(Comentário do 2º tópico da Lição 10: Espírito Santo - o capacitador)
Neste segundo tópico, falaremos do cumprimento da promessa do derramamento do Espírito, que concedeu aos discípulos de Jesus poder para testemunhar.
Inicialmente, veremos que o Espírito Santo veio com poder do alto sobre os discípulos no cenáculo. Esse poder não era apenas para vencer o pecado; era também ousadia para testemunhar, poder para operar milagres e sabedoria para a edificação da Igreja.
Na sequência, abordaremos os sinais sobrenaturais que foram vistos na descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes: o som, como de um vento forte e impetuoso, e as línguas repartidas, como de fogo, que pousaram sobre a cabeça dos discípulos.
Por fim, trataremos da evidência do revestimento do poder do Espírito, que foi o “falar em outras línguas” (At 2.4). Os outros sinais observados no Pentecostes não se repetiram em outras ocasiões; apenas o falar em outras línguas permaneceu como evidência.
1. O Espírito Santo veio com o poder do Alto.
Após a ressurreição e antes de subir ao Céu, o Senhor Jesus ordenou aos seus discípulos que não se ausentassem de Jerusalém até que recebessem a promessa do Pai (Lc 24.49; At 1.4). Essa promessa referia-se à vinda do Espírito Santo, que capacitaria os discípulos para a grande missão de anunciar o Evangelho ao mundo.
O livro de Atos inicia-se com as últimas palavras de Jesus aos seus discípulos antes de sua ascensão. Entre essas palavras, destaca-se a promessa de que o Espírito Santo viria sobre eles, não muito tempo depois daqueles dias (At 1.5,8). Esse acontecimento transformaria completamente a vida daqueles homens.
De fato, a partir da descida do Espírito Santo, os discípulos nunca mais foram os mesmos. Eles receberam ousadia para proclamar o Evangelho, mesmo diante das autoridades judaicas e em meio à perseguição. O Espírito Santo também lhes concedeu poder para realizar sinais e maravilhas, além de dirigir a obra missionária da Igreja nascente.
No livro de Atos encontramos diversas evidências da atuação do Espírito Santo por meio dos apóstolos. No próprio dia de Pentecostes, após a descida do Espírito Santo, a multidão que estava em Jerusalém ficou admirada e confusa com o que estava acontecendo.
Então, Pedro, cheio do Espírito Santo, levantou-se e pregou com grande ousadia. Sua mensagem foi poderosa e tocou profundamente o coração dos ouvintes. Não foi necessário fazer qualquer apelo formal, pois a multidão, compungida em seu coração, aproximou-se perguntando o que deveria fazer. Pedro respondeu:
“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38).
O resultado foi extraordinário: quase três mil pessoas aceitaram a mensagem e se converteram naquele mesmo dia. Pouco tempo depois, o número de discípulos chegou a quase cinco mil pessoas.
Esse acontecimento nos mostra que o crescimento da Igreja não depende apenas de argumentos humanos ou de discursos bem elaborados. Somente o Espírito Santo pode convencer o pecador, transformar vidas e conduzir pessoas a Cristo. O crescimento da Igreja primitiva foi resultado direto da ação do Espírito Santo. Hoje, a Igreja também precisa depender do mesmo poder para cumprir sua missão de anunciar o Evangelho.
2. Os sinais da descida do Espírito Santo.
O texto de Atos 2.1–4 descreve o extraordinário evento da descida do Espírito Santo sobre os discípulos. Eles estavam reunidos no mesmo lugar, perseverando em oração e aguardando o cumprimento da promessa de Jesus, embora não soubessem exatamente como ela se realizaria.
De repente, veio do Céu um som como de um vento forte e impetuoso, que encheu toda a casa onde estavam assentados. Naquele momento, três sinais sobrenaturais foram percebidos pelos que estavam no cenáculo: um som como de um vento veemente e impetuoso (At 2.2); línguas repartidas, como que de fogo (At 2.3); e os discípulos falando em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem (At 2.4).
O primeiro sinal foi auditivo: um som como de um vento forte e impetuoso. As pessoas ouviram o som, mas não viram o vento. Esse barulho indicava a manifestação da presença de Deus. Na Bíblia, em várias ocasiões, a manifestação divina foi acompanhada por sons grandiosos.
No Antigo Testamento, por exemplo, o profeta Ezequiel descreveu a glória de Deus dizendo:
“E eis que a glória do Deus de Israel vinha do caminho do oriente; e a sua voz era como a voz de muitas águas, e a terra resplandeceu por causa da sua glória” (Ez 43.2).
Da mesma forma, o Senhor Jesus revelou-se ao apóstolo João na ilha de Ilha de Patmos, e sua voz foi comparada ao som de muitas águas:
“Os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivesse sido refinado numa fornalha; e a sua voz, como a voz de muitas águas” (Ap 1.15).
