INTRODUÇÃO
Graças a Deus, chegamos ao final de mais um trimestre de estudos em nossa Escola Bíblica Dominical. O assunto estudado neste trimestre foi estritamente teológico e exigiu muito, tanto do professor explicá-lo, quanto para o aluno entendê-lo.
Estudamos um dos maiores mistérios da teologia cristã, que é a Doutrina da Santíssima Trindade. Esse assunto já foi alvo de grandes debates em concílios ao longo da história da Igreja e, ainda hoje, suscita muitos questionamentos, principalmente na internet.
O tema da revista deste trimestre foi: A Santíssima Trindade: O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Para compreendermos bem esse tema, faz-se necessário um conhecimento básico de pelo menos três disciplinas da teologia sistemática: Teontologia, que é o estudo sobre Deus; Cristologia, que é o estudo sobre a Pessoa e a obra de Cristo; e Pneumatologia, que é o estudo da Pessoa e da obra do Espírito Santo.
As lições deste trimestre estão organizadas da seguinte forma: a lição introdutória, apresentando a coexistência perfeita e harmoniosa do Pai, do Filho e do Espírito Santo, com base no relato do batismo de Jesus; três lições sobre a Pessoa de Deus Pai e o seu relacionamento com o Filho; três lições sobre a Pessoa e a Obra de Deus Filho; três lições sobre a Pessoa e a Obra de Deus Espírito Santo; uma lição sobre a relação entre o Pai e o Espírito Santo; uma lição sobre a relação entre o Filho e o Espírito Santo; e a lição conclusiva sobre a Santíssima Trindade e a Igreja de Cristo.
COMENTARISTA: Pr. Douglas Baptista
Douglas Roberto de Almeida Baptista é pastor-presidente da Assembleia de Deus de Missão, no Distrito Federal; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica; presidente do Conselho de Educação e Cultura da CGADB; presidente da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; segundo vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás; vice-presidente da Rede Assembleiana de Ensino (RAE) e diretor-geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas.
É doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, além de licenciado em Educação Religiosa e Filosofia.
É comentarista de Lições Bíblicas há vários anos; colunista de periódicos da CPAD e do Portal CPAD News; e autor de diversos livros publicados pela CPAD, entre eles: Filosofia da Educação Cristã, A Igreja de Cristo e o Império do Mal, Valores Cristãos, A Igreja Eleita e A Supremacia das Escrituras.
O Pr. Douglas Baptista tem ampla atuação na área educacional da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil e tem representado essa instituição em debates e audiências públicas no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal, em temas relacionados aos valores morais e à cosmovisão cristã. Foi também o relator da Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil.
1. LIÇÃO INTRODUTÓRIA: O MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE.
Nesta primeira lição, estudamos o conceito da Doutrina da Santíssima Trindade e o seu sólido fundamento bíblico. Trata-se de uma das doutrinas centrais da fé cristã e que, ao longo da história da Igreja, tem sido alvo de muitos debates e questionamentos.
A palavra Trindade deriva do termo latino trinitas ou trinitatis, que significa “tríade”, “reunião de três” ou “estado de ser triplo”. Alguns teólogos também utilizam o termo Triunidade, que procura expressar ao mesmo tempo a unidade e a pluralidade de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.
É importante observar que o termo “Trindade” não aparece literalmente na Bíblia. Ele é um termo teológico, de origem latina, utilizado pela primeira vez por Tertuliano por volta do ano 213 d.C. O termo grego equivalente é trias, usado originalmente por Teófilo de Antioquia.
Desde os primeiros séculos do cristianismo surgiram algumas heresias que tentaram negar ou distorcer essa doutrina. Entre elas estão o Arianismo ou Unitarismo, e também o Modalismo ou Unicismo.
O Arianismo, defendido pelo presbítero Ário de Alexandria, ensinava que somente o Pai é verdadeiramente Deus e que o Filho teria sido a primeira criatura criada por Ele. Essa ideia negava a plena divindade de Cristo. Essa doutrina ainda é ensinada atualmente por grupos como as Testemunhas de Jeová.
Outra heresia foi o Modalismo, também chamado de Unicismo. Essa doutrina afirmava que Pai, Filho e Espírito Santo não são três Pessoas distintas, mas apenas três manifestações de um único Deus. Essa posição também ficou conhecida como Sabelianismo, por ter sido defendida por Sabélio.
Existe ainda o Triteísmo, que ensina que Pai, Filho e Espírito Santo seriam três deuses. No entanto, isso seria politeísmo, algo totalmente contrário ao ensino bíblico. A Bíblia ensina que há um único Deus, que subsiste eternamente em três Pessoas distintas.
