Igreja no Mundo. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2023.


TITO E AS IGREJAS NA ILHA DE CRETA

(Comentário do 1º tópico da Lição 12: A Igreja tem uma natureza organizacional)

Ev. WELIANO PIRES
 

No primeiro tópico, falaremos de Tito e as Igrejas da Ilha de Creta. Apresentaremos algumas informações biográficas de Tito, que era um filho na fé do apóstolo Paulo e seu companheiro fiel no ministério. Veremos que o apóstolo Paulo colocou Tito como pastor da Ilha de Creta, para que ele organizasse as coisas por lá e estabelecesse presbíteros em cada cidade. Por fim, falaremos da Igreja de Creta e dos principais problemas existentes ali, razão pela qual o apóstolo Paulo deixou Tito lá. 

1. Tito (v.4). Temos pouquíssimas informações biográficas sobre Tito no Novo Testamento. Sabemos que ele foi filho na fé e um  dos mais fiéis companheiros de ministério do apóstolo Paulo. Entretanto, diferente de outros companheiros como Barnabé, Silas, Apolo e Timóteo, Tito sequer é mencionado no Livro de Atos dos Apóstolos, onde estão os relatos das viagens missionárias de Paulo. 

As informações que temos sobre Tito estão nas Epístolas do apóstolo Paulo. Tito é mencionado nas epístolas de 2 Coríntios, Gálatas, 2 Timóteo e Tito. Sabemos que ele era gentio, pois ele viajou com Paulo para Jerusalém e participou de uma reunião de obreiros para discutir a questão dos judaizantes. No capítulo 2, da Epístola aos Gálatas, Paulo descreve esta reunião e diz que Tito sendo grego (gentio) não foi constrangido a ser circuncidado. 

Tito também era um obreiro de extrema confiança do apóstolo Paulo. Podemos chegar a esta conclusão a partir do texto de 2 Coríntios 8.8-10, que nos informa que ele foi encarregado de supervisionar as arrecadações de ofertas para os necessitados. Tito tinha habilidade como líder cristão para resolver conflitos e organizar a Igreja. Por isso, foi designado pelo apóstolo Paulo para missões importantes em Corinto, Creta e Dalmácia, nas duas primeiras, em situações muito difíceis. 

Paulo tinha um carinho especial por Tito e sempre fazia elogios a ele em suas cartas, referindo-se a ele como meu companheiro e cooperador (2 Co 8.23); meu verdadeiro filho segundo a fé (Tt 1.4); meu irmão Tito (2 Co 2.13); e foi consolado com a chegada de Tito (2Co 6.7). Felizes são os pastores que podem contar com um obreiro com o perfil de Tito. Obreiro fiel, dedicado à obra de Deus e conciliador. 

2. O pastor de Creta (v.5). Tito foi constituído pastor na Ilha de Creta pelo apóstolo Paulo, com objetivos específicos: “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros”. (Tt 1.5). Nada sabemos sobre as circunstâncias em que a Igreja foi estabelecida em Creta, pois não temos relatos sobre isso no Livro de Atos, nem nas Epístolas Paulinas. Entretanto, pela preocupação e conhecimento de Paulo sobre a situação da Igreja, podemos deduzir que ele foi o fundador desta Igreja, ou pelo menos teve participação no início dela. 

Paulo era um missionário visionário, que recebeu do Senhor uma estratégia excelente para o estabelecimento de Igrejas. Primeiro, ele passava pregando o Evangelho. Quando um bom número de pessoas se convertiam, ele deixava um obreiro da sua confiança para discipular os novos crentes e seguia para novos campos. Na volta da viagem missionária, ele passava por estas Igrejas dando instruções mais aprofundadas. Dependendo dos problemas que houvessem, ele demorava um pouco mais, ou enviava cartas. 

O apóstolo teve conhecimento da desordem que existia nas Igrejas da Ilha de Creta e designou um pastor com o perfil ideal para organizar as coisas por lá. Tito, embora fosse ainda jovem como Timóteo, era um obreiro experiente e tinha habilidade para resolver conflitos. Timóteo parecia ser mais brando e, pelas recomendações do apóstolo Paulo a ele, para ninguém desprezar a sua mocidade, é possível que alguns estivessem fazendo isso. Tito parecia ter personalidade mais forte e ser mais incisivo na liderança. 

