(Comentário do 1º tópico da Lição 13: A missão continua em nós)
Neste primeiro tópico, estudaremos o mandato universal de Jesus, que constitui o fundamento da missão evangelizadora da Igreja entre todos os povos da Terra. A Grande Comissão não é uma iniciativa humana, mas uma ordem do próprio Cristo Ressurreto à sua Igreja.
Antes de entregar aos seus discípulos a missão de fazer discípulos de todas as nações, o Senhor Jesus declarou: “É-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mt 28.18). Sua autoridade é absoluta e universal, pois Ele foi exaltado pelo Pai e recebeu domínio sobre todas as coisas (Fp 2.9-11; Ef 1.20-23). Portanto, a missão da Igreja está fundamentada na autoridade daquele que a comissionou.
Ao ordenar aos seus discípulos que fizessem discípulos de todas as nações, Jesus deixou claro que o Evangelho deveria alcançar pessoas de todas as etnias e povos, sem distinção (Mt 28.19; Mc 16.15; At 1.8). Desde o início, o propósito de Deus foi abençoar todas as famílias da Terra por meio de Cristo (Gn 12.3; Gl 3.8). Contudo, essa salvação é recebida mediante a fé em Jesus Cristo, pois “quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado” (Jo 3.18; cf. Rm 10.9,10).
A ordem de Jesus, porém, não foi acompanhada da ausência do seu Senhor. Os discípulos não foram enviados a cumprir a missão por suas próprias forças. Ao comissioná-los, Cristo prometeu: “E eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20). Essa promessa assegura à Igreja a presença permanente do Senhor e demonstra que a missão é realizada debaixo da sua autoridade e com o auxílio do Espírito Santo (Jo 14.16,17; At 1.8). Assim, a Igreja pode avançar na proclamação do Evangelho, confiando naquele que a enviou e que permanece com ela até o fim.
1. A autoridade de Cristo sobre todas as nações (Mt 28.18). Após ressuscitar, Jesus apareceu às mulheres que haviam ido ao sepulcro: Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé. Elas estavam atemorizadas, mas o Senhor lhes disse: “Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão à Galileia, e lá me verão” (Mt 28.10). O encontro com o Cristo ressurreto seria o fundamento para o testemunho que os discípulos haveriam de dar ao mundo (At 1.8,22).
Os discípulos seguiram para o monte que Jesus lhes havia indicado. Ao vê-lo, adoraram-no, embora alguns ainda estivessem duvidosos (Mt 28.16,17). Foi nesse contexto que o Senhor se aproximou deles e declarou: “É-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mt 28.18). A palavra grega traduzida por “poder” é exousía, que, nesse contexto, significa autoridade, direito e poder para exercer governo. Jesus, portanto, estava declarando que recebeu plena autoridade sobre o céu e a terra. Essa verdade está em harmonia com outras passagens do Novo Testamento que apresentam Cristo exaltado e investido de autoridade universal (cf. Mt 11.27; Jo 3.35; 5.22,27; Ef 1.20-22).
A autoridade de Cristo não é limitada a uma nação, território ou grupo de pessoas. Ele é o Senhor de todos e possui domínio sobre toda a criação (Mt 28.18; Cl 1.16-18). Por isso, Paulo declara que Deus o exaltou soberanamente e lhe deu “um nome que é sobre todo o nome”, de modo que “ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra” (Fp 2.9-11). O senhorio universal de Cristo também é apresentado em Apocalipse, onde Ele é chamado de “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19.16).
Somente aquele que possui autoridade universal poderia comissionar seus discípulos a levar o Evangelho “a todas as nações” (Mt 28.19). A Grande Comissão, portanto, não nasce de uma iniciativa humana, mas da autoridade do Cristo ressurreto. Ele é quem envia a Igreja e estabelece a extensão da missão: “todas as nações” (Mt 28.19), “toda criatura” (Mc 16.15) e “até aos confins da terra” (At 1.8). Não há povo, cultura ou região que esteja fora do alcance dessa ordem.
A Igreja não estabelece a missão por iniciativa própria; ela cumpre a missão daquele que possui toda autoridade. Por isso, a proclamação do Evangelho não depende da força ou da capacidade humana, mas da autoridade e da presença de Cristo com sua Igreja (Mt 28.20).
Ao longo de sua história, a Igreja tem enfrentado oposição, perseguições, limitações culturais e escassez de recursos. Entretanto, nenhuma dessas circunstâncias pode anular o propósito de Deus. O próprio Jesus afirmou: “edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). A missão pertence a Cristo, e a Igreja é chamada a cumpri-la na dependência do seu Senhor.
2. A ordem de fazer discípulos em todas as etnias (Mt 28.19). Depois de reafirmar aos seus discípulos sua autoridade suprema, o Senhor Jesus entregou-lhes a chamada Grande Comissão: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.19,20). A ordem de Cristo não estava restrita aos primeiros discípulos, mas alcança a Igreja de todas as épocas, que recebeu a responsabilidade de proclamar o Evangelho e fazer discípulos entre todos os povos (cf. Mc 16.15; Lc 24.47; At 1.8).
A palavra “portanto” estabelece uma relação de conclusão com a declaração anterior. Jesus havia afirmado: “É-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mt 28.18). A missão da Igreja, portanto, está fundamentada na autoridade de Cristo, conforme vimos acima. É uma ordem daquele que recebeu toda autoridade e enviou os seus discípulos ao mundo (cf. Jo 20.21; At 1.8).
