13 março 2026

A TRINDADE NOS CONDUZ À HERANÇA ETERNA

(Comentário do 3º tópico da Lição 11: O Paia e o Espírito Santo)

Neste terceiro tópico, veremos que a Trindade nos conduz à herança eterna. Essa herança não está relacionada a esta vida nem às coisas materiais, como muitos têm ensinado ultimamente, pois somos forasteiros e peregrinos neste mundo. Trata-se de uma herança eterna e incorruptível, reservada para os salvos.

Inicialmente, veremos que somos herdeiros de Deus por adoção. O apóstolo Paulo ensina que, se somos filhos de Deus, então também somos seus herdeiros (Rm 8.17a). Essa herança não é resultado de nossos méritos, mas fruto da graça divina, pois Deus nos adotou e nos concedeu todos os direitos de filhos.

Em seguida, veremos que somos também coerdeiros com Cristo. Isso significa que, por termos sido adotados por Deus, participamos da mesma herança destinada ao Filho, Jesus Cristo. Contudo, não participamos apenas de sua glória futura, mas também de seus sofrimentos neste mundo (2Tm 2.12).

Por fim, destacaremos que é o Pai quem estabelece o tempo para a plena manifestação dessa herança. Portanto, devemos esperar com paciência no Senhor, confiando que Ele é fiel para cumprir as suas promessas e que está no controle de todas as coisas. Deus não está sujeito ao tempo, pois é eterno; para Ele, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia.

1. Herdeiros de Deus por adoção.

Um filho adotado tem pleno direito à herança do seu pai. No contexto do Império Romano, a adoção era diferente do conceito atual, que visa acolher uma criança órfã ou permitir a paternidade e maternidade de pais que não podem ter filhos. No Império Romano, a adoção ocorria entre as classes mais altas como forma de transferência de patrimônio e de poder, especialmente entre aqueles que não tinham filhos do sexo masculino.

Deus nos adotou como filhos mediante a fé em Cristo e, portanto, nos tornamos seus herdeiros. Após o juízo final, o Senhor Jesus dirá aos que estiverem à sua direita:

“Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25.34).

O apóstolo Pedro também escreveu:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós” (1 Pd 1.3-4).

A nossa herança não será neste mundo, pois não somos daqui. O Senhor Jesus, quando orou pelos seus discípulos, disse ao Pai:

“[Eles] não são do mundo, como eu do mundo não sou” (Jo 17.16).

Ela, porém, começa aqui. O apóstolo Pedro chama os cristãos de peregrinos e forasteiros neste mundo (1 Pe 2.11), e o apóstolo Paulo, por sua vez, escreveu:

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”. (Fp 3.20).

Apesar de não sermos daqui e de nossa herança estar nos céus, já começamos a vivê-la aqui. Quando cremos em Jesus, recebemos o Espírito Santo como garantia da nossa salvação (Ef 1.13-14). Em seguida, somos justificados pela fé em Cristo (Rm 5.1), e a sentença de condenação que pesava contra nós é anulada (Rm 8.1). A partir daí, somos adotados como filhos de Deus (Rm 8.15) e também santificados pelo Espírito Santo (2 Ts 2.13).

No futuro, a nossa herança se completará com a glorificação do nosso corpo. Os nossos corpos serão transformados e se tornarão imortais e perfeitos, livres de todo tipo de doenças, sofrimentos, pecado e limitações (1 Co 15.42-44; Fp 3.21). Mais importante ainda, veremos o nosso Senhor face a face e viveremos com Ele eternamente. Aleluia!

2. Coerdeiros de Cristo por filiação.


Jesus, o Filho unigênito de Deus, é o herdeiro natural do Pai. Tudo o que existe no Céu e na terra pertence a Cristo, pois Ele é o herdeiro de tudo o que pertence ao Pai. O apóstolo Paulo escreveu que somos também coerdeiros de Cristo:

“Se, pois, somos filhos, somos também herdeiros; herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo, se é certo que com Ele padecemos, para que também com Ele sejamos glorificados” (Rm 8.17).


Ser coerdeiro significa partilhar o direito a uma herança com outrem, formando um condomínio sobre os bens até a partilha final. Para isso, é preciso cumprir todos os requisitos legais ou testamentários que garantam o direito à herança.


No caso do cristão, o único requisito para ser coerdeiro de Cristo é ter sido adotado como filho de Deus e unir-se a Cristo nesta vida, participando de seus sofrimentos e renunciando à vida de pecado (2 Tm 2.12). 


Como nos lembra o apóstolo João:

“Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1 Jo 2.6).


É preciso ser imitador de Cristo e carregar as marcas da cruz, como afirma Paulo:

“Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus” (Gl 6.17).


3. O Pai administra o tempo da herança.

A Palavra de Deus nos ensina que já temos a nossa herança garantida em Cristo, mas ainda não tomamos posse dela em sua plenitude. Essa realidade é frequentemente descrita pelos teólogos como o “já, mas ainda não”. Essa expressão indica que certas promessas de Deus já tiveram início em nossa vida, porém ainda aguardam a sua plena consumação.

No que diz respeito ao Reino de Deus, por exemplo, ele já está presente neste mundo por meio da Igreja. O próprio Senhor Jesus declarou: “O Reino de Deus está entre vós” (Lc 17.20–21). Contudo, ainda aguardamos a sua plena manifestação, conforme oramos na oração ensinada por Jesus: “Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade” (Mt 6.9,10).

Essa mesma verdade se aplica à nossa salvação. Pela obra redentora de Cristo, já fomos salvos no sentido da justificação e da regeneração. No presente, estamos sendo salvos por meio do processo contínuo da santificação. E, no futuro, seremos plenamente salvos, quando ocorrer a glorificação do nosso corpo, momento em que seremos definitivamente libertos da presença do pecado.

Algumas pessoas dizem, equivocadamente, que “Deus tarda, mas não falha”. Entretanto, essa afirmação não é correta, pois Deus nunca tarda; Ele age sempre no tempo certo. Portanto, devemos viver entre a promessa e o seu cumprimento final, aguardando o tempo determinado pelo Pai para a plena manifestação da herança que já nos foi assegurada em Cristo.

Ev. WELIANO PIRES

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