07 janeiro 2026

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 2: O DEUS PAI

 


TEXTO ÁUREO:

“Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt 11.27c).


VERDADE PRÁTICA:

Conhecemos a identidade, os atributos e a glória do Deus Pai por meio da revelação de Cristo e da ação do Espírito Santo.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Mateus 11.25-27; João 14.6-11.


OBJETIVOS DA LIÇÃO:

I) Reconhecer, biblicamente, a identidade de Deus Pai; 

II) Entender que o Pai se revela plenamente em Cristo; 

III) Identificar atributos e nomes que expressam a natureza de Deus Pai.


Palavra-Chave: PAI

Na Bíblia, o termo pai possui ampla gama de significados, variando conforme o contexto linguístico, histórico e teológico.

No hebraico, a palavra traduzida por pai é ʼâb (אַב). Esse termo pode designar o pai biológico de um indivíduo, bem como um antepassado, avô ou patriarca. Também é empregado para indicar o fundador de uma casa, família, clã ou nação. Em outros contextos, refere-se ao originador ou patrono de uma profissão, arte ou ofício. Em sentido figurado, ’av expressa ideias de proteção, benevolência, autoridade, respeito e honra, sendo inclusive usado como título aplicado a governantes ou líderes do povo.

No grego, o termo correspondente é patḗr (πατήρ), igualmente rico em significados. Pode indicar o gerador biológico, um antepassado remoto, ou ainda o fundador de uma família, tribo ou povo. O termo é usado para designar os patriarcas, como Abraão, Isaque, Jacó e Davi. Em sentido figurado, patḗr pode referir-se ao originador ou transmissor de algo, a um mentor espiritual, ou àquele que exerce cuidado e autoridade de maneira paternal. O vocábulo também era utilizado como título de honra atribuído a mestres da Lei e a membros do Sinédrio.

As Escrituras apresentam Deus como Pai em diversos sentidos. Ele é revelado como Pai da criação, incluindo os luminares celestes e todos os seres inteligentes e racionais que Ele criou e governa (cf. Is 64.8). Deus também é chamado de Pai dos que creem em Jesus Cristo, os quais, mediante a fé, são feitos filhos por adoção, sendo introduzidos em um relacionamento íntimo, pessoal e familiar com Ele (cf. Rm 8.15; Gl 4.4,5).

De modo singular e absoluto, Deus é apresentado como Pai de Jesus Cristo. Jesus é identificado nas Escrituras como o Filho Unigênito de Deus. O termo grego monogenḗs (μονογενής) significa “único do seu gênero”, “exclusivo”. Cristo é o Filho Unigênito porque Ele é o único que possui a mesma essência do Pai, sendo eterno, divino e consubstancial com Deus. Essa filiação distingue Jesus de todos os demais filhos de Deus, que o são por criação ou adoção (cf. Jo 1.14,18; 3.16; Hb 1.3).

INTRODUÇÃO 


Esta é a segunda lição sobre a Doutrina da Santíssima Trindade. Na semana passada, tivemos uma lição introdutória sobre o assunto, tomando como base o batismo de Jesus como exemplo da manifestação simultânea das três Pessoas divinas.


Nas próximas três lições, falaremos sobre a primeira Pessoa da Santíssima Trindade, que é o Pai, de quem procedem o Filho e o Espírito Santo. Quando dizemos que o Filho e o Espírito Santo procedem do Pai, é preciso tomar cuidado para não cair no erro de imaginar que o Pai os criou, ou que houve um tempo em que não existiam o Filho e o Espírito Santo, como dizem os unitaristas. Esta procedência não se refere a princípio ou ao tempo, mas à relação eterna entre as três pessoas divinas.


Nesta primeira lição sobre a Pessoa do Pai, estudaremos a identidade, a revelação e a Pessoa de Deus Pai, conforme a Bíblia nos revela. Na introdução desta lição, o comentarista afirma que a doutrina da Trindade significa um só Deus em três Pessoas, que são coeternas, consubstanciais e distintas. Isso significa que:

a) as três Pessoas existem juntas por toda a eternidade, e nenhuma delas teve princípio (coeternas);

b) as três Pessoas são iguais em essência, natureza e poder (consubstanciais);

c) as três Pessoas são distintas, ou seja, o Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo, e vice-versa.


TÓPICOS DA LIÇÃO


I. A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI

Neste primeiro tópico, trataremos da identidade de Deus, o Pai. Inicialmente, veremos que o Pai é o Único Deus Verdadeiro, ressaltando o papel de Deus como Pai enquanto Criador e sustentador de todas as coisas. Nesse ponto, o professor deve ter especial cuidado para não incorrer no erro do unitarismo, que ensina que somente o Pai é Deus verdadeiro e que o Filho seria uma criatura do Pai. A revelação bíblica afirma que Deus é uma unidade composta, de modo que Pai, Filho e Espírito Santo são o mesmo Deus, coexistindo eternamente como três Pessoas distintas, porém consubstanciais.