Infelizmente, alguns pregadores, ao tentarem dramatizar o plano da salvação, acabam descrevendo diálogos ou discussões entre as Pessoas da Trindade como se fossem três deuses separados. Esse tipo de explicação pode levar a uma compreensão equivocada da doutrina bíblica.
Ao longo da história da Igreja, essa doutrina foi amplamente discutida. No Concílio de Niceia, realizado no ano 325 d.C., a Igreja afirmou de maneira clara a divindade do Filho. Posteriormente, o Concílio de Constantinopla também reafirmou essa doutrina.
É importante destacar que esses concílios não “criaram” a doutrina da Trindade. Na verdade, eles apenas confirmaram e sistematizaram aquilo que já estava revelado nas Escrituras e que os cristãos já criam desde o início da Igreja.
Outro ponto importante é que não devemos tentar explicar a Trindade por meio de comparações humanas ou ilustrações da natureza. Muitas dessas ilustrações acabam distorcendo a doutrina e, em vez de ajudar, podem reforçar ideias equivocadas, como o modalismo.
Nesta lição introdutória, o comentarista utilizou como base o episódio do batismo de Jesus. Nesse momento, vemos claramente a manifestação das três Pessoas da Trindade ao mesmo tempo: o Pai fala do céu, o Filho está sendo batizado nas águas e o Espírito Santo desce sobre Ele em forma corpórea, como pomba.
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, no capítulo III, afirma:
“Cremos, professamos e ensinamos o monoteísmo bíblico: que Deus é uno em essência ou substância, indivisível em natureza, e que subsiste eternamente em três Pessoas — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — iguais em poder, glória e majestade e distintas em função, manifestação e aspecto [...]. Cada Pessoa da Santíssima Trindade possui todos os atributos divinos: onipotência, onisciência, onipresença, soberania e eternidade.”
Assim, concluímos que a Doutrina da Santíssima Trindade é um grande mistério da fé cristã, plenamente revelado nas Escrituras e fundamental para a compreensão correta de Deus.
2. A PESSOA DO DEUS PAI E O SEU RELACIONAMENTO COM O FILHO.
Nas lições 2, 3 e 4 estudamos a primeira Pessoa da Santíssima Trindade: o Pai, de quem procedem o Filho e o Espírito Santo.
Quando dizemos que o Filho e o Espírito Santo procedem do Pai, precisamos ter cuidado para não imaginar que o Pai os criou ou que houve um tempo em que o Filho e o Espírito Santo não existiam, como afirmam os unitaristas. Essa “procedência” não se refere à origem no tempo, mas sim à relação eterna entre as três Pessoas divinas.
A doutrina da Trindade ensina que há um só Deus, que subsiste em três Pessoas distintas, que são coeternas, consubstanciais e distintas.
Isso significa que:
a) As três Pessoas existem juntas por toda a eternidade; nenhuma delas teve princípio (coeternas);
b) As três Pessoas possuem a mesma essência, natureza e poder (consubstanciais);
c) As três Pessoas são distintas entre si: o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo e o Espírito Santo não é o Pai.
Na lição 2, o comentarista afirmou que o Pai é o Único Deus Verdadeiro, destacando o papel de Deus como Criador e sustentador de todas as coisas. Essa afirmação pode parecer confusa à primeira vista, mas foi o próprio Jesus quem declarou isso em João 17.3:
“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”
Diante dessa afirmação, surge uma pergunta importante:
Se o Pai é o único Deus verdadeiro, então o Filho e o Espírito Santo também não são Deus verdadeiro?
Para compreender corretamente essa declaração, é necessário considerar o contexto em que Jesus a pronunciou.
Jesus fez essa afirmação na condição humana, exaltando o Pai. Quando Ele diz que o Pai é o único Deus verdadeiro, isso ocorre em contraste com os falsos deuses. De fato, existe apenas um único Deus verdadeiro. Entretanto, esse Deus é uma unidade composta, revelada nas três Pessoas da Trindade.
O Novo Testamento também afirma claramente que Jesus é Deus verdadeiro:
“E sabemos que já o Filho de Deus é vindo e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” (1Jo 5.20)
Além disso, as Escrituras afirmam que o Espírito Santo é Deus. Em Atos 5.3–4, o apóstolo Pedro declara que mentir ao Espírito Santo é mentir ao próprio Deus.
Portanto, devemos ter cuidado para não cair no erro do Unitarismo, que ensina que somente o Pai é Deus verdadeiro e que o Filho seria uma criatura criada por Ele.
