29 dezembro 2025

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 1: O MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

Data: 4 de janeiro de 2026

TEXTO ÁUREO:

“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mt 3.17).

VERDADE PRÁTICA:

A doutrina da Trindade é central à fé cristã: um só Deus em três Pessoas que coexistem e atuam harmoniosamente na Obra da Redenção.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Mateus 3.13-17.

OBJETIVOS DA LIÇÃO:

 I) Explicar a revelação da Trindade no batismo de Jesus; 

II) Mostrar a unidade e a distinção das Pessoas divinas à luz das Escrituras; 

III) Enfatizar a importância da doutrina trinitária para a fé cristã.

Palavra-Chave: TRINDADE

A palavra Trindade deriva do termo latino trinitas ou trinitatis, que significa "tríade", "reunião de três" ou "estado de ser triplo". Alguns teólogos preferem o termo Triunidade, que descreve a unidade e a pluralidade de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. 

Evidentemente, o termo trindade não aparece na Bíblia, pois não é um termo bíblico e sim uma conceito teológico, de origem latina, que foi usado primeiramente por Tertuliano, em 213 d.C. O termo grego correspondente é trias e foi usado originalmente por Teófilo de Antioquia. 

Somente no Concílio de Niceia, em 325 d.C. é que esta doutrina foi consolidada. Entretanto, isto não significa que ela não é bíblica, ou que antes disso, os cristãos não criam em um Deus Trino. Esta doutrina foi amplamente debatida nos primeiros séculos da Igreja Cristã. Os Concílios de Niceia e de Constantinopla definiram, à luz da Bíblia, esta doutrina bíblica. Ao longo desta lição veremos que a doutrina da Santíssima Trindade é amplamente fundamentada nas Escrituras.

INTRODUÇÃO

Nesta primeira lição, estudaremos o conceito da Doutrina da Santíssima Trindade e o seu sólido fundamento bíblico. Trata-se de uma doutrina central da fé cristã que, ao longo da história da Igreja, tem sido alvo de debates e questionamentos.

Desde os primeiros séculos do cristianismo, surgiram heresias como o Arianismo ou Unitarismo, bem como o Modalismo ou Unicismo, que, embora reconhecessem a divindade do Pai, negavam a existência de três Pessoas distintas na Divindade.

O Unitarismo, também conhecido como Arianismo — por ter sido defendido pelo presbítero Ário de Alexandria — ensinava que somente o Pai é Deus e que o Filho foi a primeira criatura criada por Ele. Essa doutrina ainda é ensinada atualmente pelas Testemunhas de Jeová e por outras seitas.

O Modalismo ou Unicismo, por sua vez, afirmava que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são três Pessoas distintas, mas apenas diferentes manifestações de um único Deus. Essa heresia também é conhecida como Sabelianismo, por ter sido defendida por Sabélio de Pentápolis.

Há ainda outra heresia chamada Triteísmo, que ensina que Pai, Filho e Espírito Santo são três deuses. Mas isso seria politeísmo e não é isso que a Bíblia ensina. Na Trindade não há três deuses, mas um Único Deus e três pessoas. Lamentavelmente, muitos pregadores tentam “dramatizar” o plano divino de Salvação e acabam transmitindo a ideia do Triteísmo, pois descrevem discussões entre as Pessoas da Santíssima Trindade, como se fossem três deuses. 

Não é apropriado utilizar ilustrações humanas para explicar a doutrina da Trindade, pois ela constitui um grande mistério — conforme indica o próprio título desta lição — que ultrapassa os limites da compreensão humana. Muitas das ilustrações comumente empregadas acabam distorcendo o ensino bíblico da Santíssima Trindade e, em vez de esclarecê-lo, terminam por reforçar heresias como o modalismo.

O comentarista utiliza como base o episódio do batismo de Jesus para apresentar o fundamento bíblico da Doutrina da Santíssima Trindade. Naquela ocasião, as três Pessoas divinas manifestam-se simultaneamente e interagem entre si: o Pai fala do céu, o Filho está na terra sendo batizado, e o Espírito Santo desce sobre o Filho em forma corpórea, como pomba.

TÓPICOS DA LIÇÃO 

I. A REVELAÇÃO TRINITÁRIA NO BATISMO DE JESUS

No primeiro tópico, abordaremos a revelação trinitária presente no batismo do Senhor Jesus. Inicialmente, trataremos do batismo do Filho de Deus como um ato de obediência ao plano redentor do Pai, no qual Ele se identifica com a humanidade pecadora que veio resgatar do pecado.

Na sequência, destacaremos a descida do Espírito Santo como um ato de unção pública e visível do ministério de Jesus, indicando que Ele é o Messias prometido a Israel e o Salvador do mundo.

Por fim, consideraremos a voz do Pai, ouvida do céu, declarando: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Essa declaração pública de aprovação ao Filho remete às profecias do Antigo Testamento e confirma a identidade messiânica de Jesus, bem como a sua divindade.

II. A DISTINÇÃO E A UNIDADE DAS PESSOAS DIVINAS

Neste segundo tópico, trataremos da distinção e da unidade das Pessoas da Santíssima Trindade. Inicialmente, afirmaremos a unidade divina, ressaltando que Deus é uma só essência (ousia), única e indivisível. Ao mesmo tempo, destacaremos a distinção pessoal, visto que essa única essência subsiste eternamente em três Pessoas (hipóstases): o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Em seguida, abordaremos a pluralidade das Pessoas divinas no Antigo Testamento. Embora a doutrina da Trindade não seja ali revelada de forma plena e explícita, diversos textos veterotestamentários apontam para uma pluralidade no ser divino, sem que isso comprometa a unidade de Deus.