Na sequência, abordaremos o Pai como a fonte da divindade. Aqui também é necessário cautela para evitar o erro do subordinacionismo, que defende a superioridade do Pai em relação ao Filho, e do Filho em relação ao Espírito Santo. Embora a Bíblia apresente o Pai como a origem e fonte eterna da divindade, isso não implica prioridade temporal, hierarquia ontológica ou desigualdade de essência. Trata-se de uma distinção relacional e funcional, conforme já exposto na introdução desta lição, e não de natureza ou valor.

Por fim, veremos que o Pai age por meio do Filho e do Espírito Santo. Essa verdade não sugere inferioridade entre as Pessoas da Santíssima Trindade, mas descreve a forma harmoniosa e ordenada como cada Pessoa divina atua tanto na criação quanto na redenção do ser humano. É fundamental esclarecer que as três Pessoas da Trindade são iguais em essência, eternas e inseparáveis em suas obras. Assim, em todas as ações do Pai, o Filho e o Espírito Santo também participam, e o mesmo ocorre nas obras do Filho e do Espírito, preservando a perfeita unidade do Deus Triúno.

II. O PAI REVELADO EM CRISTO

No segundo tópico, veremos que o Pai foi revelado em Cristo. Inicialmente, observaremos que o Pai se revela aos humildes. Analisaremos a declaração de exaltação feita por Jesus em Mateus 11.25, quando disse: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.” Essa afirmação evidencia que a revelação divina não depende do saber humano ou da sabedoria meramente intelectual, mas de um coração humilde e disposto a receber a verdade de Deus.

Na sequência, veremos que o Pai se faz conhecer por meio do Filho, conforme a declaração de Jesus: “Ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27). Deus é um Ser transcendente, isto é, está infinitamente além da plena compreensão humana. Por essa razão, Ele só pode ser verdadeiramente conhecido mediante a revelação que ocorre em Cristo. O Filho é o único mediador entre Deus e os homens (cf. 1Tm 2.5) e o único plenamente capacitado para revelar a natureza, a vontade e o amor do Pai.

Por fim, veremos que quem vê o Filho, vê o Pai, com base no diálogo entre Jesus e Filipe. Diante do pedido do discípulo — “Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta” — Jesus respondeu: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.8,9). Essa declaração revela a unidade perfeita entre as Pessoas da Santíssima Trindade e afirma que Jesus Cristo é a expressão exata e visível do Pai. Assim, conhecer a Cristo é conhecer o próprio Deus, conforme Ele se revelou de forma plena e definitiva.

III. A PESSOA DE DEUS PAI

No terceiro tópico, trataremos da Pessoa de Deus, o Pai, considerando especialmente os atributos pelos quais Ele se revela nas Escrituras. Esses atributos nos ajudam a compreender quem Deus é em Sua essência e como Ele se relaciona com a Sua criação.

Inicialmente, abordaremos os atributos incomunicáveis do Pai, isto é, aquelas qualidades exclusivas da divindade, que não podem ser compartilhadas com nenhuma criatura. Entre esses atributos estão a eternidade, a imutabilidade, a onipotência, a onisciência, a onipresença e a autoexistência. Tais perfeições revelam a absoluta singularidade de Deus e demonstram que Ele é infinito, soberano e plenamente suficiente em Si mesmo.

Na sequência, estudaremos os atributos comunicáveis do Pai, que são qualidades divinas relacionadas ao aspecto moral e relacional do Criador. Esses atributos, como o amor, a bondade, a justiça, a misericórdia, a santidade e a fidelidade, são compartilhados com o ser humano de forma limitada, uma vez que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Contudo, essas qualidades jamais se manifestam de maneira plena no ser humano, em razão da sua condição de imperfeição e da realidade do pecado, sendo plenamente reveladas somente em Deus.

Por fim, trataremos dos nomes que revelam o Pai. Diferentemente da compreensão comum da cultura ocidental, na qual os nomes frequentemente servem apenas como identificação pessoal, na Bíblia os nomes de Deus expressam aspectos do Seu caráter, da Sua natureza e da Sua atuação. Assim, nomes hebraicos como El Shadday, Adonai, YHWH, El Shaddai, e o grego Kyrios, revelam verdades profundas acerca de quem Deus é e de como Ele se relaciona com o Seu povo, fortalecendo a fé e a compreensão teológica do crente.


