Com a graça de Deus, concluímos mais um trimestre de estudos da Palavra de Deus em nossa Escola Bíblica Dominical. O tema estudado foi: "A Igreja dos Gentios: Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos".
O comentarista deste trimestre foi o pastor Wagner Tadeu dos Santos Gaby, presidente da Assembleia de Deus em Curitiba (PR), conferencista, advogado, comentarista de Lições Bíblicas e autor de diversas obras publicadas pela CPAD, entre elas As Doenças do Século, Planejamento e Gestão Eclesiástica, Relações Públicas para Líderes Cristãos e As Parábolas de Jesus.
Durante este trimestre, percorremos uma jornada de estudos por uma das etapas mais importantes da história da Igreja Primitiva: a expansão do Evangelho para além das fronteiras de Israel, alcançando as nações conforme o propósito eterno de Deus (Gn 12.3; Is 49.6; Mt 28.19,20; At 1.8).
O conteúdo deste trimestre está relacionado à Missiologia, área da Teologia que estuda a missão da Igreja e sua responsabilidade de proclamar o Evangelho a todos os povos. Afinal, a razão da existência da Igreja neste mundo é glorificar a Deus anunciando a salvação em Cristo até que Ele venha (Mc 16.15; At 13.47).
No terceiro trimestre de 2025, examinamos a trajetória da Igreja de Jerusalém, registrada principalmente em Atos 2–12. Naquele período, acompanhamos o nascimento da Igreja, seu crescimento, os milagres operados pelos apóstolos e as primeiras perseguições enfrentadas pelos cristãos.
Neste trimestre, concentramos nossa atenção na expansão do Evangelho entre os gentios, destacando a atuação soberana do Espírito Santo na condução da obra missionária. Esse avanço começou após o martírio de Estêvão, quando uma severa perseguição dispersou os discípulos de Jerusalém.
Aquilo que parecia uma tragédia transformou-se em instrumento para a propagação da Palavra, pois os cristãos anunciaram o Evangelho por onde passaram (At 8.1-4). Nesse contexto, o próprio Saulo de Tarso, o mais destacado perseguidor da Igreja, teve um encontro transformador com o Senhor Jesus no caminho de Damasco.
Após sua conversão, Saulo passou a anunciar com ousadia que Jesus de Nazaré era o Cristo prometido nas Escrituras. Sua pregação despertou intensa oposição entre os judeus, que logo conspiraram para matá-lo, obrigando os irmãos a retirá-lo secretamente de Damasco (At 9.20-25).
Antes que a missão aos gentios se consolidasse, Deus preparou cuidadosamente a Igreja para compreender que a salvação destinava-se a todos os povos. Por meio da visão concedida ao apóstolo Pedro e da conversão do centurião Cornélio, o Senhor deixou evidente que não faz acepção de pessoas, mas recebe todo aquele que o teme e pratica a justiça (At 10.1–48; 11.1-18).
Enquanto isso, os discípulos dispersos pela perseguição anunciavam o Evangelho principalmente aos judeus e prosélitos (At 11.19). Entretanto, alguns irmãos provenientes de Chipre e Cirene chegaram à cidade de Antioquia da Síria e começaram a evangelizar também os gregos. A mão do Senhor era com eles, e um grande número de pessoas creu e se converteu ao Senhor (At 11.20,21).
Ao saber do que Deus estava realizando em Antioquia, a Igreja de Jerusalém enviou Barnabé para fortalecer os novos convertidos. Reconhecendo a grande necessidade de ensino, Barnabé foi a Tarso em busca de Saulo. Juntos permaneceram durante um ano ensinando aquela igreja, contribuindo para sua sólida formação doutrinária e espiritual.
O ministério de Barnabé e Saulo resultou em uma igreja espiritualmente madura, formada por profetas e mestres comprometidos com o ensino da Palavra, a oração, o jejum e o serviço cristão (At 13.1).
