(Comentário o 3º tópico da Lição 6: O nascimento de Isaque)
No terceiro e último tópico, veremos a saída definitiva de Agar e Ismael da casa de Abraão. Mesmo profundamente entristecido, Abraão foi conduzido a tomar a difícil decisão de despedir a escrava Agar e seu filho Ismael, em obediência à orientação divina.
Em seguida, a narrativa bíblica nos leva a uma cena de grande dramaticidade no deserto de Berseba. Sob o calor intenso e as condições adversas da região, a água da vasilha se esgotou, e a situação tornou-se crítica. Diante da iminência da morte de seu filho, Agar afastou-se para não presenciar o desfecho daquela angústia, e, tomada pelo desespero, levantou a voz e chorou.
Contudo, no momento de maior aflição, Deus manifestou sua misericórdia. O Senhor ouviu o choro de Ismael e interveio em seu favor. Ele abriu os olhos de Agar, permitindo que ela visse um poço de água nas proximidades. Assim, ela pôde encher a vasilha, socorrer seu filho e prosseguir sua jornada no deserto.
1. Abraão despede Agar e Ismael. O texto de Gênesis 21.14 nos relata: “Então, se levantou Abraão de madrugada, tomou pão e um odre de água e os deu a Agar, pondo-os sobre o ombro dela; também lhe deu o menino e despediu-a; e ela se foi, andando errante no deserto de Berseba”.
Mesmo contrariado, como visto no tópico anterior, Abraão atendeu à direção divina e despediu Agar e Ismael. Trata-se de um momento doloroso na narrativa bíblica, mas que se insere no cumprimento do propósito de Deus para a linhagem da promessa. É importante observar que o conflito que culmina nesse episódio tem origem nas decisões humanas de Abraão e Sara, conforme o desenvolvimento anterior da história, e não em uma iniciativa divina.
A obediência de Abraão à orientação do Senhor evidencia que, ainda que difícil, o caminho da submissão à vontade divina é sempre o mais correto. O texto bíblico, no entanto, registra que ele providenciou apenas o necessário imediato para a jornada, entregando pão e um odre de água a Agar.
Dentro do contexto narrativo de Gênesis, percebe-se um contraste com outras situações vividas por Abraão, nas quais há registros de maior provisão e estrutura logística, como no envio do servo Eliezer em busca de Rebeca para Isaque (Gn 24.10,22). Ainda assim, o texto não detalha os motivos ou circunstâncias que envolveram especificamente essa despedida, limitando-se a registrar os fatos.
Dessa forma, o episódio destaca tanto a soberania de Deus na condução da história patriarcal quanto às consequências das escolhas humanas, reforçando o ensino bíblico de que os propósitos divinos se cumprem mesmo em meio às complexidades das relações familiares e das decisões pessoais.
2. Agar e Ismael no deserto de Berseba. Agar saiu sem rumo e com suprimentos que durariam, no máximo, dois dias. Chegando ao deserto de Berseba, acabou a água e Agar se desesperou. O sentimento dela era de impotência total diante daquela situação no meio do deserto.
Ela já havia enfrentado uma situação semelhante quando estava grávida e fugiu da sua senhora, depois de ter sido afligido por ela. Naquela ocasião, Deus foi ao seu encontro e mandou que ela retornasse e se reconciliasse com a sua senhora.
Agora, ela está novamente no deserto, com o seu filho de dezesseis anos desfalecendo de sede. O texto de Gênesis 21.15-16 descreve a situação dramática de Agar e Ismael no deserto: “E, consumida a água do odre, lançou o menino debaixo de uma das árvores. E foi-se e assentou-se em frente, afastando-se à distância de um tiro de arco [entre 100 e 150m]; porque dizia: Que não veja eu morrer o menino. E assentou-se em frente, e levantou a sua voz, e chorou”.
Há momentos em que nos sentimos no deserto, onde não há ninguém que possa nos socorrer. Muitas vezes Deus permite que estejamos sozinhos no deserto, mas não é para nós matar e sim, para moldar o nosso caráter. O deserto tem muito a nos ensinar, não na teoria, mas na prática. Ele mostra a nossa impotência e nos aproxima de Deus. Se estamos no deserto e buscarmos a Deus, Ele vê nossa aflição e nos socorre, como veremos abaixo.
3. Deus ouviu a voz de Ismael. Agar estava sozinha no deserto com seu filho, Ismael, sob um calor intenso e sem água para beber. O jovem chorava e já se encontrava desfalecido pela sede. Por mais que Agar gritasse, não havia ninguém por perto para socorrê-los. Entretanto, o Deus onipresente atentou para o sofrimento daquele menino:
“E ouviu Deus a voz do menino, e bradou o anjo de Deus a Agar desde os céus, e disse-lhe: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino desde o lugar onde está” (Gn 21.17).
É interessante observar que, em outra ocasião, quando Agar estava grávida e fugiu de Sarai, o Senhor a chamou de “Agar, serva de Sarai”. Agora, porém, Deus a chama apenas pelo nome. Isso demonstra que o Senhor a socorreu não somente por sua ligação com Abraão e Sara, mas porque Ele é misericordioso e ouve o clamor dos aflitos.
Essa passagem revela que, mesmo em situações de aparente abandono, Deus permanece presente, atento ao sofrimento humano e pronto para agir no tempo oportuno. O Senhor contemplou a aflição de Agar e trouxe livramento. Então, abriu-lhe os olhos, e ela viu um poço de água que estava próximo dali. O poço já existia; Agar apenas não conseguia vê-lo. Isso revela que, muitas vezes, a provisão divina precede a nossa percepção.
Ismael também foi alvo do cuidado divino. Abraão precisou despedi-lo, pois ele não era o filho da promessa. Sua permanência na tenda poderia comprometer o desenvolvimento do plano divino por meio de Isaque. Ainda assim, o Senhor não abandonou Ismael e fez dele uma grande nação:
“E era Deus com o menino, que cresceu; e habitou no deserto, e foi flecheiro. E habitou no deserto de Parã; e sua mãe tomou-lhe mulher da terra do Egito” (Gn 21.20,21).
A Bíblia relata que Ismael gerou doze príncipes poderosos, cujas tribos nômades habitaram a Península Arábica, sendo conhecidas como ismaelitas. Tradicionalmente, muitos povos árabes são associados à descendência de Ismael, embora essa relação não possa ser comprovada integralmente do ponto de vista histórico e genealógico. O historiador judeu Flavio Josepho associava os descendentes de Ismael aos povos árabes de sua época.
Nenhuma oração sincera passa despercebida diante de Deus. Nos momentos de angústia, quando clamamos ao Senhor, Ele nos ouve e responde:
“Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” (Jr 33.3).
O salmista declarou:
“Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl 121.1,2).
Talvez você esteja enfrentando dias difíceis e não veja saída para os seus problemas. Contudo, saiba que Deus continua ouvindo o clamor daqueles que confiam nEle. O mesmo Deus que ouviu a voz de Ismael no deserto continua atento à oração dos que esperam nEle.
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