04 janeiro 2026

DEUS PAI

(Subsídio da Revista Ensinador Cristão/CPAD)

Nesta lição, conheceremos com maiores detalhes a identidade do Pai, Seus atributos e Sua revelação ao homem. As Escrituras comprovam a coexistência das três Pessoas da Santíssima Trindade, bem como a forma como cada Pessoa se manifesta no decorrer da história (Mt 28.19; Rm 1.20). A maior revelação da Pai e que nos aproxima de Sua natureza é a Pessoa de Jesus Cristo. Enquanto esteve neste mundo, Ele revelou quem é o Pai, a saber, um Deus amoroso, compassivo, cheio de misericórdia e disposto a perdoar os pecadores e trazê-los para perto de si (Jo 3.16). O Pai se fez conhecer ao mundo por intermédio do Filho e desfaz, por meio dEle, as inimizades que separam a humanidade do seu Criador (Ef 2.15-17).

Conhecer a unidade e a inseparabilidade entre o Pai e o Filho é essencial para o nosso relacionamento com Deus (Jo 10.30). Para compreendermos com clareza a natureza do Pai, precisamos conhecer algumas de Suas qualidades mais inerentes, também chamadas pelos estudiosos de atributos. Os atributos são as qualidades que Deus manifesta em Seu caráter e O tornam conhecido. Esses atributos são classificados como incomunicáveis, que são aqueles que pertencem exclusivamente a Ele; e comunicáveis, que são os que compartilha com as Suas criaturas. Dentre os atributos naturais de Deus, há um que nos garante conhecer a Sua Pessoa, mesmo de forma limitada. Estamos falando da cognoscibilidade. A respeito de Deus, esse termo significa que Ele pode ser conhecido e compreendido intelectualmente pelo ser humano.

Nessa perspectiva, de acordo com a obra Teologia Sistemática: uma Perspectiva Pentecostal (CPAD), editada pelo teólogo Stanley Horton, “Deus não se oculta para encobrir seus atributos, mas para deixar-nos bem patentes nossos limites diante do seu ilimitado poder. Pelo fato de Deus ter decidido agir através de seu Filho (Hb 1.2) e ter a sua plenitude habitando nEle (Cl 1.19), podemos estar confiantes de que encontraremos em Jesus as grandiosas manifestações do caráter divino. Jesus não somente torna conhecido o Pai, como também revela o significado e a importância do Pai Celestial. [...] Se temos algum conhecimento de Deus é porque Ele optou por se nos revelar. Mas este conhecimento que agora temos, embora confessadamente limitado, é mui glorioso e constitui-se na base suficiente de nossa fé” (2021, pp.129,130). Partindo desse princípio, esclareça aos alunos que conhecer a Deus significa conhecer Suas qualidades e submeter-se à Sua vontade, revelada nas Escrituras. Deus quer ter um relacionamento pleno e verdadeiro com Sua criação, principalmente, com o ser humano, a maior obra de Suas mãos. 

FONTE: Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, Ed. 104, p.37

02 janeiro 2026

A RELEVÂNCIA DA TRINDADE PARA A FÉ CRISTÃ

(Comentário do 3º tópico da Lição 1: O mistério da Santíssima Trindade).

No terceiro tópico, trataremos da importância da Doutrina da Trindade para a fé cristã. Inicialmente, abordaremos o desenvolvimento histórico dessa doutrina no seio da Igreja. Embora a Trindade seja uma verdade claramente ensinada nas Escrituras, sua formulação teológica e compreensão sistematizada foram progressivamente desenvolvidas, sendo definidas de forma mais precisa nos Concílios de Nicéia (325 d.C.) e de Constantinopla (381 d.C.). 

Em seguida, destacaremos as implicações doutrinárias da Trindade para a fé cristã, demonstrando sua centralidade para a correta compreensão de Deus e da salvação. Nesse contexto, refutaremos algumas heresias que negam ou distorcem essa doutrina, tais como: o triteísmo, que defende a existência de três deuses; o unitarismo, que ensina que somente o Pai é Deus; e o unicismo, também conhecido como modalismo, que afirma haver apenas uma Pessoa na Divindade, a qual se manifesta de três formas distintas.

1. Desenvolvimento doutrinário da Trindade. Quando falamos sobre a doutrina da Trindade, uma das primeiras acusações feitas pelos que contestam essa doutrina é que ela teria sido criada pela Igreja Católica após a conversão do imperador romano Constantino, que, supostamente, teria introduzido o paganismo na Igreja e criado novas doutrinas.

Entretanto, isso não é verdade. Primeiro, porque Constantino não se converteu à Igreja Católica, pois ela ainda não existia na ocasião de sua conversão. Constantino se converteu no ano de 312 d.C. Nessa época, ainda não existia a Igreja Católica com Papa, conforme a conhecemos hoje. Existia apenas a Igreja Cristã.