Durante um desses momentos de culto ao Senhor, oração e jejum, o Espírito Santo falou claramente à igreja: "Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At 13.2). Em obediência à direção divina, os irmãos jejuaram novamente, oraram, impuseram-lhes as mãos e os enviaram para a primeira grande viagem missionária da história da Igreja (At 13.3,4).
A partir desse envio, Barnabé, Paulo e seus cooperadores percorreram diversas regiões do Império Romano anunciando a mensagem da cruz. Apesar da intensa oposição dos líderes judaicos e, posteriormente, das autoridades romanas, o Evangelho continuou avançando de forma extraordinária, confirmando que nenhum obstáculo pode impedir o cumprimento dos propósitos de Deus (At 14.21,22; At 19.20; 2Tm 2.9).
Ao longo deste trimestre, vimos como o Espírito Santo dirigiu cada etapa da obra missionária, levantou obreiros, abriu portas para a pregação e consolidou igrejas entre os gentios. Esses acontecimentos históricos continuam inspirando a Igreja de Cristo em nossos dias, lembrando-nos de que a missão confiada pelo Senhor permanece a mesma: anunciar o Evangelho a todos os povos, até que Cristo venha (Mt 24.14).
RESUMO DAS LIÇÕES
Lição 1: O chamado para os gentios
Na primeira lição, estudamos o chamado missionário de Barnabé e Saulo, separados pelo Espírito Santo para uma obra específica e enviados pela igreja de Antioquia.
A expansão do Evangelho não foi fruto de iniciativa humana, mas da direção soberana de Deus por meio do Espírito Santo. Além da chamada desses missionários, a ação do Espírito Santo também foi percebida na direção da missão, na conversão dos gentios e na operação de milagres.
Apresentamos, nesta lição, o contexto histórico e espiritual da igreja de Antioquia e sua missão entre os gentios. Falamos também sobre a atuação do Espírito Santo na condução da obra missionária e no envio dos obreiros. Por fim, aplicamos os princípios da igreja de Antioquia à vida da igreja local na atualidade.
Lição 2: A porta da fé se abre entre os gentios
Nesta segunda lição, acompanhamos um dos momentos mais marcantes da história da Igreja: quando Deus abriu, de forma clara e soberana, a porta da fé aos gentios.
Essa expansão da Igreja Primitiva não foi resultado da capacidade humana, mas da ação soberana de Deus, por meio de servos obedientes e perseverantes. Esse mesmo princípio continuou a inspirar a Igreja de Cristo em sua missão de proclamar o Evangelho a todos os povos.
Estudamos o avanço missionário entre os gentios, tendo como ponto de partida a missão em Chipre. Falamos também sobre o impacto do Evangelho em Antioquia da Pisídia. Por fim, vimos a perseverança dos missionários diante das adversidades em Icônio, Listra e Derbe.
Lição 3: A Graça que alcança todas as Nações
Nesta lição, com base em Atos 15, estudamos o primeiro Concílio da Igreja, realizado em Jerusalém, ocasião em que foi reafirmada a doutrina da salvação pela graça de Deus, mediante a fé.
Os judaizantes ensinavam que os gentios convertidos deveriam submeter-se à circuncisão e à observância da Lei de Moisés como condição para a salvação (At 15.1,5). Reunidos em concílio, os apóstolos e presbíteros examinaram o assunto à luz da ação de Deus e das Escrituras, concluindo que a salvação era concedida exclusivamente pela graça do Senhor Jesus Cristo, e não pelas obras da Lei (At 15.6-11,22-29).
Vimos na lição que o Concílio de Jerusalém confirmou a graça como base da unidade cristã. Examinamos também, à luz da Bíblia, a salvação pela graça como oferta universal em Cristo. Por fim, destacamos que crescer na graça significava viver na dependência de Deus, por meio da fé e da comunhão.
Lição 4: O Espírito que nos guia para além das fronteiras
Nesta lição, estudamos a segunda viagem missionária do apóstolo Paulo, destacando a direção soberana do Espírito Santo na expansão do Evangelho. O Espírito guiou seus servos para além das fronteiras, mostrando que a missão avançava quando a Igreja aprendia a ouvir, obedecer e confiar na direção divina.
