(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 13: A Trindade Santa e a Igreja de Cristo)
No terceiro tópico, estudaremos que o envio da Igreja ao mundo, para o cumprimento de sua missão, é uma ação cooperativa das três Pessoas da Santíssima Trindade: o Pai envia, o Filho comissiona e o Espírito Santo capacita.
Em primeiro lugar, destacamos a missão procedente do Pai, que é a origem de todo o plano da salvação. Desde a eternidade, antes mesmo da fundação do mundo, o Pai estabeleceu o plano de redimir a humanidade. Em sua presciência, Deus sabia da queda do ser humano. Assim, o plano da salvação não se trata de uma alternativa emergencial, como se fosse um “plano B”, pois Deus, em sua soberania, jamais é surpreendido pelos acontecimentos.
Em seguida, veremos que o Filho comissionou os seus discípulos para evangelizar o mundo, ensinando a Palavra de Deus àqueles que crerem, e batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Portanto, essa missão possui um caráter proclamador e, ao mesmo tempo, formador, pois envolve tanto a pregação quanto o ensino das verdades divinas.
Por fim, enfatizaremos que o Espírito Santo é quem capacita e envia a Igreja ao mundo, concedendo poder e ousadia para a proclamação do Evangelho (At 1.8). Antes de sua ascensão aos céus, o Senhor Jesus ordenou aos discípulos que permanecessem em Jerusalém, aguardando a promessa do Pai, isto é, o revestimento de poder do Espírito Santo.
1. A missão dada pelo Pai.
Conforme vimos nos tópicos anteriores, todo o processo da salvação é um conjunto de ações que envolve as três pessoas da Santíssima Trindade. Embora haja papéis diferentes de cada um, os três participam da salvação. No caso da grande comissão dada à Igreja do Senhor não é diferente. A Trindade Santa age de forma cooperativa no envio da Igreja ao mundo para proclamar o Evangelho.
A origem da missão evangelizadora e educadora da Igreja está no coração do Pai. Escrevendo a Timóteo, o apóstolo Paulo afirmou que “Deus quer que todos os homens sejam salvos, e venham ao conhecimento da verdade”. 1Tm 2.4). Logo após a Queda do primeiro casal, no texto chamado “Proto Evangelho”, em Gênesis 3.15, o Senhor Deus foi o primeiro a anunciar o Evangelho: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.
No Antigo Testamento, Deus chamou Abrão e, a partir dele, formou a nação de Israel para através deste povo enviar o seu Filho para salvar a humanidade. Israel foi escolhido por Deus com a missão de ser luz para as nações, uma "nação santa" e "reino de sacerdotes" (Êx 19.6). O propósito de Deus é que os gentios vissem a justiça e a sabedoria de Deus através do seu povo. Entretanto, Israel falhou nessa missão.
Deus enviou o Seu Filho ao mundo, como o Cordeiro de Deus para ser sacrificado pelo nosso pecado. Ele viveu neste mundo de forma incorruptível e cumpriu a missão dada pelo Pai. O Senhor Jesus chamou os seus discípulos e os preparou para darem continuidade a esta missão de proclamar a salvação aos perdidos.
2. O Filho comissiona seus discípulos.
Após a sua morte e ressurreição, o Senhor Jesus reuniu os seus discípulos e lhes confiou a Grande Comissão, declarando: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.19,20).
Essa comissão não se trata de uma sugestão ou de um simples convite, mas de uma ordem expressa do Mestre aos seus discípulos. Trata-se de um mandamento que estabelece a principal responsabilidade da Igreja ao longo dos tempos: anunciar o Evangelho a toda criatura, fazer discípulos e ensiná-los a observar as verdades reveladas por Cristo por meio dos seus apóstolos.
Nesse sentido, a missão da Igreja é, ao mesmo tempo, proclamadora e formadora. Ela proclama as Boas-Novas da salvação e, ao mesmo tempo, se dedica ao ensino sistemático da Palavra de Deus, promovendo o crescimento espiritual dos novos convertidos.
A respeito dessa missão, a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil afirma:
“A Igreja foi eleita para a adoração e louvor da glória de Deus, recebendo, também, a missão de proclamar o evangelho da salvação ao mundo todo, anunciando que Jesus salva, cura, batiza no Espírito Santo e que em breve voltará. O evangelho é proclamado a homens e mulheres, sem fazer distinção de raça, língua, cultura ou classe social, pois ‘o campo é o mundo’ (Mt 13.38)”.
Assim, compreendemos que o comissionamento do Filho continua vigente e exige da Igreja compromisso, fidelidade e dedicação no cumprimento de sua missão no mundo.
3. O Espírito capacita e envia.
O Espírito Santo desempenha papel fundamental na missão da Igreja, pois é Ele quem a capacita, concedendo poder e ousadia para testemunhar de Cristo, mesmo diante da intensa oposição e perseguição de um mundo que jaz no maligno. Ciente dessa necessidade, o próprio Senhor Jesus instruiu os seus discípulos a permanecerem em Jerusalém até que fossem revestidos de poder do alto, mediante a descida do Espírito Santo (Lc 24.49; At 1.4).
Além de capacitar, o Espírito Santo também separa, envia e dirige aqueles que são chamados para a obra missionária. Um exemplo claro disso encontra-se na igreja em Antioquia, onde, enquanto os irmãos serviam ao Senhor com oração e jejum, o Espírito Santo ordenou que Barnabé e Saulo fossem separados para a missão (At 13.2).
No campo missionário, também observamos a direção soberana do Espírito Santo. Em determinadas ocasiões, o apóstolo Paulo intentou ir a certos lugares, mas foi impedido pelo Espírito (At 16.6,7). Em outras situações, foi guiado a regiões que não estavam em seus planos, evidenciando que a obra missionária é conduzida segundo a vontade divina (At 16.7-10).
A respeito da atuação do Espírito Santo na capacitação e no envio da Igreja, a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil afirma:
“Ensinamos que, para a consecução da sua missão, o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja no dia de Pentecostes, e Cristo concedeu líderes para servir à Igreja: ‘Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo’ (Ef 4.12).”
Dessa forma, compreendemos que a Igreja depende integralmente da ação do Espírito Santo para cumprir eficazmente a sua missão, sendo Ele quem capacita, dirige e sustenta os seus servos na proclamação do Evangelho.
Ev. WELIANO PIRES
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