O Catolicismo se desenvolveu somente a partir do século IV. No ano de 380 d.C., com o Édito de Tessalônica, o imperador Teodósio I declarou o cristianismo niceno como a única religião oficial do Império Romano. A partir daí, outras religiões passaram a ser progressivamente reprimidas. Teodósio proibiu oficialmente os cultos pagãos e fechou templos tradicionais. O primeiro papa foi Leão Magno, a partir de 440 d.C.

Conforme já vimos nos tópicos anteriores, a doutrina da Trindade é amplamente fundamentada nas Escrituras. No Antigo Testamento, embora ainda não houvesse a revelação explícita da Trindade, ela está implícita em vários textos, conforme vimos no tópico anterior. No Novo Testamento, porém, fica claro a existência de três Pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Os primeiros cristãos criam em um Deus Trino. Tanto que, no chamado Credo Apostólico, um documento escrito no século II da Era Cristã e atribuído pela tradição aos apóstolos, fica muito claro que eles criam em um Deus Trino. Eu destaquei em negrito as partes que fazem menção às três pessoas da Trindade:

"Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, nosso Senhor; que foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria; sofreu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, e desceu ao Hades; e ressuscitou da morte ao terceiro dia; que subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus, o Pai Todo-Poderoso; de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja cristã, na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; e na vida eterna."

Nos primeiros séculos da Igreja, surgiram várias heresias, e os apologistas da Igreja precisaram se debruçar sobre as Escrituras e se posicionar contra essas heresias. As primeiras heresias diziam respeito à Pessoa de Cristo, no que tange à sua divindade e à sua humanidade. Posteriormente, surgiram também heresias sobre a Pessoa do Espírito Santo e sobre a Trindade.

O Concílio de Nicéia, em 325 d.C., foi a primeira formulação teológica da doutrina da Trindade, contra as heresias dos unicistas e unitaristas, contendo também a condenação da Igreja aos hereges:

"Cremos em um só Deus, Pai Onipotente, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, o Unigênito do Pai, que é da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, Verdadeiro Deus de Verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância [homooúsios] com o Pai, por meio de quem todas as coisas vieram a existir, as coisas que estão no céu e as coisas que estão na terra, que por nós, homens, e por nossa salvação desceu e foi feito carne, e se fez homem, sofreu, e ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, e virá para julgar os vivos e os mortos. E também no Espírito Santo. Mas aqueles que dizem: “Houve um tempo quando ele não era”; e “Ele não era antes de ter nascido”; e “Ele foi feito do que não existe”, ou “Ele é de outra substância” ou “essência”, ou “O Filho de Deus é criado”, ou “mutável”, ou “alternável” — eles são condenados pela Igreja cristã e apostólica."

O Concílio de Constantinopla foi convocado em 381 d.C. para reafirmar as decisões do Concílio de Nicéia e esclarecer algumas disputas cristológicas relacionadas à natureza de Cristo. Na parte que fala sobre as três pessoas da Trindade, o Concílio de Constantinopla declarou o seguinte:

"Cremos em um só DEUS, o Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, o gerado do Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz de Luz, Verdadeiro Deus de Verdadeiro Deus, gerado e não feito, da mesma substância do Pai […] E no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai e do Filho, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado..."

Concluímos, portanto, que a doutrina da Santíssima Trindade não foi uma formulação teológica tardia acrescentada à fé cristã pela Igreja Romana, como acusam seus opositores. Ela é uma doutrina que emerge das Escrituras, assim como as demais doutrinas cristãs, e que já era professada pelos cristãos no período apostólico. Foi por causa do surgimento das heresias que os líderes da Igreja precisaram estudar o assunto a partir das Escrituras e elaborar o seu Credo.

2. Implicações doutrinárias. Alguém pode perguntar: Mas qual é a importância de se estudar a doutrina da Santíssima Trindade? Quais são as implicações da negação dessa doutrina? Eu mesmo já vi crentes da Assembleia de Deus, que são fãs de um grupo herege que nega esta doutrina, dizendo que não é uma doutrina fundamental, como se fosse algo opcional, ou uma simples divergência teológica, como se houvesse mais de uma opinião a respeito.

Ora, a doutrina da Santíssima Trindade é bíblica e inegociável. Negar esta doutrina implica em negar as Escrituras, e isso é gravíssimo. Conforme colocou o comentarista, a negação da Trindade resultou em heresias como o Unitarismo (ou Arianismo), o Modalismo (ou Sabelianismo) e o Triteísmo.

O Unitarismo também nega a doutrina da Trindade e afirma que somente o Pai é Deus. Crêem que Jesus é o Filho de Deus, mas não é divino. Essa heresia é chamada também de Arianismo, pois foi defendida inicialmente pelo presbítero Ário de Alexandria. Um dos movimentos religiosos da atualidade que mais se assemelha ao Arianismo são as Testemunhas de Jeová, que dizem que somente o Pai é Deus, que Jesus Cristo é um deus menor, criado pelo Pai, e que o Espírito Santo é uma força impessoal.