Por fim, analisaremos a revelação clara da Trindade no Novo Testamento, especialmente por meio da fórmula batismal trinitária (Mt 28.19), da bênção apostólica (2Co 13.13) e da atuação conjunta das três Pessoas da Santíssima Trindade na obra da salvação.

III. A RELEVÂNCIA DA TRINDADE PARA A FÉ CRISTÃ

No terceiro tópico, trataremos da importância da Doutrina da Trindade para a fé cristã. Inicialmente, abordaremos o desenvolvimento histórico dessa doutrina no seio da Igreja. Embora a Trindade seja uma verdade claramente ensinada nas Escrituras, sua formulação teológica e compreensão sistematizada foram progressivamente desenvolvidas, sendo definidas de forma mais precisa nos Concílios de Niceia (325 d.C.) e de Constantinopla (381 d.C.). 

Em seguida, destacaremos as implicações doutrinárias da Trindade para a fé cristã, demonstrando sua centralidade para a correta compreensão de Deus e da salvação. Nesse contexto, refutaremos algumas heresias que negam ou distorcem essa doutrina, tais como: o triteísmo, que defende a existência de três deuses; o unitarismo, que ensina que somente o Pai é Deus; e o unicismo, também conhecido como modalismo, que afirma haver apenas uma Pessoa na Divindade, a qual se manifesta de três formas distintas.

Ev. WELIANO PIRES 

INTRODUÇÃO AO 1º TRIMESTRE DE 2026

Imagem: Editora CPAD

Graças a Deus, iniciamos um novo ano e também um novo trimestre de estudos bíblicos em nossa Escola Bíblica Dominical. Quero aproveitar para desejar a todos um feliz ano novo e que este ano seja um ano de muitas realizações e, principalmente, de aprendizado da Palavra de Deus. 

O assunto que estudaremos neste trimestre é estritamente teológico e exigirá muito, tanto do professor para explicar e do aluno para entender, pois estudaremos um dos maiores mistérios da  teologia cristã que é a Doutrina da Santíssima Trindade. Este assunto já foi alvo de grandes debates em concílios ao longo da história da Igreja e ainda hoje suscita muitos questionamentos, principalmente na internet.  

O tema da revista deste trimestre é: A Santíssima Trindade: O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Para compreendermos este tema é necessário um conhecimento básico de pelo menos três disciplinas da teologia sistemática: Teontologia, que é o estudo sobre Deus; Cristologia, que é o estudo sobre a Pessoa e obra de Cristo; e Pneumatologia, que o estudo da Pessoa e obra do Espírito Santo. 

As lições deste trimestre estão organizadas da seguinte forma: A lição introdutória, apresentando a coexistência perfeita e harmoniosa do Pai, Filho e Espírito Santo, com base no relato do batismo de Jesus; três lições sobre a Pessoa do Deus Pai e o seu relacionamento com o Filho; três lições sobre a Pessoa e a Obra do Deus Filho; três lições sobre a Pessoa e a Obra do Deus Espírito Santo; uma sobre a relação entre o Pai e o Espírito Santo; uma lição sobre a relação entre o Filho e o Espírito Santo; e a lição conclusiva sobre a Santíssima Trindade e a Igreja de Cristo. 

LIÇÕES DO TRIMESTRE

Lição 1: O mistério da Santíssima Trindade

Lição 2: O Deus Pai

Lição 3: O Pai enviou o Filho

Lição 4: A Paternidade Divina

Lição 5: O Deus Filho

Lição 6: O Filho como o Verbo de Deus

Lição 7: A Obra do Filho

Lição 8: O Deus Espírito Santo

Lição 9: Espírito Santo — O Regenerador

Lição 10: Espírito Santo — O Capacitador

Lição 11: O Pai e o Espírito Santo

Lição 12: O Filho e o Espírito Santo

Lição 13: A Trindade Santa e a Igreja de Cristo

COMENTARISTA: Pr. Douglas Baptista

Douglas Roberto de Almeida Baptista é pastor presidente da Assembleia de Deus de Missão, no Distrito Federal; doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB, da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; segundo vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás; vice-presidente da Rede Assembleiana de Ensino (RAE) e diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas. É comentarista de Lições Bíblicas há vários anos; colunista de periódicos da CPAD e do Portal CPAD News; é autor de diversos livros publicados pela CPAD, entre eles, Filosofia da Educação Cristã, A Igreja de Cristo e o império do mal, Valores Cristãos, A Igreja Eleita, A Supremacia das Escrituras, todos publicados pela CPAD. 

O Pr. Douglas Baptista tem ampla atuação na área educacional da Convenção Geral da Assembléia de Deus no  Brasil e tem representado esta instituição em debates e audiências públicas no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal, em temas relacionados aos valores morais e cosmovisão cristã. Foi também o relator da Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil. 

Bons estudos!

Ev. WELIANO PIRES


24 dezembro 2025

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 13: PREPARANDO O CORPO, A ALMA E O ESPÍRITO PARA A ETERNIDADE


Data: 28 de dezembro de 2025

TEXTO ÁUREO:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” (Fp 3.20).

