(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 13: A Missão continua em nós)
Neste terceiro tópico, estudaremos a responsabilidade da Igreja atual de dar continuidade à Grande Comissão que Jesus entregou aos seus discípulos após a sua ressurreição (Mt 28.18-20; Mc 16.15). Assim como a Igreja Primitiva, a Igreja atual tem a incumbência de anunciar o Evangelho a todos os povos da terra, fazer discípulos para o Senhor e ensinar a sua Palavra aos que crerem. Essa missão está fundamentada na autoridade de Cristo e deve ser cumprida até que Ele venha (At 1.8; Mt 24.14).
Ao anunciar o Evangelho, a Igreja precisa ter em mente que a salvação em Cristo alcança tanto judeus quanto gentios. No primeiro século, alguns cristãos de origem judaica insistiam em impor aos gentios os rituais da Lei como requisitos para a salvação, questão que foi discutida no Concílio de Jerusalém (At 15.1-29). Entretanto, na cruz, o Senhor Jesus derrubou a parede de separação que havia entre judeus e gentios, reconciliando ambos com Deus em um só corpo, que é a Igreja (Ef 2.13-18; Cl 3.11).
Enquanto aguarda a vinda do Senhor, a Igreja é chamada a permanecer fiel ao mandato missionário e a anunciar o Evangelho aos que ainda não conhecem a Cristo. Não podemos permanecer inertes diante de uma humanidade que vive afastada de Deus, pois recebemos do Senhor a responsabilidade de proclamar a mensagem da salvação e buscar os perdidos (Lc 19.10; 2 Co 5.18-20). A urgência da missão decorre tanto da condição espiritual dos que estão sem Cristo quanto da iminência da volta do Senhor (Rm 10.13-15).
O apóstolo Paulo orientou Timóteo a pregar a Palavra “a tempo e fora de tempo”, quer as pessoas ouvissem, quer deixassem de ouvir (2 Tm 4.2). Da mesma forma, a Igreja deve anunciar o Evangelho no âmbito local, onde está estabelecida, e também em âmbito internacional e transcultural, alcançando povos e culturas diferentes (At 13.1-3; 16.6-10). Cada crente deve envolver-se com a obra missionária, de acordo com o chamado e os dons que Deus lhe concedeu, contribuindo para que a Grande Comissão continue sendo cumprida até os confins da Terra (1 Co 12.4-7; 1 Pe 4.10; At 1.8).
1. A inclusão dos gentios no Corpo de Cristo (Ef 2.11-16). Nos primeiros anos da Igreja Cristã, alguns cristãos de origem judaica ainda não haviam compreendido plenamente as implicações universais do Evangelho. Muitos tinham dificuldade em aceitar que os gentios poderiam ser salvos pela fé em Cristo sem se submeterem às práticas e ordenanças da Lei de Moisés. Essa dificuldade contribuiu para o surgimento de grupos que defendiam a necessidade da circuncisão e da observância da Lei como requisitos para a salvação (At 15.1,5; Gl 2.3-5).
O apóstolo Paulo combateu firmemente esse ensino em suas Epístolas aos Romanos e aos Gálatas, afirmando que o ser humano é justificado pela fé em Cristo, e não pelas obras da Lei (Rm 3.28; Gl 2.16). No Concílio de Jerusalém, conforme registrado em Atos 15, Paulo participou da defesa da verdade de que Deus salva judeus e gentios pela graça, mediante a fé, sem exigir dos gentios a observância da Lei mosaica como condição para a salvação (At 15.7-11,19,28,29).
Escrevendo aos Efésios, Paulo explicou que, antes de Cristo, os gentios estavam “sem Cristo”, separados da comunidade de Israel, estranhos às alianças da promessa e sem esperança e sem Deus no mundo (Ef 2.12). Entretanto, “agora, em Cristo Jesus”, aqueles que antes estavam longe foram aproximados pelo sangue de Cristo (Ef 2.13).
Na cruz, Jesus derrubou a “parede de separação” que havia entre judeus e gentios, desfazendo a inimizade e estabelecendo a paz (Ef 2.14). Por meio de sua obra redentora, Cristo reconciliou ambos com Deus em um só corpo, por intermédio da cruz (Ef 2.15,16). Desse modo, judeus e gentios passaram a ter igual acesso ao Pai, por meio de Jesus Cristo (Ef 2.18).
A inclusão dos gentios no corpo de Cristo demonstra o alcance universal do plano de salvação. O Evangelho não pertence exclusivamente a um povo, pois a promessa de Deus sempre contemplou todas as famílias da terra (Gn 12.3; 22.18; Gl 3.8).
A salvação é oferecida a todos, indistintamente, pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo (Jo 3.16; Rm 1.16; Ef 2.8,9). Portanto, nenhum grupo étnico ou povo deve ser considerado indigno de ouvir o Evangelho. Cristo morreu para reconciliar com Deus pessoas de todos os povos, línguas e nações, formando um só corpo em sua Igreja (Ap 5.9; 7.9).
2. A continuidade da missão até a volta de Cristo. No Sermão Profético, o Senhor Jesus advertiu seus discípulos acerca das perseguições que enfrentariam por causa do Evangelho e declarou: “Mas olhai por vós mesmos, porque vos entregarão aos concílios e às sinagogas; e sereis açoitados, e sereis apresentados perante presidentes e reis, por amor de mim, para lhes servir de testemunho. Mas importa que o evangelho seja primeiramente pregado entre todas as nações” (Mc 13.9,10). Mesmo em meio à oposição e às perseguições, a proclamação do Evangelho deveria continuar.