A missão de Tito, tanto em Creta como em Corinto, era delicada, pois nestas Igrejas havia muita desordem. Deus levanta obreiros com características diferentes para as mais diversas Igrejas. Ele chamou uns para plantar Igrejas, outros para organizar os trabalhos no início e outros para dar continuidade aos trabalhos já organizados. Cabe à liderança da Igreja orar a Deus e identificar as características de cada obreiro e designá-los para os trabalhos que estiverem de acordo com o seu perfil. Há obreiros que são excelentes para desbravar campos missionários e iniciar Igrejas. Mas se o ministério deixá-lo lá por muito, o trabalho iniciado cresce desordenado ou acaba. 

3. Creta. A Ilha de Creta está localizada no sudoeste da Grécia e é a quarta maior ilha do Mediterrâneo, com cerca de 8.200 km² de extensão territorial. Na época do apóstolo Paulo, havia na Ilha de Creta mais de cem cidades e muitos portos. Este território foi anexado ao Império Romano em 67 d.C. 

O povo cretense não tinha uma boa fama. Havia muita violência, imoralidade e sincretismo religioso na região. Um dos poetas de Creta descreveu os cretenses como “mentirosos, bestas ruins e ventres preguiçosos” (Tt 1.12). Parece que mesmo após a conversão ao Evangelho, os crentes da Ilha de Creta continuavam com estes comportamentos incompatíveis com a vida cristã. Havia ali judaizantes, mercenários e outros que causavam divisões na Igreja. 

Seria praticamente impossível para Tito, resolver pessoalmente todos estes problemas, em uma Ilha com mais de cem cidades. Por isso, a primeira providência que ele deveria adotar, seria estabelecer presbíteros de cidade em cidade. Estes presbíteros ficariam responsáveis pela liderança de cada Igreja local, para ensinar a Palavra de Deus e corrigir os desvios doutrinários e morais. Paulo colocou uma série de requisitos para os candidatos ao presbitério: Deveriam ser irrepreensíveis, monogâmicos, ter filhos de bom testemunho, moderados, não soberbos, não dados ao vinho, não gananciosos, santos, hospitaleiros e manter a fiel palavra. O líder de uma congregação não pode ser qualquer um, pois ele é o exemplo para os fiéis em tudo e precisa está apto para ensinar a Igreja. 

Tito recebeu a missão de supervisionar este corpo de presbíteros e juntos deveriam combater os falsos mestres judaizantes, mostrando à Igreja que o Evangelho de Cristo não é uma seita do Judaísmo, conforme vimos na lição 2. Por outro lado, Tito e o presbitério tinham a Incumbência de ensinar a Palavra de Deus ao povo cretense para corrigir os desvios morais, impregnados naquela cultura. 

18 março 2025

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 12: A IGREJA TEM UMA NATUREZA ORGANIZACIONAL


Ev. WELIANO PIRES

Nesta lição estudaremos parte de uma matéria da teologia sistemática, chamada Eclesiologia, que é o estudo da Doutrina da Igreja. No primeiro de trimestre de 2024 estudamos um trimestre inteiro sobre este assunto, com o tema: O Corpo de Cristo: Origem, natureza e vocação da Igreja no mundo. Discorremos na ocasião sobre vários assuntos relacionados à Igreja: a sua origem, natureza, imagens bíblicas da Igreja, missão da Igreja, ministério, ordenanças, liturgia, etc. 

Em uma destas lições estudamos sobre a Igreja como organismo e organização. Nesta lição, o Pr. José Gonçalves comentou que “não há organismo, sem organização”. A Igreja de Cristo neste mundo tem duas dimensões: Ela é o corpo de Cristo, formada pelo conjunto de salvos de todos os lugares e épocas; mas ela é também uma organização humana, que se organiza como Igreja local e tem as suas instalações, regras e lideranças. 

É preciso haver equilíbrio entre estas duas dimensões para evitar dois extremos: o antidenominacionismo,  que despreza e combate a organização, achando que ela é desnecessária; e o institucionalismo, que supervaloriza a organização, dando-lhe uma importância que ela não possui e construindo templos suntuosos, com o objetivo de demonstrar força.

No primeiro tópico, falaremos de Tito e as Igrejas da Ilha de Creta. Apresentaremos algumas informações biográficas de Tito, que era um filho na fé do apóstolo Paulo e seu companheiro fiel no ministério. Veremos que o apóstolo Paulo colocou Tito como pastor da Ilha de Creta, para que ele organizasse as coisas por lá e estabelecesse presbíteros em cada cidade. Por fim, falaremos da Igreja de Creta e dos principais problemas existentes ali, razão pela qual o apóstolo Paulo deixou Tito lá. 

