07 maio 2026

AS CONSEQUÊNCIAS DA IMPACIÊNCIA DE SARA

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição: O nascimento de Isaque)

Neste primeiro tópico, o comentarista aborda as consequências do que ele chama de impaciência de Sara, tema estudado na Lição 3. Eu entendo que, embora Sara tenha agido mal, entregando sua serva, Ágar, a Abrão, para que este tivesse filhos por meio dela, sua atitude não pode ser considerada mera impaciência.

Inicialmente, falaremos acerca do nascimento de Isaque, o filho prometido por Deus a Abraão e Sara, bem como do significado do seu nome.

Na sequência, veremos que Ismael, já com aproximadamente dezesseis anos de idade, zombou de Isaque durante a festa do desmame, fato que desagradou profundamente Sara.

Por fim, veremos que, após esse episódio, Sara pressionou seu esposo, Abraão, para que expulsasse de sua tenda a escrava Ágar e seu filho, Ismael.

1. O nascimento e o nome do filho da promessa. Deus cumpriu exatamente o que prometera a Abraão. O texto de Livro de Gênesis 21.1-3 descreve, de forma detalhada, o cumprimento dessa promessa, ao afirmar que o Senhor visitou Sara, como tinha dito, e fez conforme havia prometido. Isso nos mostra que Deus é fiel para cumprir tudo aquilo que promete. Ele não falha nem altera aquilo que estabeleceu em sua Palavra.

O comentarista destaca, ainda, a respeito da escolha do nome Isaque, que não foi decidido por Abraão ou Sara, mas pelo próprio Deus. Conforme estudamos na Lição 3, ao tratarmos das mudanças dos nomes de Abraão e Sara, no contexto cultural daquele tempo os nomes não eram apenas designações pessoais, como ocorre atualmente.

Naquela época, o nome era atribuído conforme as circunstâncias do nascimento, alguma característica marcante da criança ou, ainda, em razão de um propósito divino. No caso de Isaque, cujo nome significa “riso”, ele foi dado por Deus em razão da reação de Abraão e Sara diante da promessa de que seriam pais em idade avançada, tendo, respectivamente, noventa e nove e oitenta e nove anos.

O riso inicial de Abraão e Sara expressava espanto diante da impossibilidade humana de gerarem filhos. Entretanto, após o cumprimento da promessa, o riso tornou-se expressão de alegria e felicidade. Esse fato nos remete ao Salmos 126, quando o povo de Israel retornou do cativeiro e declarou alegremente:

“Quando o SENHOR trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de cântico; então, se dizia entre as nações: Grandes coisas fez o SENHOR a estes” (Sl 126.1,2).

Quando Deus transforma as situações difíceis que enfrentamos, as lágrimas dão lugar à alegria e ao regozijo. Como afirma a Palavra de Deus, o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã (Sl 30.5). Aquilo que é impossível para o homem é plenamente possível para Deus.

2. Ismael zomba de Isaque. Quando Isaque foi desmamado, Abraão fez um grande banquete, conforme o costume daquela época. Era algo como uma festa de aniversário de uma criança filha de um casal rico nos dias atuais. Durante a festa, Sara percebeu que Ismael zombava de Isaque seu filho. (Gn 21.8,9). 

A palavra hebraica traduzida por “zombava” é tsâchaq que significa rir, divertir-se, brincar, ou fazer piada com alguém. É a mesma palavra usada para se referir ao riso de Abrão e Sara. Entretanto, a atitude de Ismael não foi um simples riso de espanto ou mesmo de brincadeira. 

Referindo-se a este episódio, como uma alegoria, o apóstolo Paulo afirmou: Aquele que era gerado segundo a carne [Ismael] perseguia o que o era segundo o Espírito [Isaque]. (Gl 4.29). Portanto, a atitude de Ismael vai além de uma simples zombaria de um jovem para com uma criança. Tratava-se de perseguição e humilhação. 

Na verdade, Ismael repetiu o mesmo comportamento de Agar quando ele nasceu e a sua mãe desprezou Sara. A decisão de Sara de tentar “ajudar a Deus” trouxe sérios conflitos à sua família. Isso nos ensina que decisões tomadas na ansiedade ou no calor das emoções podem trazer consequências desagradáveis que durarão para o resto da vida. Por isso, é sempre bom esperar o tempo de Deus.

3. Sara pede a expulsão de Agar e Ismael. A zombaria de Ismael contra Isaque não foi um mero desentendimento infantil, mas uma afronta que tornou a permanência de Agar e seu filho insustentável no ambiente familiar de Abraão. O texto sagrado deixa claro que "não havia mais clima" para a coabitação. Embora o conflito anterior (ocorrido há aproximadamente 16 anos) tivesse sido aparentemente superado mediante a submissão de Agar a Sara (Gn 16.9), a nova realidade com o nascimento do herdeiro da promessa trouxe à tona tensões latentes que a diplomacia humana não poderia mais resolver.

Porém, após o nascimento de Isaque, parece que a coisa mudou e Ismael percebeu que as atenções se voltaram para o filho da promessa e resolveu zombar dele durante a festa do desmame. Irritada, Sara disse a Abraão: “Ponha fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com Isaque, meu filho”. (Gn 21.10).

Mais uma vez, Sara colhia as consequências dos próprios atos, pois ela havia criado esta situação. Nada daquilo estaria acontecendo se o casal tivesse consultado a Deus e esperado com paciência o cumprimento da promessa. Quando tentamos resolver problemas sem consultar Deus as consequências não são inevitáveis não apenas para nós mesmos, mas também para os que estão à nossa volta. 

Ev. WELIANO PIRES

Nenhum comentário:

Postar um comentário

ABRAÃO TEM QUE TOMAR UMA ATITUDE

(Comentário do 2º tópico da Lição 6: O nascimento de Isaque) Este tópico é um desdobramento do assunto tratado no tópico anterior. Ao ver qu...