O Unicismo é outra heresia sobre a doutrina da Trindade, que defende que Pai, Filho e Espírito Santo são, na verdade, uma única pessoa que se manifesta de três modos diferentes. Segundo essa visão, Deus era o Pai no Antigo Testamento, no Novo Testamento era o Filho e, após a ascensão de Cristo, Deus se tornou o Espírito Santo. Os principais propagadores dessa heresia foram Noeto, Praxeas e Sabélio. Por isso, ela é também chamada de Sabelianismo.

O Unicismo praticamente desapareceu depois que Dionísio de Antioquia enfrentou Sabélio e combateu eficazmente suas heresias. Contudo, renasceu com John G. Schepp, que fundou a seita “Só Jesus”. Atualmente, há muitos grupos unicistas. No Brasil, os mais conhecidos são: a Igreja Evangélica Voz da Verdade, Igreja Local, Tabernáculo da Fé e Testemunhas de Yehoshua.

O Triteísmo, por sua vez, é uma heresia que surgiu a partir de uma interpretação errada da doutrina da Trindade. Segundo o Triteísmo, existem três deuses separados, ou seja, três deuses independentes, que coexistem, mas não estão unidos em uma única essência divina. Cada uma dessas Pessoas teria uma natureza diferente e seria uma divindade. Trata-se de uma forma de politeísmo, pois crê-se em três deuses, o que contradiz o monoteísmo bíblico. Essa ideia foi discutida e refutada nos primeiros concílios da Igreja, especialmente nos Concílios de Nicéia e Constantinopla I.

Negar a doutrina da Trindade, ou ter uma crença distorcida sobre as Pessoas da Santíssima Trindade, compromete a salvação, e a Bíblia é clara sobre isso:

“E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, só por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3)

“Todo aquele que nega o Filho, também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho, tem também o Pai.” (1 João 2:23)

Ev. WELIANO PIRES

31 dezembro 2025

A DISTINÇÃO E A UNIDADE DAS PESSOAS DIVINAS

(Comentário do 2º tópico da Lição 01: O mistério da Santíssima Trindade)

Neste segundo tópico, trataremos da distinção e da unidade das Pessoas da Santíssima Trindade. Inicialmente, afirmaremos a unidade divina, ressaltando que Deus é uma só essência (ousia), única e indivisível. Ao mesmo tempo, destacaremos a distinção pessoal, visto que essa única essência subsiste eternamente em três Pessoas (hipóstases): o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Em seguida, abordaremos a pluralidade das Pessoas divinas no Antigo Testamento. Embora a doutrina da Trindade não seja ali revelada de forma plena e explícita, diversos textos veterotestamentários apontam para uma pluralidade no ser divino, sem que isso comprometa a unidade de Deus.

Por fim, analisaremos a revelação clara da Trindade no Novo Testamento, especialmente por meio da fórmula batismal trinitária (Mt 28.19), da bênção apostólica (2Co 13.13) e da atuação conjunta das três Pessoas da Santíssima Trindade na obra da salvação.

1. Unidade e distinção pessoal.

Aqui, o comentarista nos apresenta a premissa fundamental da doutrina da Trindade: a afirmação de que Deus é uma só essência (gr. ousía), mas subsiste em três pessoas distintas (gr. hypóstasis): o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Em outras palavras, há um só Deus e três pessoas.

A Bíblia demonstra essa verdade de forma clara em diversos textos. No Antigo Testamento, vemos explicitamente a unidade de Deus. Mesmo após o advento do pecado, os filhos de Adão adoravam a um único Deus (Gn 4.3-5). Somente com a multiplicação do pecado o mundo afastou-se de Deus e tornou-se politeísta. Nos dias de Noé, apenas ele e sua família serviam ao Senhor.

O Deus de Israel é único e não admite outros deuses. No Decálogo, há a expressa proibição da adoração a outros deuses:

“Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra” (Êx 20.3,4).

Em Deuteronômio 6.4, que constitui a confissão de fé do judaísmo, Yahweh também é apresentado a Israel como o único Deus verdadeiro:

“Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR.”

Entretanto, na mesma Bíblia, vemos que não apenas o Pai, mas também o Filho e o Espírito Santo são chamados de Deus. Com relação ao Pai, não há dúvidas, pois Ele é chamado de Deus em toda a Escritura. Contudo, em João 1.1, o apóstolo João afirma: “[…] o Verbo era Deus”, referindo-se ao Filho.

No livro de Atos dos Apóstolos 5.3,4, Pedro repreendeu Ananias, dizendo:

“[…] Por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo […]? Não mentiste aos homens, mas a Deus.”

Ou seja, quem mente ao Espírito Santo mente a Deus, pois Ele é Deus.