A revelação bíblica mostra que Deus é uma unidade composta, de modo que Pai, Filho e Espírito Santo são o mesmo Deus, coexistindo eternamente como três Pessoas distintas, porém da mesma essência.
O Pai se faz conhecer por meio do Filho
O Pai se revela por meio do Filho, conforme declarou o próprio Jesus:
“Ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt 11.27)
Deus é um ser transcendente, ou seja, está infinitamente além da plena compreensão humana. Por essa razão, Ele só pode ser verdadeiramente conhecido por meio da revelação em Cristo.
O Filho é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5) e o único plenamente capaz de revelar a natureza, a vontade e o amor do Pai.
Nesse sentido, Jesus afirma que ninguém conhece plenamente o Pai senão o Filho, e ninguém conhece plenamente o Filho senão o Pai.
Evidentemente, o Espírito Santo, que também é Deus, conhece plenamente o Pai e o Filho. Contudo, naquele momento do ministério terreno de Jesus, a revelação sobre o Espírito Santo ainda não havia sido plenamente apresentada. Essa revelação seria dada de forma mais clara aos discípulos pouco antes da ascensão de Cristo, conforme registrado em João capítulos 14 a 16.
O Pai enviou o Filho
O Filho unigênito de Deus foi enviado pelo Pai como a maior demonstração do Seu amor pela humanidade.
Esse amor é incondicional, gracioso e sacrificial. Em Sua misericórdia, Deus enviou Seu Filho a um mundo rebelde e pecador, totalmente indigno de tal amor.
No conhecido texto de João 3.16, Jesus declarou:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
O amor de Deus é incondicional, pois Ele amou pecadores que não mereciam ser amados e que não tinham como retribuir esse amor. Deus não encontrou mérito no ser humano para então decidir amá-lo; Ele amou por iniciativa própria, segundo a sua graça.
Sobre isso, o apóstolo Paulo escreveu:
“Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5.8)
O próprio Jesus afirmou em várias ocasiões que foi enviado pelo Pai:
“Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” (Jo 6.38)
Quando lemos que o Filho foi enviado para fazer a vontade do Pai, pode surgir a impressão de que Ele seria inferior ao Pai. As seitas unitaristas usam esse argumento para negar a divindade de Cristo.
Entretanto, essa submissão é funcional, e não essencial. Ou seja, ela está relacionada ao plano da redenção, e não à natureza divina.
O envio do Filho não implica inferioridade ou hierarquia de natureza dentro da Trindade, pois o Pai, o Filho e o Espírito Santo compartilham a mesma essência divina.
A submissão do Filho ao Pai foi voluntária e está relacionada à obra da salvação.
A paternidade divina
Quando a Bíblia diz que Deus é Pai de Jesus, essa paternidade deve ser entendida de maneira diferente da paternidade humana.
Deus é Pai de todos os seres humanos e dos anjos no sentido de Criador. No Antigo Testamento, Ele é apresentado como Pai da criação, como lemos em Deuteronômio 32.6.
Deus também é Pai por adoção. Nesse sentido, Ele é Pai apenas daqueles que creem em Cristo, como diz João 1.12:
“Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome.”
Entretanto, Deus é Pai de Jesus Cristo de maneira única e eterna, por natureza.
Cristo é o Filho unigênito de Deus. A palavra grega monogenēs significa único em sua natureza, o Filho eternamente gerado — e não criado — pelo Pai.
Essa geração não implica criação, pois o Filho sempre existiu com o Pai, compartilhando da mesma essência divina.
3. A PESSOA E A OBRA DO DEUS FILHO.
Nas lições 5, 6 e 7, estudamos três lições sobre a Pessoa e obra do Filho de Deus: O Deus Filho, O Filho como o Verbo de Deus e A Obra do Filho. Jesus Cristo é o Filho Unigênito de Deus, que sempre existiu e possui a mesma essência e natureza do Pai. Por amor à humanidade e obediência voluntária ao Pai, Ele esvaziou-se da Sua glória e se fez humano. Mas nunca deixou de ser Deus.
A divindade de Cristo
Jesus Cristo é o Filho eterno de Deus e possui a mesma essência e substância do Pai (gr. homoousios). As Escrituras afirmam claramente essa verdade:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (Jo 1.1).
“Eu e o Pai somos um.” (Jo 10.30).
“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Cl 2.9).
“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas.” (Hb 1.3).
A Bíblia também ensina que Deus possui atributos incomunicáveis, isto é, qualidades exclusivas da divindade. Esses atributos também são atribuídos a Cristo, confirmando Sua plena divindade.
