(Comentário do 1⁰ tópico da lição 2: A porta da fé se abre entre os gentios)
Nos três tópicos desta lição acompanharemos passo a passo a primeira viagem missionária de Barnabé e Saulo, conforme podemos ver no mapa abaixo:
Neste primeiro tópico estudaremos os fatos narrados no marco inicial desta viagem, que foi a Ilha de Chipre. Embora Chipre já tivesse recebido o testemunho de cristãos dispersos (At 11.19), agora o Senhor conduzia seus servos para uma nova etapa da expansão do Evangelho, alcançando diferentes povos conforme o propósito de Cristo para a sua Igreja (At 1.8).
Também veremos o confronto entre Paulo e o mágico Elimas, que tentou impedir a conversão do procônsul Sérgio Paulo (At 13.6-12). Esse episódio evidencia que o Espírito Santo dirige a obra missionária, confirma a pregação do Evangelho e demonstra que a mensagem de Cristo é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16).
1. O envio missionário e o avanço da Palavra. Conforme estudamos na lição anterior, Barnabé e Saulo foram separados pelo Espírito Santo, na igreja de Antioquia da Síria, para a obra missionária entre os gentios (At 13.1-3). Enquanto a igreja ministrava ao Senhor com oração e jejum, o Espírito Santo disse: "Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado". Em obediência à direção divina, os irmãos jejuaram, oraram, impuseram as mãos sobre eles e os enviaram ao campo missionário (At 13.2,3).
A equipe missionária, composta por Barnabé, Saulo e João Marcos, partiu de Selêucia, porto de Antioquia, em direção à ilha de Chipre, terra natal de Barnabé (At 13.4,5). O primeiro destino foi Salamina, onde anunciaram a Palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. A existência de várias sinagogas demonstra que havia uma expressiva comunidade judaica naquela cidade, oferecendo um ponto estratégico para a proclamação inicial do Evangelho (At 13.5).
Depois de percorrerem toda a ilha, os missionários chegaram a Pafos, sede do governo romano em Chipre, onde Paulo confrontou o mágico Elimas e o procônsul Sérgio Paulo creu na mensagem do Evangelho (At 13.6-12). Em seguida, navegaram para Perge, na Panfília, onde João Marcos os deixou e retornou para Jerusalém (At 13.13). Lucas não informa o motivo dessa decisão. Dali, Paulo e Barnabé seguiram para Antioquia da Pisídia, onde anunciaram o Evangelho, enfrentaram forte oposição dos judeus e voltaram-se aos gentios (At 13.14-52). Prosseguiram para Icônio, Listra e Derbe, enfrentando perseguições, mas também testemunhando a conversão de muitos e o fortalecimento das igrejas (At 14.1-23). Ao final da viagem, retornaram a Antioquia da Síria e relataram à igreja tudo o que Deus fizera por meio deles, especialmente como abrira aos gentios a porta da fé (At 14.24-28).
Essa primeira viagem missionária ensina que a obra missionária nasce da iniciativa de Deus, é conduzida pelo Espírito Santo e conta com o apoio da igreja local (At 13.2-4). A oração, o jejum, a obediência e o envio da igreja constituem princípios permanentes para a expansão do Evangelho. Além disso, a oposição e as dificuldades não impedem o avanço da Palavra de Deus quando a missão é realizada segundo a vontade do Senhor (At 14.21-23; 2 Tm 4.2,5).
2. O confronto com as trevas e a vitória do Evangelho (vv.6-8). Ao chegarem à cidade de Pafos, Paulo e Barnabé encontraram um judeu chamado Barjesus, também conhecido por Elimas, que exercia a magia e se apresentava como falso profeta (At 13.6-8). Sua conduta contrariava frontalmente a Lei de Moisés, que condenava a feitiçaria, a adivinhação e toda forma de ocultismo (Êx 22.18; Lv 19.31; Dt 18.9-14). Em vez de conduzir as pessoas à verdade, Elimas procurava afastá-las da fé, tornando-se um opositor da obra de Deus.
Elimas fazia parte da comitiva do procônsul Sérgio Paulo, governador romano de Chipre, descrito por Lucas como um homem prudente e interessado em ouvir a Palavra de Deus (At 13.7). Ao perceber o interesse do procônsul pelo Evangelho, o falso profeta tentou desviá-lo da fé (At 13.8). Então, Paulo, cheio do Espírito Santo, discerniu a verdadeira natureza daquela oposição e pronunciou um juízo divino sobre Elimas, que ficou temporariamente cego (At 13.9-11). Diante desse acontecimento e, sobretudo, da doutrina do Senhor, Sérgio Paulo creu no Evangelho (At 13.12). A partir desse episódio, Lucas passa a utilizar predominantemente o nome Paulo, evidenciando o início de uma nova etapa de seu ministério entre os gentios.
O juízo pronunciado por Paulo não decorreu de uma iniciativa pessoal, mas da direção do Espírito Santo, em uma circunstância específica, para impedir que um opositor frustrasse a obra de Deus (At 13.9-12). Assim, esse episódio não autoriza os cristãos a pronunciarem sentenças semelhantes contra aqueles que rejeitam o Evangelho. Os sinais registrados em Atos têm como propósito confirmar a veracidade da mensagem de Cristo e testemunhar a ação soberana de Deus na expansão da Igreja (Mc 16.20; Hb 2.3,4).
3. Confiando no poder transformador do Evangelho (vv.9-12). A conversão do procônsul Sérgio Paulo constitui um dos grandes marcos da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé (At 13.12). Ao crer na mensagem de Cristo, um importante representante da administração romana tornou-se prova de que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, sem distinção de posição social, origem étnica ou condição econômica (Rm 1.16; Gl 3.28). O episódio demonstra que nenhuma barreira humana pode impedir o alcance da graça de Deus quando a Palavra é anunciada fielmente.
A narrativa de Pafos também evidencia que, embora a pregação do Evangelho encontre oposição espiritual, o poder de Deus sempre prevalece sobre as forças das trevas (Ef 6.10-18; 2 Co 10.3-5). O propósito central desse acontecimento não foi a punição de Elimas, mas a confirmação da autoridade da mensagem apostólica e o testemunho da ação soberana de Deus na conversão de Sérgio Paulo (At 13.9-12).
Essa passagem ensina à Igreja que sua principal missão continua sendo proclamar fielmente o Evangelho de Cristo, pois somente ele tem poder para salvar (Rm 1.16; 1 Co 1.18,21). A mensagem da cruz não necessita de adaptações para tornar-se eficaz, nem depende de recursos humanos para produzir transformação espiritual. O Senhor Jesus comissionou a Igreja a fazer discípulos de todas as nações, ensinando-os a guardar tudo o que Ele ordenou (Mt 28.19,20). Como embaixadores de Cristo, nossa responsabilidade é anunciar a sua Palavra com fidelidade, confiando que o Espírito Santo convence o pecador do pecado, da justiça e do juízo (2 Co 5.20; Jo 16.8).
Ev. WELIANO PIRES
Nenhum comentário:
Postar um comentário