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, no capítulo III, que trata da doutrina da Trindade, afirma:

“Cremos, professamos e ensinamos o monoteísmo bíblico, que Deus é uno em essência ou substância, indivisível em natureza e que subsiste eternamente em três pessoas — o Pai, o Filho e o Espírito Santo —, iguais em poder, glória e majestade e distintas em função, manifestação e aspecto […]. As Escrituras Sagradas claramente revelam que a Trindade é real e verdadeira: uma só essência, uma só substância, em três pessoas. Cada pessoa da Santíssima Trindade possui todos os atributos divinos: onipotência, onisciência, onipresença, soberania e eternidade. A Bíblia chama textualmente de Deus cada uma delas; contudo, as Escrituras Sagradas afirmam que há um só Deus e que Deus é um” (1Co 8.6; Gl 3.20; Ef 4.6).”

2. A Pluralidade na Unidade no Antigo Testamento. Embora a doutrina da Trindade não seja revelada diretamente no Antigo Testamento, visto que a revelação tanto do Filho quanto do Espírito Santo ocorre de maneira plena apenas no Novo Testamento, há várias evidências da pluralidade das Pessoas divinas dentro da unidade de Deus no Antigo Testamento.

Logo no primeiro versículo da Bíblia, a Trindade já se faz presente:

“No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1).

No texto em português, essa realidade não é facilmente perceptível; entretanto, no texto hebraico ela se torna evidente. O termo traduzido por “Deus” nesse versículo é Elohim. Em hebraico, a palavra “Deus” é El, e sua variação é Elohah. Elohim é o plural de Elohah.

O verbo “criou”, no texto hebraico, é bará e encontra-se no singular. Ou seja, o sujeito está no plural, enquanto o verbo está no singular. Em português, isso configuraria um erro de concordância verbal, pois, em nossa gramática, o verbo concorda com o sujeito. Dessa forma, a explicação mais coerente é que Elohim, embora plural, expressa uma unidade composta, apontando para a Trindade.

Embora a palavra Elohim também seja entendida por estudiosos judeus como um “plural de majestade”, à luz da revelação progressiva das Escrituras, principalmente no Novo Testamento, essa explicação não exclui a evidência da pluralidade das pessoas divinas na palavra Elohim. 

Há ainda, no Antigo Testamento, diálogos divinos, como no relato da criação do homem e no episódio da construção da Torre de Babel, nos quais Deus utiliza verbos e pronomes no plural para referir-se a Si mesmo. Quando Deus criou o homem, disse:

“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26).

Tanto o verbo “façamos” quanto o pronome “nossa” estão no plural.

Da mesma forma, quando homens ímpios intentaram construir a Torre de Babel, Deus declarou:

“Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro” (Gn 11.7).

Com quem Deus estaria falando ao empregar os verbos “desçamos” e “confundamos” na primeira pessoa do plural? A única explicação coerente é que se trata de um diálogo entre as Pessoas da Santíssima Trindade. Esse plural não pode ser atribuído aos anjos, pois o ser humano foi criado à imagem de Deus, e não de seres criados (Gn 9.6). Além disso, o próprio texto afirma que Deus criou o homem, reforçando a unidade da ação divina (Gn 1.27).

O mesmo ocorre na chamada do profeta Isaías. Após um dos serafins voar até ele e tocar-lhe os lábios com uma brasa retirada do altar, declarando que o seu pecado fora purificado, Isaías ouviu a voz do Senhor, que dizia:

“A quem enviarei? E quem há de ir por nós?” (Is 6.8).

Nesse texto, o verbo “enviarei” está no singular, enquanto o pronome “nós” está no plural, evidenciando que Deus é uma unidade em essência, mas subsiste em três Pessoas.

3. A Trindade Explicitada no Novo Testamento. Se, por um lado, o Antigo Testamento não apresenta uma formulação explícita da doutrina da Trindade, mas apenas indícios e evidências da doutrina da Santíssima Trindade, o Novo Testamento afirma, de maneira inequívoca, a existência de um único Deus que subsiste eternamente em três Pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 28.19).

Vários textos do Novo Testamento demonstram claramente a distinção das três Pessoas da Trindade. O primeiro deles é o texto da Grande Comissão, em Mateus 28.19, que diz:

“Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.

Neste versículo, vemos a pluralidade das Pessoas divinas sendo explicitada. O uso do singular "Nome" (e não "nomes") indica a unidade da essência divina, enquanto a pluralidade das Pessoas é claramente apresentada.

Outro texto significativo é 1 Coríntios 12.4-6, que fala da distribuição dos dons espirituais e diz:

“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.”

Neste texto, temos uma referência direta às três Pessoas: o Espírito Santo, o Senhor (Jesus Cristo) e Deus (o Pai), demonstrando a ação conjunta de cada uma das Pessoas da Trindade no corpo de Cristo e na edificação da Igreja.