Em seguida, com base nessa autoridade, ordenou aos discípulos que fossem e fizessem discípulos de todas as nações. O termo grego ethnē, traduzido por nações, significa povos no sentido étnico, ou seja, grupos de indivíduos que compartilham as mesmas características socioculturais. A ordem de Jesus pode ser compreendida em três dimensões inseparáveis:
a) Ir. A expressão “ide” aponta para o movimento da Igreja em direção às pessoas. O Evangelho deve ser levado aos que ainda não conhecem a Cristo. Jesus não ensinou uma postura passiva diante da necessidade espiritual dos povos; ao contrário, enviou seus discípulos para testemunhar (Mt 28.19; Mc 16.15; At 1.8). A Igreja deve, portanto, sair ao encontro dos perdidos, atravessando barreiras geográficas, culturais e sociais para anunciar-lhes as boas-novas da salvação (Rm 10.13-15). Isso não significa desprezar aqueles que chegam aos nossos templos, mas compreender que a missão da Igreja não pode ficar restrita às suas paredes.
b) Fazer discípulos. Na Almeida Revista e Corrigida, a expressão “fazei discípulos” aparece traduzida por “ensinai” em Mateus 28.19. O verbo grego mathēteuō significa fazer discípulos, isto é, conduzir pessoas a se tornarem seguidoras de Cristo. O discípulo não é apenas alguém que recebe informações sobre Jesus, mas aquele que se compromete com Ele, aprende os seus ensinamentos e passa a viver segundo a sua Palavra (cf. Lc 9.23; Jo 8.31,32; 15.8). Por isso, a missão da Igreja não termina quando alguém ouve a mensagem do Evangelho ou faz uma profissão de fé. É necessário conduzir o novo convertido a um relacionamento contínuo com Cristo, para que cresça na fé e produza frutos para Deus (Jo 15.16; Cl 1.10).
c) Ensinar. Jesus também ordenou que seus discípulos ensinassem os novos convertidos “a guardar todas as coisas” que Ele havia mandado (Mt 28.20). O verbo grego didaskō significa ensinar, instruir ou transmitir conhecimento com o propósito de formar alguém. A Igreja, portanto, deve ensinar sistematicamente a Palavra de Deus, conduzindo os novos convertidos ao conhecimento das Escrituras e à prática dos seus ensinamentos (At 2.42; Ef 4.11-14; 2 Tm 3.16,17). O ensino bíblico é indispensável para que o cristão cresça espiritualmente, permaneça firme na verdade e não seja levado por doutrinas contrárias à Palavra de Deus (Ef 4.14; Hb 5.12-14).
Na missão que Jesus entregou à sua Igreja, evangelização e discipulado caminham juntos. Enquanto a evangelização anuncia a salvação em Cristo, o discipulado conduz o convertido ao crescimento e à maturidade espiritual. Por isso, a missão não termina quando uma pessoa aceita a Cristo. O novo convertido precisa ser acolhido, ensinado, acompanhado e preparado para servir ao Senhor e também participar da missão de fazer outros discípulos (2 Tm 2.2). Dessa maneira, a Igreja cumpre integralmente o mandamento de Cristo: proclama o Evangelho, faz discípulos, batiza os que creem e ensina-os a guardar tudo quanto o Senhor ordenou.
3. A promessa da presença de Cristo até o fim (Mt 28.20). Depois de ordenar aos discípulos que fossem, fizessem discípulos de todas as nações e ensinassem-nos a guardar tudo quanto Ele havia mandado, Jesus apresentou-lhes uma promessa consoladora: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20b). A Grande Comissão não seria cumprida pela Igreja em suas próprias forças. O mesmo Cristo que enviou os seus discípulos também prometeu acompanhá-los durante o cumprimento da missão.
Essa promessa é fundamental para a Igreja, pois sua missão seria realizada em meio a oposição, perseguições e aflições. Jesus não prometeu ausência de dificuldades, mas assegurou sua presença em todas as circunstâncias (cf. Jo 16.33; At 18.9,10). A presença de Cristo produz coragem para enfrentar as adversidades e permanecer fiel ao chamado recebido. Mesmo diante das forças espirituais da maldade, a Igreja não precisa temer, pois Cristo é o seu Senhor e está com ela (Ef 6.10-12; Hb 13.5,6). Saber que o Senhor caminha conosco, enche-nos de esperança e nos capacita a perseverar até o fim (Mt 24.13; Hb 10.35,36).
A expressão “todos os dias” demonstra a continuidade dessa presença. Cristo não estaria com os seus discípulos apenas nos momentos de vitória ou quando a missão fosse realizada sem obstáculos. Ele estaria presente também nas perseguições, nas prisões, nas viagens, nas enfermidades, nas rejeições e em todas as demais circunstâncias enfrentadas por aqueles que anunciam o Evangelho (cf. At 4.18-20; 5.40-42; 2 Tm 4.17). A Igreja pode não conhecer todos os detalhes do caminho, mas conhece aquele que a conduz e sustenta.
A presença de Cristo e o poder do Espírito Santo estão diretamente relacionados à missão da Igreja. O Senhor envia, acompanha e capacita aqueles que obedecem à sua ordem. Foi assim que os primeiros discípulos testemunharam com ousadia, mesmo diante da oposição (At 4.31). Essa mesma promessa continua sendo um encorajamento para a Igreja hoje: aquele que nos enviou permanece conosco e nos capacita para cumprir a missão que nos confiou.
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