Neste
segundo tópico, veremos que, após a obediência total e irrestrita de Abraão,
Deus confirmou a promessa de fazê-lo pai de muitas nações.
O
patriarca não negou seu único filho ao Senhor, atitude que agradou
profundamente a Deus. Mesmo sabendo que Isaque era o filho da promessa, não
hesitou em oferecê-lo em holocausto.
Ao
levantar o cutelo para sacrificar o filho, Abraão demonstrou que sua entrega
era completa. O sacrifício somente não foi consumado porque Deus interveio no
momento decisivo.
1.
Abraão não negou seu único filho. Após receber a ordem
divina para sacrificar Isaque, Abraão, mesmo com o coração aflito, dispôs-se
prontamente a obedecer à voz de Deus. Conforme estudamos no tópico anterior,
não questionou nem demonstrou relutância diante da determinação divina, diferentemente
de outros servos do Senhor, como Moisés, Jeremias e Jonas.
Desde
sua saída de Ur dos Caldeus, o patriarca carregava a promessa de que seria pai
de uma grande nação, embora ainda não tivesse filhos. Em Harã, o Senhor renovou
essa palavra. Mais tarde, já em Canaã, voltou a reafirmá-la, e Abraão
prosseguiu sua peregrinação sustentado pela fé, apesar da longa espera.
Somente
após vinte e cinco anos a promessa começou a cumprir-se com o nascimento de
Isaque. O menino foi circuncidado ao oitavo dia, desmamado em meio a grande
celebração, e Ismael foi despedido, conforme vimos na lição anterior.
Depois
que Isaque cresceu e o patriarca estava plenamente convicto de que Deus
cumpriria Sua Palavra, veio a ordem mais difícil de toda a sua vida: oferecer o
filho em holocausto, isto é, em sacrifício totalmente consumido pelo fogo.
Sem
discutir ou hesitar, Abraão iniciou os preparativos ainda de madrugada, sem
comunicar o fato a ninguém. O silêncio daqueles três dias de caminhada rumo ao
monte Moriá revela a profundidade de sua fé e da sua dor. Cada passo em direção
ao altar representava uma expressão de confiança absoluta no Senhor.
Mesmo
diante da pergunta de Isaque — “Onde está o cordeiro para o holocausto?” — a fé
do patriarca permaneceu inabalável.
Abraão
cria que Deus não permitiria que o filho da promessa morresse sem deixar
descendência. O escritor da Epístola aos Hebreus afirma que ele considerava que
o Senhor era poderoso até para ressuscitar Isaque dentre os mortos (Hb 11.19).
2.
Deus viu a obediência de Abraão. O patriarca preparou
cuidadosamente tudo o que era necessário para o sacrifício. Rachou a lenha,
providenciou o fogo e levou o cutelo — instrumento utilizado para imolar a
vítima antes do holocausto. Faltava apenas o cordeiro, pois sabia que o próprio
Isaque seria oferecido sobre o altar.
Seguindo
a direção divina, caminhou durante três dias até a terra de Moriá, local
escolhido pelo Senhor. Ao chegarem ao lugar indicado, antes da subida ao monte,
Isaque fez ao pai uma pergunta que certamente atravessou-lhe o coração: “Eis
aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” (Gn 22.7).
Com
serenidade e fé, Abraão respondeu: “Deus proverá para si o cordeiro para o
holocausto, meu filho” (Gn 22.8).
A
expressão hebraica traduzida por “Deus proverá” é Yahweh Yireh. O termo Yireh
deriva do verbo ra’ah, que pode significar tanto “ver” quanto “prover”.
O Deus que vê é também o Deus que provê. Ele contempla antecipadamente a
necessidade de Seus servos e manifesta Sua provisão no tempo certo.
Assim
como o Senhor proveu o carneiro para substituir Isaque, também providenciou Seu
Filho Jesus Cristo, o Cordeiro perfeito, para morrer em nosso lugar.
A
centralidade do cordeiro naquele episódio aponta não apenas para Cristo, mas
também para a necessidade de preservarmos Sua centralidade no culto cristão. O
professor Tiago Rosas observa que, em muitos ambientes eclesiásticos da
atualidade, pouco se fala acerca do Cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo. Até mesmo na celebração da Ceia do Senhor — memorial do sacrifício
vicário de Cristo na Cruz do Calvário —, por vezes a mensagem da redenção perde
espaço para interesses secundários.
Quando
tudo estava preparado, Abraão amarrou Isaque sobre o altar. O instante em que
levantou o cutelo representa o ápice daquela prova. Não se tratava de mera
encenação; o patriarca estava verdadeiramente disposto a obedecer até o fim,
caso Deus não interviesse.
Então
o Senhor bradou dos céus e reconheceu sua fidelidade: “Porquanto fizeste esta
ação e não me negaste o teu filho, o teu único filho...” (Gn 22.16). Em
seguida, reafirmou todas as promessas anteriormente feitas a Abraão (Gn
22.15-18).
3.
A promessa de ser uma grande nação se cumpriu. No
momento exato em que Abraão estava prestes a sacrificar Isaque, o Senhor
interveio: “Abraão, Abraão! Não estendas a tua mão sobre o moço e não lhe faças
nada; porquanto agora sei que temes a Deus e não me negaste o teu filho, o teu
único” (Gn 22.11,12).
Isaque
não foi sacrificado, pois toda aquela experiência constituía uma prova de fé, e
o patriarca foi aprovado por Deus.
Em
Isaque permanecia viva a promessa de que Abraão seria pai de uma grande nação.
Evidentemente, seu cumprimento pleno ainda não havia ocorrido, visto que o
jovem era solteiro e não possuía descendência. Mais tarde, após casar-se com
Rebeca, Isaque ainda aguardaria vinte anos até o nascimento de Esaú e Jacó.
Ainda assim, o fato de não ter sido sacrificado representava, para Abraão, a
continuidade da promessa divina.
Entretanto,
essa promessa ultrapassava os limites da formação do povo de Israel. Seu
cumprimento maior encontra-se em Cristo, descendente de Abraão segundo a carne,
por meio de quem todas as nações podem alcançar a salvação.
Portanto,
quando Deus declarou ao patriarca: “Em ti serão benditas todas as famílias da
terra”, fazia referência ao Messias prometido, que viria de sua descendência
para trazer redenção a todos os que nele cressem, independentemente de
nacionalidade ou origem.
Ev.
WELIANO PIRES
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