Muitas pessoas interpretam esse texto de maneira equivocada e ensinam que o arrebatamento da Igreja somente acontecerá quando o Evangelho for pregado a todos os povos. Entretanto, não foi isso que Jesus afirmou. No contexto de Marcos 13, Ele ensinava aos seus discípulos acerca de acontecimentos relacionados ao futuro, incluindo a destruição de Jerusalém, as perseguições, o princípio das dores, a Grande Tribulação e os acontecimentos que precederão a consumação dos séculos (Mc 13.5-27). Portanto, ao afirmar que “importa que o evangelho seja primeiramente pregado entre todas as nações”, Jesus destacou a prioridade e a continuidade da proclamação do Evangelho no curso dos acontecimentos que antecederão a consumação.
A missão de pregar o Evangelho ao mundo deve continuar em todas as circunstâncias: em tempos de paz ou de crise, diante das perseguições, dificuldades e instabilidades. A Igreja Primitiva não interrompeu sua missão diante das adversidades. Mesmo quando os discípulos foram perseguidos e dispersos, eles continuaram anunciando a Palavra (At 8.4). A oposição não impediu o avanço do Evangelho, pois “a palavra de Deus crescia e se multiplicava” (At 12.24).
Da mesma forma, a Igreja atual não pode interromper sua missão simplesmente porque as circunstâncias se tornaram difíceis. A expectativa da volta de Cristo deve fortalecer o nosso compromisso com a evangelização, e não produzir acomodação. Enquanto aguardamos o retorno do Senhor, a Igreja deve anunciar o Evangelho a toda criatura e fazer discípulos de todas as nações (Mt 28.19,20; Mc 16.15; At 1.8). A missão deve prosseguir até a consumação dos tempos, quando Cristo voltará em glória (Mt 24.14,30; Ap 19.11-16).
3. O compromisso da Igreja atual com missões locais e transculturais. O apóstolo Paulo estava preso em Roma e sabia que o fim de sua vida estava próximo. Por isso, escreveu sua Segunda Epístola a Timóteo, dando ao jovem pastor importantes orientações para o exercício do ministério. Em 2 Timóteo 4.2, Paulo o exortou: “Prega a palavra, a tempo e fora de tempo”. Essa orientação revela a urgência e a continuidade da missão, independentemente das circunstâncias.
A recomendação do apóstolo nos ensina que a evangelização exige da Igreja perseverança, fidelidade, prontidão, coragem e compromisso. Jesus nunca prometeu que seria fácil anunciar o Evangelho. Pelo contrário, advertiu seus discípulos de que enfrentariam perseguições e oposição por causa do seu nome (Mt 10.16-18,22; Jo 15.18-20). Ao mesmo tempo, prometeu estar com a sua Igreja “todos os dias até à consumação dos séculos” (Mt 28.20). Portanto, a Igreja não está sozinha no cumprimento da missão.
A Igreja deve realizar missões locais, anunciando o Evangelho no bairro, na cidade e na comunidade onde está inserida. Nesse aspecto, cada crente tem a responsabilidade de testemunhar de Cristo à sua família, aos vizinhos, colegas de escola e de trabalho, amigos e às demais pessoas com quem convive (At 1.8). A missão começa onde Deus nos colocou, pois somos chamados a ser testemunhas de Cristo tanto perto quanto longe.
Ao mesmo tempo, a Igreja deve envolver-se com missões transculturais, alcançando povos que possuem culturas, costumes e línguas diferentes dos nossos. A ordem de Cristo não se limita à nossa comunidade ou ao nosso país: devemos fazer discípulos de “todas as nações” (Mt 28.19). O próprio Senhor Jesus declarou que o Evangelho seria anunciado entre todas as nações antes da consumação dos séculos (Mt 24.14). Por isso, a Igreja deve manter os olhos voltados para os povos que ainda precisam ouvir a mensagem de salvação.
Nas missões transculturais, a Igreja pode participar de diferentes maneiras:
a) Sustentando os missionários no campo. A Igreja pode oferecer suporte financeiro, espiritual e logístico aos que foram enviados para o campo missionário. Isso inclui contribuir regularmente, interceder, manter contato com os missionários, acompanhar o trabalho realizado e providenciar, dentro de suas possibilidades, o apoio necessário à continuidade da obra (Fp 4.14-18; 3Jo 5-8).
b) Enviando missionários. A igreja local deve estar atenta ao chamado de Deus e preparar pessoas vocacionadas para o trabalho missionário transcultural. O envio de obreiros faz parte da dinâmica da missão da Igreja. Em Antioquia, por exemplo, o Espírito Santo separou Barnabé e Saulo para a obra missionária, e a igreja, depois de jejuar e orar, os enviou (At 13.1-4).
c) Indo ao campo. A participação da Igreja em missões não pode limitar-se ao levantamento de recursos e às orações pelos missionários. Alguns são chamados por Deus para deixar sua terra e atravessar fronteiras culturais a fim de anunciar o Evangelho. Paulo e seus companheiros são exemplos dessa disposição de ir onde Cristo ainda não havia sido anunciado (Rm 15.20; At 16.9,10). É necessário que haja pessoas dispostas a obedecer ao chamado e ir aos povos que precisam ouvir a mensagem de Cristo.
Diante dessa responsabilidade, devemos fazer uma reflexão pessoal: Estou orando por missões? Estou contribuindo para a obra missionária? Tenho testemunhado de Cristo onde Deus me colocou? Talvez Deus não esteja chamando você para atravessar um oceano ou mudar-se para outro país. Entretanto, todo cristão é chamado a atravessar alguma barreira para anunciar Cristo. Seja perto ou longe, em nossa própria cultura ou em outra, a Igreja deve permanecer fiel ao mandato de Jesus: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).
Ev. WELIANO PIRES
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