Além disso, em 2 Coríntios 13.13 (ou 14, dependendo da versão), encontramos a bênção apostólica que reafirma a Trindade:

“A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo seja convosco.”

Aqui, novamente, vemos as três Pessoas divinas sendo mencionadas com funções distintas, mas sempre em unidade.

Em todos esses textos, está clara a existência das três Pessoas divinas, mas não há confusão entre elas. O Novo Testamento deixa patente que, embora Pai, Filho e Espírito Santo sejam três Pessoas distintas, elas são um só Deus. Essa distinção entre as três Pessoas da Santíssima Trindade está amplamente documentada em diversos acontecimentos do Novo Testamento, os quais demonstram que, embora sejam pessoas distintas, não são deuses diferentes.

A primeira distinção clara entre as três Pessoas da Trindade pode ser observada no batismo de Jesus (Mt 3.16-17; Mc 1.9-11; Lc 3.21-22). Neste episódio, o Filho é batizado, o Pai fala do Céu, e o Espírito Santo desce em forma de pomba sobre Jesus. Este é um exemplo claro de uma manifestação simultânea das três Pessoas divinas, cada uma com um papel distinto, mas em plena harmonia.

Outro exemplo claro de distinção entre as Pessoas é encontrado na Oração Sacerdotal de Jesus em João 17, onde o Filho se dirige ao Pai, confirmando que são duas Pessoas distintas. Ele diz:

“Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.” (Jo 17.4,5).

Aqui, Jesus não está falando consigo mesmo, mas com o Pai. Ele enfatiza que antes da fundação do mundo, o Pai e Ele já existiam como duas Pessoas distintas, e essa relação é uma expressão de união e distinção.

Além disso, nos discursos de Jesus, especialmente na promessa do envio do Consolador (o Espírito Santo), Ele menciona novamente as três Pessoas da Trindade:

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16-17).

Neste versículo, Jesus está claramente diferenciando a si mesmo como o Filho, rogando ao Pai (não a Si mesmo) e prometendo o envio do Espírito Santo. Isso revela não apenas a distinção das Pessoas, mas também o relacionamento entre elas no plano de redenção.

Há muitas outras referências bíblicas que afirmam a distinção entre as Pessoas da Trindade, como em João 15.26, onde Jesus fala novamente sobre o Espírito Santo, e em várias epístolas paulinas (cf. Ef 1.3-14; 2Co 1.21-22). A ideia de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três Pessoas distintas, mas um só Deus, é uma doutrina central no Novo Testamento.

Ev. WELIANO PIRES

A REVELAÇÃO TRINITÁRIA NO BATISMO DE JESUS

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 1: O Mistério da Santíssima Trindade)

No primeiro tópico, abordaremos a revelação trinitária presente no batismo do Senhor Jesus. Inicialmente, trataremos do batismo do Filho de Deus como um ato de obediência ao plano redentor do Pai, no qual Ele se identifica com a humanidade pecadora que veio resgatar do pecado.

Na sequência, destacaremos a descida do Espírito Santo como um ato de unção pública e visível do ministério de Jesus, indicuando que Ele é o Messias prometido a Israel e o Salvador do mundo.

Por fim, consideraremos a voz do Pai, ouvida do céu, declarando: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Essa declaração pública de aprovação ao Filho remete às profecias do Antigo Testamento e confirma a identidade messiânica de Jesus, bem como a sua divindade.

1. O batismo do Filho: a obediência de Cristo. O batismo nas águas é uma ordenança de Cristo a todos aqueles que nele creem, constituindo-se em um testemunho público do sepultamento da velha natureza e do surgimento de uma nova criatura. O batismo não salva, não remove pecados e não representa o novo nascimento. Trata-se, antes, de um símbolo externo daquilo que já ocorreu interiormente na vida daquele que creu em Jesus.

João Batista iniciou o seu ministério pregando o arrependimento dos pecados no deserto da Judeia. Pessoas de Jerusalém, de toda a Judeia e das regiões circunvizinhas dirigiam-se até ele para serem batizadas, confessando os seus pecados. João condicionava o batismo a uma atitude genuína de arrependimento e repreendeu severamente os escribas e fariseus que se aproximaram para ser batizados sem demonstrarem tal arrependimento, dizendo:

“Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.7,8).

Nesse contexto, Jesus veio da Galileia ao rio Jordão e apresentou-se a João para ser batizado por ele. Naturalmente, João estranhou tal atitude e declarou:

“Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?” (Mt 3.14).

O questionamento de João Batista fazia sentido, pois ele pregava o batismo de arrependimento para os pecadores. Ele sabia que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Se Jesus não tinha pecado (Hb 4.15) e é aquele que perdoa os pecados (Mt 9.6), por que, então, precisava ser batizado?

