(Comentário do 1º tópico da Lição 11: Entre tempestades e promessas)
Neste primeiro tópico, discorreremos sobre a tempestade que sobreveio durante a viagem de Paulo para Roma. Sob a responsabilidade do centurião Júlio, Paulo e os demais prisioneiros partiram de Cesareia, em um navio de Adramítio. Após passarem por Sidom e Mira, na Lícia, foram transferidos para um navio de Alexandria com destino a Itália (At 27.1-6).
As condições climáticas tornaram a viagem cada vez mais perigosa. Paulo, orientado por sua experiência e, sobretudo, pela direção de Deus, advertiu a tripulação acerca dos riscos de prosseguir viagem (At 27.9-10). Contudo, o centurião preferiu seguir a opinião do piloto e do proprietário do navio (At 27.11).
Pouco depois, a embarcação foi atingida por um violento tufão, chamado Euroaquilão, ficando à mercê da tempestade (At 27.14-15). Diante da força dos ventos e do prolongamento da tempestade, a tripulação lançou ao mar parte da carga e dos equipamentos do navio, enquanto a esperança de sobrevivência diminuía (At 27.18-20).
Quando todos já haviam perdido a esperança, Paulo levantou-se como instrumento de Deus para trazer ânimo, assegurando que nenhuma vida seria perdida, embora o navio viesse a naufragar (At 27.21-25).
1. A decisão precipitada de navegar apesar da advertência de Paulo (vv.9-12). Depois da primeira etapa da viagem, partindo de Cesareia, Paulo e os demais prisioneiros foram transferidos para um navio alexandrino, que navegava para a Itália. Ao chegarem a Bons Portos, em Creta, Paulo percebeu que a viagem poderia ser perigosa, pois o período favorável à navegação já havia passado. Por isso, advertiu o centurião e os demais responsáveis pela viagem, dizendo: “Vejo que a navegação há de ser incómoda e com muito dano, não só para o navio e a carga, mas também para a nossa vida” (At 27.10).
O centurião, porém, não deu ouvidos à advertência de Paulo. Preferiu confiar na avaliação do piloto e do mestre do navio, que consideravam Bons Portos inadequado para passar o inverno. Além disso, a maioria dos que estavam no navio era favorável à continuação da viagem, na expectativa de chegar a Fenice, outro porto de Creta, onde poderiam passar o inverno (At 27.11,12).
O comentarista chama a decisão do centurião de precipitada e diz que ele confiou mais na experiência técnica do piloto do que na orientação de Deus. Do ponto de vista humano, a decisão parecia razoável, pois ele tinha diante de si a opinião de profissionais experientes e da maioria dos que estavam a bordo. Além disso, ele não era cristão e não tinha como saber que o alerta de Paulo era uma orientação divina.
De qualquer forma, precisamos ter em mente que uma decisão aparentemente lógica nem sempre é a mais sábia. A experiência humana é importante, mas não substitui a prudência e a dependência de Deus (Pv 3.5,6). A opinião da maioria também não é garantia de que determinada decisão esteja correta (Êx 23.2). No caso de Paulo, a advertência foi ignorada e, pouco depois, os acontecimentos confirmaram a gravidade do perigo que ele havia anunciado (At 27.13-20).
Não é errado utilizar nossos conhecimentos, experiências e recursos disponíveis para solucionar problemas e tomar decisões. A sabedoria bíblica, inclusive, valoriza o conselho e a prudência (Pv 11.14; 15.22). Contudo, há situações em que precisamos buscar a direção de Deus, pois somente Ele conhece plenamente o futuro e sabe o que é melhor para nós (Is 46.9,10; Tg 4.13-15).
Muitas vezes somos tentados a confiar excessivamente em nossa experiência, capacidade ou julgamento. Por isso, precisamos aprender a submeter nossos planos ao Senhor, reconhecendo que nossa visão é limitada. A verdadeira sabedoria consiste em avaliar as circunstâncias com prudência e, ao mesmo tempo, depender de Deus e submeter nossos planos à sua vontade (Pv 16.3,9).
2. A fragilidade humana diante das forças da natureza (vv.13-17). No início da viagem, o vento era favorável, dando a impressão de que a decisão tomada era a correta. Porém, logo surgiu um vento tempestuoso chamado Euroaquilão, nome dado a um forte vento que soprava do nordeste no Mar Mediterrâneo.
O vento atingiu violentamente a embarcação, que não pôde mais navegar contra ele. A tripulação perdeu o controle do navio e começou a utilizar todos os recursos disponíveis, na tentativa de evitar o naufrágio.
Essa tempestade nos ensina que circunstâncias favoráveis nem sempre significam que estamos sob a aprovação divina. Aquela tempestade demonstrou àqueles homens os limites da capacidade humana.
Há momentos em que o planejamento, a experiência e todos os recursos humanos não serão suficientes. Mas Deus continua sendo o nosso refúgio, principalmente quando as nossas forças se esgotam. Os momentos de crise não devem apenas revelar as nossas fraquezas e limitações; devem também nos ensinar que a nossa verdadeira segurança está em Deus.
3. A perda da esperança diante da adversidade (vv.18-20). Depois de navegarem sob forte tempestade, a situação se agravou. No dia seguinte, a tripulação se viu obrigada a lançar fora a carga ao mar, para aliviar o peso da embarcação. No terceiro dia, eles mesmos, com as próprias mãos, lançaram fora os aparelhos do navio (At 27.19).
Durante vários dias, navegando nessas condições, sem ver o sol nem as estrelas, aqueles homens entregaram-se completamente ao desânimo. Perderam seus recursos ao lançar fora a carga e os aparelhos do navio. Perderam também suas referências, navegando sem direção. Tudo isso os levou a perder toda a esperança de sobrevivência.
Quando a esperança humana chega ao fim, Deus pode manifestar de maneira ainda mais evidente a sua intervenção, mostrando que Ele tem domínio sobre todas as coisas. Quando aqueles homens já não conseguiam enxergar uma saída, a providência divina se manifestou por meio das palavras do apóstolo Paulo, conforme veremos no próximo tópico.
Ev. WELIANO PIRES
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