1. Imutabilidade. A imutabilidade é o atributo pelo qual Deus não muda em Sua essência, natureza ou perfeição. Essa característica é atribuída a Jesus Cristo:
“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” (Hb 13.8).
2. Eternidade. Deus é eterno, pois nunca teve princípio e jamais terá fim. Nunca houve um tempo em que Deus não existisse. Ele existe acima do tempo e não está sujeito às suas limitações. A Bíblia afirma que o Filho compartilha dessa eternidade:
“E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” (Cl 1.17).
3. Onipotência. Deus é onipotente porque todo poder e autoridade pertencem a Ele. Não existe, nem jamais existirá, poder algum capaz de subjugá-Lo. Para Deus, nada é impossível. Este atributo também é atribuído a Cristo:
“Eu sou o Alfa e o Ômega… o Todo-Poderoso.” (Ap 1.8).
4. Onipresença. Deus é onipresente, pois está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. Esse atributo não deve ser confundido com o panteísmo, que ensina que Deus é tudo e tudo é Deus. A onipresença afirma que Deus está em toda parte, sem se confundir com a criação. A Bíblia nos mostra claramente que Jesus é onipresente:
“E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação do mundo.” (Mt 28.20).
5. Onisciência. Deus é onisciente, pois Ele conhece plenamente todas as coisas, visíveis e invisíveis, passadas, presentes e futuras, em todos os lugares do universo. A Bíblia também nos mostra que Jesus é onisciente, pois Ele conhece pensamentos e mistérios que somente Deus conhece:
“Porque ele bem sabia o que havia no homem.” (Jo 2.25).
6. Autoexistência. Deus não foi criado e existe por Si mesmo. Ele é absolutamente autossuficiente, não dependendo de nada nem de ninguém fora de Si para existir ou subsistir. Jesus Cristo, o Filho de Deus também possui este atributo:
“Assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo.” (Jo 5.26).
A humanidade do Filho
No texto de Gálatas 4.4,5, o apóstolo Paulo escreveu:
“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de Mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.”
Essa declaração aponta de maneira inequívoca para a plena humanidade de Jesus Cristo. Embora possa parecer improvável, já nos dias dos apóstolos havia pessoas que negavam que Jesus tivesse assumido uma verdadeira natureza humana.
Os primeiros a negar que Jesus possuía um corpo humano real foram os docetas. O docetismo teve origem em concepções gnósticas que defendiam um dualismo entre espírito e matéria, considerando o espírito como essencialmente bom e a matéria como essencialmente má. Dessa forma, sustentavam que, sendo Jesus verdadeiramente Deus, Ele não poderia ter um corpo físico, pois, segundo essa visão, o corpo seria inerentemente mau.
Entretanto, os Evangelhos testemunham de forma clara que Jesus possuía um corpo físico real. Em diversas ocasiões, os discípulos tocaram em Jesus, caminharam com Ele, conversaram pessoalmente e conviveram intimamente com sua vida cotidiana. Eles nunca tiveram dúvidas quanto à realidade de sua humanidade. Os relatos evangélicos apresentam, com riqueza de detalhes, aspectos claros da vida humana de Cristo.
Os Evangelhos de Mateus e Lucas registram informações significativas acerca do nascimento de Jesus, desde o anúncio do seu nascimento, mencionando também várias pessoas que testemunharam esses acontecimentos. Ambos apresentam a genealogia de Jesus e fazem referência aos seus familiares.
Marcos, por sua vez, inicia seu relato apresentando Jesus já na idade adulta, no início de seu ministério público, dando grande ênfase aos milagres que Ele realizou. Ainda assim, Marcos retrata Jesus como um verdadeiro homem que vivia e se movia entre as multidões. Esses três evangelistas expõem de maneira consistente a humanidade de Jesus, não deixando dúvidas quanto à realidade de seu corpo físico.
O Evangelho segundo João se distingue dos Sinóticos por enfatizar de modo especial a divindade de Cristo e o significado teológico do seu ministério. Todavia, João também afirma com clareza a plena humanidade de Jesus. No prólogo do seu Evangelho, ele declara:
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).
Com essa afirmação, João ensina que o Filho eterno de Deus assumiu a natureza humana e viveu entre os homens. Essa verdade é reafirmada pelo apóstolo também em suas Epístolas (1 Jo 1.1–3; 4.2).