VERDADE PRÁTICA: 

Na vinda de Jesus nosso corpo abatido será transformado em um corpo glorioso, e, como um ser integral, habitaremos para sempre com Ele no Céu.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Tito 2.11-14; 1 Pedro 1.13-16

OBJETIVOS DA LIÇÃO:

I) Levar os alunos a compreenderem que a esperança escatológica é fundamental para uma vida de santificação integral, ou seja, corpo, alma e espírito; 

II) Alertar os alunos sobre os desvios das teologias modernas que enfraquecem a santificação e a esperança na volta de Cristo; 

III) Ensinar que a santificação deve abranger todo o ser — corpo, alma e espírito — como preparação contínua para a vinda de Jesus.

Palavra-Chave: SANTIFICAÇÃO

No Antigo Testamento, especialmente no Pentateuco, a ideia de santidade está relacionada a Deus e a tudo o que lhe pertence e o serve. Os objetos e as pessoas envolvidas no culto ao Senhor eram totalmente separados das coisas consideradas imundas. O substantivo hebraico qōdesh significa sacralidade ou algo que foi separado do uso comum para pertencer exclusivamente a Deus. Esse termo pode ser aplicado a Deus, a pessoas, a lugares ou a objetos. A palavra deriva do verbo qādash, que significa consagrar, separar ou dedicar exclusivamente a Deus.

No Novo Testamento, o correspondente grego do verbo hebraico qādash é hagiazō, traduzido por “santificar”, e traz a ideia de tornar santo, purificar, consagrar e venerar. Diferentemente do que ocorre no Antigo Testamento, no Novo Testamento inexiste o conceito de consagração e pureza ritual associadas a lugares ou objetos sagrados. A santidade, nesse contexto, aplica-se às pessoas.

Ao falarmos de santidade, precisamos ter em mente que somente Deus é santo em si mesmo, em sua essência e natureza. Assim, ninguém pode ser santo por si próprio, nem na mesma proporção em que Deus é santo. Contudo, quando andamos no Espírito, Ele nos santifica e, desse modo, refletimos a sua santidade em nosso modo de viver.

INTRODUÇÃO 

Graças a Deus, chegamos ao final de mais um trimestre de estudos em nossa Escola Bíblica Dominical, o último do ano de 2025. O tema abordado ao longo deste período foi a Antropologia Bíblica, por meio do qual estudamos a integralidade do ser humano — corpo, alma e espírito — à luz da Palavra de Deus. 

Durante as lições, refletimos sobre a constituição do homem conforme a revelação bíblica, bem como sobre a necessidade de uma restauração integral promovida pela obra redentora de Cristo.

Nesta última lição, teremos uma aula conclusiva sobre o tema estudado, na qual trataremos da preparação do corpo, da alma e do espírito para a eternidade, com ênfase na santificação e na bendita esperança da volta de Cristo. Assim, somos desafiados a viver de modo santo, vigilante e comprometido com os valores do Reino de Deus, aguardando a gloriosa manifestação do nosso Senhor.

TÓPICOS DA LIÇÃO 

I. PRESERVANDO A ESPERANÇA ESCATOLÓGICA

Neste primeiro tópico, abordaremos a preservação da esperança escatológica, isto é, a esperança da vida eterna. Inicialmente, destacaremos que o alvo do crente é o Céu e que o processo de santificação está diretamente relacionado a esse propósito maior.

Em seguida, analisaremos as oposições à visão celestial que o cristão enfrenta neste mundo. Tais oposições procuram restringir a vida cristã a uma perspectiva meramente terrena, desviando o olhar do crente da realidade eterna.

Por fim, trataremos dos inimigos da cruz de Cristo, mencionados pelo apóstolo Paulo em sua Epístola aos Filipenses, os quais se ocupavam exclusivamente das coisas desta vida. A respeito deles, o apóstolo afirma: “A nossa pátria está nos céus, de onde também esperamos o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).

II. PERIGOS DE TEOLOGIAS MODERNAS

No segundo tópico, falaremos sobre os perigos das teologias modernas, cujos discursos enfatizam a transformação deste mundo, deixando em segundo plano a santificação e a volta de Cristo.

Inicialmente, abordaremos o perigo de um cristianismo secularizado, que busca transformar a mensagem cristã em militância social, econômica e política, bem como em programas sociais voltados à redução das desigualdades. Esse tipo de militância não confronta o pecado nem anuncia a realidade da eternidade.

Na sequência, trataremos do perigo dos discursos teológicos que se limitam à cultura e à intelectualidade, mas estão dissociados das práticas cristãs. Essas teologias criticam indiscriminadamente todas as tradições e ignoram os fundamentos do Evangelho.

Por último, falaremos sobre as falsas teologias da prosperidade, do existencialismo e do engajamento cultural. São correntes que reduzem a fé cristã ao triunfalismo, ao bem-estar físico e à prosperidade econômica. Elas não aceitam o sofrimento, as enfermidades e a pobreza, por considerarem tais circunstâncias incompatíveis com a vida dos filhos de Deus. Ignoram, porém, que as promessas plenas do Evangelho têm seu cumprimento definitivo na eternidade.

III. CONSERVANDO ESPÍRITO, ALMA E CORPO

Neste terceiro e último tópico, concluímos o tema central desta lição: a profunda ligação entre a santificação integral do ser humano — espírito, alma e corpo — e a volta de Cristo.

