(Comentário do 1⁰ tópico da lição 13: A Trindade Santa e a Igreja de Cristo)
Neste primeiro tópico, estudaremos a participação das três Pessoas da Santíssima Trindade na obra da salvação. Veremos que cada pessoa divina atua de forma harmoniosa no plano redentor, revelando o amor e a graça de Deus para com a humanidade.
Inicialmente, aprenderemos sobre a nossa eleição pelo Pai, com base em Efésios 1.4 e 1 Pedro 1.2a. A Bíblia ensina que essa eleição ocorreu segundo a presciência de Deus. Isso significa que Deus, em sua onisciência, já conhecia aqueles que haveriam de responder ao seu chamado. Nesse ponto, o comentarista nos ajuda a compreender melhor o conceito bíblico de presciência.
Em seguida, estudaremos a redenção realizada pelo Filho. Fomos redimidos pelo sangue de Cristo, que se entregou voluntariamente por nós. Conforme vimos na lição 7, seu sacrifício foi vicário (substitutivo) e suficiente, realizado na cruz do Calvário para pagar o preço da nossa redenção.
Finalmente, falaremos da santificação do Espírito, que se refere à separação do pecado e consagração ao serviço do Reino. Conforme estudamos nas lições 8 e 9, o Espírito Santo não apenas nos convence do pecado, mas também promove uma profunda transformação em nosso interior.
1. Eleitos segundo a presciência do Pai.
Aqui, o comentarista apresenta dois importantes textos bíblicos que tratam da doutrina da eleição. O primeiro encontra-se em Efésios 1.4, onde o apóstolo Paulo escreve: “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade”. O segundo está em 1 Pedro 1.2a: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai…”.
Nesses textos, o verbo grego traduzido por “eleitos” é “eklegomai”. Esse termo é formado pelo prefixo “ek”, que indica “de dentro de” ou “para fora de”, e pelo verbo “légō”, que significa “chamar” ou “nomear”. Assim, a palavra traz a ideia de escolher ou chamar alguém para si. Logo, quando a Bíblia afirma que Deus nos elegeu, ensina que Ele nos escolheu para a salvação antes da fundação do mundo, não por méritos humanos, mas por sua graça.
Nesses textos, o verbo grego traduzido por “eleitos” é “eklegomai”. Esse termo é formado pelo prefixo “ek”, que indica “de dentro de” ou “para fora de”, e pelo verbo “légō”, que significa “chamar” ou “nomear”. Assim, a palavra traz a ideia de escolher ou chamar alguém para si. Logo, quando a Bíblia afirma que Deus nos elegeu, ensina que Ele nos escolheu para a salvação antes da fundação do mundo, não por méritos humanos, mas por sua graça.
Os calvinistas defendem que Deus, por sua soberana vontade, escolheu incondicionalmente alguns para a salvação (eleição incondicional), enquanto outros foram destinados à condenação. Segundo esse entendimento, Cristo morreu apenas pelos eleitos (expiação limitada), não havendo oportunidade de salvação para os demais.
Por outro lado, os arminianos ensinam que Deus, em sua presciência, sabia quem creria em Cristo e, com base nisso, os elegeu para a salvação. Dessa forma, a graça salvadora está disponível a todos, mas somente os que crerem serão salvos. A presciência (gr. prognōskō) refere-se ao conhecimento prévio de Deus, pelo qual Ele conhece todas as coisas antecipadamente.
Nós da Assembleia de Deus, adotamos a posição arminiana, pois entendemos, à luz das Escrituras, que a salvação é oferecida a todos os seres humanos, cabendo a cada um responder, pela fé, ao chamado divino. Não acreditamos que Deus predestinou ninguém para a condenação.
2. Redimidos pelo sangue de Cristo.
Na sequência do texto de 1 Pedro 1.2, utilizado pelo comentarista neste tópico, o apóstolo afirma: “... em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. O comentarista apenas inverteu a ordem do texto bíblico, tratando primeiro da aspersão do sangue de Cristo e, depois, da santificação do Espírito.
Quando Pedro menciona a aspersão do sangue de Cristo, ele faz referência aos sacrifícios do Antigo Testamento. Naquele tempo, o sangue dos animais era aspergido sobre o altar (Êx 24.8). Além disso, na celebração da Páscoa, o sangue do cordeiro era colocado nos umbrais das portas (Êx 12.7), como sinal de proteção.
No entanto, é importante entender que o sangue de Cristo não foi aspergido literalmente sobre nós. Pedro fala em sentido figurado, mostrando que aqueles rituais do Antigo Testamento apontavam para o sacrifício perfeito de Jesus Cristo.
Na Lição 7, estudamos de forma mais ampla a obra do Filho. Vimos sua encarnação, sua humilhação voluntária, seu sacrifício vicário na cruz do Calvário, sua ressurreição e sua gloriosa exaltação. Aprendemos que o sacrifício de Cristo foi único, suficiente, vicário e expiatório. Isso significa que Ele se ofereceu uma única vez, em nosso lugar, pagando o preço pela nossa redenção.
Essa verdade deve fortalecer a nossa fé e nos levar a viver em obediência e santificação, como resposta ao grande amor de Deus, demonstrado através do sacrifício de Cristo por nós.
3. Santificados pelo Espírito Santo.
O tema da santificação pelo Espírito Santo já foi explicado exaustivamente nas lições 8 e 9, quando estudamos sobre a Pessoa e a Obra do Espírito Santo. A santificação (gr. hagiasmós) é a separação de tudo o que é impuro ou profano, para pertencer exclusivamente a Deus e ao seu serviço.
No Novo Testamento, a santificação é apresentada, primeiramente, como um ato divino de separação do crente do estilo de vida pecaminoso. Quando recebemos a Cristo como Salvador, somos santificados pelo Espírito Santo e separados do mundo, enquanto sistema que se opõe a Deus.
A santificação não deve ser confundida com ascetismo ou qualquer tentativa humana de autopurificação. Trata-se de uma obra sobrenatural do Espírito Santo em nosso interior, que nos afasta do pecado e nos aproxima de Deus. Não é apenas uma experiência inicial, mas uma caminhada contínua de crescimento espiritual, que culmina na perfeição e na plenitude da vida eterna em Cristo.
Ev. WELIANO PIRES
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