(Comentário do 2º tópico da lição 13: A missão continua aem nós)
No segundo tópico, estudaremos a importância do poder do Espírito Santo para o cumprimento da missão da Igreja. O Senhor Jesus ordenou aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém e aguardassem o revestimento de poder pelo Espírito Santo (Lc 24.49; At 1.4,5). Ele sabia que a Grande Comissão não poderia ser cumprida sem a capacitação divina.
Além de capacitar os discípulos para o testemunho, o Espírito Santo atua no coração dos ouvintes, convencendo-os do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11). A missão da Igreja, portanto, depende da ação soberana de Deus tanto na vida daqueles que anunciam como na daqueles que ouvem a mensagem.
Jesus também apresentou o alcance da missão: “e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). A proclamação do Evangelho deveria avançar progressivamente, ultrapassando fronteiras geográficas, culturais e sociais, conforme o propósito de Deus de alcançar pessoas de todas as nações (Mt 28.19; At 13.47).
Essa missão não foi confiada apenas aos líderes da Igreja, mas a todo o povo de Deus. Cada crente é chamado a participar da obra de evangelização, de acordo com os dons, oportunidades e recursos que o Senhor lhe concede (1Co 12.4-7; 1Pe 4.10). Toda a Igreja deve estar envolvida na missão: orando, contribuindo e indo, sempre na dependência do poder do Espírito Santo.
1. A capacitação do Espírito Santo para testemunhar (At 1.8a). Antes de sua ascensão, o Senhor Jesus ordenou aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que recebessem a promessa do revestimento de poder pelo Espírito Santo (Lc 24.49; At 1.4,5). Em seguida, declarou: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8).
O Senhor sabia que seus discípulos enfrentariam oposição, perseguições e diferentes desafios na proclamação do Evangelho. Por isso, prometeu-lhes o poder do Espírito Santo para que fossem suas testemunhas com ousadia (At 1.8; 4.31). É significativo observar que Jesus não disse apenas que os discípulos seriam suas testemunhas. Antes, afirmou: “Recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós”. A capacitação do Espírito Santo, portanto, precederia e sustentaria o testemunho da Igreja.
É o Espírito Santo quem capacita a Igreja a testemunhar ousadamente de Cristo em meio às oposições que inevitavelmente surgem. Ele também distribui dons espirituais para a edificação do Corpo de Cristo (1Co 12.4-7), conduz o crente a uma vida de santidade (Gl 5.16,22,23) e concede poder para a proclamação do Evangelho. Além disso, atua no coração daqueles que ouvem a mensagem, convencendo-os “do pecado, e da justiça, e do juízo” (Jo 16.8).
Ao falar sobre a vinda do Consolador, o Senhor Jesus destacou a atuação do Espírito Santo no mundo (Jo 16.7-11). Isso nos ensina que a responsabilidade da Igreja é anunciar fielmente o Evangelho, enquanto o convencimento do pecador é obra do Espírito Santo. A missão, portanto, deve ser realizada na dependência do poder de Deus, e não da capacidade humana: “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6).
2. A expansão geográfica e espiritual do Evangelho (At 1.8b). A ordem de Jesus em Atos 1.8 apresenta o alcance progressivo do testemunho cristão: Jerusalém, Judeia, Samaria e os confins da Terra. Essa expansão ultrapassa fronteiras geográficas, culturais e étnicas, demonstrando que o Evangelho não estava destinado a um único povo ou região. Ao mesmo tempo, expressa a expansão espiritual da obra de Deus, à medida que pessoas de diferentes povos e culturas eram alcançadas pela mensagem de salvação em Cristo.
O livro de Atos registra o avanço dessa missão, mostrando que, pelo poder do Espírito Santo, a mensagem de Cristo saiu de Jerusalém, alcançou diferentes regiões e povos e chegou também a Roma (At 28.30,31). Podemos aplicar essa progressão à realidade missionária da Igreja em nossos dias, compreendendo esses quatro campos da seguinte maneira:
a) Jerusalém: Representa aqueles que estão próximos de nós e fazem parte do nosso cotidiano e do nosso contexto social e cultural, como familiares, vizinhos, colegas de escola ou trabalho e amigos.
b) Judeia: Pode representar aqueles que estão próximos geograficamente, mas fora do nosso círculo imediato, como pessoas de outras cidades e regiões do nosso estado ou país.
c) Samaria: Pode ilustrar aqueles que pertencem a contextos culturais, étnicos ou religiosos diferentes dos nossos, inclusive pessoas que sofrem preconceito ou discriminação.
d) Confins da Terra: Representam os povos que vivem além das nossas fronteiras e possuem línguas e culturas diferentes, alcançados por meio daquilo que denominamos missões transculturais (Mt 28.19).
Esses diferentes campos fazem parte da responsabilidade missionária da Igreja. A ordem de Jesus não deve ser entendida como uma sequência rígida em que a Igreja somente poderia alcançar os confins da Terra depois de concluir a evangelização de Jerusalém. O próprio livro de Atos mostra que a missão avançou para diferentes lugares enquanto novas frentes de evangelização eram abertas (At 8.4-8; 11.19-21; 13.1-3).
Deste modo, enquanto evangelizamos aqueles que estão próximos de nós, também devemos participar da evangelização de pessoas que estão distantes, inclusive de outros povos. Diante disso, precisamos perguntar: Será que estamos tão preocupados em alcançar os confins da Terra que nos esquecemos daqueles que estão próximos de nós? Ou estamos tão concentrados em Jerusalém que deixamos de olhar para os povos que vivem além das nossas fronteiras?
A Igreja precisa cultivar uma visão missionária local e, ao mesmo tempo, global. Enquanto alguns servem no bairro, na cidade ou na região onde vivem, outros são enviados para lugares distantes e para outros países. Todos, porém, participam da mesma missão de anunciar o Evangelho a toda criatura (Mc 16.15).
3. A missão como responsabilidade de toda a Igreja. A obra missionária não é responsabilidade apenas do pastor da igreja local, do departamento de missões ou do missionário que é enviado para outro país. A missão foi confiada à Igreja, e todos os crentes devem participar dela de alguma forma. Evidentemente, nem todos serão enviados para outros povos ou pregarão diante de grandes multidões. Contudo, toda a Igreja deve estar envolvida na missão: orando, contribuindo e indo, sempre na dependência do poder do Espírito Santo.
Em Romanos 10.13-15, o apóstolo Paulo apresenta uma cadeia lógica relacionada à proclamação do Evangelho. Para que alguém invoque o nome do Senhor, é necessário que creia; para crer, é necessário ouvir; para ouvir, é necessário que alguém pregue; e, para que haja quem pregue, é necessário que seja enviado. Dessa forma, Paulo demonstra a importância da participação de toda a Igreja na obra de evangelização. Na mesma direção, o apóstolo Pedro afirma que os crentes foram chamados para anunciar “as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9).
A obra missionária, portanto, é realizada coletivamente por toda a Igreja. Cada cristão pode participar dela de diferentes maneiras, de acordo com os dons, oportunidades e responsabilidades que Deus lhe concede: indo, orando, contribuindo, enviando, evangelizando e discipulando (Mt 28.19,20; At 13.2,3; 1Co 12.4-7). A missão pertence a toda a Igreja, alcança todos os povos e deve continuar até a volta de Cristo (Mt 24.14; 28.20).
Ev. WELIANO PIRES
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