Inicialmente, abordaremos a prontidão do cristão para o retorno do Senhor, à luz de 1 Tessalonicenses 5, a partir do versículo 12. Esse texto destaca os deveres do cristão tanto no âmbito pessoal quanto no comunitário, orientando sua vida diária com os olhos voltados para a vinda de Cristo.

Em seguida, refletiremos sobre a santificação completa do cristão, que alcança todo o seu ser: espírito, alma e corpo. A Palavra nos ensina que todo o nosso ser deve ser preservado irrepreensível para o momento da vinda do Senhor (1Ts 5.23). Contudo, é fundamental lembrar que essa santificação não é fruto do esforço humano, mas uma obra realizada pelo Espírito Santo. Nenhum ser humano é capaz, por si mesmo, de tornar-se santo; é Deus quem opera essa transformação em nós.

22 dezembro 2025

PREPARANDO O CORPO, A ALMA E O ESPÍRITO PARA A ETERNIDADE


(SUBSÍDIO DA REVISTA ENSINADOR CRISTÃO/CPAD)

Estamos concluindo mais um trimestre. Nesta última lição, estudaremos sobre o preparo do crente para encontrar com o Senhor naj eternidade. O alvo final do crente é a vida com Cristo na eternidade e, para tanto, precisa enfrentar as oposições e inimigos cruéis que surgem ao longo da trajetória. Essas oposições se manifestam por meio das teologias modernas, falsos ensinos, modismos e narrativas que surgem na intenção de fragilizar o compromisso da igreja com o Evangelho puro e simples. Em contrapartida, a ausência de uma teologia bem fundamentada, cristocêntrica e com propósito na eternidade, tem resultado na pregação de um Evangelho empobrecido, sem poder do Espírito e secularizado

Diante desse cenário, aqueles que almejam preservar a sã doutrina precisam conhecer os fundamentos doutrinários que regem a nossa fé (2Tm 3.15). Para tanto, a Declaração de Fé trata-se de um importante documento elaborado pelas lideranças da Assembleia de Deus com vistas a ajudar milhares de irmãos a compreenderem esses fundamentos. Vale ressaltar que tais fundamentos doutrinários têm como origem a Palavra de Deus. Conhecê-los profundamente fortalece a igreja a não ceder aos caprichos daqueles que querem negociar valores e princípios da nossa fé que são inegociáveis. Há, por exemplo, muitos que negam a atualidade do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais. Há quem negue também a necessidade da santificação do espírito, da alma e do corpo por meio da perseverança da fé. A oração de Paulo revela uma petição para que o Deus de paz nos conserve plenamente irrepreensíveis para a vinda do Senhor Jesus Cristo (1Ts 5.23).

Sobre a santidade, adoração e liturgia, nossa Declaração de Fé das Assembleias de Deus (CPAD) afirma: “A santificação é obra do Espírito Santo na vida do crente regenerado e se dá de forma tanto instantânea como progressiva. Ela é um requisito para a vida cristã, pois Deus é Santo e puro. Ela é possível a todos os crentes, pois Jesus se ofereceu em sacrifício para nos oferecer a salvação e santificar a sua igreja: ‘para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra’ (Ef 5.26). A santidade divina é um atributo comunicável admirável, e implica separação de tudo o que é pecaminoso e impuro e exclusividade de vida para o serviço e adoração a Deus, por parte daqueles que foram alcançados pelo Evangelho. Ela é vista como um requisito para que se veja a Deus na eternidade: ‘Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor’ (Hb 12.14)”. (2025, pp.137,138). Neste mundo, precisamos perseverar na fé e na santidade, comprometidos com a ética cristã, para estarmos preparados para a Volta do Senhor Jesus. 

Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2025, Ed. 103, p.42.

18 dezembro 2025

EDIFICAÇÃO E FRUTO DO ESPÍRITO

(Comentário do 3º tópico da lição 12: O espírito humano e o Espírito de Deus).

No terceiro e último tópico, abordaremos a edificação do espírito e o Fruto do Espírito Santo. Inicialmente, trataremos da edificação do nosso espírito por meio do falar em línguas, conforme mencionado pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 14.14.

Por fim, estudaremos as virtudes do Fruto do Espírito, descritas em Gálatas 5.22, apresentadas como o ápice da vida cristã e a evidência de uma vida plenamente conduzida pelo Espírito Santo.

1. O espírito ora bem.

Neste subtópico, aprendemos sobre a ação edificadora do Espírito Santo no espírito do crente por meio do falar em línguas. O apóstolo Paulo ensina que o nosso espírito pode orar a Deus e ser fortalecido, mesmo quando a nossa mente não compreende plenamente as palavras que estão sendo pronunciadas:

“Porque, se eu orar em língua estranha, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto”. (1 Co 14.14).

Esse texto mostra que a oração em línguas é uma experiência espiritual que edifica o interior do crente. Aqui, o falar em línguas não se limita apenas à evidência inicial do batismo no Espírito Santo, mas refere-se ao dom de variedade de línguas, concedido por Deus para edificação.

Quando esse dom é usado para transmitir uma mensagem à igreja, é necessária a interpretação, para que todos sejam edificados. Contudo, quando não há interpretação, Paulo orienta que o crente fale em línguas consigo mesmo e com Deus, pois essa prática fortalece o seu espírito.

Assim, orar em línguas é um presente de Deus para a edificação pessoal. Por meio dessa oração, o crente se conecta profundamente com Deus, fortalece o seu ser interior e tem a sua fé renovada. Essa oração é conduzida pelo Espírito Santo e promove uma comunhão íntima com o Espírito de Deus.