O Filho como o Verbo eterno de Deus
A palavra verbo deriva do latim verbum, que significa “palavra”, “termo” ou “expressão”. Inicialmente, o termo latino designava qualquer palavra, mas, posteriormente, passou a ser usado como classe gramatical que expressa ação, estado ou fenômeno. Na língua portuguesa, o verbo indica, portanto, ação, estado ou acontecimento, funcionando como o núcleo da oração.
No grego antigo, havia duas palavras traduzidas por “palavra” ou “verbo”: lógos e rhêma. O termo lógos possuía uma ampla variedade de significados para os gregos, muito além do sentido de “verbo” em português: podia indicar palavra, discurso, razão, argumento, sentido ou princípio racional. Já o termo rhêma significava aquilo que é dito, enunciado, fala em ato, ou, no contexto gramatical, verbo.
Nas Escrituras hebraicas, o termo dābār abrange os sentidos de palavra, fala, ação e evento. Na Septuaginta — versão grega do Antigo Testamento — dābār foi traduzido tanto por lógos quanto por rhêma, conforme o contexto. Para os judeus, dābār era o agente da criação, conforme explica o teólogo Matthew Henry, em seu comentário sobre o texto de João 1:
“Pela palavra [Dābār] do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca” (Sl 33.6).
Enquanto para os gregos o Logos era um princípio racional que ordenava o mundo, para os judeus o Dābār era o agente criador e a própria Palavra de Deus, João apresenta o Verbo como preexistente, pessoal, divino, distinto do Pai e encarnado.
Assim, ao empregar o termo lógos, João estabelece uma ponte entre o pensamento hebraico e o grego, mas ao mesmo tempo revela uma verdade teológica única: o Verbo não é impessoal nem abstrato. Para os judeus, seria impossível conceber que Jesus pudesse ser o Dābār, e, para os gregos, seria absurda a ideia de humanizar o Logos. João, entretanto, mostra que o Verbo eterno se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14), revelando a encarnação de Deus em Jesus Cristo.
A obra redentora do Filho de Deus
A palavra obra deriva do substantivo latino opera, que significa “trabalho”, “esforço” ou “atividade”. No latim clássico, opera está relacionada à ideia de trabalho ou tarefa realizada, e foi incorporada ao português como obra, mantendo o sentido de aquilo que é produzido ou executado por alguém.
No contexto deste estudo, obra refere‑se ao conjunto de ações pelas quais Cristo se submeteu em favor da humanidade: desde a Sua encarnação, passando pela Sua humanização e pelo sacrifício vicário na cruz do Calvário, até a Sua ressurreição e gloriosa exaltação. Isso significa que toda essa realização foi o ato completo e eficaz de Deus para a redenção dos pecadores.
A ineficiência do sacerdócio levítico
Em todo o Antigo Testamento, Deus utilizou figuras, tipos e personagens que apontavam para a Nova Aliança, para Cristo, para o seu sacrifício e para a Igreja (Cl 2.16,17; Hb 8.5; 10.1). O escritor da Epístola aos Hebreus demonstra que aqueles rituais eram imperfeitos, provisórios e transitórios, pois não podiam aperfeiçoar a consciência do adorador (Hb 7.18,19; 9.9,10).
Por não ser perfeito, o sumo sacerdote precisava oferecer sacrifícios por si mesmo antes de interceder pelo povo (Hb 5.1-3; 7.27). Além disso, os sacrifícios eram repetidos continuamente, evidenciando sua insuficiência (Hb 10.1-4,11).
Por ser provisório e insuficiente para solucionar plenamente o problema do pecado, o sacerdócio levítico foi substituído pelo sacerdócio de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 110.4; Hb 7.11-17), que é perfeito, eterno e infinitamente superior (Hb 7.23-28; 9.11,12), tendo oferecido um único e suficiente sacrifício pelos pecados (Hb 10.12-14).
O Sacrifício de Cristo foi único e suficiente
Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29; 1 Pe 1.18,19), ofereceu-se em sacrifício uma única vez pelos pecados de toda a humanidade (Rm 6.10; Hb 9.26-28). Seu sacrifício é plenamente suficiente para purificar, de uma vez por todas, aqueles que nele creem (Hb 7.27; 10.10,14; 1 Jo 1.7).
Ao bradar no Calvário: “Está consumado!” (Jo 19.30), consumando a obra redentora, o véu do Templo — que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo — rasgou-se de alto a baixo (Mt 27.50,51; Mc 15.37,38; Lc 23.45). Esse acontecimento simbolizou o fim da antiga ordem sacrificial e a remoção da barreira que separava o homem de Deus, possibilitando o livre acesso à presença do Pai mediante a fé em Cristo (Hb 10.19-22; Ef 2.13-18).
