28 março 2026

A IGREJA E A COMUNHÃO COM A TRINDADE

(Comentário do 2º tópico da Lição 13: A Trindade Santa e a Igreja de Cristo).

Neste tópico, o comentarista aborda a bênção apostólica proferida pelo apóstolo Paulo em 2 Coríntios 13.13 (ou 13.14, em algumas versões), que apresenta um caráter trinitário: o amor do Pai, a graça do Filho e a comunhão do Espírito Santo. Entretanto, ele enfatiza especialmente o aspecto da comunhão da Igreja com as três Pessoas da Santíssima Trindade.

Inicialmente, veremos a comunhão da Igreja com Deus Pai, fundamentada em seu infinito e incomparável amor, que é a base e a fonte de sustentação dessa comunhão. Só temos comunhão com o Pai porque Ele nos amou primeiro, sendo nós ainda pecadores (1 Jo 4.19).

Na sequência, trataremos da comunhão da Igreja com o Filho, a qual somente é possível mediante a sua infinita graça, isto é, o favor imerecido demonstrado ao entregar-se em sacrifício por nós. Jesus Cristo fez-se homem e abriu o caminho para termos acesso ao Pai, sendo Ele o próprio caminho (Jo 14.6) e o único mediador entre Deus e a humanidade (1 Tm 2.5).

Por fim, abordaremos a comunhão com o Espírito Santo, que nos convence do pecado, nos regenera, nos santifica e nos conduz a uma dimensão espiritual marcada pela reconciliação, pelo perdão e pela cooperação (Ef 4.30-32; Fp 2.1,2). Não é possível haver comunhão com Deus nem entre os irmãos sem a atuação poderosa do Espírito Santo.

1. Comunhão com o Pai.

Na bênção apostólica descrita em 2Co 13.13, na parte referente ao Pai, o apóstolo Paulo menciona “o Amor de Deus…”. O comentarista, ou a equipe pedagógica da CPAD, colocou aqui o título: a comunhão com o Pai. Mas, esta comunhão só é possível, mediante o amor de Deus. A Bíblia nos diz o seguinte: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que Deus o seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3.16). 

Ao tratarmos do amor de Deus, estamos nos referindo à própria essência do amor verdadeiro. Deus não apenas possui amor; Ele é amor. Trata-se de um amor singular, distinto de qualquer outro existente neste mundo. Portanto, somente pode amar verdadeiramente aquele que tem Deus em seu coração, pois Ele é a fonte de todo amor genuíno.

A redenção da humanidade pecadora está fundamentada nesse amor incomparável. Deus oferece perdão ao pecador e, além disso, promove o cancelamento de sua dívida espiritual por meio do sacrifício de Cristo. Assim, fomos perdoados e aceitos por Deus, não por méritos próprios, mas exclusivamente por seu amor gracioso, que nos alcançou e providenciou o meio de salvação através do sacrifício perfeito de Jesus Cristo.

Ao longo da história, surgiram interpretações equivocadas acerca do amor divino. O povo de Israel, em determinados momentos, equivocou-se ao pensar que Deus amava exclusivamente a nação israelita. De modo semelhante, o Calvinismo ensina que Deus ama apenas os eleitos e que Cristo morreu somente por estes.

Entretanto, ao longo da história, surgiram interpretações equivocadas acerca do amor divino. O povo de Israel, em determinados momentos, equivocou-se ao pensar que Deus amava exclusivamente a nação israelita. De modo semelhante, o Calvinismo ensina que Deus ama apenas os eleitos e que Cristo morreu somente por estes.

Todavia, tais ideias não encontram respaldo nas Escrituras. A Bíblia revela claramente que o amor de Deus é universal em sua oferta: Ele ama o mundo e deseja que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. A graça divina manifestou-se trazendo salvação a todos os homens,  conforme testificam as Escrituras (Jo 3.16; 1Tm 2.4; Tt 2.11).

2. Comunhão com o Filho.

Em relação ao Filho, a bênção apostólica destaca a graça do Senhor Jesus Cristo, que consiste em seu favor imerecido ao doar-se voluntariamente em sacrifício vicário (substitutivo), pagando o preço da nossa redenção. Trata-se da manifestação suprema do amor de Deus, revelada em Cristo Jesus para a salvação da humanidade.

O hino 205 da Harpa Cristã descreve, de forma poética, essa maravilhosa graça:

A graça de Deus revelada
Em Cristo Jesus, meu Senhor,
Ao mundo perdido é dada
Por Deus, de infinito favor.

Da mesma forma, o conhecido hino “Amazing Grace” expressa essa verdade espiritual:

Maravilhosa graça! 

Quão doce é o som
Que salvou um miserável como eu!
Eu estava perdido, mas agora fui achado;
Era cego, mas agora vejo.

A Igreja deve, necessariamente, manter comunhão com o Filho de Deus, pois Ele é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5), o único caminho que conduz ao Pai (Jo 14.6), e em nenhum outro há salvação (At 4.12).

Sem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, não pode haver comunhão com Deus. O apóstolo Paulo afirma: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8). O apóstolo João também declara de forma clara: “Qualquer que nega o Filho também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem também o Pai” (1Jo 2.23).

Portanto, compreendemos que a verdadeira comunhão com Deus Pai só é possível por meio de um relacionamento vivo e genuíno com o Filho, fundamentado em sua graça salvadora.


3. Comunhão com o Espírito.

Na bênção apostólica, ao referir-se ao Espírito Santo, o apóstolo Paulo menciona “a comunhão do Espírito Santo”, e não “a comunhão com o Espírito Santo”. Esse detalhe é significativo, pois revela que é o próprio Espírito quem produz a comunhão entre os santos, e não apenas participa dela.

A palavra grega traduzida por “comunhão” é koinonia, que significa “parceria, participação e comunhão espiritual”. É exatamente isso que o Espírito Santo realiza na Igreja: Ele compartilha as bênçãos, os dons e o Fruto do Espírito com aqueles que creram em Cristo. Essa comunhão do Espírito Santo, como destaca o comentarista, insere-nos em uma dimensão espiritual caracterizada pela reconciliação, pelo perdão e pela cooperação.

Quando há disputas, contendas, partidarismo, egoísmo e outras obras da carne no seio de uma igreja local, isso indica a ausência da comunhão do Espírito Santo, ainda que existam manifestações de dons espirituais. Esse era o caso da Igreja de Corinto, marcada por divisões e competições internas, inclusive quanto ao uso dos dons. Apesar de possuir muitos dons, aquela igreja foi classificada como carnal pelo apóstolo.

Ev. WELIANO PIRES

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