2. O ápice da vida cristã.

O Espírito Santo produz no crente as virtudes listadas pelo apóstolo Paulo em Gálatas 5.22–23, conhecidas como o fruto do Espírito. Essas virtudes representam o ápice, ou seja, o ponto mais elevado da vida cristã, pois revelam o caráter de Cristo sendo formado em nós e envolvem o ser humano por completo.

Muitos confundem o fruto do Espírito com os dons do Espírito Santo. Embora ambos sejam obras do Espírito, tratam-se de realidades distintas. Os dons espirituais, conforme a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, são “capacitações especiais e sobrenaturais concedidas pelo Espírito de Deus ao crente para serviço especial na execução dos propósitos divinos por meio da Igreja”. Eles são distribuídos pelo Espírito Santo a cada um, segundo a Sua vontade, para aquilo que for útil à edificação do Corpo de Cristo.

O fruto do Espírito Santo, por sua vez, é composto por nove virtudes que o Espírito produz na vida do crente que anda no Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22). Essas virtudes são o resultado de uma vida rendida ao Espírito Santo e vivida sob o seu domínio.

A expressão “fruto” está no singular porque ele é um só, formado por várias virtudes inseparáveis. Não é possível desenvolver uma dessas virtudes isoladamente. Por exemplo, não pode haver verdadeira alegria, paz ou bondade onde não existe amor, pois o amor é a base de todo o fruto do Espírito.

Essas virtudes são produzidas no interior do crente pelo Espírito Santo e estão diretamente relacionadas ao caráter cristão. Elas não podem ser fabricadas artificialmente nem simuladas por esforço humano, embora alguns tentem fazê-lo. O fruto do Espírito é resultado de uma vida conduzida pelo Espírito Santo.

Além disso, essas virtudes não são condenadas nem pela Lei de Deus nem pelas leis humanas. Pelo contrário, elas cumprem a Lei de Deus de maneira plena. O apóstolo Paulo afirma:

“Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Gálatas 5.14).

Assim, o fruto do Espírito Santo é a evidência mais elevada de uma vida cristã madura e alinhada com a vontade de Deus.

Ev. WELIANO PIRES

17 dezembro 2025

TESTEMUNHO, INTERCESSÃO E EDIFICAÇÃO

(Comentário do 2º tópico da Lição 12: O espírito humano e o Espírito de Deus)

Neste segundo tópico, são apresentados três aspectos fundamentais da atuação do Espírito Santo na vida do crente: o testemunho, a intercessão e a edificação.

Inicialmente, é tratado o testemunho do Espírito Santo ao nosso espírito, conforme Romanos 8.16. Em seguida, aborda-se a intercessão do Espírito em nosso favor, com gemidos inexprimíveis, diante do Pai. Embora a edificação seja mencionada no título deste tópico, o comentarista não a desenvolve de forma direta neste ponto, pois esse tema será tratado de maneira mais específica no tópico seguinte.

1. O Espírito testifica ao espírito

No capítulo 8 da Epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo discorre amplamente sobre a atuação do Espírito Santo na vida do crente e destaca o papel do espírito humano na comunhão com Deus. Nesse contexto, ele apresenta a doutrina da adoção espiritual, cuja certeza é testificada pelo próprio Espírito Santo ao espírito do crente regenerado.

O Espírito Santo produz em nosso espírito a firme convicção de que somos filhos de Deus, concedendo-nos segurança espiritual e libertação do temor. Por isso, Paulo afirma:

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos” (Rm 8.15).

Essa adoção não é apenas uma declaração externa, mas uma realidade interior confirmada pelo Espírito de Deus. Em Romanos 8.16, o apóstolo ensina:

“O próprio Espírito confirma ao nosso espírito que somos filhos de Deus.”

A expressão “testifica com”, no texto grego symmartyréō, significa “testemunhar juntamente com” ou “dar confirmação em concordância”. A ideia central é que o Espírito Santo se une ao nosso espírito, dando um testemunho conjunto e convincente de nossa filiação divina. A tradução da Nova Almeida Atualizada expressa adequadamente esse sentido ao afirmar: “O próprio Espírito confirma ao nosso espírito que somos filhos de Deus”.

Essa verdade revela a profunda relação entre o espírito humano regenerado e o Espírito de Deus. O Espírito Santo habita no interior do crente e se comunica diretamente com o seu espírito, produzindo certeza, consolo e comunhão. Contudo, essa experiência é exclusiva daqueles que creram em Jesus Cristo e foram feitos filhos de Deus, conforme declara o evangelista João:

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo 1.12).

Os que não creram permanecem separados de Deus e são descritos pelas Escrituras como “filhos da ira” (Ef 2.3), destituídos dessa comunhão espiritual. Assim, o testemunho do Espírito ao nosso espírito constitui um dos privilégios mais sublimes da vida cristã, assegurando-nos nossa identidade, filiação e relacionamento com Deus Pai.

2. O Espírito intercede

Na continuidade do capítulo 8 da Epístola aos Romanos, Paulo trata da intercessão do Espírito Santo em nosso favor:

“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” (Rm 8.26)

O Espírito Santo intercede por nós com gemidos inexprimíveis, isto é, que não podem ser expressos por meio de palavras humanas (Rm 8.27). Em momentos de dificuldade, em razão de nossas fraquezas e limitações, não sabemos como nos dirigir a Deus em oração. O Espírito Santo, que é Deus, conhecendo perfeitamente quem somos, bem como nossas necessidades e intenções, intercede por nós diante do Pai de forma perfeita e eficaz.