O sacrifício de Cristo foi vicário e expiatório
A palavra vicário deriva do latim vicarius, que significa “no lugar de outro”. Já o termo expiatório procede do latim expiāre, que significa “purificar” ou “reparar uma falta”. Assim, Jesus padeceu em nosso lugar para purificar-nos dos pecados e reconciliar-nos com Deus.
Jesus é o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Ele levou sobre si os nossos pecados (Is 53.4) e realizou a reconciliação entre Deus e a humanidade (2Co 5.18,21). Conforme afirma a Escritura, há “um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1Tm 2.5). Não há outra forma de salvação para os pecadores senão por meio do sacrifício de Cristo.
Assim, somente por meio de Cristo é possível a reconciliação do pecador com Deus, pois Ele é o único caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6), e em nenhum outro há salvação (At 4.12; 1 Tm 2.5).
4. A PESSOA E A OBRA DO DEUS ESPÍRITO SANTO.
Nas lições 8, 9 e 10 estudamos a Pessoa e a obra do Espírito Santo, abordando os seguintes temas: O Deus Espírito Santo; O Espírito Santo — o Regenerador; e O Espírito Santo — o Capacitador.
A personalidade do Espírito Santo
O Espírito Santo é uma Pessoa distinta do Pai e do Filho, mas consubstancial com ambos. É importante compreender a diferença entre os termos “distinto” e “diferente”. Embora pareçam semelhantes, não expressam exatamente a mesma ideia. O termo distinto indica que é outro, sem implicar desigualdade de natureza; já diferente pode sugerir desigualdade de essência ou natureza.
Na Trindade, as Pessoas são distintas — o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo e o Espírito Santo não é o Pai —, porém não são diferentes em essência, pois compartilham plenamente a mesma natureza divina.
Ao afirmarmos que o Espírito Santo é uma Pessoa, estamos declarando uma verdade fundamental da fé cristã. A Bíblia não o apresenta como uma força ativa ou mera influência divina, mas como uma Pessoa divina que participa plenamente da Trindade. Ele possui atributos pessoais como intelecto, sentimentos e vontade.
O apóstolo Paulo ensina que o Espírito Santo revela as profundezas de Deus (1Co 2.10), demonstrando seu intelecto. Também adverte os crentes a não o entristecerem (Ef 4.30), evidenciando que Ele possui sentimentos. Além disso, ao tratar dos dons espirituais, o apóstolo afirma que o Espírito distribui a cada um “como quer” (1Co 12.11), indicando que Ele exerce vontade própria. Tais características não podem ser atribuídas a uma energia impessoal, mas a uma Pessoa divina que age de modo consciente e soberano.
A divindade do Espírito Santo
Além de ser Pessoa, a Bíblia revela que o Espírito Santo é Deus. Ele possui a mesma essência e natureza do Pai e do Filho. Essa verdade é confirmada tanto pelos atributos divinos que lhe são atribuídos nas Escrituras quanto pelas obras que realiza.
Nos primeiros séculos da Igreja, pouco se definiu sobre o Espírito Santo. Os credos apostólico e niceno afirmavam apenas: “Creio no Espírito Santo”, sem declarações mais detalhadas sobre a sua Pessoa.
Com o surgimento da heresia dos pneumatômacos — termo grego que significa “combatentes do Espírito”, que aceitavam a divindade de Cristo, mas negavam a do Espírito Santo — tornou-se necessária uma definição mais clara.
Para tratar dessa questão foi convocado o Concílio de Constantinopla, em 381 d.C., que reafirmou a divindade da terceira Pessoa da Trindade e acrescentou ao credo as seguintes palavras:
“Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, que procede do Pai, e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado.”
Os atributos divinos do Espírito Santo
Nas lições anteriores vimos que o Pai e o Filho possuem atributos exclusivos da divindade. A Bíblia também revela que esses atributos pertencem ao Espírito Santo, o que confirma a sua plena divindade.
Entre esses atributos destacam-se:
a) Onipotência. O Espírito Santo manifesta o poder de Deus (Lc 1.35; Rm 15.19).
b) Onisciência. Nada está além de seu conhecimento (At 5.3,4; 1Co 2.10,11).
c) Onipresença. Não há lugar onde alguém possa escapar de sua presença (Sl 139.7–10).
d) Eternidade. Ele não começou a existir no Pentecostes, pois estava presente desde a criação (Gn 1.2; Hb 9.14).
