16 maio 2026

ABRAÃO OFERECEU SEU ÚNICO FILHO

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 7: Uma prova de fé –  entrega de Isaque).

O tema do terceiro e último tópico é “Abraão ofereceu o seu único filho”. Esse assunto já foi amplamente analisado nos tópicos anteriores; por essa razão, ele não será novamente desenvolvido aqui.

No primeiro subtópico, veremos que Isaque foi um filho obediente. Mesmo sendo já um jovem capaz de subir uma montanha levando lenha e de fazer perguntas pertinentes ao pai, submeteu-se voluntariamente ao sacrifício.

Na sequência, são apresentados os acontecimentos relacionados à morte de Sara. Ela viveu cento e vinte e sete anos e enfrentou muitas provações ao lado de seu esposo. Por ser um homem de bom testemunho, Abraão recebeu dos heteus a oferta de um local para sepultar sua esposa.

Por fim, trataremos da humildade e da sinceridade de Abraão no momento em que Sara partiu para a eternidade. Abraão inclinou-se perante as pessoas que lhe ofereceram um local para o sepultamento, agradeceu-lhes, mas preferiu comprá-lo e, assim, honrou sua esposa na morte, como havia feito durante toda a sua vida.

1. Isaque, o filho obediente. Deus havia falado com Abraão para que oferecesse seu filho Isaque em holocausto, em uma das montanhas da terra de Moriá (Gn 22.1,2). Abraão levantou-se de madrugada e fez os preparativos para o sacrifício. Levando consigo Isaque e dois de seus servos, percorreram uma jornada de três dias, mas somente Abraão sabia como seria o desfecho daquela experiência..

Isaque certamente já estava acostumado aos sacrifícios realizados por seu pai, pois o acompanhava nessa atividade desde a infância. Sua pergunta acerca do cordeiro deixa isso bem claro. Ao chegarem a Moriá, sem o cordeiro para o sacrifício, Isaque viu seu pai amarrá-lo sobre o altar, demonstrando, com isso, fé, obediência e submissão a Deus e a seu pai.

Como visto nos tópicos anteriores, Isaque já era um rapaz de aproximadamente vinte anos, enquanto seu pai era um idoso de cerca de cento e vinte anos. Ele poderia facilmente ter fugido para não morrer. Entretanto, entregou-se voluntariamente ao sacrifício, sem relutar nem questionar a atitude do pai.

Isaque é um tipo de Cristo, o Cordeiro de Deus que se entregou voluntariamente por nós no Calvário. O profeta Isaías escreveu que Ele foi levado ao matadouro como um cordeiro e, como a ovelha muda perante seus tosquiadores, não abriu a boca (Is 53.7). Cristo não foi um mártir que morreu por defender suas convicções, como alguns afirmam. Sua morte não foi um acidente de percurso. Ele veio exatamente para cumprir o plano redentor de Deus e entregou-se espontaneamente por nossos pecados.

Assim como Isaque submeteu-se à vontade de seu pai terreno, Cristo submeteu-se plenamente à vontade do Pai celestial para realizar a obra da redenção. A obediência de Isaque apontava profeticamente para a perfeita obediência de Cristo, que, por amor, entregou sua vida para salvar a humanidade pecadora.

2. A morte de Sara. Depois de uma longa jornada de fé ao lado de Abraão, Sara foi chamada à eternidade. O patriarca lamentou profundamente a morte de sua esposa e chorou por ela. Esse fato revela o profundo amor que Abraão nutria por Sara, mesmo vivendo em uma cultura na qual, em muitos contextos, a mulher era pouco valorizada.

Sara era uma mulher de rara beleza, a ponto de despertar a cobiça dos egípcios, ainda que já estivesse em idade avançada. No entanto, suas virtudes não se limitavam à aparência física. Embora não fosse perfeita, confiou em Deus e acompanhou Abraão em seu chamado durante muitos anos, permanecendo ao seu lado e sendo uma companheira fiel.

Ao longo da vida, Abraão honrou sua esposa. Em determinados momentos, vemos sua disposição em ouvir suas sugestões, como no episódio envolvendo Agar e o nascimento de Ismael. Na morte de Sara, essa honra se expressa de maneira ainda mais evidente: Abraão lamenta sua partida e providencia um sepultamento digno. Esse comportamento reflete o cuidado e o respeito que devem marcar a vida conjugal.

Sendo estrangeiro naquela terra, Abraão dirigiu-se aos proprietários locais e solicitou um lugar para sepultar sua esposa. Em razão de seu bom testemunho entre aquele povo, conquistou respeito, sendo reconhecido como “príncipe de Deus entre nós”, e recebeu a oferta de um local para o sepultamento de Sara (Gn 23.6).

3. Abraão, humilde e sincero. Diante do gesto honroso dos heteus, Abraão agradeceu-lhes a gentileza, inclinando-se perante todos. Essa atitude do patriarca revela sua humildade, pois, embora fosse um homem rico e influente, demonstrou respeito diante daquele povo. A humildade é uma virtude presente na vida dos servos de Deus, visto que o Senhor aborrece a soberba e honra os humildes.

Abraão não aceitou receber gratuitamente o terreno, preferindo adquirir legalmente a propriedade de sua escolha: a cova de Macpela, que se tornou o sepulcro de sua família (Gn 23.8,9). Essa decisão evidencia também a integridade de seu caráter, pois ele não era oportunista nem procurava tirar vantagem das circunstâncias.

Além disso, naquela época, as terras não eram comercializadas livremente como ocorre atualmente. As propriedades eram preservadas no âmbito familiar e transmitidas aos descendentes, sendo incomum sua venda a estrangeiros.

A aquisição desse campo para servir de sepultura à sua família demonstra ainda que Abraão havia rompido definitivamente seus vínculos com a Mesopotâmia, de onde Deus o chamou. Naquele tempo — e ainda hoje, em algumas culturas — muitas pessoas desejam ser sepultadas em sua terra natal. Mesmo vivendo durante anos longe de sua origem, algumas expressam aos familiares o desejo de que seus corpos sejam trasladados para sua terra após a morte.

Esse episódio também demonstra a fé de Abraão nas promessas divinas. Ao adquirir uma propriedade na terra de Canaã para sepultar sua família, o patriarca testemunhava sua convicção de que aquela terra pertenceria, futuramente, aos seus descendentes, conforme a promessa do Senhor.

Ev. WELIANO PIRES 

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