Aquele que tudo conhece examina os corações e discerne plenamente a intenção do Espírito. É importante destacar que a intercessão do Espírito Santo está sempre em plena harmonia com a vontade de Deus, pois Ele é Deus e, portanto, não pensa nem age de modo diferente do Pai e do Filho. Assim, jamais devemos pedir algo que contrarie as Escrituras e supor que o Espírito Santo intercederá em favor de tais pedidos.

3. O Espírito edifica

O comentarista menciona, apenas no título deste tópico, a edificação pelo Espírito Santo, sem desenvolver diretamente o assunto. Todavia, a edificação espiritual é tratada de forma mais específica no tópico seguinte.

Ao falarmos de edificação, somos naturalmente remetidos à construção de um edifício, o qual necessita de um bom alicerce, colunas bem estruturadas e manutenção constante, a fim de não comprometer sua segurança e estabilidade.

Na edificação espiritual, o alicerce do crente é Cristo, e é sobre Ele que o Espírito Santo edifica a nossa fé, conforme declara a Escritura:

“Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” (1Co 3.11)

As colunas que sustentam a vida cristã são: a doutrina dos apóstolos, a comunhão, o partir do pão e as orações, conforme lemos:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” (At 2.42)

Sem essas colunas, o crente não se mantém firme, ainda que afirme estar fundamentado em Cristo, assim como um edifício, mesmo possuindo um bom alicerce, não se sustenta sem colunas adequadas.

A manutenção do edifício espiritual consiste na prática contínua das disciplinas espirituais, conforme estudado na lição anterior: vigilância, oração, jejum, leitura e meditação na Palavra de Deus.

16 dezembro 2025

A OBRA INICIAL DO ESPÍRITO

(Comentário do 1º tópico da Lição 12: O espírito humano e o Espírito de Deus)

No primeiro tópico, são apresentados quatro subtópicos que tratam da obra do Espírito Santo na vida do crente. Inicialmente, veremos que o Espírito Santo desperta em nós a consciência e a fé, faculdades próprias do espírito humano. 

Em seguida, será abordada a pedagogia do Espírito Santo, conforme a promessa de Jesus de que o Consolador nos “ensinaria todas as coisas” (Jo 14.26).

Na sequência, veremos que o Espírito Santo renova a nossa mente, conforme a exortação paulina: “...transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12.2).

Por fim, trataremos da voz e da luz do Espírito Santo, que fala ao nosso coração e nos ilumina para compreendermos corretamente a Palavra de Deus.

1. Consciência e fé.

O comentarista nos diz aqui que “a ação do Espírito Santo começa em nossa consciência, despertando-a da culpa pelo pecado e apontando a necessidade de perdão”. Na Lição 6 deste trimestre, estudamos a consciência como o tribunal interior do ser humano. Vimos, naquela ocasião, que a nossa consciência foi criada pura, mas foi corrompida pelo pecado. Sendo assim, todos os seres humanos, sem exceção, já nascem com a sua natureza corrompida pelo pecado.

A partir desse entendimento, podemos afirmar que a atuação do Espírito Santo é indispensável para despertar a consciência humana, pois, embora ela ainda funcione como esse “tribunal interior”, já não é plenamente confiável por si mesma. Corrompida pelo pecado, ela pode tornar-se insensível, distorcida ou até justificar o erro. Por isso, o Espírito Santo age despertando a consciência, convencendo “do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8), levando o ser humano a reconhecer sua condição caída e sua total dependência da graça divina.

O Espírito Santo age também em nosso interior para produzir a fé salvífica. Essa fé nasce por meio da ministração da Palavra de Deus no poder do Espírito Santo. A fé salvífica não é resultado apenas da capacidade humana de compreender a mensagem, mas é fruto direto da ação soberana do Espírito Santo. Como ensina o apóstolo Paulo: “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Deus” (Rm 10.17). Contudo, esse “ouvir” eficaz acontece quando o Espírito Santo ilumina tanto quem anuncia quanto quem escuta.

O Espírito Santo capacita o pregador, concedendo-lhe unção, autoridade espiritual e clareza na exposição da Palavra, para que ela não seja apenas informativa, mas transformadora. Ao mesmo tempo, Ele opera no coração dos ouvintes, convencendo-os do pecado, quebrando resistências e despertando o arrependimento e a fé em Cristo. Por isso, a conversão não depende da eloquência, da retórica ou da sabedoria humana, mas do poder de Deus em ação.

Concluímos, portanto, que a salvação é inteiramente uma obra da graça divina: o Espírito Santo aplica a Palavra ao coração humano, gera a fé, conduz à conversão e inicia o processo de transformação da vida. Sem essa atuação interior do Espírito, a mensagem pode até ser ouvida externamente, mas não produzirá o novo nascimento. Entretanto, é preciso deixar claro que, apesar de o Espírito Santo realizar todo esse trabalho de despertamento da consciência e agir para produzir a fé, a decisão final continua sendo do ser humano: aceitar ou rejeitar a mensagem de Cristo.

2. A pedagogia do Espírito.

Quando o ser humano ouve a Palavra de Deus e crê nela, imediatamente ocorre a justificação, isto é, ele é declarado justo diante de Deus, não por seus próprios méritos, mas pelos méritos de Cristo. A partir desse momento, inicia-se o processo da regeneração, também conhecido como novo nascimento. Trata-se da transformação da velha natureza, corrompida pelo pecado, em uma nova criatura, segundo os padrões estabelecidos por Deus.