No segundo tópico, falaremos da institucionalidade da Igreja no Novo Testamento. Primeiro analisaremos o teor das instruções paulinas a Tito para a Igreja de Creta. Na sequência, falaremos do aspecto institucional da Igreja. Por último, falaremos da organização da Igreja  Primitiva. No Novo Testamento há várias evidências de que a Igreja era organizada e não tinha nada de anarquia como ensina o movimento dos desigrejados. 

No terceiro tópico, falaremos da necessidade de organização da Igreja nos dias atuais. Inicialmente falaremos da Igreja como organismo e como organização, mostrando que um não exclui o outro. Na sequência falaremos da experiência do Movimento Pentecostal que surgiu em um contexto de contestação da Igreja como organização, mas, pouco tempo depois, alguns viram a necessidade de se organizar para evitar o crescimento desordenado. Por último, falaremos da necessidade que a Igreja tem de se organizar, para cumprir a sua missão, tomando como exemplo a história da Assembléia de Deus no Brasil.

REFERÊNCIAS:

SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025. 
Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, Ed. 100, 2025, p. 42.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2013, pp.1718,1719, 1720, 1721.
GONÇALVES, José: O Corpo de Cristo: Origem, Natureza e a Vocação da Igreja no Mundo. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2023.

17 março 2025

A IGREJA TEM UMA NATUREZA ORGANIZACIONAL


SUBSÍDIO DA REVISTA ENSINADOR CRISTÃO / CPAD

A Igreja de Cristo é um organismo vivo com propósito espiritual neste mundo, mas que requer organização. Há grupos que argumentam que a igreja não deve se institucionalizar, pois isso retira dela sua identidade espiritual. Entretanto, essa é uma afirmação equivocada. Jesus ensinou Seus discípulos acerca da necessidade de organização para pregação do Evangelho. Foi assim quando os enviou de dois em dois ou mesmo quando ordenou que a multidão se assentasse sobre a relva antes de operar a multiplicação de pães e peixes (Mt 10; 14.13-21). Com o surgimento da igreja, não fazia sentido que os discípulos pregassem o Evangelho sem organização. Naquele contexto, os irmãos se reuniam nas casas e em cada lugar havia líderes responsáveis pela instrução da Palavra de Deus às congregações.

A formalidade institucional sempre existiu, mesmo que de forma menos robusta como é notório atualmente. Stanley M. Horton, na obra Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal (CPAD), discorre sobre os três tipos de governo eclesiásticos: “A forma episcopal de governo eclesiástico é normalmente considerada a mais antiga. O próprio título é derivado da palavra grega episkopos, que significa ‘supervisor’. A tradução mais frequente desse termo é ‘bispo’ ou ‘superintendente’. Os que apoiam essa forma de constituição eclesiástica acreditam que Cristo, como Cabeça da Igreja, tenha confiado o controle de sua Igreja na terra a uma ordem de oficiais chamados bispos, que seriam sucessores dos apóstolos. [...] A forma presbiteriana de constituição eclesiástica deriva seu nome do cargo e funções bíblicos do presbuteros (‘presbítero’ ou ‘ancião’). Este sistema de governo tem um controle menos centralizado que o modelo episcopal: confia na liderança de representação. [...] A terceira forma de governo eclesiástico é o sistema congregacional. Conforme sugere o nome, seu enfoque de autoridade recai sobre o corpo local de crentes. Entre os três tipos principais de constituição eclesiástica, é o sistema congregacional que mais controle coloca nas mãos dos leigos e mais se aproxima da pura democracia” (1996, pp.558-560).

Deus é organizado e estabeleceu a disciplina, a prudência e a organização desde o princípio da Sua criação. Foi assim no Jardim do Éden (Gn 1 — 2), na saída dos hebreus do Egito (Êx 14), na peregrinação e entrada dos hebreus na Terra Santa (Dt 31), bem como na organização do Reino de Israel (1Sm 8). Logo, era apropriado que na organização da Igreja Primitiva esses mesmos princípios fossem aplicados. Importa que a igreja atual preserve o mesmo compromisso com a organização para a realização de um trabalho com excelência.