A explicação para o batismo de Jesus encontra-se em seu propósito redentor. Trata-se de um ato de obediência ao Pai, por meio do qual Jesus identificou-se com a humanidade pecadora que veio salvar. O seu batismo fazia parte do plano redentor do Pai, que incluía também a sua morte e ressurreição. Assim, Jesus, sendo Deus, humilhou-se a si mesmo, assumiu a condição humana e foi obediente ao Pai em todas as coisas (Fp 2.8).

2. A descida do Espírito: a unção para o Ministério. Convencido por Jesus, João Batista O batizou nas águas do rio Jordão. Logo após sair da água, ocorreram três fenômenos sobrenaturais: a) o céu se abriu; b) o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma corpórea, como pomba; c) uma voz foi ouvida dos céus (Mt 3.16; Mc 1.10; Lc 3.22; Jo 1.32).

A descida do Espírito Santo sobre Jesus foi o sinal dado a João de que Aquele era o Messias prometido, conforme o próprio Batista testificou:

“E João testificou, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba e repousar sobre ele. E eu não o conhecia; mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo” (Jo 1.32,33).

As profecias acerca da vinda do Messias indicavam que sobre Ele repousaria a unção do Espírito Santo (Is 11.2; 42.1). No Antigo Testamento, o ungido era aquele que recebia óleo sobre a cabeça como sinal de que Deus o havia escolhido para uma missão específica. A palavra hebraica Mashiach, transliterada como “Messias”, e sua correspondente grega Christós, significam “Ungido”. Assim, o título “Jesus Cristo” significa literalmente “Jesus, o Ungido”.

Conforme corretamente esclarece o comentarista, é importante ressaltar que essa unção recebida por Jesus não indica que Ele tenha se tornado o Messias naquele momento. Trata-se, antes, de uma confirmação pública de que Ele já era o Messias prometido a Israel. Jesus também não Se tornou Filho de Deus no ato do batismo, como ensina a heresia do adocionismo, segundo a qual Jesus seria apenas um homem comum que, ao receber o Espírito Santo, teria sido “adotado” como Filho de Deus.

A Escritura afirma que Jesus é preexistente e eterno. Ele sempre existiu em perfeita comunhão com o Pai e com o Espírito Santo. Como declarou o apóstolo Paulo aos colossenses:

“Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17).

3. A voz do Pai: a aprovação celestial. Após a descida do Espírito Santo sobre Jesus, de forma corpórea, para que todos vissem, ouviu-se uma voz do Céu que dizia:

“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17; Lc 3.22; Mc 1.11).

Era a voz do próprio Pai, confirmando que aquele era o Messias prometido a Israel e que Ele era divino. A voz do Pai foi ouvida publicamente e, por meio dela, o Pai autenticou a missão redentora de Jesus e demonstrou a sua filiação divina. Essa declaração do Pai acerca de Jesus confirma o que as profecias anunciavam: que Ele era o Filho de Deus:

“Tu és meu Filho; eu hoje te gerei” (Sl 2.7).

É importante esclarecer que a voz do Pai não inaugurou a filiação divina de Jesus. Ele não se tornou Filho de Deus no batismo, como ensinavam os hereges adocionistas. Jesus sempre foi o Filho de Deus desde a eternidade, pois Ele nunca teve princípio. O que o Pai proclamou naquele momento foi a confirmação da encarnação de Jesus, o Verbo de Deus, que se fez carne e habitou entre os seres humanos. 

O episódio do batismo de Jesus revela, de forma inequívoca, a atuação simultânea das três Pessoas da Santíssima Trindade. O Filho estava presente na terra, sendo batizado por João Batista; o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como pomba; e o Pai falou dos Céus, autenticando a missão do Filho e confirmando a sua filiação divina. Trata-se de uma manifestação trinitária clara, distinta e harmoniosa.

Esse evento refuta de maneira contundente a heresia unicista (ou modalista), segundo a qual Pai, Filho e Espírito Santo seriam apenas manifestações sucessivas de uma única Pessoa divina. De acordo com esse falso ensino, no Antigo Testamento Deus se manifestaria como Pai; no Novo Testamento, como Filho; e, na atualidade, como Espírito Santo. Todavia, à luz do testemunho bíblico, especialmente no batismo de Jesus, verifica-se que as três Pessoas divinas coexistem eternamente, são distintas entre si e atuam simultaneamente, sem confusão de Pessoas nem divisão da essência divina. Nos tópicos seguintes, demonstraremos biblicamente que tal doutrina não encontra respaldo nas Escrituras Sagradas.

Ev. WELIANO PIRES 

A NATUREZA ESPIRITUAL DA REGENERAÇÃO

( Comentário do 2⁰ tópico da Lição 9: Espírito Santo – o Regenerador) No segundo tópico, trataremos da natureza espiritual da regeneração. C...