Essa obra não acontece de forma instantânea em todos os aspectos da vida, mas é um processo contínuo. O Espírito Santo passa a agir diariamente no crente, transformando seu caráter para que ele se torne cada vez mais semelhante a Cristo. Paralelamente à regeneração, ocorre a santificação, que consiste na separação de tudo aquilo que desagrada a Deus e na dedicação exclusiva ao Senhor.

Após a conversão, o Espírito Santo assume um papel pedagógico na vida do crente, ensinando-lhe as verdades espirituais. O apóstolo Paulo afirmou aos coríntios:

“Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus” (1 Co 2.13).

Isso significa que é o Espírito Santo quem nos capacita a compreender as verdades espirituais, revelando aquilo que, naturalmente, o ser humano não conseguiria entender por si mesmo.

Enquanto esteve fisicamente com os discípulos, Jesus ensinou muitas coisas, mas deixou claro que eles ainda não estavam preparados para receber todo o ensino:

“Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora” (Jo 16.12).

Por isso, Jesus prometeu enviar o Espírito Santo, que continuaria essa obra de ensino e orientação:

“Ele [o Espírito Santo] ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26).
“Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade” (Jo 16.13).

Essas palavras mostram que o Espírito Santo é o Mestre divino que conduz o crente à verdade plena, de forma progressiva e segura.

O apóstolo Paulo também ensinou que o Espírito Santo penetra todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus, pois somente o Espírito de Deus conhece plenamente as coisas de Deus (1 Co 2.10-12). Dessa maneira, o Espírito Santo não apenas ensina, mas também revela, orienta e concede discernimento espiritual, capacitando o crente a identificar a procedência das manifestações espirituais.

Assim, aprendemos que a pedagogia do Espírito Santo é essencial para o crescimento cristão, pois Ele nos ensina, nos guia, nos corrige e nos conduz a uma vida que glorifica a Deus.

3. A renovação da mente.

O ser humano, quando vive afastado de Deus, possui a mente corrompida pelo pecado e, por isso, tende a pensar e desejar coisas más. As Escrituras afirmam que “a inclinação da carne é inimizade contra Deus” (Rm 8.7) e que “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso” (Jr 17.9). Essa realidade revela a incapacidade do ser humano, por si mesmo, de agradar a Deus ou de viver segundo a Sua vontade.

Para que essa condição seja transformada, faz-se necessária a atuação do Espírito Santo na renovação da mente. O apóstolo Paulo exorta os crentes dizendo: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Essa renovação não é resultado de esforço humano, mas da ação contínua do Espírito Santo na vida do crente.

O Espírito Santo renova a mente segundo os padrões divinos, produzindo uma transformação interior profunda. Essa transformação ocorre de dentro para fora, conforme já estudamos na Lição 10, e se manifesta em uma nova maneira de pensar, sentir e agir. Assim, a verdadeira vitória sobre o pecado não está na força da vontade humana, mas na obra redentora de Cristo e na ação santificadora do Espírito Santo, que capacita o crente a viver em obediência à vontade de Deus.

4. Voz e luz.

A Bíblia revela que o Espírito Santo não é uma força impessoal, mas uma Pessoa divina. Ele possui intelecto, sentimentos e vontade, características próprias da personalidade. Como Pessoa da Trindade, o Espírito Santo comunica-se com o crente, falando ao íntimo do seu ser e iluminando os olhos do coração, a fim de conduzi-lo segundo a vontade de Deus.

As Escrituras apresentam diversos exemplos em que o Espírito Santo fala de maneira coletiva, dirigindo-se à Igreja. No contexto do ministério em Antioquia, enquanto os discípulos serviam ao Senhor com jejum e oração, “disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). Esse texto evidencia que o Espírito Santo orienta a Igreja em suas decisões ministeriais e missionárias. Do mesmo modo, nas mensagens às sete igrejas da Ásia, o próprio Senhor exorta: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7), destacando que a voz do Espírito continua ativa na edificação do Corpo de Cristo.

Além de falar à Igreja de forma coletiva, o Espírito Santo também se comunica individualmente com servos de Deus, dirigindo-os de maneira pessoal. Foi assim com Filipe, quando o Espírito lhe ordenou: “Chega-te e ajunta-te a esse carro” (At 8.29), conduzindo-o ao encontro do eunuco etíope. De igual modo, Pedro foi instruído pelo Espírito Santo a não resistir ao chamado que recebera, o que resultou na abertura do Evangelho aos gentios (At 10.19,29). Esses relatos confirmam que o Espírito Santo dirige e envia seus servos conforme o propósito divino.

O Espírito Santo também atua esclarecendo dúvidas e orientando a Igreja nas tomadas de decisões. No primeiro concílio realizado em Jerusalém, os apóstolos e líderes reconheceram a direção do Espírito ao afirmarem: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...” (At 15.28). Tal declaração revela a harmonia entre a liderança espiritual e a orientação divina.

Além disso, o Espírito Santo ilumina a mente do crente, concedendo entendimento espiritual e paz. O apóstolo Paulo afirma: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rm 8.14), ressaltando que a direção do Espírito é uma marca da filiação divina.

