(Comentário do 2⁰ tópico da lição 2: A porta da fé se abre entre os gentios)
Neste segundo tópico, estudaremos a missão de Paulo e Barnabé em Antioquia da Pisídia (At 13.14-52), destacando a proclamação do Evangelho na sinagoga, a rejeição da mensagem por parte de muitos judeus e sua acolhida pelos gentios. Esse episódio evidencia que a salvação em Cristo é oferecida a todos os que creem (Rm 1.16).
Inicialmente, analisaremos a exposição bíblica de Paulo na sinagoga, na qual demonstrou, pelas Escrituras, que Jesus é o Messias prometido (At 13.16-41). Em seguida, veremos a rejeição de muitos judeus à mensagem do Evangelho (At 13.44-46). Por fim, estudaremos como os gentios receberam a Palavra com alegria e fé, revelando a expansão do Reino de Deus para além de Israel (At 13.46-49).
1. A exposição apostólica que revela Cristo nas Escrituras (At 13.16-43). Partindo de Perge, na Panfília, onde João Marcos se desligou da equipe missionária e retornou a Jerusalém (At 13.13), Paulo e Barnabé seguiram para Antioquia da Pisídia (At 13.14), importante colônia romana situada na região da Galácia, no território da atual Turquia. Muitos estudiosos entendem que essa cidade fazia parte das igrejas da Galácia, às quais o apóstolo posteriormente dirigiu sua Epístola aos Gálatas.
Ao chegarem à cidade, Paulo e Barnabé foram à sinagoga, conforme o costume do apóstolo (At 13.14; 17.2). Após a leitura da Lei e dos Profetas, os líderes da sinagoga lhes concederam a oportunidade de dirigir uma palavra de exortação ao povo (At 13.15). Paulo levantou-se, fez sinal com a mão para obter a atenção dos presentes e iniciou uma notável exposição das Escrituras (At 13.16).
Em seu sermão, Paulo percorreu a história da redenção, desde a libertação de Israel do Egito, passando pelo período dos juízes, pelos reinados de Saul e Davi, até demonstrar que Jesus é o descendente prometido e o Messias enviado por Deus (At 13.17-37). Em seguida, proclamou que, por meio de Cristo, há perdão dos pecados e justificação para todo aquele que crê, concluindo com um solene apelo para que seus ouvintes não rejeitassem a mensagem da graça divina (At 13.38-41).
O sermão de Paulo evidencia que Cristo crucificado e ressurreto ocupa o centro da mensagem cristã (1 Co 1.23; 15.3,4). Da mesma forma, a Igreja continua sendo chamada a proclamar fielmente o Evangelho, anunciando o arrependimento, o perdão dos pecados e a salvação pela fé em Jesus Cristo (Mc 16.15; Lc 24.46,47; At 4.12).
2. A rejeição dos judeus e a tristeza de Paulo diante da incredulidade (At 13.44,45). A estratégia missionária de Paulo era anunciar o Evangelho primeiramente aos judeus. Sua mensagem foi dirigida aos judeus, tanto nativos quanto prosélitos, que já possuíam conhecimento prévio das Escrituras. Conforme visto no ponto anterior, o apóstolo pregou uma mensagem bíblica expositiva, demonstrando que Jesus é o cumprimento das profecias do Antigo Testamento.
A mensagem foi anunciada com clareza e fidelidade às Escrituras. O Espírito Santo capacitou o pregador para expor a Palavra e iluminou o entendimento dos ouvintes para que compreendessem a mensagem. Entretanto, as reações foram diferentes. De um lado, muitos judeus e gentios creram; de outro, alguns, mesmo compreendendo a mensagem, endureceram o coração e a rejeitaram.
Essa rejeição evidencia que o ser humano pode resistir ao chamado divino. A graça de Deus manifestou-se trazendo salvação a todos (Tt 2.11), e o desejo do Senhor é que todos sejam salvos. Contudo, nem todos respondem positivamente ao Evangelho. Foi o que aconteceu com aqueles judeus. Eles ouviram a exposição das Escrituras, que demonstrava que Jesus era o Messias prometido, presenciaram os milagres realizados por intermédio dos apóstolos e, ainda assim, recusaram-se a crer.
Diante dessa incredulidade, Paulo entristeceu-se profundamente. Ele era um judeu que amava o seu povo. Desde a infância foi instruído na Lei de Moisés e estudou aos pés de Gamaliel, um dos mais respeitados rabinos de sua época. Tornou-se doutor da Lei e integrante do partido dos fariseus. Seu zelo pelas tradições judaicas era tão intenso que o levou a perseguir ferozmente os cristãos. Contudo, diferentemente daqueles judeus de Antioquia da Pisídia, Paulo não agia por inveja ou má-fé, mas por acreditar sinceramente que estava prestando um serviço a Deus.
Apesar da rejeição de muitos judeus, Paulo não permitiu que a incredulidade do seu povo interrompesse a proclamação do Evangelho. Diante da recusa deles, os apóstolos voltaram-se aos gentios, cumprindo o propósito de Deus de levar a salvação a todas as nações (At 13.46-48). Assim, a rejeição de Israel não impediu o avanço da obra missionária, mas evidenciou que o plano redentor de Deus alcança todos aqueles que, pela fé, recebem a Cristo como Senhor e Salvador.
3. A porta da fé aberta aos gentios pela graça de Deus (At 13.46-49). A rejeição dos judeus à pregação de Paulo revelou que eles próprios se tornaram indignos da vida eterna, conforme o apóstolo lhes declarou: “...visto que a rejeitais e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios” (At 13.46). Ao ouvirem essa declaração, os gentios alegraram-se, glorificaram a Palavra do Senhor e muitos creram no Evangelho.
No versículo 48, Lucas registra: “...creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna”. Essa declaração tem levado alguns intérpretes a defenderem que essas pessoas foram predestinadas individualmente para a salvação, enquanto outras teriam sido destinadas à condenação, doutrina conhecida como dupla predestinação. Entretanto, essa interpretação não harmoniza com o ensino geral das Escrituras acerca da oferta universal da salvação.
Conforme explica o comentarista da lição, o sentido mais adequado do texto é que creram todos aqueles que responderam positivamente ao chamado da graça de Deus e, assim, estavam dispostos para a vida eterna. A salvação foi providenciada por Deus para toda a humanidade, e o desejo divino é que todos sejam salvos (1 Tm 2.3,4; Tt 2.11). Em sua presciência, Deus conhece antecipadamente aqueles que crerão, mas esse conhecimento não significa que Ele determine quem será salvo ou condenado. A responsabilidade de aceitar ou rejeitar o Evangelho permanece sendo do ser humano.
A conversão daqueles gentios marcou um momento decisivo na expansão da Igreja. A partir de Antioquia da Pisídia, tornou-se ainda mais evidente que o Evangelho não estava restrito a Israel, mas destinava-se a todas as nações, cumprindo o propósito de Deus de formar, em Cristo, um povo constituído de judeus e gentios que creem na mensagem da salvação. Como resultado, "a palavra do Senhor se divulgava por toda aquela província" (At 13.49), demonstrando que nenhuma oposição é capazde impedir o avanço do Reino de Deus.
Ev. WELIANO PIRES
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