16 março 2025

Meu fiel amigo Jesus


Jesus, meu fiel amigo 

Meu Senhor e meu Rei

Sempre está comigo 

Em paz descansarei


Se vierem tempestades 

Ele manda acalmar

E nas adversidades

Ele me fará triunfar


Sigo peregrinando

Em direção ao meu lar

Sua vinda esperando 

Para com Ele morar 


Weliano Pires 

14 março 2025

AS SOTERIOLOGIAS INADEQUADAS DE HOJE

(Comentário do 3º tópico da Lição 11: A Salvação não é obra humana)

Ev. WELIANO PIRES

No terceiro tópico, falaremos das soteriologias inadequadas atuais. A primeira delas é o Islamismo, segundo o qual, se as boas ações de uma pessoa superarem as más, esta irá para o paraíso. Na sequência, falaremos da soteriologia das Testemunhas de Jeová, que ensina, entre outras coisas, que a salvação está na organização delas. Por último, falaremos do confuso ensino do Mormonismo sobre a salvação. Eles creem em uma salvação geral e em outra, numa perspectiva individual. O comentarista não falou, mas eu achei interessante mencionar também o ensino do Catolicismo Romano sobre a salvação, pois ele está entranhado no contexto brasileiro e é um grande desafio para a evangelização. 

1. O Islamismo. Já  falamos bastante sobre o Islamismo durante este trimestre, quando falamos das heresias referentes à Pessoa de Cristo e à Trindade. Os muçulmanos são monoteístas, pois crêem que apenas Allah é Deus, mas o deus do Islamismo não é o mesmo Deus da Bíblia. Eles falam bastante em Abraão, pois consideram que este é o pai do povo árabe, através do seu filho Ismael. Dizem ainda que os muçulmanos que não são árabes são filhos espirituais de Abraão. 

Entretanto, as diferenças entre o Deus de Abraão e o Allah do Islã são muitas. Primeiro, eles dizem que as descrições que a Bíblia faz de Deus e de Jesus Cristo estão erradas. Dizem que tanto o Judaísmo como o Cristianismo são falsas religiões e que a única religião verdadeira é o Islã, revelada por meio do Alcorão, um livro que eles consideram a Palavra de Deus revelada diretamente ao profeta Muhammad. Dizem ainda que Jesus Cristo foi um simples profeta, menor que Muhammad e que não morreu na Cruz. Um sósia dele teria sido morto em seu lugar por engano. 


Sobre a doutrina da Salvação, o Islamismo prega a salvação através das boas obras. Segundo eles, as obras das pessoas serão medidas por Allah e se as boas obras forem mais do que as más, a pessoa irá para o paraíso. Ou seja, não crêem na doutrina da expiação do pecado, onde o sacrifício de Cristo paga o preço dos pecados. Para eles, a salvação é apenas por méritos humanos e boas obras. É algo totalmente oposto ao que a Bíblia ensina, como vimos no primeiro tópico.  


2. As Testemunhas de Jeová. As Testemunhas de Jeová declaram que crêem na Bíblia, em Jeová e em seu Filho Jesus Cristo, portanto, se declaram cristãos. Entretanto, a maioria das suas crenças são contrárias à Bíblia, ou são distorcidas em alguns pontos. Por causa das diferenças que há entre a Bíblia e os seus ensinos, as Testemunhas de Jeová criaram a sua própria versão da Bíblia, denominada “Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas”. Esta versão mudou vários textos bíblicos e subtraiu outros, para adaptar a Bíblia às suas crenças. 


Com relação à salvação, eles publicaram o seguinte no site oficial da organização:

 

“O sacrifício de resgate de Jesus nos permite ser libertados do pecado e da morte. (Mateus 20:28; Atos 4:12). Para isso, a pessoa precisa ter fé em Jesus, mudar a sua vida e ser batizada. (Mateus 28:19,20; João 3:16; Atos 3:19,20). O que ela faz prova que sua fé é viva. (Tiago 2:24, 26) Mas a salvação não pode ser comprada — ela só é possível por meio da “bondade imerecida de Deus”. — Gálatas 2:16, 21.”


Quem lê estas linhas acima, imagina que é um credo ortodoxo e que está tudo certo com a crença deles a respeito da salvação. Diferente dos muçulmanos, eles reconhecem a eficácia do sacrifício de Jesus para nos libertar do pecado e da morte. Aceitam também que a salvação não pode ser comprada, pois só pode ser obtida por meio da bondade imerecida de Deus (Graça) e  através da fé em Jesus Cristo, que produz boas obras.