Outro sinal foi o aparecimento de línguas repartidas como que de fogo, que pousaram sobre cada um dos discípulos. O fogo, nas Escrituras, frequentemente simboliza a presença, a santidade e o poder de Deus.
Quando Deus se manifestou a Moisés pela primeira vez no monte Horebe, ele viu uma sarça que ardia em fogo, mas não se consumia:
“E apareceu-lhe o anjo do SENHOR em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia” (Êx 3.2).
Mais tarde, quando Moisés subiu ao monte Sinai para receber a Lei, Deus também se manifestou em fogo:
“E todo o monte Sinai fumegava, porque o SENHOR descera sobre ele em fogo; e a sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente” (Êx 19.18).
Esses sinais demonstram que o evento de Pentecostes não foi algo comum. Tratou-se de uma poderosa manifestação divina, marcando o início da atuação do Espírito Santo na Igreja de forma plena e visível.
Os sinais que acompanharam a descida do Espírito Santo mostraram que Deus estava inaugurando uma nova etapa na história da Igreja: a capacitação espiritual dos crentes para testemunhar de Cristo. Assim como os primeiros discípulos foram cheios do Espírito Santo para cumprir sua missão, os crentes de hoje também devem buscar a presença e o poder do Espírito para viver e anunciar o Evangelho.
3. A evidência do revestimento de poder.
O evangelista Lucas relata que todos foram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem (At 2.4). Esse acontecimento marcou profundamente a experiência espiritual da Igreja primitiva.
A doutrina pentecostal clássica ensina, desde os seus primórdios, que a evidência física inicial do batismo no Espírito Santo é o falar em outras línguas. Esse também é o posicionamento das Assembleias de Deus desde a sua fundação. A Declaração de Fé afirma:
“O batismo dos crentes no Espírito Santo é testemunhado pelo sinal físico inicial de falar em outras línguas, conforme o Espírito de Deus lhes concede que falem” (At 2.4).
É importante esclarecer que existem dois tipos de falar em línguas descritos no estudo do Novo Testamento. Há duas palavras gregas frequentemente associadas a essa experiência.
A primeira é xenolalia, formada por xeno (estrangeiro) e laleo (falar). Esse termo refere-se ao falar em uma língua estrangeira desconhecida por quem fala, mas compreendida por quem a ouve.
A segunda é glossolalia, formada por glossa (língua) e laleo (falar). Nesse caso, trata-se de uma linguagem espiritual desconhecida tanto por quem fala quanto por quem ouve, sendo uma manifestação sobrenatural do Espírito Santo.
No dia de Pentecostes, os discípulos foram cheios do Espírito Santo e falaram em “outras línguas”. O termo grego utilizado em Atos 2.4 é heterais glossais, que significa “outras línguas”. Essas línguas eram desconhecidas para aqueles que falavam, mas algumas pessoas presentes em Jerusalém as compreenderam, pois as ouviram em seus próprios idiomas.
No capítulo 8 de Atos, após a pregação de Filipe em Samaria, os apóstolos Pedro e João impuseram as mãos sobre os novos convertidos, e eles receberam o Espírito Santo (At 8.17). O texto não afirma explicitamente que falaram em línguas, mas houve um sinal visível dessa experiência, pois até mesmo Simão, o Mago percebeu o ocorrido e ofereceu dinheiro para obter esse poder (At 8.18).
Algo semelhante ocorreu com Paulo de Tarso. Quando Ananias de Damasco lhe impôs as mãos, ele foi cheio do Espírito Santo (At 9.17). Embora o texto não mencione explicitamente as línguas nesse momento, o próprio apóstolo Paulo posteriormente afirmou falar em línguas (1 Co 14.18), indicando que também teve essa experiência.
Em Cesareia, na casa do centurião Cornélio, enquanto Pedro ainda pregava, o Espírito Santo caiu sobre todos os que ouviam a Palavra. Os presentes reconheceram que eles haviam recebido o Espírito Santo porque os ouviram falar em línguas e glorificar a Deus (At 10.46).
Mais tarde, em Éfeso, o apóstolo Paulo encontrou cerca de doze discípulos que ainda não conheciam plenamente a doutrina sobre o Espírito Santo. Depois de instruí-los, Paulo lhes impôs as mãos, e eles receberam o Espírito Santo, passando também a falar em línguas e a profetizar (At 19.1–6).
Assim, ao comparar os diferentes relatos do livro de Atos, observamos que o falar em línguas aparece repetidamente como o sinal que acompanhou o batismo no Espírito Santo. Por essa razão, na teologia pentecostal, entende-se que essa manifestação constitui a evidência inicial dessa experiência espiritual.
O batismo no Espírito Santo não é apenas uma experiência emocional, mas uma capacitação espiritual concedida por Deus para fortalecer a fé e impulsionar a Igreja na proclamação do Evangelho. Por isso, devemos buscar a plenitude do Espírito Santo, permitindo que Ele dirija suas vidas e os capacite para testemunhar de Cristo com poder.
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