Estudamos a direção do Espírito Santo na expansão missionária da Igreja, abrindo corações e estabelecendo novas igrejas. Vimos também a manifestação do poder do Evangelho na libertação de uma jovem oprimida pelo poder das trevas (At 16.16–18). A prisão de Paulo e Silas e a intervenção milagrosa de Deus, ao abrir as portas do cárcere, resultaram na conversão do carcereiro e de sua família (At 16.25–34).
Lição 5: Cristo entre os filósofos: o Deus conhecido se revela
Nesta lição, estudamos os acontecimentos ocorridos durante a segunda viagem missionária de Paulo, em Atenas, na Grécia. Em razão da perseguição promovida pelos judeus de Tessalônica, Paulo foi conduzido a Atenas, enquanto Silas e Timóteo permaneceram temporariamente em Bereia (At 17.13-15). A cidade era conhecida por sua influência cultural, filosófica e religiosa, mas estava profundamente dominada pela idolatria.
Abordamos a intensa idolatria que havia em Atenas e analisamos os postulados dos filósofos epicureus e estoicos à luz do Evangelho. Por fim, estudamos o discurso de Paulo no Areópago, proferido com sabedoria e ousadia, no qual apresentou a verdade acerca do Deus Criador, do arrependimento e da ressurreição de Jesus Cristo.
Lição 6: A suficiência da Graça na cidade de Corinto
Nesta lição, estudamos a passagem do apóstolo Paulo pela cidade de Corinto, capital da província romana da Acaia. Embora fosse uma cidade rica, influente e estrategicamente importante para o Império Romano, Corinto era conhecida por sua depravação moral e idolatria.
Estudamos a chegada do apóstolo Paulo à cidade de Corinto, durante sua segunda viagem missionária, e os desafios enfrentados pelo Evangelho naquela cidade. Falamos também sobre a continuidade da missão de Paulo em Corinto, mesmo diante da oposição na sinagoga, sendo ele encorajado pelo Espírito Santo. Por fim, vimos como a graça de Deus sustentou Paulo diante da oposição que enfrentou, quando foi acusado pelos judeus perante Gálio, procônsul da Acaia.
Lição 7: Quando o Espírito sopra em Éfeso
Nesta lição, estudamos alguns acontecimentos da terceira viagem missionária do apóstolo Paulo, especialmente a ação do Espírito Santo em Éfeso, uma cidade rica e influente, porém dominada pela idolatria.
Estudamos a atuação do Espírito Santo no ministério do apóstolo Paulo em Éfeso, especialmente por meio do ensino e da formação doutrinária da Igreja. Falamos também sobre as manifestações do poder do Espírito Santo por meio do ministério de Paulo e o impacto do Evangelho na cidade de Éfeso. Por fim, abordamos a manifestação do poder de Deus entre os gentios ao longo da história da Igreja, destacando alguns acontecimentos relevantes e seus impactos espirituais e sociais.
Lição 8: Despedida em Éfeso: entre lágrimas e alertas
Nesta lição, estudamos o emocionante discurso do apóstolo Paulo aos líderes da Igreja de Éfeso. De Mileto, o apóstolo mandou chamar os presbíteros da igreja de Éfeso e lhes proferiu um discurso de despedida, no qual relembrou seu ministério entre eles, exortou-os a cuidarem de si mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os havia constituído bispos e advertiu-os acerca dos perigos que surgiriam após a sua partida.
Vimos o balanço que Paulo fez do próprio ministério em seu discurso aos presbíteros de Éfeso. Seu testemunho revelou um servo fiel, cuja vida e ministério foram inteiramente dedicados ao Senhor e à proclamação do Evangelho. Abordamos também as advertências de Paulo aos presbíteros quanto à responsabilidade de cuidar do rebanho de Deus e de permanecer vigilantes diante do perigo dos falsos mestres. Por último, tratamos da conclusão do discurso do apóstolo, que revelou seu profundo cuidado pastoral para com aqueles obreiros.