Esses atributos pertencem exclusivamente à divindade. Portanto, são evidências claras de que o Espírito Santo é Deus, possuindo a mesma essência do Pai e do Filho.
Os símbolos do Espírito Santo
A Bíblia apresenta diversos símbolos que ilustram a atuação do Espírito Santo, entre eles: fogo, água, vento, óleo (azeite) e pomba. Esses símbolos não definem a essência do Espírito Santo, mas ajudam a compreender aspectos de sua obra.
a) Fogo. Na Bíblia, o fogo frequentemente está associado à presença de Deus (Êx 3.2) e simboliza purificação, santificação e poder. No Dia de Pentecostes apareceram “línguas repartidas, como que de fogo” sobre os discípulos (At 2.3,4). O texto não afirma que o Espírito seja fogo, mas que sua manifestação ocorreu de forma semelhante a línguas de fogo.
b) Água. A água simboliza purificação, renovação e vida espiritual. O Senhor Jesus Cristo declarou: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu interior” (Jo 7.38). O próprio evangelista explica que Ele se referia ao Espírito Santo (Jo 7.39).
c) Vento. O vento é invisível, poderoso e incontrolável. Jesus afirmou: “O vento sopra onde quer… assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (Jo 3.8). O termo grego pneuma pode significar tanto “vento” quanto “espírito”.
c) Óleo ou azeite. Nos tempos bíblicos, o azeite era usado como combustível, medicamento e elemento de unção. Como símbolo do Espírito Santo, representa consagração e capacitação divina (2Co 1.21,22).
d) Pomba. A pomba simboliza pureza, paz e mansidão. No batismo de Jesus, o Espírito Santo desceu sobre Ele “como pomba” (Mt 3.16). O texto descreve a forma da manifestação, não a natureza do Espírito.
O Espírito Santo como regenerador
A palavra grega palingenesia, traduzida como regeneração, aparece apenas duas vezes no Novo Testamento.
Em Mateus 19.28 refere-se à renovação futura de todas as coisas no Reino de Deus. Já em Tito 3.5 refere-se à obra interior do Espírito Santo na vida do pecador.
Outra expressão relacionada à regeneração é gennēthē anōthen, que significa “nascer do alto” ou “nascer de novo”.
Jesus declarou a Nicodemos: “Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3).
A regeneração é necessária porque todos pecaram (Rm 3.23). Não se trata de um novo nascimento físico, mas de uma transformação espiritual operada pelo Espírito Santo.
A salvação não é resultado de méritos humanos, mas da graça de Deus. Conforme ensina a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, “a regeneração é a transformação do pecador em nova criatura pelo poder de Deus”.
Embora a velha natureza continue presente até a glorificação, o Espírito Santo gera no crente uma nova natureza e o capacita a vencer o pecado.
O Espírito Santo como capacitador
O Espírito Santo não apenas regenera e santifica o crente, mas também o capacita para servir a Deus. Ele distribui dons espirituais, promove a unidade da Igreja e fortalece o testemunho cristão.
Sua atuação pode ser vista ao longo de toda a história bíblica: na criação, na inspiração das Escrituras e na direção do povo de Deus.
No Antigo Testamento, o Espírito capacitava pessoas específicas para tarefas especiais, como Bezalel na construção do tabernáculo (Êx 31.2,3) e juízes como Gideão e Sansão.
Os profetas anunciaram que Deus derramaria o seu Espírito de maneira mais ampla. O profeta Joel profetizou que o Espírito seria derramado sobre toda carne (Jl 2.28,29).
Essa promessa teve seu cumprimento inicial no Dia de Pentecostes, quando os discípulos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas.
Nesse dia, o apóstolo Pedro declarou que a promessa era para todas as gerações: “Para vós, para vossos filhos e para todos os que estão longe, para tantos quantos Deus chamar” (At 2.39).
Posteriormente, o apóstolo Paulo ensinou sobre os dons espirituais e destacou a unidade da ação divina:
“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1Co 12.4–6).
Essa afirmação revela a perfeita harmonia da Santíssima Trindade na vida da Igreja. O Pai, o Filho e o Espírito Santo atuam juntos para a edificação do povo de Deus.
Os dons espirituais são dádivas de Deus, concedidas não por merecimento humano, mas para benefício da Igreja. Os dons são concedidos à Igreja com três propósitos principais:
Servir ao Reino de Deus (1Pe 4.10);
Edificar a Igreja (1Co 14.12);
Glorificar a Cristo (1Co 12.3).