Embora algumas partes sejam bíblicas, eles colocam a mudança de vida como um ato da própria pessoa. Mas, a Bíblia ensina que esta mudança não é obra humana e sim do Espírito Santo. Além disso, eles acrescentam outras coisas. Como é comum nas seitas, eles acreditam que a sua religião é a única correta. Embora não admitam isso diretamente, podemos perceber isso em publicações, como esta que está no site deles: 


“Jesus Cristo não concordava com a ideia de que existem várias religiões, ou vários caminhos, que levam à salvação. Na verdade, ele disse: “Estreito é o portão e apertada a estrada que conduz à vida, e poucos são os que o acham.” (Mateus 7:14) As Testemunhas de Jeová acreditam que encontraram essa estrada, ou caminho. Do contrário, elas já teriam procurado outra religião.” 


Conforme explicou o comentarista, as TJ tem um entendimento confuso sobre a salvação. Eles crêem que existem dois grupos de salvos, um que tem direito ao céu, restrito a 144 mil, que seriam a “classe dos ungidos”; e outro grupo, que são a “classe da grande multidão” que herdarão a terra. Sendo assim, como o número dos 144 mil já está esgotado, os membros atuais da organização não são filhos de Deus, não pertencem a Cristo e não têm o Espírito Santo. A salvação bíblica, no entanto, está disponível a todos os que crerem em Jesus, de qualquer parte do mundo. Todos os que crêem nele, recebem o direito de serem filhos de Deus  (Jo 1.12).


3. O Mormonismo. Também já falamos bastante sobre o Mormonismo neste trimestre, por conta das muitas doutrinas heterodoxas que eles professam. O nome oficial desta religião é “Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. São conhecidos como Mórmons, por causa de um livro que eles usam, chamado de Livro de Mórmon. Este livro, segundo a própria introdução dele, é um volume de escrituras sagradas comparável à Bíblia… e foi escrito por muitos profetas antigos, pelo espírito de profecia e revelação.”


Apesar de se identificarem como cristãos e o nome parecer o de uma Igreja evangélica, eles ensinam muitas doutrinas contrárias à Bíblia Sagrada. A primeira delas é colocar um livro humano, como o Livro de Mórmon, no mesmo patamar da Palavra de Deus. Há também outras doutrinas absurdas como a ideia de que Deus e Jesus Cristo foram criados e depois exaltados. 


Em um artigo intitulado “Tornar-se como Deus”, publicado no site da Igreja, o Mormonismo ensina que o ser humano pode progredir e ser exaltado a ponto de se tornar divino: Tem sido ensinada a doutrina dentro da Igreja de que os seres humanos podem progredir até a exaltação e a divindade. Lorenzo Snow, quinto presidente da Igreja, elaborou um ditado bem conhecido: ‘Como o homem é hoje, Deus já foi. Como Deus é, o homem poderá ser’.”


Ora, isso é o suficiente para afirmarmos que não se trata de uma Igreja cristã. Mas há muitas outras doutrinas antibíblicas nesta seita. Sobre a salvação, que é o tema desta lição, apesar de afirmarem que crêem na salvação pela Graça de Deus, eles vêem a graça de Deus não como a origem da salvação, mas como um complemento aos esforços humanos para alcançá-la: 


“Pois trabalhamos diligentemente para escrever, a fim de persuadir nossos filhos e também nossos irmãos a acreditarem em Cristo e a se reconciliarem com Deus; pois sabemos que é pela graça que somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer”. (2 Néfi 25.23). 


O Mormonismo acredita em dois tipos de salvação. A primeira é a salvação geral, na qual os não mórmons serão castigados e depois liberados para a salvação. A segunda tem uma perspectiva individual, em que a salvação é obtida pela fé em Jesus, com o acréscimo da obediência às leis e às ordenanças que eles ensinam. 

4. O Catolicismo Romano. O comentarista não mencionou o ensino católico a respeito da salvação, mas é importante explicarmos aqui, pois o Catolicismo está entranhado na cultura brasileira. O nosso país foi colonizado por católicos portugueses e, por isso, a religião católica foi imposta aos brasileiros desde o descobrimento. Durante os primeiros trezentos anos após o descobrimento não havia liberdade religiosa no Brasil e não eram toleradas outras religiões. 

Com a vinda da família real ao Brasil, no final de 1807 e início de 1808, muitos estrangeiros entraram no país e foi necessário fazer o Tratado  de comércio e navegação, em 1810. Neste tratado foi garantido a todos o direito de praticar a sua religião, desde que não causassem perturbações e não fizessem proselitismo entre católicos. Somente em 1858 foi aberta a primeira igreja protestante no Brasil de língua portuguesa, chamada atualmente “Igreja Evangélica Fluminense”.