Lição 9: Coragem para testemunhar: Paulo diante da multidão
Nesta lição, estudamos a prisão do apóstolo Paulo em Jerusalém. Depois de relatar aos irmãos tudo o que Deus havia feito entre os gentios, ele foi acusado pelos judeus da Ásia e preso pelos soldados romanos (At 21.17-36).
Analisamos os detalhes da prisão de Paulo e as falsas acusações dos judeus contra ele. Estudamos também sua defesa, na qual aproveitou a oportunidade para testemunhar de Cristo diante da multidão. Por fim, destacamos o poder do testemunho pessoal, considerando o relato de Paulo sobre seu passado religioso e sua intensa perseguição aos seguidores de Cristo.
Lição 10: Uma esperança inabalável perante os poderosos
Nesta lição, continuamos o estudo da trajetória do apóstolo Paulo após sua prisão no templo de Jerusalém. O apóstolo passou a enfrentar uma série de acusações e perseguições, sendo levado à presença de diferentes autoridades.
Abordamos a injusta acusação apresentada pelos judeus contra Paulo diante do governador Félix, por intermédio de Tértulo, um orador profissional. Vimos também como o apóstolo defendeu não apenas sua inocência, mas também o Evangelho, fundamentado na verdade. Por fim, destacamos a esperança inabalável de Paulo, que permanecia firme diante das injustiças e opressões decorrentes de sua prisão.
Lição 11: Entre tempestades e promessas
Nesta lição, estudamos a dramática viagem do apóstolo Paulo a Roma como prisioneiro, depois de ter apelado para César. A viagem foi marcada por perigos, decisões humanas equivocadas e uma violenta tempestade no mar. Entretanto, Paulo destacou-se como instrumento de Deus para a preservação de vidas em meio ao naufrágio.
Discorremos sobre a tempestade que sobreveio durante a viagem de Paulo para Roma. O apóstolo advertiu a tripulação acerca dos riscos de prosseguir viagem, mas seu alerta foi ignorado. Tratamos também da intervenção divina em meio ao desespero daqueles homens, quando Paulo os encorajou, anunciando que Deus havia prometido preservar a vida de todos os que estavam no navio. Por fim, destacamos a providência de Deus diante do naufrágio, quando se cumpriu a palavra anunciada por intermédio do apóstolo Paulo: todos se salvariam.
Lição 12: O Evangelho chega ao coração do Império
Nesta lição, estudamos o clímax da jornada missionária do apóstolo Paulo: sua chegada a Roma, conforme o Senhor havia lhe prometido. Embora tenha chegado à capital do Império Romano privado de sua liberdade, Paulo não era prisioneiro de Roma, mas de Cristo.
Vimos que o apóstolo, mesmo em prisão domiciliar e sob vigilância permanente, permaneceu livre para cumprir sua missão, transformando sua casa em um centro de evangelização. Três dias após chegar a Roma, reuniu as lideranças judaicas locais para explicar as circunstâncias de sua prisão e anunciar-lhes o Evangelho. Entretanto, diante da rejeição deliberada da maioria dos judeus, Paulo ampliou sua pregação aos gentios.
Lição 13: A Missão continua em nós
Esta última lição conclui o tema estudado ao longo do trimestre. Destacamos que a missão entre os gentios, iniciada pelos primeiros cristãos, continua sendo uma responsabilidade da Igreja nos dias atuais. Somos frutos da obra missionária realizada por outros e devemos prosseguir nessa missão até a volta do Senhor.
Vimos que a ordem de Cristo para pregar o Evangelho a toda criatura está fundamentada em sua autoridade absoluta sobre todo o universo. A lição também nos mostra que a missão da Igreja só é possível mediante a capacitação do Espírito Santo. Mesmo sob intensa perseguição, a Igreja atual tem a responsabilidade de levar a mensagem do Evangelho a todos os povos, até que Cristo volte.
Deus abençoe a todos e até o próximo trimestre!
Ev. WELIANO PIRES
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