Assim, os crentes são apenas administradores desses dons, e não seus proprietários. Eles pertencem ao Senhor, que os concede e os dirige segundo os seus propósitos. São concedidos pela graça divina e não devem ser usados como motivo de orgulho ou superioridade espiritual. Significa apenas que Deus concedeu determinadas capacidades para o serviço de sua Igreja.
5. A RELAÇÃO ENTRE O PAI E O ESPÍRITO SANTO
A relação entre Deus Pai e o Espírito Santo na obra da salvação revela como a Santíssima Trindade atua de maneira harmoniosa em favor do crente. O Espírito Santo não apenas nos liberta da escravidão do pecado, mas também confirma a nossa identidade como filhos adotivos de Deus e nos conduz à herança eterna preparada pelo Pai.
Nesse sentido, o Pai e o Espírito Santo agem conjuntamente para assegurar a nossa adoção espiritual. O Espírito Santo é a dádiva concedida pelo Pai à Igreja, por meio da qual somos feitos filhos de Deus. É Ele quem confirma essa nova identidade, dirige a nossa vida e nos garante a esperança da herança eterna em Cristo.
O envio do Espírito Santo é uma evidência da adoção do crente como filho legítimo de Deus (Rm 8.9,14–16). O apóstolo Paulo ensina que a verdadeira marca dos filhos de Deus não é apenas uma declaração verbal de fé, mas uma vida conduzida pelo Espírito. Por isso afirma: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rm 8.14).
Assim, como filhos adotados por Deus e participantes de uma nova natureza espiritual, somos chamados a viver sob a direção do Espírito Santo. A Igreja de Cristo deve viver neste mundo com plena consciência dessa filiação, lembrando que já não somos escravos, mas herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo.
6. A RELAÇÃO ENTRE O FILHO E O ESPÍRITO SANTO
Desde a concepção milagrosa do Filho até a sua glorificação, o Espírito Santo esteve presente, mostrando que a obra redentora é trinitária. O Espírito foi o agente da encarnação de Cristo (Lc 1.35) e o capacitou em seu ministério terreno. Jesus realizou milagres e ensinou pelo poder do Espírito (Mt 12.28).
A obra da salvação revela a perfeita unidade e cooperação entre as Pessoas da Trindade: o Pai envia, o Filho obedece e o Espírito capacita. Embora seja plenamente Deus, o Filho submeteu-se ao Pai e atuou pelo poder do Espírito, cumprindo fielmente o plano da redenção.
Jesus viveu neste mundo em perfeita obediência ao Pai e em dependência total do Espírito Santo. Da mesma forma, nós também precisamos depender do Espírito em todas as áreas da vida cristã. A vida cristã não se sustenta apenas em esforço humano; é o agir do Espírito que nos capacita a viver de acordo com a vontade de Deus.
7. CONCLUSÃO: A SANTÍSSIMA TRINDADE E A IGREJA DE CRISTO.
O estudo deste trimestre demonstrou que a Trindade é uma doutrina central da fé cristã e constitui a base da existência e da missão da Igreja. Ela revela o agir cooperativo do Pai, do Filho e do Espírito Santo de forma harmoniosa na criação, redenção, santificação e na comunhão da Igreja.
Em Sua presciência, Deus elegeu a Igreja desde a eternidade (Ef 1.4). Esse plano antecede a nossa existência, pois fomos “eleitos segundo a presciência de Deus Pai” (1Pe 1.2a). Presciência significa conhecer de antemão, e aponta para o conhecimento perfeito de Deus, que sabe todas as coisas antes que aconteçam. Assim, Ele elegeu de antemão aqueles que iria chamar à fé e à perseverança em Cristo (Rm 8.29).
O apóstolo Pedro declara: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1Pe 1.2). Este versículo mostra a perfeita cooperação das Pessoas da Trindade na salvação: o Pai elege, o Filho redime pelo Seu sangue, e o Espírito Santo santifica.
Como instituição trinitária, a Igreja é chamada a cumprir seu papel no mundo com poder e fidelidade. A Trindade sustenta, guia e envia o Seu povo para o cumprimento da missão divina. Compreender esta verdade fortalece nossa identidade como filhos de Deus e nos capacita a viver com confiança e propósito no serviço ao Reino.
Que cada crente experimente essa união divina no seu cotidiano, vivendo em comunhão com Deus, refletindo Seu amor, poder e graça em todas as áreas da vida e caminhar diariamente confiantes, sabendo que somos filhos amados, redimidos e guiados pelo Espírito, para a glória de Deus.
Deus continue abençoando a nossa Escola Bíblica Dominical!
Ev. WELIANO PIRES
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