Por fim, o Espírito Santo também ilumina o crente para que compreenda sua vocação em Cristo. Conforme ensina o apóstolo, Deus concede iluminação aos olhos do entendimento “para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” (Ef 1.18). Assim, o Espírito Santo não apenas fala, mas também esclarece, guia e fortalece o povo de Deus em sua caminhada cristã.

Ev. WELIANO PIRES

15 dezembro 2025

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 12: O ESPÍRITO HUMANO E O ESPÍRITO DE DEUS

TEXTO ÁUREO: 

“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm 8.16).

VERDADE PRÁTICA:

Além do seu testemunho em nosso espírito, o Espírito Santo age no íntimo de nosso ser intercedendo, edificando e produzindo o seu fruto.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Romanos 8.14-16; 1 Coríntios 14.14; Gálatas 5.22,23

INTRODUÇÃO

Neste trimestre, estudamos três lições relacionadas ao espírito humano. Na Lição 10, refletimos sobre o espírito como o âmago, ou a parte mais profunda do ser humano, conforme a Escritura afirma que é no interior do homem que Deus opera (Pv 20.27). 

Na Lição 11, analisamos a relação entre o espírito e as disciplinas da vida cristã, destacando a necessidade do exercício espiritual para uma vida piedosa (1Tm 4.7,8).

Esta é a última lição desta série e nela abordaremos a relação entre o Espírito de Deus e o espírito humano. À luz das Escrituras, veremos a multiforme obra do Espírito Santo na vida do crente, desde a conversão, quando somos regenerados pelo Espírito (Jo 3.5–6), passando pelo processo contínuo de santificação (2Ts 2.13), até a capacitação espiritual para vivermos uma vida cristã autêntica, frutífera e agradável a Deus (Gl 5.16,22).

PALAVRA-CHAVE: COMUNHÃO

A palavra comunhão deriva do termo latino communio, formado por com (junto) e munus (dever, serviço, encargo, dom). O termo expressa a ideia de algo comum, partilhado e vivido em conjunto, indicando compromisso e participação mútua.

No Novo Testamento, a palavra traduzida por comunhão é o termo grego κοινωνία (koinonía), cujo significado envolve fraternidade, comunhão, participação e relacionamento. Biblicamente, koinonía não se limita a um sentimento de amizade, mas descreve uma relação espiritual viva, produzida pela ação do Espírito Santo na vida do crente.

As Escrituras apresentam a comunhão em três aspectos fundamentais:

  1. A comunhão entre os crentes, evidenciada pela perseverança na doutrina, no partir do pão e nas orações, bem como na partilha dos bens com os necessitados (At 2.42–45);

  2. A comunhão do crente com Deus e com Cristo, resultado do chamado divino e da obra redentora realizada em Cristo Jesus (1Co 1.9);

  3. A comunhão na Ceia do Senhor, na qual o crente participa espiritualmente do corpo e do sangue de Cristo, reafirmando sua união com Ele e com o Corpo (1Co 10.16).

No contexto desta lição, a comunhão refere-se especialmente ao relacionamento profundo e contínuo entre o espírito do crente e o Espírito Santo, conforme ensina o apóstolo Paulo: “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16).

TÓPICOS DA LIÇÃO

I. A OBRA INICIAL DO ESPÍRITO

Neste primeiro tópico, estudaremos a obra inicial do Espírito Santo na vida do crente. Veremos que é o Espírito quem desperta a consciência espiritual e gera a fé salvadora no coração humano (Jo 16.8; Ef 2.8).

Em seguida, abordaremos a pedagogia do Espírito Santo, conforme a promessa de Jesus de que o Consolador nos ensinaria todas as coisas e nos faria lembrar de tudo quanto Ele disse (Jo 14.26).

Na sequência, veremos que o Espírito Santo promove a renovação da mente, conduzindo o crente a uma transformação progressiva, conforme Romanos 12.2.

Por fim, trataremos da voz e da luz do Espírito Santo, que ilumina o entendimento do crente para compreender as Escrituras e dirige o coração na vontade de Deus (1Co 2.10–12; Sl 119.105).

II. TESTEMUNHO, INTERCESSÃO E EDIFICAÇÃO

No segundo tópico, analisaremos a atuação contínua do Espírito Santo no interior do crente. Inicialmente, veremos o testemunho do Espírito ao nosso espírito, confirmando nossa filiação divina, conforme Romanos 8.16.

Em seguida, estudaremos a intercessão do Espírito Santo, que intercede por nós com gemidos inexprimíveis, segundo a vontade de Deus, fortalecendo-nos em nossas fraquezas (Rm 8.26,27).

Embora a edificação seja mencionada no título deste tópico, o comentarista a desenvolverá de forma mais específica no tópico seguinte.

III. EDIFICAÇÃO E FRUTO DO ESPÍRITO

No terceiro e último tópico, estudaremos a edificação do espírito e o Fruto do Espírito Santo. Inicialmente, veremos que o falar em línguas contribui para a edificação pessoal, conforme o ensino do apóstolo Paulo: “O que fala em língua estranha edifica-se a si mesmo” (1Co 14.4,14).

Por fim, abordaremos as virtudes do Fruto do Espírito, descritas em Gálatas 5.22, que representam o caráter de Cristo sendo formado no crente e constituem o ponto culminante de uma vida conduzida pelo Espírito Santo.

Ev. WELIANO PIRES

A PESSOA DE DEUS PAI

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 2: Deus, o Pai) No terceiro tópico, trataremos da Pessoa de Deus, o Pai, considerando especialmente os atr...