Dentro deste contexto de religião oficial imposta, o Catolicismo impunha os seus ensinos através da catequese e ensino religioso nas escolas. Desta forma, os brasileiros não tinham acesso às Escrituras e eram obrigados a aceitar como verdade, tudo o que os padres ensinavam. Os padres tinham mais autoridade que os governantes, pois estes temiam ser excomungados, que era a exclusão da Igreja. Uma pessoa nestas condições era considerada maldita e ficava isolada da sociedade. 

Embora se declarem cristãos, continuadores da Igreja Primitiva, a verdade é que o Catolicismo está muito distante do verdadeiro Cristianismo em várias doutrinas. Isto porque eles acreditam que a tradição da Igreja e o Magistério tem autoridade para criar novas doutrinas ou modificar as doutrinas bíblicas. Por isso, ao longo dos séculos, inventaram vários dogmas e inovações, sem nenhum fundamento bíblico. 

Em relação à doutrina da salvação, os católicos crêem que a salvação é fruto da Graça de Deus, porém, acrescentam outros requisitos para se obtê-la e mantê-la. O primeiro deles é pertencer à Igreja Católica, através do batismo, que é considerado um sacramento. Eles ensinam que não há salvação fora da sua instituição. Atualmente, estão se tornando mais flexíveis com outras religiões. Mas o ensino da Igreja continua sendo este. 

Depois do batismo, há outros sacramentos indispensáveis à salvação, como a crisma, que é a confirmação do batismo; a Eucaristia, que é a ingestão da hóstia sagrada. Para os católicos esta substância se transforma literalmente no corpo de Cristo e o fiel ao ingerir, recebe a presença de Cristo; há também a exigência da confissão dos pecados ao sacerdote, para que ele possa determinar as penitências pelo pecado cometido; finalmente há as missas e orações pelos mortos, para que sejam salvos.

O Catolicismo inventou também um lugar intermediário entre o Céu e o Inferno, que eles chamam de Purgatório. Segundo dizem, este lugar é destinado àqueles que não foram “bons” o suficiente para merecer o Céu, mas não foram tão maus a ponto de irem para o Inferno. Sendo assim, permanecem sofrendo neste local por um tempo para pagar os pecados e, conforme os seus familiares mandarem celebrar missas em favor da sua alma, saírem do Purgatório e irem para o Céu. 

Tudo isso são doutrinas humanas e até diabólicas, para tirar a suficiência do sacrifício de Cristo e manter as pessoas presas à sua instituição. Inventam estes sacramentos e outras exigências para a salvação, que somente os seus sacerdotes podem oferecer, para que a pessoa fique impossibilitada de sair, mesmo que discorde de algum destes ensinos. 

É comum ouvirmos de pessoas leigas:

– A Igreja Católica é a única Igreja que Jesus deixou. Nela eu nasci e nela vou morrer. 

É muito difícil falar da salvação para uma pessoa que tem uma opinião formada como esta. Somente a ação sobrenatural do Espírito Santo pode abrir os olhos destas pessoas e iluminar a sua mente, para que compreendam o Evangelho e sejam salvas por Cristo. 

REFERÊNCIAS: 


SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025. 

Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, Ed. 100, 2025, p. 41.

Bíblia de Estudo Apologia Cristã. 1ª Edição.  RIO DE JANEIRO: CPAD, 2017, pp.1878, 1866.

Quais são as crenças principais das Testemunhas de Jeová? Publicado em https://www.jw.org/pt/testemunhas-de-jeova/perguntas-frequentes/crencas-testemunhas-de-jeova/

As Testemunhas de Jeová acreditam que a sua religião é a única verdadeira? Publicado em: https://www.jw.org/pt/testemunhas-de-jeova/perguntas-frequentes/religiao-verdadeira/.

Introdução ao Livro de Mórmon. Publicado em: https://www.churchofjesuschrist.org/study/scriptures/bofm/introduction?lang=por

Tornar-se como Deus. Publicado em: https://www.churchofjesuschrist.org/study/manual/gospel-topics-essays/becoming-like-god?lang=por

Fora da Igreja não há salvação. Publicado em: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2022-07/fora-da-igreja-nao-ha-salvacao-pe-gerson-schmidt.html

Você sabe o que é o purgatório e o que a Igreja diz sobre ele? Publicado em: https://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/voce-sabe-o-que-e-o-purgatorio-e-o-que-a-igreja-diz/


JESUS, O VERBO DE DEUS

(Comentário do 2º tópico da Lição 01: O Verbo que se tornou carne) Ev. WELIANO PIRES No segundo tópico, falaremos de Jesus como o Verbo de D...